ALQUIMIA


 

“Ora, lege, lege, relege, labora et invenier”
(Ora, lê, lê, relê, trabalha e encontrarás)

Esta era uma das primeiras grandes lições que o mestre alquimista ensinava a seus discípulos.

Alguns opinam que a palavra “alquimia” vem da expressão árabe “Al Khen” ou ainda de raiz grega, “alkimya”, que significa “o país negro”, nome dado ao Egipto na antiguidade, e que é uma referência ao hermetismo, com o qual a alquimia tem relação.
Outros acham que está relacionado com o vocábulo grego “chyma”, que se relaciona com a fundição de metais.

A origem da alquimia perde-se no tempo, sendo mais antiga do que a história da humanidade. Seu verdadeiro início é desconhecido e envolto em obscuridade e mistério.
Assim, seu surgimento confunde-se com a origem e evolução do homem sobre a Terra.

A utilização e o controle do fogo separaram o animal irracional do ser humano. Nos primórdios, não se produzia o fogo, porém ele era controlado e utilizado para aquecer, iluminar, assar alimentos, além de servir para manejar alguns materiais, como a madeira.
Bem mais tarde conseguiu-se produzir e manufacturar materiais com metal, a partir de metais encontrados na forma livre e posteriormente partindo dos minérios.

 

Muitos associam a origem da alquimia à herança de conhecimentos de uma antiga civilização que teria sido extinta.
Na Terra, já teriam existido inúmeras outras civilizações em diversas épocas remotas, dentre elas várias eram mais evoluídas que a nossa.
Estas civilizações tiveram uma existência cíclica, com o nascimento, desenvolvimento e morte ocorrida provavelmente por meio de grandes catástrofes, como a queda de um grande meteoro, inundações, erupções vulcânicas, entre outras. que acabavam por reduzir grandes civilizações a um número ínfimo de sobreviventes ou mesmo por dizimá-las, fazendo com que uma nova civilização brotasse das cinzas.
Os conhecimentos sobre a alquimia estariam impregnados no inconsciente colectivo de todas as civilizações até hoje ou poderiam ter sido transmitidos pelos poucos sobreviventes, desta maneira a alquimia teria resistido ao tempo.

Os textos chineses antigos se referem às “ilhas dos bem aventurados” que eram habitadas por imortais.
Acreditava-se que ervas contidas nestas três ilhas após sofrerem um preparo poderiam produzir a juventude eterna, seria como o elixir da longa vida da alquimia.
No ocidente, o Egito é considerado o criador da alquimia.

 

O próprio nome, cremos, é de origem árabe (Al corresponde ao artigo o), com raiz grega (elkimyâ). Kimyâ deriva de Khen (ou chem), que significa “o país negro”, nome dado ao Egito na antiguidade.
Os alquimistas relacionam a sua origem ao deus egípcio Toth, que os gregos chamavam de Hermes (Hermes Trimegisto). Alguns alquimistas o consideravam como um rei antigo que realmente teria existido, sendo o primeiro sábio e inventor das ciências e do alfabeto.
Por causa de Hermes a alquimia também ficou conhecida como arte hermética ou ciência hermética.

Os relatos mais remotos de doutrinas que utilizavam os preceitos alquímicos remontam de uma lenda que menciona o seu uso pelos chineses em 4.500 a.C. Ao que parece ela teria aflorado do Taoísmo clássico (Tao Chia) e do Taoísmo popular, religioso e mágico (Tao Chiao).
Porém os textos alquímicos começaram a surgir na dinastia T’ang, por volta de 600 a.C.

Na China, o mais famoso alquimista foi Ko Hung (cujo nome verdadeiro era Pao Pu-tzu, viveu de 249-330 d.C.) que acreditava que com a alquimia poderia superar a mortalidade. Atribui-se a ele a autoria de mais de cem livros sobre o assunto, dos quais o mais famoso é “O Mestre que Preserva sua Simplicidade Primitiva”.

 

Teria aprendido a alquimia por volta de 220 d.C com Tso Tzu.
O tratado de Ko Hung, além da alquimia trata também da ciência da alma e das ciências naturais.
Sua obra trata tanto do elixir da longa vida bem como da transmutação dos metais.

Até então a alquimia chinesa era puramente espiritual e foi Ko Hung que introduziu o materialismo, provavelmente devido a influências externas. Ela foi influenciada também pelo I Ching “O livro das Mutações”.
Posteriormente seguiu a escola dos cinco elementos, que mesmo assim permaneceu quase que completamente mental-espiritual.

Na China a alquimia também ficou vinculada à preparação artificial do cinábrio (minério do qual se extraía o mercúrio – sulfito de mercúrio), que era considerado uma substância talismânica associada a manutenção da saúde e a imortalidade.
A metalurgia, principalmente o ato da fundição, era um trabalho que deveria ser realizado por homens puros conhecedores dos ritos e do ofício. A transformação espiritual era simbolizada pelo “novo nascimento”, associada a obtenção do metal a partir do minério (cinábrio e mercúrio).

 

A filosofia hindu de 1000 a.C. apresentava algumas semelhanças com a alquimia chinesa, como por exemplo o soma cujo conceito assemelhava-se ao do elixir da longa vida.
No Egito a alquimia teria surgido no século III d.C. e demonstrava uma influência do sistema filosófico-religioso da época helenística misturando conhecimentos médicos com metalúrgicos. A cidade de Alexandria era o reduto dos alquimistas. O alquimista grego mais famoso foi Zózimo (século IV), que nasceu em Panópolis e viveu em Alexandria, escreveu uma grande quantidade de obras.

Nesta época, várias mulheres dedicavam-se a alquimia, como por exemplo Maria, a judia, que inventou um banho térmico com água muito utilizado nos laboratórios actualmente, o “banho-maria”, Kleopatra que possivelmente não seria a Rainha Cleópatra, Copta e Teosébia.

Os persas conheciam a medicina, magia e alquimia. A alquimia possuía um pouco da imagem da população de Alexandria, era uma mistura das práticas helenísticas, caldaicas, egípcias e judaicas.

Alexandre “o Grande” foi quem teria disseminado a alquimia durante suas conquistas aos povos Bizantinos e posteriormente aos Árabes.
Os árabes, sob a influência dos egípcios e chineses, trouxeram a alquimia para o ocidente ao redor do ano de 950, inicialmente para a Espanha. Construíram-se escolas e bibliotecas que atraíam inúmeros estudiosos.

Conta-se que o primeiro europeu a conhecer a alquimia foi o teólogo e matemático monge Gerbert que mais tarde se tornou papa, no período de 999/1003, com o nome de Silvestre II.
Na Itália Miguel Scott, astrólogo, escreveu uma obra intitulada De Secretis em que a alquimia estava constantemente presente.
No século X, a alquimia chinesa renunciou à preparação de ouro e se concentrou mais na parte espiritual.
Ao invés de fazerem operações alquímicas com metais, a maioria dos alquimistas realizavam experimentos directamente sobre seu corpo e espírito. Esta retomada a uma ciência espiritual teve como ponto culminante no século XIII com o Taoísmo budaizante, com as práticas da escola Zen.

Podemos assim dividir a história da alquimia em dois movimentos independentes: a alquimia chinesa e a alquimia ocidental.

Na cidade de Alexandria, no Egipto, onde floresceu nos primeiros séculos da era cristã, a alquimia recebeu influência do neoplatonismo, que diz que a matéria, apesar de múltiplas aparências, é formada por uma substância única, sendo esta a justificativa para a possibilidade da transmutação.
Assim, o processo alquímico é obtido pela fusão dos quatro elementos fundamentais da antiguidade: fogo, ar, água e terra.

 

Foi graças às campanhas de Alexandre, o Grande que a alquimia se disseminou em todo o oriente. E foram os muçulmanos que a levaram novamente para a Europa, em razão da conquista Islâmica da Península Ibérica, particularmente para Al-Andaluz ao redor do ano de 950.
Assim, este florescimento da alquimia na península Ibérica durante a Idade Média está relacionado à presença muçulmana na Europa neste período.

Além de na Alquimia medieval estarem vários traços da cultura muçulmana, está também presente traços da cabala judaica, com a qual a Alquimia possui forte relação.

Durante a Idade Média muitos alquimistas foram julgados pela Inquisição, e condenados à fogueira por alegado pacto com o diabo. Por isto, até os dias de hoje o enxofre, material usado pelos alquimistas, é associado ao demónio.
A alquimia deixou muitas contribuições para a química, como subproduto de seus estudos, dentre eles, podemos citar: a pólvora, a porcelana, vários ácidos (ácido sulfúrico), gases (cloro), metais (antimónio), técnicas físico-químicas (destilação, precipitação e sublimação), além de vários equipamentos de laboratório.

Na China produzia-se alumínio no século II e a electricidade era conhecida pelos alquimistas de Bagdad desde o século II a.C.

 

A Alquimia é a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos e o estudante de alquimia é um andarilho a percorrer as estradas da vida. O verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto.
É capaz de realizar coisas que a ciência e tecnologias actuais jamais conseguirão, pois a Alquimia está pautada na energia espiritual e não somente no materialismo e a ciência há muito tempo perdeu este caminho.
A Alquimia é o conhecimento máximo, porém é muito difícil de ser aprendida ou descoberta.

 

O ideal alquimista não constitui a descoberta de novos fenómenos, ao contrário do que procura cada vez mais intensamente a ciência moderna, mas sim reencontrar um antigo segredo, que ainda é inacessível e inexplicado para a maioria.
Ela não é constituída somente de um caminho material, como por exemplo a transmutação de qualquer metal em ouro.
Antes de tudo a alquimia é uma arte filosófica, uma maneira diferente de ver o mundo.

Não podemos, no entanto, separar o material do espiritual, uma vez que na Terra estamos encarnados em um corpo, onde um sofre influência do outro, pois na realidade tudo é uma coisa só, uma unidade, o ser humano. Na alquimia ocorre a transmutação da matéria e do espírito ao mesmo tempo.
O alquimista adquire conhecimentos irrestritos da natureza, se pondo em um ponto especial de observação, vendo tudo de maneira diferente. Seria como se uma pessoa pudesse ver tanto o aspecto físico nos mínimos detalhes bem como as energias associadas a este corpo. O alquimista estaria em contacto total com o universo, enquanto que para todos nós este contacto é apenas superficial.

Na realização da Grande Obra, o alquimista consegue obter a pedra filosofal e modificar sua aura eliminando a cobiça e a avidez. Descobre que o ouro material não tem grande valor quando comparado ao ouro interno, ou seja, o caminho espiritual é infinitamente mais importante que as coisas materiais.

Todos deveriam se contentar com o básico para sobrevivência do corpo e se dedicar por inteiro a busca de um aperfeiçoamento espiritual.
Somente os homens de coração puro e intenções elevadas serão capazes de realizar a Grande Obra.

 

O alquimista é o estudante assíduo da alquimia, aquele que busca o caminho para a iluminação. O soprador é um mercenário que só se interessa pelo ouro que ele poderá produzir e o Adepto é o alquimista que realizou a Grande Obra, ou seja um iluminado.

A alquimia é a mais antiga das ciências e influenciou todas as demais. Tem como principal objectivo compreender a natureza e reproduzir seus fenómenos para conseguir uma ascensão a um estado superior de consciência.
Os alquimistas, em suas práticas de laboratório, tentavam reproduzir a pedra filosofal a partir da matéria-prima primordial.
Com uma pequena parte desta pedra é possível obter o controle sobre a matéria, transformando metais inferiores em ouro e também o Elixir da Longa Vida, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente.

O ouro é considerado o mais perfeito dos metais pois dificilmente se oxida, não perde o brilho e acredita-se que todos os outros metais evoluem naturalmente até ele no interior da terra. Portanto, a transmutação é considerada um processo natural.
Os alquimistas somente aceleram este processo, realizando as transmutações em seus laboratórios.

Este tipo de conhecimento ficou sendo o mais cobiçado, não pelos alquimistas, mas pelos não iniciados, os sopradores como eram chamados. Eles buscavam a pedra filosofal, que lhes confeririam poderes como a invisibilidade, viagens astrais, curas milagrosas, etc.

 

Esta pedra filosofal não se constituía necessariamente de um objecto, mas sim energia que pode ser adquirida e controlada. Este conjunto pedra e alquimista são responsáveis dos poderes alcançados.
Um não iniciado poderia possuir a pedra e dela não desfrutar toda a sua potencialidade conseguindo, quando muito transformar uma pequena quantidade de chumbo em ouro.
A transformação da matéria-prima na pedra filosofal, juntamente com a transformação do indivíduo constitui a Grande Obra.

No laboratório, com experimentos e constantes leituras e releituras, o alquimista nas várias etapas da transformação da matéria, vai gradativamente transformando a própria consciência. Antes do ouro metal, o alquimista deverá encontrar o ouro espiritual dentro de si.

Os ideais e poderes pretendidos pelos alquimistas, nos faz correlacioná-los aos poderes de Cristo, que foi capaz de transmutar água em vinho, multiplicar os pães, andar sobre a água, curar milagrosamente, dentre outros. Ele sempre dizia: “aquele que crê em mim, fará tudo que eu faço e ainda fará coisas maiores”.

Os alquimistas buscavam esta pureza e compreensão espiritual, conseguindo assim, realizar estas obras. Portanto, o exemplo de Cristo, além do exemplo espiritual, constitui-se em um meio de descobrir o poder sobre a matéria.
Muitos alquimistas consideram Cristo “A” própria Pedra Filosofal.
Encontrar a pedra filosofal significa descobrir o segredo da existência, um estado de perfeita harmonia física, mental e espiritual, a felicidade perfeita, descobrir os processos da natureza, da vida, e com isso recuperar a pureza primordial do homem, que tanto se degradou na Terra.
Portanto, a Grande Obra eleva o ser a mais alta perfeição: purifica o corpo, ilumina o espírito, desenvolve a inteligência a um ponto extraordinário e repara o temperamento.

 

A pedra filosofal era gerada a partir da matéria-prima primordial, além de outros compostos, no Ovo Filosófico que é um recipiente redondo de cristal onde todos estes compostos vão sendo transformados, em várias etapas, sempre utilizando o forno. Este processo frequentemente é comparado a uma gestação da pedra filosofal.

Isto seria como reproduzir o que a Natureza fez no princípio, quando só existia o caos, porém de maneira mais rápida, dando melhores condições para que ocorram as transformações.
Portanto, a conclusão da Grande Obra, ou seja, o entendimento dos segredos alquímicos, significa adquirir os conhecimentos das leis universais e penetrar em uma dimensão espaço-tempo sagrada, diferente da do quotidiano de todos.

Por: S. L. Lima

FONTE: http://grandarcanum.blogspot.com/

1 Comentário

  1. Flávio Borel disse,

    Outubro 29, 2009 às 12:03 am

    Caraca, gostei muito do texto, muito bom mesmo…
    vou add teu link no meu blog!!!
    abração, parabéns!


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