OS CINCO AGREGADOS

 

 
Anteriormente fizemos uma palestra[1] onde afirmamos que tudo que existe na vida é uma ilusão, ou seja, alguma coisa que o ser humanizado vive achando que é verdade, mas não é. Também já conversamos sobre a Realidade do Universo[2], ou seja, sobre a emanação de Deus. Vimos a vida do espírito e como Deus vai criando o Universo a cada micro fração de tempo.

Hoje para encerrar este ciclo, juntaremos as duas coisas. Agora que já sabemos que Deus é quem cria e que os seres humanizados se iludem dando valores para as coisas, vamos descobrir de onde nascem e como se formam as ilusões.

Vamos descobrir neste trabalho como o espírito “vê”, “ouve” ou “entende” as coisas do universo enquanto humanizado. Falaremos hoje sobre os instrumentos utilizados pelo espírito preso ao processo de elevação no Mundo de Provas e Expiações para “entender” as coisas do universo.

A base daquilo que conversaremos hoje está estampada em um sutta de Buda [3] (Sidarta Gautama). Para melhor compreensão, vamos comentar a história que este sutta relata.

Existiam no acampamento alguns seguidores que queriam sair e habitar em uma outra região. Estes seguidores procuram o Buda e pedem autorização para isso. O mestre diz: vocês sabem como responder às pessoas do seu local de destino quando forem perguntados sobre a doutrina que seguem?

Os discípulos dizem que não sabem e que por isso mesmo vieram conversar com Sidarta. O mestre pede, então, que eles conversem com Sariputta (um discípulo de Buda que já podia ser considerado um mestre), pois ele saberia orientá-los.

Quando fazem a mesma pergunta a Sariputta, este lhes ensina: a base da doutrina de Buda é o desapego às paixões e os desejos gerados os pelos “cinco agregados” do espírito. O mestre ainda completa: Buda ensina assim, porque sabe que quem se desapega das paixões e desejos gerados pelos “cinco agregados” consegue a felicidade nesta vida e também uma boa colocação quando sair da carne.

A partir deste sutta, podemos entender que o desapego das paixões e desejos gerados pelos “cinco agregados” são a base da elevação espiritual dentro da visão de Buda, bem como que sua execução leva o ser humanizado a promover a sua reforma íntima.

Hoje vamos estudar exatamente estes agregados, ou seja, como o próprio nome diz, cinco elementos que não são do espírito. Eles estão agregados ao espírito e só se mantêm assim enquanto o ser estiver humanizado. A partir do momento que o espírito alcance a sua elevação, os “cinco agregados” deixam automaticamente de existir.

Agora, é preciso lembrar que Sariputta não disse que o espírito humanizado não deve ter estes agregados, pois enquanto estiver ligado à carne necessitará deles. O que o mestre ensinou é que o espírito não pode apegar-se às paixões e desejos que nascem a partir da ação através deles se quiserem alcançar uma boa colocação após o desencarne (ressurreição).

Quando o espírito, mesmo utilizando-se destes agregados, libertar-se da paixão e do desejo fruto da ação através deles, terá conseguido para esta vida felicidade incondicional e para a próxima uma boa colocação.

É sobre estes “cinco agregados” e a vida vivida através deles que iremos falar. Falaremos sobre a formação da realidade que cada espírito vive como real, mas que é maya, ilusão, pois é formada através da ação dos “cinco agregados”.

Mostraremos que tudo que para o ser humanizado é real, tudo que é verdadeiro, é formado pela ação destes “cinco agregados”. Veremos, ainda, que este caráter de verdadeiro e real que o ser humanizado aplica ao fruto da ação através dos “cinco agregados” é uma “paixão”. No entanto, precisamos antes falar mais um pouco sobre as paixões e desejos humanos.

As paixões do ser humanizado podem ser de dois tipos: positiva ou negativa. Paixão positiva é o que se sente por tudo que se “gosta”, acha “certo”, é “bom”. Já a negativa é ao contrário: tudo que não se “gosta”, se considera “errado” ou “mal”.

A partir do momento que o espírito cria uma paixão gera também um desejo, que da mesma forma, pode ser positivo ou negativo. O desejo de se vivenciar aquilo que se “gosta” é o positivo; a busca de não se vivenciar o que é considerado “errado” ou “mal” é o negativo.

Toda esta forma de viver (querer vivenciar as paixões positivas e não as negativas) é oriunda do aprisionamento aos “cinco agregados” do espírito que cria as paixões. É sobre esta criação e sobre este “estilo” de vida que falaremos hoje.

São estes os “cinco agregados” que estudaremos: formas, percepções, sensações, formações mentais e consciência. Estes são os cinco elementos agregados do espírito, ou seja, algo que não existe no mundo menos denso (espiritual), mas que está presente no espírito humanizado.

Vamos conversar sobre cada uma deles. Comecemos pela forma, ou o desenho que se dá aos objetos e coisas materiais do universo.

Através do Livro dos Espíritos aprendemos[4] que tudo que existe é formado primariamente por um único elemento do universo. Naquele livro este elemento é chamado de fluído universal, mas também é conhecido como fluído cósmico universal, matéria energética força, etc. O nome pelo qual se trata o elemento primário do universo não importa, mas sim a compreensão de que tudo que existe no universal materialmente falando é formado por ele.

No mesmo livro aprendemos também[5] que só este elemento existe, ou seja, que todas as demais coisas são decorrentes de combinação e fusão do próprio fluído universal. Decompondo-se qualquer coisa material do universo, conhecida ou não pelos humanos, até a sua mínima parte encontraremos sempre o fluído universal. Por isto o chamamos de “átomo universal”:

Este fluído universal, ainda segundo o Livro dos Espíritos[6], é uma energia. Por favor, olhe agora para uma lâmpada acesa em sua casa e preste atenção para ver se consegue ver a energia. Não conseguiu, não é mesmo? Você não vê a energia, pois ela não tem forma para poder ser “vista” (captada).

O ser humanizado até cria algumas representações materiais que chama de “forma da energia“ [7]. Alguns ainda confundem a forma do raio com a da própria energia, mas tudo isso é apenas uma forma que os humanos dão a ela, pois a energia não tem forma.

Se tudo é formado primariamente por energia e se essa não possui forma, o desenho com o qual o ser humanizado representa as coisas é maya. É algo que os seres utilizam apenas enquanto estão presos ao mundo de provas e expiações, enquanto está humanizado.

A forma das coisas é um agregado do espírito, não pertence ao universo real. Esta compreensão é fundamental para o fim das paixões, pois os seres humanizados não conseguem idealizar uma forma sem ligá-la a uma paixão, positiva ou negativa, e conseqüentemente gerar um desejo.

Precisamos nos desapegar das formas, pois elas são geradoras de paixões que levarão a um desejo, a um condicionamento para ser feliz. Para isso é preciso declarar expressamente para si mesmo: a forma é uma ilusão, é um maya, é uma criação do espírito, não é uma Realidade do universo.

Vejamos agora ver este ensinamento na prática. Aplicando-se a idéia de que tudo que existe é apenas fluído universal combinado de diversas formas, podemos afirmar que a vida humana processa-se em uma massa de fluídos universais, ou seja, o espírito humanizado vive em uma massa compacta de matérias energéticas. Apesar disto, o ser humanizado distingue formas isoladas nesta massa compacta.

Por exemplo: você está sentado em uma cadeira. Este objeto que apóia o corpo não existe, pois é fluído universal. O corpo que o espírito está habitando e que imagina ser ele mesmo, por ser material, também é fluído universal. O ar que existe entre o corpo e a cadeira e ao redor dele, não é ar, mas sim fluído universal.

Desta forma, onde se vê uma pessoa sentada o que existe, na realidade, é uma massa homogênea formada só do elemento universal. A distinção que se dá criando as diversas formas não é real, mas apenas o fruto da ação dos “cinco agregados”.

Todo “espaço” que você imaginar é na verdade uma condensação de fluído universal, uma massa compacta deste elemento. Desta forma, como pode o ser distinguir formas nestas coisas? Como alguém pode ser capaz de dizer que uma coisa é cadeira, “eu” ou ar?

Pela “forma” que é criada pelo ser humanizado preso aos “cinco agregados”. Neste trabalho ainda falaremos como se criam as formas, mas neste momento o importante é entender que a forma não é do objeto, mas apenas criação do espírito humanizado.

Para poder viver a Realidade do universo (uma massa compacta de fluído universal) é que o espírito precisa se libertar da ação do agregado “forma”. Se você não criar formas para as coisas não se apaixonará positiva ou negativamente por elas. Abolindo as formas da sua existência compreenderá, então, o maya em que vive: a ilusão de estar sentado numa cadeira, fumando um cigarro, tomando um café e olhando para este papel.

Nenhum destes elementos (cadeira, cigarro, café e papel) existe distintamente, pois são simples variações do fluído universal. Mas você cria a ilusão que tudo isto existe e, por isso, vive o maya de se achar sentado, de fumar, de beber e de ler.

Tudo é maya, o objeto e a ação, mas “existem” para o ser humanizado porque ele está preso ao agregado “forma” [8].

Podemos agora falar, então, em como se criam estas formas. Elas são criadas pelas percepções do espírito. Vamos conversar sobre o segundo agregado do espírito, ou seja, um elemento que não é dele, mas que utiliza enquanto humanizado.

Antes, porém, uma ressalva importante. Estamos falando constantemente em espírito humanizado e não encarnado, pois os “cinco agregados” existem em espíritos mesmo quando fora da carne.

Os espíritos podem ser considerados humanizados quando encarnados, mas também os desencarnados podem ser desta forma. A humanização do espírito se dá pelo seu grau de consciência e não pela densidade da matéria que ocupe. A humanidade de um ser não é ditada pela sua situação física, mas pelo seu grau de elevação espiritual.

Assim, se o espírito estiver espiritualizado, na carne ou fora dela, estes elementos desaparecerão, mas enquanto estiver humanizado (vivendo com a consciência humana) eles existirão independente de órgãos físicos. Voltemos agora ao tema percepção.

Percepções são coisas [9] que são percebidas pelo espírito através dos órgãos sensoriais do corpo. Como dissemos antes, a percepção existe mesmo quando o ser está desencarnado. Por isso, o corpo a que nos referimos aqui não é apenas o físico, mas também o perispiritual. As percepções podem ser recebidas tanto pelo olho, por exemplo, do corpo físico como pelo olho que existe no perispírito.

A percepção é o fruto daquilo que entra pelo olho, pelo ouvido, pelo nariz, boca e pelos órgãos de sensibilidade espalhados por todo elemento material que o espírito está utilizando. A imagem captada pelo olho, o som captado pelo ouvido, o cheiro, o paladar e a sensibilidade captados pelos seus órgãos próprios são percepções.

Agora, o que é um olho? É uma peça material, um órgão de percepção, tanto no corpo físico como no astral. O “olhar” (a percepção visual) não é criada pelo olho, pois ele é apenas um órgão do corpo físico. O “olhar”, como veremos adiante, é mais do que a simples percepção captada pelo olho.

Além disto, o olho é um órgão que limita a percepção do espírito. Quando estudamos o Livro dos Espíritos havia uma pergunta [10] que dizia: O espírito enxerga pelo olho? A resposta foi não, o espírito vê pelo corpo inteiro. No entanto, enquanto ele estiver humanizado se apega ao órgão olho como única fonte de percepção o que limita a sua capacidade de “ver”.

Podemos afirmar então que a percepção do espírito é irreal, uma ilusão, maya, porque é limitada e não abrange tudo. A irrealidade acontece porque existem muitas mais coisas além daquelas que o ser humanizado está percebendo.

Por exemplo: Você é capaz de dizer o que está acontecendo em ambientes diferentes daquele que está, ou mesmo onde se encontra agora? Não, porque está preso ao som que entra pelo seu ouvido. Se você não está ouvindo nada é sinal de que nada está ocorrendo.

Mas, muita coisa está se passando ao seu redor. Por exemplo: à sua volta, não importa onde esteja, existem diversos espíritos conversando entre si: isto faz parte da Realidade do universo. Como você não os ouve afirma que eles não existem ou que está sozinho.

O “achar que está só” ou a afirmação de que “espíritos não existem”, são mayas (ilusões) geradas por aqueles que acreditam apenas nas percepções captadas pelos seus respectivos órgãos.

É isso que o Buda nos ensina. Você não pode se apaixonar pelo que ouve (acreditar apenas nisso), porque existem muito mais coisas do que aquilo que consegue perceber pelos órgãos. Não pode se apaixonar pelo que vê, porque existem milhares de coisas além daquelas que a sua pequeníssima capacidade de perceber “visão” é capaz de enxergar.

É justamente desta limitada percepção e desta limitada capacidade de conhecer o universo que nascem suas verdades. Elas estão presas ao que você vê, ouve, cheira, prova sabor ou que tem sensação pelo corpo. Mas, elas não são verdadeiras, pois, existem milhares de coisas além do que é percebido pelo ser humanizado.

A prisão a estas percepções como verdades absolutas gera o maya, porque gera a “falsa verdade”, ou verdade relativa. Gera ilusão de, por exemplo, acreditar que não serve para nada: Quem disse isso? Você? Mas, além do que consegue compreender existem mais coisas.

O que diz que é “erro” pode se transformar em “acerto” se conseguir compreender tudo o que se passou. Mas, para isso, é preciso “ver” realmente o que se passou. Mas, você não vê tudo o que acontece, pois não enxerga tudo. Acusa-se só porque acredita que agiu errado, mas esta compreensão acontece apenas porque não viu, teve sensibilidade, ouviu ou sentiu o gosto e o cheiro da Realidade.

Este é o segundo elemento agregado do espírito: a percepção. Quando liberto da humanização o espírito exercerá a sua real capacidade de perceber que está além daquelas que são captadas pelos órgãos físicos e poderá ver, então, a emanação de Deus. Só assim se libertará dos mayas, das ilusões.

O terceiro agregado trata-se de uma ação do espírito sobre a forma percebida através das percepções. Sensação são sentimentos individualizados que o espírito coloca sobre todas as formas que são percebidas através dos órgãos de sensibilidade.

O que é uma cadeira? É uma cadeira. O que é um computador? É apenas um computador. Ou seja, as coisas que são percebidas são apenas o que elas são, mas nada que isso.

Uma cadeira é uma forma percebida através dos órgãos de percepção. Enquanto não houver a ação da sensação, ou seja, a ação do sentimento individualista do espírito humanizado sobre a percepção ela não terá qualidades. Uma cadeira é uma cadeira, mas a partir da sensação que o ser humanizado coloca na percepção ela se transforma em “nova ou velha”, “bonita ou feia”, “limpa ou suja”, “prática ou não”.

A sensação é a ação individualista do espírito utilizando o amor de Deus para determinar valores sentimentais as coisas que são percebidas. Deus emana o amor universal, mas o espírito humanizado utiliza-se deste sentimento para viver “paixões” individualizadas.

Isso só o espírito humanizado faz. O desumanizado não promove sensações individualistas. Ele vive a realidade, ou seja, o amor de Deus em ação. Por isso a sensação, apesar de ser um sentimento, é um agregado do espírito e não algo universal (espiritual).

A sensação reflete uma decisão de foro intimo sentimental do espírito e por isso é diferente entre os espíritos de acordo com o seu grau de elevação espiritual. No espírito humanizado há o dualismo que é a marca das paixões (positivas e negativas) que produzem a diversidade de “sentimentos”, mas o espírito universalizado vive na perfeita integração com Deus.

Estamos falando do caminho da criação do maya: viver uma forma que é percebida e sobre ela agir pronunciando-se sentimentalmente. Isso também é a vida, o processo “viver” para o espírito como já falamos [11].

É deste processo que surgem as “coisas da vida”. O espírito olha uma forma, aplica sobre ela a sensação “gostar” e aí aquilo vira alguma coisa “boa” (paixão positiva). Olha uma forma sobre a qual aplica o “não gostar”, aquilo passa a “não ser bom”. Aí está a origem, o surgimento, do dualismo que os mestres ensinam que os seres humanizados vivem e que é preciso acabar para se unir ao UM.

Mas também, é exatamente quando o espírito utiliza-se do agregado “sensação” que nascem as desavenças do universo. Isto ocorre porque não existem dois espíritos que coloquem, em intensidade, a mesma sensação sobre a mesma percepção.

Agora que já conhecemos o agregado sensação e a formação das “verdades” (sensação que se aplica às formas percebidas), vamos buscar compreender um elemento da vida carnal a partir deste aspecto. Alguém me pediu para falar um pouco mais sobre o sexo, então utilizaremos este acontecimento da vida para isto, mas poderia ser qualquer outro.

O que é o ato sexual? É um acontecimento que ocorre no encontro de duas formas. Se você é heterossexual precisa perceber para que ele ocorra uma forma diferente da sua. Se você é homossexual, precisa perceber uma forma semelhante à sua.

Ao perceber a forma desejada o ser humanizado cria a sensação “paixão sexual” (desejo). Esta sensação, entretanto, é o próprio amor de Deus, que é universal, individualizado. O individualismo da sensação existe porque os seres humanizados praticam o ato sexual para seu próprio benefício, não se importando com o outro.

O amor de Deus é equânime, mas a sensação “paixão sexual” é individualista, porque busca amar (contentar) a si mesmo acima de todos e de tudo. Esta sensação ou sentimento é exatamente o que põe tudo a perder no sentido espiritual durante a realização de atos.

Sempre que o ser humanizado vivenciar qualquer acontecimento deve seguir os mandamentos ensinados por Cristo: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, ou seja, não pensar em si, mas em servir ao Pai e ao próximo.

É este amor incondicional que não possui qualquer intenção individualista, que se usado no lugar das sensações, que são individualistas, transforma a vida do espírito, a existência do ser humanizado. Aí está a raiz do problema. Quando o ser humanizado se deixa levar pelo seu egoísmo (quere satisfazer os desejos oriundos da sua paixão) não cumpre o mandamento de Cristo e por isso não se eleva.

Apesar de haverem ainda dois agregados a serem estudados para melhor compreensão da elevação espiritual, podemos afirmar que aí está o problema do ser humanizado. Isto porque na escolha entre uma sensação ou a utilização do amor universal (incondicional) está o uso do livre arbítrio do espírito.

Na escolha entre utilizar-se de uma sensação (individualizar o amor de Deus) ou utilizar o universalismo (servir ao próximo e a Deus) está a ação da vida espiritual mesmo encarnado. Esta é única ação que o espírito pode fazer a qualquer momento enquanto humanizado.

Pergunta: Por favor, fale sobre o sexto sentido e a percepção extra-sensorial.

Sexto sentido e percepção extra-sensorial, na verdade, são a mesma coisa. É um tipo de percepção que alguns espíritos, por carma ou missão têm. No entanto, ainda é uma percepção humanizada.

Além delas poderíamos ainda incluir a clarividência, clariaudição e outras mais. Trata-se de algumas percepções que o espírito possui como carma ou missão.

No entanto elas são percepções do corpo e não do espírito, ou melhor do espírito utilizando-se de instrumentos do corpo.

Pergunta: E o orgasmo?

O orgasmo como você conhece é físico, portanto, é ilusão, é maya. O orgasmo espiritual é explosão de penetrar na graça de Deus.

Os espíritos elevados durante a oração alcançam um clímax: isto é um ato sexual. A comunhão com O Pai que o leva a penetrar no Amor que banha o universo e que elimina todas as sensações oriundas das percepções, é o orgasmo espiritual.

Pergunta: E a masturbação?

Física, é a mesma coisa que sexo: ilusão, maya.

Espiritual, é uma oração individual, pois neste momento você faz sexo com Deus. Quando você busca Deus através da oração solitariamente e se liga perfeitamente ao Pai e entra em êxtase, realizou uma “masturbação”.

Pergunta: É possível acontecer o orgasmo em um sonho?

Sim, é um ato material. Aliás, o ato material não é você nem o corpo que faz: é Deus.

Pergunta: Eu acredito, como o sonho nunca se revela para nós como é, mas sim em códigos, que possamos ter entrado em algum tipo de êxtase espiritual e isto nos parece como um ato sexual.

Sim. Mesmo durante este êxtase espiritual (fora da carne) você comanda o corpo porque ainda está preso às percepções. Daí resulta que você também comanda o orgasmo do corpo físico.

Apesar de estar em êxtase espiritual fora da carne está ligado na carne, está ligado à realidade espiritual e por isso pode transportar a sensação para o corpo físico.

Pergunta: E o sexo entre almas gêmeas e companheiras?

Você está falando em “sexo grupal”? Só posso entender assim porque almas gêmeas são todas as almas do universo, ou todos os espíritos.

Não existem dois espíritos feitos para o outro. Isso é ilusão. Achar que um é melhor do que o outro, que tem mais amor a alguém do que a outro é ilusão que você precisa vencer para poder entrar no amor universal, o amor igual a todos.

Portanto, interpreto a sua pergunta como êxtase de toda coletividade espiritual ao mesmo tempo? Não, isso é impossível.

Ainda existem os seres humanizados, aqueles que acreditam amar mais a alguém do que a outro e que se acreditam “propriedades” de outros por causa deste amor, que não entrariam nesta “brincadeira”.

Estes seres não participariam do sexo grupal, pois ainda acham que o seu companheiro é o único com quem, por respeito ou qualquer outra crença individualista, podem fazer sexo.

Pergunta: E os jovens que “ficam” [12] ?

Talvez estejam mais preparados para o amor universal do que o marido que cobra da esposa ou vice-versa o que não dá: companheirismo. A união carnal sem obrigações e posse é o primeiro passo para se libertar da percepção de estar com um determinado corpo para poder atingir um clímax.

No entanto, gostaria de deixar bem claro: não estou dizendo que tem que “virar bagunça”. O que estou querendo afirmar é que é necessário se libertar da obrigação, pois enquanto alguém achar que só pode fazer sexo com seu marido ou mulher, estará preso a uma percepção.

O que estou querendo dizer é: mesmo fazendo só com seu marido ou sua mulher, não ter esta verdade, esta obrigação.

Esclareço isto para não dizerem que eu sou anarquista. Quem faz com um ou com vários parceiros está sempre perfeito no sentido espiritual, desde que o faça livremente, sem culpa ou prazer.

Não se pode culpar ninguém que se liberte dos conceitos, pois, quem está liberto da lei está melhor de quem é preso à lei: palavras de Paulo.

O próximo agregado que veremos, chamamos de formação mental. Podemos também chamá-lo de pensamento, ou seja, aqueles valores que são criados na “mente” do ser humanizado através de vozes, idéias ou imagens. Enfim, tudo o que vem a “mente” e conscientemente é percebido é uma formação mental.

A formação mental é um agregado ao espírito, ou seja, não é um elemento espiritual, mas resultado da humanização do espírito. Agora que definimos formação mental, vamos entender a sua ação e como ela se inicia.

Como já vimos, o ser humanizado percebe uma forma e escolhe uma sensação para aquela forma. Esta sensação deu um valor à forma percebida. Por exemplo: alguém “não gostou” de uma resposta que dei. “Não gostar” foi uma sensação escolhida por este espírito humanizado para uma forma (som) percebido.

Logo depois que o espírito escolhe a sensação, inicia-se um raciocínio que dará um “valor” à percepção. Ele irá pensar, ter pensamentos sobre o som percebido. Este pensamento será pautado pela sensação escolhida: “não gostei”.

Apesar da formação mental se espelhar na sensação do ser humanizado não é criação deste, mas de Deus. O espírito tem o livre arbítrio de sentir e Deus transforma esta sensação, que é inconsciente, na formação mental que é consciente.

As formações mentais são, portanto, Deus falando com o ser humanizado para lhe trazer à consciência o conhecimento daquilo que realizou inconscientemente. Ele diz ao espírito através do pensamento aquilo que ele sentiu e não sabe.

Dentro do exemplo que nós demos, quando ouvir uma coisa que falei e ter uma sensação de “não gostar”, Deus dirá: você não gostou por isso, por aquilo, por causa daquilo outro. Os motivos porque não gostou não importam, pois são mayas (verdades individuais, ilusões). A ação divina ao dar a formação mental é no sentido de mostrar ao ser humanizado uma só coisa: você não gostou, ou seja, você teve uma sensação individualista para a percepção da forma que teve.

Se a sensação é o ponto chave na elevação espiritual, a formação mental é uma “cola” que Deus dá para aqueles que estão realizando provas e que não sabem definir o seu sentimento, pois ainda não tem consciência do maya e da ilusão que vive. É Deus mostrando ao ser a ação espiritual que fez para lhe dizer: é preciso mudar esta sensação. É precisa sair da sensação individualista e entrar no amor universalista.

Esta é a formação mental. Ela é um agregado e não é espírito, ou seja, o espírito desumanizado não tem pensamentos, não tem idéias, não ou vozes na sua mente nem tem valores para coisas. Por que? Porque ele não tem sensações, só tem amor incondicional. Ele está livre das formas percebidas através dos órgãos do corpo.

O pensamento não é o criador do maya, pois é dependente da sensação, mas o pensamento é a conscientização do maya (sensação escolhida) que você está vivendo. “Eu não gostei” é o maya, a sensação que você criou ao perceber e que agora precisa vencer, precisa derrotar.

É preciso a compreensão perfeita deste agregado para podermos entender que o pensamento nada mais é do que Deus mostrando a cada um onde deve lutar, ou seja, na sensação que causou aquele pensamento.

Pergunta: Você conhece o conceito de pensamento que gera sentimento e que gera energia?

Eu não conheço este conceito. O que eu posso lhe dizer é que sentimento é energia, pois tudo no universo é energia. Então, o sentimento já é uma energia e não poderia gerar uma.O que eu posso lhe dizer ainda, por conhecimento, é que o sentimento, a sensação, vem antes do pensamento.

Então eu diria que nós temos sensações que geram pensamentos e ações. Estes são os três estágios da vida.

É o sentimento que gera o pensamento. Agora isso vocês não conseguem ter consciência, pois este sentir é inconsciente. Por isso, talvez a humanidade acredite diferente.

Pergunta: E o sentimento, onde ficou?

É a sensação, pois ela é o sentir individualista: “eu não gostei”.

Pergunta: Estou falando isso porque nós conhecemos sensação como aquilo que é recebido através dos órgãos do sentido.

Isso é sensibilidade. Sensação é sentir sentimentos, ter a sensação de “não estar gostando”, de “não querer”, de que a coisa “não será boa”.

A dúvida sobre o “sentir” é válida, pois para a humanidade realmente ele só ocorre quando se pensa. Vamos explicar mais para retirar todas as dúvidas.

Universalmente posso afirmar que o que acontece é que o espírito sente e Deus lhe dá o pensamento. No entanto, a consciência do ser humanizado não consegue captar esta seqüência. Ele ainda acredita que sente durante o pensamento.

Você sente (escolhe a sensação) “não gostei” inconsciente, mas só quando Deus lhe mostra pelo pensamento (através da razão) a sua decisão de “não gostar” é que começa a sentir conscientemente os efeitos do que já escolheu antes. Só quando está raciocinando o espírito se dá conta do “peso” da amargura embutida na sensação “não gostei” escolhida para vivenciar alguma situação.

Na verdade o sentimento já tinha sido escolhido inconscientemente antes do pensamento e estes reflexos já estavam presentes. Entretanto, como o ser humanizado só toma consciência de que “não gostou” através do pensamento (pelos valores que o compõem) só sente os “reflexos” da escolha sentimental posteriormente.

Isto ocorre porque o ser humanizado é guiado pela lógica, pela razão. Ele só acredita naquilo que pensa e nada mais existe. Por isso acha que pensa para depois sentir. No entanto, os acontecimentos acontecem nesta seqüência. É por isso, também, que Buda ensina os agregados nesta ordem: ele conhecia a realidade.

Pergunta: Nosso livre arbítrio, então, é inconsciente?

Sim, o seu livre arbítrio é inconsciente ao ser humano, mas é consciente ao espírito.

Você quando ligado ao mundo através da carne, ou seja, quando está acordado, vive “duas vidas” simultaneamente: a consciente e a inconsciente.

A vida consciente é maya, é ilusão, pois os acontecimentos não existem como você declara que são.Mas, ao mesmo tempo, você espírito está vivendo a vida que é conhecida no planeta como inconsciente que é vivenciada na consciência espiritual.

Podemos, então, afirmar que como ser humano (dentro da consciência humana) você escolhe inconscientemente o sentimento, mas para a Verdade espiritual (a existência real do espírito) você escolhe conscientemente.

Pergunta: Acho que o entendimento para este ensinamento é muito difícil. Acho que nossa capacidade de compreender não alcança totalmente isto.

É porque está fora da realidade de vocês, pois estão presos à percepção: só o que percebo existe.

Pergunta: Dá para explicar de novo?

A dificuldade existe porque estamos conversando sobre aquilo que não tem valores para vocês, não está dentro da lógica humana e por isso é muito difícil compreender.

É difícil falar sobre aquilo que vocês não possuem valores, formas, que não pode ser mensurado. É muito difícil falar da vida inconsciente que existe junto ao consciente porque o ser humanizado é apegado ao consciente como única realidade.

Por isso, me deixe explicar algo que é o que cada um precisa compreender e saber. Sempre que surgir um “gostei ou não” sobre alguma coisa foi decisão do seu livre arbítrio.

Estas duas sensações precisam ser combatidas, pois quando o ser humanizado utiliza o seu livre arbítrio está “falando” com Deus, pois é pela linguagem sentimental que se “fala” com o Pai.

Quando o ser humanizado opta (livre arbítrio) por viver no dualismo está sempre julgando a ação divina e, ao sentir desta forma, comunica a Deus o resultado do seu julgamento. É o ser humanizado agindo do alto da sua falsa autoridade individualista.

Isso você pode e precisa compreender e a partir daí optar por utilizar o seu livre arbítrio para estar sempre harmonizado com os acontecimentos da vida, em paz e na felicidade incondicional.

Agora, que Deus traduz a escolha feita pelo livre arbítrio em idéias, pensamentos, tenha apenas como informação e não tente entender como isto se processa, pois este conhecimento ainda está além do seu conhecimento.

Tenha apenas a informação de que tudo o que você pensa no consciente, é Deus lhe mostrando, na essência, o que você decidiu sentimentalmente. Ele quer que você tenha consciência do que está fazendo: julgando-O.

Deus está lhe mostrando que você “mora” na casa Dele, vive as custas Dele e mesmo assim ainda se acha no direito de saber o que é certo, ser o detentor da Verdade Universal.

Mas, porque o espírito age assim? Para explicarmos isso vamos agora falar do último agregado: a consciência. O que é consciência? Memória. Ela é composta por verdades arquivadas, sejam elas sentimentais (sensações) ou materiais (formas).

Por exemplo, uma cor. O conhecimento de uma determinada cor, dar valor como nome, características, etc., só acontece porque o ser humanizado possui verdades arquivadas que estampam estes valores. Quando o ser humanizado percebe (capta pelos órgãos do corpo) a forma que é uma cor, busca na consciência todas as verdades arquivadas sobre ela.

Entretanto, a consciência possui ainda mais elementos guardados sobre a forma percebida: as sensações escolhidas anteriormente quando esta forma foi percebida. Todo fruto do seu livre arbítrio (sensação) fica arquivado na memória junto com as formas que foram julgadas.

No momento em que o ser humanizado for utilizar o seu livre arbítrio (escolher uma sensação), as decisões anteriores que foram arquivadas na consciência estarão presentes. No entanto, não só elas, mas também o “estado de espírito” atual [13].

Na escolha da sensação, que chamamos de raciocínio espiritual, o ser humanizado “lembra-se” das sensações anteriores, mas os sentimentos que nutre no momento também influenciam. Ele pode, por exemplo, ter arquivado na consciência uma lembrança de “não gostar” de determinada cor, mas naquele momento sua “base sentimental” ser de paz e harmonia e não se deixar influenciar pela sensação anterior.

Durante a execução da formação mental (pensamento), Deus utilizará os valores arquivados (nome, características), mas a “história” que será criada com estes valores (raciocínio) poderá ser diferente a cada momento. Isto porque ela será baseada na sensação fruto do livre arbítrio, que como já vimos, surge da escolha entre o seu “estado de espírito” atual e os seus sentimentos arquivados.

A consciência, na verdade, é um conjunto de informações sobre as formas e sensações que auxilia o espírito na vivência do seu carma. É nela que se encontram os elementos necessários à prova que o ser executa enquanto humanizado: escolher entre sensações dualistas ou amar universalmente.

A partir do momento que compreendemos a consciência, podemos agora falar sobre ela. Como se forma a consciência, ou seja, como se forma este agregado do espírito? O ser “forma” os valores que comporão a sua consciência humana antes da encarnação. Para tanto escolhe valores sentimentais (sensações) e verdades.

Esta escolha é de responsabilidade exclusiva do espírito, por isso também é considerada com livre arbítrio [14]. Depois que ele encarna este livre arbítrio não mais existe, ou seja, o espírito não tem mais a liberdade de alterar a sua consciência [15] apenas por vontade própria.

Portanto, cada espírito antes de encarnar “prepara” a sua consciência, que vou passar a chamar de ego, pois é a mesma coisa, com verdades materiais e sensações específicas. Esta escolha é fundamental para o espírito que irá encarnar, pois o ego terá a função de “tentador”, ou seja, como propositor de provas.

Exemplifiquemos para poder facilitar a compreensão. Um ser precisa libertar-se por carma da arrogância. Este sentimento é uma sensação individualista, pois reflete a aspiração de ser melhor, maior, mais certo, mais bonito, mais perfeito que os outros.

Aquele que crê na sua superioridade precisa vencê-la, pois somos todos iguais perante o Pai. Para mostrar a Deus que pode utilizar o seu livre arbítrio amando-O acima de todas as coisas e ao próximo, o ser coloca em sua consciência verdades e sensações que exprimam esta superioridade.

Depois que encarna (vive no consciente material) ele precisa vencer essa sensação para alcançar a vitória. Mas para isto precisa possuir esta sensação, pois vencer significa tê-la e não usá-la. É por este motivo que o ser “organiza” a sua consciência material com essa sensação.

Sem a existência dela a vida não teria valor algum, pois não haveria vitória se o ser humanizado você estivesse sem a arrogância. Como vencer uma coisa que não se combate?

Desta forma, podemos afirmar que se você é arrogante é porque, antes da encarnação, “colocou” esta sensação na sua consciência. Isto vale para todos os sentimentos que compõem a “personalidade” do ser humano: nervoso, tímido, covarde, soberbo, etc.

Depois que o ser organiza a sua “personalidade”, ou seja, o conjunto de sensações que precisa vencer, vem para a Terra: encarna. Agora terá que aprender a conviver com estas tendências sem aprisionar-se a elas.

Além dos sentimentos, a memória contém também verdades materiais, que auxiliarão o ego a conscientemente forçar a utilização das sensações que compõem a personalidade. Por exemplo. Aquele que buscar vencer a arrogância terá que ter verdades como: “eu não vou acreditar em nada que me disserem”, “tudo que me falarem é mentira, errado, pois só eu sei a verdade”.

Estas “verdades” serão utilizadas por Deus para formar conscientemente o pensamento sobre qualquer coisa da vida, seja em ensinamentos, nas pessoas, na felicidade da vida, em qualquer coisa.

Agora que está formado o “exército” que deverá ser combatido (o ego), o espírito precisa organizar o “campo de batalha”. Para isto ele escreverá as situações da vida (acontecimentos) que participará e Deus, como provedor da oportunidade de elevação, fará acontecer.

Estes acontecimentos, obviamente, não poderão satisfazer o ser humanizado, ou seja, não estarão de acordo com o que ele espera da vida. Eles terão que ser contrários àquilo que o ser humanizado espera para que haja a oportunidade dele optar entre o dualismo (certo ou errado) ou manter-se em paz.

Neste ensinamento está a essência da vida humana que o espírito vive, mas que pelo “véu do esquecimento” não tem consciência enquanto humanizado.

Então, durante a vida carnal o ser tem uma percepção de alguém falando. Se optar por seguir a sua personalidade sentimental o pensamento lhe dirá que esta pessoa está contrariando a sua verdade. Por esta decisão sentimental Deus lhe dará, através do pensamento, o desejo de gritar e brigar para provar ao outro que está certo.

Esta escolha sentimental leva ao fracasso na “prova”, pois o ensinamento de Cristo é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. A sensação que o espírito precisa escolher para ser aprovado é o amor a Deus acima do “amor ao que se gosta”.

Quando este for o fruto do livre arbítrio o ser não terá mais o pensamento de brigar, mas sim o de doar ao próximo a razão. Ao invés de espelhar o desejo de querer “pular no pescoço” do seu irmão, o pensamento será construído no sentido de ter vontade não contrariá-lo.

Na história que o pensamento forma para conscientemente se sentir o desejo de combater o próximo está o maya. O ser humanizado ao viver em maya (acreditando nos motivos que o pensamento expõe) não vê que todas estas histórias não são reais, pois foram montadas a partir de valores fictícios criados antes da encarnação.

Quando ele vivencia a ilusão (“eu não gosto”) como verdade, não compreende que ela foi criada justamente para ser vencida. As histórias da vida (valores que o pensamento dá às coisas) não são reais, pois seus valores são criação dos espíritos. As histórias da vida são meras obras de ficção que os seres criam para, pela interação entre ambos depois de encarnados, poderem executar suas provas.

Já o ser espiritualizado, aquele que compreende que tudo que está no seu ego e que é utilizado por Deus para formar os pensamentos são apenas proposições de carma (provas), supera tudo. Esse diz a cada pensamento: “não maya, não ego, eu não vou dar razão a você, eu não vou acreditar em você”.

Se a vida para o ser espiritualizado só oferece limão, ele não luta contra ela sonhando em comer laranja. Ele chupa o seu limão com paz, com harmonia, doando a sua intenção a Deus [16] (propositor dos carmas) que só lhe deu limão para chupar.

Nesta simples análise que fizemos a partir do ensinamento dos mestres reside a “ciência” da vida. Aqueles que buscam ser fiéis a estes ensinamentos precisam ensinar desta forma também. É por isso que nosso ensinamento é, na maioria das vezes, diferente daqueles que são passados pelas religiões criadas sobre estes mesmos ensinamentos.

Nós jamais poderíamos fazer ou dizer algo apenas para satisfazer (atender suas verdades) apenas para lhe manter fiel a nós. Se nós disséssemos o que você quer ouvir, ou seja, aquilo no que você acredita e que está dentro da sua lógica humana, estaríamos corroborando com as suas ilusões, com os seus mayas.

Além de não estar auxiliando ninguém a vencer, estaríamos aprisionando os espíritos humanizados aos seus próprios mayas. Não estaríamos a serviço de Deus, mas sim do diabo, do ego, do ser humanizado: aquele espírito puro que “caiu do céu” (teve que encarnar) por se achar capaz de julgar a Deus (escolher sensações dualistas).

O conhecimento do ensinamento de Sidarta Gautama sobre os “cinco agregados” fundido aos ensinamentos dos mestres Krishna, Cristo e do Espírito da Verdade através de Kardec, que explicam a forma de “ver” as coisas do mundo através do processo raciocínio como fizemos hoje, explica tudo que um ser humanizado precisa compreender sobre a vida para utilizá-la como instrumento da elevação espiritual.

A visão espiritualista, ecumênica e universalista dos ensinamentos mostra como se processa a vida. Como o ser humanizado cria a ilusão e como a utiliza: como um preconceito, um conceito (verdade) formado anteriormente até a própria existência.

Fala da ilusão de que o ser humano tem de que “nasceu” para ser servido pelo mundo quando é exatamente ao contrário: ele “nasceu” para que o mundo lhe sirva não o contentando, pois só quando eles agem desta forma o ser tem condições de executar o seu trabalho espiritual.

Agora se utilizássemos estes mesmos conhecimentos para lhe fazer sonhar com um mundo criado completamente dentro das suas verdades, estaríamos aprisionando-o ao que você gosta, ao que quer fazer, ao que sabei fazer e aí você não conquistaria nada.

Para que você seja servido pelo mundo (só acontecer o que “gosta”) seria necessário que os outros lhe servisse (fizesse aquilo que você quer). Isto para mim tem um nome: exploração. Aquele que quer mudar o mundo e não a si (suas sensações) explora os outros para ser feliz.

A felicidade é incondicional. Ela jamais poderá ser alcançada através de sensações individualistas que a condiciona. Ela só poderá ser alcançada com a união perfeita com Deus através do amor universal. Com a consciência espiritual que nos coloca de frente para o Pai, que vê Deus ao nosso lado nos “carregando no colo” e incitando-nos: “vamos filho, vamos, sai desta ilusão, sai deste maya”.

É por isso que o mundo não trabalha ao nosso favor (não acontece só o que queremos). É por isso que a vida acontece contrariamente ao que queremos. Se acontecesse apenas o que queremos era mais fácil permanecer vivo (viver na consciência material), do que buscar a ressurreição (vida na consciência espiritual) e nenhum trabalho espiritual seria realizado.

É por não ter a consciência de que aquele que não faz o que queremos é nosso amigo (nos auxilia na elevação espiritual) que o tratamos como “inimigo”. Não viemos a este mundo para viver apenas com as pessoas que nos satisfazem, pois como Cristo ensina, é fácil abraçar um amigo, quero ver é cumprimentar o inimigo. Nós pedimos para interagir com pessoas que não nos satisfazem para poder aprender a “caminhar” ao lado do suposto inimigo sem guerreá-lo, mas servindo-o, ou seja, amando-o.

Acho que agora fica claro que o que é real para você é ilusão, pois ainda está preso à obra fictícia que você mesmo criou e colocou “dentro” de você para se libertar e assim conseguir alcançar a felicidade incondicional nesta vida e uma boa posição depois do desencarne.

Pergunta: Como saber se o que o senhor fala não é maya também?

Tente aplicar o que eu falo nos ensinamentos dos mestres.

Tente aplicar os ensinamentos de Cristo no que conversamos hoje.

Se seu olho lhe faz pecar, arranque-o fora, pois é melhor entrar no reino do céu sem um olho do que ir para o inferno com o corpo inteiro: deixe de “ver” as coisas, ou seja, deixe e dar valor aos acontecimentos da vida.

Quando um cego guia o outro os dois caem no buraco: enquanto houver verdades sempre existirão desavenças. Portanto, deixe de ser cego (ter verdades) para poder auxiliar bem o seu próximo.

Aí os apóstolos perguntam: você está dizendo que nós somos cegos? Cristo responde: se você diz que pode ver então é cego, pois aquele que vê de verdade nada enxerga, ou seja, não atribui valor algum às coisas.

Retire a trave que está no seu olho e não o cisco que está no olho do próximo, pois o problema é o que você “enxerga” (atribui sensação) e não o que o outro está fazendo.

Porque você se preocupa com o amanhã, se o amanhã é criado por Deus.

Colocar o que conversamos hoje sobre o ensinamento do Buda não precisa porque foi o que usamos, mas compare com o ensinamento do Krishna: tudo que existe é fruto da ação de um guna pensante com um guna pensado e por isso é maya.

Coloque tudo que falamos hoje em comparação com o ensinamento do Espírito da Verdade à Kardec: Deus causa primária de todas as coisas, se existe uma inteligência inferior tem que haver uma superior e é ela que comanda todas a inferior.

Os espíritos conhecem os nossos pensamentos? Muito mais do que penas, pois são eles que lhe dão os pensamentos. E como saber o que é nosso pensamento e o que vem de fora? O pensamento que o espírito lhe traz de fora é sempre uma idéia, uma palavra, uma voz que lhe fala enquanto que o seu é inconsciente.

Para saber se o que estamos falando é Real, é só compará-lo com os ensinamentos do mestre. Agora, se você quiser compará-lo às verdades que seres humanizados, ou seja, em busca da satisfação material, criaram em cima dos ensinamentos dos mestres aí não vai dar certo.

Agora, apesar disso, eu posso lhe afirmar que o meu ensinamento é maya. Sabe por que? Porque você está querendo raciocinar logicamente o que estou falando e ao fazer isso criou um maya.

Desta forma, o que eu falo é Real, mas o que você compreende é maya.

Pergunta: Em outra palestra o senhor afirmou que o espírito está parado, deitado, apenas vivendo uma vida mental. O senhor pode comentar melhor isso?

Essa realidade ou informação real foi trazida por André Luiz no livro “Nosso Lar”.

Quando ele entra na enfermaria e vê espíritos deitados em macas com movimentos faciais pergunta ao seu mentor: o que está acontecendo. O mentor diz: são os espíritos vivendo a sua vida.

Sim isso é verdade. A sua vida, o que você conhece como vida é uma atividade mental e não física. Nem física de corpo nem física de espírito: é somente a ação dos cinco agregados do espírito.

Não é com o braço, com a perna ou com qualquer outra parte do corpo (ações físicas) que se vence a elevação espiritual. Por isso Cristo disse que se qualquer parte do corpo lhe atrapalhar á jogue fora.

A elevação espiritual se conquista no trabalho junto aos “cinco agregados”, ou seja, com atenção plena às formações mentais que retratam as sensações escolhidas e os conceitos sobre as formas percebidas que foram armazenados na consciência.

Aí a partir deste trabalho que se “vive” ou se “morre”. É aqui que se vence ou se perde no sentido espiritual. Todo resto, todas as ações e movimentações que você percebe é apenas ação carmática.

São ficções que você valoriza criando mayas vivendo a ação dos cinco agregados como se fosse realidade.

[1] “Maya”

[2] “Realidade”

[3] Devadaha – SN XXII.2

[4] Pergunta 27

[5] Pergunta 30, 31, 32 e

[6] Pergunta 27 a.

[7] Representação que em elétrica e eletrônica se faz de uma onda eletromagnética.

[8] Para maior detalhes, ver na palestra Maya (página 01) o exemplo “caminhar” utilizado pelo amigo espiritual Joaquim.

[9] É preciso aqui se manter o termo “coisa” ao se definir o que é percepção, pois não existem palavras que possam descrever perfeitamente este elemento universal.

[10] Pergunta 245.

[11] Ver palestra “Maya”.

[12] Expressão atual para pessoas que se relacionam sem compromissos.

[13] Para melhor compreensão deste assunto, ver a palestra “Fluxo da Vida”.

[14] Ver Livro dos Espíritos – pergunta 258 e 258 a.

[15] Ver Livro dos Espíritos – pergunta 267.

[16] Doar a intenção a Deus – ensinamento de Krishna estampado no Bhagavad Gita
FONTE: http://www.universalismo.org/

MAYA

 

 
Vamos conversar hoje sobre a “vida humana”.

O que é a “vida humana”? Acho que mesmo essa pergunta, que deveria ser tão simples para a humanidade, é muito complexa. Deveria ser simples porque, afinal de contas, vocês estão “vivos”, mas se pedíssemos uma definição para “vida”, poucos saberiam dar. Poderiam ser formuladas diversas respostas, filosóficas ou acadêmicas, mas a realidade de uma “vida”, nenhum encarnado poderia imaginar.

Por isso vamos falar sobre o que é “viver”, o que é uma “vida”.

“Vida humana” é uma coletânea de fatos, de acontecimentos onde o espírito encarnado interage com esses acontecimentos através do processo raciocínio. Isso é uma “vida”: uma coleção de acontecimentos onde, a cada um deles, o espírito promove um raciocínio dando um determinado valor ao acontecimento.

Vamos dar um exemplo: andar de um lugar a outro. Este fato é um acontecimento onde o espírito, por observar cenários diferentes durante o acontecimento “caminhar” afirma que está andando, se locomovendo.

Ele, no entanto, não é apenas um acontecimento, mas a soma de diversos: sair, ir e chegar. Em cada um deles há um raciocínio que determinará um valor. Quando “vê” se afastar o ponto de origem afirma que está saindo; durante o caminhar vai dizendo que está em diversos lugares e quando chegar haverá um raciocínio que dirá “cheguei”.

Isso é a “vida humana”: uma série de acontecimentos que são avaliados pelos espíritos através do seu processo raciocínio conferindo a cada um deles um valor.

A partir dessa definição de “vida humana” podemos dividi-la em dois momentos distintos: o que está acontecendo (o movimento das pernas) e um outro onde o espírito raciocina o que está acontecendo (criar o valor “sair”, “saber onde está”, “chegar”).

Isso é “vida”: a cada segundo algo acontece e o ser humanizado raciocina o acontecimento e determina o que está acontecendo (dá um valor para o momento). Para que compreendamos profundamente a “vida humana” dentro do sentido espiritual vamos analisar cada um desses dois elementos para entendermos a vida. Comecemos pelo acontecimento.

O que está acontecendo na realidade? Vamos exemplificar: alguém chega perto de você e lhe fala alguma coisa ou age de determinada forma. O que é isso, que “valor” tem esse acontecimento? É alguém falando, é alguém fazendo algo? Não, é o carma em ação.

O acontecimento não se traduz, não se define, pelo que está acontecendo (ato físico, movimento físico), mas pela essência dele. Essa essência representa a provação do espírito, que é o motivo da sua encarnação.

Novamente exemplifiquemos: alguém rouba você. Não pode haver roubo porque não há ladrão, pois ninguém pode tirar o que é seu porque você não tem nada. Tudo que está sob sua guarda é de Deus e continuará sendo mesmo que a guarda tenha passado para outra pessoa. Isso tudo sem falarmos que o próprio objeto do furto não existe.

O que acontece ali, que “valor” tem aquele acontecimento? Porque o ladrão foi roubar exatamente você? É o seu carma. O objetivo de acontecer esse fato exatamente a você é para que possa ser realizada uma determinada prova no sentido espiritual.

Esta provação está embutida na essência do acontecimento. Vamos falar um pouco da essência deste acontecimento que estamos exemplificando, mas isso não é regra fixa, ou seja, muitas podem ser as essências de um mesmo acontecimento.

Um roubo pode ser um teste ao despossuir material do espírito; à paciência; à vaidade. Nestes sentimentos está a essência da ação carmática. Dessa forma não há roubo, mas uma ação carmática que serve como prova a um espírito.

Pergunta: Sob esse prisma, então, não existe vítima?

Nem culpado, porque não importa o que aconteça na sua frente é Deus colocando uma prova para você, colocando uma essência onde você será testado no seu individualismo ou no seu universalismo.

Não há vítima e não há culpado. .

Anteriormente definimos a “vida humana” como uma sucessão de fatos. Agora podemos ampliar essa definição para uma sucessão de carmas. Cada espírito passa a vida inteira vivenciando ações carmáticas onde existem essências colocadas por Deus como prova para a elevação espiritual. Isso porque, como ensinado, a vida carnal é uma etapa da vida espiritual onde o espírito está executando provas.

Dessa forma, nada que lhe aconteça pode ter acontecido por acaso, por sorte, por azar, ou porque o outro é grosso, porque não presta, porque é um safado: tudo o que acontece você precisava e merecia passar por aquilo como uma essência carmática onde será testada a sua reação ao acontecimento.

Pergunta: Ninguém vem a Terra sem ter carma?

Não porque este é o mundo de provas e expiações. Para se expiar é preciso ter carma.

No entanto, carma não é condenação, pena, mas simplesmente a reação a um momento anterior. Sem haver o carma não haveria vida, pois todos seriam estáticos.

Se você consegue colocar um pé na frente do outro é porque existe o carma. Sem ele o pé não se moveria. Mas, para vermos dessa forma é preciso compreender que o carma não é expiação, pena, mas a justa e merecida reação à ação executada no momento anterior.

Pergunta: Então separado o “joio sendo separado do trigo” estaremos em um novo mundo, o mundo de Regeneração?

Sim, um mundo onde não mais haverá os carmas que hoje existem. Haverá outros, mas não mais os carmas que hoje existem porque eles são carmas do mundo de provas e expiações.

Pergunta: Quando acontecerá essa transformação: a separação do “joio e do trigo”?

O processo já começou desde a aparição de Maria (Nossa Senhora) em Fátima e vai até o fim desse século (2.100).

Dessa forma, o que está acontecendo não é o que está acontecendo, ou seja, o que você acha que está acontecendo. Não é o que vê, cheira, ouve, mas a Realidade é que tudo é o seu carma sendo executado. A ação carmática, porém, não é representada pelo acontecimento em si, mas por uma essência que está embutida no ato.

Pergunta: Como escapar das sucessivas encarnações se estamos sempre produzindo carma?

Produzindo o carma de não mais reencanar, ou seja, alcançando a reforma íntima, ou seja, vivenciando esse mundo dentro dos padrões ensinados pelo Cristo: amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Na hora que você viver desse modo gerará o carma de viver no mundo de Regeneração e aí não estará mais no planeta Terra. Aí começará uma nova “sansara”, uma nova roda de encarnação para regeneração e não mais para prova e expiação.

Pergunta: Maria, mãe de Jesus na Terra, em todas as suas comunicações demonstra estar muito preocupada com o atual estágio que estamos passando.

Porque ela é a Senhora da Regeneração. Porque ela foi escolhida por Deus e por Cristo para comandar os exércitos que trarão os ensinamentos para a mudança do planeta.

É por isso que ela pede sempre a conversão para Deus não para uma religião.

Então, tudo o que acontece com você não é o que está acontecendo, mas reflete uma essência que serve de prova necessária e que é fruto (carma) de uma utilização por sua parte daquela mesma essência. Vamos exemplificar novamente para ficar claro.

Tendo você um dia se utilizado da posse será necessário que agora passe por uma nova situação que exponha essa essência. Esta necessidade surge porque você precisa provar a Deus que é capaz de despossuir.

Tendo vaidade precisará de uma situação onde a essência seja este sentimento. Esta será uma oportunidade para a reforma íntima, ou seja, optar pelo amor a Deus e ao próximo ao invés de utilizar este sentimento. Aí terá alcançado a elevação espiritual. Isso é o carma e esta é a sua função na vida dos seres humanizados.

Como já dissemos um mesmo ato pode refletir diversas essências. No exemplo do assalto encontramos diversas delas. Dessa forma, dentro da análise do acontecimento (raciocínio que dá um valor aos acontecimentos), o ser encarnado não consegue saber a que essência ele está sendo provado. Se você foi assaltado pode ter que despossuir, deixar de ter ganância, ter vaidade, deixar de se sentir superior. Diversos sentimentos podem ser a essência de uma mesma ação carmática.

Assim, quando cada um “vive”, quando passa por situações, não pode afirmar nem no ato nem na essência o que está acontecendo, o que está se passando. O ato não tem o valor que o ser humanizado lhe aplica e a gama de possibilidades de essências é tão ampla que o espírito jamais descobrirá com certeza.

Se o ser humanizado persistir em tentar compreender a essência do acontecimento racionalmente, mesmo assim não conseguirá porque, como Paulo nos ensina, Deus não deixa o homem conhecê-lo pela sua lógica. O raciocínio lógico do ser humanizado jamais permitirá que ele compreenda a essência que está sendo testado.

Por mais que você tente descobrir a essência daquele acontecimento pela lógica, isso será impossível, pois senão não haveria o exercício da fé.

Pergunta: É verdade que existem irmãos de outros planetas ajudando na transição?

Sim. Encarnado, desencarnado, na matéria deles, em outras matérias: muito mais do que vocês pensam.

Pergunta: Como a espiritualidade observa as ações do presidente dos Estados Unidos da América?

Ação carmática do planeta. Só isso. Ele é um instrumento de Deus para gerar um carma para humanidade. Todos o são, independente da repercussão de seus atos. O ato é só isso: ação carmática. Seja o ato de quem for: o seu ou de outro qualquer.

Qual a essência que ele está trazendo para servir de prova à humanidade? Não sei. É o que acabamos de dizer. Você não sabe o que está acontecendo seja no ato ou na essência.

Voltando a definição de “vida humana” (sucessão de fatos). Já vimos que não podemos conhecer o que está acontecendo porque é apenas uma prova e nem a essência carmática que está sendo utilizada.

A partir disso voltemos ao nosso primeiro exemplo: o caminhar. O ser humanizado que busca reformar-se deve vivenciar o início do “caminhar” sem saber que “partindo”; “andar” sem saber que está se locomovendo; e alcançar determinado lugar sem saber que “chegou”. Ou seja, viver a “vida” sem aplicar valor algum ao que está se passando.

Essa é a evolução espiritual: quando você vivencia todos os acontecimentos da sua vida de uma forma equânime, ou seja, sem aplicar nenhum valor a eles. O “roubo” não é um “roubo”, mas algo que não se pode definir de modo algum, um nada. “Andar” não é “andar”, “comer” não é “comer”: tudo é um nada. É uma ação carmática que o ser humanizado não consegue entender porque ela está acontecendo e para o que ela está acontecendo.

É por isso que o Krishna diz que o sábio, o yogue, o verdadeiro buscador de Deus, liberto das “coisas do mundo” transita por elas como um bobo, como aquele que não sabe nada, que não aplica valores a nada.

Pergunta: Devemos, então, viver cada momento como se fosse o “último”?

Como se fosse o único, pois ele é único.

Cada momento é único porque o momento que se passou já acabou, não existe mais e o momento futuro ainda não chegou, não existe ainda. Então, só se pode viver o momento de agora como único, ou seja, sem saber de nada, sem vínculos a nenhum valor.

Pergunta: A escolha de querer evoluir para um novo mundo ou viver encarnando em um outro mundo menos evoluído ainda pode ser feita?

É o momento de fazê-la. Essa é a última oportunidade para aqueles que estão encarnados compreenderem que precisa haver essa escolha e lutarem para fazê-la. É a hora de se buscar não a vida na felicidade material, mas para promover a sua reforma íntima.

Chegamos à primeira conclusão deste trabalho: tudo que acontece é um nada, ou seja, coisas sem valor algum. No entanto, quando definimos a vida humana, falamos que ela era uma série de acontecimentos que eram analisados pelo raciocínio através do qual se aplicava um valor a eles.

Se agora compreendemos que o acontecimento é um nada (algo que não pode ser definido, compreendido), aquele que alcança a evolução espiritual, ou seja, aquele que vive com a Realidade, precisa no seu raciocínio chegar ao “nada” como valor para as coisas da vida.

Qualquer outro valor dado pelo raciocínio a alguma coisa é o que o Krishna descreve como maya: ilusão. Existe um carma sendo executado não pela forma, mas pela essência, e você se ilude dizendo que está acontecendo isso, aquilo ou aquilo outro.

Mover as pernas é um carma e você tem a ilusão de estar se locomovendo. Parar de mover as pernas é um carma e você tem a ilusão de ter chegado. Todo resultado de um pensamento que dá um valor a alguma coisa é maya, é ilusão.

A vida humana, portanto, poderia ser descrita pelo ser humano como a coleção de acontecimentos que são analisados pelo raciocínio. No entanto, para aquele que pretende viver a vida de espírito na carne (com a consciência espiritual), a “vida humana” é um momento único onde ele se exime de dar qualquer valor ao que está acontecendo, pois sabe que assim responde de forma perfeita (universal) à prova que Deus está lhe aplicando.

Pergunta: É verdade que existe um planeta que é chamado de “12º Planeta” que virá para fazer a “limpeza” da Terra? É verdade, ainda, que ele é habitado por espíritos que estão na mesma evolução dos que habitam a Terra?

Existe um novo planeta que é habitado por espíritos que estão começando o seu processo de evolução nele e por espíritos que já foram retirados do planeta Terra e que não vão permanecer aqui no mundo de Regeneração.

Agora se a “limpeza” da Terra será feita por um planeta ou uma nave é ilusão. Não existem planetas, não existem naves: tudo é ilusão, ou seja, fruto de um raciocínio.

Planeta, nave, é o valor que alguém está dando a alguma coisa. Na verdade o que existe é um “ambiente” onde os espíritos se juntam e que o ser humanizado dá o valor que quiser.

Pergunta: Às vezes tenho a impressão de que tudo é muito temporário. Estou certo em afirmar que o que fica é a sabedoria e a experiência?

O que fica é o quanto você evoluiu aproximando-se de Deus. A sabedoria não é conhecimento, pois a cultura é ilusão, maya: é fruto de um raciocínio. Todo fruto de um raciocínio é o valor que se aplica a alguma coisa, algo que só você acha que é.

Agora, a experiência fica, porque o espírito vai aprendendo com os seus próprios “erros”.

A sabedoria, ou seja, o abandono da cultura e a experiência de ter abandonado a cultura continuam com o espírito depois de se desumanizarem.

Chegamos agora à grande conclusão deste trabalho e que é ensinamento de Krishna: o verdadeiro yogue silencia a mente, ou seja, não raciocina e não aplica valores a nada. Está sempre na neutralidade. “O que está acontecendo? Não sei. Você irá lá? Não sei”.

Ele não sabe de nada. Vive a cada segundo sem ligação com o anterior ou o próximo. Está sempre atento àquele momento. Essa é a elevação espiritual: o fim do raciocínio, o fim do dar valor às coisas. Quando isso acontecer você terá caído na Realidade: Deus agindo. Deus emanando e agindo sobre o universo gerando os carmas que são as essências das ilusões dos atos.

Eu diria, então, que a elevação espiritual é parar de raciocinar, mas, será que alguém conseguiria parar de raciocinar? Não. É por isso que o Krishna ensina também: desapegar-se. O yogue raciocina, dá valor às coisas como você, mas não se apega ao fruto do raciocínio, a estes valores.

Ele vê um objeto que pelo raciocínio dá o valor de “parede que é pintada na cor verde”. Isso vem a “mente” do yogue como viria na sua se estivesse frente a este objeto. Só que ele não se apega a isso, ou seja, ele não declara para os outros nem para si que aquilo é uma parede nem muito menos verde.

Se alguém disser que aquilo é “ar”, “madeira”, ou qualquer outra coisa que não parede, o yogue não discutirá e aceitará a ilusão do próximo consciente de que tudo o que se puder declarar sobre o assunto será ilusão (maya).

O ser evoluído continua construindo valores pelo raciocínio, mas não está apegado a eles, às verdades que se formam na sua “mente”. Está sempre centrado em Deus e por isso sempre afirma que aquela conclusão é ilusão, que na realidade está acontecendo um carma que embute uma essência onde está sendo testado.

Este ser vive o mundo material vendo, cheirando, ouvindo, igual àquele que ainda não promoveu a reforma íntima. Só que ele não “vive” a “vida humana” como o outro, ou seja, não participa dos acontecimentos pelos acontecimentos em si, nem aplica valores a eles.

Pergunta: ao sair do meu corpo de madrugada, consciente, encontro a minha rua que está vazia totalmente cheia de espíritos. Essa população extra-física é tão grande assim?

Muito maior. Só para reencarnar, aguardando fora da carne o seu momento de “nascer”, existem dez espíritos para cada encarnado. Só essa população já seria grande, mas acrescente-se a esse número aqueles que estão trabalhando, auxiliando os encarnados e os desencarnados.

A rua vazia é ilusão, não se apegue a isso.

Pergunta: É verdade que existem várias “naves-mãe” estacionadas em nosso céu só que não conseguimos vê-las por ter uma vibração diferente?

Sim é verdade, mas só que a “nave-mãe” não é uma “nave-mãe”. Ela não tem forma, não tem combustível, não possui materialidade. Tudo isso é ilusão, valor que você dá pelo seu raciocínio.

Pergunta: Temos então que treinar sempre a nossa “mente” a ver além das ilusões da vida que é o maya?

Não, porque você não conseguirá ver além. O que você precisa é bloquear qualquer coisa que venha à “mente”, treinar para bloquear o fruto do seu raciocínio, seja ele o valor que o ser humanizado ou qualquer outro que você compreenda.

Qualquer coisa que você seja capaz de ver será também fruto de um raciocínio material, será imaginação, será uma ilusão, pois ninguém enxerga com os olhos, mas vê como raciocínio (aplica valores). Não se apegue a ilusão alguma, seja ela percebida ou imaginada.

Como respondi anteriormente quando o moço que me perguntou sobre a rua que ele vê vazia quando está na carne e espíritos quando projetado: não importa se ela está cheia ou vazia porque não existe rua, o seu espaço e nem os espíritos como vistos.

Achar que ela está cheia ou acreditar que está vazia é maya, é ilusão, tudo fruto do raciocínio que aplica valores que cada um dá ao que está sendo percebido.

Pergunta: O mundo espiritual é uma ilusão?

O mundo espiritual, como concebido pelo encarnado, é uma ilusão, pois não existe mundo material ou espiritual, nem existe mundo como você concebe que ele seja. Tudo o que você consegue conceber (dar valor) é ilusão, maya, porque é fruto de um raciocínio.

Pergunta: O mundo espiritual é uma matéria rarefeita?

O universo é constituído de matérias, mas se aplicarmos o valor de rarefeito cairemos na ilusão, porque não conhecemos o que é rarefeito. Aliás, não sabemos nem o que é matéria.

É isso que estou querendo explicar e as perguntas estão servindo perfeitamente para exemplificar os ensinamentos. Cada coisa que você acreditou até hoje e tudo que você acreditar a partir de hoje, inclusive nos ensinamentos que estou passando agora, é maya, é ilusão. Não porque o ensinamento é falso, mas porque a sua compreensão não é o ensinamento que estou falando.

Apenas o Absoluto existe e Ele não é compreendido pelo espírito enquanto humanizado, enquanto utilizando-se do raciocínio.

Isso é vida humana, ou seja, nada. Qualquer outra compreensão que se tenha sobre qualquer coisa será uma ilusão completa, porque será fruto de um pensamento, será o valor aplicado a partir de um raciocínio e ele é a ilusão. Será a junção, como o Krishna ensina, dos gunas pensados com os gunas pensantes.

Pergunta: A única realidade é Deus?

Perfeito. Deus é a Realidade, o resto tudo é ilusão.

Agora, Deus de verdade e não a ilusão que criamos através do raciocínio do que é Deus: uma energia, uma potência, o tudo, etc. Deus é uma Realidade, mas o que é Deus, eu não sei.

Compreendendo assim entramos na Realidade do universo. Mas, enquanto imaginarmos Deus e utilizarmos o “deus” imaginado como realidade ainda estaremos presos na ficção, na ilusão, no maya.

Pergunta: Sendo a matéria uma ilusão ela pode ser moldada de qualquer forma pelos humanos?

Pode ser moldada, mas pelos seres humanos não. Falo desse jeito porque senão você pensará que poderá moldá-la com a mão (elemento do ser humano), mas isso não é realidade. Você poderá moldá-la, mas com a sua força mental (elemento do ser espiritual).

No entanto, para poder chegar a fazer isso você terá que estar apto para usá-la dentro do universalismo e não para fins individuais. Todos já têm esse poder dentro de si. Deus não deixa utilizá-lo porque senão os seres humanizados agiriam em seu próprio benéfico.

Muitos, por exemplo, querem sair da carne consciente e nunca conseguem enquanto outros fazem. Por que? Porque não tem o merecimento. São individualistas querem sair da carne para ir para a casa do vizinho ouvir o que estão falando dele. Aí Deus não deixa utilizar o poder que o espírito já possui.

Pergunta: A ilusão para mim é acreditar em algo que não existe.

Exatamente isso. Tudo que você acredita não existe, porque é apenas fruto de alguma coisa que você acreditou antes.

Tudo o que você acredita é verdade relativa, só sua. Não existem dois espíritos que possuam a mesma crença sobre todas as coisas do universo, seja sobre qualidade ou intensidade.

Pergunta: E a pessoa má intencionada que consegue enganar muitas pessoas. Isso é real?

Não, é seu carma. Se você foi enganada, na verdade, não foi. Alguém agiu carmáticamente na sua frente e você ilusoriamente deu o valor de estar sendo enganada.

Se Deus é a seu favor quem pode ser contra você? Qual a pessoa má intencionada que poderia fazer mal para o Filho De Deus? Não existe, não é mesmo?

Então, se alguém agiu, foi Deus emanando um acontecimento (carma que se transforma em prova) e você ilusoriamente, utilizando-se do seu maya, aplicou o valor de estar sendo prejudicada. Ou seja, não passou na sua prova.

Pergunta: Cada pessoa tem, então, o seu maya personalizado?

Eu diria que não há um maya personalizado, mas um ego personalizado que cria um maya. Dessa forma, podemos até compreender que os mayas são personalizados.

Pergunta: Fazer turismo astral é ignorância para quem pretende?

Sim, porque no universo não existe tempo perdido. Deus não pode perder tempo. Então ele não tiraria ninguém da carne apenas para ter o prazer de voar.

Muitos já leram nossos ensinamentos há bastante tempo e até hoje pegam o ensinamento para tentar prever como vivenciar atos futuros. Querem saber como, ao alcançar a elevação espiritual, trabalhará no seu emprego, como se relacionar com os filhos após o fim da família como hoje concebida.

O ensinamento espiritual seja ele qual for não é para se programar próximos atos porque ele está programado antes da encarnação e não importa como o espírito humanizado reaja viverá o ato pré-programado, o carma.

A única coisa que cada um pode fazer com relação a atos é reagir a eles e não criá-los. A reação é apenas espiritual (sentir) e não material (agir), porque senão você provocaria atos o que é incumbência de Deus como Causa Primária de todas as coisas.

A reação espiritual que você pode ter é de duas maneiras: acreditar na sua ilusão, no seu maya, ou universalizar-se, ligar-se a Deus. Não importa o que está acontecendo o que o espírito pode fazer é: “viver” iludido achando que está fazendo, achando que está acontecendo alguma coisa ou “viver” a realidade: o nada.

Essa “vida”, porém, não é vazia. Ela apenas é sem valores, sem ações, mas é repleta no gozo perfeito do entrosamento com Deus. Isso porque o nada que estamos dizendo que existe é o próprio Deus e Sua ação, a Sua emanação.

É por isso que o Cristo ensina: em verdade, em verdade vos digo, quem não nascer de novo não verá o reino do céu. “Viver” a “vida” sem valores é o renascimento em “vida”. Essa nova forma de reagir aos acontecimentos é o renascimento, o nascer de novo, o viver de outra forma. Mas, para renascer tem que morrer, ou seja, tem que matar os valores que se tem pelas coisas da “vida”.

Pergunta: Como sair de uma situação que foi criada. Como revertê-la?

Para que sair de uma situação? Toda situação que você acredita que exista é ilusão é maya, você criou a situação na sua mente. Ela não existe. O que está acontecendo ali é uma situação carmática que você deu um valor a ela. Reverter o que?

O que você pode é simplesmente achar que aquilo é “ruim”, um “problema”, não “presta”. Essa é a única coisa que você pode fazer em todos os momentos da vida: dar um valor a eles.

Os acontecimentos se reformarão ou não de acordo com a sua ação carmática e não pela sua ação material.

Pergunta: Por que é mais fácil acreditar no “mal” do que ir em busca da Verdade?

Porque é mais fácil acusar os outros. É fácil acreditar no “mal” porque aí acusamos o próximo de nos fazer o “mal”. Com isso não precisamos nos esforçar para entender que fomos nós que criamos o “mal”, ou seja, demos esse valor ao que os outros fizeram como instrumento da minha ação carmática.

Todo ato é feito por Deus e quem afirma que ele é “mal” está dizendo que o próprio Deus é “mal”.

É mais fácil acusar os outros porque aí eu não preciso me mudar, não preciso me libertar dos meus mayas. Posso viver em paz com os meus mayas e não preciso “morrer” para me aproximar de Deus.

Pergunta: O que alimenta a alma?

Deus. O único refrigério para a alma é Deus, a ligação perfeita com Deus. Ou seja, o apagar de tudo que você acha das coisas. Quando você aplica o bloqueio do seu raciocínio se alimenta de Deus, alcança Deus.

Leia a história de Adão e Eva. Esse casal nunca existiu, mas eles representam o espírito encarnado. Passaram a viver na vida carnal, nascer e morrer, porque queriam ser como Deus: aplicar valores às coisas.

É por isso que eles se afastaram do paraíso, é por isso que eles se afastaram de Deus.

Pergunta: Então o “mal” é maya?

O “mal” é maya, mas o “bem” também. O “certo” é maya, mas o “errado” também; o “bonito” e o “feio” também são. Tudo é uma ilusão porque cada um tem o seu padrão de certo e errado.

No universo não existem padrões porque tudo é perfeito, pois vem de Deus.

Dentro da conversa que tivemos hoje também se falou sobre o próximo mundo, mundo de Regeneração. Vamos comentar um pouco este assunto a partir da Realidade da vida criada nessa conversa.

O mundo que vivemos hoje no planeta Terra é o de Provas, ou seja um mundo onde o espírito tem que provar a Deus que quer buscar a sua elevação. É o lugar de tentar colocar em prática o amor a Deus matando o próprio eu, o fruto do raciocínio.

O próximo mundo será o de Regeneração e como a palavra fala é o mundo da mudança completa. Enquanto ainda estivermos vivendo as provas não precisamos alcançar a reformulação completa, mas é o momento apenas de mostrar que se está buscando a Deus. Só quando chegarmos no mundo celestial viveremos a totalidade da vida como hoje conversamos.

Já imaginaram o que é viver assim? Uma vida onde alguém coloque “o dedo na sua cara” e você louve a Deus por isso. Uma vida onde lhe roubem e você louve a Deus por isso? Uma vida onde tudo o que acontece não lhe afeta, não lhe leva nem a exultação do prazer nem a depressão do sofrimento?

Hoje ainda não conseguimos viver assim, mas se não colocarmos como objetivo primário nesta existência a busca de Deus, de viver na Realidade, nos desapegando dos mayas, jamais conseguiremos viver esse mundo.

Pergunta: qual o tamanho do universo?

O próprio universo é maya. Não existe universo porque se ele existisse teria que haver algo além do universo para ele fosse o próprio universo e a outra coisa fosse algo diferente.

Só existe o universo e, portanto, chamar o tudo de universo é maya, valor que se aplica.

Pergunta: O que não é ilusão?

Deus. O resto tudo é ilusão, todo resto é ilusão. Sua dor, por exemplo, é ilusão. Tanto isso é verdade que existem pessoas que amputam a perna e tem dor no dedinho que não existe mais.

Mágoa é ilusão, pois ela se origina de um querer não atendido. Mas, o querer também é uma ilusão, porque não há nada para ser querido, pois todos os espíritos possuem tudo o que existe.

A outra pessoa não fazer o que você quer é uma ilusão, porque ninguém faz nada: é Deus quem está fazendo a ação carmática.

Tudo é maya. Tudo é ilusão, menos Deus e Sua ação. Todo resto é ficção que Deus cria para lhe colocar à prova: inclusive esse ensinamento, porque nós não sabemos o que é Deus, não sabemos o que é ficção nem o que é prova.

Pergunta: A ilusão ajuda a evoluir?

Sim, a ilusão é extremamente necessária para que cada um evolua. O que não é necessário é você aceitar a ilusão como realidade.

É o que eu disse: não é você parar de raciocinar. É preciso haver a ilusão, o raciocínio, para que você não se prenda àquele valor merecendo, assim, alcançar a evolução espiritual.

Então, vamos dizer assim, a ilusão, o maya, é o diabo, o tentador, aquele que vai lhe tentar para lhe dar a oportunidade de não cair na tentação e desta forma provar a Deus que é capaz de amá-Lo acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Pergunta: Porque Deus não me ouve?

Ele lhe ouve toda hora, mas não está aqui para lhe satisfazer, para fazer as suas vontades. É exatamente quando Ele não lhe satisfaz que está amando-o. Lhe dando uma oportunidade de amá-Lo acima de todas as coisas, ou seja, acima do seu desejo de que as coisas fossem diferentes.

Pergunta: Somos uma fusão de energias de Deus sendo que em vibrações mais baixas?

Essa sua afirmação é maya. O espírito é um brilho. Você sabe o que é um brilho? Nem eu.

Nós ainda somos capazes de nos reconhecer apenas pelo corpo que vestimos ou pelo perispírito que estamos envolvidos. Só espíritos muito elevados conseguem se reconhecer na sua própria essência.

Dar um valor ao espírito seria um maya, seria criar uma ilusão. Então saiba só: eu sou um brilho. O que é um brilho? Não sei.

Pergunta: Mas seu eu pensar assim, como fica o dinheiro para pagar as contas? O dinheiro não é ilusão.

O dinheiro é ilusão, ter que pagar as contas também é ilusão: tudo ação carmática. Você comprar, vender, pagar ou dever, faz parte da ação carmática de cada ser.

Se dentro da ação carmática de um homem ele tiver que passar por uma falência, terá que passar. Para isso é necessário que algumas pessoas deixem de pagá-lo.

Dessa forma, dever é ilusão. Você acha que está devendo, mas na verdade é Deus que não paga através de você àquele homem para propor a ele uma situação carmática para ver como reage.

Pergunta: Temos que concordar que nossa missão é bastante difícil, pois estamos cheios de ilusão por todos os lados. Como sair desse labirinto de ilusões? Só com o amor a Deus nos libertaremos?

Orando e vigiando. Orando, estando em contato com Deus e vigiando o raciocínio para não se apegar aos valores que ele dá, para não transformar as ilusões, os mayas, em realidade.

Ficou claro então o que é “vida humana”, ou seja, ficou claro que a “vida humana” não é nada do que você acha que é? Que a “vida humana” é um maya é uma ilusão?

Na hora que isso ficar claro na sua “vida”, você continuará trabalhando no seu emprego, continuará se alimentando na hora do almoço, continuará vivendo a mesma “vida” que vive hoje. Afinal, ela é a sua ação carmática e você não pode “escapar” dela. Esta nova forma de viver, no entanto, terá um detalhe diferente da de hoje: você deixará de aplicar valores aos acontecimentos.

Comerá por comer e não para manter a saúde, para emagrecer ou engordar; trabalhará por trabalhar e não para ganhar dinheiro para se sustentar ou qualquer outra coisa. Nesse momento você alcançará algo que não conhece: a Felicidade, a Felicidade Universal.

Felicidade Universal é a paz, a tranqüilidade do espírito. É a vida sem exultação ou sem depressão. Uma vida reta no sentido de que não existem subidas nem descidas. Mas, principalmente, uma vida plena da glória de Deus. É isso que resultará quando você se libertar dos seus mayas.

Não será o fim da vida encarnada. Não será o ter que se isolar para viver em meditação. Não será a omissão: sentar no sofá e cruzar os braços. Todos os acontecimentos são maya, são ações carmáticas.

Você continuará realizando tudo o que realiza hoje sem estar preso à ilusão que o seu raciocínio está dando.

Pergunta: Em que nível de evolução o senhor está?

É difícil se falar em que nível de evolução alguém está, pois qualquer que seja a escala utilizada para medir ela é maya, é ilusão.

Cada espírito tem o seu próprio nível de evolução. Eu diria que já consigo praticar muita coisa do que estou falando, mas tudo o que eu falo me foi transmitido para chegar e lhes repassar.
FONTE:http://www.universalismo.org/

EGO

 

 
O ego humanizado é a personalidade humana à qual o espírito se junta naquilo que é chamado de encarnação. É ele que constrói as realidades que vivemos e é por isso que Kirshnamurti diz: “Falar de Deus, sem se experimentar, sem se ter uma mente de todo livre, e, portanto, aberta para o desconhecido, é coisa de mui pouca valia; é o mesmo que pessoas adultas se entreterem com brinquedos; e quando nos entretemos com brinquedos e chamamos a isso religião, estamos criando mais confusão, causando mais sofrimento. E só ao compreendermos todo o processo do pensar e dele nos libertarmos, pode a mente estar tranqüila; só então se manifesta o Eterno.”

Nesta seção estão os estudos através dos quais a espiritualidade nos mostrou, de uma forma compreensível pelo nosso raciocínio, o que é o ego.

 

 

CONHECE A TI MESMO ( TRÊS DIAS DE PALESTRAS)
O estudo destes três dias será sobre o ego. Iremos conversar sobre este elemento da vida material, mas não chamaremos este conjunto de palestras de ‘estudo do ego’.

Isto porque quando falamos em conhecer o ego, temos que ter em mente que estudar o ego é falar sobre si mesmo, que conhecer o ego é se auto conhecer.

Como nós iremos definir depois, o ego é o que você é hoje. O ego é aquilo que você se considera hoje. Portanto, este estudo, apesar de falar do ego, se chamará “Conhece a ti mesmo”, porque, como disse anteriormente, se você é o ego, conhecer o ego é trabalhar o auto conhecimento, trabalhar o conhecer-se.

Sendo assim, as palavras que serão ditas durantes estes três dias têm o objetivo de levá-lo a conhecer você mesmo. Este é o primeiro aspecto da introdução a este estudo, mas existe um segundo que é o objetivo pelo qual se vai estudar o ego.

Existem muitos estudos sobre o ego, muitas abordagens no estudo sobre o ego, mas aqueles que o fazem como ciência ou cultura não compreendem que estão vivendo apenas ilusões e não saber, porque toda ciência e cultura estão contidas no ego.

Eu diria que não pode existir um ‘doutor’ em ego que tenha ego, pois senão ele estaria iludido pelo ego e não estaria vivendo realidades. Para poder se compreender perfeitamente o ego e sua atuação seria necessário que o ser estivesse desligado deste elemento, mas isto não é possível no ‘mundo carnal’.

Então, o objetivo para o qual vamos abordar o tema ego não será composto por um estudo científico e nem objetivará, apesar de passar por isto, definir-se cientificamente o ego. Objetivaremos sim, com este estudo, entender aquilo que comumente se chama “reforma íntima” ou reforma do seu relacionamento com o ego.

Desta forma, quando estivermos analisando algum aspecto do ego, sempre usaremos aquilo que compreendermos não apenas como cultura, mas como ferramenta para a reforma íntima através da “luta” contra o ego.

Serão, portanto, estes dois aspectos que nortearão nossas conversas neste trabalho. Primeiro elas deverão trazer como resultado o conhecimento sobre si mesmo e em segundo lugar buscarão trazer, através deste auto conhecimento, instrumentos para a elevação espiritual, para a reforma íntima.

Comecemos definindo o ego.

“Ego é uma personalidade transitória à qual o espírito se liga durante um determinado ‘espaço de tempo’ na sua existência espiritual”.

Esta é uma definição padrão de ego que estamos usando apenas para podermos direcionar nosso trabalho. Muitos elementos da definição podem sugerir a vocês a ilusão de saber o que quer dizer, mas na realidade estamos apenas tentando dar uma idéia do que seja o ego, já que a descrição perfeita deste elemento universal é incompreensível aos seres humanizados por falta de conhecimentos prévios.

Antes de avançarmos no estudo do ego propriamente precisamos, ainda, definir o termo personalidade para não confundi-lo com as demais definições existentes.

“Personalidade é um conjunto de crenças que formam a consciência de um espírito”. Como consciência, entendemos o conjunto de informações ou memória que o espírito vivencia.

O ego, portanto, como conjunto de personalidades pode ser entendido como um “conjunto de crenças” à qual o espírito se liga durante determinado ‘espaço de tempo’ de sua existência eterna.

Dizemos que o espírito se liga porque ele possui uma outra personalidade ou conjunto de crenças que chamaremos de ‘personalidade espiritual’. Ou seja, o espírito possui um conjunto de crenças próprias, que é próprio seu, que existe no espírito independente da ação do ego.

Este conjunto de crenças ou personalidade espiritual é que determina a Realidade do espírito e não o temporário. Usamos o termo ‘realidade’ no sentido da elevação espiritual, ou seja, o que determina o que é conhecido como ‘grau de evolução do espírito’.

O espírito por si possui as suas crenças e elas não são as mesmas do ego. Quando o espírito está ligado ao ego esta personalidade espiritual é ‘desligada’ e o espírito ‘vive’ pelas crenças do ego e não pelas suas próprias.

Podemos então afirmar a partir disso que o ‘espírito encarnado’ é o ser universal que possui crenças espirituais, mas crenças estas que não estão acessíveis por causa da ligação com o ego.

Já aqui desfazemos um ‘mito’ ou uma compreensão ilusória que a humanidade possui. Espírito encarnado não é aquele que está ligado a uma carne, mas sim aquele que vivencia a realidade ditada pelo ego, personalidade transitória. Espírito encarnado é o ser universal que vive a partir de crenças temporárias ao invés de utilizar as suas próprias e não aquele que está ‘vivo’.

Não sei se me fiz compreender. Esta parte é complicada porque é um início e alguns elementos ainda são desconhecidos de vocês, mas é preciso que algumas idéias fiquem claras.

Primeira: assim como o ego é uma personalidade temporária, o espírito possui a sua personalidade fixa ou eterna. Segunda: esta personalidade fixa ou eterna é a mesma coisa de um ego, só que ela é formada por crenças diferenciadas.

Este é o início do estudo ego: saber que ele é um conjunto de crenças, mas que ao mesmo tempo o espírito possui outro conjunto diferente daquele existente no ego.

Participante: Eu gostaria de entender melhor estas outras crenças que o espírito possui. Como ele as adquiriu?

Vou lhe explicar, mas antes me deixe alertar algo: a formação das crenças do ego é diferente das do espírito. Depois vamos falar como as crenças do ego passam a existir, mas, por hora, saiba que as da personalidade espiritual são formadas ao longo da existência espiritual.

Participante: De encarnação em encarnação?

Eu não vou falar em encarnação porque vocês ligariam esta informação à carne. Estou falando de aprendizado espiritual.

Como já estudamos, o espírito possui dois campos de evolução: o técnico e o moral. No primeiro estágio ele ‘viverá’, por exemplo, ao lado do átomo de uma pedra. Quando estiver fazendo isso ‘aprenderá’ algo. Este conhecimento adquirido é uma crença que ficará guardada na memória ou na personalidade do espírito.

Quando ele sai do mundo mineral e começa a vivenciar o aquático, adquire novos conhecimentos, formando, assim, novas crenças. Ao longo de todo o período de evolução que chamamos de técnico o espírito irá adquirindo conhecimentos e eles se transformarão em crenças que comporão a personalidade espiritual.

Depois disso ele entra no estágio de evolução moral e novos aprendizados vão surgir e novas crenças serão formadas. Neste estágio, por exemplo vocês que estão saindo do ‘mundo de provas e expiações’ estão adquirindo novas crenças que passarão a compor as suas personalidades espirituais. Quando completarem o próximo ciclo idem.

Assim caminha a formação da consciência espiritual durante toda a eternidade.

Participante: Quando o senhor diz crenças, fala em materiais e espirituais ou só uma ou outra?

Só espirituais. Na consciência do espírito não existem crenças materiais, porque, como veremos, a matéria só pertence ao ser humanizado e não pertence ao espírito.

Participante: Acima do ego, entre ele e a consciência do espírito, existe outra personalidade?

Não. Para poder lhe responder melhor, vamos adiantar um pouco o assunto, mas depois voltamos.

Você está vivendo um ego humanizado, um ego programado para viver no planeta Terra, no ‘mundo de provas e expiações’. No próximo ciclo ou sentido de encarnação você se unirá a outro ego.

Este novo ego será diferente do atual, pois será programado para se viver o ‘mundo de regeneração’. Quando isto acontecer o ego atual, de provas e expiações não mais existirá. Ou seja, sempre haverá uma consciência espiritual e um só ego.

Todos os egos são inferiores à personalidade espiritual e ela é a realidade, é aquilo que o espírito é, por isso não há outra acima dele. Poderíamos considerar que houvesse uma personalidade universal que é Deus, entendido como conjunto do ‘todo’, formado pelo ‘todo’, mas isso é outra história. Além do que, ela não chega a ser propriamente uma personalidade.

Voltando à nossa conversa, até aqui definimos o ego, falamos das personalidades que existem e também da sua temporalidade. Dentro da definição que demos anteriormente para ego podemos, agora, falar da ligação do espírito às suas personalidades.

A ligação do espírito com uma personalidade cria uma identidade. Cada vez que o espírito se liga a uma personalidade, seja ela um ego (personalidade temporária) ou à sua personalidade espiritual, o espírito adquire uma identidade. Vamos entender isso.

Identidade é aquilo que você acha que é, o que o identifica. Hoje você está ligado a um ego que está rotulado com determinado nome. Por exemplo uma pessoa que se chama Márcia.

Márcia não existe. Na realidade é um espírito que está ligado a um ego rotulado como Márcia. Devido a esta ‘ligação’ o espírito se auto identifica como Márcia.

A identidade Márcia foi criada na ligação do espírito com este ego e o espírito passou, então a identificar-se como Márcia. Assumir esta identidade é, então, o que caracteriza a ligação de um espírito com um ego ou com uma personalidade.

Fica difícil explicar de outra forma para vocês o que é esta ‘ligação’. Muitos se arriscariam em falar em fios energéticos, em energia, fluído cósmico universal, que ligaria o ego ao espírito, mas tudo isto seria simbólico. Como disse anteriormente, apesar de termos que nos aproximar da ciência, não nos fixaremos no conhecimento científico.

O que é preciso realmente compreender para o objetivo de criar instrumentos de elevação espiritual é que a fusão do espírito com uma personalidade cria uma identidade. E que quando esta identidade é temporária ela é falsa e quando surge da personalidade espiritual é real.

Participante: A personalidade a qual eu me liguei para vivenciar uma encarnação já existia antes de eu me ligar a ela?

Não, nós chegaremos lá, mas por enquanto lhe respondo que essa personalidade só existe a partir do momento que você a constrói. Portanto, é posterior a você.

Participante: O ego humano é independente do espírito? Ele possui uma consciência própria?

Nós vamos chegar a isso também, mas para não lhe deixar sem resposta agora afirmo que, se definimos ‘consciência’ como um conjunto de crenças, o ego tem uma consciência própria, ou seja, crenças próprias. Mas, no tocante a ter vida própria já chegaremos neste aspecto.

Quero falar agora um pouco sobre as crenças que citamos. O que são as crenças que estão embutidas no ego e na personalidade espiritual do espírito?

Para tornar compreensível à vocês vou falar por meio de figuras. Não é exatamente isso, mas utilizando alguns exemplos conhecidos no planeta podemos nos aproximar um pouco da Realidade.

Não sei vocês conhecem programação de computador, sabem como é feito um programa de computador. Mas, mesmo quem não conhece a fundo o assunto, sabe que um programa de um computador é uma série de comandos que reagem a uma ordem.

Exemplificando. Se você apertar a tecla ‘a’ no teclado do seu computador, essa letra aparecerá no visor. Mas para que ela apareça lá é necessário que um programa a crie. Para isso ele terá que conter o seguinte comando: se a tecla ‘a’ for apertada, desenhe no visor a letra ‘a’. Sem isso, você pode apertar quantas vezes quiser a tecla que nada surgirá.

O conjunto de crenças do qual o ego é composto é idêntico. Ele diz: se houver um determinado impulso, utilize a crença ‘x;’ se o impulso for outro, utilize a crença ‘y’, se o impulso for outro ainda, utilize a crença ‘z’.

Este é o funcionamento do ego. Na realidade ele é um ‘programa’ que transforma um impulso, uma ordem, numa determinada verdade ou realidade de acordo com crenças pré-estabelecidas. O ego não é um ser, um espírito, não tem vida própria. Ele é uma série de informações que serão ativadas a partir de determinados comandos.

Isto é o conjunto de crenças ao qual eu me referi que compõe o ego ou a personalidade que o espírito se liga temporariamente. No entanto, este mesmo critério pode ser aplicado à personalidade do espírito.

Digo isto porque este procedimento (reagir a comandos criando realidades pré-fabricadas) é o fundamento daquilo que vocês chamam de raciocínio. O raciocínio, em qualquer nível, é exatamente isso: um impulso que ativa uma determinada compreensão para o espírito.

Portanto, não importa se estamos falando de ego ou de personalidade espiritual do espírito, a função da personalidade é exatamente esta: a criação de compreensões que se transformem numa realidade para o espírito.

Creio que agora ficou claro o que é que é o ego. Podemos, então, começar a falar um pouco mais da personalidade transitória à qual o espírito se liga para configurar o que é chamado de encarnação.

O ego, ou personalidade transitória, é criada pelo espírito antes da encarnação. Ou seja, o conjunto de comandos que criarão realidades durante a encarnação para o espírito vivenciar é obra e fruto deste mesmo espírito quando de posse da sua consciência espiritual.

Podemos afirmar, então, que o espírito, de posse da sua consciência, ou seja, dentro do seu saber espiritual, escolhe códigos que serão acionados para criar determinadas realidades que ele ‘vivenciará’ durante a encarnação.

Vamos dar um exemplo. A realidade de ser agredido, você ou qualquer outro, é uma informação que o ego dá. O fato de você ou alguém ter sido agredido nada mais é do que uma visão que você programou para o seu ego criar em determinadas circunstâncias.

Perguntaram-me agora pouco se o ego existia antes da encarnação: a resposta está aí. Não, o ego só passa a existir do momento que o espírito o cria, assim como o programa do computador só passa a existir depois que alguém o escreve.

Desta forma, o conhecimento do ego quanto à sua temporalidade é que o conjunto de comandos que criarão realidades foi escrito por você espírito antes da encarnação. Além disso, é preciso compreender que quando você o escreveu estava de posse da sua consciência espiritual.

Há exceções neste aspecto. É o caso onde o espírito não consegue reassumir a sua identidade espiritual e já tem que, por determinação de Deus, iniciar uma nova encarnação. Se ele estiver nesta condição terá que reencarnar, mas não poderá programar o seu próximo ego.

Neste caso, o ego ou o criador de realidades é escrito por um mentor deste espírito. Por alguém a quem o espírito, ainda de posse da sua consciência espiritual, nomeou como seu ‘tutor’ enquanto ele não recobrasse a sua consciência real.

Esta é uma exceção à regra. No momento em que falamos que o espírito escreve o seu ego, para não fugirmos à Realidade, é preciso também citar que há exceções nesta regra. Fazemos isso como fidelidade à Verdade, mas vocês não devem se prender a isso.

Como disse é uma exceção e casos semelhantes a este, pouco representam em quantidade de espíritos hoje encarnados. Portanto, trabalhemos apenas com a regra e não nos prendamos a exceções.

Participante: Significa que eu escrevi ser teimosa?

Significa que você escreveu comandos no seu ego para criar realidades que contrarie seu desejo. Quanto ao ‘ser teimosa’, já chegaremos lá.

Respondo-lhe, por agora, que você criou desejos, um comando para interpretar que foi ‘atacada’ nos seus desejos e um outro para vivenciar a reação.

Por que não abordei na resposta o tema ‘teimosia’? Porque falei até agora de ‘compreensões racionais’. O que chamo de compreensão que o ego cria é aquilo que vocês conhecem como razão, racional.

Tudo aquilo que para vocês é racional, ou seja, é compreensível por uma razão, fruto de um raciocínio, é criado pelo ego.

É uma realidade temporária e ilusória. Uma realidade que surge apenas por causa do seu comando para criar para si aquela realidade e não que seja ‘verdade’ ou esteja realmente existindo.

Isto precisa ficar bem claro quando se fala de auto conhecimento. Tudo aquilo que você compreende no mundo, não é real, lógico, racional, mas uma realidade que você comandou para que fosse criada enquanto estivesse ligado àquele ego.

Mas, dentro do conjunto de crenças do ego não existe só a parte racional, ou seja, a parte das idéias, do conhecimento através de imagens e formas, mas também existem as ‘crenças emocionais’. Vamos falar disso.

A personalidade, ou ego, é formada pelas idéias e pelas emoções ou sensações. No ego existe um conjunto de realidades lógicas, racionais, mas também existe um conjunto de emoções ou sensações pré-determinadas pelo espírito. Da mesma forma que a razão, que já falamos, este conjunto de emoções está subordinado à programação do ego e cada uma delas será usada quando determinado comando for ativado.

Vou dar um exemplo. Você vê uma barata e sente medo, nojo ou horror. Mas este nojo, horror e medo não são reais: são reações pré-programadas do ego para lhe criar um estado emocional que você viverá como realidade. Sendo assim, podemos afirmar que o ego lhe cria uma realidade racional, idéia, pensamento, mas também lhe cria realidades emocionais.

Um outro aspecto importante que precisamos compreender é que a realidade emocional que o ego cria está sempre ligada à razão ou a compreensão racional.

No caso da barata, a compreensão racional, ou seja, o pensamento, será de que a barata é suja, nojenta. Ao mesmo tempo em que o ego lhe joga essa racionalidade, ele também lhe dá a sensação do nojo, do medo e do horror.

O ego jamais lhe dará uma razão com emoção diferenciada. Ou seja, ele jamais lhe fará crer racionalmente que a barata é nojenta e lhe dará uma sensação de calma e paz.

E você, espírito, que só vive aquilo que o ego propõe como realidade, acha que você acredita e está sentindo o que o ego está propondo, ou seja, se deixar ser comandado pelo ego e não consegue sentir-se de forma diferente, mesmo que racionalmente quisesse.

É isso que estamos falando que é se ligar temporariamente a uma personalidade ou conjunto de crenças: vivenciar obrigatoriamente as proposições racionais e emotivas que o ego dá como verdade, realidade, sem condições de fugir delas.

Agora fica muito mais fácil e muito mais claro compreender o que é ego. E, como eu disse no início, de se entender que o ego é você,. Isto porque você só conhece, compreende e sente o que o ego quer que você compreenda, entenda e sinta.

Mas, tudo que você conhece compreende e sente isso não existe: tudo foi gerado a partir de um programa que foi escrito para reagir desta forma, pelo próprio espírito antes da encarnação.

Podemos então avançar no nosso estudo. Por que o espírito cria tudo isso? Por que o espírito cria uma ilusão, uma não verdade, algo transitório para vivenciar quando ele já possui na sua personalidade espiritual o Real e o Verdadeiro e pode vivê-lo?

Para comprovar a si mesmo aquilo que aprendeu quando na ‘erraticidade’, ou seja, quando ligado à sua consciência espiritual. Vamos entender isso melhor.

Segundo ‘O Livro dos Espíritos’ quando na erraticidade o espírito de posse da sua consciência espiritual se prepara estudando para sua futura ligação com o ego ou encarnação. Este preparo, ainda segundo ‘O Livro dos Espíritos’, se consiste em observar como lida o espírito humanizado (ligado ao ego) no seu relacionamento com as realidades criadas pelo ego.

Ou seja, os espíritos na erraticidade estão observando neste momento como vocês estão se relacionando com o ego ao qual estão agora ligados. Durante esta observação o espírito sabe a diferença entre o que está sendo criado e a Realidade por que está de posse da sua consciência espiritual que não cria as mesmas ilusões do ego.

Como eu disse anteriormente, hoje, você vendo uma barata, vivenciará o raciocínio, a parte racional que lhe diz que a barata é nojenta e o nojo e o asco pela barata como real. Quando na erraticidade o espírito não vivenciará isso. Ele não verá a barata e nem será bombardeado por esta compreensão racional e emocional. Por isso eu disse que o espírito na erraticidade vê o que é Real e não o que é ilusório.

Não quero neste momento entrar no assunto da Realidade. Posteriormente falaremos no que é Real, no que está acontecendo verdadeiramente. Mas, por enquanto, você precisa compreender que vive uma realidade ilusória, não Real, e quando na erraticidade os espíritos têm consciência de que aqueles que estão encarnados, ou ligados ao ego, são como crianças iludidas por aquilo que lhe dizem.

Depois de determinado tempo de observação o espírito programa, então, o seu ego para provar a si mesmo que será mais forte do que esta ilusão, ou seja, não acreditará nela, não a vivenciará como Realidade.

Participante: Quando você fala que o espírito na erraticidade não está vendo as coisas como quando ligado ao ego se refere ao espírito livre do processo reencarnatório?

Não, falo de espíritos ainda presos ao ‘processo reencarnatório’.

Participante: Mas como, então ele vê sem o ego se ainda está com o ego?

Você está fazendo confusão entre ‘processo reencarnatório’ e ‘encarnação’.

A encarnação é a ligação com um ego; o processo reencarnatório é a obrigação de ter que criar ainda novas personalidades para vivenciar um dia.

Desta forma um espírito pode ainda estar preso a um ‘processo reencarnatório’, mas no espaço de tempo entre um ego e outro, uma personalidade e outra, consegue acessar à sua consciência espiritual.

Participante: Então, o espírito quando não está encarnado não está ligado ao ego?

Já definimos anteriormente encarnação como ligação ao ego e não como ligação a um corpo físico.

Todo espírito encarnado está aprisionado à personalidade com que viveu ou vive a vida ‘carnal’. Mas isto não quer dizer que ele esteja liberto da carne, do corpo. Ele pode permanecer ligado ao ego, ou seja, vivenciando as realidades a partir do comando do ego, e não estar mais ligado ao corpo físico.

Você está partindo do pressuposto que encarnação é ligar-se a um corpo, a uma massa carnal, mas isso não é real. Na Realidade a encarnação é ditada pela ligação a uma personalidade temporária que é caracterizada pelo ego.

Enquanto o espírito viver guiado pelo ego estará ainda na mesma encarnação, não importando se está preso ou não ao corpo.

Participante: E quando você fala em espírito na erraticidade, a que quer se referir? Não entendi a relação do espírito na erraticidade estar observando ele mesmo com o ego.

Não falei em ele observar a si mesmo com o ego, mas a observar outros espíritos que estejam vivendo aprisionados à identidades geradas pelo ego.

Quanto a definir espírito na erraticidade vou conceituá-lo agora, mas só posteriormente falaremos mais sobre o assunto.

Existem espíritos em dois níveis no Universo: aqueles que estão na ‘materialidade’, seja de que planeta for, e os que estão na ‘erraticidade’.

O espírito que está na materialidade é aquele que vive a ilusão que o ego propõe como realidade. Espírito na erraticidade é aquele que está desligado da materialidade, ou seja, aquele que está desligado das realidades que o ego cria.

Este conhecimento nos leva a compreender que erraticidade não é um lugar, um ’espaço’ do Universo, mas um ‘estado’ no qual o espírito está vivendo com a sua personalidade espiritual. Da mesma forma, a ‘materialidade’ ou encarnação de um espírito também não gera um lugar específico, mas se trata do ‘estado’ do espírito que está vivendo um mundo, realidades, criadas por egos, não importando a que matéria se refira.

Vamos continuar. Pergunto: a partir do que o espírito cria o seu programa (ego) que irá fazê-lo vivenciar ilusões como realidade? A partir do seu estágio de evolução espiritual. Vamos compreender isso.

Anteriormente disse que a personalidade espiritual é fixa, mas não declarei que ela é imutável. A personalidade ou conjunto de crenças do espírito que não é iludida pelo ego se forma através da eternidade. Vou dar um exemplo.

Existem espíritos na erraticidade, libertos da ação de egos, que na sua consciência espiritual acreditam no ‘bem’ e no ‘mal’, no ‘certo’ e no ‘errado’, no ‘bonito’ e ‘feio’. Eles crêem nestes dualismos, que são características ilusórias ditadas pelo ego, mesmo ligados à sua consciência espiritual.

Quando na etapa de estudos que já citei, estes espíritos compreendem que estes conceitos são ilusórios ao observar a Realidade do Universo. Verificam, ainda, que eles ainda possuem tais ilusões na sua consciência espiritual e compreendem que precisam se libertar delas para poder avançar em direção a Deus.

Ou seja, compreendem que acreditar em parâmetros que dividam o que é uno não comunga com a Realidade. Compreendem que esta forma de ‘ver’ o mundo não é espiritual e aí sentirão a necessidade de trabalhar para se libertar do dualismo. Como? Criando esta mesma ‘verdade’ no ego.

Colocam as mesmas verdades gênero de suas provas no futuro ego para que ele crie realidades para que agora, cônscio de que estas compreensões não são dignas daquele que vive com Deus, libertarem-se da ação do ego.

Portanto, o que motiva o espírito a criar um conjunto de informações, programa que irá gerenciar realidades durante a encarnação, é a sua consciência sobre a sua personalidade espiritual. Vou dar um exemplo mais prático para facilitar a compreensão.

Um ego que seja vivenciado por um espírito e que contenha comandos para criação de racionalidades e emoções de ciúme, é um ego que foi projetado por um espírito que ainda possui na sua consciência espiritual posse, já que o ciúme nasce do desejo de possuir.

Desta forma, apesar de ser transitório, o ego é um reflexo do atual estágio da consciência espiritual do espírito. Não um reflexo perfeito porque o espírito não alimenta o seu ego com todas as suas ‘imperfeições’, mas parte delas.

Conhecendo esta Realidade do Universo podemos afirmar que uma ‘pessoa’ (espírito ligado a um ego) que tenha desejos de posse simboliza que o espírito ainda possui este desejo. Simboliza, ainda, que com a vitória sobre o ego (não acreditar no desejo de posse que ele incitará) o espírito conseguirá retirar de sua personalidade espiritual este mesmo desejo.

Volto a repetir. Está sendo muito difícil falar tudo isso porque muitas vezes faltam palavras para explicar, mas o sentido é esse. Se você está ligado ao ego e ele possui uma determinada característica, esta também existe na sua personalidade espiritual e você precisa vencê-la durante a carne para eliminá-la por completo de lá.

Um detalhe. Como também já afirmei antes, existem exceções em algumas regras no mundo espiritual. Aqui está um exemplo.

Existem egos que não refletem os valores da consciência espiritual do espírito. Trata-se dos chamados ‘egos missionários’, ou seja daqueles egos que são projetados por espíritos para vivenciarem determinadas missões ou papéis na ilusão da vida carnal. Neste caso, o espírito não possui aquelas características, mas como o papel a desempenhar pede que elas existam, o espírito as inclui no ego e as vivencia.

Agora, isso são exceções e não regra. Vamos ficar com a regra que é mais vinculada às encarnações da grande maioria dos espíritos. Ela diz: aquilo que você vivencia hoje está presente na sua consciência espiritual.

Vamos, então continuar definindo o ego e o entendendo, já que este é o assunto deste primeiro dia de palestras. Vamos agora para uma parte muito delicada e gostaria que vocês prestassem muita atenção.

Ao conjunto de realidades formadas pela compreensão racional e pela emocional chamo de ‘mundo interior’. É o seu mundo interno, o seu ‘eu’ interior, a sua ‘vida’ interior.

No entanto, este mundo não surge do nada. Precisa haver algo que faça surgir estas realidades ilusórias dentro de você. Ao elemento que cria a oportunidade para o ego fazer você vivenciar o seu ‘mundo interior’ chamo de ‘mundo exterior’. Vamos compreender estes dois conceitos com um exemplo prático como sempre fazemos.

A criação de uma ilusória verdade racional de que você foi agredido fisicamente e a também ilusória sensação de se sentir humilhado faz parte do seu ‘mundo interior’. No entanto, esta falsa realidade só surge quando no ‘mundo exterior’ é detectada a movimentação de uma mão encontrando com o rosto.

Existe, portanto, um ‘mundo exterior’ onde uma mão se movimenta e se encontra com uma face e existe o ‘mundo interior’ onde esta movimentação ganha na razão e na emoção o valor de agressão, humilhação e sofrimento.

No mundo exterior não há agressão; há a movimentação de uma mão encontrando-se com o rosto. Só o mundo interior vivenciou racional e emocionalmente a agressão.

Participante: Foi o ego que nomeou como agressão?

Foi o ego que nomeou pela razão e pela emoção aquele ato externo como agressão e lhe deu a sensação de sentir-se agredida.

A ‘agressão’, portanto, não está na intenção do outro, mas é uma criação do seu ego, é um mundo interno. Ela não existe fora de você, mas acontece apenas dentro do seu ‘interior’.

Agora, esta compreensão não é válida em apenas alguns casos, em algumas movimentações, mas vale para qualquer coisa. É válida para qualquer compreensão que você tenha sobre as movimentações do mundo externo das quais participa, sejam elas racionais ou emotivas. Todas as ‘movimentações, ou atos, em si não possuem o valor que você dá, pois ele foi criado pelo ego.

Não há compreensão humana que seja real, que esteja realmente acontecendo. Toda compreensão é uma interpretação que o ego faz seguindo o comando que você mesmo fez.

Neste caso (agressão), você programou o seu ego para que se uma mão se encontrasse com o seu rosto sob determinadas circunstâncias aquilo deveria ser considerado como uma agressão. Por que fez isso?

Porque você, espírito, ainda tem vaidade, soberba ou outros sentimentos que envolvam o individualismo dentro da sua consciência espiritual e compreendeu a que a existência deles é incompatível com a espiritualidade que precisa vivenciar.

Acho que agora começa a ficar claro a funcionalidade do ego e sua operação. Mas, vamos complicar um pouco mais para poder compreender perfeitamente.

Ora, se a sua razão espiritual de existir na carne, ou seja, ligado àquele ego é passar por determinadas circunstâncias para que sejam criadas determinadas realidades ilusórias pelo ego, não seria justo que você ficasse dependente do ‘mundo’. Ou seja, que você ficasse dependente dos acontecimentos para que houvesse a criação da realidade ilusória que você precisa para sua elevação espiritual.

Portanto, além de você ter elaborado no ego o conjunto de comandos que cria a realidade ilusória no ‘mundo interno’, você programa as movimentações (atos) que perceberá. Dentro do exemplo que dei (agressão) afirmo que você, para se submeter a esta interpretação, também criou a necessidade da movimentação externa (‘mundo externo’) com o ato do tapa.

Ou dizendo mais claramente, você pediu para ser esbofeteado, antes da encarnação. Por que fez isso? Porque se você não pedisse para vivenciar este determinado ‘mundo externo’ de que adiantaria programar o seu ego com um comando para interpretar um tapa como agressão?

O ego, portanto, além de ser um conjunto de verdades, também é programado para vivenciar um conjunto de movimentações, ou atos, pré-determinados. Para isto é necessário que o seu ego criasse determinadas movimentações.

Não sei se estou conseguindo me fazer entender, mas o que quero dizer é que o seu ego criou a movimentação da mão do outro em direção à sua carne.

Participante: Como assim?

Vou explicar.

O ato, ou a atitude, para os seres humanizados é gerado por moto próprio, ou seja, por motivação própria, mas isso é uma ilusão. Quem lhe dá o tapa não está agindo desta forma porque ele quer dar, mas age dessa forma porque o ego dele foi programado para dar tapa.

O ego de quem precisa receber sabe que para a prova daquele espírito ele precisa receber o tapa. Juntando-se uma coisa à outra, o ego de quem tem que receber ‘pede’ ao universo a presença no mundo externo em determinado momento da ‘pessoa’ que tem que dar tapas.

Quando afirmo que o ego cria a movimentação não estou dizendo que ele criou o levantar do braço do outro, mas que criou a ‘oportunidade’ de haver o tapa conclamando alguém que tenha o ego que lhe faz dar tapa a se relacionar com você no momento pré-determinado para que o tapa aconteça.

Esta é a lei da interdependência das coisas que Buda ensina. Ela é ativada através de um pedido do seu ego, da sua programação anterior à encarnação.

Portanto, dizer que o ego criou o tapa não é afirmar que ele esbofeteou você, mas que conclamou o ‘tapeador’ e criou a situação (realidades ilusórias) para que o tapa acontecesse.

Participante: Esta conclamação é feita na programação de vida antes de encarnar?

Sim. Você programa o ego antes da encarnação para que em tal momento ele ‘conclame’ um ‘tapeador’, para que em determinado momento haja a percepção da movimentação da mão e também para que ele crie determinada interpretação para aquele ato.

Mas, preste atenção em um detalhe. Ainda não estou dizendo como o ego funciona.

Afirmo isso porque se o ego é só um programa, um conjunto de comandos, precisa que ‘alguém’ (um ser inteligente, que haja) ligue esses comandos, ative o funcionamento deste ou daquela ordenação. Vamos falar disso amanhã. Por enquanto só estamos falando de funcionamento e não explicando como ele funciona.

Participante: Existe a possibilidade de por um deslize fugir da programação ou mudá-la?

Jamais. Isto porque toda programação é operada por um operador e eu garanto que quem opera os comandos dos egos não comete deslizes. Vamos falar disso amanhã.

Participante: Mesmo porque se houver uma mudança isso mexerá com diversos outros egos programados na nossa interdependência de carmas, não?

Isto. Na verdade mexeria com o Universo inteiro porque todo ele é interdependente.

Participante: Como se fosse um quebra cabeças?

Exatamente.

Além do mais, se houvesse um deslize, se não acontecesse algo que deveria acontecer, não valeria a pena ter encarnado, pois você não teria feito a prova à qual se dispôs a fazer.

Participante: Quando se diz que uma pessoa deveria perder um braço e por merecimento ela perdeu só uma mão, isso também já estava pré-programado?

Sim. Este merecimento está no aprimoramento da consciência espiritual e não da vivência com o ego nesta vida. É um merecimento anterior à vida e não durante a vida.

Ainda falando de ‘mundo externo’, vamos nos aprofundar mais no invisível, naquilo que não é percebido pelos instrumentos de percepção (olhos, nariz, ouvido, língua e sensibilidades do corpo físico) do ser humanizado para poder compreender mais uma função do ego.

O que é uma mão? Uma formação de diversos elementos. O que são estes elementos (ossos, carne, gordura, sangue, músculos, nervos) que compõem a mão? Fluído cósmico universal.

Se você decompor uma mão achará diversos elementos. Decompondo-os mais ainda encontrará as células que formam estes elementos. Mas se as decompor achará o fluído cósmico universal.

Isto não é verdade para você porque os ‘olhos humanos’ não conseguem ‘ver’ este elemento universal, mas esta informação está disponível na pergunta 30 de ‘O Livro dos Espíritos’: ‘A matéria é formada de um só ou de muitos elementos? De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva’.

Então, o que é uma mão? Fluído cósmico universal. O que é um rosto? Fluído cósmico universal. O que existe no ‘espaço’ entre uma mão e um rosto? Fluído cósmico universal.

Como então, no mundo externo acontece a formação da mão e do rosto independente um do outro além da ilusão da movimentação da mão através do ar até chegar ao rosto? Obra do ego.

Vamos entender este último aspecto da criação do ego. Já estudamos a criação do ‘mundo interno’ feita pelo ego e agora precisamos estudar como o ego cria o ‘mundo externo’.

Para isto eu vou precisar entrar um pouco no conhecimento científico da Terra. A ciência humana diz que a imagem se forma no fundo da retina quando a luminosidade refletida por um corpo é captada pela visão. O princípio da criação pelo ego do ‘mundo externo’ é semelhante.

Quando determinada transformação de fluído cósmico universal é detectada pelo ego, em outra programação diferente da usada para a criação do ‘mundo interno’, existe uma codificação desta transformação que gera imagem, som, sabor, cheiro ou sensibilidade ilusória. Exemplifiquemos.

O que você vê como mão é uma transformação de fluído cósmico universal de determinada forma. Quando estes fluídos sensibilizam o ego (são ‘vistos’), e não posso explicar como porque vocês não têm condição de entender, através da programação deste ego ele cria a imagem de uma mão.

Você, que nem sabe da existência do ego acredita que está ‘vendo’ a mão, mas isto é uma ilusão, pois a figura de uma mão está sendo formada dentro da sua mente. Ela não pode ser ‘vista’ porque no ‘mundo externo’ não existe mão, mas transformação de fluído cósmico universal.

Sendo assim, tudo que existe e é percebido por você, seja através da visão, da audição, do paladar, olfato ou sensibilidades do corpo, não existe de verdade. Não existe como realidade: são figuras, imagens, criadas pelo ego quando sensibilizado por tais ou tais combinações do fluído cósmico universal.

Ou seja, o mundo que você vive não existe externamente a você, mas são criações do seu ego, sejam os elementos ou a movimentação destes. Não sei se ficou claro, mas é isso que é a Realidade.

Olhe para sua frente, ouça o som que estou falando, respire e perceba os cheiros ao seu redor. Nada disso é real, nada disso existe no mundo exterior, mas foram criados no eu ego, formatado pelo seu ego como resultado da ação de uma programação. Ou seja, realidade virtual.

Aquilo que você vivencia externamente é uma realidade virtual, aquilo que você compreende e vivencia internamente, racional e emotivamente, também é ilusório porque surge da do ego, não está acontecendo.

Sendo assim, você e toda a sua vida são ilusões..

Por isto, no início do trabalho de hoje disse: falar do ego é conhecer a si mesmo. E tudo o que você pode saber hoje, ou seja, afastado da sua personalidade espiritual, é que você e o mundo criado por você são ilusórios.

Este é o maior conhecimento que alguém pode ter sobre si: que tudo que ele é o que vivencia é irreal, ilusório, porque foi criado pelo ego através de uma pré-programação do espírito.

Aí vocês poderiam me perguntar: então existe um ego coletivo, um formador de imagens coletivas? Eu diria que um formador de imagens coletivas não, mas existem programações comuns a todos os espíritos que ‘vivem’ na ‘Terra’. Ou seja, existe uma programação coletiva para a criação do ‘mundo exterior’.

Todos que olharem para uma parede verão uma parede. Isto porque todos os egos com os quais os espíritos vivenciam a vida no orbe terrestre possuem para formação da imagem a mesma codificação.

Esta codificação não é válida para quem mora em Marte, Plutão, Netuno, na Lua ou em qualquer outro planeta, mas é válida para todos que vivem no orbe terrestres. Os egos aos quais os espíritos se ligam para ‘viverem’ em qualquer outro planeta possuem outra programação que codificam e criam imagens que você, ser humanizado, não é capaz de criar porque seu ego é um ‘ego terrestre’.

É por isso que o homem vai a lua e não vê nada a não ser aquilo que vê daqui: aquilo que possui decodificação através do seu ego.

Encerrando a conversa de hoje, então, afirmo que o ego é o formador da realidade com a qual o espírito ‘vive’, quer seja essa realidade formada por objetos ou por compreensões racionais e emocionais. Tudo criado pelo próprio espírito antes da encarnação para que ele comprove a si mesmo a vitória sobre determinados aspectos da sua consciência espiritual.

Vamos continuar nosso estudo sobre o ego, mas se alguém quiser fazer alguma pergunta antes, fique à vontade.

Participante: Os animais ou plantas têm egos? Se houver, como funciona?

Nem animal, nem planta e nem ser humano tem ego. Quem tem ego é espírito e não os elementos materiais. Aliás, estes elementos são o resultante da ligação do espírito com o ego. O ser humano é o resultante da ligação do espírito com um ego, mas a planta e os animais também.

A partir daí podemos entender que todos os seres têm um ego. Mesmo aqueles que estão na erraticidade possuem uma espécie de ego, pois, como dissemos ontem, a personalidade espiritual funciona de forma idêntica ao ego.

No entanto, os egos, ou consciências diferenciadas das espirituais, são diferenciados de acordo com a missão que o espírito terá que realizar durante a sua encarnação. O espírito que habita e constrói a planta não tem o mesmo ego dos humanos, porque a consciência temporária deste espírito não cria realidades.

Para o ser humanizado o ego é o criador de realidades. Se o espírito que está ligado à planta não constrói realidades, ele não tem o ego como você entende e como estudamos ontem.

Já o espírito que está ‘encarnado’ como animal vivencia realidades, ou seja, o seu ego possui esta propriedade. No entanto, não podemos dizer que é o mesmo ego do ser humano.

Participante: Mesmo o animal mais simples na sua estrutura?

Mesmo o animal mais simples na sua estrutura possui ego, pois o que determina a presença de um ego é a existência do espírito e não a constituição material do animal. Agora, para que o ego tenha a função de formação de realidades é preciso que o ‘animal’ vivencie atos.

Sendo assim, se um micro organismo que seja considerado um animal não tiver percepções, o espírito ligado a ele terá com certeza um ego, mas este não será igual àquele ao qual está ligado o ser que vive como ‘cachorro’, por exemplo.

O que precisa ficar bem claro, por enquanto, é que o espírito que vive ligado à uma matéria animal possui ego, mas que esse não é igual ao do ser humano. Existem diversas diferenças entre eles.

Participante: O ego do espírito ligado ao animal é instintivo?

Por agora vou apenas dizer que é diferente, pois se falasse que ele era instintivo estaria fugindo à realidade, pois o instinto também está presente no humano e não é apenas característica do ego de espíritos que vivem ligados à determinados animais.

Não tente caracterizar o ego animal, mas apenas compreenda que ele não é igual ao humano. Só para exemplificar melhor as diferenças, o ego humano cria a individualidade, o se ver como um independente do todo universal. Já o ego animal não.

O espírito que está encarnado numa forma animal não sabe que ele é ele, ou seja, não se compreende como individualidade. Por força do seu criador de realidades (ego) se identifica como fundido ao universo e não como um elemento destacado.

Esta é uma diferenciação entre o ego humano e o animal, mas existem diversas outras. Por que? Porque cada ego é criado de acordo com o objetivo da encarnação do espírito.

Desta forma, o ego do espírito que vai vivenciar o mundo animal é criado para atender a um objetivo e o do espírito que vai viver o ser humano é criado para outros.

Participante: E no caso de haver um consciente coletivo, uma consciência controlando vários pequenos animais, este consciente pode ter um ego?

Existe um consciente coletivo, nós falaremos dele hoje. Mas este consciente coletivo não é propriamente um ego. Deixe para mais tarde explicarmos este ponto com mais calma.

Participante: Como um ego agiria em várias pessoas, animais e plantas simultaneamente?

Como disse, não há um ego, uma consciência individual que controla as demais. Por este motivo não é um ego que age.

Sendo assim, não há o que responder nesta pergunta.

Participante: No caso de obsessão, como funciona a aplicação de vários egos a uma única pessoa ou animal?

Quando ocorre uma obsessão? Quando existem espíritos no mesmo grau de elevação se intercomunicando, ou seja, quando existem espíritos que se harmonizam porque possuem realidades, paixões e desejos semelhantes.

Então, o que é a obsessão? É uma comunhão de egos que faz com que espíritos interajam dentro de realidades ilusórias que são frutos de suas paixões e desejos.

A obsessão não é, portanto, um ego agindo sobre o outro, como se costuma imaginar, mas espíritos ligados a egos semelhantes que se comunicam e se confraternizam por estarem no mesmo padrão vibracional, ou seja, por vivenciarem paixões e desejos semelhantes.

Participante: Obsessor, amigo de fé, irmão camarada…

Exato. Os que estão envolvidos em um processo de obsessão são espíritos que vivem com egos muito parecidos, que tem possuem comandos semelhantes em sua montagem.

Por exemplo. Se um encarnado é obsediado por outro espírito (dentro ou fora da carne) para beber compulsivamente é porque ele tem no seu ego esta paixão e este desejo de beber.

A obsessão, portanto, acontece porque desejo com desejo igual se junta. Nada mais do que isso.

Participante: Existe um ego coletivo para todo planeta?

Não, não existe um ego coletivo para o planeta. Falaremos disso mais tarde.

Na realidade o que é conhecido como ‘ego coletivo’ é um ‘banco de dados’ que é utilizado como depósito de comandos coletivos para programar egos humanos. Os egos se abastecem no ‘banco de dados’, mas este não é por si um criador de realidades.

Digo isso porque ontem definimos o ego como uma consciência temporária criadora de realidades. Não há um criador de realidade planetária’, mas existem dados arquivados num banco de memória que são usados nas programações dos egos.

Respondida as dúvidas iniciais, vamos, então começar a conversa de hoje. Faremos isso exatamente conversando sobre este aspecto que é tratado pelos seres humanos como ‘ego coletivo’.

Como disse, não existe um ‘ego coletivo’ se você aplicar ao ego a definição de que ele é um criador de realidades, mas existe um ‘banco de dados’ de onde são retirados comandos que aparecem nos egos humanos ou terrestres.

Existe, portanto, um ‘banco de dados’ para o planeta Terra. Mas para falarmos dele, precisamos antes entender o que é o planeta Terra.

Ontem encerramos nossa conversa dizendo que a própria realidade material, ou seja, os corpos e movimentações que existem, são criações do ego. Se assim é, o planeta Terra, ou qualquer outro planeta, não existe externamente a você, mas é uma criação do seu ego.

Isto precisa ficar bem claro porque quando definimos globalmente algumas coisas (tudo, todos) muitos separam coisas que não englobam na totalidade que afirmamos ser. Um dos exemplos é o planeta. Nós afirmamos que toda a realidade material não existe, mas muitos continuam acreditando que a Terra como um planeta existe, mas isso não é realidade.

E, se a Terra não é um planeta o que é ela? Vamos entender.

Por definição, Universo é o campo de trabalho para elevação do espírito. Tudo que você conhece assim como o que não conhece no Universo foi criado e idealizado por Deus para servir ao espírito no seu processo de provação. Todos os sóis, estrelas, planetas, satélites naturais, espaços vazios entre eles que você percebe como as chamadas ‘dimensões’ espirituais que não podem ser percebidas pelo ser humanizado, são criações de Deus com função de auxiliar o espírito na sua evolução espiritual.

Sendo assim, não existem planetas, mas sim campos de trabalhos diversos separados um do outro. Vamos criar uma figura para melhor compreensão.

É como se o Universo fosse um estádio desportivo onde houvesse pista de atletismo, campo de futebol, quadra de basquete, de tênis, etc. Ou seja, um lugar que reunisse todas as arenas necessárias para a prática de todas as atividades desportivas conhecidas.

Cada arena tem a sua finalidade, ou seja, abrigar a realização do seu desporto, e o estádio seria o local que abrigaria todos as arenas com todas as suas finalidades. Cada arena tem uma razão de existir e o estádio existe com finalidade de abrigar todos os desportos.

Cada elemento do Universo (planeta, sol, estrela, etc.) é como se fosse a arena para a execução de um determinado esporte. Existe o ‘planeta’ que serve de campo de futebol, onde os espíritos se desenvolvem em um determinado aspecto; existe aquele que serve de ‘campo de atletismo’, onde o espírito desenvolve outro determinado aspecto, e assim por diante.

A Terra, portanto, é um destes campos onde o espírito se desenvolve num determinado aspecto da evolução espiritual. Hoje, a Terra serve para o espírito como campo de trabalho naquilo que é chamado de ‘mundo de provas e expiações’.

Não nos compete neste estudo falar de ‘mundo de provas e expiações’ e por isso não abordaremos este aspecto. O que temos que entender hoje é que não existe o planeta Terra, mas que aquilo que compreendemos como tal é uma criação do ego que serve como um ‘espaço’ universal onde os espíritos se desenvolvem dentro de um determinado aspecto.

Planetas são ‘espaços’ que servem a grupo de espíritos que estão dentro do mesmo padrão vibracional (nível de elevação espiritual) e que servem para que estes espíritos trabalhem determinados aspectos da existência espiritual.

A compreensão desta idéia ou noção é fundamental para entendermos o que vai ser falado a partir de agora. Porque quando buscamos comentar sobre ‘ego coletivo planetário’ estamos, na realidade, falando sobre um ‘banco de dados’ que contém comandos para serem agregados a egos que se ligarão à espíritos que viverão em um mundo onde o sentido da encarnação seja provas e expiações e não sobre o ‘ego da Terra’.

Começamos a entender um pouco sobre o ‘banco de dados’ disponível para aqueles que encarnarão na ilusão planeta Terra, ou seja, no sentido de encarnação provas e expiações. Mas ainda existem detalhes que precisam ser mais esclarecidos.

Isto porque a Terra não é uma, ou seja, não é igual. Ela é formada por raças e pátrias que são diferentes entre si. Por causa desta diversidade entre elas posso afirmar que as raças e as pátrias também são ‘lugares’ para trabalhar diferentes tipos de aspectos espirituais.

Se anteriormente comparamos um planeta a uma arena para a prática de determinado esporte dentro de um estádio (Universo), podemos dizer que a Terra como a pista para atletismo abriga diferentes modalidades de esporte. São corridas de grandes extensões ou rápidas; com obstáculos ou não.

Cada pátria ou raça é uma modalidade do mesmo esporte, ou seja, uma subdivisão dos elementos contidos no ‘banco de dados’ planetário. Isso ficará mais bem entendido daqui a pouco quando definirmos o ‘banco de dados’, mas por enquanto devemos ter em mente que o trabalho de elevação espiritual se divide dentro de aspectos macros e estes se subdividem em diversos outros aspectos.

Sendo assim, a Terra não é um planeta, mas um congregado de espíritos trabalhando determinados aspectos da existência espiritual e o Brasil, a Argentina e os Estados Unidos também não são países, mas ‘espaços’ que servem para que espíritos trabalhem determinados aspectos da existência espiritual.

Tendo anteriormente falado na existência de um ‘banco de dados’ para formação de egos que caracteriza universalmente aquilo que os humanos chamam de Terra, precisamos, agora, que dizer que existe um ‘banco de dados’ com a mesma finalidade que caracteriza cada país e raça conhecida pelos seres humanizados.

Sendo assim, ninguém é brasileiro, argentino ou americano, mas são espíritos ligados a egos que foram abastecidos com ‘verdades’ retiradas destes ‘banco de dados’. Ninguém é preto, branco ou amarelo, mas cada um destes possui em seu ego comandos que foram retirados de determinados ‘bancos de dados’ que são subdivisões do central (o do planeta).

Mas, quando falamos em ‘bancos de dados’ não podemos pensar macro, pois existe diversas micro características que são retiradas de outros bancos. Além de pensar na pátria, temos que pensar nos regionalismos presentes nos próprios países e raças.

No caso do Brasil, por exemplo, as regiões norte, nordeste, sudeste, centro e sul concedem àqueles que ali vivem características de personalidades completamente diferentes umas das outras. Estas características de personalidades servem como campo de algumas determinadas provas para o espírito.

Não paremos por aí, pois os estados, as cidades e os próprios bairros das cidades são campos de trabalhos para determinados aspectos da elevação espiritual já que criam coletivamente determinadas características nas personalidades de seus habitantes. Por este motivo, afirmamos que também se constituem em micro banco de dados onde estão à disposição do espírito comandos para serem agregados aos ‘programas’ de seus egos para o trabalho espiritual.

Mas, se estamos falando de personalidades não podemos esquecer outros aspectos que influenciam nela além da questão geográfica. É o caso da profissão que se vivencia, do sexo, do casamento ou não, da maternidade ou paternidade ou não, etc. Chamo a isso de ‘papéis’ exercidos por espíritos durante a encarnação e que criam comunidades que possuem personalidades iguais.

Uma mãe, por exemplo, é sempre uma mãe. Existem traços que são comuns a todos os espíritos que exercem o papel de ‘mãe’ durante a encarnação. Estes traços estão presentes em micro ‘banco de dados’ que servem para abastecer o ego do espírito durante a montagem da personalidade temporária com a qual irá vivenciar determinada encarnação. Mesmo coisas consideradas fúteis como torcer para um determinado time de futebol, cria comunidades com traços de personalidade iguais e cada vez que isso acontece serve como instrumento para a provação do espírito em determinado aspecto da elevação espiritual.

Com tudo isto que falamos, começamos a compreender aquilo que vocês chamam de ‘ego coletivo’ e que chamei de ‘banco de dados’ que abastece os egos humanos. Entendemos que ser humano, habitante da Terra, é estar ligado a um ego que contenha comandos retirados do ‘banco de dados’ terrestre e das micro divisões que ele possui: país, região, cidade, bairro e comunidades.

Podemos, então, dizer que um homem que tenha como profissão a medicina, seja brasileiro, more na cidade de São Paulo,em um bairro de classe alta é um espírito que está ligado a um ego que tenha comandos retirados de cada um destes micros bancos de dados. Ou seja, tudo isso é uma realidade ilusória criada pelo ego para que o espírito possa cumprir determinadas missões dadas por Deus para que ele alcance a felicidade que eterna que o Pai tem prometido.

NOTA: Esta afirmação refere-se ao ensinamento transmitido pelo Espírito da Verdade na pergunta 115 de O Livro dos Espíritos:

“115. Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus? Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da Verdade, para aproximá-los de Si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa a meta que lhes foi assinada. Outros só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade”.

Esta é a Realidade sobre a identidade criada a partir da união do espírito com o ego: comandos que possibilitam a execução de determinadas missões. A sua identidade atual (aquele que você imagina ser) é composta pelos comandos que retirou de micros bancos de dados para realizar a sua provação espiritual.

Não sei se me fiz entender porque o assunto é complexo e dificilmente poderá ser compreendido por inteiro. Não há possibilidade do espírito dominado pelo ego entender profundamente o como, por que, para que de tudo isso que estou afirmando.

Portanto, não queira entender profundamente o que digo. Saiba apenas que todos os traços de sua personalidade atual foram retirados de arquivos que estão vinculados ao banco de dados terrestre para que fosse criada determinada realidade ilusória com o objetivo de você, o espírito, aproximar-se de Deus e vivenciar a felicidade eterna. Para isso é preciso que você conviva com esses traços sem ‘ranger de dentes’.

Apesar de jamais poder ser compreendido por inteiro e profundamente o tema de hoje, continuaremos ainda falando dele para poder lançar um pouco mais de luz na sua realidade.

Até aqui conceituamos o ‘banco de dados planetário’ e suas subdivisões. Vamos, agora, aplicar estes conhecimentos à sua vida, à sua personalidade, pois o objetivo deste trabalho é conhecer a si mesmo.

Ontem definimos o ego como um programa de computador e hoje falamos que este programa é montado a partir de comandos que estão disponíveis em micros bancos. Ou seja, cada ‘papel’ que se representa no mundo carnal é originado em um ‘banco de dados’ que possui comandos que dão determinadas características de personalidade ao ser humanizado. Vou explicar melhor isso.

Quem trabalha ou conhece programação (fazer programas de computador) sabe que nem tudo precisa ser escrito. Existem mini programas que podem ser copiados e acoplados ao seu programa para poder se atingir determinados fins que se quer alcançar.

O espírito quando vai fazer o programa com o qual irá criar suas realidades, ou seja, quando escreverá o ego, define, por exemplo, que irá lutar contra a ação da personalidade temporária que lhe induzirá ao materialismo.

NOTA: Todo o ensinamento passado neste trecho da palestra parece coisa extremamente nova, sem ensinamentos que tenham o precedido. Mas, isso é irreal. Tudo aquilo que será falado aqui, de forma simplificada, foi comentado no da Vida Espírita, subtítulo Escolha das Provas, de O Livro dos Espíritos.

Para ilustrar e fazer referência, iremos, aos poucos, referindo-nos ao ensinamento do Espírito da Verdade.

“258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele próprio escolhe o gênero de provas porque há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio”.

Este espírito, que já vive agregado ao orbe terrestre, irá procurar nos ‘bancos de dados’ disponíveis no planeta Terra os comandos relacionados com a luta ao materialismo, dentro da intensidade que ele quer trabalhar.

Vou a um exemplo mais prático para poder ser bem compreendido. No entanto, quero deixar bem claro que tudo que falarei a partir de agora é apenas exemplificação, pois verdades de um mesmo micro banco podem servir para diversas provações.

Sendo assim, se um espírito decide como gênero de sua provação atacar profundamente o materialismo buscará o banco de dados de um ‘país’ onde os comandos criem na personalidade que vivenciará durante a ‘encarnação’ um forte apego ao materialismo. Neste caso ele irá anexar ao seu ego comandos que estão disponíveis no banco de dados pátria rotulado como Estados Unidos.

NOTA: “260. Como pode o Espírito desejar nascer entre gente de má vida? Forçoso é que seja posto num meio onde possa sofrer a prova que pediu. Pois bem! É necessário que haja analogia. Para lutar contra o instinto do roubo, preciso é que se ache em contacto com gente dada à prática de roubar”.

Por que isso? Porque lá, notadamente, o materialismo, a paixão pelo mundo material, é muito forte. O espírito buscará, então, os comandos que já estão prontos e guardados sobre o nome ‘pátria Estados Unidos’ e agregará estes comandos ao ego de sua futura encarnação.

Quando isto é feito, ou seja, quando os comandos são agregados ao ego, cria-se, então uma realidade ilusória que será vivenciada durante a encarnação. Neste caso, o espírito que anexou os comandos do arquivo ‘pátria Estados Unidos’ terá, durante a encarnação a realidade ilusória de ‘nascer’ neste país.

Desta forma o patriotismo, orgulho patriota, com o qual os seres humanizados vivem não existe, não é real. Isto porque o espírito não escolhe pátria para nascer por achá-la bonita ou gostar dela, mas porque nela estão os comandos que se adaptam àquilo que ele quer vivenciar com o sentido de negar a realidade que está vivendo. A escolha dos programas fará, necessariamente ele nascer naquele país.

Depois disso o espírito escolherá ainda, cidade, estado, região, bairro e os ‘papéis’ que serão vivenciados naquela encarnação e as sociedades com o as quais conviverá. Mas não faz tudo isso aleatoriamente: todas as escolhas serão feitas a partir da determinação de lutar contra o materialismo, gênero inicialmente escolhido pelo espírito para servir de provação nesta encarnação.

NOTA: “269. A que se devem atribuir as vocações de certas pessoas e as vontades que sentem de seguir uma carreia de preferência a outra? Parece-me que vós mesmo podeis responder a esta pergunta. Pois não é isso a conseqüência de tudo o que acabamos de dizer sobre a escolha das provas e sobre o progresso efetuado em existência anterior?”

Da mesma forma, o espírito, antes da encarnação, não procura uma profissão pela própria profissão. Ele criará para o seu ego a ilusão de ser determinado profissional a partir da aglutinação de comandos de determinados bancos de dados ao seu ego.

No caso do nosso exemplo (um espírito que escolheu o gênero materialismo para lutar contra) ele poder ser médico, pois aqueles que exercem esta profissão têm a ilusão de ter o poder de dar a vida ou a morte. Ele pode ser um economista, que lida com o dinheiro e com a ganância sua e dos outros.

Enfim, o espírito vai a partir da idéia central de combater determinada atitude espiritual (ser materialista) buscar nos bancos de dados disponíveis no planeta programas que criem ilusões para que ele as vivencie. A partir da programação do seu ego formada por comandos dos bancos de dados do planeta Terra, o espírito vai criando o seu ‘destino’ na ‘vida’.

Então, o espírito escolhe comandos que estão rotulados como pátria Brasil e nascerá neste país. Escolhe o programa que represente uma sociedade carente, e nascerá numa favela. Escolhe um programa de busca de evolução material pelos próprios valores materiais e terá um como destino uma personalidade que pode ser definida como ‘um pobre soberbo’. Escolhe alcançar a vitória material (fama) para poder libertar-se do orgulho e com isso decide antes da encarnação que se ‘formará numa faculdade’.

Por isso lhes afirmo: o destino da vida material do espírito será escrito automaticamente de acordo com as suas escolhas para vivenciar esta ou aquela realidade. Escolhas estas que são opções de comandos que estão disponíveis nos micros bancos de dados do planeta Terra.

NOTA: Aparentemente esta informação leva àquilo que é conhecido como determinismo. No entanto, não é bem assim. Há outras opções que o espírito pode viver durante a encarnação além de ‘criar’ seu destino. Senão vejamos:

“851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resisti”. (O Livro dos Espíritos).

Podemos dizer, então, que as situações da vida são predeterminadas, mas que cada espírito vivendo a mesma realidade ilusória é livre para escolher se passará por ela na depressão do sofrimento, no êxtase do prazer ou ainda com a felicidade eterna que o Pai concede.

Quem vivencia as realidades ilusórias com a felicidade eterna são aqueles que foram chamados pelo Espírito da Verdade de submissos; quem vive tanto na dor quanto no prazer são os que passam pelas suas provações murmurando como foi falado pelo Espírito da Verdade na resposta à pergunta 115 que já citamos.

Volto a repetir: este assunto é extremamente difícil de entendimento por vocês, pois estou falando da vida de cada um.

Até hoje vocês imaginam que escolheram durante a encarnação ser e estar o que são e estão porque gostam ou tem ‘afinidade’ com estes elementos, mas isso é irreal. Tudo que você é hoje foi decidido antes da encarnação e não porque gostasse, achasse bonito, ou tivesse ‘afinidade’, mas para que provações fossem criadas e, com a vitória sobre elas, se aproximasse mais de Deus.

Alguém aqui falou que é geógrafo, mas isso é uma mentira. Ninguém é geógrafo; está geógrafo (vive a ilusão de ser) para vivenciar algumas realidades comuns à comunidade de geógrafos. Ou seja, o carma que esta profissão traz embutido em si.

Este conhecimento acaba, por exemplo, com todos os méritos que imagina ter por haver se formado na faculdade.

O mérito de ter estudado e se formado na faculdade não existem, pois você se transformou em geógrafo não quando se formou na faculdade, mas quando programou o ego desta existência com comandos que estavam arquivados no ‘papel profissão’ com o nome de geógrafo. Esta programação gerou a obrigação de, ilusoriamente, se formar numa faculdade. Portanto, a sua formatura não se deve a esforços humanos, mas a atitudes espirituais antes da encarnação.

Outra pessoa aqui presente, exerce a profissão de professora, ou seja, acha-se professora. Por isso imagina que tem que ‘ensinar os outros’. Mas isso é irreal, pois ser professora não é ensinar os outros, mas sim criar determinadas realidades ilusórias para que o espírito as vivencie e execute o seu trabalho de elevação espiritual.

Ou seja, esta pessoa não estudou para ter uma determinada profissão, mas para que fosse criado um papel ilusório nesta vida para que ela vivenciasse determinadas realidades que todos os profissionais desta área específica vivenciam.

Veja como esta compreensão mexe com suas vidas. Até hoje vocês tinham a ilusão que um espírito escolhia ser médico para poder ajudar os outros, mas isso é mentira, é ilusão, pois para o espírito dar a saúde material não é ajudar ninguém, pois ele entende que tudo que é material é maya. O espírito escolhe formar-se na faculdade de medicina porque vivenciar o ‘papel’ de ser médico durante a encarnação possui a prova que ele tem que fazer nesta ‘vida’.

Veja como este ensinamento altera suas existências. Tudo que vocês são hoje, tudo que vocês já foram até hoje, deixa de ter a razão que tem ou teve e passa a ser vivenciado com um outro sentido, com uma nova razão para ser.

Não mais ser médico para curar, mas para vencer as tentações que o ‘titulo’ de doutor lhe dá. Não mais ser professora para ensinar, mas para vencer as tentações que este título lhe dá.

Por isso que estou falando que tudo que disse hoje é de difícil compreensão, pois ele acaba com a sua vida como conhecida até então. Até ontem sua vida era uma, a partir de agora tem que ser outra, porque se inverteram os valores de tudo que você foi ou é, fez ou está fazendo.

Mas, não aplique isso apenas nos exemplos que estou dando, ou apenas às coisas consideradas como materiais. Mesmo para o trabalho espiritual este ensinamento é realidade.

Ser médium, por exemplo, é um ‘papel’ pré-escrito pelo espírito para si durante a encarnação. Ele não serve apenas para ‘ser instrumento de Deus para auxiliar o próximo’, mas também para vencer determinadas realidades criadas com o exercício da mediunidade: soberba, orgulho, vaidade, etc. Por isso tenha a certeza que você não é tão ‘bonzinho’ assim, ou seja, não escolheu ser médium para ajudar os outros, mas para fazer determinadas provações.

Veja como muda a vida. Altera tudo porque se aplica aos mínimos detalhes da sua existência. A partir da conscientização dele, ao invés de viver a sua profissão ou a sua masculinidade/feminilidade, passará a descobrir o que estas particularidades que vivencia hoje criam como prova para você, espírito.

Na prática, é isto que os ensinamentos dos mestres querem dizer quando aconselham aos seres humanizados a buscar dentro de si mesmo a elevação espiritual. Praticando este ensinamento vocês buscarão nas suas origens espirituais o que quer dizer ser homem ou mulher, ser mãe ou pai, ser filho ou neto e, com isso, deixarão de vivenciar estes papéis.

Como ensinou Cristo, vivendo a busca interior abandonarão pai e mãe, pegarão sua cruz e aí poderão segui-lo. No entanto, este abandono não se trata de algo físico, material, mas ele se origina com o fim da vivencia do ‘papel’ filho e o entendimento do que ele representa como prova nas suas vidas.

Quem conscientizar-se da Realidade, ou seja, da virtualidade das realidades criadas pelo ego, deixará de vivenciar a maternidade ou paternidade e passará a buscar o que esses papéis representam como provação para cada um. Só assim a pergunta ‘quem é minha mãe, quem é meu irmão’ que foi proferida por Cristo poderá ser respondida.

É deste o conhecimento que estamos falando hoje. É disto que estamos falando agora. Com ele, a sua vida vira de ‘ponta cabeça’ porque deixa de ser externa e passa a ser meditativa: uma vida onde você medita sobre os aspectos da vida e não os vivencia.

Participante.: O problema, então, é passar a se apegar ao conhecimento carnal ou material?

Não é apegar-se à nada, mas querer ‘ viver’. É ‘vivenciar’ os acontecimentos da vida como realidades externas à você.

O problema é você viver a maternidade, o ser professor, o ser homem ou mulher. Porque o espírito não é homem ou mulher, professor ou pai/mãe, mas, está estes elementos.

E está para que isso? Como uma prova seja proposta para você, ou seja, que realidades sejam criadas para que você não se apegue a elas.

O problema, portanto, é você querer viver a ilusão que o ego cria, a realidade ilusória que o ego cria. Isto é problemático para o espírito porque quando você vive a sua feminilidade, que é uma realidade ilusória criada pelo ego, já que não existe ‘espírito fêmea’, você deixa de fazer a sua prova.

Aliás, nem sabia que existia uma prova a ser vivida na sua sexualidade: como então realizá-la? Tudo isso porque se apegou ao ser feminino.

Vamos continuar ainda falando do ego, mas acho que devemos ficar ainda um pouco mais neste aspecto, pois ele é fundamental para a vida de um espírito encarnado. Este ensinamento explica tudo o que vocês estudaram até hoje a respeito de reforma íntima.

O que é ser e estar, o que é mudar-se, o que é aproximar-se de Deus, elevar-se espiritualmente: tudo está ligado à conscientização das realidades que vivem como provações.

Explica tudo. Explica o que é o sentido da vida. Quando eu digo que você não nasceu para viver a vida estou fundamentando-me neste conhecimento. Você não nasceu para viver a sua masculinidade ou feminilidade , mas nasceu para não vivê-las, ou seja, para entender que a sua feminilidade é uma realidade ilusória criada pelo à qual você precisa se libertar.

Participante: Nesta tentativa de não me deixar levar pelo ego e às vésperas de festividades tão comemoradas por todos nós, como são o natal e o ano novo, nesta minha luta para não vivenciar aquilo que a humanidade está vivendo nestes dias, o que está acontecendo é que estou caindo num vazio, que eu não consigo realmente entender isso tudo, mas também não quero fazer aquela comilança e aquele monte de presentes porque não acredito mais nestas coisas. Então, eu me acho perdida e com um fundo de tristeza muito grande sem saber o que fazer. Gostaria que o senhor falasse sobre isso.

Em seu Evangelho, na logia 002, Tomé nos ensina: ‘Jesus disse: aquele que procura, não cesse de procurar até quando encontrar; e quando encontrar ficará perturbado; e ao perturbar-se, ficará maravilhado e reinará sobre o Todo’.

Esta sensação de vazio que está sentindo hoje, é originada pelo fato do natal, como comemorado anteriormente, não ter mais sentido para você. Apesar desta consciência, você ainda não consegue interpenetrar no ‘Real’ sentido do natal. Ou seja, é o estado intermediário entre a sua materialidade e a sua espiritualização.

Isto é normal ocorrer para quem está ‘procurando’, pois a luta contra o ego é realizada paulatinamente e a vitória é uma conseqüência da persistência. Durante a luta, a primeira reação é sentir este vazio que você diz estar sentindo. Só que, a partir do momento que você encontra o vazio, tem que preenchê-lo com Deus e isso ainda é muito difícil para vocês.

A luta contra o ego não se vence em uma só batalha, mas há estágios que precisam ser vivenciados em seqüência. Primeiro você é humano, vive humanamente; depois começa a compreender a necessidade da busca de espiritualizar-se e inicia, então, esta busca.

Com isso vai abandonando aos poucos a materialidade mas ainda não chegou à espiritualidade, ainda não encontrou Deus universalmente falando. Por isso surge o vazio. Mas, com a persistência na luta surge, então, o espiritualismo, a presença de Deus na sua vida e aí, então, poderá reinar sobre o Todo, pois está ligado ao Tudo.

Ficou claro?

Participante: Ficou, mas esta sua resposta não ajuda muito em como vou me comportar neste natal.

Os atos que você irá praticar neste e em outros natais já estão programados no seu ego desde antes do seu nascimento e eles acontecerão inexoravelmente da forma prevista. Você não pode, agora, agir de uma forma diferente.

Quando abordo a luta contra o ego, não estou falando de atos, de mudança de atitudes, mas mudar-se por dentro. Eu não disse que não pode haver comilança nem presentes no natal, pois se fizesse isso estaria dizendo que você pode alterar o seu destino.

Quem pratica estes atos durante o natal é porque o seu ego está programado para isso e terá que fazê-lo. O que venho insistindo sempre em dizer é que você, se quiser aproximar-se de Deus, não pode aproveitar esta época para buscar a felicidade material. Então, se fez a comilança, comprou presentes, louvado seja Deus.

Agora não acredite por dentro que isso é natal. Acredite que isso é a Márcia (personagem, ego) que está fazendo e não você, o espírito. Mantenha a sua comunhão apenas com Deus e não com o que está acontecendo, fazendo o que fizer materialmente (atos) durante estes dias, e, assim, terá conseguido superar o natal material.

Participante: Então, é negar tudo que se é?

Não é negar, é deixar de ser. São duas atitudes bem diferentes, porque negar algo é criar uma nova verdade e isso é impossível. Você será sempre quem programou para ser e nada poderá alterar isso.

Se a realidade hoje, por exemplo, é que você é professor, negá-la seria não mais exercer esta profissão. Isso não poderá deixar de ser, pois este é o papel pré-estabelecido por você antes da encarnação.

Por isso não é este o trabalho que estou falando que deve ser realizado. O que estou afirmando é que você, ao vivenciar o ato de ensinar, não se senta professor.

É bem diferente do negar. É a liberdade, a libertação do ser aquilo que o ego diz que você é.

Participante: O preconceito regional estaria no espírito ou seria uma criação do ego. Vou explicar melhor. Um chileno, por exemplo, tem preconceito do argentino; o baiano do pernambucano; o francês do alemão; e assim por diante. Este preconceito estaria no espírito e, portanto se nascesse ou não na Alemanha teria preconceito contra o francês, ou o preconceito está no ego e foi programado pelo espírito. Onde reside o preconceito?

O preconceito não está no espírito, nem no ego. O preconceito faz parte do ‘banco de dados’ de determinadas regiões, raças ou países. O espírito que vai vivenciar a prova de vencer o preconceito escolhe este ‘banco de dados’ justamente porque eles induzem naturalmente a ter esta lógica racional.

Sendo assim, o espírito não escolhe o povo que vai nascer ou de quem terá preconceito, mas os comandos pré-programados é que criam a lógica racional que o ser humanizado deve ser preconceituoso com este ou aquele outro povo. Depois da escolha, o espírito abastece o seu ego, o seu programa individual, com estes comandos e, só então, o preconceito estará presente no ego.

Desta forma, o preconceito originalmente não está nem no espírito nem no ego, mas num ‘banco de dados’. Ele também não se refere a uma outra raça por qualquer razão lógica, mas porque no ‘banco de dados’ que dá origem àquela raça existe a necessidade de receber o preconceito.

O espírito ao escolher determinados comandos absorve este preconceito e por isso tem a ilusão de nascer em tal país, povo ou raça e terá preconceito daquela outra que o comando manda ter. Mas estas coisas não conspurcam o espírito.

O espírito continua sendo o espírito, já que a sua Realidade é ditada pela consciência espiritual e esta não é afetada pelas verdades incluídas no ego. As verdades incluídas no ego são do ego e não do espírito.

Participante: Como fazer, se em casa só eu me interesso pelo trabalho do ecumenismo universal? Às vezes prefiro não assistir à palestra para não arrumar briga com a minha esposa. Ela diz que não está preparada para ouvi-lo e que eu estou virando um beato.

Elevação espiritual é a coisa mais individual que existe: você tem que tratar da sua e de mais ninguém.

Lembre-se que assistir ou não a palestra não depende de você, pois são atos, que não comandará. Por isso começo a resposta lhe dizendo: assistindo ou não, esteja em paz.

Ou seja, se hoje a sua realidade ilusória criou o assistir a palestra, louvado seja Deus. Agora, se amanhã a sua realidade ilusória não criar esta ilusão, louvado seja Deus também. Não a culpe por isso ou fique chorando pelos cantos, dizendo que você é um pobre coitado, que sua mulher não lhe compreende ou acusando-a de não quer evoluir.

Outro aspecto que devo lhe passar nesta resposta: você tem todo o direito de buscar a sua elevação espiritual, mas não tem o direito de cobrar dela que faça a mesma coisa.

Portanto, se estes ensinamentos lhe tocam, coloque-os em prática. Agora se não tocam a ela, dê o direito dela de não querer colocá-los em prática, inclusive quando brigar com você porque os está colocando em prática.

Saiba que o ato dela cobrar de você porque está colocando em prática, ou seja se tornar beato como falou, é direito dela. Aquele que vivencia aquilo que acabamos de falar entende que ela não está cobrando nada dele, mas que o seu ego, a partir de verdades que ele mesmo colocou lá, está criando racional e emocionalmente o se sentir cobrado.

Para que o ego faz isso? Como uma prova. Para ver se você vivencia cobrança ou não.

Então, é muito simples conviver com a situação que você está vivendo. Viva o que você tiver para viver sem acreditar que está vivendo, mas entendendo que em tudo está uma oportunidade para você dizer louvado seja Deus ao invés de ficar imaginando coisas.

Agora que já tiramos algumas dúvidas, voltemos ao nosso estudo.

Até aqui comentamos alguns aspectos das propriedades dos diversos ‘micros bancos de dados’ que compõem o planeta Terra (povos, raças, países e sociedades). Por exemplo, falamos que nos Estados Unidos o programa tem a propriedade mais forte do combate ao materialismo. Mas, não fizemos a análise global do planeta, ou seja, não falamos das propriedades que levam um espírito à encarnar na Terra.

Veja bem. Se você nasce em determinado país por um motivo, nasce primariamente na Terra também por um motivo e não por acaso. É sobre isso que eu queria falar agora agora: por que você está encarnado na Terra?

Compreender isto é fundamental, pois esta motivação primária para se encarnar na Terra é o fundamento, a ‘mãe’, que determina o seu atual estado de elevação espiritual. É fundamental se compreender também, porque são a partir desta característica primária que todos os ‘banco de dados’ (pátria, raça, povo, sociedades) com suas características se formam.

O desejo pela posse material, que está embutido em um ‘banco de dados’ é originado em alguma coisa, mas a fome, que está em outro, também é originada nesta mesma coisa, assim como a sensação de prazer é formada também a partir deste mesmo aspecto que comanda todas as realidades virtuais do planeta.

Desta constatação eu poderia dizer, então, que a característica do ‘banco de dados’ do planeta Terra é única para todos que estão encarnando aqui. Que a característica fundamental do ‘banco de dados’ planeta Terra é comum a todos que estão encarnados nela.

E, se anteriormente dissemos que não existe um ‘planeta Terra’ materialmente falando, mas um ‘espaço’ onde os espíritos trabalham o que vocês chamam de ‘mundo de provas e expiações’, a características do ‘banco de dados Terra’ é a determinante do ‘mundo de provas e expiações’, ou seja, é a determinante do seu grau de elevação espiritual.

Esta determinante, esta característica, nivela todos os espíritos que encarnam no planeta Terra, porque é comum a todos. Se não fosse, o espírito não estaria encarnando no planeta Terra, vivendo o mundo de provas e expiações: estaria em outro planeta, outro mundo.

Portanto, esta característica é fundamental de ser compreendida porque ela é a raiz de todas as ilusões que você cria, ou seja, ela é que dá origem e determina um sentido para tudo o que você vivencia.

Participante: Meu ego me diz para sentir atração por japonesas. Apesar de saber que o espírito não é mulher, nem japonesa, o fato de um espírito encarnar com esta característica não é uma forma que Deus encontra para aproximar dois espíritos em prova? Se aquele espírito viesse com outra roupa corporal iríamos nos aproximar e ser instrumento do carma do outro?

Volto a repetir: vocês continuam se prendendo em atos, em coisas materiais.

Você está querendo saber se deve continuar se aproximando de japonesas ou não, mas isso não interessa saber, pois você não se aproxima agora, durante a ‘vida’, de ninguém: o aproximar-se ou não já foi escolhido antes da encarnação.

O que você não pode, dentro da luta contra o ego, é vivenciar aquilo que acabou de dizer: ‘o seu ego lhe diz’, ou seja, acreditar na proposição feita pelo ego. Veja como você está aprisionado a esta identidade provisória…

Não lhe interessa o que o ego disser: se você está próximo de uma japonesa, louvado seja Deus, se não estiver, da mesma forma. Agora, acreditar que está em seu destino aproximar-se de orientais, isto é ilusão.

Foi o que respondi a quem me perguntou sobre negar. O trabalho não é negar nada, mas libertar-se. É não vivenciar o que o ego lhe diz, seja o que for, como real.

Se o seu ego lhe diz que deve gostar mais de japonesas e você acredita nisso, mas o seu ‘destino’ não faz isso acontecer? Lembre-se: os acontecimentos não dependem do que o ego lhe diz, mas sim daquilo que você programou para vivenciar em conjunto com a razão ou lógica ditada pelo ego.

Digamos que o ego lhe fale que você deve se aproximar de orientais, mas o que você escreveu para acontecer não seja isso? Ou digamos, até, que você tenha escrito se aproximar japonesas, mas se nenhuma delas, por opção sua anterior à encarnação, não ligar para você? O que acontece? Sofre.

Então, veja, não se apegue ao que você está vivendo, mesmo que seja aquilo que o ego lhe diz hoje como plenamente real, pois amanhã poderá não ser. Liberte-se da vivência do que o ego lhe diz e só assim poderá ser realmente feliz, independente dos acontecimentos e da razão que o ego impõe.

Não queria saber o porque do ego lhe dizer isso ou aquilo, pois tudo o que ele lhe diz tem só um fundamento: criar uma realidade, Neste caso ele está criando um desejo por japonesas para ver se você vivencia este desejo positivamente (querendo), negativamente (não querendo), ou simplesmente dizendo: ‘eu desejo e daí? Se acontecer aconteceu, mas senão acontecer, não aconteceu’.

Respondida à pergunta, vamos voltar a nossa conversa. Eu falei que existe um fundamento terrestre, ou fundamento do ‘banco de dados’ que vocês chamam Terra e que é o determinante da elevação espiritual de cada um.

Este fundamento é o individualismo. É o ‘eu’: ser, estar, querer para mim. Todo espírito encarnado no planeta Terra, ou seja, ligado a um ego terrestre, é por essência, individualista. Todo ego formado para vivenciar a vida carnal é essencialmente individualista, mesmo aqueles que dizem suplantar o ‘eu’, pois ao dizer que ‘eu suplantei o eu ‘, não suplantou nada, pois está preso à razão que lhe diz que suplantou.

Isto precisa ficar bem claro para aquele que pretendem realizar a libertação do ego.

Você pode ir se libertando, por exemplo, dos carmas ou das realidades de uma sociedade, mas enquanto não entender que a realidade societária nacional, de raças ou povos e tudo o que você vive é formado a partir de um individualismo não vence nada.

Não adianta querer ou imaginar que se libertou do doutor que ‘está’ enquanto ainda for o personagem que está vivenciando. Isto porque o individualismo que fundamenta todos os comandos do ego gerará outras programações onde ele estará sempre sendo a base das realidades.

Desta forma, afirmo que é preciso lutar contra as realidades que uma nacionalidade traz, mas acima disso é preciso lutar contra o ‘eu’ que é nacionalista.

Sendo assim pergunto: o que é esse ‘eu’ ou esse individualismo que estou falando? Ele é representado por todas as suas crenças, ou seja, ele é o formador e o organizador de toda programação do seu ego. Tudo que você vivencia enquanto subordinado ao ego é formado a partir deste ‘eu’, deste individualismo.

Por isso, tudo que você imaginar, ou tiver acesso pela razão ou pela emoção, liberte-se. Não adianta querer libertar-se apenas daquilo que acredita que deve se libertar, porque esta realidade ilusória que quer manter, ainda foi fomentada pelo ‘eu’, pelo individualismo, pelo que você acha das coisas.

Não adianta querer trabalhar determinados aspectos do seu ego, sem entender que a origem destes aspectos está no individualismo, porque se não vira hipócrita: continua preso no ‘eu’ dizendo que está livre do ‘eu’.

Então, veja, se nós definimos cada grupo de verdades que você possui como determinado aspecto criador de realidades para a sua existência, para sua encarnação, agora deixamos bem claro que estes aspectos só existem porque você ainda está totalmente preso no ‘eu’, ainda é individualista.

Participante: Mas para seguir numa profissão é preciso se aperfeiçoar. Como fica, então, esta questão frente ao que o senhor está dizendo?

Se aperfeiçoar em que? Em conhecimentos teóricos? Para que? Para trabalhar melhor? Mas, você não age, não trabalha… A ilusão que vivencia e entende como trabalhar, a realidade de que age, opera materialmente, foi criada pelo ego: ela não existe.

Uma professora, por exemplo, não leciona, pois lecionar, dar aulas, é ilusão criada pelo ego. Sendo assim, o desejo de ser uma melhor professora acaba.

Veja bem. Você não é uma profissional, está uma profissional como instrumento de criação de realidades para que se liberte de viver esta ilusão como real.

Sendo assim, não importa o quanto queira se atualizar, isto só ocorrerá, ou seja, você só vivenciará a realidade de estar se atualizando, na hora que estiver programado que isto aconteça.

Esta programação, no entanto, é feita antes da encarnação, não agora. Portanto, se tiver que vivenciar o ‘se atualizar’, isto não acontecerá por decisão atual, mas como realidade criada antes da encarnação.

Portanto, não se preocupe com o externo, não olhe para fora: olhe para dentro. Veja como você está vivenciando a necessidade de se atualizar, de se profissionalizar. Veja como está lidando com o ato de se aperfeiçoar ou não, com o ato de trabalhar ou não.

É para isso que você nasceu, não para realizar atos.

Participante: O espírito pode desencarnar e ficar preso ao ‘eu’ (ego) e permanecer assim no plano espiritual e, depois, reencarnar preso a este ‘eu’?

O espírito pode desligar-se da carne e permanecer ligado ao ego, ao ‘eu’, mas, neste caso, ele não desencarnou, pois desencarnar não é desligar-se da carne e sim do ego. Isto é uma realidade muito comum.

Agora, ele jamais poderá assumir um novo ego enquanto estiver vivenciando realidades criadas pelo anterior. O espírito não pode se ligar a uma nova personalidade enquanto estiver ligado a outra.

Ontem comentamos este caso e falamos que, quando o espírito não consegue retornar à sua consciência espiritual para preparar uma nova personalidade, existem mentores ou tutores nomeados pelo espírito quando ainda de posse da sua consciência espiritual para preparar esta nova ‘vida’. Este é o procedimento espiritual para esta reencarnação que você perguntou.

Desta forma, uma personalidade é ‘apagada’ e a outra, simultaneamente, é ligada. Isto acontece porque o espírito não pode ter o mesmo ego (personalidade) em duas encarnações.

Participante: Alguns livros espíritas falam de espíritos que foram médicos na Terra, continuam sendo médicos no plano espiritual e, quando encarnam, voltam a ser médicos. Neste caso, eles continuam presos aos egos? Não passaram nas provas? São outras provas ou são mistificações espíritas?

Ainda estão ligados a este determinado aspecto da programação como elemento construtivo de realidades ligadas a uma determinada essência. Ou seja, estes espíritos, ou alguém por eles, escolheram novamente a ilusão de ser médico para vivenciarem uma essência que pretendem combater durante a encarnação.

Não estão presos ao ‘eu’ anterior, mas continuam vivenciando a ilusão de serem médicos até que em determinado momento deixarão de sê-lo.

Participante: Quando o espírito se liberta do mundo de provas e expiações.

Quando acabar com o individualismo. Se o ‘eu’ ou individualismo é à base do mundo de provas e expiações, só quando o espírito acabar com ele poderá encarnar com um novo sentido, com uma nova batalha.

Participante: Acredito que nós não nascemos para praticar atos, mas vivenciá-los sendo espírito, como o senhor ensina, mas aqui no planeta é preciso praticar atos.

Você não nasceu para praticar atos, até porque pela explicação que dei ontem os atos não existem, mas sim uma ilusão de ação.

Você nasceu para compreender esta realidade do universo. Aliás, nem para isso, mas sim para colocar em prática esta compreensão, ou seja, a consciência de que você não age. Porque aprender, já aprendeu no plano espiritual.

Lembra-se que falei que os espíritos estudam observando os que estão encarnados, ligados ao ego? Então, você já sabe o que é se ligar ao ego e agir a partir dele, ou seja, ter a ilusão da ação. Só depois de tanto ver isso acontecendo e conscientizar-se da ilusão da ‘vida’ é que você cria um ego com o objetivo de libertar-se das ilusões que vive e faz isso conscientemente.

Esta é a realidade. Agora, quando você diz que é preciso praticar atos, eu digo que não. Isto porque a vida material não existe. Ela é uma série de realidades ilusórias criadas pelo ego.

Sendo assim, não precisa, por exemplo, haver o ato de um médico cuidando de um corpo, pois não existe o remédio, a mão do médico e o próprio corpo. A ‘cura’, se houver, não acontecerá por causa da ação destes elementos, mas por uma pré-programação.

Todos os elementos materiais são formados de fluído cósmico universal e suas ações são controladas por Deus e não por você, por qualquer outro espírito ou pelas propriedades dos elementos.

NOTA: Aqui citamos duas informações de O Livro dos Espíritos que falam exatamente da ação dos elementos materiais controlada pela Causa Primária de todas as coisas.

“007. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas? Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária”.

“Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito que há de ter uma causa” – comentário de Kardec à resposta 007.

“009 – Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas inteligências? Tendes um provérbio que diz: pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater”!

“Do poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade. Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem” – comentário de Kardec à resposta 009.

Apesar destas afirmações tão contundentes, como diz o Espírito da Verdade, o homem orgulhoso nada acredita haver acima dele, mesmo que tenha tido acesso a estes ensinamentos. Deturpa-os para continuar mantendo o ilusório poder de se sentir a ‘raça forte do planeta’.

Quando este ilusório poder é contestado através da Natureza (acontecimentos da vida) o homem acusa o próximo ou credita ao acaso, sorte ou azar a origem dos acontecimentos sem, no entanto, jamais dar a Deus a função de Causa Primária de todas as coisas. Para estes mais um recado do Espírito da Verdade e de Allan Kardec:

“008. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso? Outro absurdo! Que homem de bom senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso?Nada”.

“A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso”.

Se você não tem que ‘agir’ durante a vida, o que tem que fazer? Libertar-se da ilusão da ação e dos valores que são aplicados a ela no seu mundo interno pelo ego. Ou seja, se médico, deixar o médico agir e lutar para não se ‘sentir médico’ e nem acreditar na cura ou na doença.

Participante: Voltando ao assunto da profissionalização, a gente fica insegura com o seu ensinamento para viver a ‘vida’.

Você não fica insegura, quem criou esta sensação foi o ego. Pare de se sentir insegura, pois você nasceu para vencer esta emoção racional que o seu criador de realidades levou à sua consciência.

É isso que estou dizendo o tempo inteiro. Volto a repetir: este ensinamento se aplica à tudo da sua vida, à tudo que compreender racionalmente e sentir emocionalmente. Nada disso existe, são realidades ilusórias criadas pelo ego para que você vença a tentação de vivenciá-las.

A insegurança que você falou que sente com relação ao seu futuro se colocar em prática o ensinamento não existe: é maya. O ego a está criando e você está vivendo o que o ego cria, dizendo que é seu.

Participante: a partir destes ensinamentos, qual a diferença entre o veneno e o remédio, se tudo é fluído cósmico universal?

Nenhuma. A programação que está no ego é que faz surtir uma determinada realidade ou ilusão.

NOTA: Mais uma vez reforçamos o ensinamento da espiritualidade com informações anteriores repassadas pelo Espírito da Verdade através de O Livro dos Espíritos.

“0031. De onde se originam as diversas propriedades da matéria? São modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas circunstâncias”.

“0032. De acordo com o que vindes de dizer, os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de modificações de uma única substância primitiva? Sem dúvida e que só existem devido à disposição dos órgãos destinados a percebê-las” (grifo nosso).

“0033. A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades? Sim e é isso o que se deve entender, quando dizemos que tudo está em tudo” (grifo do original).

Apesar de, aparentemente, o ensinamento agora trazido pela espiritualidade parecer novo, pelas respostas do Espírito da Verdade podemos constatar que se trata, apenas, de aprofundamento de um ensinamento anterior que agora, com novos conhecimentos científicos, pode ser entendido.

Que estes ensinamentos eram verdadeiros e que um dia seriam complementado Kardec sabia e por isso afirmou:

“O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que consideramos simples são meras modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda nos achamos de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria primária, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e podemos, sem maiores conseqüências, tê-los como tais, até nova ordem” – comentários à resposta 33.

Apesar da compreensão sobre o tem ser, portanto, velha e fazer parte de doutrinas religiosas, o homem não consegue aceitá-la como Real e ainda se choca quando a Verdade lhes é exposta. Por que? Porque não coloca em prática outro ensinamento do próprio Kardec ao comentar uma resposta do Espírito da Verdade:

“Quanto mais consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior admiração lhe devem causar o poder e a sabedoria do Criador. Entretanto, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho”.

Como o homem não se admira do poder e da sabedoria do Criador ao vivenciar os acontecimentos da vida, mas liga-se apenas à ciência, se choca com tudo aquilo que é revelado e que está acima dos limites científicos. Mas, para aqueles que, mesmo depois de tantas constatações ainda estão incrédulos com este ensinamento, outro recado do Espírito da Verdade e de Allan Kardec:

“0020. É dado ao homem receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos? Sim, se o julgar conveniente, Deus pode revelar o que à ciência não é dado apreender”.

“Por essas comunicações é que o homem adquire, dentro de certos limites, o conhecimento do seu passado e do seu futuro”.

Se o ego está programado para a fusão de fluído cósmico percebido como elemento químico com a daquele que é percebido como corpo para criar uma ilusória ação de ‘cura’ ele agirá assim, mas, se não estiver criará a ilusão da doença e até da morte.

É por isso que Kardec ensina e a ciência comprova que existem elementos que ao mesmo tempo curam ou podem matar. Isto porque a ‘ação’ não depende do elemento, mas sim das programações do ego, das criações de realidades por parte do ego.

Vê como algumas coisas do mundo material que são incompreensíveis para vocês agora passam a fazer sentido? Quando nos libertamos da ilusão da ação e retiramos do elemento material a causa primária das coisas, entendemos que tudo que acontece é uma realidade ilusória criada pelo ego. Podemos, assim, entender porque no mundo, às vezes, dois mais dois não dá quatro.

Participante: O senhor falou a pouco que o planeta Terra é um banco de dados que é igual a todos os habitantes do mundo de provas e expiações. Porque então o mesmo programa de veneno mata uns e não provoca essa ação a outros?

Porque não é o veneno que mata, mas a programação do ego.

O ego cria a ‘morte’, não é o veneno que mata. O ego cria a ilusão de ação ‘morte’ e você, que está preso à ilusão da vida como realidade, diz que foi o veneno que matou mas, quem matou e criou a realidade ilusória de morte, foi o ego.

Participante: O veneno no caso seria…

Um programa agindo em cima de outro programa.

Participante: Seria uma desculpa para o desencarne do espírito.

Seria uma desculpa para criar a realidade ilusória do desencarne do espírito. Não seria para fazer o desencarne, mas para criar a ilusão de que ele desencarnou.

Veja se o que está acontecendo com minhas respostas não é aquilo que conversamos anteriormente: viramos a sua ‘vida’ ao avesso, ou seja, a partir de hoje, se aplicado o ensinamento, tudo tem que ser diferente, vivenciado de forma diferente.

E, esta nova compreensão que estamos falando, pode ser muito melhor entendida depois desta série de perguntas. Com ela entendemos que deve acabar a preocupação de se especializar ou a angústia de se buscar a elevação espiritual. Mas, isso precisa ser trabalhado incansavelmente, pois, mesmo tendo acabado de dizer que tudo que sentem é o ego que cria, as pessoas ainda me dizem que ficam angustiadas em não agir.

Como eu disse, todo este ensinamento é muito profundo e mexe em tudo que você vivencia.

Participante: Estou às voltas com um ratinho em minha casa e não estou com vontade matá-lo. Descobri que ele estava comendo a ração dos meus cachorros, ou seja, seria este o motivo para ele nos visitar todas as noites. Então, tirei a ração daquele lugar. Pergunto: isso provocará a ida definitiva deste bicho para o mato que é onde eu acho que ele mora?

Essa ação de ‘ver’ o rato, dele ‘estar’ na sua casa, de estar ‘comendo’ qualquer coisa e de você imaginar que o rato está na sua casa porque tem comida, é tudo ilusão, é criação do seu ego.

O seu ego ‘criou’ o rato e a ilusão de ele estar lá porque tem comida ao seu alcance, mas nada disso é real. E será o seu ego que criará a realidade do rato ir embora ou não e não ação dele.

Participante: Mas eu não sei fazer isso.

Vou explicar como fazer e para tanto entrarei em um novo assunto, em um novo aspecto de nosso estudo.

Ontem eu disse que o ego não poderia ficar somente ligado no mundo interno, ou seja, criar realidades racionais. Seria preciso que no mundo externo houvesse uma movimentação com a participação de outras formas para criar uma ilusão de ação para que o ego criasse uma razão

Aí me perguntaram: mas como ele faz isso? Eu disse que o ego agiria chamando, no universo, outros espíritos com egos programados para serem instrumentos de ações ilusórias com as quais ele precisa interagir. E aí, pela lei da interação, um se juntaria frente ao outro.

A partir daí, podemos entender que o fato do rato estar na sua casa, ou seja, o fato da criação da ilusão de que há um rato se origina num pedido feito pelo seu ego para que o espírito ligado a um ego de rato estivesse lá.

Participante: Esse pedido foi feito quando?

Não há tempo, não existe o tempo, então, não há como mensurar.

Participante: Pergunto se foi uma programação antes da encarnação ou depois dela…

Pode ter sido antes ou agora.

Participante: E onde fica o livro da vida, a pré-programação nisso que o senhor falou agora?

Ficaria no que sempre ficou. Antes de encarnar você pediu determinada essência de prova. Ela terá que acontece. Agora, se o instrumento que agirá para a criação desta essência de prova é ilusoriamente percebido como uma girafa ou um rato, isso é outro detalhe. O que preside a criação da ilusão da ação não é a cena, mas a essência dela.

Voltando à explicação da presença ou não do rato, no momento que estava falando da interação entre os elementos me perguntaram também: mas, como o espírito pede ao mundo, ao universo e como ele sabe que ela precisa e encaminha? Para responder isso, eu vou entrar em novo aspecto de nosso estudo.

Lá atrás definimos o ego como um programa de computador, ou seja, como pré-programações que reagirão de determinada forma a um comando. Eu disse assim: o ego é como um programa de computador que faz, ao você apertar a tecla ‘a’, aparecer o desenho deste símbolo no visor.

Mas, para que isso aconteça, é necessário que alguém aperte a tecla. Ou seja, dentro desta nossa figura, o Universo é o computador, cada ego é um programa que roda dentro dele, mas é necessário haver um operador que faça os programas interagir criando as realidades ilusórias ou virtuais.

Pois bem, este programador é Deus. É Ele que ativa a criação das ilusões das realidades ilusórias de acordo com o programa de cada ego.

Portanto, dentro da pergunta que me foi feita (como o ego conclamou ao universo a presença do rato e como ele apareceu) respondo, agora, que Deus ativou determinadas ordenações do programa deste ser humano e do rato, fundindo, assim as realidades ilusórias que cada um (você e o rato) vive numa só.

O rato, então, não está na sua casa porque não tem o que comer , mas sim porque Deus ativou determinada ordenação no ego dele e esta realidade se criou. Isto porque aquilo que é realmente o ‘rato’ (espírito) não está aqui nem acolá, mas está no único ‘lugar’ que existe: o Universo.

Da mesma forma, o rato não irá embora por livre e espontânea vontade, mas porque Deus comandará através de determinada ordenação do programa para acabar com esta ilusão, com este ato ilusório.

Se isto se aplica ao rato, aplica-se também a você. Será Deus que a fará deixar de ‘perceber’ o rato e, então, o ego lhe dirá que ele foi embora e você, que vive aprisionada ao que o ego diz, acreditará nisso.

Esta é a Realidade e o ensinamento máximo trazido pelo espírito da Verdade: Deus é a Causa Primária de todas as coisas. Isto porque quando falamos que cada espírito ligado a um ego tem uma programação individual e que elas se interagem, não podemos nos esquecer que precisa haver o Operador que conecta todos os programas de forma que a Justiça e o Amor sempre imperem no Universo.

Um Conector que faça o ego que precisa viver a ilusão de ser agredido interagir, numa ilusória realidade, com aquele que tem o ego que está programado para agredir. Somente Deus pode ser este Conector, pois é a Inteligência Suprema, ou seja, a capacidade suprema de compreender as coisas, e porque Ele é Onipresente, Onisciente e Onipotente.

Isto é Deus: A Inteligência Suprema, que julga com a Justiça Perfeita e o Amor Sublime e que possui a Onipresença, Onisciência e a Onipotência. Por isso Ele é Causa Primária de todas as coisas.

Mas para exercê-la, Deus não precisa trazer um espírito de lá até aqui, ou levá-lo daqui para lá, como vocês acreditam por estarem aprisionados à ilusão da ação como real. Saibam, que o espírito não se mexe, não se movimenta: vivencia ilusões de movimentação.

O espírito está ‘parado’ no mesmo lugar sempre, já que o tempo e o espaço são elementos do ego e não do mundo espiritual. Ali parado, ele vivencia, em conjunto com outros espíritos ligados a egos, as viagens, os passeios e toda movimentação que faz.

Tudo ‘realidade virtual’: ilusões de movimentações vivenciadas sem sair do lugar. Vou criar uma figura apenas para vocês poderem compreender o que estou falando. O espírito está ‘sentado’ em uma cadeira na frente do computador utilizando uma máscara (ego) que o faz vivenciar uma realidade virtual de um ‘cenário’ da ‘vida humana’.

Sempre que ele se locomove nesta realidade virtual, não há movimentação do espírito, mas Deus é que aperta determinado botão e um novo cenário é criado. Você, portanto, não se locomove: toda movimentação é criação ilusória do seu ego.

Volto a repetir para ficar bem claro: tudo que você acredita hoje é ilusão, são realidades pré-fabricadas por Deus, Causa Primária de todas as coisas, comandando o funcionamento do seu programa individual ou ego.

Você, que acredita na carne, no carro, no locomover-se, mas isso não existe: são realidades virtuais criadas por Deus utilizando os comandos do seu ego.

Sendo assim, para juntar duas pessoas Deus não traz ninguém de lá para aqui, mas, permanecendo o espírito em seu ‘lugar’ no Universo, Ele junta realidades virtuais, ou seja, faz cada programa interagir com o outro. Os egos estão interagindo, mas você, o espírito, está lá ‘sentadinho’ no seu canto assistindo a tudo isso.

Abismado? Incrédulo? Deixe-me dizer uma coisa: esse conhecimento é antigo para os seres humanos, principalmente para os espíritas.

No livro ‘Nosso Lar’, de André Luiz, este mentor ensina isso, de forma figurada. Ele narra que entrou numa enfermaria com milhares de macas, onde percebeu um espírito deitado em cada uma. Reparou, também, pelas ‘feições’ de cada um, que eles estavam vivenciando no seu inconsciente alguma coisa.

Aí André Luiz pergunta ao seu mentor: o que está acontecendo? O mentor responde: são os espíritos vivendo a vida deles.

Como eu disse, isto é uma figura, já que não existem macas ou enfermarias, mas serve para vocês compreenderem o que estou dizendo. Cada um dos espíritos aqui encarnados, é um daqueles que está deitado em uma maca, vivendo realidades no inconsciente espiritual, achando que está ‘consciente’.

E Deus opera tudo isso, cria todas essas visões inconscientes para o espírito e ele, que está inconsciente de ser espírito, vivencia como realidade.

É por isso que se diz que muitos dizem que o espírito está adormecido durante a encarnação. Isto é Real, mas não é o espírito que está adormecido, mas a ‘consciência espiritual’ desse, o formador de realidades espirituais do ser universal é que está adormecido.

O que está funcionando (‘acordado’) é o criador de realidades temporárias, vulgarmente conhecido como ego. E você, por não entender que é o espírito e que, portanto, está adormecido, acredita neste criador de realidades.

Com isso, encerramos a transmissão dos ensinamentos necessários para o conhecimento do ego.

Descobrimos como é ego, como ele é formado, que verdades são usadas para formá-los e entendemos, agora, como ele funciona, ou seja, como cada ego cria uma realidade a partir de um comando de Deus, a Causa Primária de todas as coisas. Dentro desse nosso estudo, amanhã vamos usar tudo isso e descobrir o que fazer para se libertar de toda ilusão que vivemos.

Participante: Esta semana estava em uma loja quando pratiquei o ato de enfiar a mão no bolso. A partir daí a vendedora ficou me vigiando. Eu tinha que vivenciar esse mal-estar de se sentir ladra por outra pessoa?

A compreensão de que você foi avaliada como ladra, não é real: foi seu ego que criou. Ela pode não ter existido por parte da vendedora, mas apenas como um mundo interno seu criado pelo seu ego.

Estou dizendo isso a partir de tudo que conversamos ontem e hoje. Aliás, aplicando-se estes ensinamentos, você e a vendedora não estavam na loja, já que a própria loja, os objetos que lá existem, você e ela não existem: são realidades ilusórias criadas pelos egos que interagem segundo uma virtualidade criada por Deus.

Esta compreensão foi criada por seu ego porque você pediu para que em determinado momento vivenciasse esta compreensão e Deus montou todo o ‘cena’ para que seu pedido fosse atendido.

Então, sim, era para você vivenciar isso. Para que? Para não viver isso.

Para dizer que você não é você, que não estava com a mão no bolso, que não estava vendo a loja, que a vendedora não existe e por isso não pode compreender nada. Ao invés de fazer tudo isso, para aproveitar este momento, deveria ter dito ‘louvado seja Deus’, ao invés de viver a chateação porque imagina que passou.

Ou seja, tudo foi criado para você não viver o acontecimento, mas sim a compreensão de que aquilo foi criado como um dos instrumentos de criação de realidades ilusórias, das quais você deve se libertar.

Será sobre isso que falaremos amanhã: como fazer para deixar de viver a realidade ilusória. A partir do momento que descobrimos o que era possível sobre a criação e o funcionamento do ego, agora é preciso saber como se libertar.

Participante: Se o espírito não está vivendo o acontecimento, onde afinal ele está?

O espírito está no único espaço que existe: o Universo.

Mas, o Universo não é o que você entende como tal: sóis, planetas, estrelas, etc. Por isso, ao responder desta forma não estou lhe respondendo verdadeiramente. Para ser preciso, tenho que dizer que o espírito está no nada.

Este nada, no entanto, não é um vazio, mas alguma coisa desprovida de qualquer elemento que você possa compreender. Ele é alguma coisa, mas aquilo que ele é, é incompreensível para você.

Participante: Estão corretos os indianos que dirigem sem se preocupar com os sinais de trânsito, uma vez que, se tiver que haver um acidente de trânsito, eles não poderão evitar. Esta forma de comportamento seria uma libertação do ego?

Não. Estão corretos os indianos que dirigem sem se preocupar com o sinal, mas também estão corretos os brasileiros ou o povo de qualquer outro país, que dirija se preocupando com o sinal. Isso porque o ato em si está sempre correto.

Observar o ato para julgar o que você quer (ser liberto do ego) é uma incompreensão dos ensinamentos, pois estou falando de libertar-se do mundo interior, das compreensões que o ego dá para cada um e não de atitudes.

Eu não posso julgar pelos atos porque não sei se esse indiano que não presta atenção no sinal ou se o brasileiro que presta estão vivenciando o ato achando que estão dirigindo. Achando que eles estão respeitando ou não o sinal. Volto a dizer, não é o que você faz, mas como se relaciona coma ilusória ação que o ego cria.

Como eu disse, cada região, cada povo tem um programa. No programa do indiano, para vencer determinadas coisas, está escrito que ele não respeitará sinal e no programa do brasileiro está escrito que ele respeitará. Por isso cada um age como age e não porque ele está fazendo ou deixando de fazer.

Então, todos os dois estão corretos nos seus atos, pois seguem os seus programas. Agora, a forma como interagem é outra história. Tem indiano que interage com isso de uma forma liberta, assim como tem brasileiro que também faz isso.

O aproveitamento das oportunidades é individual, é de cada um. Não podemos julgar o resultado da libertação do ego por uma raça, ou seja, querer dizer que uma raça é superior à outra porque pratica determinados atos, porque não existem raças, mas provações coletivas para os espíritos.

Participante: No caso do livro ‘Nosso Lar’ que você falou, um desencarnado que está numa maca está vivendo uma ilusão, mas André Luiz vendo os espíritos na maca também não está vivendo uma ilusão?

Antes de lhe responder deixe contestar uma coisa que você disse. Na verdade, não é um desencarnado que está na maca, pois encarnado é aquele que está vivendo as ilusões criadas pelo ego como realidades.

O desencarnado estaria consciente de ser espírito: não estaria dormindo em uma maca. Portanto, são espíritos encarnados que estão dormindo na maca.

Respondendo agora sua pergunta, sim, André Luiz está usando um ego para poder ver tudo o que enxergou, inclusive o espírito. Digo isso porque nenhum ego humano é capaz de enxergar este elemento o Universo. Espírito é um brilho, um clarão, que não pode ser percebido por nenhum criador de realidades humanas.

Sendo assim, quando André Luiz vê o espírito, as faces destes e as macas, ainda está traduzindo o intraduzível para uma forma ilusória e isso denota que ele ainda estava ligado a um ego. Aliás, ele próprio se achar André Luiz já nos dizia que, naquele momento, ele ainda estava ligado a um ego: o ‘André Luiz’.

Por isso, quando citei o assunto, disse, que era só uma comparação para vocês poderem entender. Nunca afirmei que isso é a realidade. O espírito não está em nenhuma maca e nem em nenhum hospital, pois como disse agora a pouco, o espírito está no Universo e não em um determinado ‘lugar’.

Usei este exemplo só para você compreender o que eu quis dizer quando falei do caso daquela senhora com o rato. O espírito dela está, figuradamente, dormindo numa maca e o do rato em outra. Deus ativou os egos de cada um e criou, no inconsciente destes espíritos, estar na mesma casa, no mesmo ‘espaço físico’.

Se quiserem fazer mais perguntas…

Participante: Perguntar o que agora, se tudo é ilusão?

Para você compreender que tudo é ilusão.

Se você coloca, como estão colocando, acontecimentos e realizações materiais nas perguntas, mesmo que consideradas espirituais, dá a você mesmo a oportunidade de ouvir que aquilo é uma ilusão e, assim, vai alcançando o sentido abrangente de ilusão que estou afirmando existir.

Participante: Viver a ilusão não é problema, o problemático é se apegar a ela. Estou certo?

Não. Vivenciar a ilusão do ato não é problemático quanto à libertação do ego, mas, acreditar que está vivendo o ato é problema.

Vou dar um exemplo. Você come, ou seja, vivencia o ato de trazer o garfo com alimento até a boca. Isto não é problema. O problemático é acreditar que está se alimentando. Por quê? Porque o alimento não alimenta ninguém. Isto porque você não é o corpo e o alimento é para o corpo.

Aí está o problema: você achar que está vivendo aquele ato a partir das compreensões que o ego cria no seu mundo interno. O problema é você achar que, já que o ego lhe criou a realidade ilusória de um alimento entrar no seu corpo, acreditar que está se alimentando.

Acho que este exemplo deixa bem claro tudo o que disse. O problema não é segurar o volante de um carro e mexer para lá ou para cá, o problema é achar que está dirigindo.

Você acredita que está dirigindo porque o ego lhe afirma isso e, para confirmar, lhe mostra a sua mão mexendo o volante de um lado para o outro. Mas, quem está fazendo isso é Deus, ou seja, quem está dirigindo é o Pai e, tudo que você vê, lhe é criado pelo ego a partir da sua programação.

Aí está à diferença entre o que é ou não problemático. A diferença está em viver os atos, mas não vivenciá-los, não achar que é você que está fazendo. Aquele que alcança realmente a liberdade, ao estar vivendo a ilusão do ato, não vivencia aquilo que o ato diz que está vivendo.

Participante: É complicado…

É sim, é muito complicado. Por quê? Porque você ainda acha que você é você. Ainda acha que você é o ser humano, que é o fabricador de egos.

Por isso eu falei da raiz, do individualismo, o que se fundamenta no ‘eu’. Na hora que entender que não há um ‘eu’ para dirigir, deixará de viver o dirigir. Mas, enquanto achar que há um ‘eu motorista’ quererá ser aquele que dirige.

Só quando você anular o ‘eu’ poderá ver agindo.

Participante: A frase célebre ‘penso logo existo’, está equivocada? Deve estar incompleta, no mínimo.

Não, ela não está equivocada. Ela é humana. Para o ser humano, pensar é existir, mas para o espírito, pensar no sentido material não é viver. Aquilo que você chama de pensamento (formação de compreensões) sempre existirá, mas para o espírito eles possuem outros valores do que para os humanos.

Portanto, o problema não é pensar, mas como pensar: pense como espírito e viverá como espírito, pense como humano e viverá como tal.

Esta frase, como disse é humana. Mas, se a espiritualizarmos, ou seja, se usarmos a compreensão que estamos tendo a partir deste ensinamento, ela passaria a ter o seguinte texto: ‘eu existo como penso que sou’ ou ‘eu existo como penso que penso’.

Ou seja, se penso que sou humano existo como tal e o mundo existe como material; se penso como espírito, eu existo como tal e o mundo passa a ser espiritual.

Participante: O pensamento é dispensável?

Não. O pensamento não é dispensável. Ele é necessário, pois é o conhecimento racional que o ego lhe dá. Ele faz parte da criação da realidade.

Olhe para as paredes da sua casa. O seu pensamento lhe dirá que o que está percebendo é uma parede e que está pintada de tal cor. Isto é necessário para a evolução espiritual: a criação de uma realidade. Para que? Para que você possa exercer a sua espiritualidade e dizer que aquilo é uma ilusão na qual não acredita.

Portanto, o pensamento é necessário para que você se liberte, já que sem ele não existiria a criação da ilusão. Agora, ele não é necessário para o espírito apegar-se, mas sim para vencê-lo.

Participante: O que quero dizer é se o pensamento é dispensável ao espírito.

Não, porque sem ele não há prova. Ele é fundamental nessa fase de sua elevação espiritual.;

E não é dispensável, é necessário. Mas, não pode ser objeto de sua paixão, ou seja, você não pode se apaixonar por ele, acreditar nele.

Então ele não é dispensável, mas, também, é não confiável.

Participante: Quando desencarnar, como é? Deixo de pensar quando desligar do meu corpo?

Quando desligar do corpo não: só quando desligar do ego. Enquanto houver ego existirá pensamento.

Participante: E este processo vai até quando?

Até que você vença esta etapa e volte à consciência espiritual.

Participante: Isso ainda demorará muitas vidas…

Não, isso pode acontecer no final dessa encarnação.

Mesmo que você não consiga a liberdade total ao final desta encarnação, poderá voltar à espiritualidade de posse da sua consciência espiritual e não deste ego que usa hoje. Isto porque a sua consciência espiritual vai, ao passar por determinadas provas, se depurando.

Sendo assim, mesmo que você não se liberte- totalmente deste ego enquanto ligado à carne, mas tenha alguma consciência de que há um ego e que sua identidade espiritual é outra, que as realidades que está vivenciando são ilusórias e que há outra a ser vivida, poderá voltar à sua consciência espiritual depois do desligamento da massa física.

Aí poderá voltar a estudar, formar outro ego e encarnar novamente.

Participante: Os espíritas falam em fé raciocinada. Está coerente isso, então?

A fé raciocinada não é a fé de Cristo. Vou explicar esta afirmação.

No Evangelho do João há uma frase de Cristo diz. Ela é dita depois do episódio que é conhecido como Santa Ceia e momentos antes de ser preso. Sinto uma grande aflição, mas o que vou fazer. Dizer, Pai afasta de mim este cálice? Mas, eu nasci para isso. Pai glorifique seu nome em mim.

Repare bem nesta frase. Ela dita num momento onde a racionalidade de Cristo aponta para a aflição, ou seja quando o seu ego está criando uma realidade aflitiva. No entanto, o mestre reage a tal proposição com sua fé, ou seja, com a entrega total a Deus.

Veja bem: a fé de Cristo é fundamentada numa entrega total e absoluta a Deus, mesmo acima do que você chama de racional, razão. A personalidade, o ego Jesus Cristo tinha uma ‘razão’, uma lógica racional como a sua, mas ele exerceu a fé superando a própria razão.

Quando se fala em exercer uma fé raciocinada, a compreensão que nos vem é de que devemos subordinar a entrega a Deus (fé) à razão, à lógica humana, material, do ser espiritual. Se ela fosse usada por Cristo ele oraria a Deus pedindo que o afastasse da crucificação assim como qualquer humano faria, pois, ninguém em sã consciência se entregaria a uma cruz, se deixaria levar preso sem reagir sendo inocente.

Esta mesma oração libertando dos perigos foi sugerida por um ser humanizado (Pedro) ao próprio Cristo em outro momento e o mestre lhe respondeu: cala a boca Satanás, você está falando igual a um ser humano. Isto porque a fé de Cristo sempre maior que qualquer razão lógica humana.

Portanto, a fé raciocinada não foi ensinada por Cristo e não pode existir para aqueles que querem aproximar-se de Deus, pois se trata da fé subordinada ao que o ego diz, enquanto que a elevação espiritual é exatamente ao contrário. Completamente incongruente este ensinamento.

Mas, deixe-me dizer algo. Não há, nos ensinamentos do Espírito da Verdade, o aconselhamento desta postura.

Estudamos com este grupo todo ‘O Livro dos Espíritos’ e não há nenhuma informação do Espírito da Verdade que tenha nos levado a encontrar uma orientação para se raciocinar a sua entrega a Deus. Portanto, isto foi criado pela ‘doutrina espírita’ e não pelos espíritos.

Mas, o que é a doutrina espírita, senão também um ‘banco de dados’ de onde são retirados comandos que criam realidades ilusórias como prova para o espírito? Ou seja, um ‘banco’ de comandos para o seu ego, o criador de determinadas realidades?

Então, a doutrina espírita não está ‘certa’ ou ‘errada’ ao ensinar a fé raciocinada, mas o religioso que vive o que esta ou qualquer outra doutrina prega como ‘certa’ é que não está realizando o seu trabalho de elevação espiritual: deixar de viver o que o ego lhe diz

Hoje, vamos voltar a falar sobre o ego e, com isso, terminaremos esta série de palestras. Mas, antes, vamos resumir o que foi falado até agora.

No primeiro dia definimos o ego como o criador de realidades ilusórias à qual o espírito se liga para vivenciar o que é chamado de encarnação. Vimos, ainda, que estas ilusões são formadas pelo ego em dois mundos: o mundo externo, ou dos objetos e animações, e o mundo interno, que é aquele que interpreta (dá valores) o mundo externo.

No segundo dia conversamos sobre as bases para a formação de um ego. Vimos que ele é abastecido por comandos específicos que existem em diversos ‘banco de dados’ universais e que estes comandos criam a ilusão de se estar vivendo em determinadas sociedades e regiões do planeta. Compreendemos, ainda, que, apesar das múltiplas utilidades destes comandos, todos são fundamentados no individualismo.

Por último, descobrimos no segundo dia que quem opera, ou seja, quem faz o programa criar a realidade virtual que o espírito agregado ao ego vive é Deus. Ele é quem opera os egos.

Em resumo, foi isto que vimos até aqui. Hoje iremos conversar sobre como aproveitar a oportunidade de estar ligado a um ego. Claro que usaremos tudo que falamos nos dois dias anteriores, mas abordaremos estes aspectos não mais tecnicamente, mas buscaremos a prática da elevação espiritual usando os conhecimentos já adquiridos.

Para que isso seja possível, gostaria de deixar um alerta. Queria, se possível, que todos tivessem a atenção redobrada. Por quê? Porque até agora tudo que conversamos foi técnica, foi ciência espiritual.

Definir o ego, explicá-lo, conhecer o seu funcionamento, é ciência espiritual, cujo conhecimento não lhe leva a nada. Saber tudo isso não lhe leva a realização espiritual alguma.

Tudo que existe no universo é instrumento para que o espírito se use dele. A posse de qualquer elemento não resolve nada no sentido da elevação espiritual. É preciso que haja uma determinada ação do espírito fundamentada naquilo que se aprende para que a encarnação pode ser aproveitada.

Por isso, se possível, gostaria que a atenção hoje fosse redobrada para que, além de conhecermos o ego, possamos saber utilizar este conhecimento para o objetivo de ‘estar vivo’.

Sei que muitos acham que ‘estar vivo’ é apenas respirar, mas é muito mais do que isso. Estar vivo é estar ligado a um ego, ter uma determinada personalidade.

Mas, para que você está vivo? Para que se uniu a uma determinada personalidade? Estas são perguntas que o ser humanizado esquece de fazer a si mesmo e, por isso, ‘vive a vida’ de uma forma material (buscando realizações materiais) e não espiritual.

A cultura espírita do planeta afirma que cada ser humanizado está vivo para promover a sua ‘reforma íntima’. E afirma mais: a promoção da reforma íntima ocorre quando você mata o homem velho e deixa surgir o homem novo. Vamos entender estes dois aspectos.

Reforma íntima: reforma do eu, do íntimo de cada um.

Quem é você no seu íntimo? Quem é você hoje no seu íntimo? Quem é o seu íntimo? O seu ego. Você é o ego porque, como já disse, você vivencia tudo que o ego diz como realidade. Desta forma afirmo: quem vive a vida é o ego e não você.

Reformar o íntimo é mudar o seu interior. Não se trata de mudar o ego, porque, como também já vimos, depois que o espírito programa o ‘criador de realidades’ ele não pode ser alterado. Reforma íntima, então, não se realiza alterando o ego, mudando valores, pois estes estão escritos no ego e continuarão sempre lá.

Reforma íntima é deixar de ser o ego. Reformar o seu interior é deixar de vivenciar o ego (as realidades, paixões e desejos) como você e voltar a ser o espírito que você é eternamente.

Na verdade quando se fala em matar o homem velho para nascer o novo, há um equívoco grande. Isto porque, neste processo, não nasce nem morre ninguém.

Na verdade, o homem velho (o ego) continua existindo até a libertação da matéria carnal, porque ele não acaba até à libertação, e não nascerá ninguém novo, pois você, o espírito, já existe desde sempre. O que acontecerá com a realização da reforma íntima é que o espírito ressurgirá, ou seja, você deixará de se auto reconhecer pela personalidade do ego e se reconhecerá a partir das suas verdades existentes na sua consciência espiritual.

Então, aí está o início do trabalho de hoje. Falaremos sobre reforma íntima, ou seja, falaremos como deixar de se ver como o ego e passar a viver a sua real identidade: a identidade espiritual.

Colocando os ensinamentos recebidos nos dois primeiros dias, ou seja, promovendo a reforma íntima, vocês voltarão às suas reais personalidades: as personalidades espirituais que vocês são.

É isso que conversaremos hoje.

Começando nossa conversa, então, podemos constatar que muito do que falamos estes dias é de conhecimento de religiosos. Os budistas, hindus e religiosos de outras seitas conhecem parte do que estudamos sobre o ego e o processo de reforma íntima através da ‘luta’ contra o ego.

Exatamente neste conhecimento, ou seja, na consciência de que é preciso se ‘lutar’ contra o ego, estes ensinamentos começam a deixar de ser reais. Isto porque ninguém pode lutar contra o ego sem perder todas as batalhas.

Contra o ego não se luta: se liberta.

Este é o primeiro detalhe que quero abordar hoje. A reforma íntima não é um trabalho de ‘lutar’ contra alguma coisa, nem de mudança nenhuma. A reforma íntima é um trabalho de libertação.

O espírito precisa libertar-se do ego e não derrotá-lo. Libertar-se no sentido de não ser mais o ego, de não ter o seu mundo externo criado pelo ego.

Quando me refiro a não ter o seu mundo externo criado pelo ego, não falo no sentido de acabar com as criações do ego para o mundo externo (os objetos e ilusões de ações), mas, e aí vem a grande ação da reforma íntima, em não acreditar nas compreensões que formam o mundo interno que o ego cria a partir do mundo externo.

Esse é a reforma do interior. O homem velho é aquele que acredita e vivencia aquilo que o ego cria como realidade, como verdade. O espírito que consegue aproveitar a encarnação para reformar-se é aquele que não acredita no mundo interno que o ego cria.

Dentro do exemplo que já usei nesta série de palestras, quando o ego cria no mundo externo uma mão bater no rosto e no interno a agressão, a humilhação, o ser que promove a reforma íntima não acredita nestes valores (agressão, humilhação) e não vivencia este sofrimento.

Este ser ligado à matéria densa é bombardeado pelo ego da mesma forma que aquele que ainda continua humanizado, ou seja, tem consciência do mundo interno como o ego cria, mas não acredita naquilo que lhe é dito e vivencia, então, a vida, sem estes valores. Ele, como o outro, ‘vê’ a mão atingir o rosto, recebe a informação que foi ‘agredido’, mas não acredita nesta informação e, por isso, não se deixa levar pelo ‘sentir-se agredido’.

Concluindo, então, o primeiro aspecto da conversa de hoje, afirmo que reforma íntima, não é trabalho de construção, mas de libertação. Este trabalho realiza-se vivendo completamente atento ao mundo interno que o ego gera para não se deixar levar pelas verdades e emoções ilusórias que lhe são criadas como provas e expiações.

Nota: Este ensinamento (viver atento ao mundo interno) encontra-se no ‘Nobre Caminho Óctuplo’ ensinado por Sidarta Gautama, o Buda, como ‘Atenção Plena Correta’.

Esse é o primeiro aspecto de hoje. Como aproveitar esta vida no sentido da elevação espiritual? Vivendo isoladamente do seu ego. Ele foi criado por você para que se libertasse dele, ou seja, para que tivesse, como provação, uma consciência deturpada da Realidade e se libertasse dela.

Participante: Poderia dar um exemplo concreto para entendermos melhor como fazer isso?

Poderia dar um exemplo concreto de um ato. O ego lhe diz que recentemente você viajou à Uberlândia: não acredite nisso. Apesar de você ter recebido toda ilusão da movimentação, não acredite.

O ego também lhe diz a reunião da qual você participou naquela cidade estava muito bonita. Para realizar a reforma íntima, não acredite nisso.

Poderia, ainda, lhe dar um exemplo de coisas não movimentadas criadas pelo, ou seja, de definições sobre você e os outros. O ego lhe diz que você é homem e que sua namorada é mulher, que você é médium, geógrafo, escritor: não acredite nisso.

Como eu disse ontem, todas estas concepções sobre você e sobre os outros são detalhes do programa que você escolheu para realizar suas provas. Se o ego lhe diz que você é homem e que sua namorada é mulher, na verdade, está propondo determinadas provas aos dois.

Isto porque para você ser homem e ser namorado, existe padrões que precisam ser atendidos, que precisam existir para que tudo esteja ‘certo’. Quando você acredita no que o ego diz, nas concepções sobre você e os outros que ele cria, passa a vivenciar subordinado a estas condições. Por esta subordinação cada vez mais você vai se identificando como o ego com o qual está ligado e, em contrapartida, abandona a sua essência espiritual.

Quando você não credita que é homem, mesmo recebendo esta informação do ego, não se sujeita a estes padrões. Neste momento alcançou a liberdade.

Quando você é homem, assume que é homem, não realiza nada. Isto porque todos os elementos da masculinidade são ilusões criadas pelo ego. Você como ser universal precisa, então, fazer o trabalho de espírito: libertar-se do ego que diz que você é homem.

Aí estão, portanto dois exemplos práticos do que falei até aqui: quer seja nas movimentações ou ilusões de ações que o ego cria, quer seja nas definições de caracteres sobre você e sobre o mundo que ele lhe faz, não acredite nele.

Voltando ao nosso estudo, concluímos que este é o trabalho da reforma íntima: você, bombardeado pelas informações do ego, não acreditar no que ele lhe diz, não vivenciar o que ele cria como realidade. Agora, como fazer isso?

A maioria não realiza o trabalho da reforma íntima porque diz que não sabe como fazê-lo, apesar de, pelo planeta, já haver passado diversos enviados de Deus que transmitiram os ensinamentos necessários para tanto. Falarei, então, com bastante calma os passos para se colocar em prática a libertação do ego.

Primeiro passo: ter a consciência de tudo que foi falado aqui nestes dias. Ou seja, conscientizar-se do que é o ego, da sua função, da criação do mundo externo e interno a partir dele, dos motivos pelos quais você representa determinados papéis na vida e que é Deus quem faz funcionar o programa do ego. Este é o primeiro passo.

Agora, reparem bem que falei em conscientizar-se e não em compreender os ensinamentos. Eu falei em ter consciência e não em entender como funcionam estes elementos universais.

O que vou falar agora é muito difícil de ser dito. Se não for muito bem compreendido pode lhe levar a abandonar tudo o que ouviu até aqui. Por favor, não me interprete mal.

As pessoas que dão palestras, que falam em público pretendendo ensinar alguma coisa, devem compreender melhor o que vou dizer agora, mas, mesmo quem nunca fez isso, pode entender o que vou dizer.

Quando um ser humanizado ‘ouve’ alguma coisa, tudo que for ouvido será raciocinado. Este raciocínio trata-se de um processo de comparação daquilo que é ouvido com elementos já existentes na memória, ou seja, com o que ele já sabe. Só a partir do raciocínio é que o ser humanizado ‘acredita’ ou não no que está ouvindo.

Mas o que será que determina o não acreditar? Quando não há lógica,não há razão, racionalidade. Ou seja, quando o que for dito não combinar com o que o ser humanizado já sabe. Se o que está sendo ouvido não combina com a lógica racional do ser humanizado ele, então, diz que não acredita.

Aí pergunto: de que adianta ouvir coisas novas se o parâmetro que será utilizado para julgá-las é a sua crença pré-existente, o que você já sabe? De que adianta buscar novidades se elas serão julgadas pelo que já existe na memória?

Aí está a diferença entre conscientizar-se do que conversamos nesses dias e tentar entender o que foi dito. Conscientizar-se é ter consciência, ter conhecimento, sem que necessariamente o que foi recebido como ensinamento tenha sido aceito racionalmente pelos parâmetros que você já possuía antes.

Volto a repetir: por favor, não me entendam mal. De nada adianta para você querer entender o que eu disse, pois isto lhe é impossível.

Primeiro porque, como estudamos, todo som que você capta é interpretado pelo seu ego. Desta forma, existe uma diferença imensa entre o que eu falo e o que você ouve.

Segundo: se você for quer julgar o que eu sei a partir do que sabe, perde tempo me ouvindo. Isto porque eu não vim aqui dizer ‘amém’ à sua cultura, mas despertá-lo do ‘sono ilusório’ que está vivendo.

Portanto, o primeiro passo para a reforma íntima que declaro como fundamental para a elevação espiritual é ouvir o que está ouvindo e acreditar naquilo que foi dito, mesmo que não tenha entendido, compreendido.

Mas, não pense que estou falando isso apenas para os ensinamentos que estou passando nesta série de palestras. Esta premissa para a reforma íntima vale para qualquer ensinamento que você receba dos amigos espirituais através de qualquer segmento religioso.

Não importa a que segmento religioso você esteja ligado, porque mestre mais se simpatize: seus ensinamentos são para serem seguidos e não compreendidos ou questionados.

Se Cristo ensina que o ser humanizado deve amealhar bens no céu, de nada se adianta perguntar por que, é preciso começar a abrir mão dos prazeres mundanos. Se Buda diz que é preciso desapegar-se de suas paixões, de nada adianta questionar de qual delas é preciso libertar-se: é preciso desapegar-se de todas. Se Krishna afirma que a equanimidade é o caminhar que leva a Deus, de nada adianta se indagar para que: é preciso libertar-se das emoções.

No entanto, o ser humanizado continua caminhando sobre o planeta sempre perguntando por que, como, quando, onde e para que. Na verdade quem faz isso é o ego, comandado por Deus, para testá-lo. Para ver se você se prende àquilo que o ego lhe diz o ‘endeusa’.

Quem precisa primeiro compreender, entender, aceitar, para só depois colocar em prática o ensinamento do mestre, mentor ou guru ao qual se liga são como os judeus que idolatravam o ‘bezerro de ouro’ quando do retorno de Moisés depois de receber as tábuas das leis.

Fé, confiança, entrega: é disso que estou falando aqui. Sem confiança absoluta e irrestrita que leve a uma entrega absoluta ao ensinamento de um mestre, mentor ou guru que o espírito humanizado siga nada pode ser conseguido.

Quando o ensinamento só é colocado em prática depois que passa pelo ‘crivo da sua razão’, ou seja, só depois que ele foi analisado e julgado como ‘correto’, a confiança não está em quem ensinou, mas no ego. Quem precisa primeiro avaliar e analisar para, só depois de concordar, realizar, está entregando-se ao ego e não a Deus.

Nenhum espírito vem ao mundo ilusório da vida carnal para brincar, dominar ou criar um movimento para seu próprio prazer. Todo espírito vem ao planeta para o trabalho espiritual de trazer informações necessárias para a elevação espiritual, para ajudar os encarnados a realizarem suas provações. Aí os seres humanizados ficam julgando o que é ensinado a partir de sua restrita visão da Realidade.

Como eu disse não me entendam mal. Não estou querendo ser presunçoso, mas ensinar o caminho que leva à realização da reforma íntima. Sem a confiança em mim ou em qualquer mentor ao qual se ligue, sem a entrega àquilo que é ensinado e a partir destes dois aspectos, aceitar, crer no que é dito sem que seja preciso gerar uma razão, uma racionalidade, uma lógica racional, vocês não fazem nada, não realizam reforma íntima alguma.

É por isso que, carmaticamente, tem muito espírito vivendo a vida ilusória ‘pulando de galho em galho’, ou seja, mudando constantemente de religião ou orientação espiritual.

Sempre que o que é dito ou acontece dentro de determinado templo e que desagrada às verdades do ego do ser humanizado, este procura outra que mais se adapte ao que ele ‘acha’ das coisas. Diz que está procurando Deus, mas na verdade busca encontrar um lugar onde os ensinamentos combinem com aquilo que ele ‘sabe’.

Este, portanto, é o primeiro aspecto que deve ser levado em consideração por aquele que quer realizar a reforma íntima. E é um dos mais importantes, pois é por esse aspecto que a maioria não consegue. Isto porque quer entender, criar uma cultura para si, quando elevação espiritual não é cultura, mas amor e fé como já ensinou o apóstolo Paulo.

Se você tem fé em meu ensinamento, então o ponto de partida para a sua elevação espiritual é reler tudo o que falamos e atentar a cada ensinamento para poder colocá-lo em prática. Não estou falando em reler para compreender, mas sim ler e acreditando que aquilo que foi falado é Real, mesmo que não tenha compreendido.

Se você não confia em mim, então o seu ponto de partida é abandonar tudo o que disse e buscar os ensinamentos nos quais tem confiança e executá-los, sem questionamentos. Não importa a doutrina religiosa que você siga é isto que precisa ser feito, pois, como ensinou Cristo, há muitas moradas na casa de meu Pai.

Pratique o que já sabe, coloque como base da sua vida o ensinamento que recebeu de quem confia, pois não importa qual seja, se você colocá-lo em prática, chegará a Deus.

Desculpem, volto a repetir, não me entendam mal. Não achem que estou querendo formar seguidores que sejam cegos. Até se fosse isso seria bom, pois Cristo disse que o cego é quem vê espiritualmente enquanto que o que quer enxergar é cego.

Aqui no grupo tem pessoas que me conhecem e sabem que nunca liguei se havia ou não uma grande platéia. Já fiz, inclusive, palestras neste grupo incitando pessoas a não vir mais aqui, pois elas já tinham recebido todo ensinamento necessário para a sua obra.

Apesar disso, tenho que insistir neste ponto, pois esta fé ou confiança mútua entre você e quem segue precisa existir. Se você não confia no que eu ou qualquer outro diz, mas só no que entende, para que ouvir?

Agora quanto àquilo que conversamos nestes, tudo que dissemos está nos ensinamentos de Krishna, Buda, Cristo, Lao-Tsé, do Espírito da Verdade e do Anjo Gabriel através de Maomé. Sendo assim, não estou dizendo nada de meu, mas reproduzindo o que os mestres disseram.

Estes ensinamentos podem não fazer parte das doutrinas religiosas, mas não contrariam uma linha que tenha sido ensinada pelos mestres. É por isso que digo que podem confiar no que estou falando, mesmo que não compreendam ou que a doutrina religiosa criada sobre as transmissões de determinado mestre não expliquem desse jeito. Afinal de contas o que é uma doutrina religiosa senão uma realidade virtual?

Mais uma vez peço desculpas, mas isto precisava ser falado um dia.

Durante todo o ‘mundo de regeneração’ espíritos mensageiros do Senhor vieram à esta vida ilusória, ligados à egos humanos ou desencarnados para ensinar a promover a reforma íntima, mas as pessoas continuam afirmando: ‘eu não sei fazer…’

Por que não sabe? Porque quer compreender o que é incompreensível para um ser humanizado ou quer escolher o que realizar e o que não realizar dos ensinamentos.

Este, portanto, é o primeiro aspecto para quem quer realizar a reforma íntima. Existem outros, mas este é o primeiro, o primordial.

Conscientizar-se de todos os ensinamentos que recebeu até hoje sem procurar entendê-los, sem questioná-los, é o ponto de partida de qualquer ser humanizado que queira realmente promover a sua reforma íntima. É preciso ‘trabalhar’ as informações no sentido do caminhar para Deus que fazem parte do seu ego como verdades e não querer mudá-las, alterá-las ou usar delas o que lhe interessa e esquecer o que não interessa.

Volto a repetir não me levem a mal. Não é desabafo, briga ou busca de dominação, mas simplesmente uma orientação de um preto velho.

Participante: Estranho este seu comentário…

Não é estranho: é a seriedade do momento que o exige.

A época que vivenciam os espíritos que estão ‘encarnados’ na vida ilusória do planeta Terra pede que sejamos totalmente francos. O momento presente pede esta informação.

Já não há mais condições de ficarmos presos ao culto aos mestres, mentores ou gurus vivenciando apenas a compreensão que cada um cria de seus ensinamentos a partir do que quer entender, da forma que quer compreender e na hora que ‘interessa’ saber. É preciso, além de cultuá-los, praticar o que eles praticaram quando ligados a egos.

Além do mais, comentamos aqui que não é você que está compreendendo nada, mas sim o ego. É ele que está interpretando e usando a compreensão do jeito que ‘quer’, ou melhor, do jeito que precisa fazer para criar ilusões. Falamos também que você precisa se libertar do ego e, se isso é verdade, é preciso ser claro em dizer que você não deve buscar compreender nada.

Então não é estranho o que disse: é decorrência natural do próprio estudo. Porque estudamos que tudo que lhe vem à mente, todo processo de raciocínio através de idéias, imagens, é fruto do ego.

Então, o que foi dito agora, é simplesmente decorrência natural de tudo que conversamos nestes dois dias.

Participante: Eu não compreendi uma coisa. Nós não devemos acreditar no que o ego me diz a não ser neste conhecimento que estamos tendo através do senhor. É isso?

Não. Você não deve acreditar em nada e isso inclui o que está compreendendo de tudo o que eu falei.

Participante: Mas você acabou de abordar a questão da confiança, do crer sem compreender…

O que falei nestes três dias , em resumo, foi: tudo que vem à sua consciência é fruto da criação do seu ego. Isto é Verdade e não porque eu falei, mas porque os mestres ensinaram assim.

A partir da conscientização desta Verdade que é universal, pois foi ensinada por todos os mestres, gera-se a necessidade de se libertar de tudo, inclusive das compreensões que foi formando ao longo destes dias.

Vou repetir para ficar bem claro que não estou querendo ser o ‘certo’, o único que conhece a Verdade. Você precisa se conscientizar de tudo o que falamos. E, o que falamos? Que toda compreensão que lhe vem à mente é fruto do ego. Então, liberte-se de toda compreensão e não apenas de parte dela,.

Aliás não é a primeira vez que digo isso. Já conversamos anteriormente sobre este assunto e você, tanto daquela vez como desta, está recebendo do seu ego um raciocínio que afirma que estou querendo dizer que você deve acreditar no que eu digo e em mais ninguém. Mas não é isso.

O que quero é que acredite que deve desacreditar de tudo, inclusive do que eu ensino. Quando você se conscientizar de tudo o que foi dito ontem, anteontem e hoje não sobrará nada para você acreditar, nem o que foi dito nestes dias.

É isso que falei agora. É preciso você se conscientizar de que não há nada a se apegar. Não há um fio de cabelo em que possa acreditar piamente nele.

Os mestres foram categóricos: no mundo material não há uma única corda na qual o ser humanizado possa se segurar. Nem os ensinamentos podem servir de corda para você se apoiar, pois um dia eles também terão que ser suplantados;.

A conscientização de tudo o que foi dito nestes três dias leva a isso.

No entanto, este não crer não pode se transformar numa crença para você, ou seja, tem que acreditar que não deve crer em nada. Isto porque se quiser entender que tem que não acreditar, não entende nada, e, ao viver assim, não consegue fazer.

Então veja, a única coisa que ensino (e como já disse não estou inventando nada, mas reproduzindo o que os mestres ensinaram), é não acredite nada. Nem em mim.

Participante: Conscientizar-se é saber que é assim, sem procurar saber como funciona, já que não temos parâmetros para entender o processo de funcionamento?

Exatamente. Saber que você não saberá como se libertar: esta é a única coisa que deve lhe ficar claro.

Saber que não saberá como funciona o libertar-se, mas saber que tudo que você acredita é fruto do ego.

Participante: Hoje o ego falou alto e claro. Eu assisto, mas fico pisando lá e cá. Observo o que acontece como alguém vendo um filme, mas é depois de sentir ou quando estou sentindo. Ontem e hoje foram dias muito movimentados nesse sentido.

Boa pergunta e isso vai ilustrar ainda mais o que falei acima: você não pode acreditar que precisa nada compreender.

Veja, você já consegue em determinados momentos compreender que é o ego falando e em outro não. Isto é muito bom, mas não exija mais, ou seja, não queira conseguir sempre.

Se não conseguiu não conseguiu: ponto final. Viva naturalmente sem esforços imensos, obsessões, pois como Cristo ensinou, venha para mim que o meu jugo é leve.

Tornando a busca da elevação espiritual numa obsessão (tenho que conseguir) nada conseguirá. Estará apenas trocando uma verdade ilusória (tenho que rezar, por exemplo) por outra. Além disso, acreditando que tem que conseguir sempre, criará o lamento de não ter conseguido em determinado momento.

Veja bem. Quando não consegue libertar-se da influência do ego é um momento, uma provação; quando está lamentando que não conseguiu é outro. Se não fez no primeiro, também não fez no segundo, pois estava presa ao ego que lhe dizia que tinha que fazer. Na verdade, acabou perdendo dois momentos, duas provações, ao invés de uma porque aceitou a obrigação que o ego gerou a partir do que eu disse.

Sendo assim, não tente entender porque não conseguiu da primeira vez; faça agora: não aceite a imposição que o ego está lhe fazendo vivenciar como realidade.

É isso que estou falando em se conscientizar. É ter a certeza que cada um momento é um momento para não acreditar no que o ego está dizendo.

Se o ego diz que você não conseguiu em determinado momento, não acredite nisso. Na verdade você não sabe se conseguiu ou não, pois estava desatenta lá.

A conscientização que afirmei ser necessária para a reforma íntima é exatamente o que disseram acima: a convicção de que não se tem a capacidade de saber o que é ‘certo’ ou ‘errado’, e aí entregar-se. A que? A nada.

Quem quer aproximar-se de Deus precisa libertar-se do ego e entregar-se a nada. Não é integrar-se a um ensinamento, a uma doutrina, a uma compreensão, mas conscientizar-se de que o ensinamento é nada saber e, a partir daí, não saber nada, inclusive o próprio ensinamento.

Quando o ego lhe disser que hoje foi um dia tumultuado, não acreditar nisso. Isto porque você não conhece os elementos da vida, ou seja, não sabe o que é dia, o que é ser tumultuado, etc. Quando o ego lhe disser que o dia foi gostoso, pleno de realizações, também diga a ele que não sabe se foi ou não. Isto porque você nada sabe.

Tem uma frase que eu uso muito e que se encaixa perfeitamente no que estamos falando: da sua declaração de expressa incompetência para viver a vida material nasce a sua competência para ser um espírito.

É isso que estou falando: não saiba de nada, para poder, depois, saber tudo.

Participante: E no mundo espiritual, como viver como espírito sem acreditar em nada?

Para início de resposta, veja a ação do ego querendo compreender alguma coisa, ou seja, criar uma verdade. Estamos falando de vida carnal e seu ego já está buscando amealhar cultura querendo saber como é viver dentro do ensinamento na vida espiritual.

Isso é impossível para você, pois seu ego não possui comandos que criem dentro da perfeição os elementos do mundo invisível.

Por isso, no Evangelho de Tomé, há a seguinte logia: “Os discípulos disseram a Jesus: diz-nos como será nosso fim. Jesus lhes disse: descobristes então o princípio para que possais perguntar sobre o fim? Bendito aquele que se mantiver no princípio, pois que não provará da morte” (logia 18).

Se você não sabe como começou tudo isso, ou seja, como você passou a existir dentro desta identidade, como quer saber como acabará? Se você nada conhece sobre o mundo espiritual, como quer saber como é lá?

O que você conhece do mundo espiritual é o que seu ego diz que é e não a realidade. No Livro dos Espíritos, o Espírito da Verdade sempre que vai responder a alguma questão sobre ‘como’ é alguma coisa espiritual ele diz assim: vou fazer uma comparação, não é bem isso, mas serve para o entendimento, etc.

Se isso é Verdade, como então quer compreender como é viver lá?

Voltamos ao ensinamento: é preciso não querer saber nada. Quando chegar lá você verá, mas não com o ego ao qual está ligado hoje, mas de posse da sua consciência espiritual que pode gerar a Realidade que está acontecendo. Enquanto isso, não se preocupe com isso, pois se agir assim, você criará novas verdades e se manterá preso a elas.

Só isso que posso lhe responder sem comprometer o que estamos estudando hoje.

Participante: Ser espírito é ser feliz incondicionalmente, com turbulência ou não na vida humanizada.

Não, a felicidade universal não pode ser criada, ou seja, não pode nascer de uma compreensão racional.

Ser espírito não é ser feliz, isto porque você não pode ser feliz, não pode criar uma felicidade. Você precisa sentir a felicidade sem que ela nasça de uma condicionalidade, sem que seja criada a partir de um determinado aspecto.

A felicidade que o espírito sente não pode ser criada a partir de elementos lógicos. A felicidade assim criada não é incondicional, mesmo que a lógica usada para que ela passasse a existir pareça ilógica para a maioria da humanidade.

Ser espírito é ser espírito: a felicidade decorre desta condição. Quando você coloca como fez na sua pergunta (ser espírito é ser feliz incondicionalmente, com turbulência ou não na vida humanizada), criou condições para ter a felicidade: ser espírito e ser feliz incondicionalmente.

Esta felicidade não é mais incondicional. Seja feliz se for espírito ou não; seja feliz, incondicionalmente ou não. Ou seja, se você agir espiritualmente seja feliz, se agir humanamente, também; se conseguir libertar-se da condicionalidade para ser feliz, seja, mas se ainda for feliz quando os seus desejos forem satisfeitos, seja.

A felicidade tem que ser completamente incondicional para ser Real. Para tanto ela não pode nem ser condicionada à incondicionalidade.

Por isso disse que sua afirmativa não está de acordo com a visão espiritualista que estamos conversando, apesar de você ter usado para compô-la um ensinamento que já ouviu de mim em algumas outras palestras. Sei que esperava por isso que eu confirmasse o que disse, mas, na verdade, você nunca compreendeu o que foi dito até aqui.

Antes de ficar magoado com o que disse, lembre-se: é o ego que cria as compreensões e não você que entende. Ao criá-las ele engendra de tal forma a ‘razão’ para que surja uma compreensão, que se transforma em uma verdade e que lhe leva sempre a acreditar em alguma coisa.

No ensinamento utilizado nesta sua pergunta (ser feliz incondicionalmente) o seu ego engendrou durante o raciocínio uma condição para que você não vivesse a verdadeira felicidade: a incondicionalidade. Ele estabeleceu como condição para a felicidade universal a incondicionalidade.

Quando transmiti o ensinamento não coloquei a incondicionalidade como uma condição para que você vivesse a verdadeira felicidade. Disse apenas que deve ser feliz incondicionalmente, ou seja, sem qualquer condição. O que quis ensinar foi: seja feliz libertando-se das condições que utiliza atualmente para tanto ou não. É diferente do que você entendeu, ou melhor, da compreensão que o seu ego criou.

Na sua compreensão precisa haver a incondicionalidade para ser feliz.. A partir daí, posso afirmar que quando a incondicionalidade não acontece, jamais poderá haver a felicidade. Ou seja, você sofre quando não consegue ser feliz incondicionalmente e sente o prazer de ter posto em prática o ensinamento quando consegue manter-se feliz nas turbulências da vida.

Foi para poder lhe manter preso neste dualismo do prazer e da dor que o ego transformou racionalmente a incondicionalidade numa condição.

Sei que a felicidade incondicional não é o tema desta conversa, mas explorei o assunto para que vocês pudessem ‘ver’ algo que está relacionado com o ego: repare que qualquer compreensão que a mente cria se transforma numa condicionalidade que impede a Verdadeira Felicidade, mesmo que esta compreensão seja sobre os ensinamentos que estamos transmitindo.

Por isso disse antes: não acredite em nenhuma compreensão formada pelo ego, mesmo que seja a partir dos ensinamentos que estou passando. Viva o nada, duvide de tudo que lhe seja real, pois só assim você poderá atingir a felicidade que Deus tem prometido a todos os seus filhos.

Desta forma, o primeiro trabalho necessário para a reforma íntima é você se conscientizar do que é ensinado, sem buscar compreender aquilo que é dito. Vamos, agora, ao segundo trabalho: não acreditar em nada que o ego lhe diz.

Pode parecer que há entre o primeiro e o segundo trabalho uma redundância, mas não é bem assim. A partir do momento que você se conscientiza de que não pode acreditar em nada que o ego diz, é preciso que você não acredite em nada que o ego diz, ou seja, aja a partir da conscientização.

É este o segundo trabalho necessário para quem pretende promover a reforma íntima: viver sem acreditar em nada que o ego diz. Por que jamais podemos acreditar no ego?

Como disse, o ‘criador de realidades’ está constantemente operando, ou seja, criando novas ilusões que ele rotula como verdades. Apesar de ilusórias, estas ‘verdades‘ criadas pelo ego parecerão lógicas, racionais. Perdido na ilusão de que aquilo que o ego criou é real, você vive de uma forma material a encarnação, sem aproveitá-la para a realização espiritual.

Foi exatamente o que acabou de acontecer na última pergunta (ser espírito é ser feliz incondicionalmente, com turbulência ou não na vida humanizada).

Um ego, trabalhando informações novas que foram ouvidas, formulou uma verdade: ser espírito é ser feliz. No momento da pergunta este ego colocou a verdade ilusória que já estava na ‘memória’ e criou a ilusão do som, do proferir palavras.

O espírito ligado a esta identidade, por não entender que era o ego que estava ‘falando’, mas achar que ele se lembrou do que havia dito anteriormente e que ele formulou a pergunta, acreditou que estava ‘certo’ no que estava dizendo. Mas, como vimos, não foi bem assim…

Nunca se esqueça: o ego pegará tudo o que você ouvir e criará uma lógica, uma razão, que transformará o que foi ouvido em uma realidade. Fará isso para que você se ‘prenda’ (acredite) no que foi ‘compreendido’ (tornado racional) e, assim, o ego possa dualizar (‘certo/errado’, ‘bom/mal’, ‘bonito/feio’) os acontecimentos da vida material, mantendo-o preso às vicissitudes emocionais: prazer e dor.

Desta forma, não importa quem lhe diga qualquer coisa, compreenda que não foi a pessoa que lhe disse aquilo, mas o seu ego é que criou esta ilusória compreensão para que lhe prender no dualismo e no ciclo emocional material (prazer/dor). A partir do momento que você se conscientizar deste ensinamento, conscientize-se também de que precisa se libertar de tudo.

Agora, um grande detalhe: tudo é tudo. O ser humanizado não pode identificar algumas coisas para se libertar e ter outras das quais imagina que não precisa se libertar. Tudo é qualquer coisa que exista.

Quando falamos que o segundo trabalho necessário para aquele que pretende promover a reforma íntima é libertar-se das verdades formadas pelo ego, estamos falando de desacreditar de tudo, de todas as coisas. O problema é que existem pessoas que buscam apenas libertar-se daquilo que não gostam ou daquilo que não é espiritualmente correto segundo a humanidade.

Como diz o apóstolo Paulo, ‘quando o corpo mortal se vestir com o que é imortal e quando o que morre se vestir com o que não pode morrer, então acontecerá o que as Escrituras Sagradas dizem: a morte está destruída. A vitória é total!’ Se não podemos compreender o que é imortal (espiritual), pois nos faltam elementos para tal compreensão, pelo menos podemos nos despir do que é mortal, ou seja, de tudo aquilo que o ego cria como real.

Na execução destes dois trabalhos que conversamos até aqui, estão as maiores causas do fracasso do aproveitamento da encarnação como instrumento da elevação espiritual pelos espíritos.

Primeiro porque querem entender como viver espiritualmente e isto jamais um ser escravizado ao ego conseguirá. Já tinha dito anteriormente: não existe um doutor em ego que tenho ego, senão o ego seria o doutor e não o espírito. Segundo porque querem compreender do que se libertar e, com isso, acabam se ‘prendendo’ (reforçando a crença na compreensão) cada vez mais.

Resumindo, sabe por que é tão difícil a um espírito sair da sansara? Porque primeiro quer ‘saber’ (conhecer, entender, ser sábio culturalmente) como evoluir e, quando descobre como fazer, ao invés de executar o trabalho na totalidade, quer escolher do que se libertar.

Mas, quem escolherá do que se libertar? Você? Não, o ego é que escolherá do que separar, já que a escolha será racional.

Como disse anteriormente, o ego é como um general que espalha o seu exército na frente de batalha. Como todo bom estrategista, ele pode, quando preciso, entregar alguns soldados ou até um batalhão inteiro ao martírio para se poupar. Faz isso porque sabe que combatentes não lhe faltam, pois ele está sempre criando novos soldados e colocando-os na frente de batalha sem que você se dê conta disso.

Participante: E os instintos de sobrevivência (sentir fome, necessidades fisiológicas) existem ou são criações do ego?

Criações do ego.

O espírito que vive a sua essência, mesmo ligado ao ego, não tem fome nem necessidade fisiológica. Agora, quem é subordinado ao ego tem vontade de ir ao banheiro.

Isto não quer dizer que quem viva a sua essência espiritual não tenha atividades fisiológicas… Ele tem a atividade, não a necessidade.

Quem compreende a ação do ego vai ao banheiro na hora que estiver indo, sem se preocupar anteriormente se irá ou não, se terá vontade ou não.

Vamos, então, ao terceiro trabalho do postulante da reforma íntima. Antes, porém, recapitulando: primeiro, precisamos acreditar que é este o trabalho, mesmo sem compreendê-lo; segundo, libertar-se de todas as verdades criadas pelo ego sem exceção.

Terceiro trabalho: não deixar o ego criar coisas novas.

Anteriormente falamos em libertar-se do que já se sabe; agora dizemos que você não deve deixar o ego criar coisas novas, ou seja, não deixar o ego criar novas verdades ou novas definições. Vamos entender mais este ‘trabalho’ que o espírito deve realizar durante a encarnação.

Como disse anteriormente, o trabalho da elevação espiritual se caracteriza em não ‘aceitar’ a compreensão que o ego lhe dá a partir do que eu falo ou o que qualquer outra pessoa diz. Por isto, é importante sempre evitar a criação de novas verdades a partir daquilo que se ouve.

Sem este trabalho de contenção de formação de novas verdades de nada adianta a luta contra o ego. Isto porque o ego estará sempre criando novas verdades contra as quais certamente você terá que lutar para libertar-se amanhã.

No Bhagavata Puranas, livro védico que estamos estudando no trabalho do Senhor da mente, Krishna fala assim: o verdadeiro sábio não tem outro receptáculo para a comida que não a barriga.

Raciocinando este ensinamento fixando-se no sentido alimentação, os outros receptáculos para comida que o mestre diz que o verdadeiro sábio não tem são os potes onde os seres humanizados armazenam comida para comer em outro dia. Podemos, então, entender que Krishna diz que o verdadeiro sábio não armazena nada.

Levando este ensinamento para a intenção desta conversa (o ego), podemos entender que o verdadeiro sábio, além de ‘trabalhar’ diuturnamente na ação do ego para não acreditar no que ele ‘diz’, deve, também, ‘trabalhar’ para que ele não forme novas idéias e armazene-as na memória. Ou seja, é preciso que o ser humanizado elimine a ‘verdade’ também na criação e não apenas quando ela for utilizada para que possa se tornar um verdadeiro sábio.

Se agirmos assim o que acontecerá? Novas verdades não se formarão e o ego não conseguirá mais gerar ilusões. Já me pediram anteriormente e, antes que o façam novamente, deixe-me colocar o ensinamento de uma forma mais prática.

Com certeza você já visitou um lugar que não conhecia. Nesta visita digamos que você esteve pela primeira vez em uma residência que não conhecia. Com certeza se lhe pedisse para descrever essa casa, você seria capaz fazê-lo, não? Por quê?

Porque o ego criou imagens e você as aceitou como reais, como realidades. A partir desta ‘aceitação’ as imagens que descrevem o ambiente foram arquivadas na memória e criou-se um ‘conceito’: uma verdade sobre aquele lugar.

Até aqui não haveria problemas com relação à elevação espiritual, pois crer em uma descrição ilusória criada pelo ego não é tão ‘comprometedor’ para quem pretende realizar a reforma íntima. Mas, não foram apenas as imagens do lugar que o ego levou à racionalidade, mas também uma ‘adjetivação’. Compreendamos melhor…

Junto com a imagem do quadro na parede veio o adjetivo ‘bonito’; com a sensação de estar sentado no sofá veio a classificação de ‘desconfortável’; com a imagem dos móveis da sala a sentença de ‘sujos’. Enfim, além das imagens o ego determinou valores às coisas.

Acreditar nestes valores, vivê-los como reais, é ‘comprometedor’ no sentido da elevação espiritual, pois eles nascem de um julgamento a partir de valores individualistas. Aquele que aceita estes valores que o ego cria em conjunto com as imagens e os vivencia como realidades quebra o amor que deve existir entre todos os filhos de Deus.

Este ‘desamor’ pode ser muito melhor compreendido se alterarmos as imagens percebidas: ao invés de objetos, uma pessoa é percebida. Sempre que você se relaciona com alguém, além das imagens do momento, o ego ‘conclui’ valores do relacionamento e arquiva na memória.

Digamos, por exemplo que o seu ego lhe diz que aquela pessoa é ‘chata’. Quando você ‘aceita’ esta definição ela é arquivada na memória. A partir daí, cada vez que esta pessoa for percebida o ego trará novamente à consciência esta definição.

Só neste ‘julgamento’ o ‘desamor’ está provado, mas a ação do ego vai além. Mais do que lhe trazer à consciência q verdade de que aquela é uma pessoa ‘chata’, o ego irá criar o desejo de afastar-se dela.

Porém, digamos que isto não tenha sido programado como ilusão de ação para aquele momento, ou seja, que você não consiga afastar-se da pessoa. O que acontecerá? Você terá que ficar perto dela sofrendo (chateado, amolado, etc.).

Por que sofreu? Por estar frente a ‘alguém chato’ e ‘não conseguir livrar-se’ dele? Não, sofreu porque deixou o ego armazenar na memória a adjetivação sobre aquela ‘pessoa’. Se isso não houvesse acontecido esta pessoa jamais seria ‘chata’ e você nunca se ‘chatearia’ ao vivenciar a ilusão da ação de estar relacionando-se com ela.

Resumindo, então, as primeiras três etapas do trabalho da elevação espiritual: primeiro, conscientizar-se de que tem que fazer o que lhe é ensinado, compreendendo ou não, aceitando ou não os ensinamentos; segundo, fazer ou seja, libertar-se das verdades; terceiro: não deixar o ego criar verdades novas, armazenar conceitos

Todos os três trabalhos precisam ser executados simultaneamente, pois, caso você execute apenas os dois primeiros sem se atentar para o terceiro, será uma luta inglória porque, amanhã, sempre haverá uma nova verdade da qual terá que libertar-se.

Participante: O problema no tocante à elevação espiritual que o senhor se refere é o sofrimento que advém da falta de consciência da ação do ego?

O problema é acreditar no ego porque tudo que ele fala racionalmente é ilusão, mentira, falsa realidade, baseada no que você programou. Além disso, é problemático você vivenciar como suas as emoções ou sensações que o ego lhe dá, já que elas estarão sempre vinculadas ao prazer e a dor.

Aí está o problema para quem quer elevar-se espiritualmente: acreditar racional e emocionalmente no ego. Mas, porque isso é problema?

Porque quando você acredita no ego, não crê em Deus. O ego é o ‘bezerro de ouro’ que Moisés encontrou os homens adorando, o falso ídolo. E se ele é aquilo que você chama de ser humano, este elemento é o falso ídolo a quem você presta as suas homenagens, a quem idolatra acima de tudo e de todo, ferindo o primeiro mandamento da lei de Deus.

Veja se o que estou afirmando (idolatria a si mesmo) não é verdade…

O ser humanizado se idolatra ao ponto de achar que está sempre ‘certo’, mesmo quando se acha ‘errado’…

Idolatra-se ao ponto de dizer que o outro ‘não sabe o que está falando’ e que só ele sabe o que é ‘certo’…

Cultua-se ao ponto de dizer que o outro está lhe ferindo magoando, só porque não faz o que ele acha que deveria ser feito…

Portanto, acreditar no ego racional e emocionalmente fere à primeira lei de Deus.

Voltemos aos nossos ‘trabalhos’ para a promoção da reforma íntima. Já falamos de três (conscientizar-se dos ensinamentos, não acreditar no ego e eliminar a formação de novas convicções) e agora abordaremos o quarto e último aspecto.

Este ‘trabalho’ pode, à primeira vista, parecer que já é executado por vocês, mas isso é uma ilusão do ego. O quarto ‘trabalho que compõe a ‘reforma íntima’ é: ‘viver a vida’.

Mas, eu já vivo a minha vida, dirão vocês, mas isso é uma mentira. O ser humanizado não vive a sua vida, mas sim o que o ego diz para ele viver. Vocês vivenciam os seus ‘mundos internos’ criados pelo ego e não a vida realmente.

No exemplo que usei anteriormente (a mão encostando no rosto) a ilusão de movimentação é a vida, mas vocês vivem a agressão, a dor e a humilhação que o ego cria. Viver a vida é vivenciar as ações ilusórias sem anexar a elas nenhuma compreensão ou emoção.

Este exemplo, no entanto, não é propício para o entendimento, pois a simples menção a uma ação desse tipo já faz com que vocês vivam o ‘não querer’ passar por esta situação que está sendo criada agora pelos seus egos. Por isso, vamos citar um outro exemplo.

Você tem um filho e diz que vive com ele, mas isso é mentira. Você vive com a responsabilidade, a preocupação e a chateação de ser ‘mãe’. Ao invés de ‘curtir’ seu ‘filho’, você vive presa a tudo que o ego cria.

Quando deixar de viver o que o ego diz para você viver, só lhe restará uma coisa: viver a criação de Deus.

Lembram que comentamos que o mundo externo é criado por Deus para que a provação aconteça? Pois então, quem vive o mundo interno como real não vivencia a criação de Deus, mas a do ego. Não vive com e para Deus, mas para o ego. Por isso disse anteriormente que o ego é o ‘bezerro de ouro’ que os seres humanizados preferem idolatrar ao invés do Senhor Supremo.

É só o ego ‘abrir a boca’ e vocês abandonam Deus na mesma hora. Se ele diz que vocês têm que ganhar dinheiro através de um emprego, já não encontram mais tempo para trabalhar as suas espiritualizações. Não estou falando em religiosidade, em freqüentar cultos, mas em ser feliz incondicionalmente, que já citamos anteriormente como estado daquele que é espiritualizado.

Vivenciando o mundo interno como real, sai ‘correndo’ de casa todo dia vivendo um estado de espírito de ansiedade e nervosismo porque acredita quando o ego diz que existe horário e que você está atrasado. Quanta ‘vida’ (criação de Deus) você perdeu no trajeto da sua casa até o trabalho por estar obcecado com a idéia que o ego deu?

Afirma que gostaria de ter uma vida mais suave, ter mais tempo para você poder relaxar indo, por exemplo, à praia mais vezes. Acredita piamente que se isso fosse realidade seria mais feliz, não é mesmo?

Mas, o que acontece quando chega na praia? Fica preocupado com o trabalho de amanhã, onde estará o seu filho àquela hora, se a sua casa está protegida, se o carro não vai ser roubado, etc. Sempre existe algum fator que não lhe deixa ‘curtir’ o momento presente.

Isto porque não compreende que estes ‘pensamentos’ são criações do ego para que você não vivencie com felicidade a criação de Deus. Ou seja, são proposições de provações ao espírito para ver se ele consegue manter a felicidade independente do que o ego está criando racionalmente.

Aí estão, portanto, os quatro ‘trabalhos’ para quem quer promover a reforma íntima. Aí está em rápidas palavras a reforma íntima, o renascimento que leva ao reino do céu, a libertação dos apegos. Aí está o equilíbrio que Lao-Tsé ensina e o não sofrimento que Buda diz que pode ser vivenciado.

Tudo o que todos os mestres ensinaram é alcançado quando você consegue se conscientizar do que deve fazer durante a encarnação: liberta-se do que já existe no seu ego e não o deixar formar novas verdades. Só assim você pode ‘curtir’ a vida, ou seja, vivenciar os acontecimentos da vida com um estado de espírito de felicidade incondicional.

Vive a felicidade que existe, não a construa. Não crie felicidade, viva a que já está dentro de você. Quando você vivencia esta felicidade honra a palavra empenhada com Deus e com os mentores na hora da encarnação.

Veja bem. Quando você acabou de criar o seu ego e ele foi ‘aprovado’ por Deus, garanto que você estava em lágrimas aos pés do Criador agradecendo a oportunidade e dizendo para Ele: ‘Senhor conte comigo. Eu já vi o que os seres humanizados, o que os espíritos que se deixam levar pelo ego fazem. Eu não vou fazer igual’.

Aí ‘nasce’ para não fazer igual àqueles que você observou, mas acaba agindo igualzinho e com isso não honra a ‘palavra’ empenhada ao Pai.

Participante: O caminho para libertação seria viver sem sentir nenhuma emoção? Fazer o que tiver que fazer sem se envolver com os frutos do trabalho?

Sim, o caminho para libertação é não se viver as emoções e realidades criadas pelo ego. Mesmo que seus atos aparentem que esteja vivendo as emoções ditadas pelo ego, interiormente não os viva. Ou seja, mesmo que seus atos aparentem um nervosismo, não se sinta nervoso internamente.

Nestas duas formas de se participar de um acontecimento do mundo carnal está a distinção entre viver e vivenciar. Viver é participar do ato racional e emocionalmente; vivenciar é observar o ato sem acreditar nos valores e nas emoções que o ego cria.

Participante: Como fica a questão do servir: servir ao próximo é servir a Deus ao ego?

Vou dividir a sua pergunta em duas (servir ao ego e servir a Deus) para poder lhe responder melhor. Vamos primeiro falar do serviço ao próximo.

Servir ao próximo é servir àquele que lhe está próximo e não ao ego, a você ou a Deus. E, o que determina a quem você está servindo é a intencionalidade com que participa da ação e não o ato que está sendo praticado.

Quando você acredita na racionalidade e na emotividade ilusória que lhe vem a mente durante uma determinada ação estará sempre servindo ao ego, pois tudo que vem deste criador de realidades ilusórias é fundamentado no individualismo. A característica individualista de qualquer ilusão criada pelo ego faz com que sempre ocorra uma intencionalidade e ela acaba com o serviço ao próximo.

Vou dar um exemplo para podermos compreender melhor.

Digamos que o ato que está ocorrendo é você dar um prato de comida a alguém que está com fome. Aparentemente você o está servindo, mas será que, dentro de tudo o que vimos neste estudo, realmente é isto que está acontecendo?

Veja bem. A sua felicidade não advém de dar o prato de comida, mas surge porque o que o ego racionalmente lhe disse que é ‘certo’ fazer aconteceu. Por isto reafirmo: você está servindo primariamente ao ego (ao desejo por ele proferido pela razão) do que ao próximo.

Claro que o prato de comida está sendo ofertado ao próximo, mas isto ficou em segundo plano. A intenção primaria foi fazer o que se quer (servir a racionalidade criada pelo ego). Antes de servir ao próximo, portanto, está servindo ao seu ego.

Agora, quando você pratica atos sem participar racional ou emocionalmente, ou seja, sem submeter-se às intenções individualistas embutidas naquilo que o ego está ‘falando’, estará servindo ao próximo. Este ‘serviço‘, no entanto, se dá por não servir ao seu ego e não pelo ato que se pratica.

Quanto a servir a Deus, não importa como você viva (se acredita ou não na racionalidade e nas emoções criadas pelo ego) sempre estará servindo a Deus. Isto porque, como ensina o Espírito da Verdade, cada espírito toma um instrumento em harmoniza com a matéria onde encarnará para ali cumprir as ordens de Deus (pergunta 132 de ‘O Livro dos Espíritos’).

Não importa o que seja feito, que ato seja praticado e nem como você vivencie cada um deles, tudo o que se realizar terá sido feito pelo Seu comando e,por isso, estamos sempre servindo a Deus.

Participante: Na maioria das vezes servimos ao ego achando que estamos servindo ao próximo…

Sempre é isso. Enquanto você não se libertar estará sempre servindo ao ego achando que está servindo ao próximo.

Por isso orientei anteriormente: se o seu ego diz que você é médium, não acredite, porque senão servirá ao ego. Ou seja, exercerá a mediunidade para ser médium e não servir ao próximo.

Mediunidade é doação, é caridade, não é benefício para quem a exerce. E, aquele que se acha ‘médium’ vê nisso um benéfico para si. Com isso não está servindo ao próximo mas ao seu ego.
FONTE: http://www.universalismo.org/

EGOÍSMO

 

 

 

Baseado no estudo de “O Livro dos Espíritos”.

913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?

Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.

O que é um vício? O que é estar viciado em alguma coisa? Antes de entramos no aspecto do maior vício, precisamos entender o que é isso.

Vício é uma dependência. Uma pessoa viciada é alguém dependente de alguma coisa. Isto é por definição o vício…

Este é o primeiro aspecto que devemos ter em mente para o que estudaremos hoje. Neste estudo, buscaremos compreender a ação do egoísmo como vício, ou seja, como o elemento universal do qual o ser humanizado se torna dependente, do qual depende para viver.

O egoísmo é o vício “mãe” do ser individualizado. É a sua dependência maior, aquilo sem o qual o espírito humanizado não consegue viver e que, por isso, precisa sempre vivenciar.

A partir da definição do egoísmo como vício, podemos afirmar que ele se materializa através de uma intenção individualista, do querer para si em primeiro lugar. O egoísmo ocorre quando o ser humanizado vive a partir do “eu”, quando pensa sempre em si, nas suas verdades, antes de qualquer coisa.

Esta é a dependência maior que um espírito humanizado possui: a de pensar sempre em si antes do próximo. É por isso que o Espírito da Verdade diz que o egoísmo (individualismo) acaba com o amor e com a caridade. Isto ocorre porque a necessidade de levar vantagem, de ser premiado sempre, elimina quaisquer resquícios de espiritualidade no espírito encarnado.

Ainda falaremos muito mais sobre este aspecto durante o dia de hoje, mas por agora é preciso que se compreenda que é necessário buscar-se o fim da dependência da satisfação do “eu” para poder se elevar espiritualmente (viver a espiritualidade do ser).

É preciso que o ser humanizado perca o vício do egoísmo, da necessidade do atendimento às suas vontades, ao seu desejo, às suas paixões. Este ser precisa se libertar do condicionamento da necessidade de ser atendido sempre, para poder aproximar-se de Deus.

É isso que o Espírito da Verdade está ensinando. Se o ser humanizado permanecer preso no que quer, gosta, no que imagina justo e certo estar ocorrendo, não alcançará nada com relação à reforma íntima.

Ele não consegue vivenciar o espiritualismo e o universalismo – elementos que surgem de um processo de reforma íntima – porque está preso apenas no individualismo. Se o ser humanizado opta por sempre viver situações que atendam nos mínimos detalhes os seus requisitos para ser feliz, comprova a sua dependência do egoísmo, do seu “eu material”, do seu querer e estes elementos não são universais. Portanto, nada foi conseguido no sentido de integrar-se ao Todo Universal.

Este é o primeiro aspecto de hoje: entender que o vício capital é esta dependência e que todas as outras atitudes dos seres humanizados se originam no querer para si sempre.

914. Fundando-se o egoísmo no sentimento do interesse pessoal, bem difícil parece extirpá-lo inteiramente do coração humano. Chegar-se-á a consegui-lo?

A medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais, menos valor dão às coisas materiais. Depois, necessário é que se reformem as instituições humanas que o entretêm e excitam. Isso depende da educação.

Isso que o Espírito da Verdade falou neste trecho deveria ser realidade, mas não é. A regra deveria ser que quanto mais o ser humanizado se instruísse a respeito das coisas espirituais, mais deveria se afastar do materialismo, mas infelizmente não é isso que vemos. O que se constata é que aqueles que “aprendem” sobre espiritualidade se prendem cada vez mais ao materialismo.

Poderia dizer que a busca de viver a espiritualidade na Terra é fundamentada num “espiritualismo materialista”. Isso porque os ensinamentos não reforçam a espiritualidade do ser, mas são utilizados no sentido de proporcionar melhores condições para a vida humana.

O espiritualismo ou qualquer outro ensinamento dos mestres é usado pelos seres humanizados no sentido de criar uma vida humana mais agradável, mais aprazível, de acordo com o individualismo (desejos individuais) de cada um ao invés de levá-lo a viver os acontecimentos deste mundo dentro da essência espiritual que eles possuem. Ou seja, o espiritualismo praticado no planeta está viciado pelo individualismo.

Para se vivenciar o espiritualismo na sua essência é necessário que o individualismo seja extirpado, ou seja, que os seus parâmetros de “certo” ou “errado” não prevaleçam para criar obrigações ao próximo. Sem que o ser humanizado se vença (suas paixões e desejos) não há espiritualismo. No máximo haveria um “espiritualismo materialista”.

Desta forma, saiba que sempre que você entrar em contato com qualquer coisa espiritual, a primeira ação deste ensinamento deve ser atacar aquilo que você acha que é “certo”, “bonito”, “limpo”, porque estes são os frutos do seu individualismo, instrumentos do seu egoísmo. Se o ensinamento não fizer isso o vício do individualismo neutralizará a sua ação espiritual.

É por isso que muitas pessoas acham que não trago nenhuma notícia “boa” para as suas vidas. Se trouxesse apenas aquilo que você quer ouvir, estaria nutrindo o seu materialismo e não ensinando o espiritualismo.

Eu sempre digo aos outros: compreenda que a sua vida é uma droga. Não uso este adjetivo no sentido de “ruim”, mas afirmo que “viver a vida” é ser viciado. “Viver” a vida material por ela mesmo, pelo seu sentido material, é usar materiais (verdades, certezas, paixões, desejos) que viciam, porque eles são fundamentados no egoísmo, no individualismo, no “eu”.

Quer um exemplo? Os que vivem a vida material, ou seja, baseiam-se nos conceitos materialista, criticam o viciado em cocaína, cigarro, bebida, carne ou qualquer elemento material considerado não-certo. No entanto, não compreendem que agindo desta forma estão mostrando que são viciados em egoísmo, ou seja, em quererem dizer o que deve ser feito pelo outro.

Quem quer viver a vida, ou seja, reformar atitudes humanas, não compreende que a vivência da vida é, por essência, um ato individualista, por que sempre começa pela constatação da existência do “eu”, da “minha vida”.

915. Por ser inerente à espécie humana, o egoísmo não constituirá sempre um obstáculo ao reinado do bem absoluto na Terra?

É exato que no egoísmo tendes o vosso maior mal, porém ele se prende à inferioridade dos Espíritos encarnados na Terra e não à Humanidade mesma. Ora, depurando-se por encarnações sucessivas, os Espíritos se despojam do egoísmo, como de suas outras impurezas. Não existirá na Terra nenhum homem isento de egoísmo e praticante da caridade? Há muito mais homens assim do que supondes. Apenas, não os conheceis, porque a virtude foge à viva claridade do dia. Desde que haja um, por que não haverá dez? Havendo dez, por que não haverá mil e assim por diante?

O que será que quer dizer o Espírito da Verdade quando afirma que o egoísmo se prende à inferioridade dos espíritos encarnados na Terra? Que o egoísmo se prende ao seu nível de elevação destes espíritos.

Portanto, o egoísmo que hoje você vivencia é resultante do seu nível de elevação e não uma “maldade” enraizada em seu coração. Ou seja, o egoísmo que fundamenta as compreensões que você tem durante a encarnação é o objeto de sua provação, um dos seus carmas, o que precisa ser “vencido”.

A partir daí a compreensão do nosso ensinamento se altera fundamentalmente. Muitos acreditam que quando falamos que o ser humanizado é egoísta estamos afirmando que ele é “mal”, “errado”, mas isso não é verdade.

Temos a plena consciência que é natural que você vivencie hoje o egoísmo quando interpreta os acontecimentos da vida carnal, porque ele faz parte do seu atual nível de elevação. Não estamos aqui para criticar ninguém, mas para alertar sobre a ação contrária do individualismo nas suas pretensões de elevação espiritual e, por conseguinte, da necessidade de libertar-se deste padrão vibratório para que você mude de patamar de elevação.

Constatamos o seu egoísmo apenas para poder afirmar que é necessário que se liberte do vício de ser sempre atendido e não para acusar. Este é um padrão de todos aqueles que realmente se interessam em aproximá-los de Deus: constatar e propor alternativas, mas nunca acusar nem cobrar aceitação ou cumprimento das diretrizes propostas.

Isto é muito diferente dos “espiritualistas materialistas”, ou seja, daqueles que utilizam o ensinamento para atender a pré-requisitos seus. Eles compreendem o ensinamento dos mestres e descobrem um “erro” seu, lhe acusam de ser errado, pecador, de não “prestar”.

Não é isso que estamos querendo dizer quando apontamos o egoísmo com o qual vive hoje. Sempre que constatamos uma característica do ser humanizado, como hoje estamos fazendo com o egoísmo, compreendemos que ela é um fundamento do ser humanizado porque faz parte do atual nível de elevação do espírito. Jamais afirmamos que um ser universal, um filho de Deus é “ruim”, “mal” ou “errado”.

Aliás, como já afirmamos anteriormente em diversas oportunidades, sabemos que o espírito é sempre luz, puro por natureza e jamais perderá na sua essência esta pureza. Ele “está” viciado em egoísmo, “está” egoísta, como resultante do seu atual nível de elevação espiritual, mas não é nada disso. Todo seu individualismo é uma poluição que surgiu com o advento, ou seja, com a ligação à personalidade humana (ego) que está vivenciando para provar a si mesmo que é capaz de superar o vício do egoísmo.

Então, não acusamos ninguém: mostramos o caminho onde o egoísmo pode ser superado para que o ser humanizado tenha consciência da sua ação e possa mudar a sua forma de vivenciar a vida carnal. Só isso.

Declaramos expressamente que para nós não há “mal”, não há nada “errado”, mas que existem apenas espíritos vivenciando a sua existência, seja na matéria ou fora dela, dentro do seu nível de elevação espiritual.

Esta também deverá ser a sua atitude se quiser libertar-se nesta vida do egoísmo que está vivenciando. Constatar que não existem seres humanizados “maus”, “ruins” ou “errados”, mas que cada espírito possui valores dentro do seu grau de elevação espiritual.

Se ao contrário, continuar se prendendo aos seus padrões como o “certo”, saiba que, mesmo que busque o caminho da espiritualidade, estará praticando o espiritualismo materialista, aquele que acusa os outros de “pecador”.

916. Longe de diminuir, o egoísmo cresce com a civilização, que, até, parece, o excita e mantém. Como poderá a causa destruir o efeito?

Quanto maior é o mal, mais hediondo se torna. Era preciso que o egoísmo produzisse muito mal, para que compreensível se fizesse a necessidade de extirpá-lo. Os homens, quando se houverem despojado do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, sem se fazerem mal algum, auxiliando-se reciprocamente, impelidos pelo sentimento mútuo da solidariedade. Então, o forte será o amparo e não o opressor do fraco e não mais serão vistos homens a quem falte o indispensável, porque todos praticarão a lei da justiça. Esse o reinado do bem que os Espíritos estão incumbidos de preparar.

Repare bem no início deste ensinamento do Espírito da Verdade para que possamos ter consciência da hipocrisia (dizer que está pensando no outro, mas está sempre pensando em si) com que o ser humanizado vive: “era preciso que o egoísmo produzisse muito mal para que compreensível se fizesse a necessidade de extirpá-lo”.

Para falar dessa hipocrisia lhes pergunto: o que motivou as cruzadas, as chamadas guerras santas? Egoísmo. O que motivou os senhores de terra em criar e sustentar a escravidão? Egoísmo.

Os acontecimentos considerados como hediondos da história da humanidade sempre foram causados para atenderem a interesses individuais de determinados seres humanizados, ou seja, viciados no egoísmo destes. Mas por que Deus permitiu que isso acontecesse? Segundo o Espírito da Verdade para que você e todos os outros espíritos encarnados compreendessem o que o egoísmo de cada um produz.

Mas, não foram apenas esses os acontecimentos hediondos que ocorreram na história da humanidade. Na verdade eu utilizei exemplos muito distantes no tempo da realidade. Por que fiz isso? Porque este livro é do final do século XIX, ou seja, os acontecimentos hediondos a que se referiu o Espírito da Verdade eram esses.

Depois da publicação deste livro, ou seja, depois da divulgação deste ensinamento, já tivemos outros acontecimentos hediondos. Aconteceu a primeira e a segunda guerra mundial, a bomba atômica e mais recentemente os atos terroristas que são considerados pela humanidade como acontecimentos hediondos fundamentados no egoísmo de seres humanizados.

Estes acontecimentos recentes certamente não estavam na “cabeça” de Kardec quando ele fez a pergunta ao Espírito da Verdade. No entanto, se estivessem, o ensinamento seria o mesmo: ocorreram para que os seres humanizados compreendessem a que ponto pode levar a ação egoísta baseada nas suas vontades individuais.

Eu pergunto então: o que você, que já conhece este ensinamento, fez com relação a estes crimes hediondos? Agiu egoisticamente criticando aquele que foi egoísta. Mas você não acha que ao agir assim foi egoísta. Pelo contrário, imagina que estava “certo”.

A humanidade precisa compreender que a crítica, mesmo que dirigida ao egoísta, é ação do egoísmo de quem critica. Nenhuma crítica pode ser considerada “sadia” porque ela é fundamente numa verdade individualista, num padrão individual de verdade. Portanto, ação egoísta.

Como já estudamos fartamente, Deus cria os acontecimentos da Terra para que você compreenda a essência que causou tal ato e possa, assim, abrir mão da utilização de tal essência.

Nenhuma guerra surge no planeta se não houver uma intenção egoísta, se não houver um desejo individual. Portanto, as guerras existem para que você aprenda onde o egoísmo pode levar e abra mão de seus desejos próprios, mesmo que eles sejam considerados “certos”.

Mesmo que você deseje a paz, abra mão desse desejo para não criticar o próximo, pois se o fizer, estará agindo igualzinho a ele: fazendo guerra a quem quer guerrear.

O primeiro passo para poder abrir mão do egoísmo é abrir mão da crítica a quem age fora dos seus padrões individuais de “certo”. Ame a todos e a tudo acima de qualquer padrão que você tenha de certo ou errado. Aliás, Cristo ensinou: se você só cumprimenta quem lhe ama que vantagem tem? Até os pagãos fazem isso…

Faça as pazes com quem quer a guerra, pois só assim expressará o verdadeiro amor. A crítica, por mais que embasada em “boas intenções”, jamais será um ato de amor, pois ela se fundamenta no “eu”, no que cada um “sabe”, o que cerceia o direito do outro achar diferente.

Mas, para que você possa fazer a paz com quem quer a guerra é preciso antes se libertar do seu “eu” e da vontade de que este “eu” se sobreponha ao do próximo. Não me venham dizer que é impossível deixar de criticar Hitler porque ele fez a guerra ou o presidente dos Estados Unidos à época porque ele autorizou o uso da bomba atômica, porque não são deles estas ações.

Como o Espírito da Verdade acabou de nos dizer, o egoísmo precisa gerar um crime hediondo para ver se a humanidade cai na real e deixa de ser egoísta, de querer só para si, de querer levar vantagem em tudo. Por isso, se não fossem estes seres humanos que você acusa, teriam que ser outros, pois a guerra existiu e continuará existindo porque os seres humanizados ainda agem egoisticamente no seu dia a dia.

Nós estudamos anteriormente em “O Livro dos Espíritos” que a justiça consiste em respeitar o direito do outro (pergunta 875). Portanto, se você não quer que haja guerra e quer ser realmente justo, é preciso respeitar o direito do outro que quer fazer a guerra e não criticá-lo ou acusá-lo por isso.

Mas não, você acredita que precisa atacar quem quer guerrear para poder defender a paz ou para que a justiça prevaleça. Na verdade você não está defendendo a paz nem a justiça, mas aquilo que você considera como paz e justo, ou seja, os seus padrões individuais de paz e justiça. Por isso falei inicialmente em descobrir a nossa hipocrisia.

Estou usando a guerra como um exemplo apenas para entendermos, mas leve isso para todas as coisas da vida. Você diz que quer viver bem com todos, mas para que isso aconteça realmente tem que aprender a viver bem com todos e não exigir que os outros se fundamentem em você para que possa existir a boa convivência.

Ou seja, você acredita que os outros precisem agir como você agiria em determinada situação para que esteja em paz com ele. Para mim isto tem outro nome: opressão, totalitarismo.

Veja como é hipócrita a sua posição. Você diz que critica o próximo por amor, por querer o “melhor” para ele ou até para que a justiça aconteça, mas na verdade a sua real intenção é a total submissão do próximo ao seu padrão de “certo” para satisfazer o seu egoísmo.

Não, a crítica jamais será fundamentada no amor ou na justiça. Cada um tem o direito e a liberdade de agir e para que eu p ame verdadeiramente preciso respeitar este direito. Mas poder conceder esta liberdade ao próximo, é preciso que cada um se liberte do seu egoísmo, do vício de olhar primeiramente para si: o que acha “certo”, “bonito” ou o que quer.

Aprenda: para o mundo espiritual não é o ato em si que vale, mas a intenção com que cada um participa dos atos da existência carnal. E a intenção com a qual os espíritos participam dos atos humanizados hoje devido ao seu patamar de elevação espiritual fundamenta-se no “eu”, pois busca atender àquilo que cada um acha que deveria acontecer.

917. Qual o meio de destruir-se o egoísmo?

Antes da resposta do Espírito da Verdade deixe-me fazer um pequeno comentário. Preste bem atenção ao que vamos falar agora porque se o egoísmo é a determinante do seu nível de elevação espiritual, a ascensão só acontecerá com a destruição dele. Portanto, o que falaremos agora é fundamental para aquele que pretende aproveitar esta encarnação.

Só quando compreendemos profundamente a questão do egoísmo e da retirada da hipocrisia que comentei anteriormente (dizer que faz por amor e justiça quando apenas quer a submissão) poderemos realmente realizar o trabalho da reforma íntima. Sem esta ação moralizadora verdadeira o espírito se ilude durante a sua existência carnal achando que está fazendo o “certo”. Só depois do desencarne percebe a intenção egoísta com a qual vivenciou os atos de sua vida, mas aí já é tarde para alcançar a reforma íntima.

Costumo dizer que na luta contra o ego (elemento que cria a ação egoísta) é preciso mirar no general e não nos soldados. O supremo comandante do ego é o egoísmo que cria vários soldados (vaidade, ganância, soberba) para combaterem o espírito. Este general, no entanto, está camuflado pelas próprias ilusões de “certo” e “errado” que o ego criou e por isso não é localizado.

O espírito, então, luta contra os soldados, mas não ataca o comandante. O ego permite que o espírito faça isso e até que vença alguns de seus subordinados, para poder proteger-se no anonimato e continuar agindo nos subterrâneos da intenção dos seres sem ser percebido.

Neste trecho iremos mirar no general do seu ego (nos seus padrões de “certo” e “errado”) e não ficar atirando em soldadinhos que são peões nesta batalha. Iremos tratar o cancro que causa a ferida e não tratar dos efeitos que ele provoca.

Como a resposta de Fénelon é grande e aborda diversos aspectos, a estudaremos em parte.

De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pode libertar-se e para cujo entretenimento tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação.

O egoísmo decorre da materialidade, nos ensina o amigo espiritual.

Já estudamos anteriormente o tema “materialidade” e definimos que ela não se consiste em estar ligado a uma massa carnal, mas acontece quando o ser universal encontra-se ligado a um ego humano. Portanto, o egoísmo surge e é natural no espírito quando ele está ligado a um ego humano.

Sendo assim, enquanto houver a ligação com o ego, a intenção que o ser humanizado terá será sempre fundamentada no egoísmo. Não importa a que ato estejamos nos referindo, vivenciá-lo subordinado aos padrões ditados pelo ego é ter a intenção baseada no egoísmo.

Seja na aplicação das leis humanas, seja nos padrões organizacionais de uma sociedade, seja na orientação do próximo sobre o que é “certo” (educar), enquanto o ser universal estiver humanizado (submisso aos padrões ditados pelo ego) o egoísmo ocorrerá.

Não importa que você “ache” que esteja “certo” ou até que a grande maioria concorde com você; se aplicar o que você acha que deveria estar acontecendo para julgar a atitude do próximo ocorreu um egoísmo e não uma justiça ou um amor.

Mas você não vê assim. Acredita que o acatamento às leis humanas deve ocorrer, que os padrões organizacionais de uma sociedade precisam ser respeitados, que você deve “educar’” os outros para eles ajam de forma “certa”. Mas quem disse isso?

As leis humanas são temporárias e individualizadas; as organizações sociais são extremamente diferenciadas de acordo com cada povo; o que você acha “certo” já se modificou milhares de vezes durante essa existência. Ou seja, nada disso é universal; e tudo que não é universal é ilusório, individual.

As leis que você acha “certa” são ilusórias, as organizações sociais que você imagina que todos têm que se submeter são ilusões, tudo que você acredita como “certo” mudará quando se libertar dos padrões impostos pelo ego. Portanto, exigir agora o cumprimento destes padrões ao próximo é submeter-se ao ego o que, naturalmente, leva ao egoísmo.

Enfim, ter um padrão, seja sobre que assunto for, de “certo” ou “errado”, “bonito” ou “feio”, gera automaticamente a presença do egoísmo, porque ele se consiste na cobrança de que o próximo atenda o seu padrão.

É por isso que Buda chama os padrões de paixões. Você é verdadeiramente apaixonado pelos seus padrões de “certo” e “errado” e desta paixão surge, então, o desejo do cumprimento daquilo que você acha “certo” e o desejo da não existência daquilo que você acha “errado”. Ou seja, o egoísmo em ação.

O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas.

Dois aspectos a analisarmos neste trecho. Primeiro: o egoísmo acaba com a elevação moral.

Se o egoísmo é contrário à elevação espiritual e se ele é fundamentado no “eu”, a elevação moral se consiste em buscar o “nós”. A partir daí pergunto: o que é elevar-se moralmente?

Certamente não tem nada a ver com não fazer aborto, com não matar, ou seja, não está vinculada a padrões humanos. A elevação moral ocorre apenas quando o ser humanizado abandona o “eu” e vive o “nós”, não tendo importância que atos ele pratique.

O “nós” a que estamos nos referindo é aquele que é alcançado pela fusão perfeita de todos, ou seja, quando todos tiverem direitos iguais. Sendo assim, a elevação moral é alcançada quando cada um tiver o direito de ser, estar e fazer o que quiser e você não o julgue por isso.

Segundo aspecto destacado por Fénelon: o espiritismo lhe ensina a Realidade. Para podermos entender isso vamos ver que Realidade o Espiritismo nos ensina.

Em primeiro lugar o Espiritismo diz que você é um espírito. Encarnado, ligado a um ego, mas que não deixa de ser um espírito. Isso fica bem claro numa série de perguntas que já estudamos, mas para relembrar vou citá-las.

O que era a alma antes de encarnar? Espírito. O que voltará a ser a alma depois de desencarna? Espírito.

“Estar alma”, ou seja, encarnado, portanto, não acaba com nossa essência Real (espírito), mas apenas destaca uma condição especial temporária de vivência (estar ligado a um ego).

Segunda Realidade que o Espiritismo ensina: há uma interação entre mundo espiritual e material a tal ponto que nada acontece neste mundo sem a interseção dos espíritos.

Como esta Realidade criada pelo Espiritismo nem sempre é aceita pelo ego humanizado, vou citar textualmente o comentário de Kardec aos ensinamentos do Espírito da Verdade.

“Imaginamos erradamente que aos Espíritos só caiba manifestar sua ação por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e muito natural o que se escuta com o concurso deles”.

“Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem, crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre arbítrio” (pergunta 525 a).

Nas perguntas seguintes (526 a 528) esta Realidade fica muito mais clara quando o Espírito da Verdade mostra que os espíritos conduzirão o homem que deve sucumbir para uma escada quebrada ou para debaixo da árvore onde o raio cairá. Isto acontece deste jeito porque os espíritos fora da carne não podem alterar o curso dos elementos da natureza, mas dirigem o homem para que lhe aconteça o que está previsto. Cita ainda esta parte do estudo de O Livro dos Espíritos que aquele que não deve morrer de uma bala perdida será inspirado para se desviar, já que os trabalhadores do Senhor não podem desviar a bala para salvar o homem.

Esta é a Realidade que o Espiritismo ensina: os espíritos comandam as ações do ser humano ao invés de, como mágicos, agirem sobre os elementos da natureza.

Este conhecimento deveria lhe levar, nas palavras de Fénelon a acabar com a ficção alegórica que você vivencia e chama de realidade, verdade. A sua realidade não tem nada de Real, pois você não percebe toda movimentação dos amigos espirituais guiando seus passos, mas imagina que age por moto próprio.

Krishna define a realidade que o ser humanizado vive como fantasias fantasmagóricas. Ou seja, os dois mestres têm a mesma compreensão sobre aquilo que você vive como real: uma ficção, uma fantasia.

Olhe agora para o computador à sua frente. Você está vendo um monitor que está projetando uma imagem? Esta percepção é uma ficção alegórica, uma fantasia fantasmagórica. O que está à sua frente na realidade é fluído cósmico universal.

Você está vendo agora um inimigo, alguém de quem não goste? Isto é uma ilusão, uma ficção alegórica, porque não há um ser humano à sua frente, mas um espírito encarnado. A sua compreensão de que ele está agindo contra você também é uma ficção porque ninguém pratica atos, mas cumpre ações guiadas pelos amigos espirituais a partir do mundo dos espíritos.

Então veja. Não é só hinduismo que fala, mas também o Espiritismo diz que você vive uma peça de teatro chamada “Divina Comédia Humana”, como realidade, mas que ela não passa de uma ficção alegórica, de fantasias fantasmagóricas.

Quando, bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o Espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais.

Quando bem entendido e identificado o Espiritismo poderá surtir algum resultado na sua elevação espiritual. Antes, não.

Que adianta você dizer que compreende os ensinamentos de O Livro dos Espíritos; que adianta você dizer que se identifica com os ensinamentos trazidos pelo Espírito da Verdade, se ainda chora em um enterro acreditando que seu ente querido acabou?

Que adianta dizer que se identifica com estes ensinamentos se eles afirmam que os espíritos nos guiam, que ninguém morre antes da hora e que Deus sabe a forma como cada um vai desencarnar (pergunta 853 a) se você ainda acredita num assassinato praticado por um assassino?

Não adianta estudar: é preciso compreender e se identificar com a Realidade criada pelo ensinamento. Mas, para criar esta Realidade é preciso se libertar do individualismo. Sem isso, o próprio egoísmo que criará uma interpretação individual de O Livro dos Espíritos e dirá que você é que está “certo”.

Neste caso você não mudou nada, não reformou nada, porque a base, a essência da intencionalidade continua o que você acha está “certo” e o que os outros acham “que se dane”.

Esta palavra parece forte, mas é preciso compreender que quando nos apegamos somente àquilo que acreditamos como “certo” e não damos aos outros o direito de pensar diferente em qualquer aspecto da vida, estamos demonstrando o nosso menosprezo pelo irmão.

Repare que, como Fénelon, falei em todos os aspectos da vida e não só naqueles que você quer alterar. Este é o aspecto que precisa ser atentado por quem quer atacar diretamente o general.

Se o ser humanizado separar verdades que podem ser abandonadas e deixar outras que imagina que são sem importância para o mundo espiritual, nada estará realizando. A vitória precisa ser total.

Não existem atos da vida que não tenham relevância na elevação espiritual. Tudo é fundamental no trabalho da reforma íntima porque só existe um único mundo que é composto por tudo.

O egoísmo assenta na importância da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da imensidade.

Exato: o seu sentimento egoísta precisa acabar quando surge a compreensão da existência única do espírito.

Veja bem. O seu egoísmo atual é exercido com base nos elementos (paixões) da sua personalidade de hoje… e a de ontem, era “errada”? Será que os que existirão nas futuras serão iguais aos de hoje?

Além do mais, seus valores egoístas podem ferir a Realidade espiritual dos outros seres que o cerca. O desejo de a sua mãe permanecer “viva”, por exemplo, precisa acabar quando se compreende a real existência de um ser humano: a encarnação de um espírito.

Quando você entende que “ela” é um espírito e que tem toda uma vida espiritual a ser vivida, precisa abandonar toda a sua vontade de que permaneça “viva”, apenas para satisfazer os seus caprichos, as suas vontades. Isso porque, aprisionando-a a esta existência, estará “atrasando” o seu processo evolucional.

Sem esta consciência não adianta se dizer espírita, não adianta orgulhar-se de seu conhecimento, não adianta ir ao centro toda semana. Sem esse despossuir o “eu” nada se faz, por mais que se desvende o invisível.

Destruindo essa importância, ou, pelo menos, reduzindo-a às suas legítimas proporções, ele necessariamente combate o egoísmo.

O que é reduzir às suas devidas proporções? É reduzir os fatos da vida à carne, à matéria, apenas.

No exemplo que dei anteriormente (a morte da mãe) reduzir este acontecimento à sua legítima proporção seria acreditar que um papel até então desempenhado por um espírito encerrou-se. Isto é bem diferente de acreditar que “a mãe morreu”. É isso que é reduzir a importância: dar ao acontecimento o valor temporário que ele tem.

No entanto, mesmo para aqueles que conhecem os ensinamentos do Espírito da Verdade, a morte é tratada como se fosse o fim. Choram afirmando que nunca mais verão seus parentes e amigos, enquanto aprenderam que a existência do espírito é eterna. Quem age desta forma pode se dizer espírita?

É preciso reduzir os acontecimentos do mundo à sua real importância. O que vale um acontecimento do mundo frente à existência eterna do espírito? Nada.

Cristo já nos ensinou: Deus julga a intenção de cada um. É isso que tem valor para o mundo espiritual: a intenção com que se participa dos acontecimentos.

Se você participa com a intenção de ganhar individualmente, não importa o que esteja fazendo, mesmo que seja um ato considerado pela humanidade como caridoso, nada fez a respeito do mundo espiritual, ou a respeito da sua reforma: deixar de ser egoísta.

Participante: E como nós passamos isso para nossos filhos?

Para sabermos como passar para nossos filhos, precisamos saber antes como passamos agora.Ou seja, como você educa seu filho hoje.

“Olha como você está bonita com esta roupa nova”… “Como você está lida penteada e de banho tomado”… “Como seu quarto está lindo arrumado”.

Posso, sem medo de errar, dizer que toda a educação que você dá a seu filho é forjada em cima daquilo que você acha “certo”, não? São os seus padrões de “certo” e “errado” que criam o “elogio” (aquilo que deve ser aprendido) e a “crítica” (aquilo que não deve mais continuar sendo feito).

Isto é egoísmo e não amor. Muitos pais dizem que agem assim para “ensinar” os filhos porque os amam, mas na verdade estão agindo egoisticamente, ou seja, estão pensando em satisfazer a si mesmo, aos seus padrões, e não nos filhos.

Além de se prenderem unicamente em posturas materiais, os pais não respeitam o direito do filho, o livre arbítrio deles, pois coíbem o “querer” do próximo.

É assim que educam seus filhos: pensando em ter o prazer de ter um filho que seja cópia de vocês, mesmo que para isso eles percam a sua individualidade.

Como passar este ensinamento que estamos conversando hoje para seu filho? Abrindo mão do seu egoísmo, ou seja, abrindo mão do seu desejo de transformar o seu filho na cópia daquilo que você quer.

Ensina-se o filho a acabar com o egoísmo não sendo egoísta. Achando-o lindo de qualquer jeito, não o incentivando a estudar apenas para ser “alguém na vida” e ganhar um salário maior e ter mais posses…

Os seres humanizados, mesmo os que se dizem espíritas, incentivam seus filhos a valorizar aqueles que têm posses materiais e a possuir tudo o que puder. Na verdade, estes seres transformam aqueles que possuem um “bom nível de vida” num espelho a ser seguido e não aqueles que, mesmo não tendo, amam a todos e a tudo.

Mude tudo isso. Ensine seu filho a valorizar o “nós” e não valorizar o que os outros têm. A viver feliz não importando se o quarto esteja arrumado ou não.

Não o incite a valorizar o ato elogiando a organização dele, o não fazer barulho quando você quer silêncio, o agir de determinada forma porque você e a sociedade esperam isso dele, mas sim a perseguir uma intenção amorosa em todas as situações.

Criar o espírito e não o filho: este é o segredo.

Ensine-o a amar incondicionalmente: a tudo e a todos. Amar sem regras, sem exceções. Não o ensine a “ganhar”, a ser bem comportado, organizado, culto ou a valorizar o que é material, mas sim a ter “paz de espírito” e estar em harmonia com o mundo.

Mas, para poder ensinar tudo isso ao seu filho você precisa também estar buscando isso e, para tanto, é preciso estar buscando se libertar do seu egoísmo, do seu desejo de que seus padrões sejam atendidos. Portanto, para educar seu filho, comece mudando você mesmo.

Liberte-se você do seu egoísmo para poder educar o seu filho dentro desta forma de viver. Liberte-se dos seus padrões de “arrumado”, de “bonito”, de “certo” e “errado”, do que seu filho tem que fazer agora, senão não saberá ensinar nada.

Aliás, o fundador material do espiritismo, Allan Kardec, compreendeu bem isto. Veja o seu comentário ao estudo deste item:

Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade progrida. Os bons sentimentos são animados, estimulados e honrados mais do que em qualquer outra época. Entretanto, o egoísmo, verme roedor, continua a ser chaga social. É um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo, como se combate uma enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. Procurem-se em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, ostensiva ou ocultamente, excitam, alimentam e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. Só restará então destruí-las senão totalmente, de uma só vez, ao menos parcialmente, e o veneno pouco a pouco será eliminado. Poderá ser longa a cura, porque numerosas são as causas, mas não é impossível. Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação, não por essa que tende a fazer os homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação. É grave erro pensar-se que, para exercê-la com proveito, baste o conhecimento da Ciência. Quem acompanhar, assim o filho do rico, como o do pobre, desde o instante do nascimento e observar todas as influências perniciosas que sobre eles atuam, em conseqüência da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que os dirigem, observando igualmente com freqüência falham os meios empregados para moralizá-los, não poderá espantar-se de encontrar pelo mundo tantas esquisitices. Faça-se com o moral o que se faz com a inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, muito maior do que se julga é o número das que apenas reclama boa cultura, para produzir bons frutos.

O homem deseja ser feliz e natural é o sentimento que dá origem a esse desejo. Por isso é que trabalha incessantemente para melhorar a sua posição na Terra, que pesquisa as causas de seus males, para remediá-los. Quando compreender bem que no egoísmo reside uma dessas causas, a que gera o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, que a cada momento o magoam, a que perturba as relações sociais, provoca dissensões, aniquila a confiança, a que o obriga a se manter constantemente na defensiva contra o seu vizinho, enfim, a que do amigo faz inimigo, ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua felicidade e, podemos mesmo acrescentar, com a sua própria segurança. E quanto mais haja sofrido por efeito desse vício, mais sentirá a necessidade de combatê-lo, como se combatem a peste, os animais nocivos e todos os outros flagelos. O seu próprio interesse a isso o induzirá.

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.

Participante: Mas, o senhor ensina que os atos desta existência estão pré-escritos como vivencia de carmas. Sendo assim, se ela precisar por causa dos seus carmas de alguém que lhe cobre organização, alguém terá que ser o instrumento deste carma, certo?

Se ela precisa do carma de ser chamada à organização você, com certeza, praticará atos que espelhem uma cobrança à organização. No entanto, tal entendimento não fere o ensinamento que lhe passei agora. Isto porque eu não falo em atos, mas no interior de cada um.

O que estou ensinando aqui ao comentar o egoísmo que move cada ser humanizado é que você pode, se isso é o carma dela, cobrar exteriormente organização, mas, por dentro (sentimentalmente) não pode se sentir responsável e nem esperar ou exigir que ela se organiza.

Por dentro, no íntimo e não nos atos: aí está a diferença.

A decisão dela se organizar ou de continuar sendo desorganizada não está ao seu alcance nem ao dela. Ela será da forma que terá que ser carmaticamente falando, independente de qualquer outra atitude sua ou de qualquer um, pois este é o “papel” dela nesta vida. Como ensina Krishna, cada um age dentro da sua personalidade.

Da mesma forma, você falar, brigar, gritar, pedindo que ela se organize também terá que acontecer, pois este é o seu “papel”. Agora, quando você sofre porque ela não faz o que você quer utilizou o seu individualismo, o seu egoísmo para gerar o sofrimento.

O ensinamento que estamos debatendo hoje é interno, é um estado de espírito. Na hora que você, por atos, cobrar organização mas, ao mesmo tempo, não cobrar de você sofrer porque ela não se organizou, libertar-se-á do individualismo, deixará de ser egoísta.

O choque, que o homem experimenta, do egoísmo dos outros é o que muitas vezes o faz egoísta, por sentir a necessidade de colocar-se na defensiva.

Que ensinamento maravilhoso. Vamos lê-lo juntos, para tentar captar em toda profundidade o que Fénelon ensina.

O choque do egoísmo do outro lhe faz egoísta. Ou seja, quando o outro faz o que quer baseado nos seus padrões de “certo” e “errado”, você se torna egoísta, ou seja, utiliza os seus padrões para julgá-lo e, assim, acaba achando que ele não deveria fazer o que está fazendo.

Você se transforma em egoísta quando alguém lhe contraria porque premia os seus valores como “certos” e quer impô-los ao outro. Julga e critica porque quer defender o seu “eu” (conjunto de valores de um ego – consciência) do outro.

Para acabar com este egoísmo existe um provérbio de Salomão que diz: se Deus é por mim, quem poderá ser contra. É isso que o ser humanizado se esquece e, por isso, tenta se “defender” do outro.

A humanidade não vê Deus a seu favor. Vive com a realidade de que o outro está lhe massacrando, ferindo, atacando, mas isso é ilusão. Na verdade o outro está apenas exercendo o direito dele achar que está certo.

Mas, para que ele age assim na sua frente? Para que você se liberte do seu individualismo.

Veja, se você não se conscientizar que não existe o “certo”, mas sim o que você quer que seja feito, ou seja, o seu “certo”, não evoluirá nunca. É para que você se conscientize de que tem um “certo” que precisa ser eliminado para acabar com o egoísmo é que Deus faz os outros fazerem diferente do que você espera e quer.

Podemos, então, compreender que Deus faz o outro usar do individualismo dele na sua frente para que você tenha uma oportunidade de dizer: “meu Deus, eu sou egoísta porque quero que o outro utilize o meu ‘certo’ e não o dele”. Este é o “motor” da vida, ou o carma em ação.

Conscientize-se de que você quer cobrar mudanças no outro, exigir padrões de ação neles, mas não quer que ninguém lhe cobre, que ninguém lhe contrarie. Egoísmo, puro egoísmo.

Se Deus é por mim e está ao meu lado, o outro pode fazer o que quiser que eu não vou precisar exigir a justiça, mas entenderei o “recado” do Pai e O louvarei, pois Ele ama a todos que são diferentes de mim, sem cobrar mudanças neles.

Foi isto que Fénelon ensinou e, por isso eu disse: que lindo ensinamento.

Notando que os outros pensam em si próprios e não nele, ei-lo levado a ocupar-se consigo, mais do que com os outros. Sirva de base às instituições sociais, às relações legais de povo a povo e de homem a homem, o princípio da caridade e da fraternidade e cada um pensará menos na sua pessoa, assim veja que outros nela pensaram.

Aplique estes ensinamentos em qualquer situação que você viva, independente da suposta “importância” que conceda a eles. Assim, com certeza, ele servirá como base para a prática da caridade necessária ensinada pelos mestres.

Ou seja, que ele sirva como guia a você quando é criticado, acusado, perseguido, xingado, ofendido, atacado, para poder praticar a caridade: dar ao outro o direito de, aparentemente, agir contra você sem que para isso você precise criticá-lo.

Aliás, não foi assim que Cristo reagiu durante a sua “crucificação”: Pai, perdoa, eles não sabem o que fazem…

Deixe os outros falarem e acharem o que quiserem: esta é a verdadeira caridade. Dê ao outro o direito de ser individualista, de viver a sua individualidade e você, abrindo mão de viver a sua, vivencia a universalidade.

Nós ainda estamos na mesma pergunta: como vencer o egoísmo. No entanto, repare que os ensinamentos extraídos nesse pequeno texto não precisam de conhecimentos anteriores para ser compreendido. Portanto, se você quer se libertar do mal maior da humanidade (o egoísmo) não precisa perder tempo em estudos profundos, mas apenas ler este trecho de Fénelon e compreendê-lo em toda a sua profundidade.

Todos experimentarão a influência moralizadora do exemplo e do contacto. Em face do atual extravasamento de egoísmo, grande virtude é verdadeiramente necessária, para que alguém renuncie à sua personalidade em proveito dos outros.

É o que eu acabei de falar: abrir mão da sua personalidade em favor do outro.

Vamos criar um exemplo poder explicar melhor. Alguém lhe diz que você está fazendo a coisa “errada”, que você não sabe fazer aquilo. A sua personalidade, o seu “eu material” (ego) dirá que ele é que não sabe o que faz. O acusará , xingará e criticará.

Esta é a reação de um ser humanizado. Mas você, que quer se espiritualizar, que quer se elevar, que quer chegar mais perto de Deus precisa abrir mão de tudo isso e deixar outro achar o que quiser, sem acusações ou críticas.

Isto porque no fundo de tudo, no resumo de tudo da vida, nenhuma influência terá o que o outro acha de você ou vice-versa, pois tudo é sempre entre você e Deus. Então o que importa o que os outros acham?

O que importa para a sua existência espiritual o que o outro, exercendo o seu individualismo, os seus padrões de “certo” e “errado”, acha de você, se na hora do seu “julgamento” (avaliação do resultado de sua encarnação) o que importará é o que Deus souber? E Ele sabe o que ninguém sabe…

Ele sabe que não há nada “errado” ou “certo” acontecendo, mas que um carma foi proposto e o espírito humanizado agiu com intencionalidade egoísta ou universalista.

Lembre-se do que Cristo ensinou: com o mesmo argumento que você usar para julgar será julgado. Ou seja, se você coloca o seu individualismo para julgar os outros ao invés de deixar tudo nas mãos de Deus, o seu individualismo será “julgado”

Principalmente para os que possuem essa virtude, é que o reino dos céus se acha aberto. A esses, sobretudo, é que está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que, no dia da justiça, será posto de lado e sofrerá pelo abandono, em que se há de ver, todo aquele que em si somente houver pensado..

O que está dito neste trecho foi exatamente o que estudamos nesta resposta. Trata-se, portanto, de um resumo.

918. Por que indícios se pode reconhecer em um homem o progresso real que lhe elevará o Espírito na hierarquia espírita?

O espírito prova a sua elevação, quando todos os atos de sua vida corporal representam a prática da lei de Deus e quando antecipadamente compreende a vida espiritual.

Como se reconhece o “homem de bem”? Quando ele coloca o amor ao próximo em prática. Como se amar ao próximo? Libertando-se do seu individualismo.

Não há como mamar ao próximo e a si mesmo ao mesmo tempo… Não estou falando em amar como vocês conhecem, no sentido material que se dá a este sentimento, mas sim no amor universal, fraternal.

Este estado de espírito acontece quando o ser humanizado ama ao próximo antes de si, ou seja, quando ele respeita o direito do outro ser diferente dele. Por isto afirmei que a crítica, por mais bem intencionada que seja, não é e jamais poderá ser um ato de amor.

Veja a conclusão que chegou Allan Kardec e repare se não é isto que falei agora:

Verdadeiramente, homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade, na sua maior pureza. Se interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não transgrediu essa lei, se não fez o mal, se fez todo bem que podia, se ninguém tem motivos para dele se queixar, enfim, se fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça.

É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças.

Se Deus lhe outorgou o poder e a riqueza, considera essas coisas como um depósito, de que lhe cumpre usar para o bem. Delas não se envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também lhas pode retirar.

Se sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os com bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho.

É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa a indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.

Não é vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos benefícios, pois não ignora que, como houver perdoado, assim perdoado lhe será.

Respeita, enfim, em seus semelhantes todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como que que os mesmos direitos lhe sejam respeitados.

É isto que caracteriza um “homem de bem”: aquele que participa das ações com a intencionalidade de servir ao próximo, buscando sempre servi-los e não corrigi-los. Esta característica, no entanto, deve surgir principalmente naquele que aprende a ver as coisas do alto, ou seja, aquele que conhece e reconhece a existência espiritual.

A prática do ensinamento é o espiritualismo e não apenas o conhecimento dele.

Encerrando, posso dizer que o dia de hoje foi totalmente destinado à libertação do “eu”, das nossas verdades e dos nossos padrões.

O Espírito da Verdade nos ensinou hoje o que é elevar-se espiritualmente: dar ao próximo o direito dele ser, estar e fazer o que quiser sem que com isso possamos julgá-lo ou criticá-lo.

Aí está o segredo do Universo. Aí está o segredo da elevação espiritual.

Ninguém falou em meditação, em viagem astral, em oração ou técnicas espirituais. Falou-se em coisas reais, não em ilusões. Isto porque tudo que o ser humanizado vive racionalmente é vivenciado na ilusão, mesmo que o tema da razão seja espiritualidade.

A viagem astral é uma ilusão porque a compreensão do que se vê quando se “sai da carne” passa pelo ego. A oração também é uma ilusão porque ela passa pelo ego.

Desta forma afirmo que o único trabalho, a única coisa que você pode fazer no sentido de espiritualizar-se é vencer a si mesmo.

Vencer o seu apego ao ego que lhe transforma em egoísta. Vencer o seu apego aos seus padrões de “certo” e “errado”, de “bonito” e “feio”, de “limpo” e “sujo”, que diz o que tinha que fazer ou não.

É só nisso que se consiste a vida. Você está vivo para isso. Você nasceu para fazer isso, acordou hoje de manhã para isso, está respirando agora para isso e mais nada.

Você não tem um trabalho material nem espiritual a realizar nem família para cuidar. O que você tem para fazer é na vivência de cada um desses elementos, não importa o que estiver acontecendo, vencer você.

Você tem que vencer suas verdades, seus apegos, suas paixões, suas convicções que levam ao exercício do egoísmo. É nisso que se resume a sua vida.
FONTE: http://www.universalismo.org/

OUSAR

 

 

 

Para começarmos nossa conversa de hoje, gostaria de fazer uma pergunta: qual a responsabilidade do espírito? Qual a responsabilidade que o espírito assume ao encarnar?

A nossa responsabilidade como encarnado é a de promover a reforma íntima. Todos os espíritos que estão ligados a uma consciência material só se encontram neste estágio da sua existência espiritual porque assumiram o compromisso de buscar a elevação espiritual através da reforma íntima.

Se isto é verdade, é necessário, então, que se faça mais uma pergunta: o que é preciso para promover a reforma íntima? Do que precisa um espírito para honrar o compromisso assumido com Deus e com a espiritualidade antes da encarnação? Será que apenas o desejo de fazê-la é suficiente?

O ser humanizado pode ter muita vontade de fazer, mas nunca chegar a realizar, pois a vontade precisa se transformar em Realidade. Não basta apenas ter vontade: é preciso realização.

A partir do momento que o ser humanizado compreende a responsabilidade assumida antes da encarnação entende a necessidade da realização. Mas, só compreender não adianta, pois ele pode no primeiro obstáculo desistir.

Você pode ter vontade de reformar-se, pode desejar ardentemente elevar-se, mas se o desejo não se transformar em prática nada será conseguido. Só que para que esta prática ocorra há um elemento que é fundamental e sem ele nada se consegue em termos de elevação espiritual.

Claro, que o primeiro mandamento deixado por Cristo (amar a Deus sobre todas as coisas) é fundamental, mas o ser humanizado pode até amar ao Pai, mas na primeira adversidade estancar a prática da reforma íntima. Claro que existem muitos outros fatores tais como vontade, perseverança, afinco e outros que são importantes, mas um é fundamental.

Para que você promova a sua reforma íntima, ou seja, alcance a consciência espiritual – ter valores (verdades) na memória condizentes com a Realidade espiritual – é preciso que você ouse. A ousadia é uma característica fundamental de todos aqueles que conseguiram promover a sua reforma íntima, ou seja, conseguiram eliminar a consciência material e se fundiram com Deus.

A promoção da reforma íntima por parte de um ser encarnado, acima de tudo, é um ato de ousadia. É necessário coragem para ousar, mas é preciso ousar nesta “vida”, pois sem a ousadia não se realiza nada.

Qual o contrário de ousar? Acomodar-se. E o que é acomodar-se para um espírito que assumiu a responsabilidade de executar a sua elevação espiritual? É viver como a humanidade vive, perpetuar a sua ação dentro dos papéis planetários guiados pelas verdades da consciência terrestre.

NOTA: Papéis planetários – Diz-se das funções que o espírito vivencia durante a vida carnal: pai, mãe, filho, professor, médico, etc.

A acomodação se dá quando, mesmo de posse dos ensinamentos deixados pelos mestres, o ser humanizado continua vivendo como todo resto da humanidade, ou seja, continua balizando a sua existência dentro dos códigos de normas e comportamento impostos pela sociedade.

Isto é acomodação e com esta postura nenhum ser humanizado realiza a sua reforma íntima. De nada adianta se conhecer profundamente os ensinamentos trazidos pelos enviados de Deus, se o espírito não ousar colocá-los em prática indo contra a rotina da humanidade, jamais conseguirá realizar aquilo que se comprometeu em fazer.

Para que você realize a sua elevação espiritual é preciso que vá além das regras societárias do planeta que, afinal de contas, preservam a humanidade do ser e não visam à espiritualização deste. Por isto, é preciso ir além das regras das sociedades.

É preciso ir além dos preconceitos, das críticas e de todas as verdades pré-estabelecidas. É preciso ousar ir contra os sistemas pré-estabelecidos que há milhares de anos servem ao ser humano, ou seja, aprisionam o espírito na busca do bem material (as paixões e o prazer oriundo da satisfação dos desejos).

Sem a ousadia de buscar reformar a sua vida a partir de novos parâmetros libertando-se da escravidão da mesmice humana que ocorre há séculos, você não vai conseguir realizar aquilo que se comprometeu. Ficará preso no igual a que todo mundo faz e quem caminha igual chega no mesmo fim do outro. Portanto, ousar ser diferente é fundamental para a reforma íntima.

O que quer dizer o ensinamento de Cristo a respeito de oferecer a outra face? É ousar reagir de um modo diferente aos acontecimentos. Ousar não brigar com quem briga com você, quando a sociedade espera que “reaja à altura” a agressão sofrida.

É ousar ser taxado de bobo, de idiota por não reagir. É ousar “perder” aparentemente alguma coisa, mesmo que a sociedade lhe cobre que você deve ganhar sempre.

Sem a ousadia, ou seja, sem uma ação diferente da normalidade, do padrão pré-estabelecido e esperado pela sociedade, você não consegue realizar a sua reforma íntima.

Digo isto porque o que a sociedade espera e cobra dos seres humanos é revidar quando agredido. Quando ele não reage dentro dos padrões, é criticado, injuriado e acusado de “não saber viver”. Portanto, para poder se reagir de uma forma diferente é necessário ousar, pois a sociedade lhe cobrará a postura e você que busca a elevação espiritual não poderá se ofender com isto.

Esta não ofensa com a reação da sociedade terá que nascer da consciência de que se não ousar fazer diferente, jamais conseguirá aquilo a que se propôs, porque estará preso no mesmo caminho daqueles que não conseguem. Conscientizando-se da necessidade da ousadia, você poderá ir contra os padrões, mas sem isto, sofrerá no momento que for caluniado e nada terá realizado.

É por causa do medo de ousar, ou seja, por causa da acomodação a que se submetem os espíritos encarnados, que, quando conversamos sobre os ensinamentos deixados pelos mestres a respeito da família, por exemplo, as pessoas dizem: “ah, mas eu posso alcançar a evolução espiritual mantendo os meus vínculos familiares”. Não pode.

Todos os mestres da humanidade (Cristo, Buda, Krishna, Lao Tse), foram unânimes em questionar os padrões com que são vivenciados os laços familiares pela humanidade. Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? São todos aqueles que fazem a vontade de Deus.

Isto ocorre porque quando se fala em evolução espiritual, se fala em universalização enquanto que o padrão do vínculo familiar vivenciado no planeta é baseado na individualização: meu, minha. Ninguém quer destruir as famílias, mas é preciso que o ser humanizado aprenda a conviver neste núcleo dentro do amor universal (amar a todos) para alcançar a elevação espiritual.

Portanto, se você não ousar ir além do padrão “família” que é conhecido no planeta terra abolindo o “meu” pelo universal, não consegue elevar-se.

“Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Só pode ser meu seguidor quem pega a sua cruz e me segue. Quem se esforçar para conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perder a sua vida por minha causa vai achá-la” (Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículos 37 a 39).

Sem a ousadia nenhum espírito humanizado consegue a sua elevação espiritual porque não coloca em prática os mandamentos que Cristo deixou.

Para se cumprir o primeiro e o segundo mandamento (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo) que o mestre nazareno classificou como aquilo que efetivamente conduz à elevação espiritual é preciso ousar, pois só com ousadia o ser humanizado poderá amar sem restrições.

Amar sem restrições é não prever o que acontecerá pela sua ousadia. Um amor sem esperar nada, sem exigir nada em troca, sem querer “ganhar” por amar.

Ousar viver a vida espiritual na carne é entregar-se a uma ação diferentemente da forma como os seres humanizados se entregam, ou seja, sem querer programar resultados para esta ação. Os seres humanos não amam o próximo e a Deus, porque participam dos acontecimentos dentro dos padrões humanos, ou seja, esperando “ganhar” alguma coisa com o que estão praticando.

Quem ousa não se preocupa se vai “ganhar” ou “perder”, se vai ser considerado “bom” ou “mal”, “certo” ou “errado”, se vai alcançar o que quer ou não vai realizar os seus desejos. Ousar é atirar-se em um “vazio”, ou seja, participar da ação sem previsão de acontecimentos futuros. Isto denota a fé em Deus, ou seja, o amor a Deus sobre todas as coisas.

A ousadia necessária para se amar a Deus sobre todas as coisas está descrita com perfeição na história do alpinista que morreu quando estava escalando uma montanha de neve. Ele caiu da montanha onde estava e ficou preso por uma corda à beira de um precipício balançando-se no ar.

Já era noite e não conseguia se ver nada e por isto o alpinista não conseguia enxergar a que distância estava do platô abaixo dele. Ele ficou se segurando na corda e balançando no vazio sem saber se poderia largá-la ou não.

No desespero apelo para o Pai: “Senhor, me ajude!”. Deus ouviu e respondeu: “Largue a corda!”. No dia seguinte, o alpinista foi encontrado morto preso à corda, balançando no ar, mas a menos de um metro de um platô que poderia ter amortecido sua queda.

Ousar é largar a corda sem olhar para baixo. É atender ao apelo divino sem querer saber concretamente se há algo para lhe proteger ou lhe amparar. É atirar-se no escuro, ou seja, sem saber o que acontecerá no futuro, pela confiança irrestrita que sente por Deus.

Se você precisa saber o que vai lhe acontecerá quando largar a corda (os padrões da vida carnal) não ousou nada: atirou-se com a segurança material, confiou em si e em suas percepções, ou seja, continuou seguindo o padrão humano de agir.

A reforma íntima é um salto para o escuro, uma ação que deve ser praticada sem se ter certeza de onde irá aterrissar.

Todos aqueles que estão na busca da elevação espiritual com certeza já ouviram falar da vida espiritual, no “céu” pregado pelas diversas religiões (paraíso, cidades espirituais, tenda árabe, palácios suntuosos). Sabem que se conseguirem realizar a sua reforma íntima viverão nestes lugares.

No entanto, apesar disto nenhum espírito humanizado conhece realmente (tem a percepção material) destes lugares. Ninguém se lembra de como era a sua existência nestes lugares antes da encarnação.

Por mais que leiam os romances espirituais ou ouçam as belas palavras dos pastores e padres descrevendo o “céu”, a compreensão sobre o futuro depois do desencarne jamais será concreta. Ela estará sempre no campo do ilusório, do não lógico material.

Isto é necessário porque só se alcançam estes locais, ou seja, se consegue a elevação espiritual, com a ousadia. O espírito só gozará do banquete que Deus convida cada um se ousar ir além da lógica material.

Por mais que estude, por mais que busque entender a existência espiritual, o homem jamais conseguirá a comprovação material das coisas. Ele terá sempre que se entregar a uma idéia, a algo abstrato para realizar a sua ascensão aos “céus”. Enquanto houver a lógica e a razão material como guia, o espírito humanizado não conseguirá chegar a lugar nenhum.

Portanto, basicamente a elevação espiritual é um salto no escuro, pois você se atira a um processo (reforma íntima) para alcançar um “lugar” que não sabe qual é. Vive querendo reformar-se sem saber onde vai chegar e nem o que acontecerá contigo.

Ela não poder ser conseguida por meio lógicos e racionais (vou fazer o que os mestres ensinaram para que aconteça isto comigo) porque assim continuará preso na cordinha, esperando saber o que está embaixo ao invés de soltar a mão.

Ousar: isto é o fundamental para podermos aproveitar o portal que se abre na espiritualidade com o objetivo energizar cada um na sua religação com Deus.

NOTA: Refere-se ao portal citado na palestra “Natal”, pois esta palestra foi realizada logo depois daquela.

Para que cada um possa aproveitar melhor o portal que se abre na comemoração natalina é preciso aprender a ousar, aprender a agir além dos padrões humanos, sem medo do futuro e sem querer projetar qualquer resultado.

A ousadia em amar a Deus acima de todas as coisas não pode prever resultados por esta ação. Nem mesmo um “seja o que Deus quiser”, pois ainda assim estaríamos fazendo uma previsão de futuro. Quem ousa não quer saber o que acontecerá, mas apenas louva a Deus e entrega-se a Ele com confiança irrestrita.

Aquele que se entrega ao Pai o faz sem condição alguma, mas apenas O louva por tudo que Ele faz acontecer. Nem com a condição de que será o que Ele quiser, porque neste caso não houve ousadia, mas uma entrega se garantindo para o futuro.

Isto, portanto, é promover reforma íntima: um ato de ousadia extrema.

Um ato tão extremo que a elevação espiritual se caracteriza em ousar ser feliz quando tudo o que você tem na vida deveria, pelos padrões humanos, lhe fazer sofrer.

Por exemplo, o filho está agonizando no hospital. Esta é uma situação em que os padrões humanos ditam que a pessoa tem que sofrer. Qualquer um faz isso, não? Mas, como o Cristo ensinou: até os ateus fazem isso (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 43 a 48).

Até quem não acredita em Deus, até quem não é religioso sofre numa situação desta. Por que você, que afirma que está procurando elevar-se, ou seja, fundir-se na unidade com Deus, age igual, então?

Você que acredita em Deus e que O busca precisa ousar, ir além do que o ateu faz. Precisa manter a sua paz, a sua serenidade. Nem vou falar que deveria manter a felicidade, pois como você não compreende este estado de espírito, acharia que estou dizendo que deveria contar piadas, ficar dando gargalhadas no hospital enquanto seu filho está agonizando.

A felicidade que eu falo não se representa por gestos, mas é um estado de espírito onde prevalecem à paz e a harmonia interna: isto você que se denomina buscador de Deus deveria ousar ter, mesmo que os padrões da humanidade dissessem ao contrário.

Seria preciso para honrar o seu compromisso assumido antes da encarnação que ousasse não se desesperar, não criticar, não acusar ninguém como responsável pelo que está ocorrendo. Assim você estaria promovendo a reforma íntima.

Esta ousadia necessária à evolução espiritual (manter-se em harmonia, mesmo quando o acontecimento deveria ser vivenciado em desespero) diz também foi ensinado por Cristo.

“Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como os hipócritas, pois eles fazem assim para todos saberem que estão jejuando. Lembrem-se disto: eles já receberam toda a recompensa. Quando vocês jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E Ele, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 , versículo 16 a 18).

Não deixe ninguém ver que você está fazendo jejum, ou seja, que aquele momento não está de acordo com os seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar ser diferente da humanidade, ou seja, reagir aos acontecimentos de uma forma diferente dos padrões pré-estabelecidos pela sociedade.

Um ser humano que perde seu emprego cai em desespero porque não quer largar a corda, ou seja, não confia em Deus. Por causa desta reação padrão (desespero) acusa o governo, a sociedade, o patrão anterior de injusto por ter lhe mandado embora. Reagir assim é fácil: até o ateu faz.

Mas, você que está buscando promover a sua reforma íntima ao passar por um “jejum de emprego”, precisa ousar. O que seria ousar neste caso? Confiar nos ensinamentos que os mestres trouxeram.

“Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam nem com a roupa que precisam para vestirem. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? Vejam os passarinhos que voam por aí: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em depósitos. No entanto, o Pai que está no céu dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? Nenhum de vocês pode viver alguns anos mais por se preocupar com isso”.

“E por que vocês estão preocupados com as roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje floresce e amanhã desaparece, queimada no forno. Então, é claro que Deus vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! Portanto,, não fiquem preocupados dizendo: ‘Onde é que eu vou arranjar comida, bebida e roupas?’ Os pagãos estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar nas suas vidas o Reino de Deus e aquilo que Deus quer e ele lhes dará todas as outras coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 25 a 34).

Ouse não se desesperar por fé em Deus, por confiança e entrega absoluta no Pai que dá a cada um aquilo que ele precisa e jamais se esquece de alguém. Se neste momento foi o desemprego que ele lhe deu, é porque sabia que era o necessário para a sua caminha em direção a Ele.

Promover a reforma íntima é louvar a Deus pelo desemprego, se é isto que está ocorrendo na sua vida. É entregar-se à situação de desemprego sem viver como a maioria vive durante esta época.

Não estou falando em acomodar-se no desemprego, mas procurar emprego sem desespero, acusações, críticas ou julgamentos, aguardando em paz e harmonia o momento que Deus lhe tornar novamente empregado. Por que digo que isto é a forma de reagir de quem está buscando a elevação espiritual?

Porque quem está buscando a elevação espiritual está buscando ligar-se a Deus acima de todas as coisas para servi-Lo. Quem não vive a elevação espiritual está buscando o prazer material, o serviço ao mundo.

Como Cristo também ensinou:

“um escravo não pode servir dois donos ao mesmo tempo, pois detestará um e gostará do outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 24).

Então, se você que se diz buscador de Deus, em processo de reforma íntima para alcançar a elevação espiritual reage como aqueles que não se preocupam com isto, será que está servindo realmente ao Pai?

É, a característica principal da elevação espiritual é a ousadia, porque até aqueles que assumem a posição de guru (guia espiritual) de alguém precisa ousar. Precisa ousar chegar aqui e dizer tudo diferente do que pregam as doutrinas religiosas.

É preciso ousar chegar aqui e falar completamente diferente de tudo o que você ouviu até hoje em matéria de elevação espiritual. Sabe porquê? Porque o que você ouviu até hoje não resolveu.

Que vantagem leva os padres se eles ainda prometem orar a Deus pela sua saúde material ou pelo fim do seu desemprego? Até um pagão faz isto! “Acalme-se tudo vai dar certo. Você vai sair desta e conseguirá aquilo que quer”. Que vantagem leva os palestrantes dos centros espíritas e os gurus hindus se eles ainda prometem uma vida carnal próspera? Até os pagãos fazem isto! “Tenha fé, tudo se resolverá e você voltará a ter tudo o que quer”.

Se, como guia espiritual de vocês venho aqui e ensino que devemos a amar a Deus sobre todas as coisas, que vantagem eu teria se não lhes ensinasse a ousar viver diferente do padrão humano: a esperança de que seus sonhos e desejos se concretizem?

De nada adiantaria reuni-los para ensiná-los a amar a Deus se ainda colocasse este amor subordinado às verdades humanas, ou seja, servindo à matéria. Por isto preciso ensiná-los a ousar não depender da matéria para ser feliz.

Para fazer isso eu preciso ousar ir contra aquilo que esperam, pois o padrão humano é que os guias espirituais se colocam à disposição da satisfação do prazer humano, ou seja, dão esperanças de felicidade material em troca do amor a Deus.

Eu não falo desta felicidade, mas de outra que está além daquilo que vocês conhecem. E para alcançá-la ensino que é preciso ousar abandonar a busca do prazer como fonte de felicidade.

Até hoje o ensinamento da evolução espiritual, ou seja, o caminho para alcançar o bem celeste, é subordinado aos objetivos da humanidade, às regras e padrões planetários de felicidade. Por isto os religiosos são tão humanos quanto os pagãos.

Quando tomam conhecimento de injustiças sociais (fome, desemprego, sem teto, sem terra), por exemplo, reagem da mesma forma daqueles que não acreditam em Deus. Acusam os poderes constituídos de não cumprirem o seu papel, auxiliam e promovem manifestações de repúdio aos governantes.

Nem parece que eles leram a Bíblia e escutaram o apóstolo Paulo falando do alto de sua compreensão dos ensinamentos de Cristo recebido diretamente do mestre na estrada de Damasco.

“Que todos obedeçam às autoridades. Porque não existe nenhuma autoridade sem permissão de Deus e as que existem foram colocadas por Ele. Assim quem é contra as autoridades é contra o que Deus mandou e os que agem desse modo vão trazer a condenação para si mesmos. Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes e não os que fazem o bem. Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom e elas o elogiarão. Porque elas estão a serviço de Deus para o bem de vocês. Mas se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades de fato têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo Dele sobre os que fazem o mal. Assim, você deve obedecer às autoridades, não somente por causa do castigo de Deus, mas também por uma questão de consciência” (Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 13, versículos 1 a 25).

Fazer o “mal” é revoltar-se, julgar, criticar, acusar. Fazer o “bem” é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Quem faz o “bem” jamais sofre com o que está acontecendo, porque está ligado ao Supremo e nada afeta esta ligação. Além disto, sofrendo e acusando, você está simplesmente demonstrando na cara o jejum que está fazendo, como já vimos.

É por causa da ousadia de ensinar o amor a Deus além do prazer e satisfação gerados pela subordinação aos padrões humanos que a maioria das coisas que eu falo choca as pessoas. No entanto, isto só ocorre com aqueles que estão acomodados e não querem ousar. Aqueles que não querem fazer a reforma íntima ou que apenas fingem estarem procurando Deus imaginando que com isto possam trapacear com o Pai e conseguir satisfazer-se materialmente.

Não esqueçam aqueles que se dizem buscadores de Deus, mas que não querem ousar largar as suas cordas que Cristo ensinou: de Deus ninguém esconde as suas intenções. Que o Espírito da Verdade ensinou: “Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos? Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular” (Livro dos Espíritos – pergunta 457). Se os espíritos podem conhecer, imaginem Deus!

Portanto, quem não ousa largar sua corda, sua segurança material, no íntimo (intenção), ou seja, submete a sua evolução espiritual aos padrões materiais de felicidade, não consegue iludir a Deus. Pode conseguir iludir a ele mesmo, ao mundo, à sociedade, mas não ilude a Deus.

Este quando sair da carne acusará a Deus, à sociedade e a quem serviu como guia espiritual da sua reforma íntima de não ter ensinado a Verdade que poderia lhe salvar. Já pensaram nisto, senhores guias espirituais da humanidade?

Por isto, comecem vocês também a ousar. Ensinem o ser humano a confiar a subsistência não só ao seu trabalho ou terra, mas a ter fé em Deus que o proverá dentro de sua necessidade, ao invés de conclamar a discórdia incitando-os a rebelarem-se contra a Realidade.

No trabalho do Espiritualismo Ecumênico Universal existe uma característica importante: não dá para brincar de elevação espiritual. Quem nos ouve não pode fingir que está buscando a Deus, porque senão se rebelará contra nós.

Isto porque ousamos sempre desafiar as verdades constituídas para transmitir a Realidade universal sobre os assuntos. Quem está apenas buscando servir-se de Deus, com certeza se choca com nossa ousadia e, para manter-se dentro de seus padrões, nos abandona.

Ousamos, por exemplo, dizer que o aborto não é um assassinato, mas uma ação carmatica. Esta é uma ousadia porque fere todos os padrões estipulados até hoje pela humanidade, inclusive pelos religiosos, ou seja, aqueles que dizem que estão procurando a Deus.

No entanto, se estudamos a Lei do Carma em toda sua profundidade, compreenderemos perfeitamente a sua ação.

“258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele próprio escolhe o gênero de provas porque há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio”.

“851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado”.

“859a. Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram? Há, mas que tu viste e pressentiste quando, no estado de Espírito, fizeste a tua escolha”.

“853a. Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos? Não, não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Quando, porém soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas. Deus sabe de antemão de que gênero será a morte do homem e muitas vezes o seu Espírito também o sabe, por lhe ter sido revelado, quando escolheu tal ou qual existência.” (O grifo é nosso)

Estas citações foram retiradas de O Livro dos Espíritos..

Ninguém morre antes da hora e disto vocês têm milhares de exemplos: o feto “morre’ no momento que tem que morrer. Deus sabe de antemão o gênero da morte de um homem: Deus sabia que aquele ”homem” morreria do gênero aborto.

Isto tudo porque foi pedido pelo espírito antes da encarnação e nisto se consiste o seu livre arbítrio. Portanto, depois que o exerce, o espírito não pode esquivar-se de viver o momento que ele mesmo programou: ser abortado.

Aí está a verdadeira aplicação da Lei do Carma para o aborto e por crer no ensinamento dos mestres ousamos dizer que esta ação não é um assassinato. No entanto, aqueles que se subordinam aos padrões humanos, mesmo que sejam espíritas ainda condenam os instrumentos (mães) das ações carmaticas pedidas pelos espíritos antes da encarnação e chanceladas por Deus.

Os espíritas conhecem a Lei do Carma, mas aplicam-na para algumas coisas apenas: o que está dentro do padrão humano (verdade) de “bom”. Com isto deixam de dar a esta lei uma de suas maiores características: a universalidade.

Tudo que provêm de Deus é eterno e universal, ou seja, jamais deixou de ser Realidade e serve para todos os elementos do universo. Desta forma a lei do carma serve em todas as circunstâncias, mesmo que estas afetem o desejo humano do espírito encarnado de permanecer “vivo”.

Para se promover a reforma íntima não se pode aplicar os ensinamentos apenas para aquilo que queremos, mas ele também deve alcançar aquilo que não queríamos, que não gostaríamos que ocorresse. Agir assim é subordinar a Lei do Carma que é divina à vontade humana que é transitória e não almeja a integração com Deus.

“Sob a influência das idéias carnais, o homem na Terra só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causa os passageiros sofrimentos terrenos” (O Livro dos Espíritos – comentários de Allan Kardec estampados junto à pergunta 266).

Por conhecermos a felicidade inalterável e eterna é que continuamos ousando combater os padrões pré-estabelecidos, seja pela sociedade ou pelas religiões.

Ousamos dizer que o casamento não é indissolúvel, mas é uma ação carmatica e enquanto for preciso para a ação carmatica será mantido, mas quando isto não mais for necessário como prova para o espírito o rompimento ocorrerá naturalmente, sem que nenhum dos cônjuges possa fazer algo para salvá-lo.

Ousamos falar com os vínculos familiares. Dizemos que “seu filho” nada tem de seu, mas que é um espírito autônomo vivendo provas pedidas por ele mesmo.

Ousamos dizer que mãe não ama filho, mas possui. Pelo apego que os padrões sociais conferem àquela que vivencia o “papel” de mãe o amor universal se torna impossível. A mãe quer ser dona, quer mandar e comandar na existência do espírito autônomo.

Quer livrá-lo dos seus traumas e das suas decepções através de um ilusório comando da vida do filho transformando-a naquilo que ela gostaria que tivesse acontecido com ela. Mesmo aquelas que possuem o conhecimento religioso e sabem que todo espírito é filho de Deus, querem comandar a existência do “filho” imaginando que podem desfazer o que o Pai faz.

Veja bem, ao afirmar que uma mãe não ama o filho, mas o possui, não estamos ofendendo as mães, mas ousando acordar as pessoas para a Realidade: não existe seu filho, mas sim de Deus.

Os “filhos” são espíritos autônomos que, como já vimos viverão um destino traçado por eles antes da encarnação e que é “a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado” enquanto espíritos que são.

É preciso ousar porque somente com ousadia é que se vive à Realidade e sem vivenciá-la não se chega a Deus. Portanto, só quem ousa ir além dos padrões pré-estabelecidos de vivência alcança o Pai, ou seja, promove a sua reforma íntima e alcança a elevação espiritual.

Sem ousar, ou seja, seguindo o caminho normal da humanidade, mantendo os padrões da humanidade, mantendo a lei da humanidade, o espírito encarnado não vai a lugar nenhum, não alcança nada. Por que? Por que se o espírito encarnado mantiver os padrões humanos não chega a lugar nenhum?

Porque não vive a Realidade, a Verdade universal. Estamos embasando todos os nossos comentários com citações para provar que a visão que estamos falando coincide com aquilo que foi ensinado para lhe dizer uma coisa: estamos falando a Verdade.

Não a verdade humana, aquela que leva a realidade humana (sua ciência das coisas) como real, mas aquela que fugindo a estes padrões se escora naquilo que é incompreensível para a humanidade: a Realidade espiritual.

Conhece a Verdade, e a Verdade vos salvará. Este é o ensinamento de Cristo, mas onde encontrar a Verdade?

Se nos guiarmos pelos padrões humanos jamais poderemos chegar à Verdade, pois tudo naquilo que os homens crêem são verdades temporárias (alteram-se com o passar dos anos) e individuais (só servem para determinados povos ou raças).

Quantas verdades já foram alteradas pela sociedade desde quando você nasceu? Se isto ocorreu, elas nunca haviam sido reais e, pela lógica, as de agora também se alterarão futuramente. Só esta rápida análise nos é suficiente para perceber que a verdade humana não é eterna.

Mas e quanto à universalidade, será que as verdades do planeta são universais? Claro que não. Em um lugar as pessoas possuem algumas verdades comportamentais que não são, necessariamente seguidas pelos outros. Aliás, são sempre contestadas, pois todo mundo se acha dono da verdade.

Portanto a Verdade absoluta (eterna e universal) não se encontra na Terra, mas sim fora, no mundo de Deus, no espiritual. Quem poderia então ensiná-la? Apenas aqueles que vivessem para a eternidade universal sem aprisionamento a efemeridade dos valores materiais, ou seja, os mestres enviados por Deus.

Portanto, se apenas a Verdade trazida pelos mestres pode lhe servir como base para promover a reforma íntima, como se chega a Deus? Qual o caminho para Deus?

“Eu sou o Caminho, a Verdade, a Luz. Ninguém chega a Deus a não ser através de mim”.

Já ouviram esta frase? Quem é este eu da frase? O Cristo. E quem foi o Cristo? Aquele que ousou enfrentar o mundo, que ousou vencer o mundo.

A “vida” de Cristo foi o maior exemplo de existir materialmente em união com Deus. No entanto ela começou numa choupana e não num palácio. Aquele que viveu o maior símbolo de poder, a fé, usava sandália de pescador ou andava descalço mesmo.

Apesar de todo o seu poder dormia não em palácios suntuosos, mas no meio do campo; não se alimentava em faustos banquetes, como as regras humanas levam os atuais “professores da lei” a fazer, com as prostitutas e os cobradores de impostos. Ousou não chamar para si glória de tudo que realizava, mas sempre dizia às pessoas que foi Deus e a fé deles que os salvaram.

Apesar de conhecer e manipular todos os elementos da matéria como se constata na passagem onde anda sobre as águas, ousou se entregar, sem reação, a um exército de três ou quatro legionários armados apenas com espadas e lanças.

E ainda disse para Pedro quando este tentou defendê-lo: “Guarde a sua espada, pois quem usa a espada será morto pela espada. Por acaso você pensa que, se eu pedisse ajuda ao meu Pai, ele não me mandaria logo doze exércitos de anjos? Mas, neste caso, como poderia se cumprir o que as Escrituras Sagradas dizem que é preciso acontecer?” (Evangelho de Mateus, capítulo 26, versículos 52 a 54).

Cristo ousou reagir a tudo o que aconteceu na sua existência carnal de uma forma diferente do que qualquer ser humano reagiria. E como ele é o caminho para se chegar a Deus, podemos entender que é preciso ousar para chegar a Deus. O caminho para chegar a Deus é a ousadia de viver a vida carnal fora dos padrões pré-determinados pela humanidade.

Qual foi o resultado da ousadia de Cristo? Vencer o mundo. Portanto, a sua reforma íntima deve ser vivenciada com a ousadia de vencer os padrões, a obrigatoriedade de reagir de uma determinada forma aos acontecimentos. A elevação espiritual se alcança com a ousadia de lutar contra as verdades que o mundo lhe impõe.

Quando ousando eu falo que não pode ter família, você pensa: “ah, mas se eu não ligar para o meu filho, a vizinha vai dizer que eu não presto como mãe”. Isto é subserviência ao mundo material.

Para se viver as posturas que levam à elevação espiritual é preciso ousar estar acima da crítica, mas também acima do destino do filho. Ou seja, ousar manter-se em equilíbrio frente às pressões externas e internas para que se submeta aos padrões humanos.

Ouse ser como a mãe passarinho: “você já sabe comer sozinho, então, suma…” Liberte-se da ilusória responsabilidade que imagina ter sobre o destino do seu filho e não fique a vida inteira perseguindo-o como um obsessor.

Cristo não teve filho, mas se tivesse jamais interromperia as atividades do filho para poder saber como ele está como Maria fez, não? Deixaria ele viver a sua vida, vivenciar o seu destino, sem estar constantemente perseguindo-o para “cuidar” dele.

É preciso ousar ir além dos padrões pré-estabelecidos sem esperar saber no que sua ousadia resultará. Ousar é arriscar a tentar colocar os ensinamentos em prática, sem medo do que pode resultar desta nova forma de ação.

Nós estudamos a reforma íntima há cinco anos. Muitos já nos ouviram e tiveram contato com nossos ensinamentos. Quando isto ocorrem, elas afirmam: “velho, o que você fala tem lógica. Eu acredito. Mas como será o mundo se colocar em prática tudo isso que está sendo ensinado?”.

Eu não sei: ouse para saber. Eu não posso lhe criar uma consciência do que acontecerá com você depois que promover a reforma íntima, pois se assim o fizesse estaria quebrando o ingrediente necessário para a promoção da elevação espiritual: o salto no escuro com fé.

Se você quer se entregar, mas para isto precisa saber o final da história para analisar se será satisfatório ou não, não houve ousadia nenhuma, não houve o exercício da fé.

Ontem me disseram: “ah, mas se colocarmos tudo isto em prática, não vamos ter o que falar, não teremos mais nada que comentar”. Não sei.

Não sei se você ao conseguir a reforma íntima vai se emudecer ou se não terá mais assuntos para conversar com os outros. Ouse colocar na prática para saber se vão ficar sem assunto.

Talvez tenha assunto para conversar com os outros: não posso garantir. Mas se tiver eu garanto que ele será diferente do hoje. Isto ocorrerá porque as suas conversas surgirão como fruto da sua ousadia em não mais julgar, criticar, observar o próximo.

Enquanto não houver a ousadia de viver de uma forma diferente os assuntos terão que ser sempre os mesmos, pois você só sabe viver com o padrão que a sociedade exige que você viva: os homens conversarão sobre futebol e sexo; as mulheres conversarão sobre casa, filho e moda. Isto é ponto pacífico porque não ousando ir além do normal você só comenta o que o padrão da sociedade quer que comente.

Quando dois homens se encontram, a primeira pergunta é: “você viu o jogo de ontem?”. Ele nem sabe se o outro gosta de futebol ou não, mas como é um homem que está à sua frente sente-se obrigado a falar de “assunto de homem”.

O homem, na visão humana, não pode fugir do padrão pré-estabelecido. Se comentasse sobre roupas, criação de filhos ou limpeza de casa, mesmo que quisesse porque senão o outro poderia achar que ele era efeminado, pois é isto que diz a regra da sociedade.

“Se eu ousar falar sobre o que gosto ou quero, vão achar que eu gosto de homem, então eu prefiro não ousar”. Sofre mantendo um diálogo que não lhe interessa, mas não ousa assumir-se com medo da reprovação da humanidade.

Quantas coisas podem ser resolvidas com uma ousadia, quanto sofrimento pode deixar de existir simplesmente porque você ousa contrariar a lógica humana sem prender-se aos padrões humanos…

Quem conhece o nosso trabalho, os nossos ensinamentos sabe que ousamos sempre. Ensinamos que cada um pode acordar na hora que quer sem se preocupar com o que os outros acham disto e comer na hora em que tem fome realmente, sem se preocupar com o horário da refeição ou o que os outros vão falar de você estar almoçando as cinco horas da tarde.

Muitos dizem que pregamos o anarquismo, a bagunça. Mas se a gente não ousar ir além do certinho, adormece na cadeira porque ainda está com sono e tem problemas estomacais porque comeu antes de haver necessidade. Portanto, não é bagunça que pregamos, mas a vivência com as leis da natureza e não a subordinação aos padrões humanos que querem determinar o que é “certo” de ser feito.

Foi isso que tentei falar neste ciclo de palestras sobre a reforma intima, quando estudamos a Oração de São Francisco, a Hipocrisia, e o Natal. Ousei trazer verdades diferentes das humanas sobre assuntos extremamente conhecidos: caridade, vida santa, o nascimento de Jesus.

O que fazemos em cada palestra é ousar ir além das verdades humanas em cima de um tema, Ousar ultrapassar a visão convencional que satisfaz ao espírito humanizado.

Fazemos isto porque temos como lema ensinar o que é a vida espiritual na carne. Para tanto, temos que ir além da visão humana, pois cada um de vocês são “professores da lei” dentro da visão que passei quando do debate deste tema.

NOTA: Professor da lei – Aquele que sabe o que é “certo” (a sua lei) e quer impô-las aos outros.

Vocês estão acomodados nos padrões materiais e por isto constroem apenas uma realidade em cima dela. No entanto, a Realidade é sempre diferente daquilo que o ser humanizado acredita.

Vou dar um exemplo: uma moça é casada com um rapaz que é acomodado, desligado e preguiçoso e ela é certinha, perfeita, tudo no lugar, tudo na hora certa. Eles moram em uma casa que está situada num terreno muito grande.

Este terreno é totalmente plantado com grama, a qual não é cortada pelo rapaz. Ela, ligada aos padrões humanos (a grama precisa ser aparada) brigava constantemente com ele para cortar, ou seja, para que a sua lei fosse cumprida.

Claro que esta moça não estava vivendo este casamento com aquele determinado homem à toa. Existia ali uma ação carmatica, ou seja, cada espírito escolheu viver com o outro como prova para sua encarnação.

Assistindo às nossas palestras ela foi compreendendo a ação carmatica, ou seja, que ela pediu para viver com o marido do jeito que ele era para desenvolver o amor universal. Compreendeu que brigar não adiantava, pois isto não o levaria a cortar a grama e que somente amá-lo do jeito que ele era poderia auxiliá-la na evolução espiritual.

Por isto parou de brigar, mas não ousou se libertar dos padrões pré-estabelecidos que ela tinha. Imaginou que não brigando, ou seja, amando-o incondicionalmente Deus ia emanar para que ele cortasse a grama. No entanto, como já vimos Deus não se subordina aos padrões humanos e por isto ele continuou não a aparando.

Então ela veio conversar comigo e afirmou que o ensinamento não dava “certo”, pois havia parado de brigar e o marido continuava não cortando. Eu lhe perguntei, então: “qual o problema de grama estar alta?”.

Ela respondeu: “Mas quem pode viver com grama daquele tamanho?”. Eu lhe respondi: “você, ou você está morta? Você não está vivendo com a grama daquele tamanho?”.

Ela respondeu: “estou vivendo”. “Então”, eu disse, “é assim que se vive: da forma que você está vivendo. Antes você vivia com brigas hoje em paz. Estas são as duas formas que pode se viver com a grama alta. Escolha a que você prefere”.

Veja, ela não deixou de sofrer porque parou de brigar, mas continuou se sentido mal do mesmo jeito que antes. Ou seja, ela não ousou em momento algum ao buscar colocar em prática o ensinamento: seja feliz com o mundo do jeito que ele está.

Apesar de conhecer o ensinamento e entendê-lo ela não ousou ir contra o mundo, pensar em aprender a viver com a grama grande, mas colocou-o em prática visando satisfazer à sua materialidade: a satisfação de ver o seu desejo atendido. Ela pôs em prática o ensinamento não objetivando a elevação espiritual, mas achando que com isso resolveria o problema dela: a grama seria cortada.

Se não ousar, não se alcança a elevação espiritual porque a promoção da reforma íntima não é garantia de realização de desejos. “Eu vou promover a reforma íntima, e a partir daí só vai acontecer coisa boa para mim”.

Quem se entrega na busca espiritual com este pensamento não promove nada, pois se elevar é estar acima do “bom” e do “ruim” ditados pelos padrões humanos. É preciso ousar permanecer equânime em todos os momentos: naquele que se gosta e nos que não se gosta do que está acontecendo.

Quem não ousa ir contra o mundo não se eleva. Não ousar ter paciência com quem lhe tira paciência, não ousar buscar a cura sem procurar o médico, não ousar dar amor para quem lhe agrediu, não ousar perdoar aquele que para você é culpado, não leva nenhum espírito a elevar-se.

Falamos na palestra anterior que o natal não é época de árvores enfeitadas, de troca de presentes, de bebedeiras, mas será que você conseguirá ousar no próximo natal e não fazer nada disto? Será que conseguirá ir além da e da fartura de comida e se lembrar do nascimento do Cristo?

Só se você ousar ir além da humanidade, porque ela lhe cobrará que você vivencie o próximo natal dentro dos padrões humanos, principalmente a sua família. “Você só vai ficar rezando, e não vai me dar presentes?”. “Você não vai colocar uma árvore de natal na sua casa? Nós estamos no Natal!”.

Buscar a reforma íntima é, principalmente, ousar não seguir os padrões da Terra, mas ligar-se ao mundo maior, à Realidade: Deus e o mundo espiritual. Mas para isto é preciso ousar ser alvo de críticas e de ser apontado como diferente pelo resto da humanidade sem perder a sua paz e harmonia.

Acho que o que começou como “brincadeirinha” de reforma íntima para você, a partir de agora está se tornando mais sério, não?

Com certeza a sua busca pela reforma íntima já se iniciou há muito tempo atrás quando começou a freqüentar uma igreja, um centro espírita ou de Umbanda ou indo a um templo do evangélico. No entanto, com certeza até agora este trabalho foi realizado pelo prazer de ouvir o que o padre ou o que o pastor falavam, pelo prazer de trabalhar mediunicamente ajudando os outros, pelo prazer de dar uma cesta básica ou uma refeição ao necessitado.

Agora, depois de ler estas linhas, com certeza ela transformou-se em muito mais que isto. Transformou-se em algo muito mais sério: uma batalha contra você mesmo.

Mas a evolução espiritual sempre foi isto, mesmo que você não a visse desta forma. Elevar-se sempre foi vencer a si mesmo (suas vontades e desejos) para entregar-se completamente em Deus.

Agora, tudo que ensinei como elevação espiritual não é a realização da reforma íntima, mas simplesmente caminho. Isto porque a realização espiritual do ser encarnado é o amar a Deus acima de todas as coisas, inclusive destes ensinamentos.

É preciso isso amar a Deus acima do prazer de dar o prato de comida, amar a Deus acima da vontade de ir ao centro. Ousar ir além de tudo o que conhece, sem manter padrão algum, pois enquanto houver um padrão, há uma escravidão. Uma escravidão que você nem vê, porque acha que está fazendo porque quer.

A liberdade daquele que realiza a elevação espiritual tem que ser total. Preste atenção nesta frase: “o pobrema é que ele tem menas qualidade”. Achou algum erro nela?

Se achou, desculpe, mas não entendeu nada do que falei até aqui: liberdade total. Você imagina que está apenas criticando um erro de português, mas, na verdade, está sendo escravo da gramática.

Nem adianta dizer que você gosta do português bem escrito, porque não está fazendo porque você gosta. Este seu “gosta” só surgiu porque você é escravo da gramática. Se não fosse, não veria erro, porque isto não existe.

A elevação espiritual é o fim da escravidão a todos os padrões do mundo. É não ter gramática, não ter combinação de cores, não ter obrigação de ter isso, aquilo ou aquilo outro.

Como o apóstolo Paulo nos ensina: Cristo veio nos trazer a verdadeira liberdade. No entanto, só tendo a ousadia que o mestre teve poderá se libertar da escravidão aos padrões do mundo.

Você se lembra dos escravos que existiam nesse planeta? Quando chegavam a uma certa idade eles eram libertados? Não. Eles eram escravos até a morte.

No entanto, alguns conseguiam libertar-se antes da morte. Quem eram estes? Os que ousavam ir contra a escravidão, mesmo com o risco da própria vida, ou seja, da sua própria satisfação.

O ser humanizado é um “escravo do mundo” em que vive e, por isso, precisa ousar ir contra os sistemas estabelecidos, mesmo que isso lhe custe a própria vida (aquilo que desejava materialmente para si).

É melhor você arrancar o seu olho que pode pecar, jogá-lo fora e entrar no reino dos céus sem o olho do que ir para o inferno com o corpo inteiro. Estas foram palavras de Cristo e, portanto, caminho que leva a Deus.

Daí pode se entender que, é melhor você sair da carne, se preciso for, amanhã e ir para o céu do que não ousar e permanecer no inferno, ou seja, esta vida que você vive, por muito mais tempo.

Sei que vocês vieram aqui hoje para uma “confraternização de Natal” mas, será que vocês esperavam que eu fosse cantar “Jingle Bell”, que fosse contar sobre a estrela que brilhou no céu em Belém…

Não posso. Sabe porquê? Porque aquele que quer auxiliar o próximo precisa urgentemente deixar de ser conivente com a humanidade do outro.

Até agora eu estava falando com vocês como espíritos no processo de provação para elevação espiritual. Agora vou falar com a maioria de vocês que está aqui presente e que tem um trabalho espiritual a realizar, que está buscando auxiliar alguém.

É preciso deixar de ser conivente com os outros. Sabe o que é deixar de ser conivente com os outros? É só dar um prato de comida para quem tem fome: isto é ser conivente com a humanidade.

“Mas, velho, estou matando a fome de quem precisa. Isto não é ajudar o próximo?”. Ta certo, você está matando a fome de quem precisa, e imagina que é só isso que precisa ser feito.

Então, vamos chamar Cristo de volta à nossa presença e dizer que ele cumpriu de forma “errada” a missão dele. Dizer para ele que precisa voltar para a Terra e abrir um restaurante para dar comida de graça para os outros: aí estaria servindo-os, não é mesmo?

Não se esqueça que antes de tudo Cristo ensinou: “as Escrituras Sagradas afirmam que o ser humano não vive só de pão, mas vive de tudo o que Deus diz”. Portanto, há algo mais a se levar do que simplesmente o alimento material: a palavra de Deus.

O espírito, encarnado ou não, vive da palavra de Deus, mas você, que sabe que acha mais do que o próprio mestre, só dá o prato de comida. A palavra de Deus você não leva.

Aí está a sua conivência que eu falei anteriormente. Você dá a comida para sustentar a humanidade do ser e, por isto, se torna conivente com ela, porque o faz acreditar que o homem vive só do pão. Para se servir a Deus é preciso mais do que levar o pão, mas também a Palavra.

“Meu filho, Deus dá a cada um segundo as suas obras. O que você está passando é resultado de uma obra anterior sua. Pare de mostrar que você é um sofredor, um pobre coitado. Lave essa cara. Viva feliz, mesmo não tendo o que comer”.

Esta é palavra de Deus: o amor ao Pai acima da própria pobreza. Se quiser, pode dar o prato de comida, mas nunca deixe de dar também a Palavra, o ensinamento de que, não importa aquilo porque passeamos, será sempre Deus nos dando a justa medida que precisamos e merecemos.

É isso que estou dizendo para aqueles que estão trabalhando no sentindo de auxiliar o próximo na sua caminhada. É preciso ousar ir além do prato de comida e levar também a Palavra de Deus.

Darei um outro exemplo que é muito comum entre os trabalhadores da seara bendita. Vamos falar dos trabalhos mediúnicos de desobsessão que são realizados nas casas espíritas.

Antes me deixe fazer uma pergunta: Você acredita que um obsessor pode influenciar na vida do outro, ou seja, pode “atrapalhar” a vida do próximo sem que para isto tenha motivos? Pode “prejudicar” um encarnado apenas porque “não gosta” dele?

Achando que sim você acredita que ele é mais forte que Deus. Veja bem, Deus deu o livre-arbítrio a todos os espíritos, mas o obsessor mata este livre-arbítrio sobrepujando a sua vontade à do obsediado conduzindo a vida dele sem que este queira.

Claro que o obsessor não pode fazer o que ele quer livremente. Ele precisa se subordinar às leis universais para que uma “injustiça” não seja cometida, ou seja, só será alvo de uma obsessão aquele que estiver no mesmo padrão vibratório do obsessor.

Sendo assim, o espírito obsessor não está ali porque quer, mas porque o outro aceitou a obsessão, ou seja, uniu-se a ele pela mesma intenção. Por isto o Espírito da Verdade nos ensinou:

“515 – Que se há de pensar dessas pessoas que se ligam a certos indivíduos para levá-los à perdição, ou para guiá-los pelo bom caminho? Efetivamente, certas pessoas exercem sobre outras uma espécie de fascinação que parece irresistível. Quando isso se dá no sentido do mal, são maus Espíritos, de que outros Espíritos também maus se servem para subjugá-las. Deus permite que tal coisa ocorra para vos experimentar” (O Livro dos Espíritos) (o grifo é nosso).

Deste ensinamento podemos entender claramente a realidade: não existe obsessão, mas união de dois espíritos afins. Ela, porém, só ocorre quando Deus permite que tal coisa aconteça e com a finalidade de experimentar os envolvidos.

Portanto, não existe obsessão como a humanidade acredita: um espírito “mal” fazendo coisas “ruins” com um outro, pobrezinho que é “vítima” da situação. Os dois são “culpados” e precisam estar juntos para poderem aprender a amar a Deus sobre todas as coisas.

Agora, o que ocorre hoje nos centros espíritas? O encarnado é levado para uma sala. Lá o obsessor é convidado a permanecer para ouvir um “sermão” enquanto que a “vítima” vai embora sem nada ouvir.

O que acontece? O obsessor pode até ser salvo, mas o encarnado não alterará o seu padrão vibratório. Aí se livra deste obsessor, mas logo Deus coloca outro, pois este ainda não aprendeu a se universalizar. Por isto Cristo ensinou:

“Quando um espírito mau sai de alguém, anda por lugares sem água, procurando onde descansar. Se não encontra nenhum lugar, ele diz:’vou voltar para a minha casa, de onde sai.’ Então, volta e encontra a casa vazia, limpa e arrumada. Depois sai e vai buscar outros sete espíritos piores ainda e todos vão morar ali. E assim a situação daquela pessoa fica pior do que antes” (Evangelho de Mateus, capítulo 12, versículo 43 a 46).

Esta desobsessão como hoje praticada, que protege o ser humano partindo do pressuposto de que ele é vítima, só serve para o desencarnado, mas não auxilia o ser humano. É preciso que o encarnado compreenda os motivos pelo qual a obsessão se iniciou para poder se desarrumar a casa para que ela não sirva mais de abrigo para os obsessores.

Mas, para isto é preciso ousar. É preciso ira além da normalidade (o espírito fora da carne é mal e o ser humano vítima deste). Ao invés de só “brigar” com o obsessor é necessário que o doutrinador do centro espírita também converse com o encarnado: “ouça o que este espírito está dizendo de você, porque é isto o que o está prendendo. O culpado dos seus problemas não é o obsessor, mas você que merece ter esse obsessor, porque você é do jeito que ele está falando”.

Isto é não ser conivente com a humanidade do espírito encarnado. Sabe qual o resultado da conivência que os religiosos têm hoje com a humanidade do espírito? Sete vezes mais obsessões.

Sem levar a Palavra ao encarnado, os que se imaginam trabalhadores de Deus estão proliferando o merecimento humano de haver a obsessão. Hoje retiram um obsessor, da próxima vez terão que trabalhar para libertar mais sete.

Por que isto ocorre? Porque foram coniventes com a humanidade do ser, ou seja, não disseram para o obsediado que o “culpado” da obsessão não era o obsessor, mas ele mesmo.

É preciso ousar. Os centros espíritas deviam mostrar ao obsediado que o obsessor está ali por causa dele. O obsessor não é “mal” nem está “errado”: ele está aqui por o obsediado lhe deu motivos para tanto.

Na verdade, nem um nem o outro está fazendo “obsessão” entre si. O que ocorre, na realidade são duas auto-obsessões: os dois se obsediam e acham que um está obsediando o outro.

A obsessão é uma das engrenagens do carma. O obsessor está ali para ver se aprende o que acontece quando se prende apenas no que ele gosta e o obsediado está com o obsessor para ver se ele aprende que a evolução espiritual só depende dele.

É como num casamento. Existe obsessão maior para um espírito do que os vínculos familiares como hoje é praticado no planeta? Casamento, filho, sogra, tudo é obsessão, porque são relações baseadas em obrigações impostas. Qualquer casamento onde os cônjuges tenham obrigações a cumprir (satisfazer a vontade do outro) é obsessão.

“Eu bebo porque o obsessor me faz beber”: isto é ilusão. Na verdade, este ser humano tem um obsessor que participa desta ação com ele porque a sua vontade é beber.

“Meu guia mandou eu fazer uma ‘macumba’, pois preciso dar uma cerveja para a entidade para receber o que quero”. Isso também é obsessão, porque “macumba” (oferecimento de coisas materiais a espíritos desencarnados) não resolve vida de ninguém.

Se você não tiver o merecimento para receber aquilo que deseja, pode fazer quantos “despachos” quiser na “encruzilhada” que não resolverá a sua vida. O que vai resolver a sua vida é a reforma íntima e não a “macumba”.

“Vou acabar com aquele outro, vou costurar seu nome na boca do sapo”. De nada adianta isso, porque Deus dá a cada um segundo as suas obras e não porque você não gosta dele.

“551. Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo? Não; Deus não o permitiria” (O Livro dos Espíritos).

Ninguém pode se libertar de uma determinada pessoa se isto não estiver previsto para a sua encarnação. Todos são instrumentos para a ação carmatica do próximo e por isto, se alguém lhe incomoda, o que é pode lhe afastar daquela relação é aprender a amar a Deus e a todos, ou seja, promover a reforma íntima.

Portanto, a única coisa que pode resolver para você, ou seja, que pode lhe levar a viver uma vida com paz, felicidade e harmonia é a elevação espiritual que é alcançada com a reforma íntima.

Por que abordei este ponto hoje? Porque a promessa de um “futuro feliz” sem o trabalho da modificação interna de cada um é um ato de conivência que muitos que se dizem missionários do Senhor praticam.

E sabe porque as Igrejas, os templos e os centros são coniventes? Porque procuram fiéis, seguidores, “casa cheia”. Eles precisam agradar o lado humano dos espíritos.

Se você for a um centro porque sente que está obsediado e lá eles lhe disserem que você precisa mudar-se, que você precisa reformar-se ao invés de simplesmente prometerem o céu sem esforço algum, lá você não volta mais. Diz que aquele centro não presta, porque é “muito fraquinho” e vai buscar outro.

Ninguém quer ousar ver a sua própria culpa. Ninguém quer ousar chamar para si a responsabilidade sobre a sua vida. Apesar disto, aqueles que se colocam à disposição de Deus como lamparinas devem ousar levar a palavra de Deus, ao invés de simplesmente tentarem satisfazer os desejos humanos dos espíritos encarnados.

Para aqueles que trabalham em centros espíritas, o trabalho de desobsessão deve abranger a responsabilidade do encarnado neste processo; para os que lidam com a umbanda, o fim das promessas de bem estar material gratuitos (“faça isto que eu lhe dou aquilo”), deve ser abolido.

Afinal, não existe ninguém superior a Deus e Ele dá a cada um segundo a sua obra. É Ele que dá ao espírito tudo o que precisa, mas para a execução de suas provas e não para a prosperidade material.

“533. Podem os Espíritos fazer que obtenham riquezas os que lhes pedem que assim aconteça? Algumas vezes, como prova. Quase sempre, porém, recusam, como se recusa à criança a satisfação de um pedido inconsiderado”.

“532. Têm os Espíritos o poder de afastar de certas pessoas os males e de favorecê-los com a prosperidade? De todo não; porquanto há males que estão nos decretos da Previdência. Amenizam-vos, porém, as dores, dando-vos paciência e resignação. Ficai igualmente sabendo que de vós depende muitas vezes poupar-vos aos males, ou, quando menos, atenuá-los. A inteligência, Deus vo-la outorgou para que dela vos sirvais e é principalmente por meio da vossa inteligência que os Espíritos vos auxiliam, sugerindo-vos idéias propícias ao vosso bem. Mas, não assistem senão os que sabem assistir-se a si mesmo. Esse é o sentido destas palavras: buscai e achareis; batei e se vos abrirá. Sabei ainda que nem sempre é um mal o que vos parece sê-lo. Freqüentemente, do que considerais um mal sairá um bem muito maior. Quase nunca compreendeis isso, porque só atentais no momento presente ou na vossa própria pessoa” (Citações retiradas de O Livro dos Espíritos).

Aí está a palavra de Deus que deve ser levada àqueles que batem às portas das casas de oração à procura da satisfação de seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar agradar a Deus e não aos seres humanos.

Sabe por que? Porque a responsabilidade sobre a vida é somente do espírito encarnado e de mais ninguém. Nenhuma outra pessoa é responsável pelo que acontece na vida de um espírito encarnado. Só ele mesmo.

Quando o trabalhador de Deus joga a culpa em qualquer outro pela situação que o fiel está passando, está sendo conivente a com a sua materialidade e, por isto, não está servindo a Deus. é preciso realmente ousar em tudo.

Estamos chegando ao fim de nossa conversa, mas antes eu gostaria ainda de tocar em mais um assunto. Apesar de muitos conhecerem os ensinamentos aqui citados, por que eles ainda continuam escravos dos padrões mundanos?

Por exemplo: por que você acha que tem que pagar a quem deve? Porque sente responsabilidade com a vida material, com a comunidade em que vive.

Só que quando você assume as responsabilidades com a vida material esquece um só detalhe: a responsabilidade que assumiu com Deus antes da encarnação.

Antes de encarnar você diz: “Senhor eu quero esta chance porque me acho capaz de buscar a elevação espiritual”. Aí, troca esta responsabilidade pela responsabilidade material. Submete a sua existência às responsabilidades materiais, mas se esquece do compromisso assumido anteriormente com Deus.

“Ah, eu tenho que pagar minhas dívidas”. Quem disse? Contrair dívida é uma ação carmatica para você e para quem está devendo. Quem passa por um processo de falência é porque escolheu, antes da encarnação, este gênero de prova para promover a sua reforma íntima e elevar-se.

Para que ele pudesse viver a sua prova é preciso um agente carmatico, ou seja, alguém que construa uma realidade que espelhe o gênero da prova escolhida. Portanto, ninguém deve a este homem, mas se transforma em instrumento de Deus para elevar àquele espírito a prova que ele mesmo solicitou.

Agora não esqueça: se isto é verdade é para os dois. Se alguém lhe deve o mesmo pensamento deve ser aplicado. Neste momento você deve ousar não cobrá-lo e viver o ensinamento dos mestres.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘olho por olho, dente por dente’. Eu, porém lhes digo: Não se vinguem dos que lhe fazem mal. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se processarem você para tomar a sua túnica, deixe que levem também a capa. Se um dos soldados estrangeiros forçá-los a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros. Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê; e empreste a que, lhe pedir emprestado” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 38 a 42).

Este é o motivo pelo qual você tem que ousar: para honrar o compromisso firmado com Deus antes da encarnação e que você simplesmente joga na lata de lixo em troca do seu compromisso com a sociedade onde vive.

“Ah eu não posso falar o que você falou sobre o natal porque senão meu filho vai brigar comigo”. Você deixa de honrar o seu compromisso com Deus para honrar o com o seu filho e acha isto muito certo porque imagina que precisa disto para assegurar a felicidade dele. .

Sei que você se sente obrigado a dar um presente para o seu filho no natal porque todos os seus amiguinhos receberão e ele se sentirá diferente dos demais. Mas honrar este compromisso com a sociedade sai muito caro para existência espiritual do seu filho.

Agindo assim você criará nele o hábito dele receber presentes para ser feliz, ou seja, o ensinará a condicionar a felicidade. Esquece-se, apenas, que quando um espírito condiciona a sua felicidade ao recebimento de algo rompe com Deus e desonra o seu compromisso espiritual: alcançar o amor incondicional, a felicidade incondicional.

Quem se sente obrigado a dar o presente ao filho não o está ajudando na elevação espiritual porque está criando nele a obrigação de um dia dar presente para o filho ao invés de aproveitar o portal do natal.

Agindo dentro desta cascata a humanidade permanece a mesma, o mundo continua o mesmo: Deus continuará preso no céu esquecido da humanidade. Será o que é hoje: uma coisa que você só se preocupa depois de morrer.

Só que depois da morte, não dá mais para alcançar a elevação espiritual e o compromisso assumido antes da encarnação foi desonrado.

Alem disto, Cristo já disse não se serve dois senhores ao mesmo tempo. Não adianta você contemporizar (“vou ficar bem com meu filho e com Deus ao mesmo tempo”): isto é impossível; ou você agrada a um ou agrada o outro.

Se eu pudesse pedir a Deus um presente para vocês neste natal, seria que Ele ajudasse cada um a ousar nesta vida, porque sem isto não se chega a Deus. Sem isto ficamos presos na mesma coisa a vida inteira, fingindo que está tudo bem.

Só que quando sai desta vida não dá mais para fingir. E aí eu lembro das palavras de Sariputta, um monge que servia ao Buda.

“Amigos, se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais inábeis tivesse uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero, sem febre – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar um boa destinação, então o Abençoado não ia advogar o abandono de qualidades mentais inábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais inábeis tem uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado e febril – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma destinação ruim, é por isso que o Abençoado advoga o abandono de qualidades mentais inábeis”.

“Se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais hábeis tivesse uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado, febril – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar uma destinação ruim, então o Abençoado não iria advogar permanecer com qualidades mentais hábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais hábeis tem uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero e sem febre – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma boa destinação, é por isso que o Abençoado advoga permanecer com qualidades mentais hábeis” (Sutta Devadha – SN XXII.2).

Ao falarmos o que estamos comentando neste ciclo de palestras não queremos simplesmente ser diferente ou mostrar o quanto somos “grandes (no sentido de culto) espiritualmente falando, mas, pela experiência, temos certeza de quem ousar e vencer o próprio mundo conseguirá uma vida plena de felicidade e alegria e além disto terá uma boa colocação quando sair da carne.

Sabemos, ainda, que quem não ousar, ou seja, não colocar estes ensinamentos em prática, não tem uma “vida” plena de felicidade, mas presa a vicissitudes (à momentos de prazer e de dor) e quando sai da “vida” não tem uma existência numa boa colocação.

Outro dia me disseram que eu estava certo ao alertar para a necessidade de transformar a vida num trabalho exclusivo de reforma íntima. A pessoa foi mais além: por isto Deus criou a reencarnação, ou seja, como uma oportunidade de elevação espiritual.

O problema é que os espíritos encarnados acreditam que a elevação acontecerá apenas com o reencarnar, como se o simples fato de vir à carne fosse o suficiente para se elevarem. Isto é mentira.

O espírito só se eleva quando de posse da consciência material (encarnação), mas se nela realizar a reforma íntima. Não basta apenas encarnar: é preciso conquistar a mudança interior.

Aqueles que conhecem o processo de elevação espiritual, mas estão presos àquela idéia, não fazem nada durante a vida, não ousam nada contra os padrões humanos. Acreditam que simplesmente por mágica (nascer e morrer) se elevarão. Por isto estão encarnadoshá pelo menos sete mil anos e nada conseguem.

Deixe-me falar uma coisa. Os espíritas acreditam que foi o Espírito da Verdade que ensinou a reencarnação, mas ela é conhecida no oriente desde a antiguidade. Os chineses e os japoneses, principalmente, vivem dentro desta realidade a milênios com uma crença fervorosa na reencarnação.

No entanto, eles também caíram na ociosidade. Pela certeza que tinham de nova existência carnal, trocavam a vida por qualquer compromisso material. Veja o exemplo do haraquiri e dos kamikazes na segunda guerra mundial.

O que aconteceu? Deus deu a um o comunismo e ao outro duas bombas atômicas para que pudessem acordar e dar valor à vida material. Não pela materialidade em si, mas como uma oportunidade de elevação espiritual.

Se persistirem na ociosidade, o que será que Deus terá que dar aos espíritas para que eles aproveitem esta encarnação ao invés de trocar a oportunidade de elevação pelas responsabilidades materiais alegando a existência de novas oportunidades?

É preciso ousar reformar-se: não basta apenas reencarnar.

Foi pela ousadia que todos os mestres demonstraram a elevação espiritual. Estudem a vida de todos aqueles que alcançaram a “santidade”, o “despertar”. Eles ousaram ir além da vida carnal, além das responsabilidades materiais para servirem a Deus, amando-O acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Para aqueles que ousarem rebelarem contra o sistema, contra os padrões no mundo, uma nova época está por vir.

“Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar sumiu. E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e pronta, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo. Ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia:”

“Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais mortes, nem tristeza, nem choro nem dor. As coisas velhas já passaram”.

“Aquele que estava sentado no trono disse: agora faço nova todas as coisas!”.

“E também disse: escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança”.

“E continuou: tudo está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da vida. Quem conseguir a vitória receberá isto de mim: eu serei o seu Deus e ele será o meu filho. Mas os covardes, os traidores, os viciados, os assassinos, os imorais, os que praticam a feitiçaria, os que adoram ídolos e todos os mentirosos, o lugar deles é o lago de fogo e enxofre, que é a segunda morte”

Estes textos foram retirados do livro Apocalipse, capítulo 21, versículo 01 a 08.

A Nova Jerusalém ou a vida no Mundo de Regeneração só será vivida por aqueles que ousarem ir além dos padrões humanos e trouxerem o trono de Deus para as suas vidas. Afinal, Paulo já nos ensinou: “o ser humano é inimigo de Deus”.

É por isto que o Espiritualismo Ecumênico Universal em sua “Carta à Humanidade – Proclamação da Conversão” declarou:

“O inimigo, aquele contra quem nós devemos “guerrear”, ficou definido através dos ensinamentos: o próprio “ser humano”. Agora é a hora do exército de Nossa Senhora partir para a conversão dos “seres humanos”, transformando-os em espíritos.

Com esta conversão será alcançada a terceira profecia passada por Nossa Senhora em Fátima: O FIM DA RAÇA HUMANA. O novo tempo será marcado pelo fim da raça dominadora do planeta (ser humano) e marcará o início da raça ESPÍRITO NA CARNE, subserviente a Deus.

Para a “guerra” da conversão os soldados podem contar com toda ajuda da espiritualidade, que por ordens divinas trará acontecimentos que questionarão o “poder” imaginário que os seres humanos acham que têm sobre as coisas e seres do planeta, materiais ou espirituais.

Que todos os combatentes espelhem-se na vida de Jesus na carne para viver a sua, pois Ele foi o único espírito a colocar o AMOR em ação”.

Somente a ousadia de libertar-se de sua humanidade pode conduzir o espírito a viver o novo mundo que surgirá no planeta. Ou como Cristo ensinou:

“felizes os que lavam as suas roupas para terem o direito de comer a fruta da árvore da vida e para poderem entrar pelos portões da cidade. Mas, fora da cidade estão os viciados e os feiticeiros, os imorais e os assassinos, os que adoram ídolos e os mentirosos em palavras e atos” (Apocalipse, capítulo 22, versículos 14 e 15.

Com as graças de Deus.
FONTE:http://www.universalismo.org/

VISÃO ESPIRITUAL DO ABORTO

 

 

 

Vamos falar sobre o aborto. Entretanto, antes de começarmos a falar sobre qualquer tema é preciso buscar na materialidade qual a compreensão sobre ele, ou seja, determinar a verdade humana que precisa ser destruída.

Digo isto, porque o nosso propósito não é de construção de novas verdades, mas de destruição das antigas. Somente eliminando-se todas as verdades materiais com que o ser humano vive hoje poderemos atingir à Verdade Universal, ou seja, a espiritual.

O aborto para a humanidade é considerado como a interrupção de uma vida. Fazer um aborto é, portanto, entendido como matar um ser humano em formação.

Mas, o que será “vida”? Precisamos conceituar humanamente falando este termo porque não podemos falar em interrupção da vida sem antes entendê-la.

A “vida carnal” não existe como a humanidade imagina: algo que acontece por si só no momento que está acontecendo. A “vida carnal” para um espírito não existe como concebida pelos seres humanos.

O espírito não vive dentro da concepção humana (pratica animações), mas vivencia situações programadas pro ele mesmo antes da encarnação. A animação que o espírito “vive” não é a prática de atos, mas o vivenciar de situações pré-concebidas.

Você agora está lendo este texto? Não, está vivenciando uma ação que escreveu antes de nascer. Para o ser humano há a ilusão que está agindo no mundo carnal neste momento, mas a Realidade [1] é que a situação está acontecendo e o espírito está vivenciando-a como se estivesse assistindo a um filme.

Portanto, você, o espírito, não está vivendo isto agora, mas sim vivenciando, ou seja, passando por algo pré-determinado com a ilusão que está agindo no sentido de visualizar letras e obter compreensões.

Esta visão sobre os acontecimentos da vida é importante ao analisarmos qualquer assunto relacionado à vida carnal. Na hora que a humanidade compreender isto, poderá viver a Realidade ao invés de se prender à ilusão (maya). Quanto mais num tema que se relaciona com vida e morte.

Sem que o ser humano entenda que ele é apenas uma criação ilusória que existirá apenas enquanto o espírito estiver em prova, o tema “morte” será super valorizado no sentido humano e não no espiritual. Sem a perfeita compreensão da Realidade da vida, jamais o ser humano compreenderá que está escrito em “O Livro dos Espíritos”:

“853a – Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos? “Não; não perecerás e tens disso milhares de exemplos”.

Nenhum ser humano pode “morrer” antes da hora porque nenhum espírito pode deixar de vivenciar tudo aquilo que se comprometeu a realizar como prova durante a sua encarnação. O desencarne, ou seja, a ilusão da vivência chamada vida carnal acabará apenas no momento exato que o espírito escreveu para vivenciá-lo antes da encarnação.

Compreendido este aspecto da Realidade, posso, então, afirmar: a compreensão da humanidade a respeito do aborto está completamente falida. Isto porque não pode haver interrupção da vida antes do momento preciso que ela tenha que ocorrer.

Este é o primeiro aspecto que precisamos levar em consideração ao analisar espiritualmente o aborto.

Aplicando-se esta visão ao tema, veremos que se o ser humano vive um, dois ou três meses e aí acontece o “fim da vida” (aborto), é porque ele só tinha aquilo para viver, pois, o espírito só pré-determinou aquilo para vivenciar.

O aborto, portanto, não poder ser considerado como uma interrupção de vida, mas sim como o fim da existência do ser humano criado pelo espírito no momento exato em que este pré determinou para tanto. Se ninguém morre antes da hora, ninguém é abortado antes da hora.

A partir desta nova compreensão sobre o tema “aborto”, temos que analisar não mais como uma pessoa é capaz de interromper uma vida, mas compreender porque determinados espíritos escrevem para os seres humanos cujas vidas vivenciarão somente aqueles pedacinhos de existências.

Toda “vida” de um ser humano é escrita a partir dos carmas do espírito. A existência carnal é escrita conscientemente pelo espírito a partir dos seus carmas: reações a ações anteriores.

Então, o aborto não é um “ato físico” que leva ao “fim de uma vida”, mas é para os envolvidos (feto, familiares, corpo médico e todos que tomarem ciência), um momento carmático, ou seja, um acontecimento que espelhará a justa reação do que foi feito anteriormente pelo espírito.

Nenhum dos seres humanos envolvidos no episódio do aborto age espontaneamente, mas participa de uma ação desenhada pelos espíritos à que está ligado servindo como instrumento para a provação destes. Portanto, ninguém é culpado ou vítima no aborto, mas é carmáticamente eleito para participar dele como instrumento de provas do espírito. Todos são apenas personagens daquela história.

Este conhecimento é fundamental para o homem parar de julgar se o que está acontecendo é “certo” ou “errado”. Continuaremos falando sobre o assunto “carma” e compreenderemos seus diversos aspectos, mas desde já podemos definir que não há “certo” nem “errado”, “culpado” ou “vítima” num ato de aborto, mas uma ação carmática acontecendo.

Definido que o aborto é uma ação carmática, visão precisamos descobrir o que é “carma” para melhor compreensão do tema.

Hoje no planeta, o carma é considerado como uma punição, uma pena que se contrai ao praticar determinado ato. Se mantivermos esta visão, poderemos dizer que os espíritos ligados aos participantes da ação do aborto adquiriram tal condição porque antes “matou” alguém e, então, agora merece passar por isso.

O carma, como compreendido pelo mundo espiritual, não é uma penalidade, não é uma pena que Deus impõe ao espírito, mas “a justa medida do que ele fez anteriormente”. O carma é, antes de tudo, a Justiça de Deus em ação, dando a cada um segundo as suas obras e não o fruto de um juiz que acusa e penaliza. Nesta linha de pensamento, o carma não precisa ser só pena, mas pode também ser “glória”.

A partir da compreensão da Realidade do carma, podemos entender que a ação carmática ser abortado ou de abortar podem ocorrer por dois motivos: pena ou glória. Vou chamar glória de positivo e pena de negativo na continuação da análise, mas, por favor, não liguem estes dois termos a “certo” e “errado”, “bom” ou “mal” ou “bonito” e “feio”, pois não me refiro aos conceitos humanos que estas palavras têm.

Vamos primeiro compreender o carma “positivo” do espírito que pode gerar para o ser humano a participação num acontecimento onde ocorra um aborto. Para isto citaremos exemplos, mas desde já fica avisado: no mundo espiritual dois mais dois dificilmente dá quatro. Todos os exemplos que vou citar são apenas para ilustrar o ensinamento e não regra fixa.

Vamos começar o nosso estudo com o seguinte exemplo: um ser humano mulher que esteja ligado a um espírito que numa outra vida tenha vivenciado um aborto.

Determinada reação do espírito à vivência de ter sido abortado em uma outra encarnação pode gerar para si um carma onde precise que o ser humano que ele cria agora seja abortado. Por isto, a história que ele agora escreverá para este ser humano conterá este acontecimento.

É importante que se ressalte: o episódio do aborto de agora nada tem a ver com o ser humano, mas sim com o espírito que escreve a história dele. Ela refletirá os carmas do espírito, da sua vida eterna.

Para que esta história sirva de prova para o espírito precisará ser escrita com elementos que estejam dentro da visão lógica que o ser humano tem do mundo. Apenas quando os acontecimentos fogem do que é chamado de sobrenatural o espírito pode exercer a sua fé (confiança e entrega a Deus), realizando com êxito sua provação.

Portanto, para que o carma do espírito (ser abortado) seja vivenciado, precisará haver um corpo feminino onde um óvulo se encontre com o espermatozóide e comece a formação de um novo feto, ao qual ele se unirá, e que este feto seja arrancado de lá. O espírito que vivenciará o ser humano que fará o papel de mãe pode merecer esta vivência negativamente (pena) ou positivamente (por amor).

Ou seja, a “mãe” que aborta pode fazê-lo por ter um carma negativo (o espírito ter vivenciado situação igual de forma não amorosa em outra vida), mas também pode servir de instrumento para esta ação carmática por amor.

Sei que vocês podem estar achando estranho falar em abortar por amor, mas não estou falando de amor humano e sim espiritual. O espírito que vivencia a mãe que pratica o aborto neste exemplo sabe que o outro precisa passar por este processo e auxiliá-o na sua elevação espiritual.

É difícil de compreender, mas veja bem, se você tem uma coisa muito importante para ser feita, uma coisa que precisa fazer, mas que dependa da ajuda de alguém para que seja realizada, pedirá a um amigo ou a um inimigo para ajudá-lo? Claro que vai pedir ajuda ao amigo.

Da mesma forma, o espírito que precisa passar pelo aborto pode chegar a um outro que lhe seja simpático, afim, amigo e pedir: “por favor, assuma esta missão de abortar o meu ser humano para dar-me esta oportunidade de elevação espiritual”. Isto já aconteceu e continua ocorre no universo.

Portanto, neste exemplo, o espírito será abortado porque mereceu passar por isto e mãe que cumprirá o destino do personagem que ele vivencia poderá fazê-lo porque mereceu negativamente (o espírito já reagiu sem amor a fato semelhante em outra encarnação) ser a aborteira, ou pode, ainda, fazê-lo por amor.

Pergunta: E as mães que fazem mais de um aborto, que fazem três ou quatro?

Às vezes são grandes espíritos em missão. “Olha, vamos fazer o seguinte, eu vou com missão de aborteira, juntem todos os que precisam ser abortados que eu vou ajudando-os”. Quantidade não tem problema, é preciso entender a técnica e não julgar as pessoas.

O que estamos falando funciona para um, dez, cinqüenta abortos. A partir do momento que você entende o processo não importa quantas vezes o ser humano aborte, porque será sempre o mesmo processo.

Pergunta: Como diferenciar quando o carma é negativo ou positivo?

É fácil saber isto, muito fácil, mas apenas Deus sabe esta resposta. Só Deus sabe e conhece a Realidade, a Verdade.

Portanto, se você não pode descobrir se está havendo um carma negativo ou positivo louve a Deus em todas as situações porque Ele sabe e não critique ninguém jamais.

Deixa eu lhe dizer uma coisa: você não veio aqui para compreender o mundo, mas para vivenciá-lo louvando a Deus. Deixa que ele entenda o mundo.

Pergunta: Então o carma não tem nunca efeito positivo, nem que seja a longo prazo?

Não foi isto que eu disse. Falei sobre o merecimento na participação dos acontecimentos do mundo sem citar se o ato era “bom” ou “mal”.

O carma, independente do ato que ele gere, é sempre positivo porque se trata de uma oportunidade de elevação concedida por Deus. Não é o ato que dirá se o carma foi resgatado ou não, mas a forma como espírito o vivencia.

O carma é um ato de amor de Deus. Agora, se você pode vivenciá-lo positivamente, com amor (sem sofrer, sem ferir, sem acusar), ou ainda com ranger de dentes (sofrimento).

No primeiro exemplo a ação carmática, seja ela qual for, gerou um determinado efeito enquanto que com o sofrimento se gera um outro efeito diferente.

Pergunta: Então, necessariamente, o aborto é errado?

Você sabe o que é o “certo” e o “errado”, o “bom” e o “mal”, o “bonito” e “feio”? São resultados de julgamentos de ações dos outros seres humanos executados por espíritos que comeram a maçã enquanto estavam no Jardim do Éden.

Em Gênesis, capítulo 3 você encontra o texto que pode lhe levar a entender o que é processo de comer a maçã. A cobra diz assim: Deus não quer que você coma a fruta porque Ele sabe que na hora que comer seus olhos se abrirão e você será como Deus, distinguindo o “bem” e o “mal”.

A partir daí, podemos afirmar que não existe o “certo” e “errado”, mas sim o espírito que quer ser Deus, quer ter a capacidade de reconhecer nos atos dos outros se eles estão “certos” ou “errados”.

Isto é julgamento e Cristo nos ensinou que apenas Deus pode fazê-lo, pois conhece a intenção de cada um ao agir, ou seja, a ação carmática que está por trás de cada ato.

Voltemos à nossa conversa de hoje. No primeiro exemplo vimos o espírito que precisava passar pelo aborto como carma negativo, ou seja, aquele que construiu como prova para si a situação onde precisava e merecia ser abortado. Dentro deste exemplo vimos a motivação (carma) positiva e negativa de outro espírito ao criar a história do ser humano que vivenciaria (pai, mãe, família).

No entanto, não é só por carma individual que um espírito gera uma história onde o ser humano será abortado. Existem espíritos que, por amor a outro, aceitam vivenciar o ato de ser abortado. Neste caso, a ação não mais é carmática, mas missionária.

Assim como o espírito que precisa ser abortado busca um amigo para realizar o aborto, outros que merecem e precisam criar personagens que necessariamente terão que praticar o aborto buscam espíritos afins para que eles gerem um ser humano que viva só aquele pedaço de vida (vida uterina). Só assim estes espíritos poderão praticar o aborto como carma, como oportunidade de elevação.

Neste caso, o espírito que escreve a história do ser humano que será abortado não estará realizando prova alguma, mas simplesmente colaborando com o amigo para sua elevação. Agindo assim, verifica-se que este espírito está cumprindo uma missão de auxílio ao seu irmão espiritual.

Então, existem espíritos que por amor, por carma positivo, aceitam escrever personagens humanos que serão abortados. No entanto, eles não cumprem sua missão só junto ao espírito que mereça e precise como carma negativo, mas também há casos onde feto e mãe passam por esta situação por amor.

São duas situações diferentes. Na primeira hipótese (feto criado por missão e mãe por carma) a abrangência da missão é individual, mas no segundo (feto e mãe criados como missionários), a missão diz respeito a toda uma coletividade que terá conhecimento do fato (aborto).

Os espíritos ligados à mãe e ao filho aceitam participar daquela vivência para que o resto da família e da sociedade ao qual pertencem tivessem seu carma. Fazem isto para dar uma oportunidade aos demais espíritos encarnados de vivenciarem uma determinada situação com amor ou não.

Se a coletividade que tem informação do ato vivê-la com amor ao próximo se eximirá de acusar a mãe, mas se não reagirá com julgamentos: “meu Deus, ela fez isso? Não podia. Ela não presta”. Todos os espíritos que souberam do caso, portanto, tiveram uma prova para o seu amor universal.

Agora compliquei ainda mais nosso estudo. Antes estávamos apenas lidando com elementos diretamente ligados à situação de aborto, mas agora expandimos o carma para todos aqueles que, mesmo por meios indiretos (notícias pessoais, de jornais, rádio ou televisão), tiveram conhecimento do fato.

Começamos nosso estudo procurando a culpabilidade daqueles que praticam o ato e chegamos agora à consciência de que se existe um “culpado” nesta história toda é aquele que julga as ações praticadas pelos outros.

Precisamos eliminar todo e qualquer resquício de julgamento. Para aquele moço que ainda queria saber se a atitude do ser humano era fruto de um espírito vivenciando carmas positivos ou negativos, abri mais uma opção (os dois como missionários). Esta, no entanto, também não deve servir para criar novas verdades, mas sim como instrumentos para eliminar completamente a possibilidade de “compreender” o que está acontecendo.

Como já disse eu não estou aqui para criar verdades novas, mas para destruir todas as verdades para que você fique vazio, sem nada na consciência. Todo nosso ensinamento de servir para você não saber o que está acontecendo, mas para auxiliá-lo a declarar que é incapaz de saber em qualquer movimento, em qualquer atitude o que está acontecendo.

A única conclusão que se deve tirar de qualquer ato é o “nada sei”. Ou seja, todo nosso ensinamento deve servir para você dizer para si mesmo: “eu não sei se quem foi abortado ou quem estava abortando se tinha carma positivo ou negativo. Então, louvado seja Deus que fez acontecer para os espíritos o que eles precisavam e mereciam”.

Isto é a Realidade sobre um ato de aborto: emanação de Deus, amor de Deus em ação dando ao seu filho de acordo com a sua obra uma nova oportunidade de elevação espiritual.

Qualquer outra conclusão que leve a um culpado e a uma vítima é fruto daqueles que querem defender a vida material. Esquecem-se no entanto, que são espíritos e não seres humanos e que existe uma Realidade muito maior sendo vivenciada do que simplesmente a existência carnal.

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Pergunta: Então no mundo não tem nada errado, nada está fora do lugar?

Olha, no dia que houver alguma coisa “errada” no mundo é preciso “aposentar” Deus.

Deixa eu lhe fazer uma pergunta: você já ouviu falar de bomba atômica? Como ela funciona? Todo seu poderio está concentrado em um único átomo que para de girar dentro da sua órbita e com isso se choca com os outros criando uma reação em cadeia que levará a explosão, que destruirá tudo ao seu redor.

Se no universo acontecesse de um átomo sair do seu lugar, quebrar o equilíbrio existente, tudo explodiria. Da mesma forma, se um espírito fizesse uma coisa errada acabaria com o universo.

O universo teria que acabar porque Deus não cumpriu o seu papel perfeitamente. Um Pai que é Supremo, Onipresente, Onipotente, Onisciente e Causa Primária de todas as coisas terá sempre que manter a Justiça Perfeita, ou seja, dar a cada um o seu justo merecimento.

Se um ser humano pudesse agir livremente certamente causaria ferimentos a outro, pois a característica individualista dos seres e a sua diversidade (não existem dois seres que querem a mesma coisa), o levaria sempre a “fazer o que quer”. Neste caso, Deus perderia todo o seu significado, pois não pode preservar aquele que recebeu o erro de passar por uma injustiça.

Impossível, no universo não há certo nem errado, mas Deus agindo amorosamente, justamente, perfeitamente, e você interpretando se a ação de Deus está certa ou não. Ou seja, você julgando Deus.

É deste julgamento que surgem as noções de “certo” e “errado” e não do que está acontecendo.

Pergunta: Está fora de nossa capacidade de compreensão a lei divina?

Completamente. Vocês não conhecem a compreensão das leis materiais, não compreendem as próprias leis da matéria, que dirá as leis divinas.

A lei divina é Suprema, está acima da sua compreensão. Por isto ame a Deus e saiba que o Pai lhe ama e este amor acontece a cada segundo.

Entenda bem isto: é da sua declaração de incapacidade de descobrir o que está acontecendo que pode surgir a sua capacidade de entender o universo: Deus em ação.

Enquanto você atribuir valores a alguma coisa estará querendo ser o próprio Deus: querendo saber o que está acontecendo. Desta forma jamais poderá entender os acontecimentos como Deus em ação.

Pergunta: E o ego, como funciona nesta história do aborto no fluxo da vida. E se a mãe ficar amedrontada na hora e não fizer o aborto? Tem esta opção para mãe e para o abortado?

Terá esta opção para mãe e para o abortado se estiver escrita esta opção e se ela for realidade. Ou seja, se acontecer o aborto é porque tinha que acontecer, se não é porque não estava previsto.

Ninguém pode alterar o que está escrito. Se acontecer estava previsto que isto ocorreria, mas se não é também porque já estava previsto.

Já o ego funciona de diversas formas dependendo do personagem que está envolvido na situação do aborto. À mãe dá razões lógicas que lhe levem a imaginar que está praticando a ação como fruto de seu livre arbítrio. Ao feto incita-o a rebelar-se contra mãe que supostamente está lhe “matando”. A você, espectador desta história, fica lhe dizendo que o aborto é errado, que deve condenar quem praticou tal ato, que tem que criticá-lo.

Aquele que se prende a esta verdade que o ego dá passa pela situação em “sofrimento” (discordância com a Realidade). Subordina-se a ele e, por isto, julga e acusa a Deus para satisfazer o ego.

Pergunta: Então, onde está o livre arbítrio?

Pergunta: E o livre arbítrio da mãe não poderia influenciar esta situação?

Sobre a questão do livre arbítrio vamos falar rapidamente, pois ele já foi debatido profundamente através de todos os nosso ensinamentos. Aliás, a compreensão perfeita deste tema é a base para o entendimento de todos os nossos ensinamentos.

Em “O Livro dos Espíritos” está perguntado: o espírito sabe antes do seu nascimento o que vai acontecer? O espírito da verdade responde: sim, ele mesmo pede suas provas e nisso se consiste o seu livre arbítrio [2].

No mesmo livro, mais à frente a compreensão sobre o tema fica ainda mais fácil:

“851 – Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir”.

Resumindo estas duas informações podemos dizer que o espírito ligado a um ser humano tem dois livres arbítrios: um para o ato e outro para o sentimento com o qual vivencia o ato.

O livre arbítrio do ato é exercido antes da encarnação quando o espírito pede as suas provas, escreve a história que o personagem que irá ligar-se vai viver. Depois de que encarna (liga-se ao personagem de tal forma que passa a ter a consciência de que é ele) é impossível alterar tudo o que foi previsto para aquela vida.

A questão do porque o espírito não pode alterar a existência pré-programada do ser humano também está em “O Livro dos Espíritos”: “O desejo que então alimenta pode influir na escolha que venha a fazer, dependendo da intenção que o anime. Dá-se, porém, que como Espírito livre, quase sempre vê as coisas de modo diferente” [3].

Quando o espírito vivencia a consciência de que é o ser humano seu objetivo é outro. Antes ele era movido pela intenção de elevar-se espiritualmente (adquirir bens celestes), mas depois passa a desejar a “riqueza material” (satisfação, prazer).

Portanto, o livre arbítrio do ato é exercido antes da “vida”, antes da encarnação. No entanto, durante a vivencia dos acontecimentos carnais o espírito tem o livre arbítrio do sentimento (“Falo das provas físicas, pois pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir”).

O “bem” e o “mal” aqui não está voltado para o ato em si, mas utilizado no seu sentido espiritual. O espírito que vive o “bem” é aquele que ama a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e aquele que opta pelo “mal” é aquele que ama a si mesmo acima de tudo.

O primeiro é aquele que não cedeu a tentação da cobra e por isto não exerce o ilusório poder de julgar os acontecimentos do mundo, deixando para Deus tal atribuição. Já o segundo é aquele que cai na tentação (aceita a maçã) e que, por isto, acredita possuir os “olhos abertos”, ou seja, a capacidade de reconhecer aquilo que apenas Deus conhece [4].

Respondendo, então, à sua pergunta, o espírito possui livre arbítrio. Aliás, mais do você imagina, pois não há apenas um, mas dois livres arbítrios.

No entanto, eles não são usados simultaneamente. Um é utilizado antes da encarnação para preparar a “vida”, a história do ser humano, e o outro é usado durante a encarnação para realizar a prova que ele preparou antes da encarnação.

Isto ocorre desta forma, porque a escolha do sentimento é a prova que o espírito realiza durante a vigência da existência do ser humano criado por ele. Enquanto os acontecimentos do ser humano ocorrem o espírito está lutando para provar a Deus que é capaz de amá-lo acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Ele tem a opção de amar ou não amar concedia pelo Pai, mas nisto não resulta que ele pode alterar a situação que está ocorrendo na carne. Se pudesse estaria suprimindo provas que ele mesmo escreveu.

Voltando ao nosso tema e aplicando este conhecimento, a mãe que escreveu antes da encarnação que ela queria fazer um aborto como prova de amor a Deus e ao próximo vai ter que fazer de qualquer jeito.

Como tinha falado antes da série de perguntas (página 26), qualquer outra conclusão que se chegue sobre o assunto diferente desta que estamos chegando, é obra daquele que quer preservar a vida material por ela mesmo.

Deixe-me relembrá-los de duas coisas importantes: vocês são espíritos e a grande glória para este é “morrer” (encerrar a encarnação). Quando tem a sua consciência atada à realidade de um ser humano o espírito se sente mal, pois esta não é a Realidade do ser universal.

Isto que vocês vivenciam como realidade é um arremedo, uma caricatura do mundo espiritual. Para aqueles que compreendem a sublimidade da eternidade e universalidade, o mundo carnal é algo jocoso.

A grande realidade do espírito é a existência eterna naquilo que você conhecem como mundo espiritual, ou seja, com a consciência espiritual que o leva a vivenciar a Realidade. Quando está prisioneiro da matéria (ligado conscientemente à vida carnal), o espírito está inconsciente do seu lado espiritual.

Então, esta busca da preservação da vida como fundamento básico da própria existência partindo de um espírito é uma ignorância, um ato de quem não conhece a Realidade. Um ato tresloucado de alguém que quer preservar uma ilusão apenas porque ela lhe satisfaz.

Eu não estou falando mal da vida carnal, pois ela é um instrumento precioso para o espírito. Nem estou dizendo que você deve meter um tiro na cabeça. O que digo é para você não valorizar a vida material até o ponto de achar que sem ela você sofreria ou estaria “morto” (tudo acabaria).

Aqueles que vivenciam culpados no aborto ou no assassinato, defendendo o “direito à vida”, estão defendendo na verdade a prisão do espírito à ilusão do mundo material (não ser morto), ao invés de desejar para ele a liberdade da vida espiritual.

Não estou fazendo “apologia do crime” (deve se matar), mas se foi isto que o destino (pré-programação do espírito que se une ao ser humano) criou não há acusações para serem feitas a ninguém. Deixe cada um vivenciar o seu destino sem acusações ou sofrimento. [5]

É pelo apego à vida material onde existe o prazer (que não existe no mundo espiritual) que os espíritos querem julgar e criticar aqueles que servem de instrumento para a libertação do seu irmão desta “porcaria” chamada mundo material.

Pergunta: Então, posso escolher o sentimento, mas se foi escrito o caminho, tanto amando a Deu como ao ego, a fatalidade acontecerá igual?

Sim, o acontecimento acontecerá igual ao que estava escrito antes, não importa como você reaja.

Pergunta: Quando aprendemos a dizer sempre sim a Deus, então saímos do ciclo de reencarnação?

Quando aprendemos a amar a Deus e não quando aprendemos a dizer apenas “sim” a Ele. Para sair do ciclo de encarnações é preciso louvá-Lo pelo que está acontecendo.

De nada adianta se dizer “sim” como vaquinha de presépio (concordando sem compreensão) e nem “sim” lógico, com compreensão material. O “sim” que devemos dizer a Deus deve ser fruto de um amor profundo pelo Pai.

Portanto, quando você aprende amar a Deus sobre todas as coisas sai do ciclo de encarnações para provas e aí iniciará um novo, só que desta vez para regeneração. É o fim do Sansara [6].

Agora, não fugindo do tema para outros assuntos, em todas as outras situações onde se interrompa uma “vida” (assassinato, eutanásia) deve ser usado o mesmo raciocínio para se compreender a Realidade. Qualquer situação onde aconteça uma interrupção de vida será sempre esta a Realidade: carma de quem faz, de quem recebe e de quem tem notícia.

Não importa se o instrumento da interrupção da “vida”’ é uma facada, um tiro, um acidente de automóvel ou um crime hediondo: todos os acontecimentos serão sempre ações carmáticas de todos os espíritos envolvidos na ação direta ou indiretamente.

Aliás, na hora que vocês entenderem que não há “vida” sendo criada no momento em que os fatos estão ocorrendo, como disse no início desta conversa, mas apenas as vivências de ações carmáticas pedidas pelo próprio espírito antes da encarnação, poderão compreender a “vida”.

Pergunta: Mas o carma não tem a ver obrigatoriamente com aceitar as coisas. Então, revoltar-se e buscar reverter os acontecimentos e triunfar lutando não será também carma?

Vivenciar uma reversão das coisas, se isto estiver previsto, sim, é carma. Agora, revoltar-se nunca é carma: é uma forma de reação do espírito a uma ação carmática que lhe proporcionará determinado carma.

Deixa eu lhe falar uma coisa. Cristo reuniu todos os ensinamentos de Deus em duas coisas: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ele não falou que você deve revoltar-se a alguma coisa para chegar ao reino do céu.

Vivenciar carmas dentro da busca espiritual é compreender que Deus está lhe proporcionando uma oportunidade de elevação, uma oportunidade de amar e de ser amado.

Nós aprendemos hoje duas lições importantíssimas [7]. A primeira é que a felicidade, a elevação espiritual é um estado de espírito e não uma soma de conhecimentos.

A elevação espiritual é um estado de espírito que ocorre quando o espírito vivencia as situações da “vida” seguindo os parâmetros das “Bem-aventuranças” ensinadas pelo Cristo. Só pode se considerar elevado aquele que se declara espiritualmente pobre, quando só tem amor para tudo que acontece.

É preciso amar a tudo o que acontece na “vida”, independente deste acontecimento lhe trazer prazer ou dor. A elevação espiritual só acontece quando o espírito não se revolta com nada, quando não critica nada, quando não vê injustiça nenhuma.

Aliás, nós estudamos hoje:

“Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e contentes, porque está guarda para vocês uma grande recompensa no céu. Pois, foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”. [8]

Quem segue a Cristo ama a Deus incondicionalmente. Quando se ama a Deus, ama-se o mundo, a “vida”. Quando o espírito ama o próximo ama a si mesmo. Esta compreensão é fundamental para a elevação espiritual. Só o amor é resposta a tudo porque a critica, o julgamento a acusação não é resposta a nada.

E o segundo grande ensinamento de hoje é que qualquer acontecimento deste mundo nada mais é do que uma oportunidade que Deus está lhe dando para colocar em prática este amor. Nada existe pela própria história. Ninguém mata ou queima outro, porque espírito não pode morrer nem se queimar.

Na Realidade está acontecendo uma simulação material para que todos os envolvidos direta ou indiretamente tenham uma oportunidade para provar o seu amor a si, ao próximo e a Deus.

Eu estou aqui me lembrando de um ensinamento de Cristo que é bem adequado a esta nossa conversa. O mestre nos ensinou a “Parábola dos Talentos”.

Trata-se de um ensinamento onde um mestre que vai viajar deixa sob responsabilidade de três empregados algumas moedas daquele tempo que eram chamadas de talento. Dois colocam estes talentos para render juros, ou seja, gastam os talentos e o outro esconde aquilo que estava sob sua guarda.

Nesta parábola o talento é o amor. Quando os espíritos assumem a consciência humana Deus lhes dá uma certa quantidade de amor e diz: “meu filho, vá lá e gaste este amor amando ao próximo, a Mim e a si mesmo, universalmente”.

Ele age desta forma porque sabe que quando o espírito ama transforma-se num amplificador deste amor, um multiplicador do amor divino sobre a face da terra. No entanto, quando o espírito se revolta (não usa o amor universal) multiplica a revolta sobre a face da Terra.

No entanto, a maioria dos espíritos que recebem o amor antes de assumir a consciência humana, durante a “vida” guardam este amor escondido dentro de si mesmo para poder devolvê-lo intacto a Deus.

Mas não é isto que Deus quer. O que Ele quer é que gastemos este amor amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo porque só assim auxiliaremos ao Pai multiplicando o amor divino pelo universo.

Na hora que entendermos esta sistematicamente de vida e o mecanismo pelo qual a “vida gira”, ou seja, o carma em ação, nós não temos mais como julgar, criticar ou acusar ninguém. Só então, podemos provocar a nossa “morte” (abandonar a consciência material e assumir a espiritual) para alcançar o renascimento em vida.

Sobre este mecanismo da vida eu costumo dizer o seguinte: o universo, a vida humana ou a universal é como uma máquina onde cada espírito (encarnado ou desencarnado) é uma engrenagem.

Para que a máquina produza o seu resultado perfeitamente as engrenagens precisam ser colocadas em determinados lugares. Assim, rodando juntas fazem a máquina funcionar perfeitamente e produzem um produto final perfeito.

O que determina a interação destas engrenagens é a “lei do carma”, ou seja, a justa medida daquilo que você plantou anteriormente. Dentro do ensinamento budista isto é conhecido como “interdependência”, ou seja, a dependência de todos os envolvidos em vivenciar determinada situação.

É esta lei que dispõe dos espíritos e que faz funcionar a máquina (universo). A lei do carma é o motor que coloca as engrenagens no seu devido lugar e gera o movimento delas.

Se esta máquina que tem o motor (carma) e as engrenagens (espíritos), precisa de um operador. Este é Deus.

Deus é quem opera a máquina programando o motor para fazer a junção das engrenagens e criar a movimentação que cada uma precisa executar para se alcançar o resultado final esperado.

Sabe qual o resultado final, o produto que esta máquina produz? É o amor, o amor divino que equilibra o universo.

Isto é a “vida”; isto é o universo. Na hora que você colocar isto em prática consegue atingir a felicidade incondicional porque sabe que estará rodando junto com aquela outra engrenagem para produzir amor e aí poderá deixar de criar revolta, desconfiança ou acusação.

Você saberá que não é por acaso que se encontrou com aquela outra engrenagem (pessoa) naquele momento e que aquela ação ocorreu não por decisão de cada um dos envolvidos. Poderá, então compreender que foi o Operador Supremo (Deus) que fez a junção de todos e também fez o acontecimento acontecer daquela forma.

Casamento, nascimento, morte, estudo, moradia, tudo isto nada mais é do que encaixes de engrenagens. Gostar, não gostar, ser feliz ou não aí é você (espírito) reagindo à rotação das engrenagens. Esta reação servirá a Deus para direcioná-lo à próxima engrenagem que você vai girar.

Deus jamais deixará duas engrenagens juntas apenas para satisfazê-las. Ele sempre posiciona cada uma delas de tal forma que produzam amor no final. Mesmo que para você este amor reflita-se em um assassinato, um aborto ou um tapa na cara.

O resultado do processo de funcionamento da máquina é o amor. Você é que diz que foi outra coisa.

Pergunta: Os yogues, aqueles que se libertam da vida carnal por ela mesma, também praticam uma forma de suicídio?

Sim, a sua ação é considerada um suicídio material para que aconteça o nascimento espiritual.

Cristo disse bem claro: em verdade, em verdade lhes digo, quem não nascer de novo não verá o reino do céu. No entanto, para que você nasça de novo é preciso morrer primeiro.

Sim, você precisa se suicidar. Mas, o suicídio material que estou falando não é acabar com a “vida”, mas colocar o amor a Deus e ao próximo na prática. Aliás, a “vida” é sempre um suicídio. Quando você não se mata materialmente como falamos, comete o suicídio espiritual, ou seja, coloca suas vontades, seus desejos e suas verdades na prática.
FONTE: http://www.universalismo.org/

UMA VOZ DESCONHECIDA QUE CLAMA NO DESERTO: JOÃO BATISTA

 


 

Ele é um personagem enigmático do Novo Testamento. Sua importância nas Sacras Escrituras o tornam como um dos ícones cujo legado deixou uma marca indelével na História do Cristianismo. João Batista é uma figura tão importante que os quatro Evangelhos começam com sua trajetória, o que não o torna um ícone suplementar.

Entretanto, os Evangelhos contam poucos detalhes de sua vida, mas contam o nascimento de João, com feitos fantásticos

Sabe-se que seu nascimento foi de forma miraculosa, pois seu pai e sua mãe eram de idade avançada. Que Isabel (sua mãe) era da descendência de Aarão (irmão mais velho de Moisés) e teve uma gestação de alto risco, o que poderia se dizer para uma mulher idosa que engravidasse em nossos dias. Que nasceu 6 (seis) meses antes de Jesus. Que Zacarias, seu pai, era descendente da tribo ou do povo de Abias. Ambos eram justos e caminhavam nos preceitos de Deus. Tendo Zacarias duvidado das palavras do Anjo que lhe anunciou o nascimento de um filho varão, ainda no Santo dos Santos do Templo, saiu dele mudo, causando muito espanto a todos, e mudo ficou até o dia do nascimento. Uma fogueira foi acesa como forma de comemoração e alegria no dia da chegada de João Batista ao mundo. Foi educado no sacerdócio por seu pai – Zacarias. Ele cresceu firme em Espírito e esteve no deserto até sentir-se capacitado para fazer sermões, e assim iniciar sua missão na vida e mostrar ao povo a que veio.

Muito estranham o fato de João Batista ser citado por diversas fontes como o Pregador do Deserto, de alimentar-se com gafanhotos e mel silvestre, pois que era filho do sacerdote Zacarias. O deserto, no qual pregava João Batista, era o deserto das Almas, as almas desérticas.

Mas como seria a aparência de João Batista? Os Evangelhos nada dizem de sua fisionômia, mas a tradição o vê com longas barbas e cabelos, bem como uma forma rudimentar de se vestir. Por que ele foi associado a imagem tão rústica, como um homem das cavernas?

ANALISEMOS: Se ele morava no deserto, deveria ter um aspecto rude, não poderia cortar o cabelo, e a impressão é que o Batista deveria ter um aspecto selvagem. Se referiam a ele como um Nazir (ou nazireu). O Nazir era alguém que fazia voto de não cortar os cabelos e a barba, e tinham obviamente o cabelo e barbas compridas. Um famoso nazir do Antigo Testamento foi o Sansão.
Todavia, sentindo-se capaz, o filho de Zacarias e Isabel iniciou a pregação de seu Ministério no Rio Jordão. Trajava veste de pelos de camelo, e cinto de couro que lhe cingia a cintura. Segundo narram os textos bíblicos, seu alimento era gafanhotos e mel de abelhas.
E A DIETA ESPARTANA DE JOÃO BATISTA? Uma linguagem figurada ou ele realmente se alimentava de mel e insetos?

É SABIDO que o consumo de gafanhotos é permitido pelas leis judaicas, e não seria errado dizer que ele comia gafanhotos. Os gafanhotos, segundo dizem, cozidos, parecem nozes. Mas muito improvável que se alimentasse apenas de mel e gafanhotos. Parece que fica claro que a intenção dos evangelistas era de que João comia alimentos puros, e não processados como o pão e o vinho.
O EVANGELHO BIONITA, APÓCRIFO, tem uma teoria a respeito da dieta de João, mas tal evangelho não existe mais. São Jerônimo, que viveu no Século IV e que traduziu a Bíblia do grego e hebreu para o latim, criando assim a Vulgata, tinha uma cópia deste texto. Jerônimo, conhecedor do grego e latim como era, segundo sua tradução do Evangelho Bionita, ele não come gafanhotos, mas sim bolos de mel. Em grego, a diferença entre há diferença entre a palavra “GAFANHOTO”(“AKPIS”) e a palavra “BOLO DE MEL” (“EYKPIS”) é de apenas uma letra. Podia haver confusão e fazer mas sentido, e este era o alimento dos israelitas do deserto, pois era a dieta dos ascetas do deserto.

O fato é que no tempo do nascimento de João Batista era o tempo da perseguição e mortalidade de inocentes. Isabel fugiu com o filho para longe em local deserto para proteger o filho. Ela morreu antes de completar o resguardo de quarenta dias. Por este motivo, João, órfão de mãe, foi criado no sacerdócio de seu pai no deserto entre as feras, durante 30 (trinta) anos, conforme relatos bíblicos. Este fato tem paralelo com o que aconteceu também com Maria e José, pais de Jesus.
Os Evangelhos retratam João como um profeta apocalíptico: “Eu batizo com água. No meio de vós está alguém que não conheceis, o que vem depois de mim, do qual não sou digno de desamarrar as correias das sandálias” (Jo 1,26); João Batista diz: Arrependei-vos. O Reino dos Céus está próximo. (MT, 03,v02). João pensava no fim dos tempos, pois achava que estava porvir. Queria que as pessoas se arrependessem e levassem uma vida virtuosa. Muito provável que João se via como o profeta ardente que Elias anunciou em Malaquias.

Como ele vivia no deserto e proclamava uma mensagem apocalíptica, João pode ter sido membro da misteriosa seita dos essênios, os autores dos pergaminhos do Mar Morto. Quando estes foram encontrados em uma caverna da região de Qmran, em 1947, pareciam ser a biblioteca de um grupo de judeus que era apocalíptico e messiânico, que acreditava plenamente no fim do mundo, retiram-se da sociedade para viver no deserto, e dizem nas leis de seu grupo que é um documento de fundação que haviam deixado para a sociedade deles, e conforme Isaías, cap 40, versículo 3, “preparem o caminho para o deserto”. Não é coincidência que nossos evangelhos comecem com alguém do mesmo local perto de Qmran, também pedindo arrependimento, dizendo que “chegou a hora, preparem o caminho para o deserto”. Será que havia uma conexão? Será que João freqüêntou as misteriosas cavernas de Quinram e seguiu os rituais da Comunidade?
POR OUTRO LADO, não há razão também para associá-lo com os essênios, pois conforme as próprias escrituras afirmam, ele era um indivíduo isolado no deserto, chamando as pessoas. Já os essênios, estes viviam em comunidade, traço dos mais importantes desta sociedade, pois era um grupo que vivia junto, comia junto e trabalhavam juntos, e praticavam os rituais de imersão. Já João, conforme os sacros textos, não convivia com ninguém, e além disso, se vestia com roupas velhas. Já os essênios, se vestiam com roupas brancas.
JOÃO tinha uma abordagem radical de imersão e purificação judaicas. Não foi a toa que escolheu o RIO JORDÃO para seus rituais.Para ele, o Jordão tinha algo de profundamente sagrado, pois havia sido no Jordão que o Profeta Elias foi visto pela última vez antes de ser arrebatado.

Iniciou sua missão pregando Batismo do arrependimento para remissão dos pecados. Pedia às pessoas que dividissem os seus pertences com os mais pobres, aos fortes, que amparassem os fracos. Aos sábios, que instruíssem os ignorantes, aos patrões, para serem mais humanos com seus subalternos, aos filhos, que respeitassem os pais e aos pais, que enveredassem os filhos para o caminho do bem. Que os publicanos cobradores de impostos não exigissem mais do que havia sido ordenado pelos superiores. Aos soldados, que não praticassem a violência, não fraudassem ninguém e que se contentassem com o soldo recebido.

Aos fariseus, saduceus e às demais castas religiosas, que ensinassem a não violência que se arrependessem de seus pecados e que se batizassem pelo batismo da água e do fogo.

“ARREPENDEI-VOS, POIS O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO”, pregava João para a aglomeração de Judeus em sua volta. Batizava as pessoas nas águas do Rio Jordão, enquanto dizia: “EU VOS BATIZO EM ÁGUA MAS EIS QUE VEM OUTRO MAIS PODEROSO DO QUE EU, A QUEM EU NÃO SOU DIGNO DE DESARTA-LHE AS CORREIAS DAS SANDÁLIAS. ELE VOS BATIZARÁ NO ESPÍRITO SANTO E NO FOGO”.
Depois que muitas pessoas foram batizadas, o próprio Jesus dirigiu-se à Galiléia e foi procurar João. Tendo visto chegar Jesus o apontou: “EIS O CORDEIRO DE DEUS, AQUELE QUE TIRARÁ OS PECADOS DO MUNDO! É ESTE DE QUEM EU DISSE: DEPOIS DE MIM, VIRÁ UM HOMEM QUE ME É SUPERIOR, PORQUE EXISTE ANTES DE MIM! EU NÃO O CONHECIA MAS SE VIM BATIZAR EM ÁGUA É PARA QUE ELE SE TORNE CONHECIDO EM ISRAEL”. Então João Batista batizou Jesus. Saindo da água Jesus ficou parado um pouco além da margem, e eis que os céus se abriram e viram o Espírito Santo sob uma forma de pomba descer sobre Ele e uma voz dos céus foi ouvida: “Este é meu filho amado, no qual pus a minha complacência.”

Daí surge uma questão:

COMO JESUS, SE NÃO TINHA PECADO, se deixou batizar por João Batista, se justamente seu batismo era o de contrição?
LUCAS seguiu a via mais simples: somente menciona que Jesus foi batizado mas não diz por quem e que tipo de batismo. Já Mateus faz João Batista e Jesus terem uma discussão, pois João diz que não era digno de batizá-lo, mas Jesus diz que é a vontade de Deus. Os autores dos evangelhos querem mostrar que Jesus era superior a João, e isto esta fortemente presente nas narrativas do batismo.

Uma leitura mais atenta nos textos bíblicos revela que João pode ter tido grande influência nos ensinamentos de Jesus. Alguns estudiosos acreditam que Jesus teria ouvido os ensinamentos de João e os absorveu, e parecem ter a mesma tradição de ensinamentos. Apenas um fragmento dos ensinamentos de João sobreviveu, e ele disse:” quem tem dois mantos, deve dar a quem não tem nenhum”. Isto quem disse foi o Batista, não Jesus.
João ensinava o que chamamos de “ética de Jesus”. Esta ética era, sem dúvida, a mesma de João. Os discípulos disseram a Jesus: “Mestre, nos ensine a rezar como João ensinou aos seus discípulos”(Lucas, 11-1-4)- e Jeus lhes ensinou o Pai Nosso.

Lucas, parece assim, indicar que o “Pai Nosso” é uma oração de autoria de João Batista, pois parece ser uma oração apropriada para João, bem como para Jesus. Mas nem todos concordam com esta interpretação, pois os discípulos de Jesus tinham sido discípulos de João Batista, e teriam sabido muito bem as orações que o arauto e asceta do deserto ensinava. Sendo assim, o “Pai Nosso” veio de Jesus, porque quando se dirige a Deus como Pai, isto era somente de exclusividade dele no Novo Testamento.
Entretanto, a parte mais documentada da vida de João é a sua morte, tanto retratada pelo historiador Flávio Josefo como nos 4 evangelhos canônicos. Esteve João Batista anunciando a vinda de Jesus em muitas cidades em toda a Galiléia e em toda circunvizinhança. Tendo João Batista repudiado o Rei Herodes, pelo casamento incestuoso que mantinha com Herodíades, a mulher de seu meio irmão Herodes Felipe, foi encaminhado preso por ordem de Herodes para uma prisão na fortaleza de Maquerunti. Depois de 2 (dois) anos de sofrimento na masmorra do Palácio, foi degolado por imposição da mulher de Herodes, os seus discípulos enterraram o corpo.

Segundo o Levítico, um homem não pode casar com a ex-mulher do irmão vivo, e Herodes Antipas fez isso, pois era considerado uma união impura punida pela infertilidade, e o batista atacou Herodes por infringir a lei bíblica, e sua missão era falar a verdade, mesmo que tivesse que arriscar a sua própria vida. Todos os Evangelhos concordam que Herodes mandou matar João Batista, mas diferem nos detalhes. Os eventos mais dramáticos dizem Herodes fez uma grande festa no palácio em Macaerus, para os seus principais oficiais e outros homens de posição elevada nos conselhos do governo da Galiléia e Peréia. Já que Herodiades tinha fracassado em causar a morte de João, por apelo direto a Herodes, ela estabeleceu para si mesma a tarefa de levar João à morte por meio de um plano astuto.

No decorrer das festividades e entretenimentos daquela noite, Herodiades apresentou a sua filha para dançar diante dos convivas. Herodes estava muito encantado com a dança da donzela e, chamando-a diante de si, disse: “Tu és encantadora. Estou muito satisfeito contigo. Peça a mim, neste meu aniversário, o que desejares, e eu darei a ti, ainda que seja a metade do meu reino”. E Herodes fazia tudo isso sob a influência de muito vinho. A donzela retirou-se e perguntou à sua mãe o que deveria ela pedir a Herodes. Herodiades disse: “Vá a Herodes e peça a cabeça de João Batista”. E a jovem donzela, retornando à mesa do banquete, disse a Herodes: “Eu peço que me entregues imediatamente a cabeça de João Batista, em uma bandeja”.

Herodes ficou cheio de medo e de tristeza, no entanto, tinha dado a sua palavra diante de todos os que se assentavam para banquetear-se com ele, e por isso não queria negar o pedido. E Herodes Antipas enviou um soldado com a ordem de trazer a cabeça de João. E João teve então a sua cabeça decepada, naquela noite, na prisão; e o soldado trouxe a cabeça do profeta em uma bandeja e apresentou-a à jovem donzela, no fundo da sala de banquete. E a donzela deu a bandeja à sua mãe. Quando os discípulos de João ouviram sobre isso, vieram à prisão buscar o corpo de João e, depois de colocá-lo em um túmulo, foram embora e contaram tudo a Jesus.
A MORTE DE JOÃO, segundo os evangelhos, é de bastante dramaticidade. Vários elementos da história parecem provir do LIVRO DE ESTHER. O Rei Artaxerxex promete a Esther que lhe dará tudo, até a metade do reino, a mesma coisa que Herodes diz a filha Herodíades no Evangelho.

NO ENTANTO, o relato de Josefo parece ser mais próximo da morte do Batista. Segundo Josefo, João nunca acusou Antipas. Este era paranóico, e quis se livrar de João Batista o quanto antes, para evitar que causasse problemas. Foi um ataque preventivo, pois sabia que o Batista liderava um grande número de seguidores no Rio Jordão, o que já por si representava uma ameaça.
João Batista é o símbolo do Cristão que se sacrifica pela verdade. É o patrono da MAÇONARIA em todo o mundo, com exceção da Inglaterra, que tem São Jorge como padroeiro. Seu nome é invocado na abertura e no encerramento dos nossos trabalhos maçônicos. A Igreja Católica o celebra no dia 24 de junho. Diferente das outras celebrações referentes a um santo, o principal dia litúrgico dedicado a ele se restringe ao seu nascimento, e não sua morte, mas seu martírio por decapitação são também lembrados pela Igreja Romana, a 29 de agosto de cada ano.

Por Paulo Néry

FONTE: http://grandarcanum.blogspot.com/

ATLÂNTIDA, O CONTINENTE PERDIDO


 

A primeira fonte de informação que chegou ao mundo moderno é sem dúvida a escrita por Platão. Foi ele quem primeiro falou da existência de uma ilha, então submersa, à qual foi dado o nome de Atlântida. Platão tomou conhecimento da Atlântida através de Sólon, que, por sua vez ouviu os relatos de sacerdotes egípcios, num dos templos da cidade de Saís.

 

Na verdade a Atlântida data no mínimo, de 100.000 a.C. então constituindo um imenso continente que se estendia desde a Gronelândia até o Norte do Brasil. Naquele continente havia muitos terremotos e vulcões e foi isto a causa de duas das três destruições que acabaram por submergi-lo. A terceira destruição não foi determinada por causas naturais. Na primeira destruição, em torno de 50.000 a.C. várias ilhas que ficavam junto do continente também afundaram, em decorrência da ação dos cataclismos naturais.

 

A segunda destruição, motivada pela mudança do eixo da Terra, ocorreu em torno
de 28.000 a.C., quando grande parte do continente afundou, restando apenas algumas ilhas, das quais uma que conectava o continente Atlante à América do Norte. A “terceira Atlântida” foi exatamente esta onde floresceu a civilização citada por Platão e que por fim foi extinta, em uma só noite, afundando-se no mar restando apenas as partes mais elevadas que hoje correspondem ao arquipélago dos Açores.

 

Atlântida 100.000 a.C. a 50.000 a.C.
Sobre esta fase da Atlântida, pouco se sabe. Diz-se haver sido colonizada pelos lemurianos que haviam fugido do continente onde habitavam, também sujeito a cataclismos imensos, quando então se estabeleceram correntes migratórias fugitivas das destruições que ocorriam na Lemúria, algumas delas dirigiram-se para o Sul da Atlântida.

Estes primeiros Atlantes julgavam a si pelo caráter e não pelo que tinham e viviam em harmonia com a natureza. Pode-se dizer que 50% de suas vidas era voltada ao espiritual e os outros 50% para o lado prático, vida material.

Possuíam grandes poderes mentais o que lhes conferia domínio da mente sobre o corpo. Assim viveram por muito tempo até que, em decorrência da proximidade do sul da Atlântida com o Continente Africano, várias tribos agressivas africanas dirigiram-se para a Atlântida forçando os Lemurianos ali estabelecidos, a deslocarem-se cada vez mais para o norte do continente. Com o transcorrer do tempo os genes dos dois grupos foram se misturando.

 

Em 52.000 a.C. os Atlantes começaram a sofrer com ataques de animais ferozes, o que os fizeram aumentar seus conhecimentos em armas, motivando um avanço tecnológico na Atlântida. Novos métodos de agricultura foram implementados, a educação expandiu-se, e consequentemente, bens materiais começaram a assumir um grande valor na vida das pessoas, que começaram a ficar cada vez mais materialistas.

Assim os valores psíquicos e espirituais foram decaindo. A maioria dos atlantes foi perdendo a capacidade de clarividência e suas habilidades intuitivas por falta de treinamento e uso, a ponto de começarem a desacreditar na mencionadas habilidades.

 

Edgar Cayce afirma que dois grupos diversos tiveram grande poder nessa época, um deles chamados de “Os Filhos de Belial”. Estes trabalhavam pelo prazer, tinham grandes posses, mas eram espiritualmente imorais.

Um outro grupo chamado de “As Crianças da Lei Um”, era constituído por pessoas que invocavam o amor e praticavam a reza e a meditação juntas, esperando promover o conhecimento divino. Chamavam-se assim porque acreditavam em Uma Religião, Um Estado, Uma Casa e Um Deus, ou melhor, que Tudo é Um.

Logo após essa divisão da civilização atlante ocorreu a primeira destruição, ocasião em que grande número de imensos vulcões entraram em erupção.

 

Então uma parte do povo foi para a África onde o clima era muito favorável e possuíam muitos animais que podiam servir como fonte de alimentação. Ali os descendentes dos atlantes viveram bem e se tornaram caçadores.

A outra parte direcionou-se para a América do Sul onde se estabeleceu na região onde hoje é a Bacia Amazônica.

Biologicamente os atlantes do grupo que foi para a América do Sul começaram a se degenerar por só se alimentarem de carne pensando que com isso iriam obter a força do animal, quando na verdade o que aconteceu foi uma progressiva perda das habilidades psíquicas.

Assim viveram os descendentes atlantes até que encontraram um povo chamado Ohlm, remanescentes dos descendentes da Lemúria, que os acolheram e ensinaram-lhes novas técnicas de mineração e agricultura.

As duas partes que fugiram da Atlântida floresceram muito mais do que aquela que permaneceu no continente pois em decorrência da tremenda destruição, os remanescentes praticamente passaram a viver como animais vivendo nas montanhas durante 4.000 anos, após o que começaram a estabelecer uma nova civilização.

Atlântida 48.000 a.C. a 28.000 a.C.

Os atlantes que estabeleceram uma nova civilização, começaram de forma muito parecida com o inicio da colonização que os Lemurianos fizeram. Voltaram a trabalhar com a natureza e nisso passaram milhares de anos, mas com o avanço cientifico e tecnológico também começaram a ficar cada vez mais agressivos, materialistas e decadentes.

Os tecnocratas viviam interessados em bens materiais e desrespeitando a religião. A mulher se tornou objeto do prazer; crimes e assassinatos prevaleciam, os sacerdotes e sacerdotisas praticavam o sacrifício humano.

 

Os atlantes se tornaram uma civilização guerreira.
Alguns artistas atlantes insatisfeitos fugiram para a costa de Espanha e para o sudoeste da França, onde até hoje se vêem algumas de suas artes esculpidas nas cavernas.

Em 28.000 a.C. com a mudança do eixo da Terra, os vulcões novamente entraram em grande atividade acabando por acarretar o fim da segunda civilização atlante. Com isso novamente os atlantes fugiram para as Antilhas, Yucatão, e para a América do Sul.

Atlântida 28.000a.C. a 12.500 a.C.
Esta foi a civilização atlante descrita por Platão.
Mais uma vez tudo se repetiu, os que ficaram recomeçaram tudo, recriando as cidades que haviam sido destruídas, inicialmente tentando não cometer os mesmos erros da florescente civilização passada. Eles unificaram a ciência com o desenvolvimento espiritual a fim de haver um melhor controle sobre o desenvolvimento social.

 

Começaram a trabalhar com as Forças da Natureza, tinham conhecimento das hoje chamadas linhas de Hartman e linhas Ley, que cruzam toda a Terra, algo que posteriormente veio a ser muito utilizado pelos celtas que construíram os menires e outras edificações em pedra.

Vale salientar que eles acabaram por possuir um alto conhecimento sobre a ciência dos cristais, que usavam para múltiplos fins, mas basicamente como grandes potencializadores energéticos, e fonte de registro de informações, devido a grande potência que o cristal tem de gravar as coisas.

Os Atlantes tinham grande conhecimento da engenharia genética, o que os levou a tentar criar “raças puras”, raças que não possuíssem nenhum defeito.

 

Os Atlantes detinham grandes conhecimentos sobre as pirâmides, há quem diga que elas foram edificadas a partir desta civilização e que eram usadas como grandes condutores e receptores de energia sideral, o que, entre outros efeitos, fazia com que uma pessoa que se encontrasse dentro delas, especialmente a Grande Pirâmide, entrava em estado alterado de consciência quando então o sentido de espaço-tempo se alterava totalmente.

É certo que os habitantes da Atlântida possuíam um certo desenvolvimento das faculdades psíquicas, entre as quais a telepatia, embora que muito aquém do nível atingido pelos habitantes da primeira civilização.

 

Construíram aeroplanos, mas nada muito desenvolvido, algo que se assemelharia mais ao que é hoje é conhecido como “asa delta”. Isto tem sido confirmado através de gravuras em certos hieróglifos egípcios e maias.

Também em certa fase do seu desenvolvimento os atlantes foram grandes conhecedores da energia lunar, tanto que faziam experiências muito precisas de conformidade com a fase da Lua. A par disto foram grandes conhecedores da astronomia em geral.

 

Na verdade os atlantes detiveram grandes poderes, mas como o poder denigre o caráter daquele que não está devidamente preparado para possuí-lo, então a civilização começou a ruir. Eles começaram a separar o desenvolvimento espiritual do desenvolvimento científico.

Em busca do aperfeiçoamento racial, os cientistas atlantes tentaram desenvolver certos sentidos humanos mediante genes de espécies animais detentoras de determinadas capacidades. Tentaram que a raça tivesse a acuidade visual da águia, e assim combinaram genes deste animal com genes humanos; aprimorar o olfato através de genes de lobos, e assim por diante.

 

Mas na verdade o que aconteceu foi o pior, aqueles experimentos não deram certo e ao invés de aperfeiçoarem seus sentidos acabaram criando bestas-feras, onde algumas são encontradas na mitologia grega e em outras mitologias e lendas.
Ainda no campo da engenharia genética criaram algumas doenças que ainda hoje assolam a humanidade.

A moral começou a ruir rapidamente e o materialismo começou a crescer. Começaram a guerrear. Entre estas, foi citada uma que houve com a Grécia, da qual esta foi vitoriosa. Enganam-se os que pensam que a Grécia vem de 2.000 a.C. Ela é muito mais antiga. Isto foi afirmado a Sólon pelo sacerdote de Sais.
Muitos atlantes partiram para onde hoje é a Grécia e com o uso a tecnologia que detinham se fizeram passar por deuses dando origem assim a mitologia grega, ou seja, constituindo-se nos deuses do Olimpo.

 

Por último os atlantes começaram a fazer experimentos com displicência de forma totalmente irresponsável com cristais e como consequência acabaram canalizando uma força cósmica, que denominaram de “Vril”, e que não tiveram condições de controlar, resultando disso a destruição final da Atlântida, que submergiu em uma noite.

 

Acreditar que um continente tenha submergido em uma noite não é fácil, mas temos que ver que a tecnologia deles era muito mais avançada do que a nossa, e que o poder do cristal é muito maior do que imaginamos, pois se repararmos, os cristais estão sempre paralelos com o avanço tecnológico: Um computador é formado basicamente de cristais e o laser é feito a partir de cristais…

Mas antes da catástrofe final os Sábios e Sacerdotes atlantes, juntamente com muitos seguidores, cientes do que adviria daquela ciência desenfreada e que os dias daquela civilização estavam contados, partiram para vários pontos do mundo, principalmente para três regiões distintas: O nordeste da África onde deram origem a Civilização Egípcia; para América Central, onde deram origem a Civilização Maia; e para o noroeste da Europa, onde bem mais tarde na Bretanha deram origem à Civilização Celta.

A corrente que deu origem a civilização egípcia inicialmente teve muito cuidado com a transmissão dos ensinamentos científicos a fim de evitar que a ciência fora de controle pudesse vir a reeditar a catástrofe anterior. Para o exercício desse controle eles criaram as “Escolas de Mistérios”, onde os ensinamentos eram velados, somente sendo transmitidos às pessoas que primeiramente passassem por rigorosos testes de fidelidade.

 

Os atlantes levaram com eles grandes conhecimentos sobre construção de pirâmides, e sobre a utilização prática de cristais, assim como conhecimentos elevados de outros ramos científicos, como matemática, geometria, etc.
Pesquisas recentes datam a Esfinge de Gizé sendo de no mínimo 10.000 a.C. e não 4.000 a.C. como a egiptologia clássica afirma. Edgar Cayce afirmou que embaixo da esfinge existe uma sala na qual estão guardados documentos sobre a Atlântida, atualmente já encontraram uma porta que leva para uma sala que fica abaixo da esfinge, mas ainda não entraram nela. A Ordem Hermética afirma a existência não de uma sala, mas sim de doze.

A corrente que deu origem a civilização maia, foi muito parecida com a corrente que deu origem a civilização egípcia. Quando os atlantes que migraram para a Península de Yucatão, encontraram lá povos que tinham culturas parecidas com a deles, o que não é de admirar, pois na verdade lá foi um dos pontos para onde já haviam migrado atlantes fugitivos da segunda destruição.

Também os integrantes da corrente que se direcionou para o Noroeste da Europa, e que deu origem mais tarde aos celtas, tiveram muito cuidado com a transmissão do conhecimento em geral. Em vez de optarem para o ensino controlado pelas “Escolas de Mistérios” como acontecera no Egito, eles optaram por crescer o mínimo possível tecnologicamente, mas dando ênfase especialmente aos conhecimentos sobre as Forças da Natureza, sobre as energias telúricas, sobres os princípios que regem o desenvolvimento da produtividade da terra. Conheciam bem a ciência dos cristais e da magia, mas devido ao medo de fazerem mau uso dessas ciências eles somente os utilizavam no sentido do desenvolvimento da agricultura, da produtividade dos animais de criação, etc.

 

Atualmente as pessoas vêem a Atlântida como uma lenda fascinante, como algo que mesmo datando de longa data ainda assim continua prendendo tanto a atenção. Indaga-se do porquê de tanto fascínio? Acontece que ao se analisar a história antiga da humanidade vê-se que há uma lacuna, um hiato, que falta uma peça que complete toda essa história.

Muitos estudiosos tentam esconder a verdade com medo de ter que reescrever toda a história antiga, rever conceitos oficialmente aceitos. Mas eles não explicam como foram construídas as pirâmides, como existiram inúmeros artefatos e achados arqueológicos encontrados na Ásia, África e América todos inter-relacionados.

Como foram construídos as pirâmides e outros monumentos até hoje é um enigma. Os menires encontrados na Europa, as obras megalíticas existentes em vários pontos da terra, os desenhos e figuras representativas de aparelhos e até mesmo de técnicas avançadas de várias ciências, os autores oficiais não dão qualquer explicação plausível.

 

Os historiadores não acreditam que um continente possa haver afundado em uma noite, mas eles esquecem que aquela civilização foi muito mais avançada que a nossa: Foram encontradas, na década de 60, ruínas de uma civilização no fundo do mar perto dos Açores, onde foram encontrados vestígios de colunas gregas e até mesmo um barco fenício. Recentemente foram encontradas ruínas de uma outra civilização que também afundou perto da China. Crê-se que tenha sido Lemúria.

 

 

Por: S. L. Lima

FONTE: http://grandarcanum.blogspot.com/

PAGANISMO (ARTIGO 1) – WICCA

 

 

 

 

 
O período neolítico não conhecia deuses, da forma que hoje se conhecem, e vigorava o matriarcado.
O conceito de “paterno” inexistia e a moral, a ciência e a religião ocupavam uma só esfera.
Segundo historiadores, a passagem para o patriarcado deu-se em várias esferas.
Na velha Europa, a sociedade que cultuava a Deusa foi vítima do ataque de poderosos guerreiros orientais, os Kurgans. O Cálice foi assim derrubado pelo poder da Espada e o elemento feminino foi relegado para o “fim da fila”.

Outro factor decisivo para tal transformação foi o crescimento da população, que levou as sociedades arcaicas à “domesticação da terra”. Os homens tinham que dominar a natureza para obrigá-la a produzir o que queriam, passaram de caçadores a recolectores e depois a agricultores.

Com a descoberta de que o sémen do homem é que fecunda a mulher (acreditava-se que esta gerasse filhos sozinha), estabeleceu-se o culto ao falo, sendo este difundido pela Europa, Egipto, Grécia e Ásia, atingindo o seu ápice na Índia.

Com o fim da era de Peixes, tipicamente masculina, o reinado feminino retorna em Aquário para resgatar Sofia, o arquétipo da Sabedoria.
Assim como o Taoísmo primitivo, todas as religiões ancestrais viam o Universo como uma generosa Mãe. Nada mais natural: não é do ventre delas que saímos?
De acordo com o mito universal pagão da Criação, tudo teria saído dessa Grande-Mãe: Entre os egípcios, era chamada de Nut, a Noite. “Eu sou o que é, o que será e o que foi.” Para os gregos era Gaia – Mãe de tudo inclusive de Urano, o Céu.

 

Entretanto ela não era apenas fonte de vida como também senhora da morte.
O culto à Grande-Mãe era a religião mais difundida nas sociedades primitivas. Descobertas arqueológicas realizadas em sítios neolíticos testificam a existência de uma sociedade agrícola pré-histórica bastante avançada, na região da Europa e Oriente Médio, onde homens e mulheres viviam em harmonia e o culto à Deusa, a religião.

Não há evidências de armas ou estruturas defensivas, de onde se conclui que esta era uma sociedade pacífica.
Também não há representações artísticas de guerreiros matando-se uns aos outros, mas sim pinturas representando a natureza e uma grande quantidade de esculturas representando o corpo feminino. Essas esculturas também foram encontradas em Creta, datadas de 2.000 a.C.
Vale dizer que na sociedade cretense as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio.
Platão conta que nesta sociedade (a última matrifocal de que se tem notícia) toda a vida era permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia.
Com o advento do monoteísmo, e a consequente dominação da mulher pelo homem, o culto ao falo estabeleceu-se em definitivo.

No entanto, o culto à Deusa não desapareceu, apenas passou à clandestinidade.

Actualmente existem diversas formas livres de assumir esse culto, e é de uma em específico que vos vamos falar hoje: A Wicca!

 

Os seguidores da Religião Wicca são chamados de Wiccanos, Wiccans ou Bruxos (a palavra Bruxo(a) aplica-se apenas aos representantes da Arte).

Wicca (que também é conhecida como “Arte dos Sábios” ou, muitas vezes, somente como “A Arte”) é considerada por muitos uma religião panteísta, politeísta e faz parte de um ressurgimento actual do paganismo, ou movimento neopagão, como muitos preferem chamar.

Os wiccanos não aceitam o conceito arbitrário do pecado original ou do mal absoluto, e não acreditam em céu ou inferno.
Eles crêem que quando morremos, vamos para a Terra de Verão (ou Terra da Juventude Eterna), onde recobramos nossas forças e nos tornamos jovens novamente.

A Wicca é uma religião de natureza xamanística, positiva, com duas deidades maiores, reverenciadas e adoradas em seus ritos: A Deusa e seu consorte, o Deus Cornífero.

 

Seus nomes variam de uma tradição wiccana para outra, e algumas utilizam-se de outros panteões para representar várias faces e estados de ambos os Deuses.

Princípio Feminino ou Grande Mãe: A Grande Mãe representa a Energia Universal Geradora, o Útero de Toda Criação. É associada aos mistérios da Lua, da Intuição, da Noite, da Escuridão e da Receptividade.
É o inconsciente, o lado escuro da mente que deve ser desvendado.
A Lua nos mostra sempre uma face nova a cada sete dias, mas nunca morre, representando os mistérios da Vida Eterna.

 

Na Wicca, a Deusa se mostra com três faces: a Virgem, a Mãe e a Velha Sábia, sendo que esta última ficou mais relacionada à Bruxa na Imaginação popular.

A Deusa Tríplice mostra os mistérios mais profundos da energia feminina, o poder da menstruação na mulher, e é também a contraparte feminina presente em todos os homens, tão reprimida pela cultura patriarcal.

Princípio Masculino ou Deus Cornífero: Da mesma forma que toda luz nasce da escuridão, o Deus, símbolo solar da energia masculina, nasceu da Deusa, sendo seu complemento e trazendo em si os atributos da coragem, pensamento lógico, fertilidade, saúde e alegria.

Da mesma forma que o sol nasce e se põe, todos os dias, o Deus nos mostra os mistérios de Morte e do Renascimento.

 

Na Wicca, o Deus nasce da Grande Mãe, cresce, se torna adulto, apaixona-se pela Deusa Virgem, eles fazem amor, a Deusa fica grávida, o Deus morre no Inverno e renasce novamente fechando o ciclo do renascimento, que coincide com os ciclos da Natureza, e mostra os ciclos da nossa própria vida.

Para alguns, pode parecer meio incestuoso que o Deus seja filho e amante da Deusa, mas é preciso perceber verdadeiro simbolismo do mito, pois do útero da Deusa todas as coisas vieram, e, para ele, tudo retornará.

 

Se pensarmos bem, as mulheres sempre foram mães de todos os homens, pelo seu poder de promover o renascimento espiritual do ser amado e de toda a Humanidade.

A Wicca inclui frequentemente a prática de várias formas de Alta Magia (geralmente com propósitos de cura psíquica ou física, neutralização de negatividade e crescimento espiritual) e ritos para a harmonização pessoal com o ritmo natural das forças da vida marcadas pelas fases da lua e pelas quatro estações do ano.

A feitiçaria ocidental, uma tradição baseada sobretudo nas crenças das comunidades anglo-saxónicas e escandinavas, que datam da Idade da Pedra, ergue-se sobre três conceitos básicos:

(1) O culto de uma Deusa-Mãe, um princípio feminino, em vez dos deus-homem do cristianismo
(2) A crença na reencarnação e o desejo de renascer no mesmo tempo e lugar dos seus entes queridos
(3) O conhecimento e o uso da magia, a manipulação da lei natural, de modo a trazer benefícios para o homem, utilizando melhor os recursos naturais, explorando os segredos do universo e descobrindo atalhos e remédios para melhorar a vida.

 

A religião wiccana é formada de várias tradições como a Gardneriana, Alexandrina, Diânica, Tânica, Georgiana, Tradicionalista ética e outras. Várias dessas tradições foram formadas e introduzidas nos anos 60, e embora seus rituais, costumes, ciclos místicos e simbolismos possam ser diferentes uns dos outros, todas se apoiam nos princípios comuns da lei da Arte.

O dogma principal da Wicca é o Conselho Wiccano, um código moral simples e benevolente: “SEM PREJUDICAR NINGUÉM, REALIZE SUA VONTADE”. Ou em outras palavras, você é livre para fazer o que quiser, contanto que não prejudique ninguém, nem mesmo a você.
(O Conselho Wiccano é extremamente importante e não deve ser esquecido na realização de qualquer encantamento ou ritual mágico, especialmente naqueles que podem ser considerados como não-éticos ou de natureza manipuladora).

 

Na Wicca, leva-se em conta a Lei Tripla (ou Lei de Três) que é uma lei kármica de retribuição tripla que se aplica sempre que você faz alguma coisa, seja ela boa ou má.

Não que você seja “castigado” por um ato mau, porém, quando envia uma energia, o curso natural dela é voltar a si.
Assim, caso envie algo de negativo, essa força fará seu caminho, sempre se fortificando, e retornará até você.

Muitos Wiccanos usam um ou mais nomes secretos (também conhecidos como nomes mágicos, ou nomes de iniciação) para significar o renascimento espiritual e uma nova vida dentro da Arte.

 

A Wicca é uma Religião de equilíbrio e suas práticas religiosas seguem esse princípio com festejos solares, expressos nos Sabaths, e com celebrações lunares, expressas nos Esbaths.

Cada período lunar corresponde a uma face/característica da Deusa, assim como cada período solar corresponde a uma face/característica do Deus, sendo que em ambas as práticas, os Deuses são celebrados em igualdade. Apenas simbolicamente os Esbaths correspondem à Deusa e os Sabaths ao Deus.

 

Como os adeptos de religiões mais convencionais, os iniciados em feitiçaria, ou Wicca, usam instrumentos e rituais para vincular-se espiritualmente entre si e a suas divindades.

Os ritos da Wicca diferem de uma tradição para outra.
Algumas cerimónias são periódicas, marcando as fases da lua ou a mudança de estações.
Outras, tais como a iniciação, casamentos ou pactos, só ocorrem quando há necessidade.

E há também aquelas cerimónias que, como a consagração do vinho com um athame, a faca ritualística, fazem parte de todos os encontros.

Seja qual for seu propósito, a maioria dos rituais Wicca, especialmente quando celebrados nos locais eleitos eternamente pelos bruxos, evoca um estado de espírito onírico que atravessa os tempos, remontando a uma era mais romântica.

INSTRUMENTOS UTILIZADOS:

Os instrumentos usados nos rituais da Wicca têm suas origens perdidas no tempo.
Eles são importantes focos de concentração e ferramentas para provocar alterações de consciência, mas é preciso que se saiba exactamente o seu significado para que sejam usados correctamente.

Embora eles possam dar um toque de beleza e alegria aos seus rituais, uma verdadeira Bruxa jamais deve ficar dependente deles, porque a verdadeira Bruxa se faz com a mente e com o coração!

 

O Caldeirão – Embora algumas tradições discordem, ele é considerado o instrumento mais importante e significativo para as Bruxas pois ele representa o Útero da Grande Mãe, ou seja, a origem do Universo e de toda a Vida.
Dele viemos e para ele retornaremos eternamente.
É no Caldeirão que as Bruxas preparam feitiços, as poções e acendem o fogo para os rituais, quando não é possível acender uma fogueira ao ar livre.
Nele se realiza a Grande Alquimia Universal.

Em muitos feitiços pode conter água ou vinho energizados pela luz da lua.
De preferência deve ser de ferro, com três pés, representando os três aspectos da Deusa.

Na falta de um caldeirão, uma panela ou tigela podem substituir, desde que não sejam de material sintético, como teflon, plástico ou alumínio. Está ligado ao elemento água.

 

Cálice – Associado ao mito do Santo Graal, o Cálice é usado para consagrar o beber o vinho dos rituais, tendo o mesmo simbolismo do caldeirão.
Ele foi introduzido na Wicca em época mais recente.

Em algumas tradições mais puristas é substituído por uma concha ou um chifre, onde se toma o vinho.

Pode ser substituído por uma taça, ou mesmo um copo, desde que não seja da material sintético. Da mesma forma que o Caldeirão, liga-se à água.

 

O Punhal – Tradicionalmente, o punhal da Wicca é de lâmina dupla com cabo preto, sendo chamado ATHAME, uma palavra de origem incerta que significa “O que não morre”.
Ele representa a energia masculina, sendo um símbolo fálico dentro do ritual.

É traçado para abrir círculos e durante a Consagração, é introduzido no Cálice para simbolizar a União do Deus e da Deusa.

Os ramos mais tradicionalistas substituem o Punhal pela Varinha Mágica, alegando que ele foi introduzido recentemente na Wicca, não fazendo parte dos instrumentos tradicionais. O mesmo se diz da Espada, pois ela é um instrumento de Magia Cerimonial, que nada tem a ver com a Bruxaria.

Na falta de um Athame clássico, qualquer faca serve para o mesmo fim, desde que não tenha sido usada para tirar qualquer tipo de vida ou derramar sangue.
Caso não queira usar o Punhal, abra o círculo com a Varinha, um Cristal, ou mesmo com o dedo, como se faz na Wicca Irlandesa.

 

A Vassoura – Esta é uma velha conhecida e amiga das Bruxas! Toda Bruxa que se preze tem uma Vassoura!
Ela representa a União das Energias Universais.
Os pêlos e o cabo representam, respectivamente, os órgãos sexuais femininos e masculinos.

Havia um ritual muito antigo em que as Bruxas saíam “cavalgando” as vassouras pelos campos e dando grandes pulos, para que as plantas crescessem da altura de seus saltos. Talvez daí tenha vindo a crença de que podiam voar.

A Vassoura pode ser decorada com Símbolos Sagrados e ter a sua Assinatura Mágica.
Antes do ritual ela é usada para varrer o local onde será realizado, representando a limpeza espiritual de toda a Energia Negativa.

Também serve de ponte entre o espaço do círculo e o mundo exterior, isto é, ela pode ser colocada deitada num ponto, se alguém precisar sair, pode fazê-lo pulando a Vassoura sem quebrar o círculo e procedendo da mesma forma ao voltar.
É bom saber que crianças e animais podem entrar e sair do círculo sem quebrá-lo.

 

O Bastão ou Varinha Mágica – A Varinha Mágica tem o mesmo simbolismo do Athame.
Tradicionalmente, ela deve ser feita de uma árvore sagrada como a Aveleira, o Carvalho ou a Macieira, embora eu acredite que qualquer árvore deve servir, desde que você tenha por ela alguma predilecção ou ligação emocional.

O galho da árvore deve ser cortado na Lua Crescente, e antes de o fazer, deve-se pedir a autorização da árvore.
Depois de cortado o galho, deve-se deixar alguma oferenda em agradecimento.

Ainda hoje, as Bruxas seguem esse procedimento, deixando mel e leite para as Fadas e Elementais, e um pouco de comida para os pássaros.
A Varinha pode ser enfeitada com símbolos, fitas, cristais ou algum objecto pessoal.

 

A Túnica – Embora muitos Covens prefiram trabalhar “vestidos de céu”, ou seja, completamente nus, existe a opção de se usar a Túnica, tradicionalmente negra.
A cor negra isola as energias negativas, sendo óptima para ser usada quando se tem contacto com grandes multidões ou pessoas negativas.

A cor negra não tem nenhuma ligação com o Mal, como se costuma pensar erroneamente, ela representa o Útero Universal, do qual nasceu toda a Luz, a escuridão da Terra onde germinam as sementes.
Porém, não se deve usar somente a cor negra, pois precisamos da vibração de todas as cores… muito menos por mero exibicionismo ou para parecer Esotérico.

Trabalhar nus ou com Túnicas deve ser uma escolha do grupo mas deve-se ter o cuidado para que a nudez não atraia pessoas mal-intencionadas.
A nudez ritual é um sinal de pureza, de libertação de medos e tabus, mas para tanto, é preciso ter um coração puro diante dos Deuses e dos nossos semelhantes, trabalhando muito bem com nossos corpos.

É impossível se trabalhar inibida pela nudez, o que tornará o ritual totalmente improdutivo. Se esta for a situação, é melhor usar uma Túnica, mas com o tempo, é preciso superar esses bloqueios, pois eles são frutos de uma moral Judaico-Cristã repressiva, sendo que a nudez deve ser encarada como algo natural.

 

O Pentagrama – Embora muitos achem que o Pentagrama não pertence originalmente à Bruxaria, ele se tornou um de seus maiores símbolos.

A Estrela de Cinco Pontas representa as cinco Energias Formadoras do nosso Planeta, isto é, Água, Fogo, Terra, Ar e Espírito.

 

O Livro das Sombras – É essencialmente o diário de um bruxo, um diário mágico cuja origem remonta ao tempo das perseguições.
Proibidas de compartilhar oralmente seus conhecimentos, as Bruxas da Idade Média, escreviam seus conhecimentos e feitiços num Livro que ficava escondido, por isso o termo “das Sombras”, pela menção de que o Livro deveria ficar oculto a qualquer preço, sob seu dono ter contra si, provas incontestáveis de Bruxaria.

Na Idade Média, esses Livros continham essencialmente poções, feitiços, encantamentos, filtros… enfim, operações de magia não trazendo nada sobre a pessoa que o escreveu além de, talvez, seu Nome Mágico, por motivos que você pode imaginar.

Todas as tradições de ordem iniciática cobram de seus alunos a existência de um diário onde sejam anotados todos os procedimentos mágicos, factos interessantes do dia-a-dia, aprimoramentos e coisas pertinentes à disciplina mágica.

Na tradição Wicca, esses dois aspectos foram fundidos num só recurso que recebe basicamente dois nomes, ou é chamado de Grimoire que quer dizer Livro de Encantamentos como na Idade Média, ou Livro das Sombras, como o Livro que Gardner escreveu e que é usado nas tradições Gardneriana e Alexandrina.

Um Livro das Sombras funciona como um Grande Diário. Nele o aprendiz e mesmo o Bruxo experiente anota os fatos de sua vida, referentes directa ou indirectamente com a Bruxaria, copia rituais, relata acontecimentos, escreve feitiços ou mesmo poesias.
Ele serve como um Grande Avaliador do desenvolvimento mágico.

Olhando as primeiras páginas, um Bruxo, pode avaliar a quanto evoluiu no estudo e prática da Arte, comparar suas opiniões actuais com as que tinha na época e assim fazer um grande balanço da sua vida na Magia, além disso, o hábito de escrever no seu Livro das Sombras traz a prática de um aspecto muito favorável – A DISCIPLINA – essa disciplina na qual você se obriga a escrever seja todos os dias, seja 3 vezes por semana ou seja apenas quando acontecer algo relevante. Na medida que você tem de escrever, você acaba tendo que fazer alguma coisa, assim o Livro funciona como catalisador do processo de treinamento.

 

Você pode separar o seu Livro em 3 secções, ou mesmo ter 3 Livros: Um Grimoire, onde você anotará só os feitiços e exercícios, outro com poemas e anotações pessoais, do dia-a-dia (que efectivamente corresponderá ao seu Livro das Sombras) e outro ainda, com conhecimento de Herbalismo, Cristaloterapia, Incensoterapia, e assim por diante.

Além disso você fará um Compêndio de conhecimento sobre magia, na medida que terá à sua disposição um material confiável de consulta personalizado.

Tradicionalmente, não se permite que ninguém que não seja da Arte, toque no seu Livro, mas permite-se que outros bruxos leiam as partes que você autorizar, ou mesmo que copiem encantos e feitiços, no entanto o Livro não pode ser emprestado.

Originalmente, o Livro deveria ser um caderno normal, preto, escrito à mão e com folhas numeradas, mas pode ser uma agenda ou um fichário.

Alguns acham que ele deve ser escrito à mão, assim a energia do Livro seria mais trabalhada enquanto Livro Mágico, no entanto isso deve ficar a seu critério.

 

Sino – É um instrumento ritual de inestimável antiguidade.
O toque de um sino libera vibrações com efeitos poderosos de acordo com o seu volume, tom e material utilizado.

O sino é um símbolo feminino, e portanto representa a Deusa.
É também tocado para afastar espíritos e encantamentos malignos, para interromper tempestades ou para invocar energias positivas.
Muito utilizado para anunciar o começo e o fim de cada ritual.

 

Bola de cristal – Instrumento de clarividência e adivinhação.
Nos rituais representa as profundezas dos oceanos, portanto é um instrumento sagrado à Deusa.
Na falta de uma, pode utilizar um espelho ou uma bacia com água.

Outros Instrumentos – Também fazem parte da Wicca outros instrumentos como os Incensórios, Castiçais e outros objectos opcionais.
Muitos Covens tocam instrumentos musicais…
Enfim, o melhor é usar a imaginação para criar seus rituais.

CERIMÓNIAS A REALIZAR:

Durante o ano, são realizados 8 Sabaths:

Candlemass ou Imbolc (dia 10 de Agosto)
Equinócio de Outono ou Mabon (realizado no primeiro dia de Outono)
Beltane (dia 31 de Outubro)
Solstício de Inverno ou Yule (realizado no primeiro dia de Inverno)
Lammas ou Lughnasadh (dia 2 de Fevereiro)
Equinócio da Primavera ou Ostara (realizado no primeiro dia de Primavera)
Samhain (dia 30 de Abril)
Solstício de verão ou Litha (realizado no primeiro dia de Verão)

 

Para cada Sabath, há um grande ritual a ser feito.

O ideal é que no começo as pessoas façam os Sabaths seguindo algum livro, mas depois que façam seu próprio ritual, com a ajuda do que aprendem lendo e praticando.

SAMHAIN: Marca o Ano Novo pagão.
Conhecido também como o Dia das Bruxas, o Samhain é praticado no dia 30 de Abril no Brasil, e não em dia 31 de Outubro, como no hemisfério Norte.

É uma noite em que as barreiras entre a vida e a morte não são certas, permitindo aos ancestrais andarem entre os vivos.

Também conhecido como Festival dos Mortos ou Festival das maçãs, o Samhain era marcado como o momento do sacrifício, actualmente este já não se pratica.
Em alguns lugares, era a hora em que alguns animais eram mortos para garantir a comida no Inverno. Identificado com os animais, o Deus se esconde para assegurar sua existência.

O Samhain marca a morte simbólica do Deus Sol e sua passagem para a “terra da juventude” onde Ele espera o renascimento da Deusa Mãe no Yule.

Samhain é a hora de reflexão, de olhar para o ano passado, da morte. As bruxas relembram seus ancestrais e todos aqueles que se foram antes dessa noite, porque assim como o Deus deu a vida à terra, essa terra renascerá de novo.

 

YULE: A deusa dá a luz ao seu filho, o Deus.
Yule é a hora da maior escuridão e é o menor dia do ano. As pessoas de antigamente perceberam essas mudanças e pediram às forças da natureza para aumentarem os dias e diminuírem as noites.

As bruxas, às vezes, celebram o Yule um pouco antes do nascer do sol, e olham o sol se pondo como um final de seus esforços.

Como o Deus é o Sol, isso marca o ponto do ano em que o Sol renasce. As bruxas acendem velas, ou fogueiras para dar boas vindas à luz do Sol.
A Deusa, que trabalhou durante todo o Inverno, descansa.
No Yule, celebram a volta do Sol, e a vida que ele traz.

IMBOLC: A Deusa recupera-se do nascimento e a força do Deus está aumentando com o aumento do poder do Sol.
Imbolc marca o período em que os animais começam a dar de mamar aos seus filhotes.

Para as bruxas, é uma hora de criatividade e inspiração e é associado com a Deusa celta Brígida.
Esse é um Sabath de purificação depois da escuridão do Inverno, através da renovação do poder do Sol.

É também um festival de luz e fertilidade, marcado com enormes tochas, fogueiras e fogos em suas diversas formas. O fogo aqui representa a própria iluminação e inspiração.
É uma hora tradicional para iniciações e dedicações.

 

OSTARA (EQUINÓCIO DA PRIMAVERA): O Equinócio de primavera marca o seu primeiro dia, e a Deusa ganha de novo sua força e trabalha com sua magia.

As horas do dia e da noite são iguais, a luz está alcançando a escuridão, e o jovem Deus está na maturidade.

Este dia marca a mudança da demora do Inverno para a frutividade da nova estação.
A Deusa envolve a terra com fertilidade, trazendo prosperidade em cada canto.

Enquanto andamos pela grama verde, podemos desfrutar da abundância da natureza.
É uma hora de começos, de acções, de “plantar” feitiços para colhê-los no futuro, etc.
Agora é a hora da nossa viagem através dos portões para o reino de calor e da luz.

BELTANE: Quando a natureza está realmente florescendo, A Deusa e o Deus juntam-se. Isso assegura a abundância da próxima colheita e a continuação da vida.
As bruxas celebram o símbolo da fertilidade da Deusa em um ritual.

Também conhecido como a festa da primavera, Beltane tem sido longamente celebrado com rituais, festas e danças ao redor de um mastro enfeitado.
Muitas pessoas colhem flores e galhos dos jardins para decorarem suas casas e a eles mesmos.
As flores e coisas verdes, simbolizam a Deusa, e o mastro, o Deus.

Beltane marca o retorno da vitalidade, da calma, da esperança. É uma hora de amor e grande celebração, para desfrutamos das belezas que a vida nos oferece.

 

SOLSTÍCIO DE VERÃO: O Deus está no topo de seu poder.
É a maior hora do Sol e é marcado com o festival da luz.

Também conhecido como Litha, o verão chega quando os poderes da natureza alcançam seu poder máximo. A Terra é banhada de fertilidade da Deusa e do Deus.

No passado, as pessoas saltavam sobre as fogueiras para encorajar a fertilidade, purificação, saúde e amor.
O fogo, mais uma vez, representa o Sol, festejado no dia mais longo do ano.
O Solstício de Verão é um momento clássico para qualquer tipo de mágica.

LUGHNASADH: Era a hora em que os antepassados agradeciam os primeiros frutos da colheita.
O verão está acabando e o Deus virou sacrifício, sendo cortado de seus campos.

É uma hora sagrada para o Deus Lugh, para agradecer, e fazer oferendas em gratidão.

Quando o verão passa, nós lembramos de seu calor e abundância de comida que comemos.
Cada refeição é um ato de harmonia com a natureza, e nós lembramos que nada no universo é constante.

MABON (EQUINÓCIO DE OUTONO): A luz começa a diminuir, e o Deus começa sua jornada para o outro mundo.
Este é o término da colheita, começada no Lughnasadh.

Mais uma vez o dia e a noite são iguais, equilibrados assim que o Deus começa sua grande aventura para o desconhecido e começa o renascimento da Deusa.
A natureza decai, deixando-se pronta ao Inverno, e parte para sua hora de descanso.

A Deusa inclina no Sol nascente, quando o fogo queima dentro de seu útero. Ela sente a presença do Deus mesmo que ele esteja diminuindo.
É a colheita final. Agora, ficamos pronto para o Inverno chegar, é uma hora de equilíbrio.

 

Além dos oito Sabaths, os povos celtas celebravam também os Esbaths, ou seja, as treze luas cheias ao longo do ano solar.

A lua cheia foi venerada durante milénios por grupos de homens e mulheres, reunidos nos bosques, nas montanhas ou na beira da água, como a manifestação visível do princípio cósmico feminino, na forma das deusas lunares ou da veneranda Lua.

Com o advento das religiões patriarcais, houve uma divisão na vida religiosa familiar.
Os homens passaram a reverenciar os deuses (solares e guerreiros), enquanto as mulheres continuavam se reunindo para celebrar a lua cheia e honrar a Grande Mãe.

A cristianização forçada e, principalmente, as perseguições dos “caçadores de bruxas” durante os oito séculos de Inquisição, procuraram erradicar a “adoração pagã da Lua” e os Esbaths foram considerados orgias de bruxas e manifestações do demónio.

A palavra Esbath deriva do verbo “esbattre”, em francês arcaico, significando “alegrar-se”, pois essas celebrações não eram tão solenes como os Sabaths, proporcionando além dos trabalhos mágicos, uma atmosfera jovial.

Há também uma semelhança com a palavra “estrus”, o ciclo lunar de fertilidade, reforçando a ideia da repetição mensal dessas comemorações.

 

Tenha em mente que antes de qualquer ritual, deverá purificar-se e purificar o meio ambiente onde pratica os seus rituais. Abaixo daremos umas dicas sobre como fazê-lo.

LIMPEZA E PURIFICAÇÃO:

O ritual de purificação é o mais comum e amplo dos ritos da Wicca e existem várias formas de trabalhá-lo.
Esse rito, além de trazer mais leveza e tranquilidade para o lar, leva a um auto conhecimento de suas capacidades energéticas de forma extraordinária.

A recomendação a qualquer iniciante nos caminhos da Wicca é: Pratique primeiro os Sabaths, os Esbaths e os Ritos de Purificação, antes de aventurar-se em outras áreas mágicas.
As razões são simples: Através das actividades de purificação, você aprende a controlar e manipular melhor tanto as suas energias como a dos ambientes em que vive. Nos Sabaths e Esbaths você passa a vivenciar a Wicca, interage com Deuses e demais seres etéreos, aprende os funcionamentos básicos da ritualística da religião e ganha além de conhecimento, o amadurecimento e a seriedade necessária para trabalhar em outras áreas da Magia.

Falaremos do ritual de purificação de forma completa, ensinando maneiras de melhorar a organização, limpeza, e equilíbrio energético.

Ensinaremos como tornar o ambiente e a nós mesmos mais leves e tranquilos, após esse ritual, todo e qualquer local está apto a receber cerimónias, pois se encontra harmonizado e equilibrado.

ENTENDENDO AS ENERGIAS:

 

É muito importante saber que o exterior (ambientes onde vive mais tempo) reflete como anda o seu interior e possui grande influência sobre você.
Normalmente quando entramos em um local escuro, sujo, abafado ou desorganizado, ficamos cansados e irritados, isso mostra a influência do ambiente sobre o nosso comportamento e humor, ou seja, sobre nossas energias.

Energeticamente falando, tudo que acontece em um local gera pequenas ondas que são absorvidas pelas estruturas do local e ficam registradas. Essas “sobras” energéticas normalmente ficam acumuladas em locais de difícil acesso, onde raramente as energias são movimentadas, e lá acabam se fixando e aumentando cada vez mais, como se fossem um grande acumulo de poeira.

PRIMEIRO PASSO – FAXINA

 

Energia saudável é energia em movimento! Tenha sempre essa frase em mente. Para iniciar qualquer actividade de purificação energética, precisamos desprender as energias dos cómodos de nossa residência.

Muitas pessoas afirmam não ter ânimo para uma boa faxina, isso ocorre porque elas estão pressas nas teias desse agregado energético presente nas coisas velhas e desorganizadas.
A eliminação desses “laços” permite uma profunda reciclagem mental que favorece potencialmente a eliminação de desequilíbrios interiores.
“Assim como acima é abaixo, como é dentro é fora” tal axioma demonstra como a eliminação da bagunça exterior favorece o trabalho interior.

Primeiro trate de jogar fora o que tem de velho, quebrado ou inútil e faça uma limpeza geral à casa, depois começa a faxina mais profunda: Separe alguns dias para limpar e organizar um cómodo por vez. Limpe gaveta por gaveta, armário por armário, organize, sacuda, olhe para cada coisa (roupa, utensílio…) e retire (venda ou doe) o que já não utiliza mais. Troque, recicle! Energia em movimento lembra!? Além disso, você vai ganhar espaço, talvez um dinheirinho com a venda, e vai ganhar energia pois tudo que possuímos absorve nossas energias, coisas que não usamos há muito tempo só estão servindo para nos deixar mais cansados e esgotados, já que não possuem nenhuma outra utilidade.

Um bom bruxo(a) sabe que tudo à sua volta precisa estar em constante movimento, pois isso lhe dá força e controle sobre suas energias.

Tendo executado essa limpeza por todos os locais, sua casa está completamente organizada e renovada, cada cómodo está mais aconchegante e perfumado, mantenha-os sempre assim e caso perceba alguns tipos de desorganização faça esse trabalho novamente.
Quando moramos com outras pessoas é importante pedir que ao menos essa parte física seja feita em toda a residência, pois isso fará um bem não só do ponto de vista energético mais também na saúde e bem-estar de todos os moradores.

SEGUNDO PASSO – PREPARAÇÃO

 

Antes de fazer qualquer purificação é necessário preparar o seu corpo e a sua mente, afinal estaremos mexendo com energias. Os principais pontos são:

• É necessário estar com a saúde em dia, sem dores, machucados, inchaços ou hematomas, pois além do grande gasto de energia vital, o desequilíbrio de nossa saúde pode atrair as más energias que estão sendo liberadas. (Mulheres grávidas ou em período menstrual não devem fazer purificações).

• Ter total autonomia para agir no ambiente. Não podemos trabalhar energeticamente num local onde não há permissão para isso, logo, se você mora com alguém peça autorização para mexer nos quartos ou em qualquer área que seja necessário pedir para purificar.
Caso não possa trabalhar em toda a residência ou espaço faça a purificação somente onde pode, como no seu quarto.

• É importantíssimo estar animado e disposto, limpo, cheiroso e confiante nas suas capacidades energéticas. Não faça nada sem confiança ou estando sujo, pois isso atrai más energias.

• Algumas residências podem ter ficado tanto tempo sem purificações que acabaram formando ou atraindo entidades para o local. Isso é perceptível quando a casa é muito fria, faz barulhos estranhos, causa medo ou desconforto, principalmente durante a noite, e acima de tudo quando alguém vê ou escuta coisas estranhas, como sombras e espíritos.
Quando existe a possibilidade de existir entidades no lar, recomenda-se que solicitem a ajuda de alguém mais experiente para executar a purificação, caso isso não seja possível é preciso trabalhar um banimento e escudo energético antes de executar a purificação.

• Trabalhe sozinho(a) e só aceite ajuda caso as pessoas também saibam o que está sendo feito.

• Trabalhe confortavelmente, sem brincos, anéis, relógios e demais acessórios (caso use um amuleto pode continuar usando). Se possível trabalhe em total silêncio, descalço(a) e com roupas largas.

• Jogue água no rosto para despertar a sensibilidade, esfregue as mãos enquanto vai as lavando, pule, relaxe o corpo.

• Caso tenha animais, guarde seus potinhos de comida e os sacos de ração em armários durante o período da purificação. Afaste os bichinhos dos locais para onde você for enviar as energias desprendidas com a purificação.
Guarde também os alimentos da cozinha, coloque-os nos armários ou na geladeira.

• Escolha um local (porta ou janela) para direccionar a energia que está desprendendo. Nesse local coloque um copo ou jarra (preferencialmente de plástico ou madeira) cheio de água com um punhado de sal grosso.

• Coloque todos os itens que vai precisar em um local de fácil acesso e próximo a todos os cómodos, lá mentalize um globo de força e crie um ponto de poder.
Normalmente todas as residências possuem um centro de poder localizado no espaço onde é possível enxergar a maior quantidade de cómodos ou áreas do lar.

• Por fim, tenha certeza que está tudo limpo e organizado, esfregue as mãos para activá-las, faça uma pequena mentalização de seus objectivos e analise como toda essa reciclagem da sua residência vai favorecer e mudar a sua vida, a seguir purifique a casa: Peça primeiro protecção aos deuses.

TERCEIRO PASSO – A PURIFICAÇÃO

 

Agora se inicia o ritual, você vai precisar de incenso de purificação, uma vassoura, sal grosso, um outro incenso, com aroma de sua preferência ou um aromatizante de ambientes e um sino.
Comece dos fundos da casa para a parte da frente.

Em cada cómodo toque o sino por todo o local, principalmente nos cantos e passe a mão pelas paredes, objectos e portas como se estivesse puxando as energias presas nesses locais. Feito isso passe o incenso de purificação por toda a área.

Com a vassoura em mãos leve a fumaça e energia para fora da casa, faça isso, cómodo por cómodo e direccione todas as energias para a porta ou janela onde você colocou a jarra com água. Pegue nessa jarra, mentalize que toda energia que passou na água foi e está sendo purificada. Depois jogue o líquido no vaso sanitário, feche a tampa e dê descarga.

Peça à Deusa que receba em seu útero todas as energias que você repeliu do seu lar. Pegue o sal grosso jogue nos cantos de cada cómodo e retire somente no outro dia.
Faça uma Oração e peça aos Deuses e a seus guardiães que protejam e purifiquem sua casa constantemente.

Dicas:

• Não deixe pessoas negativas entrarem em sua casa. Quando não for possível barrar tais visitas, faça uma purificação simples com incenso e mentalização por todo o local onde a pessoa passou.

• Tenha sempre uma Chave Mágica ou uma Garrafa de Bruxa para absorção e protecção nos principais cómodos onde as visitas ficam.

• Deixe sempre a tampa do vaso sanitário abaixada.

• Tenha sinos dos ventos nos quadrantes da casa.

• Coloque uma ferradura com a abertura virada para cima no topo central da porta de entrada.

• Caso saiba fazer Mandalas de protecção use uma na porta de entrada.

 

CÍRCULOS E INVOCAÇÕES:

Existem várias maneiras de se traçar um Círculo, você pode usar uma das mais simples:

1. Pegue a Varinha Mágica ou o Athame e vá até o Norte.
2. Visualize um raio, tipo laser, saindo da ponta do seu objecto escolhido.
3. Dê uma volta, devagar, no sentido horário, até chegar novamente ao Norte.
4. Então diga:

“Pelo poder da Deusa e do Deus, eu traço este Círculo Sagrado. Deste espaço nenhum mal sairá, e nele nenhum mal poderá entrar!”

Depois de traçar o Círculo, você deve invocar os Guardiões dos quatro Quadrantes, acendendo uma vela:

 

Vermelha – Quadrante: Leste, representa o nascer do Sol. Seu elemento é o AR.

Branca – Quadrante: Sul, representa o Sol do meio-dia. Seu elementoé o FOGO.

Azul – Quadrante: Oeste, representa o Crepúsculo. Seu elemento é a ÁGUA.

Preta – Quadrante: Norte, representa a meia-noite. Seu elemento é a TERRA.

Agora devem invocar-se a Deusa e o Deus: Vá até o centro do Círculo e faça as invocações, que podem ser as seguintes:

“Deusa graciosa, você é a Rainha dos Deuses; A Lâmpada da noite; A criadora de tudo que é selvagem e livre; Mãe das mulheres e dos homens; Amante do Deus e protectora de toda a Wicca; Desça, eu suplico; Com seu raio de força lunar, aqui, sobre o meu Círculo”

“Deus brilhante, você é o Rei dos Deuses; Senhor do Sol; Mestre de tudo que é selvagem e livre; Pai das mulheres e dos homens; Amante da Deusa e protector de toda a Wicca; Desça, eu suplico; Com seu raio de força solar, aqui sobre o meu Círculo”

 

ABRINDO O CÍRCULO:

Começa então o Ritual de abertura do Círculo e cada participante agradece à Deusa por estarem presentes. Fazem as invocações da seguinte forma:

LESTE: “Salve os Guardiões das Torres do Leste. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Ar, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!”

Todos os participantes assumem posições em forma de um Pentagrama.

SUL: “Salve os Guardiões das Torres do Sul. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Fogo, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!”

NORTE: “Salve os Guardiões das Torres do Norte. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Terra, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!”

OESTE: “Salve os Guardiões das Torres do Oeste. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Água, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!”

Durante a invocação todos permanecem em forma de Pentagrama.
A Alta Sacerdotisa, ou Sacerdote, desenha o Pentagrama de Invocação e o Ritual começa.

FECHANDO O CÍRCULO:

A Alta Sacerdotisa e o Sacerdote agradecem à Deusa e ao Deus por terem estado presentes, e aos Elementos.
Cada pessoa volta ao seu lugar e diz:

LESTE: “Salve os Guardiães das Torres do Leste. Poderes do Ar, nós agradecemos sua presença aqui, como guardiães no nosso Círculo. Vão em paz, ó grandes Guardiões do Leste, com nossas bênçãos e nosso agradecimento. Obrigado e voltem sempre!”

A despedida é repetida para todos os outros quadrantes: Oeste, Norte e Sul.
O pentagrama é sempre a posição assumida pelos participantes.

A Alta Sacerdotisa, desenha o Pentagrama de expulsão e mais uma vez agradece, e só então se fecha o Círculo com o Athame de novo, dizendo três vezes:

“O CÍRCULO SE DESFAZ, MAS ELE NUNCA SE ROMPE”

Ainda em posição, faça uma meditação e visualize, o Círculo em tons de azul, subindo em direcção aos Deuses.

AS DIVERSAS FASES DA LUA

1. LUA NEGRA – A Transformação

 

A coisa mais importante sobre o Esbath de Lua Negra é que apesar dele ser o primeiro do processo de amadurecimento – já que representa a transformação necessária aos primeiros passos – ele também é o ultimo que um inexperiente deve celebrar, pois antes de enfrentar nossos medos, de encarar nossos desequilíbrios, nossos erros e transtornos psicológicos, precisamos conhecer cada um desses problemas profundamente, de forma séria e madura. Precisamos ver de onde eles vêm, o que os alimentam, porque eles se mantêm e porque aumentam.

A Lua Negra corresponde aos 3 últimos dias da Lua minguante.
Ela é chamada dessa forma porque nesse momento não somos capazes de a ver, ela não reflete o Sol, ela está em seu estado natural, sendo a Sombra.
A noite torna-se escura e completamente sombria, negra.

É necessário saber que esse não é um período negativo ou impróprio para magias, pelo contrário, é um momento maravilhoso para os trabalhos mágicos, somente é necessário possuir experiência para fazê-los.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO PARA O ESBATH:

A Decoração do Esbath de lua negra é muito individual.
Sua cor, obviamente, é o preto podendo conter tons de roxo.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos que lembrem tudo aquilo que você tem medo, receio ou que de alguma forma prejudica sua liberdade e paz interior.
A decoração deve auxiliar em suas reflexões sobre suas sombras.

A Sintonização corresponde a uns 15 minutos que você deve dedicar ao ambiente onde ocorrerá a celebração.
Respire fundo, sinta os cheiros, pare para ouvir os sons do local, olhe a sua volta e veja onde está, tente sentir a energia do lugar.

Caso seja um lugar com uma história bonita reflicta um pouco sobre essa história, tente entender porque você foi celebrar ali, ande por todo o local e interaja com a energia emanada por esse ambiente.

Faça tudo isso em silêncio, respirando fundo, e preparando todo o seu corpo para o Esbath que está sendo iniciado.

Proceda à abertura do Círculo e às invocações referidas acima.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Negra corresponde as Faces Negras dos Deuses, alguns exemplos dessas faces são: Hécate, Hades, Morrigan, Cibele, Lilith e vários outros.

Apenas após estudar, conhecer e se sintonizar com divindade é que estamos aptos para chamá-la em um ritual, com isso depois de trabalhar com a face negra do seu panteão, você deve criar sua forma de invocar tal divindade, pois já saberá como.

 

MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas à transformação dos medos, ao equilíbrio e controle de todas as nossas forças internas que de alguma forma nos prejudicam.
Jamais devemos tentar eliminar nossos sentimentos ou esconder nossas vontades, pois isso só as alimenta ainda mais! Precisamos aceitar que isso faz parte de nós.

Devemos controlar e equilibrar tudo aquilo que existe dentro de nós, seja nossa parte Luz ou nossa parte Sombra.
Com o auto conhecimento somos capazes de compreender de onde nossos medos surgiram e porque certas atitudes e sentimentos são mantidos de forma desarmónica em nossa personalidade.

Nas meditações dos Esbaths de lua Negra os Wiccanos trabalham suas sombras, enfrentam seus medos, receios, traumas e sofrimentos.
É um trabalho muito difícil e requer, além da seriedade já esperada, muito, mais muito esforço. Em tais meditações encaramos as faces Negras e elas auxiliam no processo de controlo das sombras, os Deuses nos ajudam a morrer para renascermos mais fortes.

DANÇAS, CÂNTICOS E ORAÇÕES:

Como já ficou visível o Esbath é direccionado ao nosso interior, e alguns tipos de danças são muito importantes e utilizados pelas bruxas para favorecer o relaxamento e amadurecimento.

A dança mais comum é chamada de dança dos sons naturais ou ritmos silenciosos, consiste em ficar de pé (quando sozinha e em local adequado pode ficar nua) e em pleno silêncio.
Comece a movimentar o corpo calmamente da forma que desejar, com o tempo aumente a força e rapidez dos movimentos até que esteja dançando em seu próprio ritmo livre, solto e de acordo com o seu corpo.

Enquanto dança tente colocar para fora todas as energias ruins que estão no seu corpo ou que são enviadas a você e cante: Cante qualquer som, faça sons variados, crie ritmos, trabalhe o seu interior, acalme seu coração, organize suas energias, equilibre seu corpo.

É comum criar Cânticos para os Deuses presentes nos Esbaths, use sua criatividade, use ritmo, rimas e sons variados todos ligados ao princípio básico do Esbath: Transformação a partir do controle de nossas sombras.

Os Bruxos conversam com suas divindades, obviamente de uma forma diferente, mas conversam, pedem e agradecem da mesma forma que todas as outras religiões.
As orações podem ser espontâneas ou montadas com antecedência, podem ser ritmadas ou não, devem apenas estar relacionadas ao Esbath. Conversem com os Deuses, peçam ajuda para enfrentar, compreender e controlar suas sombras.

Encarem todas as imagens e sensações que os Deuses vão lhe mandar para auxiliá-los nesse momento. Tenham fé! Apenas não esqueçam um dos adágios wiccanos:

“Cuidado com o que pede aos Deuses, pois eles podem realizar”

Se você não está pronto para enfrentar determinado transtorno ou trauma, deixe claro em sua conversa que não é a hora de mexer nisso, e que você precisa resolver primeiro outros medos mais simples para ganhar força e maturidade para enfrentar os problemas mais complexos.
Isso é necessário porque os Deuses vão lhe enviar seus problemas com força, vai ser como se você os estivesse vivenciando naquele momento, sentirá o medo com a maior intensidade possível, então esteja preparado.

2. LUA NOVA – A Criação

 

Normalmente as pessoas encaram a Lua Nova como uma Lua parada, sem uma boa energia mágica e isto é um erro, pois a lua continua andando, continua em movimento, gerando influência.
Precisamos é compreender o tipo de influência que essa lua gera, tanto energeticamente como simbolicamente nas celebrações.

O nome Lua Nova vem da influência energética provocada por ela, e da própria análise na imagem dela no céu.

Normalmente as mulheres começam a libertar suas hormonas recém-criadas nesse momento e a Lua retorna ao céu nesse período, como se tivesse morrido, passado por uma transformação e retornado, sendo criada novamente.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua nova é também muito individual, sua cor, normalmente é o branco podendo usar tons claros, o verde, azul e amarelo claro normalmente são usados.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos que lembrem tudo aquilo que você deseja iniciar, seus projetos, suas anotações, desenhos, fotos da casa nova, o currículo…
A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para esse projetos.

A Sintonização corresponde a uns 15 minutos que você deve dedicar ao ambiente onde ocorrerá a celebração e segue os padrões da mencionada anteriormente.

Proceda então à abertura do Círculo e às invocações.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Nova corresponde as Faces Jovens/virgens dos Deuses, alguns exemplos dessas faces são: Ártemis, Eros, Angus Mac Og, Blodeuwedd e vários outros.

Na simbologia do Esbath, nesse momento a Deusa nasceu, ela é a jovem donzela.
As crianças, e demais animais jovens são abençoados por ela. Sendo assim, é normal enviar bênçãos aos mais novos do grupo, ou aos parentes recém-chegados, assim como também abençoar os novos animais e plantas que nos circulam.

 

MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas à criação de novos projetos, organização de novas ideias e estruturação de todos os novos objectivos.
Imagine que você conquistou um novo emprego, nesse momento de lua nova você deve meditar sobre quais são as atitudes e posturas que deve tomar no mesmo, organizar seus horários, meditar sobre a melhor forma de aproveitar esse emprego e quais são os objectivos que você tem para melhorar.

Essa meditação também deve possuir uma reflexão para nossas mudanças internas, tudo de novo que está ocorrendo em nosso ser, conseguimos eliminar nossas sombras no Esbath passado? Então como estamos nos sentindo com isso? Precisamos ver como essa mudança está agindo no nosso comportamento e na forma de encarar as coisas, para que possamos trabalhar isso.

Podemos meditar sobre lendas ou a história de criações, seja do nascimento de Deuses, a criação de cidades (a nossa, por exemplo), o nosso próprio nascimento, e demais criações.
Como foi o nosso início? Quem estava presente no início de nossa vida e não se encontra mais? Que mudanças a saída dessas pessoas representou? Como nós iniciamos nossos projetos, nosso passado influencia?
Tudo que representa criação e novidade pode ser analisado.

3. LUA CRESCENTE – O Amadurecimento

 

A lua crescente representa um momento muito importante dentro dos Esbaths, o amadurecimento das ideias, dos objectivos, e do próprio conhecimento.
Na Lua Negra transformamos, na Nova criamos e na crescente colocamos em prática nossos objectivos.

Nesse momento a Deusa transita entre sua face jovem à sua face mãe e senhora, ela realmente está crescendo e amadurecendo, é um bom momento para despertar novas sensibilidades e para verificar o andamento de toda a sua vida.

Proceda à limpeza e purificação como já referido.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua crescente é também muito individual, sua cor normalmente é o verde ou o amarelo, cores ligadas a crescimento e abundância, porém você pode incluir outros tons da forma que desejar.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos que lembrem tudo aquilo que você deseja por em prática e fazer prosperar e crescer, seus projetos, coisas do trabalho, desenhos dos objectivos, fotos da família e do parceiro(a).

A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para esse projetos.

A Sintonização corresponde a uns 15 minutos tal como as outras.

Proceda à abertura do Círculo e invocações.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Crescente corresponde as Faces ligadas a fartura e ao crescimento, alguns exemplos dessas faces são: Pan, Hera, Danu, e vários outros.

Na simbologia do Esbath, nesse momento a Deusa é donzela, já amadurecida e crescendo.
Os adolescentes, e demais animais em crescimento são abençoados por ela.
Sendo assim, é normal enviar bênçãos aos jovens que acabaram de entrar na puberdade e estão se tornando homens e mulheres maduros, assim como abençoar os animais que já se tornaram férteis e estão concluindo seu crescimento, as plantas também não devem ser esquecidas e deve-se celebrar com bênçãos todas aquelas que vingaram e estão crescendo.

 

MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas ao crescimento de projetos, a abundância e sequência de nossos objectivos.
Imagine que você deseja ter um bom rendimento financeiro ou um crescimento no seu contacto e união com a família, nesse momento de lua crescente você deve meditar sobre quais são as atitudes e posturas que deve tomar para que tudo possa crescer e prosperar, e deve pôr em prática tudo isso.

Essa meditação também deve possuir uma reflexão para nossas mudanças internas, devemos verificar o que foi criado no Sabath passado e colocar tudo para prosperar, devemos guiar o crescimento de nossos sentimentos e gerar uma harmonia, para que nada cresça além do devido.

Podemos meditar sobre lendas ou histórias de fertilidade, de crescimento, de abundância.
Seja as vitórias dos Deuses, o crescimento das cidades, a nosso próprio amadurecimento e etc. Como foi o nosso crescimento? Quem estava presente na nossa puberdade? Como lidamos com isso? O que aprendemos e levamos até hoje no nosso amadurecimento como pessoas? Como nós fortalecemos nossos projetos, realizamos nossos sonhos de criança, ou criamos outros? Tudo que representa crescimento e expansão pode ser analisado.

4. LUA CHEIA – A Força

 

A lua Cheia representa o momento mais importante dentro dos Esbaths, a força e maturidade total de nossas capacidades mágicas.
Na Lua Negra transformamos, na Nova criamos, na Crescente colocamos em prática nossos objectivos e na Cheia eles são fortalecidos para decaírem na Minguante.

Nesse momento a Deusa vira a grande Senhora, Mãe de todos os seres, é um período de grande magnetismo, todas as energias aumentam suas vibrações, as percepções sensoriais se tornam mais latentes, é um momento especial para qualquer pagão.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua cheia é também individual, sua cor normalmente é o branco ou o negro. Cores ligadas à força, poder e maturidade.
Se quiser você pode utilizar outras cores.
Você deve espalhar por todo o local; símbolos, imagens ou objectos para onde você deseja enviar toda essa grande força que é gerada na lua Cheia. A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para o objectivo da celebração.

A Sintonização deve seguir o padrão das anteriores e depois proceda à abertura do círculo e invocações como ensinado.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Cheia corresponde aos Deuses e Deusas Triplas, entretanto qualquer Divindade pode ser celebrada nesse momento.
Alguns exemplos de Deuses e Deusas Triplas são: Cerridwen, Innana, Athena, Ísis, Freya, Dionísio, Osíris, Cernnunos, Lugar e vários outros.

Na simbologia do Esbath, nesse momento a Deusa é Mãe, já amadurecida e começando a envelhecer. As Mães, humanas ou não, são abençoadas pela Deusa. Sendo assim, é normal reverenciar a família colocando fotos dos nossos pais e avós pelo altar, no caso daqueles que já partiram as fotos devem ir para o altar dos ancestrais.

 

MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas ao fortalecimento dos projetos, a resolução dos problemas.

Nesse momento meditamos que todos os nossos objectivos já foram concluídos e estão em seu ápice, em seu momento mais perfeito e especial.
Essa meditação também deve possuir uma reflexão para o nosso poder interno, devemos verificar o que ocorreu desde o Sabath passado e organizar e equilibrar tudo, ampliando essas forças com o poder da lua cheia.

Podemos meditar sobre lendas ou histórias de famílias, de poder, de grandes acontecimentos.

5. LUA MINGUANTE – A Morte

 

A lua minguante representa o período de envelhecimento e morte de todos os seres e coisas. É natural as mulheres menstruarem na lua minguante, pois seu óvulo não fecundado morre e é descartado nesse período.

Na Lua Minguante, os projectos são ‘arquivados. Morrem para que possamos na lua negra iniciar todo o ciclo de análise, criação, expansão, fortalecimento e término novamente.

Nesse momento a Deusa percorre os portais até o sub mundo, ela é a Senhora, a Anciã que em breve será Rainha das transformações. Esse é um período de grande transição, nervosismo e conflitos. As dúvidas são características muito presentes durante a lua minguante.

Assim como a Deusa percorre os portais entre os mundos, nós estamos no fim de um ciclo, finalizando por completo projetos e tendo a necessidade de começar a buscar por novos.
É também um período de descanso, já que na Lua Cheia muita da energia foi dispendida.

Proceda ao ritual de limpeza e purificação.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua minguante é, como as restantes, individual.
Sua cor, normalmente é o marrom, vinho ou o negro, cores ligadas aos términos, à morte, ao envelhecimento.
Se quiser você pode utilizar outras cores, desde que não sejam cores muito chamativas.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos para onde você irá enviar as energias de término. A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para o objectivo da celebração.

A Sintonização segue os padrões anteriores e proceda depois à abertura do Círculo e invocações.

A Lua Minguante possui princípios muito similares aos da Lua Negra. Sendo assim os Deuses negros e os Deuses relacionados a términos são celebrados nesse momento. Alguns exemplos são: Ísis, Perséfone, Osíris, Hades e vários outros.

Na simbologia do Esbath, a Deusa é a Anciã, já amadurecida e pronta para a morte.
Nesse momento o altar dos ancestrais deve receber maior atenção, caso alguém tenha falecido há pouco tempo, é comum pedir que essa pessoa seja encaminhada pelos Deuses para o País do verão de modo que não fiquem vagando pelo astral ou aprisionados no sub mundo.
Aqueles que se encontram entre a vida e a morte também devem receber atenção, esse é um bom período para trabalhar curas, já que apenas com a morte é possível a vida e vice-versa.

 

MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas ao término dos projetos, à resolução dos problemas.
Nesse momento meditamos para esquecer todos os nossos objectivos alcançados para que tenhamos a mente livre para novos projetos.

Essa meditação também deve possuir uma reflexão para o nosso poder interno, devemos verificar o que ocorreu desde o Sabath passado e organizar e equilibrar tudo, eliminando todas as energias indesejadas.
Podemos meditar sobre lendas ou histórias de conquistas, finalização de construções ou artes, de mortes e afins.

OUTROS RITUAIS:

Elevar o Cone do Poder

 

Como a maioria das actividades, isso acontece no centro de um círculo mágico.
Ao tentar gerar energia para formar o cone do poder, os bruxos recorrem à dança, à meditação e aos cânticos.

Para “moldar” o poder que afirmam produzir, reúnem-se em torno do círculo mágico, esticam os braços em direcção à terra e gradualmente os levantam em direcção a um ponto focal acima do centro do círculo.

Quando o líder da assembleia sente que a energia atingiu seu ápice, ordena aos membros: “Enviem-na agora”. Então, todos visualizam aquela energia assumindo a forma de um cone que deixa o círculo e viaja até um destino previamente determinado.

O alvo do cone pode ser alguém doente ou outro membro do grupo que necessite de assistência em seu trabalho mágico. Mas seu destino também pode estar menos delimitado.

Como a prática da feitiçaria está profundamente vinculada à natureza, o cone do poder pode ser enviado para ajudar a superar as crises ambientais que atravessamos.

 

Esta é a mais básica e ao mesmo tempo avançada técnica utilizada em magia Wicca: A arte de utilizar nossa mente para “VER” o que não está presente fisicamente, é um poderoso instrumento de magia utilizado em muitos Rituais Wiccanos.

Um exemplo disso é a criação do Círculo Mágico, onde a habilidade do Wiccano em visualizar seu poder pessoal fluindo para formar uma esfera de Luz brilhante ao redor da área do ritual. Essa visualização direcciona o poder que realmente cria o Círculo, ele não se cria sozinho.

Visualização é o ato de ver com a mente e não com os olhos.
A visualização mágica é ver algo que não existe neste instante, pode ser um Círculo Mágico, uma pessoa curada, um talismã com poder etc.Podemos gerar energia, e, enquanto isso, formar uma imagem na mente de alguma coisa de que necessitamos, tudo o que for possível visualizar o mais perto do real possível.

A seguir, direcciona-se a energia para fortalecer a visualização, para que ela se manifeste.
Em outras palavras, a visualização “programa” o poder.
Isso pode ser explicado como uma forma de energia mental. Ao invés de criar uma imagem física, criamos figuras em nossa mente. Pensamentos são, definitivamente, objectos.

Nossos pensamentos afectam a qualidade de nossas vidas, se reclamarmos sempre de nossa falta de dinheiro, e fazemos uma visualização de quinze minutos para atrair dinheiro, estes quinze minutos de energia terão de lutar contra 23 horas e 45 minutos diários de programação negativa auto-induzida. Portanto devemos manter nossos pensamentos alinhados e em ordem a nossos desejos e necessidades.

ANIMAIS TOTEM:

 

O seu Animal Totem é aquele que, queira ou não, estará sempre presente, a seu lado, fazendo com que você reaja a determinadas situações.

Na maioria das vezes, a linguagem do povo é sábia, existem determinadas afirmações como: Tal pessoa tem olhos de lince, aquela pessoa reage tal qual uma cobra, aquele é esperto como uma raposa, e por aí vai. Mas o que será que isso quer dizer?

Não seria a crença inconsciente de que temos um animal totem que nos guia?Utilizar um animal não é escravizá-lo, como alguns autores de livros dão a entender.

Transformar-se nesse animal é para que algumas coisas sejam facilitadas, o que você não poderia fazer usando o seu próprio corpo.A técnica utilizada de animais em projecção, é muito usada pelos Índios, sendo os Xamãs aqueles que a dominam. Como é uma técnica que depende em primeiro lugar da sensibilidade, não é ensinada de uma maneira comum. É necessário que você sensibilize dentro de você o animal, para que possa utilizá-lo. É muito importante que você vivencie o reino em que o Mundo Animal vive, ou seja, o Reino da Natureza.

É também muito importante, que você tenha dentro de si, o compromisso com a Grande Mãe, que saiba escutar o vento, que sinta o cheiro da chuva dias antes dela chegar, que conheça o céu que a abriga e principalmente, que se sinta inteiramente integrada aos Reinos Vegetal, Animal e Vegetal. Isto é, estar em total harmonia com os animais, as plantas, as pedras…

Somente depois de uma vivência plena com a Grande Mãe, é, que você verá que não precisa chamar por um determinado animal, ele por si virá até você, para ajudá-la.

A seguir na tabela abaixo, você terá o horóscopo dos Índios Norte-Americanos.
Como ele foi idealizado por um povo do Hemisfério Norte, foi feita a adaptação para o Hemisfério Sul seguindo a mesma lógica dos Índios Norte-Americanos, que é a dos ventos e das estações.

Este horóscopo é um dos primeiros passos de entrada no Mundo da Grande Mãe, pois nele, você não se verá como o espécime humano “todo-poderoso”, mas como uma partícula integrada a outros reinos.

Este horóscopo chama-se a “RODA DA CURA”, para os Índios. Use-o e estará vivendo em harmonia com o Grande Mistério, a Grande Mãe, o Grande Espírito.

Animal Totem, data de início e data de término:

CORVO: 21 de Março a 19 de Abril
COBRA: 20 de Abril a 20 de Maio
CORUJA: 21 de Maio a 20 de Junho
GANSO: 21 de Junho a 22 de Julho
LONTRA: 23 de Julho a 22 de Agosto
LOBO: 23 de Agosto a 22 de Setembro
FALCÃO: 23 de Setembro a 23 de Outubro
CASTOR: 24 de Outubro a 21 de Novembro
GAMO: 22 de Novembro a 21 de Dezembro
PICA-PAU: 22 de Dezembro a 19 de Janeiro
SALMÃO: 20 de Janeiro a 18 de Fevereiro
URSO: 19 de Fevereiro a 20 de Março

RITUAIS QUE PODE TENTAR MESMO SEM PRÁTICA:

 

PARA A PROTEÇÃO:

Faça um Altar para a sua família.
Pegue uma Drusa de Cristal e projecte em cada ponta do cristal a imagem das pessoas que você deseja proteger. Elas ficarão ali representadas.
Cada vez que você lavar a Drusa, reforce a programação, todas as Quintas-feiras, acenda um Incenso, permeie o cristal com sua fumaça, e deixe-o queimando ao lado.

PARA A INTUIÇÃO:

Faça um chá de roseira, sente-se em uma cadeira confortável, enquanto toma o chá, pense em algumas pessoas que possam estar precisando de sua ajuda.
Sinta uma onda de sentimentos delicados saindo de você e indo para elas.

PARA A ELEVAÇÃO ESPIRITUAL:

Tome um banho de óleo de lavanda, que a deixará calma.
Abra o seu coração e perdoe alguém que te magoou.
Reflicta no poder do perdão.

Lembre-se sempre de que tudo o que fizer, deve ser anotado no seu Livro das Sombras para que você possa ler depois e analisar cada passo dado.
É muito interessante ter tudo marcado, não apenas como uma lembrança que poderá ser passado em gerações, mas como forma de ver seu próprio desenvolvimento.

 

Por: S. L. Lima

FONTE: http://grandarcanum.blogspot.com/

TEODORA, A IMPERATRIZ


 

Ela faz parte da cultura bizantino-cristã. Muito embora ela fosse uma mulher decidida e também vingativa, além de extremamente vaidosa, a sua coragem e bom senso pelo amor ao marido, o Imperador Justiniano, fizeram dela uma companheira ideal para o marido.

Tal como Justiniano, Teodora provinha de uma família humilde. O pai era um guardador de ursos dos Verdes. Com sua morte, a mãe de Teodora voltou a casar e esperou que o novo marido recebesse o lugar do primeiro, mas outro homem o acedera por meio de suborno. Assim, a família se viu ameaçada de pobreza, mas Teodora, muito jovem ainda, entrou corajosamente no hipódromo e implorou aos Verdes, ela e duas irmãs, que dessem o lugar ao padrasto. Eles recuaram, mas os Azuis, que tinham o lugar vago, foram persuadidos a contratá-la.
Teodora, já adulta, se fez uma mulher extraordinária e atraente. Diz-se que ganhava ávida como atriz, foi concubina e teve um filho ilegítimo. À medida que cresciam em idade e beleza, as três irmãs devotaram-se sucessivamente aos prazeres públicos e privados do povo bizantino; Teodora, após secundar Comito no palco, vestida de escrava, com um mocho sobre a cabeça, pôde finalmente mostrar seus talentos de maneira independente. Ela não dançava nem cantava nem tocava flauta; suas habilidades se confinavam à arte da pantomima; e toda vez que a comediante estufava as bochechas e se queixava, com voz e gestos ridículos, das pancadas que lhe eram infligidas, o teatro inteiro de Constantinopla vinha abaixo com risos e aplausos.

A beleza de Teodora era tema do louvor mais lisonjeiro e fonte de refinado deleite. Tinha ela traços delicados e regulares; sua tez, conquanto um pouco pálida, tingia-se de rubor natural; a vivacidade dos seus olhos exprimia de imediato todas as sensações; seus gestos desembaraçados punham-lhe à mostra as graças da figura pequena, porém elegante; e o amor e a adulação cuidavam de proclamar que a pintura e a poesia eram incapazes de representar a incomparável distinção de suas formas. Estas se sobressaíam, contudo pela facilidade com que se expunham aos públicos e se prostituíam a desejos licenciosos. Seus encantos venais eram prodigalizados a uma turba promíscua de cidadãos e forasteiros de toda classe e profissão; o afortunado amante a quem fora prometida uma noite de gozo era amiúde expulso do leito dela por um favorito mais forte ou mais rico; quando ela passava pelas ruas, fugiam-lhe à presença todos que desejavam furtar-se ao escândalo ou à tentação. O historiador satírico não corou de descrever as cenas de nu que Teodora exibia sem vergonha no teatro. Após exaurir as artes do prazer sensual, zero ela resmungava ingratamente contra a parcimônia da Natureza, zero, mas seus resmungos, seus prazeres e suas artes têm de ser encobertos pela obscuridade de uma linguagem culta.
Após governar durante algum tempo o deleite e o desdém da capital, ela se dignou a acompanhar Ecébolo, um natural de Tiro que obtivera o governo da Pentápolis africana. Essa união se revelou, porém frágil e transitória; Ecébolo não tardou a rejeitar a dispendiosa ou infiel concubina, a qual se viu reduzida, em Alexandria, à extrema miséria; e durante o seu laborioso retorno a Constantinopla, todas as cidades do Oriente admiraram e desfrutaram a bela cipriota cujo mérito parecia justificar o seu nascimento na ilha de Vênus. O incerto comércio de Teodora, e precauções das mais detestáveis, preservavam-na do perigo que ela temia; no entanto, uma vez, e uma somente, ela se tornou mãe. A criança foi salva e educada na Arábia por seu pai, que lhe revelou, no leito de morte, ser filho de uma imperatriz. Repleto de esperanças ambiciosas, o insuspeitoso jovem correu imediatamente para o palácio de Constantinopla e foi admitido à presença de sua mãe. Como nunca foi visto, mesmo após a morte de Teodora, esta faz jus à hedionda acusação de, com tirar-lhe a vida, ter calado um segredo danoso à sua imperial virtude.

No ponto mais objetivo da trajetória de sua fortuna e reputação, uma visão, ou de sonho ou de fantasia, murmurava ao ouvido de Teodora a deleitosa promessa de que ela estava destinada a tornar-se a esposa de um poderoso monarca. Cônscia da sua iminente grandeza, ela deixou a Paflagônia e voltou para Constantinopla; ali, atriz experimentada, assumiu um caráter mais decoroso, aliviando sua pobreza com a louvável indústria de fiandeira e fingindo viver de castidade e solidão numa casinha que mais tarde converteria num templo magnífico. Sua beleza, ajudada pela arte ou pelo acaso, logo atraiu, cativou e prendeu o patrício Justiniano, que já reinava com poderes absolutos em nome do tio. Talvez ela tivesse logrado realçar o valor de um dom que prodigalizara com tanta freqüência aos homens mais insignificantes; talvez tivesse inflamado, a princípio com adiamentos pudicos e por fim com encantos sensuais, os desejos de um amante que, por natureza ou devoção, se habituara as longas vigílias e dieta abstêmia. Após haverem extinguido os primeiros transportes dele, ela continuou a manter o mesmo ascendente sobre o seu espírito pela virtude mais sólida da índole e do entendimento.
Quando Justiniano a conheceu, ela abandonou o palco e trabalhava como fiandeira. Ele, de imediato, se deixou cativar pela bela morena de grandes olhos pretos. Entretanto, nutrir este sentimento não foi fácil, pois a imperatriz, tia de Justiniano, não apoiava a união. Além disso, a lei romana proibia o casamento de um nobre com uma mulher da classe teatral. Contudo, Justiniano tinha plenos poderes para emendar a lei. Em 525, com a benção do imperador Justino, Teodora e Justiniano se casaram. Em 527, quando Justino elevou Justiniano a co-augusto, Teodora foi coroada ao seu lado em Hagia Sopia.

Com a morte de Justino, alguns meses depois, Justiniano fez de Teodora sua co-governante. Os governadores provinciais tiveram de prestar lealdade a ambos. Assim, a nova imperatriz desfrutava avidamente os prazeres da riqueza – boa comida, vinhos finos, vestidos e jóias magníficas, palácios junto ao mar. Exercia sua autoridade com inteligência arguta e decisão. Justiniano consultava-a para tudo. Em certas ocasiões, ela o superou, sendo particularmente influente em questões de religião.
Os que acreditam que à mente feminina seja totalmente depravada pela perda de castidade darão prontamente ouvidos a todas as invectivas da inveja particular ou do ressentimento público, que dissimularam as virtudes de Teodora, exageraram-lhe os vícios e condenaram com rigor os pecados venais ou voluntários da jovem prostituta.

Por uma questão de vergonha ou desprezo, ela declinava amiúde a homenagem servil da multidão, fugia da luz odiosa da capital, e passava a maior parte do ano nos palácios e jardins aprazivelmente situados no litoral da Propôntida e do Bósforo. Suas horas de privacidade eram devotadas ao grato e prudente cuidado de sua beleza, aos deleites do banho e da mesa, a ao sono longo da tarde e da manhã. Seus apartamentos íntimos eram ocupados pelas mulheres e eunucos favoritos, cujos interesses e paixões ela satisfazia em detrimento da justiça; as personalidades mais ilustres do Estado se apinhavam numa escura e abafada antecâmara; e quando finalmente, após uma tediosa espera, eram admitidas a beijar os pés de Teodora, experimentavam, conforme o humor dela lhe sugerisse a silenciosa arrogância da imperatriz ou a caprichosa frivolidade de uma comediante. A avareza com que ela se empenhava em acumular um imenso tesouro talvez se possa justificar pelo receio de a morte do marido não deixar nenhuma alternativa entre a ruína e o trono; e o temor, tanto quanto a ambição, podiam acirrar Teodora contra dois generais que, durante uma enfermidade do imperador, tinham temerariamente declarado que não estavam dispostos a concordar com a escolha da capital.

Mas a censura de crueldade, tão incomparável mesmo com os seus vícios mais brandos, pôs uma mancha indelével mesmo na memória de Teodora. Seus numerosos espiões observavam e zelosamente relatavam qualquer ação, palavra ou expressão injuriosa a sua real senhora. Quem quer que acusassem era atirado às prisões privativas da imperatriz inacessíveis aos inquéritos de justiça; e corria o boato de que a tortura do cavalete ou do açoite fora aplicada em presença de uma mulher tirana insensível à voz do rogo ou da piedade. Algumas dessas vítimas desditosas pereciam em profundos e insalubres calabouços, enquanto as outras se consentia, após perderem os membros, a razão ou a fortuna, reaparecer no mundo como monumentos vivos da vingança dela, que habitualmente se estendia aos filhos daqueles de quem suspeitasse ou a quem lesasse. O senador ou bispo cuja morte ou exílio Teodora decretava era entregue a um mensageiro de confiança, e uma ameaça da boca da própria imperatriz lhe apressava a diligência: “Se falhares na execução de minhas ordens, juro por Aquele que vive para todo o sempre que tua pele te será arrancada do corpo”.

Apesar de o marido se discípulo fiel do Cristianismo Ortodoxo, Teodora acreditava firmemente na teoria da natureza única de Cristo, o monofisismo, uma doutrina segundo a qual existe apenas uma única natureza na pessoa singular de Jesus Cristo, pois sua humanidade é totalmente absorvida por sua natureza divina. Assim sendo, Jesus era apenas divino. Embora tivesse sido esta doutrina desacreditada em Calcedônia desde cerca de oitenta anos antes, muitas Igrejas orientais ainda aderiam a essa teoria.

Teodora chegou a alojar bispos monofisistas aos seus aposentos e a manipular a nomeação de um papa que ela julgava ser pró-monofisista. Buscava a tolerância religiosa para bem do Império, enquanto o marido parecia mais interessado em escrever doutrina teológica. Apesar das diferenças de personalidades de ambos, o casamento dos dois foi bem sucedido.

Sempre leal ao marido, Teodora era rápida e veemente no castigo aos inimigos. Deixou ela, na obra do marido, uma marca rubra: preocupou-se em que fossem decretadas normas que tornassem ilegal o comércio da prostituição, logo ela que vinha de um passado desregrado-e fossem banidos os proxenetas. Segundo alguns autores, ela era motivo de orgulho entre suas ex-colegas prostitutas por ter conseguido chegar ao “posto” de imperatriz. Ela, no entanto, sentia vergonha de seu passado e revoltava-se com o fato de suas ex-colegas vangloriarem-se dessa honra. Para acabar com os comentários, mandou eliminar ou sumir, não se sabe ao certo, com todas as prostitutas da região – cerca de quinhentas.

A prudência de Teodora é celebrada pelo próprio Justiniano, cujas leis são atribuídas aos sábios conselhos de sua idolatrada esposa, por ele recebido como uma dádiva da Divindade. A coragem dela se demonstrava em meio ao tumulto da população e os terrores da corte. Sua castidade, desde o momento de sua união com Justiniano, funda-se no silêncio dos seus implacáveis inimigos; e embora a filha de Acácio pudesse estar farta de amor, merece certo aplauso à firmeza de um espírito capaz de sacrificar o prazer e o hábito ao senso mais forte do dever ou do interesse. Os desejos e preces de Teodora jamais conseguiram obter a benção de um filho legítimo, e ela teve de sepultar uma filha recém-nascida, único fruto do seu casamento. Malgrado esse desapontamento, seu domínio era permanente e absoluto; ele preservou, pela astúcia ou pelo mérito, o afeto de Justiniano, e as aparentes dissensões entre ambos eram sempre fatais aos cortesãos que as acreditassem sinceras.

 

A Inimiga Número Um da Reencarnação.

Até meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava a doutrina da reencarnação que a cultura religiosa oriental já proclamava milênios antes da era cristã como fato inquestionável, prova incontestável da justiça divina, que sempre dá oportunidade ao homem de rever seus atos e retomar aquilo que achar necessário em nova existência.

Porém, que o II Concílio de Constantinopla, atual Istambul, na Turquia, em decisão política, para atender exigências do Império Bizantino, resolveu abolir tal convicção, justificada pela lógica, substituindo-a pela doutrina da ressurreição, que contraria todos os princípios da ciência, pois admite a volta do ser, por ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo já desintegrado em todos os seus elementos constitutivos. A Igreja teve alguns concílios tumultuados, mas parece que o II Concílio de Constantinopla, ocorrido em 553, bateu o recorde em matéria de desordem e mesmo de desrespeito aos bispos e ao próprio Papa da época, Virgílio.

Na época do episódio da execução das prostitutas sob as ordens de Teodora, o povo acreditava na reencarnação, embora assumissem serem cristãs. Quando o referido evento envolvendo a imperatriz e o extermínio das meretrizes ocorreu, Teodora foi chamada de assassina pelos cristãos reencarnacionista, e que ela deveria ser castigada quinhentas vezes em suas vidas futuras, como carma por ter traído suas ex-colegas prostitutas. O certo é que Teodora passou a odiar a doutrina da reencarnação e, como tinha muita influência no meio político e religioso, partiu para uma perseguição sem tréguas contra essa doutrina e contra o seu maior e mais antigo defensor entre os cristãos, Orígenes, filósofo grego que viveu em Alexandria, cuja fama de sábio era motivo de orgulho dos seguidores do cristianismo, apesar de ele ter vivido quase três séculos antes, entre 185 e 254.

Como a doutrina da reencarnação pressupõe a preexistência do espírito, Justiniano e Teodora decidiram primeiro, abalar a doutrina da preexistência, com o que estariam, automaticamente, desestruturando a da reencarnação.

Assim, em 543, Justiniano publicou um edital, em que expunha e condenava as principais idéias de Orígenes, sendo uma delas à da preexistência do espírito. Em seguida à publicação do edital, Justiniano determinou ao patriarca Menas de Constantinopla que convocasse um sínodo (reunião de bispos de todo o mundo), para que os bispos votassem em seu edital, aprovando dez anátemas (condenações) dele constantes contra Orígenes.

A principal anátema que nos interessa é o que trata da preexistência do espírito e que, em sua íntegra, diz o seguinte: “Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas preexistiram na condição de inteligências e de santos poderes; que, tendo-se enojado da contemplação divina, tendo-se corrompido e, através disso, tendo-se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele seja anatematizado!” [O Mistério do Eterno Retorno, pág. 127-127, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996].

Condenando a doutrina da preexistência do espírito, estava automaticamente condenada também a doutrina da reencarnação, sem que com isso fosse, sequer, necessário lançar um edital especial contra ela ou mesmo citá-la a qualquer momento. Como o maior desenvolvimento em poder e crescimento do cristianismo foi no Ocidente, a condenação da preexistência do espírito e da reencarnação se espalharam com ele e é por isso que entre nós hoje parece estranho acreditar nessas duas doutrinas.

Entretanto, Teodora não foi uma mulher feliz…

Talvez sua saúde tivesse sido prejudicada pela licenciosidade de sua juventude; era, contudo, sempre delicada, e seus médicos lhes prescreveram os banhos termais pitianos. Nessa viagem, acompanharam a imperatriz o prefeito pretoriano, o tesoureiro-mor, vários condes e patrícios, e um esplendido séqüito de quatro mil servidores. As estradas reais iam sendo consertadas à medida que ela se aproximava; construiu-se um palácio para recebê-la; e enquanto atravessava a Bitínia, Teodora distribuía generosas esmolas às igrejas, mosteiros e hospitais, para que rogassem aos céus pela restauração de sua saúde. Por fim, no vigésimo quarto ano de casamento e no vigésimo segundo de reinado, um câncer a consumiu, e a perda irreparável foi deplorada pelo marido que, no quarto de uma prostituta de teatro, talvez tivesse escolhido a mais pura e mais nobre virgem do Oriente.
Junto com o marido, ela é santa da Igreja Católica Ortodoxa, comemorada a 14 de novembro. Um disparate para uma mulher que, em vida, ficou na História como uma das personagens mais fascinantes, determinadas, inteligentes, porém cruel, sanguinária, e vingativa.

Por Paulo Néry

FONTE: http://grandarcanum.blogspot.com/

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