
Para se saber as ligações entre a Maçonaria e a Ordem Rosa-Cruz ou Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (AMORC) como preferem os seus adeptos, vamos fazer algumas considerações sobre essa Ordem:
Rosa-Cruz é a denominação da fraternidade filosófica que, de segundo a tradição, teria sido fundada por Christian Rosenkreutz e representa uma síntese do ocultismo imperante na Idade Média.
Muitos acreditam que Christian Rosenkreutz foi um homem que realmente existiu e foi o verdadeiro fundador da Ordem, renegando assim o passado da Ordem Rosa-Cruz no Antigo Egipto, mais concretamente à época do faraó Tutmés III.
Na verdade Christian Rosenkreutz foi um personagem fictício utilizado por rosa cruzes franceses para promover o novo ciclo de actividades da Ordem na França, utilizando manifestos que foram publicados no país.
A AMORC foi fundada pelo cientista, escritor, filósofo, pintor e místico, Dr. Harvey Spencer Lewis que assumiu a responsabilidade de reactivar a Ordem Rosa-Cruz na América do Norte em 1915, sendo o primeiro Imperator e representante da ordem perante a FUDOSI, uma federação independente de ordens esotéricas.
Tradicionalmente, o Dr. Lewis foi regularmente iniciado na tradição rosacruciana na Europa, em Toulouse, na Ordre Rose-Croix, por Emille Dantine. Como parte dessa iniciação, foi outorgado ao Dr. Lewis cartas de autorização para fundar a AMORC como um novo corpo rosacruciano nos Estados Unidos.
Através de seus inúmeros contactos europeus, o Dr. Lewis associou-se à Madame May Banks-Stacy, uma das últimas sucessores da colónia original de rosa cruzes que migraram para a América nos fins do século XVII.
Já no final dos anos 20, ele tornou-se uma figura notável e muito conhecida no mundo esotérico.
Harvey Spencer Lewis morreu em 1939 e sucedeu-lhe no cargo de Imperator seu filho, Ralph Maxwell Lewis, quem lhe servia anteriormente de Grande Secretário.
Gary L. Stewart foi apontado para o cargo de Imperator na época do recolhimento de Ralph Maxwell Lewis em 1987.
O actual Imperator é Christian Bernard, que foi eleito para o cargo de Imperator em 1990.
A Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz é uma fraternidade formada por homens e mulheres, sem distinção de crença ou raça, não religiosa, não dogmática, apartidária, que tem como objectivo o estudo das leis místicas universais, para o aperfeiçoamento da humanidade e de cada indivíduo.
A Ordem Rosa-Cruz é uma organização internacional de carácter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosa-Cruz.
Ela também é conhecida por seu nome em Latim, Antiquus Mysticusque Ordo Rosæ Crucis. A AMORC é a maior fraternidade Rosa-Cruz existente, em número de membros e de países em que possui membros activos.
Esta denominação é a simplificação de Antiga e Arcana Ordem da Rosa Vermelha e da Cruz Dourada.
Segundo lendas da Ordem Rosa-Cruz, as suas origens remontariam às supostas antigas escolas de mistérios egípcias, há 3360 anos.
É tido como fundador da tradição Rosa-Cruz o faraó Tutmés III, da XVIII dinastia, por volta de 1350 a.C. Teria o faraó fundado uma fraternidade secreta, com o objectivo de estudar os mistérios da vida. A Fraternidade Rosa-Cruz ainda não se auto-denominava assim, sendo oficialmente estabelecida em El Amarna pelo faraó Amenófis IV (Akhenaton).
De acordo com a AMORC, dentre os inúmeros personagens históricos que teriam integrado a tradição, os mais conhecidos são Os Faraós Tutmés III e Akhenaton.
Tutmés III teria fundado uma Fraternidade no Templo de Karnak, conhecida como Grande Fraternidade Branca.
Tal fraternidade seria formada por diversos homens que estudavam as leis universais e os mistérios da vida.
Esses mistérios envolvem conceitos, como karma, origem da vida, reencarnação, e demais temas envolvendo as áreas de filosofia, ética, metafísica e terapêutica.
A fundação dessa Fraternidade tradicionalmente se deu em 1353 a.C., ano que inicia o cômputo do calendário Rosa Cruz.
Os rosacrucianos, têm aceitado essa hipótese falseando, lamentavelmente a verdade histórica, pois na realidade essa fraternidade nasceu no período medieval, embora apresentando em sua ritualística muito do misticismo das antigas civilizações, como acontece com a maçonaria (muitos maçons também querem fazer crer que a Ordem Maçónica é antiquíssima e já existia no Antigo Egipto e na Pérsia, o que é, verdadeiramente, uma heresia histórica).
O rosacrucianismo é um sincretismo de diversas correntes filosófico-religiosas: Hermetismo egípcio, cabalismo judaico, gnosticismo cristão, alquimia etc.
A primeira menção histórica da ordem data de 1614, quando surgiu o famoso documento intitulado “Fama Fraternitatis” onde são contadas as viagens do “alemão” Rosenkreutz pela Arábia, Egipto e Marrocos, locais onde teria adquirido sua sabedoria secreta, que só seria revelada aos iniciados.
O símbolo Rosa-Cruz, além de sugestivo, corresponde à ansiedade daquela época. Alguns procuraram relacioná-lo com as armas de Lutero, coisa que não é provável.
Seria antes e preferivelmente relacionado com as armas de Paracelso.
Robert Fludd, considerado como o primeiro Rosa-Cruz da Inglaterra, diz que o nome da ordem está ligado a uma alusão ao sangue de Cristo na cruz do Gólgota; a mística ideia da rosa, associada à lembrança da cor do sangue e aos espinhos que provocam o seu derramamento, contribuiu, certamente, para dar à palavra, uma grande força de sedução.
Além disso, muitos Rosa-cruzes vêem, no emblema, um símbolo alquimista, concretizando uma ambiguidade muito comum aos símbolos.
Os Rosa-cruzes actuais têm uma interpretação bem mais mística a respeito da cruz e a rosa:
A cruz representaria o ser humano, a parte material, enquanto a rosa representaria o ser imaterial, a alma, espírito ou corpo astral.
Como a preocupação máxima dos alquimistas que se ligaram à Ordem Rosa-Cruz era o segredo da imortalidade e a regeneração universal, o símbolo rosacruciano está relacionado com essa preocupação.
Em botânica oculta, a rosa era uma flor iniciática para diversas ordens religiosas, sendo que actualmente, a arte sacra continua a considerá-la como símbolo da paciência, do martírio, da Virgem (Rosa Mística); no quarto domingo da Quaresma, em todos os anos, o padre benze a Rosa de Ouro, que é considerada como um dos muitos sacramentais oferecidos pela Igreja, em sua liturgia.
Em última análise, a rosa representa a mulher, enquanto que a cruz simboliza o sexo masculino pois para os hermetistas, ela é o símbolo da junção da elíptica com o equador terrestre (elíptica é a órbita aparente do Sol, ou a trajectória aparente que o Sol descreve, anualmente, no céu); Ambos se cruzam no equinócio da primavera e no equinócio de Outono.
Assim, a Rosa simboliza a Terra, como ser feminino, e a Cruz simboliza a virilidade do Sol, com toda a sua força criadora que fecunda a Terra. A junção dos sexos leva à perpetuação da vida e ao segredo da imortalidade, resultando também dela a regeneração universal, que é o ponto mais alto da doutrina rosacruciana.
Existe forte ligação entre a Maçonaria e os Rosa-cruzes e essa ligação começou já na Idade Média: No fim do período medieval e começo da Idade Moderna, com inicio da decadência das corporações operativas (englobadas sob rótulo de maçonaria de Ofício ou operativa), estas começaram, paulatinamente, a aceitar elementos estranhos à arte de construir, admitindo, inicialmente, filósofos, hermetistas e alquimistas, cuja linguagem simbólica assemelhava-se à dos franco-maçons.
Como a Ordem Rosa-Cruz estava impregnada pelos alquimistas, como já vimos, data daí a ligação do rosacrucianismo e da alquimia com a Maçonaria.
Leve-se em consideração, também, que durante o governo de José II, imperador da Alemanha de 1765 a 1790, e co-regente dos domínios hereditários da Casa d’Áustria, houve um grande incremento da Ordem Rosa-Cruz e sua comunidade, atingindo até a Corte e fazendo com que o imperador proibisse todas as sociedades secretas, abrindo, apenas, exceção aos maçons o que fez com que muitos Rosa-cruzes procurassem as lojas maçónicas.
A partir da metade do século XVIII e, principalmente, depois de José II, com a maciça entrada dos rosa cruzes nas lojas maçônicas, tornava-se difícil, de uma maneira geral, separar Maçonaria e rosacrucianismo, tendo, a instituição maçónica, incorporado, aos seus vários ritos, o símbolo máximo dos rosa cruzes: ao 18º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, ao 7º grau do Rito Moderno, ao 12º grau do Rito Adoniramita etc.
O Cavaleiro Rosa Cruz é, como o próprio nome diz, um grau cavaleiresco e se constitui no 18º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito.
A sua origem hermetista e a sua integração na Maçonaria, durante a Segunda metade do século XVIII leva a marca dos ritualistas alquímicos, que redigiram naquela época os rituais dos Altos Graus.
O hermetismo atribuído ao Grau 18 é perceptível no símbolo do grau, que tem uma Rosa sobreposta à Cruz, representando esta, o sacrifício e a Rosa o segredo da imortalidade, que nada mais é do que o esoterismo cristão, com a ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a tipificação da transcendência da Grande Obra.
Vários são os símbolos comuns às duas instituições, a começar pela disposição dos mestres com cargos, lembrando os pontos cardeais, e a passagem do Sol pela Terra, do Oriente ao Ocidente.
Cada ponto cardeal é ocupado por um membro. A figura do venerável mestre na maçonaria, ocupando sua posição no Oriente, encontra similar na Ordem Rosa-Cruz, na figura de um mestre instalado, que ocupa seu lugar no leste.
A linha imaginária que vai do altar dos juramentos ao Painel do Grau, e a caminhada somente no sentido horário, também é similar. Em ambos os casos o templo é pintado na cor azul celeste, e a entrada dos membros ocorre pelo Ocidente.
O altar dos juramentos encontra semelhança no Shekinah na ordem Rosa Cruz, sendo que neste último não se usa a bíblia ou outro livro, mas sim 3 velas dispostas de forma triangular, que são acesas no início do ritual e apagadas ao final deste, simbolizando a Luz, a Vida e o Amor.
Outra semelhança é o uso de avental por todos os membros iniciados ao adentrarem o templo, enquanto que os oficiais, (equivalente aos mestres com cargo), usam paramentos especiais, cada qual simbolizando o cargo que ocupa no ritual.
O avental usado pelos membros não diferencia o grau de estudo.
Algumas das diferenças ficam por conta da condução do ritual, onde na Ordem Rosa Cruz tem carácter místico-filosófico.
Os iniciantes rosacrucianos recebem seus estudos em um templo separado, anexo ao templo principal, enquanto os aprendizes maçons recebem suas instruções juntamente com os demais irmãos e, finalmente, o formato físico da loja maçónica lembra as construções greco-romanas, enquanto que a Ordem Rosa Cruz (AMORC) lembra as construções egípcias.
Existiram diversos ciclos de actividades da Ordem Rosa-Cruz.
Dentro de um mesmo ciclo, há uma época de plena actividade, seguida por uma época de inactividade de mesma duração.
Esses ciclos são necessários por diversos motivos. Um ciclo se iniciou em 1378, com o “nascimento” de Christian Rosenkreutz. Quando ele “faleceu”, em 1459, a ordem iniciou sua fase de inactividade, voltando novamente a plena actividade com a “descoberta” do túmulo de Christian Rosenkreutz e a publicação do manifesto, em 1614.
Então temos ciclos de precisos ensinamentos secretos e outros em que a Ordem é promovida ao público, como a AMORC actua nos dias de hoje, com livros.
As Grandes Lojas da Ordem Rosa Cruz estão hoje divididas em jurisdições para os idiomas do mundo.
Por: S. L. Lima
andreluizsiqueira disse,
Agosto 1, 2009 às 1:04 pm
Ola ?!?! Sou um Frater e gostei de sua postagem,,, .’.PAZ PROFUNDA.’.