
Flávia Júlia Helena, também conhecida como Santa Helena, Helena Augusta, e Helena de Constantinopla, foi a primeira mulher de Constâncio Cloro e mãe do Imperador Constantino, o Grande. De acordo com uma tradição, foi ela quem descobriu o local de crucificação de Jesus, tendo lá sido erguida a Basílica do Santo Sepulcro.
Sua origem ainda se especula de incerteza. Durante muito tempo acreditou-se que a mãe do Imperador Constantino nascera na Bitinia, atual Grã Bretanha, mas ainda carece de justificação histórica para tal crença. É quase certo que Helena nasceu em Drepanum (Helenópolis), na Ásia menor, de uma família humilde.
Casou-se com Constâncio Cloro, e o filho de ambos, Constantino, nasceu em 274 d.C. Trabalhou como criada de taverna antes de se casar com Constâncio quando este ainda não havia sido nomeado César. Apaixonados, casaram-se. Mas quando o imperador Maximiano nomeou-o co-regente, portanto seu sucessor exigiu que ele abandonasse Helena e se casasse com sua enteada Teodora. Isso era possível porque a lei romana não reconhecia o casamento entre nobres e plebeus.
O ambicioso Constâncio obedeceu. Entretanto levou consigo para Roma o filho Constantino, que nascera em 274 da união com Helena, que ficou separada do filho por quatorze anos. Com a morte do pai em 306, Constantino mandou buscar a mãe para junto de si na Corte. Ela já se havia convertido e tornado cristã. Não se sabe ao certo como ela se tornou cristã, mas seu filho Constantino, ao ser proclamado imperador em 306 d.C, tratou-a com as maiores honras.
O jovem Constantino, auxiliado pela sabedoria de Helena, conseguiu assumir o trono como o legítimo sucessor do pai. Primeiro, tornou-se governador; depois, o supremo e incontestável imperador de Roma, recebendo o nome de Constantino, o Grande. Para tanto, teve de vencer seu pior adversário, Maxêncio, na histórica batalha de Ponte Milvio, travada, em 312, às portas de Roma.
Durante a batalha contra Maxêncio, seu exército estava em desvantagem. Influenciado por Helena, que tentava convertê-lo, Constantino teria tido uma visão. Apareceu-lhe uma cruz luminosa no céu com os seguintes dizeres: “In Hoc Signo Vinces” (“Com este sinal vencerás”). Imediatamente, mandou pintar a cruz em todas as bandeiras e, milagrosamente, venceu a batalha. Nesse mesmo dia, o imperador mandou cessar, imediatamente, toda e qualquer perseguição contra os cristãos e editou o famoso decreto de Milão, em 313, pelo qual concedeu liberdade de culto aos cristãos e deu a Helena o honroso título de “Augusta”.
Helena passou a dedicar-se à expansão da evangelização e crescimento do cristianismo em todos os domínios romanos. Às custas do Império, patrocinou a construção de igrejas católicas nos lugares dos templos pagãos, de mosteiros de monges e monjas e ajudou a organizar as obras de assistência aos pobres e doentes.
Helena gostava muito do seu neto mais velho, Crispus Caesar (filho de Constantino e de Minervina, uma relação ocorrida antes do casamento com Fausta), que foi nomeado pelo pai governante da Gália. Contudo, por volta de 326 Constantino decretou a execução de Crispus, então com vinte anos, que teria tentando seduzir a madrasta. Em vingança pela morte do neto, Helena teria mandado matar Fausta, embora não existam provas cabais nesse sentido.
Segundo Henri-Irénée Marrou na sua “Historia da Educação na Antiguidade”, os atos e fatos históricos, mesmo os mais antigos, não estão cristalizados. São dinâmicos e precisam ser constantemente reavaliados dentro das novas percepções que surgem continuamente.
Nesse sentido, Michel Onfray, que cita Marrou em seu bizarro “Tratado de Ateologia”, aborda – de forma bastante radical e, suspeito, com muita veemência: “alguns ângulos ainda obscuros em torno das principais personagens responsáveis pela metamorfose do até então proscrito cristianismo em religião oficial do Estado Romano”.
Mostra que “Helena foi canonizada e tornou-se a primeira imperatriz romana a entrar no panteão tanatofílico cristão” após empreender aquela piedosa viagem à palestina, já que estava “vagamente preocupada com a salvação de seu filho incitado ao machado e à água fervente”. O “panteão tanatofílico” em bom vernáculo equivale à galeria dos deuses da morte.
Já a referência à incitação “ao machado e à água fervente” remete às circunstâncias do assassinato, por ordem de Constantino, de seu próprio filho e da 2ª esposa do Imperador, Fausta, escaldada até a morte, acusada como indutora da decapitação do enteado.
Enquanto mandava destruir os templos pagãos e construir muitas igrejas em Roma e por todo o império, Helena viveu ao lado de seu filho em Treves, Roma e em Bizâncio e o levou a venerar os Lugares Santos. Finalmente, em 325 o imperador Constantino declarou o Cristianismo como à única religião legal do Império Romano. Seguindo suas instruções (325-326) o imperador mandou destruir o templo do deus Asclépio e vários outros como o da deusa Afrodite em Jerusalém e Afaka no Líbano, além outros tantos em Mambre, Fenícia, Baalbek, Dídima, Athos etc.
Após a morte de Fausta, sua nora, a um crime que lhe imputa suspeitas de orquestração, deixou Roma para fazer uma peregrinação à Terra Santa entre os anos 325e 326 d.C. Zelosa seguidora do cristianismo, chegou a Jerusalém, em 326, próxima dos oitenta anos de idade.
Durante sua estada, fundou igrejas sobre alguns supostos lugares relevantes da vida de Jesus. Supervisionou a construção, às custas do império, de magníficas igrejas em Jerusalém e Belém, inclusive as igrejas da Natividade e do Santo Sepulcro e a Basílica da Ascensão de Jesus no Monte das Oliveiras.
Na Palestina, ela vivia em um mosteiro e mandou construir outros para monges e freiras. Depois ela foi ali consagrada numa basílica da qual só restam apenas ruínas. Esta e outras construções grandiosas de sua ordem fizeram da Terra Santa um importante centro de peregrinações cristãs. Lembrar que atual igreja do Santo Sepulcro data do Século XII. Esta e outras construções grandiosas de Helena fizeram da Terra Santa um importante centro de peregrinações cristãs a partir de então.
Segundo a lenda, Helena teria descoberto no interior da gruta algo ainda mais importante: a cruz de Jesus. A sua descoberta é tradicionalmente datada de 3 de maio. Por isso se celebrava, nesse dia, a festa da “invenção (latim, “descoberta”) da Santa Cruz”. De acordo com uma versão da história, as três cruzes lá se encontravam. Para determinar qual delas tinha sustentado Jesus, Helena mandou vir o corpo de um homem morto e pousou-o numa das cruzes. Nada aconteceu. A Seguir, foi posto em contato com a segunda, novamente em vão. Ao tocar a terceira cruz, o homem ressuscitou.
Helena mandou enviar a Constantino pedaços da “verdadeira cruz” e cravos da mesma. Como amuleto para proteger dos perigos a sua nova cidade, Constantino encerrou um fragmento da cruz numa estátua de si mesmo e serviu-se os cravos para fazer freios e um elmo. Em 350, já outros fragmentos da cruz tinham sido enviados a igrejas de todo mundo romano.
Por detrás destas tradições, surge uma importante realidade histórica:
Havia mais de um século, talvez mesmo desde a morte de Cristo, os cristãos persignavam-se como Sinal da Cruz na testa, feito com o polegar ou indicador, atribuindo poderes milagrosos a esse sinal. Agora, a cruz era o emblema da vitória de Constantino. Embora a visão deste antes da Batalha de Ponte Mílvio pareça ter sido Khi-Rho, um emblema bastante popular entre os cristãos, com as letras alfa e ômega intercaladas, este foi mais tarde combinado com a cruz.
O Historiador Eusébio liga a “cruz que dá a vitória” aos êxitos militares de Constantino. Mas parece que o uso generalizado, tal como a conhecemos, só pode ter surgido cerca de dez anos depois da morte de Constantino, em 337. É significativo ter sido Constantino quem aboliu a crucificação como forma de pena capital.
As gerações futuras atribuem corretamente a Constantino e sua mãe a inovação do uso da cruz como símbolo. Subtende-se que havia a idéia de Cristo como Rei do Universo, cuja cruz foi o instrumento de sua vitória cósmica sobre o poder de Satã.
A época da descoberta da cruz, cujo nome de Helena é particularmente ligado a essa descoberta, tal fato foi considerado como verdadeiro, mas os escritores mais antigos não mencionam qualquer ligação de helena com a descoberta da cruz. Muito provavelmente, ela já teria morrido antes disso, mas desde o final do século IV, Helena é sempre associada a essa descoberta. Se a madeira encontrada era realmente da cruz autêntica, trata-se de uma outra questão, hoje imensamente impossível de se solucionar.
Na arte, o emblema de Santa Helena é a Cruz, e como santa da Igreja Católica Apostólica Romana, é celebrada no cânon dos santos a 18 de agosto.
Por Paulo Néry
Beatriz disse,
Agosto 11, 2009 às 8:58 pm
Há pouco tempo me passei a conhecer mais profundamente a história acerca de Constantino e sua família. Soube que, antes de Minervgina, ele possuiu um grande e único amor, que se chamava Lucrécia e pertencia a familia de Petronius -senador romano. Era devotada cristã. Acreditando que Flavius -constantino – estava morto fugiu para a Palestina e começou a trabalhar com os cristãos. Descobri, também, o pai de constantino mandou matá-la e ao filho – Flavius Aurelius Constantonus – pois estes, segundo o pai, eram a causa do filho ter se convertido ao cristianismo. Estas informações estão corretas?