
Antes que vocês me façam alguma pergunta, deixe-me falar uma coisa. Uma pessoa estava conversando comigo agora a pouco e disse que viu um filme onde o governo controlava as emoções e as pessoas eram obrigadas a não ter emoções. Esta pessoa me disse, então, que se este é o mundo que eu prego, ela quer isso para si. Mas, este não é o mundo que prego…
Na verdade, enquanto humanizado, você terá tudo de humano. Emoções, percepções e formações mentais estarão sempre presentes na sua consciência durante aquilo que vocês chama de encarnação. Não há como estar encarnado e não ter estas coisas…
O que eu prego não é você acabar com as emoções, mas sim se libertar delas. O que digo é que com o coração você deve chegar a ponto de dizer: estou feliz, estou, e daí? Estou triste, estou, e daí?
Claro que vocês não podem me ver, mas podem me ouvir e reparar que não há diferença de entonação na minha voz quando falo em tristeza ou felicidade…
A tristeza e a felicidade existirão sempre para você enquanto encarnado, mas não se deixar o seu coração se levar por elas: é isso que eu prego.
Participante: É não dar importância a elas?
Mais do que isso: é não deixar ela dominar seu coração.
Veja, emoção humana você sempre terá enquanto ligado ao ego humano; sentimento espiritual também, porque afinal de contas, você é um espírito: o que não pode fazer é deixar as duas soarem uníssonas…
Participante: O grau de amor, veneração e respeito a Deus é questão de sensibilidade?
Não, é questão de amar. O grau de amor e respeito a Deus depende do quanto se ama…
Deixe-me lhe dizer uma coisa interessante… Se o Universo é Uno, Único e Estável, não existem graus de amor. Existe o amar. Aliás, existe o amar e a ilusão de não estar amando, porque na verdade está sempre amando.
Então, diria, se você quer falar em graus de amor, que o grau de amor a Deus é medido de acordo com seu grau de não acreditar que está tendo raiva, desamor ou qualquer outra ilusão emocional que vivencia como real. Se você ama noventa por cento das ilusões que vivencia, diria, simbolicamente que ama a Deus apenas dez por cento…
Falei simbolicamente porque, na verdade, qualquer escala é uma ilusão. Sendo assim, a escala ou os seus níveis não existe dentro da Realidade…
Participante: O senhor pode falar sobre Krishnamurtti.
Um ego… Toda personalidade humana é um ego.
O ego Krishnamurtti tem para a ilusão planetária, como todos os outros, as funções descritas em O Livro dos Espíritos: servir de prova para um determinado espírito e cumprir a sua parte na obra geral. Ou seja, este ego serve a um espírito como provação por verdades, formações mentais, percepções e sensações e serve aos outros espíritos ligados a egos como provação. Serve a você como prova porque se vibrar seu coração na idolatria a Krishnamurtti, não chega a deus.
Então, qualquer personalidade humana ou humanizada – personalidade humana é o ser humano com carne; personalidades humanizadas são espíritos que vivenciam personalidades sem carnes como André Luiz, Emmanuel, Bezerra de Menezes – é sempre isso: prova para um espírito e instrumento para a obra geral de Deus.
Participante: Gostaria de saber se o caminho da paz tem que ser construído ao longo do tempo ou se ela está dentro de nós e temos somente que vivenciá-la?
Por favor, me diga: a que paz se refere… A paz planetária ou a paz interior? Fala da paz entre os homens ou você estar em paz?
Participante: Interior…
A paz interior é uma ilusão. Na realidade, a única coisa que o espírito tem consciência de ter é a sua capacidade de amar…
Na verdade, nenhum espírito vive paz, harmonia ou felicidade. No Universo que é Uno, Único e Estável, o espírito só pode ter uma coisa: o amor. Então, nele só existe amor.
Sendo assim, paz, felicidade e harmonias são ilusões que o espírito vivencia enquanto está amando… Estes elementos são sensações ilusórias que o espírito sente enquanto na sua consciência primária está apenas amando.
Agora, se você quiser saber sobre a paz planetária, eu digo que isso é impossível. Se houvesse paz eterna no planeta, não haveria vicissitudes…Se não houvesse vicissitudes, não haveria provações…
Não havendo mais provas, pergunto: para que encarnar? Não precisando encarnar, pergunto novamente: para que ter planeta?
Participante: É ilusão achar que destruir é mais fácil do que construir?
É claro que é, até porque é ilusão se acreditar que se pode construí ou destruir alguma coisa…Se o Universo é um Uno, Único e Estável, nele não pode ser destruído nada ou construído alguma coisa nova, senão ele perderia a estabilidade.
Nada pode ser destruído e nada pode ser construído… Portanto, é ilusão achar que é mais fácil destruir…
Participante: Se tudo que o humanizado percebe é um processo mental, como fica o papel dos sentimentos em tudo isso?
Você deve estar fazendo uma confusão entre sentimento e emoção ou sensação.
O sentimento é algo espiritual e sendo assim não é percebido pelo ego. Se ele é percebido pelo ego é uma ilusão; se não é, para você ele nem existe, porque só que é percebido é real para você.
Agora, se você fala sensações, de emoções, elas são elementos que se agregam ao espírito quando acontece a natividade. Quando você, espírito, começa a viver a vida humana, passa a conviver ilusoriamente com os “Cinco Agregados”: forma, sensações, formações mentais, memória e percepções. Tudo isso não é do espírito: são elementos que se agregam ao espírito quando acontece a natividade, segundo Buda.
Sendo assim, as emoções que você percebe são elementos da provação, elementos ilusórios que constroem a realidade ilusória que serve de provação ao espírito.
Participante: Posso viver sentimentos na carne, ou seja, posso viver alguma coisa do espírito enquanto encarnado?
A palavra “poder” que colocou em sua pergunta nos cria uma situação meio estranha. Isto porque, você só vive o que é do espírito. Você só vive sentimentos na Realidade. Então, você não pode: só fiz isso.
Agora, eu lhe perguntaria, você pode ter consciência do que vive na Realidade? Eu lhe respondo que não… Enquanto encarnado você não tem consciência de nada do espírito.
Respondendo-lhe, então, digo que você não pode viver o que é do espírito ou não: você só vive o que é do espírito. Mas, tenho que lhe dizer também que viver o que é do espírito é uma coisa, mas ter a consciência de estar vivendo o que é do espírito é outra…
Você não pode ter consciência de viver o que é do espírito porque o ego não tem elemento para lhe trazer esta Realidade. Por que isso? Porque o ego, por definição, é um criador de realidades ilusórias e não algo que traga ao consciente a Realidade.
Participante: Não existe paz, felicidade e não sabemos amar… Somos totalmente iludidos… O que resta como guia para o correto caminhar?
Vou usar uma frase humana chula. Perdoe-me por isso, mas acho que ela traduz perfeitamente a única coisa que você pode fazer: relaxar e gozar…
Só lhe resta isso… Você não pode construir o destruir, fazer ou deixar de fazer nada, então, assista o que é feito…
O que resta ao ser humanizado é assistir a pretensão de estar agindo que o ego cria. Mas, ele não age: ele transmite a ilusão de estar agindo. Na verdade Deus emana o acontecimento e o ego transmite a ilusão de você estar agindo.
Sendo assim, não he resta nada mesmo a fazer, mas nunca restou… O problema é que você vivia mais iludido que está hoje e por isso até hoje imaginou que agia…
A única coisa que você pode se sempre pode é fazer o que Krishna disse: repousar em Deus e assistir a sua vida…
Assistir a sua vida é sentar na frente da televisão e assistir as imagens que lhe são projetas. Na é imaginar-se capaz de interferir nelas, não querer determinar futuro, passado ou presente para os personagens… Isso é a única coisa que lhe resta fazer…
Foi por causa desta ausência de coisas a serem realizadas que Cristo disse: venha para mim que meu jugo é leve… No cristianismo não há nada a se fazer, a não amar a Deus sobre todas as coisas…
Mas, para amar a Deus acima de todas as coisas, o se pode fazer? Não fazer nada, pois tudo que você faz é fundamentado num apego e quando faz algo com apego está amando mais aquilo do que a Deus… Então não faça nada, assim estará amando a Deus…
Sabe o quem não ama a Deus acima de todas as coisas? Quem acredita que está proferindo palavras, quem acredita que tem coisa que precisem ser feitas de dia e a noite, quem acredita que tem que iro centro ou no templo para poder ligar-se a Ele, quem acredita que precisa fazer oração para falar com Ele…
Estes não amam a Deus, porque amam as suas convicções acima de qualquer coisa…
Participante: Então, enquanto encarnados, só vivemos espiritualmente na espiritualidade. Só nos basta desapegar das emoções que são como sentimentos distorcidos. É isso?
Sim, você só tem que se desapegar. Mas, uma coisa interessante: tem que se desapegar sem nenhuma ação de desapego.
Desapegar-se não é jogar fora, mas ter e não deixar isso mexer com você. Desapegar-se não é mudar as suas sensações, mas ter todas elas e não vibrar no êxtase do prazer ou na depressão da dor.
Sim, você só tem que se desapegar, mas este desapego também não é um trabalho que precisa ser feito. Este é o grande problema para vocês compreenderem o que falo, porque imaginam que para desapegarem-se imaginam que tenham que executar alguma ação.
Como me perguntaram agora a pouco, se não resta nada a fazer, quer dizer que seremos inertes? É isto que não os deixa compreender o que digo, pois o ego não aceita a idéia da inércia.
O ego quer construir, quer fazer, por isso lhe cria a obrigação de viver uma vida produtiva, com objetivos, quando a vida não tem nenhum objetivo a não ser assisti-la. O único objetivo da encarnação é você conseguir provar a você mesmo que é capaz de simplesmente assisti-la.
Este é o grande problema: não há nada a ser feito, mas o ego humanizado não suporta a idéia da inércia. Mas, ele não entende que para nada fazer é preciso trabalhar muito…
Participante: Simplesmente assistir a tudo não parece fatalismo?
Qual o problema de ser um fatalismo? Veja, porque o fatalismo é “errado”, “ruim”? Porque existe no seu ego uma verdade que afirma isso…
Você acredita que fatalismo é uma coisa “errada” ou “ruim”. Mas, para quem gosta do ócio, da preguiça – não estou falando de ninguém especificamente, mas fazendo um jogo de palavras para lhe responder – o fatalismo, a doutrina fatalista é “ótima”, porque assim ele pode ficar acomodado sem que ninguém lhe cobre ação…
Quem está “certo”: você ou ele? Chegando a uma conclusão lhe pergunto de novo? Por que este que você disse que estava “certo” pode ser considerado assim e não o outro? Apenas pela presunção de que aquilo é certo, ou seja, pelo fruto de um individualismo…
Já que o que você acha é apenas o que você acha e não uma Verdade Universal, volto a lhe perguntar: qual o problema de ser fatalismo? A vida ser assim só é problema para aqueles que querem agir. Para aqueles que querem ter a ilusão de agir, a ilusão de fazer alguma coisa, para esses o fatalismo é algo “errado”, “ruim”, não presta…
Sim, a vida humana é fatalista e isso está escrito em O Livro dos Espíritos com todas as letras…
851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em vem a achar-se colocado.
Veja bem… Segundo este ensinamento, a vida é fatalista, mas só é assim porque os acontecimentos que nela acontece são frutos da escolha do espírito, antes da encarnação. Estes acontecimentos precisam ser fatalistas, porque, como se lê no capítulo “Da escolha das provas “ deste mesmo livro, depois de encarnado, o espírito se prende a outra motivação é, por isso, não tem como mudar aquilo que pediu para provar.
No entanto, esta característica fatalista diz respeito apenas a atos e não a viver a vida. Ouça isso:
Continuação da resposta da pergunta 851.
Falo das provas físicas, pois pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.
Os acontecimentos da vida (provas físicas) são presos ao fatalismo e, como já vimos, precisam ser, pois são frutos de uma motivação que o espírito que se encarna não tem mais. Mas, viver a vida não é uma atitude fatalista, pois você pode vivenciá-la ligado ao bem (vivendo a felicidade que Deus tem prometido aos seus filhos) ou ao “mal” (às concepções egoístas que o ego cria e que lhe prendem ao binômio prazer e dor).
Portanto, não sou eu que sou fatalista, mas a própria doutrina espírita dos espíritos, apesar dos humanos não assim a entenderem, é.
Participante: Um trauma que o espírito encarnado possa carrega em si como aquele de sentir medo, raiva ou frustrações aconteceu porque o espírito em alguma de suas experiências agarrou-se a estas sensações? Como vivenciar esta situação?
O espírito não tem vive traumas. O espírito está no Universo amando…Quem carrega em si, ou seja, quem acredita que existe um trauma é o ego e não o espírito.
Quem tem o trauma é o ego e não o espírito. Mas, por que o ego tem um determinado trauma? Por que ele acredita em uma determinada coisa? Porque Deus emana através dele esta crença.
Sendo assim, o ego não também não tem traumas, mas vivencia uma emanação de Deus à qual é dado valor de trauma. Uma coisa é diferente da outra…
Mas, por que deus emana este valor? Porque isso está preso ao gênero de provação que o espírito pediu antes da encarnação.
Então, está aí a sua resposta: a vivência pelo ego de emanações que possuem o valor de trauma é um elemento componente da prova que o espírito pediu para passar.
Isto precisa ser compreendido… Agora, querer saber se é porque se apegou ou não a alguma coisa nesta ou em outras encarnações, isto é apenas busca de cultura que não o levará a lugar nenhum.
Participante: Compreensão é um processo mental ou sentimental?
É um processo mental ilusório, que não existe. O ego não compreende: Deus dá a uma emanação sua um valor que o ego chama de compreensão.
Mas, aproveitando que estamos falando de traumas e de valores que Deus dá às suas emanações, deixe-me dizer algo. Para falar sobre isso lhes pergunto: o espírito tem carma? Não, o espírito não tem carma: ele vivencia emanações de Deus às quais o Senhor dá o valor de carma. Uma coisa é bem diferente da outra…
Mas, onde ocorre a vivência do carma? No ego. Então, o espírito não tem carma e nem vivencia carmas… Sabe, estar me ouvindo agora é um carma, mas quem está me ouvindo é o ego. O espírito está amando.
Estão mesmo esta história de carma, traumas ou qualquer outro valor que se dá a uma emanação de Deus não deve ser levada a sério, não deve gerar preocupações. A busca da compreensão destes valores é muito boa para os seres humanizados que estão no início do pré-primário da religiosidade da Terra. É lá que temos que estudar carma ou ação reação.
Quando chegamos ao final de uma temporada de estudos – e isso acontece sempre no monismo, seja porque mestre for o estudo que se realiza – preocupar-se com estas coisas é buscar cultura. Isto porque o espírito não pode ter ação como já vimos: como então estar submetido a uma reação? O espírito só ama, como pode, então, estar sujeito à reações variadas?
Não se preocupem com estas coisas… Ouçam o estou dizendo: assistam suas vidas sem acreditar nos valores que o ego dá a ela. Ou seja, sem se preocupar se tal ou qual coisa é um carma ou um trauma o oriundo de vidas passadas…
Esqueçam tudo isso… Assistam a vida: “ele está levando um tapa na cara”. Este ele ao qual me refiro é você mesmo…
Assista você levar um tapa na cara, se isso acontecer, mas não se preocupe em querer saber porque ou como isto aconteceu.
Participante: Um guru dizia que viver é fácil: é só ficar quieto…
Grande comentário. Apesar disso ser um conhecimento da humanidade, repare nas perguntas. Em todas elas está presente uma ânsia de fazer e uma busca de realizar.
Com esta minha constatação não estou dizendo que esta postura é “errada”; não estou dizendo que vocês são atrasados: não é isso que quero dizer. Quero apenas que vocês reparem que existe por trás das perguntas formuladas pelo ego esta ânsia e que você, espírito, está vibrando dentro desta ansiedade acreditando que isso lhe pertence…
Participante: Isso foi para mim: a ânsia de fazer acontecer…
Isto foi para você ego, não para o espírito. Mas não é só para você especificamente, mas para todo o ser humanizado.
A ânsia de realização é comum no ego humano, pois é um instrumento da prova do Mundo de Provas e Expiações. Isto porque esta ânsia é um subproduto da possessão, da posse.
O ego está dotado da ânsia de realizar porque possui a lógica que diz que fazer leva a possuir o que se faz. Portanto, ele possui em si esta ânsia para gerar a ilusão de querer ter.
Participante: O valor que o humano dá às suas percepções está diretamente ligado à parte da consciência que tem essa herança espiritual?
Se você está se referido a humanizado como um ser humano, ou seja, um ego, ele não tem nada. O ego é um programa que cria realidades virtuais. Sendo assim, ele não dentro de si nada: a cada momento ele cria a realidade que está vivendo, mesmo que a esta seja dada o valor de lembrança.
Se está se referindo ao espírito ligado ao ego, sim: ego é herança das vivências espirituais do espírito. Por que? Porque ele é o representante do gênero de provas pedidas por esse espírito e que está vinculado a conquistas ainda não realizadas…
Participante: Quando os mestres ensinam a manter a mente concentrada, reta, é pegadinha do ego?
Deixe-me dizer uma coisa que às vezes nossos egos não percebem…
Se você estudar os livros védicos, mais precisamente o Bhagavad Gita e o Bhagavata Puranas, que compõem os ensinamentos de Krishna, encontrará logo no primeiro ou segundo capítulo a seguinte informação: tudo que lhe vem à mente é maya, ilusão. A partir deste momento, se pensarmos que o controle da mente é feito pela própria mente, teremos que dizer que dizer que ele só ocorrerá dentro do mundo fantasmagórico criado pela ação inescrutável de maya… Mas, apesar disso, Krishna passa vários capítulos outros capítulos nestes mesmos livros ensinando a dominar a mente.
Parece incongruência? Parece… Parece falsidade? Parece. Mas não é: é caminho.
A idéia de que você pode dominar a mente e que fazer isso não seria uma ilusão, é o caminho ensinado por um mestre. Um caminho que você, durante determinado momento da sua existência, pode até encaminhá-lo, sem a consciência de que é Deus que está criando as sugestões de controle da mente e não você que está conseguindo realizar isso.
Agora, quando você recebe de Deus a oportunidade de ouvir ensinamentos monista – não estou falando apenas dos que passo, mas de todos os mestres que abordam o tema – que lhe levam a mais fiel compreensão do que o mestre quis dizer, deve começar, então, a dizer: está certo… Krishna diz que eu devo controlar a mente, mais se controlar, controlei; se não controlar, não controlei… Vibrando sentimentalmente dentro desta apatia com relação ao controle da mente, você começa a ser desprogramar do que foi programado na programação.
Sabe, volto s repetir um exemplo que para nós é clássico. Fizemos todo um trabalho a partir de estudos dos ensinamentos de Buda. No final dissemos: não se podem ter conceitos. Um mês depois fui obrigado a chamar todo mundo e disser: vocês estão criando o conceito de não ter conceito.
Isso é normal para o ego humanizado… É preciso que ele crie o conceito de não ter conceito para depois se libertar deste novo paradigma…
Sendo assim, eu não diria que o ensinamento que afirma que você deve controlar sua mente é uma pegadinha do ego, mas uma etapa das provações às quais você, espírito, está exposto.
Participante: Há cerca de vinte anos foi psicografado um conjunto de mensagens falando da importância de Portugal nestes tempos conturbados que se aproximam. Uma das mensagens seria do espírito da rainha Santa Isabel que informava que Portugal seria o local onde se ia dar o anúncio formal ao mundo da vinda do Cristo com toda uma hoste de anjos e servidores. Também se disse que de Portugal partiriam palavras de alegria e esperança para manter a felicidade humanidade nestes tempos perturbadores de problemas sociais e epidemias. Recentemente tivemos outras psicografias, supostamente também de Santa Isabel, apresentando-se como Yasmim, que resumidamente dizia que vinha trazer a informação da chegada de um novo portal de energia ao planeta. Depois disso nada mais será como antes. Comente isso, por favor.
São palavras bonitas, mas tenho alguns comentários a fazer…
Tem uma coisa que acho muito engraçada nas comunicações espirituais que os egos humanos vivenciam… Olhe O Livro dos Espíritos, os livros de mensagens espíritas, os livros da chamada literatura espírita e mesmo as músicas e pinturas mediúnicas e repare que não encontrará nenhuma mensagem do mendigo que ficava na porta do palácio…
Porque isso? Quem viveu como mendigo é porque se tratava de um espírito do “mal”? Repare: você não vai encontrar nenhuma mensagem de alguém que foi um ladrão durante uma existência carnal. Apenas encontrará mensagens de pessoas que viveram uma encarnação onde foram considerados santos ou sábios… Acho que tem alguma coisa neste fato que não está muito de acordo com o mundo espiritual, com os ensinamentos dos mestres…
Cristo disse que se uma pessoa for santificada ou glorificada nesta vida irá para o último lugar no mundo espiritual. Sim, se ele disse que o último na Terra era o primeiro no céu, ele quis dizer que os primeiros da Terra serão os últimos no céu…
Mas, não é isso que vemos… Os últimos da Terra jamais passam mensagens que são consideradas como de grande sapiência ou sublimidade… Este é o primeiro comentário que gostaria de fazer a respeito de sua pergunta.
Segundo: não existe Portugal, Brasil, América ou qualquer outro país. Aliás, não existe nem mesmo o planeta Terra: tudo isso é ilusão.
Que o dia virá, isso é certo, mas saber quando e como isso acontecerá, ninguém pode saber. Se nem Cristo, o Messias se arriscou a dizer quando, como ou aonde o dia chegará, como podemos saber?
Terceiro comentário… Você, subliminarmente, afirmou que com a vinda do Cristo acabariam as catástrofes e os desníveis sociais. Bolas, se ele fará isso no seu retorno, porque não acabou logo com tudo isso já dois anos atrás?
Não, ao invés de atacar os tiranos e os iníquos que criam os desníveis sociais, ele compactou com as prostitutas e os cobradores de impostos. Quando perguntado porque agia daquela forma, ele disse: eu vi para os doentes e não para os sãos.
Será que se ele voltasse agora ia se desdizer e agir em prol dos que se consideram sãos: as vítimas, os oprimidos, etc? Claro que não… Então, se ele voltasse não seria para acabar com situações como estas…
O que estou comentando é que nas mensagens ditas espirituais existem certo detalhes que se levados à luz fria dos ensinamentos, perdem o sentido que hoje se dá a estas informações…
Lembre-se sempre: Cristo disse que devemos amealhar bens na Terra e não no Céu. O bem celeste é o amor e o bem material é o prazer e a satisfação de ver nossos anseios humanos serem atendidos…
Se isto é verdade, Cristo, se voltasse, nos ensinaria a amar incondicionalmente e não se preocuparia em se tornar agente de felicidades materiais.
Quanto ao portal novo que a psicografia afirma estar se abrindo, sim: todas as doutrinas falam disso. Estamos num período de transição e quando ele for completado, nada mais será igual.
Esta mudança, no entanto, não se refletirá nas coisas do mundo material, mas nas provações dos espíritos.
Participante: A questão dos espíritos se manifestarem como santos, reis e rainhas, não seria uma necessidade para nós humanizados crermos no que estão dizendo? Não é a mesma coisa da época de Jesus, onde foi preciso que ele fizesse milagres e que morresse na cruz para que a palavra dele fosse ouvida?
Tudo que acontece na vida é uma prova. Portanto, o teor das psicografias e quem as assina são provações.
Sendo assim, eu diria que, estas nomeações – e, ainda dentro deste tema, acho engraçado que em O Livro dos Espíritos todos os espíritos que ditam mensagens são franceses; não existe um brasileiro lá – mais do que lhe ajudar ou transmitir ensinamentos, na verdade, estão criando a sua prova. Quando passa a acreditar em uma mensagem porque ela foi escrita por Santo Agostinho, um espírito que você acha santo, se esqueceu de Deus.
Cristo diz que nós devemos nos relacionar com Deus diretamente. Sendo assim, não devemos nos relacionar nem com ele, que dirá com outros que, segundo vocês, estão hierarquicamente subordinados a ele…
Sabe, concordo até com você que haja alguma intenção neste sentido nas nomeações que Deus cria para as psicografias que Ele emana, mas por trás delas sempre encontraremos o Senhor criando uma prova para os espíritos.
Participante: Se a lei é amar a Deus sobre todas coisas e o humanizado não sabe o que é o verdadeiro amor, já que por sua natureza vivencia o amor egoísta e não o universal, se cria um impasse. Como sair disso?
No â,ago de sua pergunta está o que estou dizendo hoje o tempo inteiro: vocês querem fazer algo, querem realizar alguma coisa… No ego humano há sempre a necessidade de realizar alguma coisa…
O impasse que você diz existir acontece apenas porque quer amar, quer realizar o amar universalmente, mas acredita que não pode fazer isso porque o seu ego é fundamentado no individualismo.
Responda-me: você sabe que os amores que vive hoje são egoístas? Então, não acredite que as ilusões que o ego cria são amores. Com isso, estará amando universalmente…
A elevação espiritual é o contrário do que vocês imaginam. Ela não é uma realização de construção, mas de libertação. Ela acontece quando no seu ego você tem a consciência de não saber o que é amar, apesar dele ainda afirmar que ama qualquer pessoa, e você não deixa o seu coração vibrar dentro desta sintonia. Ela ocorre quando o ego lhe diz que você está tendo raiva e você não deixa o seu coração vibrar junto com esta sensação…
Veja bem: se você não sabe amar, mas sabe o que é não amar, liberte-se de tudo que é não há amor. Assim estará realizando o que tem que realizar…
Volto a dizer… As perguntas de vocês estão sendo praticamente o tempo inteiro guiadas pela ânsia de realizar, de construção algo, de executar alguma coisa…
Não importa quantas vezes vocês mudem o objeto, enquanto a pergunta se fundamentar numa ânsia de agir, eu terei sempre que dizer que evolução espiritual não se dá por construção de nada. Cristo se libertou do mundo, se libertou das supostas obrigações de agir em um determinado sentido (de ter que, como Messias, libertar o povo de Israel do jugo dos romanos) e você quer continuar preso ao mundo e construir alguma coisa em benefício da humanidade?
Mas, apesar de imaginar que porque estou falando em não fazer nada, você não tem nada a fazer, está enganado. Você tem muito a fazer: tem que estar vinte e quatro horas por dia vigilante sobre o que o ego produz para se libertar da ânsia realizar materialmente alguma coisa…
Quando conseguir os frutos desta vigilância, ou seja, libertar o seu coração desta ânsia, estará amando, sem jamais ter construído a ação de amar. Isto porque, na Realidade, você, o espírito, já está amando… Você só tem a ilusão de não estar. Quando se liberta da ilusão, da idéia de que a ilusão é uma realidade, volta à sua essência que já é amar.
Mas, que trabalho, então, deve fazer para vigiar o ego? Aquele que já falei hoje: assistir a sua vida. Esta é a única coisa que você tem que fazer…
Participante: Assistir a vida é uma ação?
Grande pergunta…
Quando se fala em agir, temos três formas de realizar: a ação física, a omissão e a não ação. A ação é o ato de agir material ou racionalmente; a omissão é o ato de não agir para fazer alguma coisa material ou racionalmente; a não ação acontece quando para você agir ou não agir física e materialmente não tem importância.
Teoricamente falando, eu diria que a não ação, ou assistir a vida, é uma ação. Teoricamente, porque, na prática ela não é, já que não envolve uma atividade física ou mental, mas se trata de uma ação sentimental. Ela é uma ação porque precisa existir uma movimentação sua, mesmo que apenas sentimental, quando o personagem que você vivencia age ou omite-se física e mentalmente.
Mas, a não ação também se distingue da não ação ou da omissão em outro aspecto: no que fazer. A ação e a omissão são formadas por múltiplas formas, enquanto que a não ação consiste-se em sempre fazer a mesma coisa. A não ação, na verdade é uma ação continuamente de numa nota só o, ou seja, vivenciá-la é sempre não se importar se agiu ou omitiu-se física e mentalmente. Mas, não esqueça: este não importar se faz no coração, nos sentimentos e não na razão…
Respondendo-lhe agora, digo que sim, assistir a vida é uma ação, mas uma ação espiritual, não material não racional, não conhecida pela consciência nem com movimentação de o corpo e justamente por isso Buda e Krishna a chama de não ação.
Participante: Observar as reações do ego e não se identificar com elas e nem com as sensações que ela provoca. É isso?
Isso: observar com o coração as sensações do ego e não se identificar sentimental elas… Volto a dizer: isso é uma ação, mas como ela não acontece nem no físico nem no mental é chamada de não ação.
É difícil explicar certas coisas para vocês que presos a conceitos dualistas e à ilusão como realidade…
Participante: Entendo que os espíritos que viveram Cristo e Hitler, apesar de criados na igualdade, ambos ignorante, se humanizaram com base na consciência espiritual desenvolvida por cada um. Pergunto: como associar isso com o dito Deus dá a cada um segundo suas obras.
Simples: quem morreu no campo de concentração? Aqueles cuja obra esta de acordo com este acontecimento. Quem foi curado por Cristo? Aqueles cujas obras levaram a vivenciar esta situação… Pronto, associei…
Tanto isto é verdade que Cristo afirma que não cura ninguém, mas que a fé o curou. Ou seja, como resultado de suas obras aqueles mereceram ser curado.
Veja, é fácil associar isso, mesmo dentro das existências a que você se refere: é preciso haver um Hitler porque existem espíritos que de acordo com a sua sobras merecem morrer uma câmara de gás; é preciso haver um Cristo porque existem espíritos que por suas obras merecem receber a cura. Atente-se apenas que ao falar de merecimento não estou julgando méritos da questão, mas apenas falando em simples reação à ações anteriores.
Agora, você falou que Cristo e Hitler são espíritos que desenvolveram seus egos de acordo com a sua consciência espiritual. Com isso está fazendo uma confusão…
Ao dizer que a personalidade humana é condizente com a elevação espiritual do espírito, você está querendo dizer que o espírito de Jesus era mais “limpo” do que o que viveu Hitler, mas, quem disse que este espírito é mais “sujo” do que o outro? Krishna nos ensina:. Não se pode conhecer o espírito pela personalidade humana que ele vivencia.
Qual o maior apóstolo de Cristo? Judas… Este personagem que até hoje é chamado de “mal” – o papa inclusive fez um discurso acusando-o de muitas coisas – foi vivenciado por um espírito puro…
Foi o “mal” vivido por um espírito puro. Mas, se você analisar a história dentro da sua na sua linha de raciocínio, o personagem Judas teria que ser ligado a um espírito extremamente sujo, negativo.
Participante: Eu falo exatamente o contrário do que o senhor está dizendo. No início da minha pergunta falei que os espíritos de ambos os personagens foram criados na igualdade…
Sem, você fala que eles foram criados na igualdade, mas diz durante o texto que as consciências humanas estavam de acordo com o nível atual do espírito. Não é isso que você fala? “… com base na consciência espiritual até então desenvolvida”.
Ou seja, está dizendo que o espírito que viveu Hitler tem uma consciência não desenvolvida, enquanto aquele que o que viveu Cristo tinha uma desenvolvida. Isto não é verdade: o desenvolvimento das consciências são meras ilusões…
Como disse, no Universo Uno, Único e Estável não pode haver mudanças. Sendo assim, as duas consciências espirituais estão sempre no mesmo nível. A ilusão pode ser diferente, mas a ilusão não existe: é apenas uma ilusão…
O que estou querendo dizer é que a idéia que você tem, que afirma que Hitler era “mal” leva a idéia de que o espírito que vivenciou este personagem tinha uma consciência não desenvolvida. Isto não é Real…
O que quero deixar bem claro é que não podemos dizer que o espírito que vive um personagem que seja considerado pela humanidade como um bandido, em sua consciência primária, não é menos evoluído do que qualquer outro que tenha uma existência carnal santificada… Como disse, a Estabilidade e a Unidade universal não permite que exista um que seja, na Realidade, “melhor” ou “pior”, “mais” ou “menos”…
Sabe, existe muito guru na ação, no personagem, que precisa libertar-se da busca da fama, da necessidade ser elogiado. Por fora são elementos aparentemente “santos”, mas por dentro são espíritos vivendo ilusões extremamente egoístas…
Portanto, não podemos julgar o espírito pelo personagem que vivencia. O espírito que viveu o Jesus, Cristo e Hitler são todos em essência iguais e sempre continuarão a ser, mesmo que vivam ilusões diferentes.
Participante: Eu poderia hoje, na minha atual consciência primária, encarnar um personagem que poderia fazer os feitos de Jesus Cristo?
Claro que sim… Se for este o teatro que Deus escolher para suas provas…
Sim, é teatro… Jesus Cristo não fez nada, não existiu: é uma ilusão criada por Deus. Existe um espírito que viveu a personalidade Jesus; existe um espírito que vive aquele que vocês chamam de Cristo, mas nem Jesus nem Cristo existiram na Realidade…
Sim, você pode ter um personagem que vivencie atos físicos idênticos aos que eles ilusoriamente fizeram…
Deixe-me dizer uma coisa: há algum tempo me perguntaram sobre outras encarnações de do espírito que vivenciou o personagem São Francisco. Eu não respondi a esta questão, disse que não ia falar sobre o assunto.
A pessoa, então, me perguntou porque não falaria. Eu respondi: você não acreditaria em mim se eu dissesse que o espírito que viveu a vida chamada São Francisco já encarnou como bandido…
Saiba: o espírito liberto da ação do dualismo não pede para viver um personagem puro. Ele diz: Senhor, fazei de mim instrumento da sua vontade… Se a vontade de Deus é que este espírito encarne um personagem que realizará no teatro da vida o assassinato de milhares de pessoas, ele dirá “louvado seja o Seu nome” e se entregará a esta ilusão…
Sabe, tudo na vida é teatro. Sendo assim, tudo que Jesus Cristo fez ou tudo que qualquer mestre tenha feito, pode ser feito por qualquer ego. Para isso é apenas preciso que Deus emane esta ilusão como missão ou prova para um ser universal.
Participante: não precisaria eu para tal feito ter uma ligação íntima com a primeira consciência por interrogação
Não. Veja, vida odiados. Jesus Cristo não faz nada, deus é que fez. Se deus quiser, ele fez e se o espírito for mais apegada matéria, ter aquele monte de seguidores atrás de uma grande prova.
Participante: Perguntei se os atos de Jesus Cristo podem ser feitos por qualquer espírito e não por qualquer ego…
Tudo que é feito é ilusoriamente realizado por egos, porque o espírito não faz nada que seja material. E, tudo que é feito por qualquer ego será vivenciado pelo espírito que Deus assim declarar que deve vivenciar.
Portanto, qualquer espírito pode viver uma personalidade destas, se Deus assim fizer acontecer.
Participante: O que o senhor acabou de falar, me leva a pensar em um fenômeno que tenho observado. Aparentemente não existe relação direta entre a elevação do espírito e as reações do ego. Mas, por outro lado, percebemos também que algumas características que o ego manifesta são do espírito. O senhor poderia se estender um pouco mais sobre isso?
Posso. Para isso, vamos aproveitar como exemplo o que foi falado agora, ou seja, a hipótese de você viver as ações praticadas por Jesus Cristo…
Você disse que o ego tem algumas características do espírito: isso é verdade. Realmente o ego tem características do espírito. Deus cria os novos egos com características da crença ilusória atual do espírito sobre si mesmo. Não é o espírito que faz isso, mas sim Deus…
Fixando-nos neste aspecto, teríamos que dizer que não é qualquer espírito que pode viver as ações praticadas pela personalidade Jesus Cristo. Um espírito não evoluído (muito preso a ilusão do dualismo), por exemplo, não poderia viver uma vida Jesus Cristo. Mas poder…
Isto porque a característica que o ego tem é algo interno e não externo. Para você melhor compreender, eu darei um exemplo.
O espírito não evoluído poderia viver todas as ações externas, ser reconhecido por atos externos como foi Jesus Cristo, mas internamente ter uma característica da ilusão a que está preso: o prazer de ter realizado aquilo. Este prazer de realizar, que é uma das “Quatro Âncoras” que já conversamos (a busca pela forma pelo elogio) é interno e você não constataria a existência disso nele.
Exatamente por não ver esta característica intrínseca, ou seja, julgando apenas o externo, você poderia dizer que se trata de um espírito puro, mas não é. Ele está preso ao prazer de ser considerado como “santo”.
Então sim, o ego tem intrinsecamente elementos que o espírito ilusoriamente acredita ter. Mas, estes elementos não são perceptíveis a outros egos. A presença deste elemento interno em nada afetaria a participação deste personagem na obra geral, na ação carmatica que os demais espíritos precisam vivenciar…
Por que? Porque o processo de evolução espiritual é de foro íntimo… O espírito que vivesse esta vida Jesus Cristo deveria lutar, no seu íntimo, contra a fama. Não é necessário que Deus dê às demais personalidades que representam os seguidores deste “homem santo” o conhecimento desta luta interna. Até porque, se desse, pensando dentro de uma lógica material, seus seguidores o abandonaria e com isso não haveria mais provação para este espírito.
Então veja… O que você falou está certo: no ego existem características da ilusão que o espírito vivencia naquele momento, mas estas características existem apenas no mundo interno de cada um e ninguém pode vê-las… Aliás, mesmo que quisesse descobrir o íntimo dos outros, você não pode, pois a compreensão que o ego que está vivenciando hoje tem sobre os outros é Deus quem cria e não você que a alcança espontaneamente.
Já que estamos falando de mundo intrínseco de cada um, deixe-me lhe dizer que estas compreensões que Deus dá ao seu personagem também estão ligadas à características ilusórias que o ego tem sobre si mesmo. Ou seja, também estão ligadas à sua prova, ao seu nível de elevação também.
Sendo assim, você jamais teria como descobrir se aquele espírito é realmente simples ou não, pois a sua compreensão sobre ele dependeria de sua própria elevação espiritual.
Resumindo: tudo que vocês chamam de viver, de reconhecer o que está acontecendo, ocorre nos campos mental, emocional e sentimental e estes campos não são perceptíveis no mundo externo. Até porque o mundo externo não se percebe por si mesmo: recebe-se as percepções de Deus, assim como também as conclusões… Tudo isso regido pela lei que já falamos hoje: Deus dá a cada um segundo as suas obras.
Acho que agora ficou claro, não?
Aproveitar o que já tinha sido comentado apenas para se entender o processo. Com isso não quis dizer que Jesus ou Cristo não foram personagens por espíritos libertos da ilusão…
Com este esclarecimento, reforça-se, ainda, o ensinado por Krishna: não dá para se falar de um espírito observando-se a personalidade humana que ele vivencia. Qualquer espírito, mesmo o mais preso à ilusão dual, pode viver um personagem considerado “santo” sem que isso denote a sua elevação espiritual.
Se isto é verdade, posso dizer que qualquer espírito, inclusive o mais puro (mais liberto das ilusões) pode vivenciar um ego considerado “mau” ou “errado” sem afete a sua elevação espiritual já atingida.
Participante: Ego: sou o bonzão, sei de tudo, quero tudo. Quero possuir tudo até o conhecimento, a felicidade e a caridade… Minha razão compreende isso e diz que realmente quero não me prender a nada disso… Mas, engraçado, isso também é ação…
Exato…
Veja, para você só o que lhe é consciente existe, mas tudo que lhe é consciente é do ego. Então, tudo que existe para você, será uma criação ilusória do ego e não uma Realidade. Por isso é que falei da não ação como um meio termo para ser aplicado entre a omissão e ação.
Não importa o que você esteja vivenciando, assista apenas, ao invés de vivenciar. Quando achar que está assistindo, assista este achar, porque este achar que está assistindo também é do ego.
Ou seja, é o que já lhe respondi anteriormente: relaxe e goze, pois não há nada a ser feito.
Viva… Viva o que tem: se tiver raiva tenha, se não tiver, não tenha, mas não se preocupe com as coisas.
Participante: Para mim esta coisa de ego é complexa. Apresenta-se como se fosse um espelho na frente do outro.As imagens vão se refletindo eternamente…
É exatamente isso… Mas, o mais importante: enquanto encarnado tudo será o reflexo de um espelho.
Então, não importa se você já se liberou do reflexo de cinqüenta espelhos, ainda está vendo apenas reflexos. Esta é a consciência para quem quer elevar-se: tudo é reflexo, nada é Real…
Participante: Se Hitler foi um missionário, porque autores espiritualistas dizem que ele está nas trevas?
Para manter a idéia do “bem” e do “mal”.
Autores espirituais não são santos, são egos que servem como instrumentos do seu carma. Autores espirituais não escrevem nada: é Deus quem escreve e dá a um determinado espírito a idéia de estar escrevendo. Tudo faz parte do carma.
Mas o que é o carma? Isso é algo que nos esquecemos sempre…
O carma foi criado lá no Adão e Eva. Ele passou a existir quando você comeu o fruto do conhecimento, o saber, e por isso passou a julgar o “bem” e o “mal” no que acontece na sua existência.
Um autor espiritual que escreva que Hitler é “mal” ainda, é um ego que comeu a maçã, ainda é humanizado: sabe distinguir o “bem” do “mal”. Mas veja, ele é um ego e por isso tem que distinguir entre o “bem” e o “mal”. Por que isso? Para ver se você abre mão de comer a maçã ou não.
Sendo assim, figurativamente, de que posso chamar estes egos? A cobra…
Estes egos são a cobra que estão lhe oferecendo conhecimento: “Hitler está até hoje nas trevas; como a isso, saiba disso”. Se você comer, na próxima vez que ver Deus, sairá para se cobrir porque terá a consciência de que está nu…
Participante: O senhor pode exemplificar a função espelho?
Sim…
Função espelho é quando a sua esposa lhe diz “não faça isso” e você fica com raiva dela, porque acha que está fazendo o “certo” e imagina ela não tinha o direito de falar isso…
Aí está um exemplo da função espelho: ela, ego, está lhe mostrando uma verdade, um achar, que você está acreditando que é “certo”. Olha que grande exemplo de função espelho…
Participante: Estas suas colocações vão demandar algum tempo para serem digeridas tendo em vista que elas colocam tudo de pernas para o ar…
Sim claro…
Aliás, você não vai digeri-las: não é o ego que chega a compreensões, mas Deus é quem dá a ele a idéia de ter compreendido. Portanto, você só compreenderá o que estou dizendo quando Deus criar a idéia de você ter compreendido.
Então, relaxe… É o que estou dizendo tempo inteiro: não queira compreender o que estou dizendo…
Se já falamos há tanto tempo as mesmas coisas e até hoje você ainda não conseguiu compreender, é sinal de que não é para ser compreendido, pois se isso fosse possível, você já teria compreendido antes. Então, o que digo não é para compreender, mas para apenas se constatar que estou falando determinadas coisas…
Além disso, apesar de que o que digo o colocar tudo de pernas para o ar, o chão desta nova construção é sólido. Volto a repetir: faz oito anos que conversamos e nunca disse uma coisa que não estivesse embasada no ensinamento de algum mestre.
Participante: Desde criança trabalho com música. Desde que comecei, os aplausos tiveram o mesmo valor que as críticas. Quando toco nunca senti que fosse eu: sou um ouvinte, com a diferença que estou executando um instrumento. Parece que me sinto bem com seus ensinamentos, embora ainda eu ainda não os tenha assimilado… Comente isso, por favor…
Se o aplauso e a crítica para você não fazem diferença, é sinal de que esta não é sua prova. Mas, ser apaixonado pela música é…
Achar que a música é bonita, importante e que tem que existir é sua prova. Achar que você tem que tocar é. Achar que você faz música é. Achar que existe música, é…
O que não é importante para você não é sua prova: só isso. Não há glória alguma nisso.
Isto porque, o aplauso a música, na verdade, não é importante para você, espírito. Foi Deus quem criou esta importância que você imagina ter sido gerada por você… É por isso que afirmo que esta é uma das suas provações… É onde as coisas são importantes que você tem que trabalhar.
Já falamos na busca da fama como elemento de provação para o espírito, mas ara você parece que não é esta a sua prova. Pode ser para muitos, mas para você parece que não é…
Mas, apesar disso, existem outras provas que lhe são específicas. A crença na necessidade e na importância da música; a idéia que tem de que é capaz de fazer música e de que não é você que está tocando… Estas são suas provações…
Tudo o que você acredita racionalmente, positiva ou negativamente, é sua prova. Isso porque não acreditar em uma crença. Tudo que não lhe afete o coração, não é sua prova, mas tudo aquilo em que você acredite sentimentalmente é…
Participante: Um dia, um cientista me disse que o homem se contenta em dizer que é um animal racional quando poderia almejar ser um ser consciente. Comente isso, por favor…
Cometo com a seguinte frase: vocês se contentam em ser seres humanos que exercem atividades espirituais, quando deveriam se tornar conscientes, ou seja, ter a consciência de que são espíritos tendo experiências materiais.
Participante: Mas, como o senhor já disse, somos cegos… Então não temos que saber ou deixar de saber nada…
Sim, levando para o lado racional você está certo, mas estou falando em saber ou não no coração. Quando me dirijo a espíritos, falo em coração e não em razão…
Portanto, no coração, você deve saber que é um espírito vivendo experiências humanas e por isso deve apenas amar, ao invés de sentir-se um ser humano que ama apenas nos momentos em que fazer isso lhe traz vantagens… É isto que digo, mas vocês preferem sentir-se um animal racional, ou seja, um animal que possui razão, do que alcançar amar incondicional…
Agora, isso não é “mau” nem “bom”, “certo” ou “errado”. Isso é o que é: a prova de vocês.
Participante: Qual o ditado correto: o que os olhos não vêem o coração não sente, ou o que o coração sente os olhos não vêem?.
O que o coração sente os olhos não vêem… Isto porque os olhos são a porta da entrada da razão.
A percepção jamais alcança o que o coração sente. Se alcançasse, deixaria de ser razão e passaria a ser sentimento.
Participante: O senhor disse que a avareza que o ego está criando não é do espírito, mas a forma que Deus escolheu para que este você vivenciasse um gênero de provas. Até agora eu tinha entendido que o espírito, de posse da sua consciência espiritual, é quem escolhia o gênero de provas e Deus se encarregaria da encenação correspondente a este gênero. Mas, quando o senhor disse que avareza foi a forma que Deus escolheu, eu fiquei confuso. disse Pode, por favor, esclarecer…
Posso…
Quais são os gêneros de prova que o espírito escolhe? Sem compreender bem este aspecto não podemos comentar o assunto…
São três os gêneros de provas: posse material, posse moral e posse sentimental. Estas três possessões formam todos os gêneros de prova que estão à disposição do espírito para escolha.
Sendo assim, ele escolhe, por exemplo, combater a posse material e Deus designa para este espírito a avareza como um dos elementos para se combater esta possessão. Ele escolhe esta sensação como elemento para se combater a posse moral, pois ela, quando exercida sobre uma paixão (um elemento material), está vinculada à possessão material.
Depois de escolher esta sensação, Deus, então, escolhe a paixão, ou seja, o objeto material para o qual a avareza será direcionada. Ou seja, escolhe onde o ego sentirá avareza…
Sendo assim, o espírito escolhe libertar-se de possuir sentimentalmente um elemento do mundo (posse material) e Deus lhe diz através de que sensação ele fará a sua provação. Isso porque o despossuir materialmente não está necessariamente vinculado à avareza. Existe ainda a soberba, a busca de acúmulos de bens, etc…
As posses são os elementos disponíveis para a escolha do espírito. Não é à toa que Cristo disse ao homem que já praticava todos os ensinamentos que deveria doar tudo que fosse seu…
A possessão, independente da sua forma for, é o fruto do egoísmo. Ela pode existir através de diversos sentimentos, mas o que estará sempre em jogo para o espírito é a libertação da possessão e não do sentimento…
Participante: O que tenho percebido é que cada coisa que sei a partir do que o senhor fala, só serve para mim é aprisionar e me encher de obrigações. Então estou em um momento de desacreditar de tudo que eu sei. Mas que coisa difícil é essa de ser feita…
Sim, tudo que você sabe cria uma prisão, pois o ego é dualista. A partir do momento que Deus dá através do ego a compreensão de algum ensinamento, automaticamente, Ele cria, também através do ego. o oposto.
Deus lhe dá a compreensão de que deve se libertar da verdade, mas Ele lhe diz mais do que isso: diz que não deve se prender. Ou seja, de uma prova nasce outra…
A cada ensinamento compreendido, surge uma nova provação. Isto é algo que venho tentando lhes passar a muito tempo e por isso venho dizendo: não tentem compreender o que digo; apenas ouçam. Faça as perguntas que fizerem sem se preocuparem com isso, já que não há nada “errado” ou ridículo, mas não tentem entender o que quero dizer quando respondê-las…
Participante: O senhor diz para não buscarmos entender, mas quem executa esta busca não é o ego?
Sim, quem busca entender é o ego. Ele sempre gerará uma nova compreensão, já que esta é a sua função, mas você não comprometa seu coração com isso.
Espiritualmente falando, vibrar o coração com a certeza de saber alguma coisa, é uma compreensão…
Participante: Não se pode vibrar com isso então?
Não, o coração tem que estar apático às coisas do mundo e às compreensões que o ego alcança…
O coração tem que estar sempre equânime, ou seja, sem diferença de emoções. Sendo assim, cada compreensão, cada resolução, cada certeza que o ego chega, lhe gerará uma nova prova, ou seja, uma nova oportunidade para exercer o seu livre arbítrio e optar por manter-se afastado da emoção de saber… É a história antiga que já falei sobre ter o conceito de que não pode haver conceitos.
Então, não se importe com a compreensão que aconteça ou se não alcança nenhuma: não comprometa seu coração com o que o ego gera.
Participante: Em outro momento chegamos à conclusão de que Deus é nos dá as provas. Há como conceber os ensinamentos que o senhor nos traz sem a idéia da vida como provação?
Não, não há como conceber o ensinamento que trago sem a idéia da provação. Mas também trago dentro do ensinamento a idéia de que a provação é do espírito para o espírito e não para Deus.
O espírito precisa provar a si mesmo e não a Deus se aprendeu determinado assunto, aprendeu determinado despossuir. Em O Livro dos Espíritos, este assunto está bem claro. Quando se pergunta se já que Deus é Onisciente, o que temos que provar a Ele, a resposta é: o espírito não precisa provar nada a Deus, mas a si mesmo.
Para poder lhe explicar isso de uma forma mais fácil de compreender, vou usar o seu próprio exemplo durante a vida carnal. Nesta existência, você estudou bastante, fez até a faculdade, mas durante este período, quantas vezes achava que sabia uma matéria e chegou na hora da prova viu que não sabia? Teve, então, que voltar a estudar tudo de novo.
É a esta provação que me refiro: você, espírito, se certificar de que realmente aprendeu um despossuir espiritual ou se a idéia de ter aprendido é apenas uma ilusão.
Participante: Eu particularmente acho que não há problemas em ter compreensões do que o senhor nos ensina… Imagino que o que não se pode fazer é prender-se a estas conclusões como verdades absolutas…
Nem como verdades…
Saiba que para o ego humano não há como distinguir verdades absolutas e relativas. Ele só trabalha com verdades relativas, mas acredita que todas elas são absolutas…
A verdade relativa não é uma verdade, mas uma crença individual. Além do mais, ela não é eterna, mas algo que só é verdadeiro por determinado tempo.
Portanto, mesmo que o ego gere compreensões, você não pode deixar o coração vibrar na ansiedade e na excitação de ter aprendido, na certeza de agora saber. É isso que ensino…
Participante: Quando estou com outra pessoa, estou tendo formações mentais a respeito desta pessoa. Isso gera um carma para mim ou é um carma para a pessoa?
Quando você cria formações mentais a respeito de outra pessoa, na verdade não está criando formações mentais a respeito de ninguém: Deus está dando ao ego estas formações mentais. Ao fazer isso, Deus está lhe dando a sua prova.
Saiba sempre que no final, é tudo entre você e Deus. Não importa o que você pense sobre qualquer um, o que existe é sempre uma provação dada por Deus para ver se você vai acreditar sentimentalmente naquela idéia ou se manterá seu coração no amor.
Acredito que você me faz esta pergunta porque existe no mundo material a idéia de que você projeta formações mentais contra outros. Mas, isso é ilusão. Você não pode emitir formações mentais contra o outro, porque as formações mentais fazem parte do mundo interno de cada um e não podem ser percebidas pelo externo.
Na verdade o que você pode mandar para outro ser é energia, sentimento. Mas, mesmo isso no mundo material não acontece. A troca de energias entre espíritos acontece no mundo espiritual e não no material…
Na realidade, você, ser humano, não manda energia: Deus lhe dá, através de formações mentais a idéia de estar mandando. Portanto, esta idéia é mais uma prova para você.
Pense o seguinte: você imagina que está do lado da sua esposa na sua casa. Acredita que vocês, ao se relacionarem, tem uma vida em comum… Mas, espiritualmente falando, vocês, espíritos, estão vivendo duas existências separadas.
As vidas humanas de vocês são duas ilusões separadas que não se misturam. Você tem a idéia de que ela lhe fala, mas não ela não lhe fala: Deus cria através do seu ego a idéia dela estar falando e de você estar a ouvindo.
A Realidade Universal é aquela que já falamos aqui comentando o livro “Nosso Lar”. André Luiz entra numa sala onde existem milhares de macas. Ao observar os espíritos, pelas feições destes compreende que eles estão vivenciando alguma coisa. Então, pergunta ao mentor o que está acontecendo. O mentor lhe responde: os espíritos estão vivendo as suas vidas…
Sendo assim, no momento que você pensa que está vivendo a lado da sua esposa, você, espírito, está em uma maca e ela em outra. Os dois estão, para a existência espiritual, desacordados, ou seja, sem ter consciência de estarem ao lado do outro. Aliás, podem estar em macas bem distantes um do outro…
Cada um em sua maca vive da sua vida carnal, suas projeções mentais humanas, onde pode estar a figura do outro ou não.
Participante: Não é um tanto desagradável viver a vida inteira nesta insegurança de nada saber, visto que assim só se passa desconforto e mal-estar por onde estiver? Isto não gera um carma negativo?
Não, eu acho que não… Pelo contrário, acho que quanto menos souber, mais leve de obrigações a vida fica e mais fácil ela é de ser vivida. Esta é a minha opinião…
E você, o que acha? Pela sua pergunta vejo que você acha que nada saber pode lhe causar mal-estar. Se assim é para o seu ego e se você se comprometer sentimentalmente com esta verdade, realmente será muito penoso viver assim…
Participante: Nós não temos nada a aprender, mas e o espírito, ele tem o que aprender?
Ele tem que aprender que o que ele vive não é real, é ilusão. Enquanto ele estiver preso à consciências ilusórias precisará aprender que tudo aquilo que está vivenciando é apenas uma ilusão. Só isso…
Mas, eu não diria que ele deve aprender isso. Falaria melhor: ele precisa alcançar a consciência de que tudo é ilusão, pois saber ele já sabe. Então, não é aprender, mas retornar à consciência primária que já sabe que tudo é ilusão…
Participante: Tenho procurado exercitar o amor tomando a postura do não julgamento. Tenho conseguido uma certa paz com isso. Esta paz é real?
Você tem consciência desta paz? Você tem consciência de que está exercitando o não julgamento e por isso está tendo paz?
Participante: Simplesmente faço…
Mas tem consciência que faz? Sabe que está fazendo? Sabe que o resultado do que faz é a paz? Sendo sim a sua resposta, afirmo que esta paz é ilusória, é criação do ego.
Tudo que lhe vem ao consciente é uma prova, ou seja, esta a paz que o ego está dizendo que você está sentido é uma prova para ver se você acredita que está conseguindo alguma coisa…
Não, assistir a vida não é se libertar das coisas ditas erradas e viver como real as coisas que acredita como certas. Assistir a vida é assistir a todos os a todas as formações mentais e não vivenciá-las sentimentalmente.
Participante: E o fato de eu não julgar?
Neste caso, se você tem consciência que não está julgando, quem não está julgando é o ego e não você. Você está achando que ele não está julgando, mas está, pois sabe que não está julgando.
Veja… Para saber que não houve um julgamento, é preciso que você julgue o que aconteceu naquele momento. Portanto, quando você toma consciência de que não julgou, esta consciência já foi fruto de um julgamento. Você só acha que isto não foi um julgamento porque o que ele decretou foi que você não julgou.
É isso que estou querendo mostrar: não importa o que o ego crie, você tem que se libertar de tudo, inclusive da idéia de você não está julgando, porque esta idéia de não julgar é fruto de um julgamento.
Participante: Como amar esta ilusão que é a minha companheira nesta vida, se nem comigo ela está… Gostaria de amar esta pessoa, espírito ou qualquer coisa que está ao meu lado… Se nem a minha companheira eu posso amar, como amar ao próximo?
Você quer amar sua companheira material? Ame a figura dela que existe dentro de você… Isso porque sua companheira só existe dentro de você mesmo…
É o que acabei de responder: você é um espírito deitado numa maca achando que está convivendo com outro espírito que pode estar em outra maca bem distante, inclusive em outras cidades espirituais…
A vida humana é um ato isolado: você vive a sua vida isoladamente com você mesmo. As pessoas que o ego cria como percepções, só existem dentro de você. Quando você quer amar a sua companheira, está buscando se amar. Isto porque quer amar alguém que está dentro de você.
Agora, se você me diz que amar aquele espírito esqueça que este ser é sua companheira nesta vida, porque não é. Esqueça que ela divide a vida com você, porque ela não divide.
Amá-la espiritualmente é ao contrário de amá-la como companheira. É amá-la como irmã espiritual. E para amá-la espiritualmente, você não pode ter companheirismo algum por ela…
Sabe, o a amor que vocês querem dedicar a outras pessoas ainda é material, pois como você disse, quer amar a companheira da sua vida e não aquele espírito por si. Amando dentro desta condição, deixará de amar outras pessoas, aquelas que não são sua companheira.
Veja… Você tem que amar a todos de forma igual. Se isso é verdade, como pode, então, querer amar alguém especificamente. Fazendo isso não conseguirá amar igualmente a todos…
Por favor, ponham pois isso na cabeça de vocês: a evolução espiritual ou vida – já que evolução espiritual e vida são sinônimos – é um ato solitário. Por mais que você perceba que está cercado de gente, essas pessoas só existem dentro de você. Elas não existem fora. Sendo assim, você não está convivendo com uma pessoa externa, mas sim com a imagem daquela pessoa que está dentro de você.
Participante das. Porque Jesus disse para não julgarmos o próximo? A partir do que o senhor ensina, nunca conseguiremos isso…
Conseguirá sim…
Observe: ele disse para não julgar, mas também disse para amar. Se você não consegue com a razão parar de julgar, com o coração ame…
Realmente em seus ensinamentos Cristo disse para não julgarmos, mas se pegarmos o Novo Testamento em qualquer dos seus evangelhos, o mestre julga a todos. Repare que todas as palavras atribuídas a este personagem são sempre de acusação a um procedimento humano. Isso não é julgamento?
Aí você me dirá: ele podia porque sua envergadura moral, porque é um espírito mais elevado… Esta não é a Verdade…
Ligando o não julgar ao amar, podemos compreender que o mestre se referia a uma atividade sentimental e não racional. Cristo ao proferir todas as palavras que aparentemente traduzem em si mesmas julgamentos, no seu coração não estava julgando ninguém. Sentimentalmente ele vibrava amor enquanto que o personagem servia de instrumento para trazer as palavras que eram necessárias…
Isto por si só responderia sua pergunta, mas vou mais adiante: o que é não julgar ninguém pelo coração? É não ter uma emoção diferenciada por ninguém.
Quando você tem uma emoção diferenciada por um determinado ser, como, por exemplo, a que expôs na pergunta anterior (a minha companheira), acabou de julgar. Julgou que aquela é uma pessoa importante para você, pois é a sua companheira, alguém que lhe faz bem.
O que é criticar? Dar um veredicto sobre alguma coisa, criar uma qualificação para alguém ou alguma coisa. Cada vez que você sentimentalmente distingue alguém ou alguma coisa, está julgando…
Não amar no coração é não ter um sentimento privilegiado por nada. Privilegiado positiva e negativamente. Criticar não é apenas falar mal, mas falar bem também é o resultado de uma crítica, de um julgamento…
Não ter sentimentos distintos entre todos e tudo (amar universalmente): foi isso que Cristo ensinou. Já não julgar por palavras, isso ele não pode ter ensinado porque foi só o que fez…
Ou isso, ou teremos que acreditar que Cristo era hipócrita dentro da própria definição que ele deu a este termo: aquele que conhece os ensinamentos, mas não os pratica…
Participante: Devo amar a pessoa que está dentro de mim?
Não, deve amar a Deus, mas não o ser que você acredita que Ele é, mas como o próprio Universo. Deve amar o Um, a Unidade formada pelo Todo. Saiba que o amor privilegiado por alguém, mesmo que seja o Senhor, é fruto de um julgamento.
Repare: se amar as pessoas que estão dentro de você, não estará amando as pessoas que não estão…
São seis bilhões de pessoas no planeta… Será que todas elas estão dentro de você, ou seja, já passaram por sua percepção? Lembre-se que neste total ainda não consignamos os seres que não estão encarnados e nem aqueles que vivem fora do planeta…
Será que todos os incontáveis seres estão dentro de você? É claro que não… Então, se você amar apenas os que estão dentro de você ainda terá distinções sentimentais entre seres…
Agora, se você amar o Todo fundido na Unidade, ou seja, o Um, estará amando a todos… Por isso, ame o Universo e não as pessoas…
Participante: Joaquim, o que você está fazendo dentro da minha cabeça?
Não sei, você que é que me pôs aí…
É, ainda tem mais esta… As pessoas só existem dentro das cabeças de vocês, mas se infiltra aí: vocês é que as colocam lá…
Participante: Dá para definir neste estágio de consciência que estamos o que é felicidade para o espírito?
Boa pergunta… Mas, para que eu possa respondê-la, antes me diga: a que nível de felicidade você está se referido?
Participante: Só posso falar do nível que conheço pelo ego desta encarnação… Por esse estou lhe perguntando se dá para definir o que é felicidade para o espírito, já que certamente não é a mesma coisa que a felicidade para mim ego…
A felicidade para você, espírito, hoje é o que é felicidade para o ego. Por que digo isso? Porque o espírito está ilusoriamente achando que é o ego e vivencia ilusoriamente como real tudo que o ego cria. Sendo assim, você, espírito, é feliz hoje quando o ego lhe diz que você é feliz…
Agora, se você está falando da felicidade além do ego (universal), posso lhe dizer que qualquer definição que crie para esta sensação ainda será uma ilusão que o espírito vive enquanto está amando. Eu disse no início da conversa de hoje: felicidade, paz e harmonia, na verdade, é amor. Isto porque no Universo Uno, Único e Estável só existe o amor.
Então, o que você chama de felicidade, seja o nível do ego ou do espírito em qualquer outra de suas consciências, é o amor, a pulsação do amor.
Sei que anteriormente falei da felicidade universal que o espírito sente, mas isto foi antes. Falei desta forma como preâmbulo para se chegar ao ensinamento de hoje.
Hoje a única coisa que posso lhe dizer é que existe o Universo, onde não há nada que você pensa existir, onde estão os espíritos, que também não são aquilo que você imagina ser, que estão apenas vibrando amor. Mas, quando falei desse jeito hoje, não mudei nada da Realidade, porque isso nunca se alterou ao longo dos séculos e nunca mudará.
Participante: Quando tenho a intenção de me colocar como instrumento de Deus para auxiliar o próximo a ter força para cumprir a sua prova e digo “louvado seja Deus, que esta pessoa consiga atingir a iluminação”, isto é válido?
Tendo esta consciência e dizendo isso com palavras, você não está fazendo nada: é o seu ego que está realizando…
Isso é válido? Se o você que está dentro desta pessoa ali estiver de um jeito positivo, será válido… Se o você que está dentro desta pessoa estiver ali negativamente, também será válido…
Krishna ensina assim: nesta senda de iluminação nada se perde. Tudo que acontece, ou seja, toda criação do ego é válida, porque esta ação está sempre dentro de um gênero de provas pedido pelo outro.
Portanto, quando o seu ego diz o que você acabou de citar, estará criando uma provação para o próximo e para você. Se Deus repercutir (der compreensão) esta percepção positiva ou negativamente em você ou no próximo, o acontecimento terá sido válido como elemento de elevação espiritual, pois é a provação sua e dele…
Agora, se você quer saber se a sua atitude é válida no sentido de “facilitar” as coisas para o próximo, lhe respondo que não, porque ninguém pode auxiliar o outro a fazer elevação espiritual. Lembre-se sempre: a evolução espiritual é algo de cunho íntimo e cada um faz a sua no momento que tiver que fazer. Você não pode dar “empurrões”…
Volto a repetir: apesar do caminho para se alcançar a elevação espiritual seja o universalizar-se, esta caminhada é individual. Cada espírito caminha individualmente para a união com Deus e ninguém pode auxiliá-lo neste momento.
Participante: Tudo bem que a elevação seja individual e que ninguém pode ser instrumento da elevação do outro. Mas, o que você está fazendo aqui? Você aqui não é instrumento da nossa elevação, não está nos mostrando caminhos para elevar-se?
Eu? Eu não estou nem aqui…
Participante: Seja quem for, você ou o ego, não está servindo de auxílio à nós?.
O eu que está dentro de você está mostrando o caminho…
Não sou eu que estou fazendo nada, mas é o seu próprio ego que está lhe mostrando o caminho. Aliás, é Deus que está lhe mostrando…
Deus está lhe falando e, ao mesmo tempo, está criando a idéia de que a figura de Joaquim está falando. Sendo assim, é Deus quem está lhe ajudando, porque ele pode, mais ninguém, porque é o único que respeita o seu livre arbítrio.
Todos os outros seres do Universo, movidos por egoísmo em qualquer grau, estarão sempre procurando lhe ajudar para o que eles querem e não para o que você quer. Só Deus é capaz de abrir mão total de seu desejo para lhe dar a oportunidade de escolher livremente o que quer.
Apesar disso ser verdade, não pense que Deus dá um empurrão, lhe facilita as coisas: Ele lhe ajuda dando as provações necessárias para a sua evolução… O Joaquim que está dentro de você é uma prova; o que você compreende que ele fala, também.
Como já me disseram hoje, a cada vez que o ego cria uma idéia, surge uma prisão, ou seja, cada vez que você compreende o que falo, uma prova foi criada. Portanto, o Joaquim dentro de vocês é apenas um instrumento para a geração de provas.
Sendo assim, a cada vez que este Joaquim lhe fala, ele está auxiliando-o na elevação espiritual… Mas, tudo o que ele fala foi Deus quem criou.
Então não sou eu que lhes auxilio, mas sim Deus. Ele pode fazer porque para isso apenas cria provas sem jamais dizer o que deve fazer…
Participante: Se eu adotar a postura de amar a todos, os que estão dentro e fora, estarei caminhando para amar universalmente, incluindo também tudo que for compreensível?
Se você adotar esta postura, será o ego que a estará adotando… O ego não caminha para elevação. Portanto, se tiver consciência de estar adotando esta postura, nada estará fazendo…
Se você, o espírito adotar esta postura, estará caminhando para elevação… Mas, se você, o espírito, adotá-la, você, o humano, não terá consciência disso.
Portanto, sua pergunta não tem resposta. Ou melhor, tem: se você tiver consciência de adotar qualquer postura, saiba que esta conclusão é apenas uma prova, uma idéia à qual não deve se apegar, acreditar como realidade…
Mas, tem uma coisa importante que quero lhe dizer neste momento. Não pense que estou brigando com você ou lhe criticando, mas repare que a cada pergunta que o seu ego cria, há a intenção de descobrir uma ação que possa ser realizada por você, ser humano, e que tenha reflexos sobre o espírito…
Repare que, a cada pergunta, mudam as palavras ou o assunto, mas no fundo você, ser humano, quer saber o que tem para fazer para que você, espírito, possa evoluir.
Participante: Desculpe, mas, segundo os seus ensinamentos, a cada pergunta ele não faz nada: o ego dele faz…
Desculpe, vou falar diferente…
Ego perceba que a pergunta você cria a idéia de uma possível ação sua que favoreça a elevação do espírito. Mas, ego, compreenda que o espírito não pode compactuar com as idéia de que você é capaz de realizar qualquer coisa. Compreenda que o espírito tem que chegar à conclusão espiritual, ou seja, sentimental, e não racional de que não há nada a ser feito…
Cristo disse: tudo está pronto. Tudo está pronto, Deus faz tudo e você ego vem buscando justificar sempre com alguma palavra alguma coisa para fazer.
Não estou dizendo que você, ego, está errado; não estou dizendo que você, ego, é “mal”: estou querendo lhe que você não pode realizar coisa alguma, não importa o que seja.
Você, ego, sabe que não tenho meio termo e que, para exemplificar o que eu falo vou sempre aos extremos. Por isso lhe digo, que depois de eu responder tantas vezes que você não pode fazer nada, você, ego, vai acabar me perguntando: será que eu não posso realizar nem uma ação fisiológica?
Sim, é bem capaz de você, ego, chegar a este extremo porque, por causa do gênero de provações que o espírito que está ligado a você pediu, você, ego, está e extremamente preso à necessidade de fazer alguma coisa.
Quanto à você, espírito, o meu recado é o seguinte: repare no que eu acabei de falar a este ego. Agora, repare sentimentalmente…
Depois de reparar, não cai nesta armadilha, porque posso lhe garantir pelas perguntas que o seu ego me faz que esta é a sua prova… Liberte-se, espírito, da paixão pela realização material (execução de determinados atos escolhidos pela razão), pois ela é oriunda da possessão dos elementos materiais, da possessão sentimental e da possessão moral…
Participante: Pode falar da diferença de missões entre Cristo e Krishna?
Eu diria que o ego Jesus Cristo teve como objetivo falar do amor e o conhecido como Krishna falou do controle da mente. Com relação a diferença entre estas missões, só posso falar a respeito destes aspectos, que são constatados pela simples leitura, porque a intenção Real com que se cria uma missão, só Deus sabe.
Aliás, posso saber sim: criar provas. Toda encarnação missionária foi criada como prova para vocês.
Participante: O que é moral? Qual a importância dela na nossa passagem na terra. Locação
Vou lhe responder de uma forma direta. O que é moral? Aquilo que você acha que é. Qual a importância dela na nossa passagem na Terra? A que você achar que tem…
Acabei de falar que os valores que se dá aos elementos do mundo material são individuais. Sendo assim, tudo tem o valor que você der a ele.
Eu não posso lhe dizer qual o valor da moral, porque se você não concorda comigo, irá discordar. Agora, posso lhe falar a respeito da moral espiritual. Desta posso falar, pois ela é Universal, ou seja, possui um único significado para todos…
Qual a moral espiritual? Amar a Deus e amar a tudo e todos. O que imoral? Não amar.
Imoral, espiritualmente falando, é, por exemplo, você adorar a sua companheira desta encarnação. Isto é imoral, espiritualmente falando, porque fere o amor universal… Adorar um filho é uma imoralidade espiritual.
Aliás, Cristo, aquele que ensinou a moralidade amorosa, diz: enquanto você não se desapegar de seu pai, sua mãe, filhos, esposa e de você mesmo, não serve para mim.
Então, o que temos que entender a respeito de moral, é que a humana será sempre aquele que você achar que é. Agora, a respeito de qualquer coisa do espírito, amar é a única resposta real que se pode dar a qualquer questionamento.
Qual a importância da moral humana? Para mim, nenhuma, pois ela nem existe: é apenas uma verdade relativa que sumirá com a aproximação de Deus.
Participante: Como eu, espírito, tenho como saber a algum lugar ou algum feito? Estou, eu ego, confinado a viver na a insegurança e na escuridão da ignorância encarnada?
Você espírito pode saber de tudo, pode conhecer tudo. Agora, tudo que você, espírito, conhece não é consciente ao ego.
O que você está me perguntando, em essência, é diferente do que suas palavras dizem. Na verdade, você quer saber porque o ego não conhece o que o espírito sabe…
O ego não pode, por si próprio, saber o que o espírito está pensando porque ele nem existe. O ego é simplesmente um criador de realidades ilusórias. É uma ilusão que cria ilusões. Então, ele não pode saber.
Agora, você, espírito, sabe muito bem o que está fazendo. Mas, sequer saber isso na consciência humana, é impossível…
Participante: É uma louvável situação miserável da alma errante…
Desculpe, mas isso não é uma situação miserável: é uma glória para espírito. É o seu ego que está dizendo que miserável.
Você falou que o espírito está confinado a alguma coisa, mas ele não pode estar, pois é livre. Deixe-me dizer algo interessante a este respeito…
Há muito tempo atrás quando ainda discutíamos a questão do livre arbítrio, me perguntaram se o espírito mais elevado poderia ter o livre arbítrio dos atos. Eu disse que sim, ele pode ter.
Esta pessoa, então, ficou feliz em saber que alguém poderia exercer ações livremente. Aí eu lhe disse: sabe como ele exerce este livre arbítrio? Dizendo: Senhor, faça de mim instrumento de Vossa vontade. Eu faço o que o Senhor quiser… Isto é uma opção. O espírito optou por servir a Deus sem impor condições para tanto…
Sendo assim, o que você chama de confinamento (estar ligado a um ego), para o espírito é o resultado de sua liberdade de agir. O espírito ligado ao mundo espiritual dentro da Unidade, está livre, sente-se livre, inclusive de fazer aquilo que quer, que acha “melhor”…
Agora, o ego interpreta esta idéia de estar preso ao ego como confinamento. Mas, isso é o ego que está interpretando e não o espírito que está vivendo. Então, liberte-se disso também…
Não deixe seu coração sentir que o espírito está confinado em algum lugar, que ele está preso ao ego. Krishna diz bem claro: se o ego é uma ilusão e sentir-se aprisionado também, o espírito não está preso a nada. Tem apenas a ilusão de estar preso.
Participante: Desde que eu estou ligado a este ego, só poderei ver a situação miserável da alma errante, pois o ego é dominante…
O espírito não vê isso: imagina que está vendo. Na sua consciência primária ele não vê as coisas desse jeito. Mas, como não recorre a ela enquanto encarnado, mas só às secundárias, tem a ilusão de. Ele não está preso, mas imagina-se como tal.
Olha a diferença entre o que eu disse e o que você falou. Você está querendo colocar que a vida do ego, as razões da personalidade ilusória são reais para o espírito. Não são… São ilusões que ele trata como realidade, mas são ilusões.
Isso porque na consciência espiritual nada disso está sendo vivenciado: está se tendo a ilusão de estar sendo vivenciado.
Participante: Só sobram as ilusões como realidade?
Para o ego sim.
Aliás, nem para ele só sobra a ilusão como realidade, já que a ilusão não existe. O que se pode dizer é que para o ego toda realidade é uma ilusão…
Participante: Como encarnado só tenho acesso ao que o ego dita. É verdade isso?
Deixe-me tentar lhe mostrar uma coisa. Como encarnado você não tem só acesso ao que o ego dita. Como encarnado você é o ego… É diferente…
Mais do que ter só acesso ao que o ego diz, como se houvessem outras coisas para ter acesso, você é o ego. Sendo assim, não existe mais nada para você como encarnado.
Participante: Só teremos consciência das provas após o desencarne ou podemos ter em vida terrestre?
Você só terá consciência das provas quando se libertar sentimentalmente da personalidade que viva atualmente.
Digamos que seu nome é José. Enquanto você for o José, não terá consciência das provas. Agora, quando se libertar desta sétima consciência, poderá ter, pois na sexta consciência está registrado o que veio provar através da personalidade da sétima. Neste momento terá consciência das provas e do quanto realizou delas.
Isso não tem nada a ver com morte ou vida. Pode se ter esta consciência depois do que você chama morte ou vida…
Participante: Caso de tenha consciência das provas antes do desencarne e verifique-se que ainda ficou algo pendente, pode se seguir no trabalho inicial proposto na provação?
Quando você deixar de ser o José, ou seja, quando puder saber, não se preocupará com o que fez ou deixou de fazer. Você está pensando como ser humano, querendo ser espírito, mas pensando como ser humano. Isso é impossível.
Quando você atingir esta consciência, só dirá: louvado seja Deus…
Participante: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa (Matheus). Qual o significado de abominações neste texto?
Grande pergunta…
Vocês só pensam em desolação, em abominações, em termos materiais, ou seja, em catástrofes. Por isso, imaginam que haverá grandes catástrofes físicas naquele dia que Cristo ensinou, mas não vai ser isto que acontecerá…
Como Cristo ensinou – e nós já estudamos este texto – se Reino de Deus é dentro de cada um, o que marcará aquele dia acontecerá dentro de cada um. Sendo assim, no momento que a moral espiritual do ser humano for cobrada através do apontamento da imoralidade que é a moral humana, ou seja, que em nome de Deus se mata, vilipendia e se faz outras coisas, se neste momento você estiver em cima, ou seja, estiver buscando a sua elevação espiritual, não volte para pegar coisas materiais. Agora, se estiver em baixo, ou seja, preso ao amor aos elementos do mundo material, saia correndo pra cima, para o espiritual, pois esta cobrança quer dizer que os tempos chegaram…
O que acontecerá naqueles dias que Cristo ensinou são as demonstrações de que a moral humana é imoralidade para Deus. Esta imoralidade será muito bem apontada por aqueles que têm moral para tanto: aqueles que vocês chamam de extraterrestres. Estes são espíritos mais evoluídos que vocês e eles, a partir de sua própria ascensão moral, mostrarão como imoral é a moral humana.
Participante: Os extraterrestres virão materialmente ou espiritualmente?
Esta pergunta já meu foi muitas vezes feitas: claro que eles virão espiritualmente, porque são espíritos. Virão em emissão espiritual…
Agora, imagino que você ao me fazer esta pergunta está se querendo saber se eles virão de uma forma perceptível a vocês. Eu respondo que sim, eles serão percebidos pelo ego humano, mas virão espiritualmente e não materialmente…
Falo desta forma para que vocês possam compreender uma coisa importante: o que os seus egos perceberão não são eles, mas as formas às quais eles estão ligados. É diferente. Compreende? Vocês verão um extraterrestre, mas o que verão é uma forma e não o próprio espírito.
Estes espíritos poderão lhes trazer esta cobrança moral porque eles estão livres dos conceitos humanos e dos conceitos do planeta deles. Não digo que é um espírito de posse da sua consciência espiritual, mas que já tem verdades do quarto ou terceiro nível de consciência.
Participante: Esta forma de apresentar-se dos extraterrestres é a mesma que você utiliza?
Não, não é como eu me apresento. Eu, na verdade, não me apresento à vocês com nenhuma forma minha própria. Eu utilizo o que vocês chamam de mediunidade e por isso me apresento à vocês através da forma do médium.
Já os extraterrestres se apresentarão dentro de formas próprias deles, pois não se farão presentes pelo processo de incorporação. Só que estas formas serão meras criações dos seus egos. Esta é a diferença: vocês vão olhar para os extraterrestres e, diferente da minha apresentação, verão um corpo específico para aquela apresentação, mas este corpo só existirá no ego de vocês e não fora dele.
Mas será que todos vão ver da mesma forma os extraterrestres? Sim. Todos terão a mesma percepção da figura com a qual estes espíritos se apresentarão porque, afinal de contas, ninguém vê nada, mas Deus é quem cria o que é percebido pelos egos. Então, Ele irá criar de uma forma o universal as imagens dos extraterrestres.
Resumindo, os extraterrestres se apresentarão com um corpo próprio. Mas este corpo não pertence ao espírito, mas os egos humanos é que o estará criando…
Participante: Estas apresentações serão para mais provas para nós? Mais uma coisa para nos libertarmos?
Sim, a forma percebida pelo ego será mais um elemento para vocês se desapegarem. Apegando-se àquele ser extraterrestre através da sua forma, nada terão alcançado com relação à elevação espiritual.
O que vocês precisam ouvir é a mensagem que eles trarão e não apegarem-se às formas com as quais eles se apresentarão. Aliás, como disse o texto bíblico que deu origem a esta série de perguntas: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa
Participante: O senhor pode falar sobre intenção? Ela vem do coração, do espírito ou é criada pelo ego via prova?
Toda intencionalidade é racional. O ego cria as formações mentais sempre com bases intencionais, ou seja, age sempre com um objetivo predeterminado.
Todo pensamento tem a característica de criar uma intenção, de falar a respeito de uma intenção. Portanto, são provas, já que a base de todas as intenções humanas é o egoísmo.
Saiba: não existe pensamento humano que não contenha no seu íntimo uma pretensão egoísta. Mesmo quando o pensamento fala em fazer o “bom” para os outros, há nele uma intencionalidade. Isto porque o pensamento quer diz que se deve fazer aquilo que se acha “certo” ser feito, sem consultar se quem vai receber quer aquilo e porque o ego só aceita fazer o “bom” para quem quer bem, ao invés de buscar agir assim de uma forma generalizada.
As formações mentais que o ego cria fundamentam-se prioritariamente no “eu”, que é por natureza egoísta. Por isto, as intenções que ele expressa, por mais que pareçam “santas”, são sempre de cunhos egoístas. Por ter este cunho, são, portanto, provações para o espírito.
Agora, esta intencionalidade é dada através do raciocínio e de uma emoção ou sensação. Ou seja, você tem um raciocínio que compreende uma intencionalidade e uma emoção que vibra de acordo com esta intenção.
O espírito que ligado ao ego aceita esta emoção como real, como verdade, como sendo dele, passa, então, a achar que está vibrando aquilo. Neste momento, ilusoriamente, ele imagina que está sentindo aquela emoção Mas, o espírito não tem esta intencionalidade: ela está apenas no ego. Como já disse, no Universo Uno, Único e Estável, o espírito apenas acha que está vibrando de acordo com as emoções do ego…
Resumindo o assunto, então, digo que as intenções são frutos do ego, são elementos da personalidade temporária à qual o espírito se liga e fazem parte da provação deste, seja esta intencionalidade criada através de emoções ou razão…
Participante: Outro tema que me faz confusão é a vontade. Ela está sempre ligada a um desejo? Sendo sua resposta sim, pergunto: por que foi dito seja feita a vossa vontade ao ser humanizado?
Foi dito “seja feita vossa vontade” com relação à vontade de Deus, não à vontade do ser humano. Pelo contrário: foi dito que Deus não se submete as vontades humanas…
Sim, vontade é sinônimo de desejo, mas isso é assim para vocês. Para os egos humanizados vontade é sinônimo de desejo. Mas, quando se fala na vontade de Deus, não se pode imaginar que ela seja fruto de um desejo, porque Ele não deseja.
Deus não tem desejos porque Ele não trabalha com hipóteses que podem dar “certas” ou “erradas”. Deus não tem desejos: só têm Verdades, Realidades. Sendo assim, quando se fala que seja feita a vontade de Deus, o que se diz é que se elimina as vontades humanas para que as Verdades e as Realidades de Deus aconteçam.
Neste aspecto, então, não se tem vontade como sinônimo de desejo, mas, para vocês humanos, a vontade é sinal de desejo.
Participante: Deus criou o espírito puro. Criou também os egos como uma ferramenta carmática e criou as ilusões através das quais os espíritos buscaram se libertar. Ao espírito cabe escolher entre a ilusão e Deus. Se escolher o amor individual estará criando nova encarnação, cujo herdeiro absoluto todo carma é única e exclusivamente o ego. É por aí?
Não, o herdeiro do carma é o espírito. Mas, o espírito quando escolhe um amor individualista gera para si um carma e não uma nova encarnação. Gera um carma que poderá ser vivido nesta ou em outra encarnação e não necessariamente uma nova existência humana.
Quem, no mundo ilusório, irá gerar a percepção da situação carmática é o ego, mas o carma não é dele. O ego vivencia a situação carmática, mas o carma e do espírito. Isto porque o ego só reflete aquilo que espírito precisa.
Então, o espírito adquire um carma por ter se banhado no amor individualista e Deus cria através do ego uma situação carmática que seja de acordo com aquele carma que o espírito adquiriu.
Participante: Eu havia entendido que o espírito não tem carma…
Só o espírito tem carma. O ego nem existe, ele é uma criação ilusória e que não faz nada; quem faz é Deus…
Veja bem. Deus cria a cena e o espírito escolhe entre o amor universal ou o individual. Neste momento da escolha do espírito existe uma ação fundamentada no seu livre arbítrio: da escolha entre o bem ou o “mal”.
Com existe uma ação, ela gera para uma reação. A reação a esta ação espiritual será teatralizada pelo ego. Por isso pode se entender que o carma é do ego, mas a origem desta cena, ou seja, da ação carmática, foi a ação do espírito o carma. Portanto, o carma é do espírito e não do ego…
Aliás, deixe-me falar uma coisa sobre o carma… Na verdade, nem existe carma…
Veja, se o espírito tem a ilusão de estar amando individualmente, o carma é o resultado de uma ilusão e por isso também uma ilusão. Acho que é neste aspecto que você está se baseando para afirmar que eu disse outro dia que o carma não é do espírito.
O carma realmente não é do espírito se você pensar que na realidade ele está sempre amando universalmente e por isso jamais geraria um carma. Mas, se olharmos pelo lado ilusório, pela realidade relativa que você chama de absoluta, ele existe…
O carma, portanto, é o resultado da ilusão de achar que não se está amando universalmente. Sendo o carma uma ilusão, ele não existe um carma. Ficou claro?
Participante: Se o espírito já está amando universalmente, para que então existe o carma?
Para mostrar a ele que apesar de estar amando universalmente, está iludido achando que não está…
Participante: É chover no molhado…
Sim, mas veja. Falar de atividade de espírito para egos, é sempre chover no molhado, porque toda atividade que pode ser conhecida através da razão é uma ilusão…
Se formos nos ater à Realidade, o carma não existe, mas isso não é real para vocês, pois vivenciam carmas…
Então vou dizer assim: ilusoriamente o espírito acha que ama individualmente. Quando vive esta ilusão como real, cai na ilusão da existência do carma. Neste processo de vivenciar ilusões como realidades, ele vai até se libertar de toda a ilusão, tomando cada vez mais a consciência de que não está fazendo nada que a razão diz que é real.
Mas, apesar de ilusório, o carma é importante, pois é o processo que faz o espírito ir de ilusão em ilusão libertando gradualmente do egoísmo…
Participante: Parece-me, então, que Deus criou o espírito já amando universalmente, mas não acreditou na sua própria criação. Por isso tem que colocá-lo à prova. É isso?
Exatamente isso que está na bíblia.
Participante: Então deus não é completamente Onipotente?
Não entendi onde não estaria a Onipotência de Deus…
Participante: Em não acreditar naquilo que Ele próprio criou: o espírito amando universalmente…
Não é que ele não acredite… Ele cria espíritos livres e não robotizados…
Ele cria o espírito de diz a este que pode fazer tudo, menos uma determinada coisa. Aí depende do livre arbítrio do espírito – que é a marca de sua liberdade – fazer ou não o que lhe foi informado para não fazer…
Ou seja, Ele cria a opção para que o espírito escolha, para que este não seja um robô. Ele deixa o espírito escolher o que fazer para não quebrar aquilo mesmo que Ele deu e que marca a liberdade do ser universal: o livre-arbítrio, o direito de escolha.
Deus apenas guia o espírito, através da sua Onipotência, para que este ser volte, depois de ter por moto próprio degenerado um dia, à postura inicial. Para isto criará a vivência de ilusões que sempre trarão em si uma pergunta para este ser responder utilizando-se do seu livre arbítrio: o que você está vivendo agora é Verdade ou ilusão?
Para administrar todo este processo, o Senhor precisa ser Onipotente…
Participante: Já lhe perguntei para onde o senhor vai quando o acabar nossa reunião. Mas, não quis saber do Joaquim, do ego, como foi a resposta que recebi, mas sim de você espírito. Gostaria de saber em que plano você, espírito, está. Insisto na pergunta por que não consigo conceber que você se valha de formas. Em que plano essencial você atua?
Diga-me uma coisa: em que plano como essencial você atua?
Participante: Aprendi com você que, como encarnado, só no sétimo plano…
O que quer dizer encarnado? Ligado a um ego humanizado…
O espírito, qualquer que seja a sua seu grau de elevação moral, não atua dentro do seu grau de consciência, mas dentro da que o seu ego está. Ou seja, tem a consciência sempre determinada pela personalidade transitória que está vivenciando…
Eu posso dizer que talvez eu já pudesse estar vivendo consciências de quinto nível, mas, por causa desta missão, eu me ligo a este ego que você chama de Joaquim. A partir do momento que me ligo a ele, tenho que estar, ou melhor, estarei onde este ego estiver. Quando ele for dissolvido, eu serei livre para ir para outro lugar, mas enquanto ele existir, enquanto houver a ligação ilusória com ele, estarei onde ele estiver.
Em O Livro dos Espíritos diz-se que o espírito está onde o seu pensamento está, ou seja, onde está o seu ego é que você está. Então, sempre estarei onde Joaquim estiver…
Por isso lhe respondi quando fez a primeira vez esta pergunta exatamente assim: por estar ligado ao ego Joaquim, eu, espírito, estou onde ele está. Não posso deixar de ser Joaquim daqui a uma hora e voltar a sê-lo depois de duas. Enquanto a minha missão dourar eu estarei Joaquim e estarei onde ele estiver.
Participante: Você deixa este ego Joaquim quando acaba a reunião?
Não, não posso deixar o ego Joaquim quando acaba esta reunião, porque ele continua depois dela.
Eu, além das reuniões, tenho que agir junto a vocês e a uma série de outros espíritos, que você chamaria de desencarnados, que estão junto conosco. Estes espíritos e vocês não me reconhecem como o ser universal, mas sim como Joaquim.
Quantas vezes, após acabar uma reunião, eu me encontrei com um grupo de espíritos que vocês chamam de desencarnados, que foram trazidos aqui para ouvir a palestra, me esperando. Durante o tempo que estava conversando com vocês, eles estavam vendo a cena que vocês estão e esperando Joaquim para continuar a conversa. Não o espírito, mas o Joaquim que eles conseguem perceber.
Participante: Nestes encontros você vai com forma do médium?
Não, eu vou com a forma de Joaquim. Ela é a forma que os espíritos estão me vendo participar mediunicamente nesta reunião. Eles me vêem dentro da forma Joaquim, ou seja, conseguem me distinguir da forma do médium.
Voltando à pergunta inicial, posso dizer que Joaquim é a missão que estou executando e, por isso, tenho que ser Joaquim o tempo inteiro. Quando acabar a missão, ou seja, o Joaquim dissolver-se, posso ir para outra consciência, mas, por enquanto, tenho que estar sempre preso a Joaquim.
Participante: O que mais prende a roda da encarnação não é o carma, mas sim o aceitarmos nossos atos de encarnado como reais. É isso?
O que mais prende o espírito à roda de encarnações não é aceitar o ato como real, mas aceitar a intencionalidade gerada pelo ego como real.
Foi o que respondi sobre intencionalidade: ela é o fruto do egoísmo. São as posses, as paixões e os desejos que Deus lhe cria através do ego como prova. Não é o ato de gostar ou não de alguém, mas o acreditar na intenção de gostar de determinada pessoa que prende os espíritos à roda de encarnações.
Um dia me disseram que eu falo que tudo é ilusão, mas como são bonitos um pôr-do-sol e as flores. Eu respondi a esta pessoa: é exatamente por achar as flores bonitas que você, espírito, está preso à roda de encarnações.
Você, espírito, aceita a ilusão da beleza que o ego cria como real e quer ter a ilusão de estar vivo para poder curtir o prazer de observá-las… Aí está a intencionalidade que eu falei que os prende à roda de encarnações…
Respondendo-lhe, então, digo que o que os prende à roda de encarnações é o apego às intenções egoístas criadas pelo ego e não o ato em si.
Participante: Entregar toda a responsabilidade dos meus atos a Deus é uma atitude de pequeno valor frente a emancipação espiritual. É verdade isso?
Sim, entregar a responsabilidade de seus atos a Deus ainda é pouco. Isto porque ainda permanece alguma intenção: Deus fez isso para acontecer aquilo, ele fez por causa daquilo…
Olha a intencionalidade presente… Esta intencionalidade é que está lhe prendendo e não o ato de agir.
Participante: No tema “Construindo a felicidade”, uma pessoa levantou a questão de que o carma pode ser interrompido e o senhor concordou dizendo: se nos mantermos equânimes não geramos carma. E isso vale para o carma de vidas passadas?
A resposta é sim, mas antes de completar a questão, precisamos deixar uma coisa bem clara: não existe carmas com origem em vidas passadas…
Não existe o carma de vidas passadas, visto por que o carma é sempre da vida atual. O carma está sendo sempre criado nesta vida. Ele pode ter origem em acontecimentos de egos anteriores, mas não é um carma daquele ego e sim deste.
Dito isto podemos continuar lhe respondendo…
A elevação espiritual se caracteriza pela vivência dos acontecimentos da existência com equanimidade, ou seja, pela libertação do coração das emoções. Quando se vive assim, o carma acaba.
Agora, será que acabar com o carma muda, modifica os acontecimentos previstos para esta existência? Não…
Libertar-se de um carma, ou seja, aprender a ser equânime frente às emoções geradas pelo ego, não modifica o ato pré-programado. Isto porque o Universo é interdependente.
O ato que você vivencia é sempre presenciado ou sabido por outras pessoas. Por isso os atos pré-determinados para sua encanação precisam existir, pois eles representam o carma pelos quais os outros espíritos precisam passar.
Seus atos não mudarão, mas, se conseguiu a equanimidade, você não terá o seu carma naquele momento, ou seja, poderá não ser tentado por determinado emoção. Vou dar um exemplo…
Um ato previsto para sua vida onde você é assaltado, ou seja, alguém entra na sua casa e retira tudo de lá ou alguém enfia a mão no seu bolso e tira todo seu dinheiro. Se você conseguir a equanimidade com relação à paixão pelos elementos materiais, este ato continuará existindo na sua vida, pois os egos do ladrão, do receptor, da polícia, das pessoas que saibam do acontecido, precisam dele para gerar a provação dos espíritos a eles ligados.
Agora, você, por já ter alcançado a equanimidade, não vive este ato tendo a emoção de estar sendo roubado, de ter perdido coisas… Neste momento o seu ego gerará a emoção de equanimidade e o espírito, mesmo ainda acreditando que é o ego, também continuará equânime.
Com isso você, o espírito, não gerará terá carma naquele momento. Isso porque equanimidade é apatia e, por isso, não pode ser considerada uma ação. Se não é ação, não pode gerar reações. Ficou claro?
O momento carmática só pode ser suspendido neste parâmetro (na emoção ou intenção) e nunca na ação propriamente dita, porque a programação de ação para você influencia na programação de ações de outro. Por isso você não pode viver uma situação diferente na sua vida. Agora a sua emoção, se já tiver alcançado a equanimidade será diferente…
Aliás, vocês mesmo conhecem este ensinamento… Quantas vezes já não se pegaram agindo sentimentalmente diferente em situações iguais às ocorridas no passado?
Participante: Quando o ser humano fica apático às situações, isto é um caminho para se desprender da materialidade?
Quando você alcança a apatia com relação às coisas do mundo, libertou se da ilusão. Agora, esta apatia não é racional, mas sentimental. Sendo assim, você nem sabe que alcançou. Quando a apatia é constatada racionalmente, acha que se tornou apático, saiba que não se tornou, mas isso é uma prova.
Sendo assim, lhe respondo que se você, no coração, não na razão, conseguir a apatia é uma prova que conseguiu vencer o mundo e que as emoções mundanas não mais lhe afetam o coração…
Participante: Quando não se esboça um comentário diante de uma situação escandalosa é porque se tornou apático?
Comentário é algo físico, então é prova.
Estou falando de coração… Quando seu coração está apático às emoções que o ego cria, você, o espírito, alcançou a apatia.
Agora, quando racionalmente souber que o coração está apático, pode não estar. Isso, com certeza é apenas o seu ego lhe informando que está.
Portanto, se quer alcançar a apatia, esteja com o coração apático a esta informação também…
Participante: O seu médium postou um texto onde sugere que as diversas entidades que se apresentaram através dele (exu, caboclo, baiano, índio, preto velho, etc.) seriam o mesmo Joaquim, o mesmo espírito que se apresenta sobre o nome de Joaquim. Poderia se estender sobre isso…
É muito simples e nem preciso me de estender tanto… O espírito pode assumir qualquer forma que seja necessária para o bom andamento do seu trabalho.
Na verdade, alguns egos missionários são constituídos com esta característica: criar diversas formas, nomes, tendências, sotaques para apresentar-se quando participam de um trabalho. No meu caso isso, como eu já respondi anteriormente, sim, o meu ego possui esta característica.
No meu caso, é sempre um só espírito trabalhando sob diversas formas, de acordo com a necessidade do trabalho.
Com relação a este assunto, deixe-me dar uma complementada…
Na verdade, não foi o médium que escreveu o texto a que você se refere. Claro que o ego dele foi comandado para escrever. Isto aconteceu por um motivo muito importante, do qual gostaria de falar um pouco…
Quando me perguntaram hoje onde eu estava, em que nível de consciência vivia e eu não respondi diretamente, uma pessoa me falou em particular que a perguntava objetivava saber a que nível de elevação eu pertenço quando liberto deste ego. Disse a esta pessoa que tinha entendido o objetivo da pergunta, mas que esta resposta eu não daria.
É preciso deixar uma coisa bem clara: não importa que espírito esteja usando um ego, tudo que ele faz é sempre criação de Deus. Então, é sempre Deus falando…
Eu evitei responder à pergunta sobre meu nível de elevação – e me desculpem a sinceridade – para evitar endeusamento… Para um espírito missionário a pior provação é o ego criar esta emoção, pois se ele se deixa levar por ela, será, para ele, pura perda de tempo. A missão será realizada, mas ele não vai aproveitar o fruto do seu trabalho.
Entendido isso, podemos, então, entender porque Deus criou a idéia do médium estar divulgando tal texto: desmistificar, acabar com a idéia de um ser (Joaquim) melhor do que os outros…
Nosso trabalho sempre foi desmistificar todos os mitos que os egos humanos criaram a respeito da vida depois da vida. Uma pessoa uma vez me perguntou: se Kardec gerou “kardecismo”, será catecismo que este trabalho gerará o “Joaquinsmo”? Eu respondi: não, nunca…
Isto não pode acontecer porque tenho a plena consciência de que nada do que é transmitido pertence ao Joaquim, ou ao médium ou qualquer outro espírito especificamente. Não pertence nem mesmo ao Espiritualismo Ecumênico Universal…
Numa cidade uma pessoa me disse que estava devolvendo as páginas contendo os ensinamentos porque queria pedir desligamento do grupo. Eu disse que ele não podia pedir desligamento nem ligamento de nada, porque este é um trabalho da espiritualidade para os espíritos. Ele não tem dono…
O ego Joaquim é um transmissor dos ensinamentos e eu (espírito) sou um mero participante deste trabalho na função de locutor de informações. Como já cansei de dizer, Joaquim só toca o som que alguém produziu.
A divulgação da informação de que todas as incorporações, apesar das variadas formas com as quais elas se apresentaram, foram feitas por apenas um espírito, é muito importante para pararmos de dizer que Joaquim fala ou ensina alguma coisa. Joaquim não diz nada… Aliás, ele nem existe…
Este é um trabalho do mundo espiritual para a espiritualidade to planeta Terra. Por isso ninguém está fora nem dentro, nem ninguém cria nada. Tudo vem de Deus.
Participante: Queria lhe passar um comentário interessante que alguém fez e pedir que fale dele: “Interessante que Joaquim, sendo um preto velho, não se inclui nisso. Fiquei com a impressão de que suas frases são ditas por alguém que se considera oriental. Estou falando isso porque Joaquim mesmo diz que ele é porta-voz de um grupo de espíritos que formam o Espiritualismo Ecumênico Universal do. Por isso, acho eu, às vezes ele é ocidental, cristão, outras vezes adquire um tom oriental, budista”.
No início dizíamos assim: todas as nossas mensagens são oriundas da “Academia Superior de Ciências Espirituais”. Chamar a fonte de nossos ensinamentos de academia superior foi um ato de presunção de nossa parte, mas foi algo que foi necessária naquele tempo. Isto porque precisávamos impressionar para abrir ouvidos para as mensagens que trazíamos…
Hoje, o que posso lhe dizer a este respeito, é que os nossos ensinamentos, como os de todos os outros espíritos missionários, fazem parte de um planejamento de evolução dos espíritos que encarnam no orbe terrestre.
É preciso ficar bem claro isso: não se pode dizer que, por exemplo, o espírita é menos evoluído do evangelho. Ser evangélico ou ser espírita faz parte da evolução de cada um. São elementos de acordo com a necessidade de criação de ilusões. Isso não quer dizer que um seja mais elevado ou menos que o outro.
Como já dissemos, não se reconhece o espírito pelo grau de elevação do ego. Posso isso posso lhe dizer que qualquer ensinamento de qualquer religião ou doutrina, é administrado na ilusão, por um grupo de egos. Egos que possuem outras consciências, mas ainda personalidades ilusórias.
São estes egos que determinam o que qualquer mentor de qualquer doutrina irá passar. Mas, nem por isso podemos endeusar estes espíritos, porque ao vivenciar esta realidade, eles estão no mundo deles vivendo as suas provas…
Sendo egos que criam, é Deus quem comanda. Portanto, a administração do ensinamento que cada um vai passar, na verdade, constitui-se em simplesmente fazer o que Deus manda fazer. Portanto, o trabalho em si não é uma criação de espíritos…
Neste grupo de espíritos alguns espíritos estão ligados a egos que, não vou dizer nem que tenham origem, mas possuem missões, que vocês reconhecem como de cunho oriental enquanto outros vocês reconhecem como ocidental. Tratam-se de egos preparados para a criação de determinadas.
Então sim, o comentário que você ouviu é pertinente, pois muitas vezes leio um texto escrito por um ego com ensinamentos de cunho oriental, que foi escrito na ilusão por um ego comissão oriental, e outras vezes por um orientado nos ensinamentos ocidentais. Mas, eu apenas leio o texto deles…
A única coisa que faço aqui é ler textos. As perguntas que vocês estão me fazendo, apesar de vocês não acreditarem nisso, já estavam programadas, assim como as respostas. Eu só estou lendo os textos desta programação…
Um dia, numa destas reuniões, alguém me pediu para repetir uma resposta que eu tinha acabado de dar. Eu disse que não podia porque já tinham tirado a folha… Não dava mais para ler aquela resposta.
O comentário que ouviu, então, é perfeito, mas com a ressalva que eu não sou oriental ou preto-velho: leio respostas escritas por egos que têm esta ou aquela formação por causa da missão de cada um.
Sei que para vocês, espíritos aprisionados às ilusões geradas pelo ego, quando leio respostas parece que eu estou falando como se fosse oriental e ocidental. Mas eu não sou uma coisa nem outra: eu sou eu.
Participante: Na visão monista o passado e o futuro estão contidos no presente, ou esta compreensão é ilusão?
Passado e futuro não existem… Só existe o presente que se repete a cada micro fração de tempo. Só isso.
Não existe passado nem futuro: isto é o máximo que posso lhe dizer… Falar mais do que isso é impossível para vocês que contam tem compreenderem…
Para vocês, egos humanizados, a única coisa que posso dizer é que na visão monista, ou seja, na visão do Universo Uno, Único e Estável, não existe passado ou futuro. Só existe o presente, que se repete a cada momento, sempre sendo presente.
Participante: Se existe só o presente, quando se dá o resultado do merecimento? Nós, os humanizados, temos a sensação de que temos que estar no caminho por um longo tempo para poder alcançar a elevação..
Se não existe tempo, não existe um longo ou curto caminhar.
Quando se dão resultado da ação do presente? No presente… Isto porque o presente é a única coisa que existe…
Como disse, é muito difícil explicar para vocês presente. Quando falo, por exemplo, que o resultado da ação no presente se dá no presente, vocês imaginam que são presentes sobrepondo-se. Com isso, surge, também, a idéia de que quando um presente se sobrepõe ao outro, o atual veio do futuro e o outro foi para o passado. Mas não é isso: sempre há apenas um único presente… Mais do que isso é impossível explicar ao ego humanizado, preso à existência de tempos.
Esta é a primeira explicação com respeito à sua pergunta. Quanto à sua afirmação de que vocês precisam de um longo tempo para elevar-se, Krishna diz que o trabalho da elevação espiritual pode ser executado no minuto anterior à morte. Sendo assim, até pelo tempo humano, você pode imaginar que pode alcançar a elevação espiritual rapidamente.
Aliás, deixe-me dizer uma coisa interessante. A elevação espiritual não gasta nenhum tempo… Isto porque, num presente você não está evoluído, mas no outro sim…
Por mais que vocês imaginem que estão caminhando, ainda não evoluíram. A evolução só acontece quando se termina a caminhada. Ela não acontece paulatinamente. É a mesma história sobre o haver apenas um presente constantemente: não dá para entender o que estou dizendo…
Vocês acreditam que estão evoluindo, mas apenas estão caminhando em um sentido e ainda nada realizaram. Evolução se alcança por completo: antes disso nada se alcançou…
Quando se evolui, evoluiu se. Ficou claro?
Participante: Não…
Que bom: não criaram um novo paradigma…
Não dá para ficar mais claro que isso. Se não compreendeu, pelo menos fique com as palavras de Krishna quando ele fala que, mesmo que a libertação seja feita no último minuto de vida, terá valido a pena toda a vida.
Participante: O quanto devo respeitar meu ego?
Que pergunta difícil…
Você não deve ter nenhum respeito por ele, se entende respeito como acatamento. Sabe, o filho deve respeitar um o pai, ou seja, deve acatar o que o pai fala. Este tipo de respeito você não deve ter nenhum pelo ego.
Agora, se você chama respeito de valorização, deve ter todo o respeito pelo seu ego. Ou seja, deve valorizá-lo muito porque ele é um instrumento da sua prova.
Mas, valorizar o seu ego não é valorizar o que ele cria: é ter respeito ao ego como criador de realidades ilusórias, mas não respeito pelas realidades ilusórias que ele cria. Não sei se me fiz entender, mas no fundo é isso: ame o seu ego porque ele é o seu amigo, o instrumento que lhe ajuda na evolução espiritual; mas, não o ame o que o seu ego cria.
Às vezes é difícil explicar determinadas coisas porque as palavras têm duplo sentido. Por isso fiz questão de falar sobre os dois sentidos que conheço para a palavra a respeito
Participante: Algumas pessoas falam que a Índia está numa situação precária devido à passividade das pessoas que lá habitam e acreditam que devem aceitar tudo que existe sem contrapor-se porque, afinal de contas, é carma. Ou seja, a idéia de que não é necessário se transformar as coisas. Comente, por favor…
O que você quer que eu comente? Pela lógica humana, a Índia está numa situação precária. Mas isso pela lógica humana…
Por que ela pensa isso? Porque a lógica humana é fundamentada na busca da satisfação pessoa… Então, sim, a situação na Índia é lastimável para o ser humano…
Para o ser humano que quer ganhar, que quer estar sempre certo, que quer a fama e o elogio, a vida na Índia acontece em situação precária. Agora, sobre o ponto de vista espiritual, a Índia é um foco de Luiz imenso.
Isto porque lá há amor… Amor real, amor entre espíritos…
Não digo em toda Índia, porque hoje o ocidental já ocidentalizou uma parte do povo deste país, mas nos redutos dos gurus, existe o amor verdadeiro e todos. Este amor não se expressa pelo congraçamento físico entre os habitantes das castas, mas ele sim pelo congraçamento de espíritos. Apesar da existência do sistema de castas, os indianos se amam espiritualmente.
Se isto está acontecendo, não há nenhum atraso espiritualmente falando. Agora para humano existe sim.
Mas, quero lembrar aos humanos uma frase de Cristo que é muito esquecida: o primeiro na terra será o último no Reino do Céu. Para aqueles que não vivem uma situação lamentável, o destino é o fim da fila… A partir disso lhe pergunto: quem é mais evoluído, a Índia, os povos africanos ou os Estados Unidos?
Apenas uma ressalva: nem sempre é preciso condições físicas lamentáveis para se estar mais à frente na fila. Como sempre digo o que comanda é o coração, o sentimento, e não os atos materiais.
Nesta resposta fiz apenas um comparativo para que vocês se libertem da idéia de que, espiritualmente falando, a vida no mundo material precisa ser plena de prazer…
Participante: Parece que a emancipação é o resultado de um somatório de vários momentos equânime, ou seja, acumula-se certa quantidade de pontos por assim dizer. Nunca acontece a equanimidade absoluta para o encarnado, mas sim um acúmulo de experiência na equanimidade.
Você está quase certo. Na verdade, não é difícil ter equanimidade absoluta: é impossível.
Isto porque este não é o mundo de se regenerar, ou seja, de se mudar, É um mundo de se provar que quer se optar por Deus. É bem diferente. O que vale aqui é você mudar a intenção, ou seja, ao invés de querer viver para a humanidade, provar que quer viver para espiritualidade.
Agora no próximo mundo, quando mudar o sentido da encarnação neste planeta, aí sim, começará o processo de regeneração.
Participante: O Talmude, livro judaico, diz: “tão grande é a paz que o nome de Deus é paz; tão grande é a paz que todas as bênçãos podem ser encontradas Nele”. Isto é verdade?
O que é paz? Vamos tentar entender isso porque é interessante.
Paz é quando você alcança uma boa convivência com o próximo. Estar em paz é estar harmonizado com o mundo que vive.
Agora, a partir desta necessidade de se harmonizar com o mundo, os egos humanos criaram a necessidade da mudança das outras pessoas para aquilo que eles chamam de “certo”. Por exemplo: os ocidentais querem que os árabes se mudem para a cultura ocidental para que haja paz. Querem que eles deixem de adorar a Alá, que mudem seu modo de vestir, etc.
Na verdade o que o ego quer não é paz, mas dominação do próximo. Exige, para dizer que está em paz, que todos os demais se submetam aos seus conceitos para que ele viva em paz…
Quando este livro hebraico fala que a paz é conseguida com Deus, pode se perceber que ele está falando de outro tipo. A paz que este livro fala, ou seja, a harmonia que ele prega, não provém das coisas do mundo, mas de Deus…
Só esta é uma paz verdadeira, pois ela não precisa submeter o mundo a alteração nenhuma e, com isso preserva a liberdade do próximo: o direito de ser quem ele quiser ser…
Quando se está com, em e por Deus, as coisas do mundo perdem o seu valor e aí a paz verdadeira pode ser alcançada. Quando se está com Deus, o assassinato não interfere na felicidade porque se vivencia apenas o amor de Deus por seus filhos.
Vivenciando apenas a relação amorosa com Deus, é possível se harmonizar com a ação do matar e com o assassino. Se, ao contrário, houver uma busca de paz fundamentada no objetivo humano (alterar os outros para o que se acha “certo”), a paz não pode ser alcançada.
Quando os valores humanos sobrepõem-se ao amor de Deus, a paz não pode ser alcançada frente a um assassinato porque a visão “errada” com o qual o ego distingue este tipo de ação seria sucedida pela condenação do ato e de quem o praticou, pela busca da vingança, mesmo que apenas na condenação moral do outro.
Então sim, esta fala é perfeita, pois ela fala da apatia, ou seja, ela lhe incita para que você se torne apático para o mundo vivenciando apenas Deus. Neste momento você poderá viver a verdadeira paz, a harmonia com o mundo, porque você entregará tudo nas mãos de Deus.
Participante: estar encarnando por várias vidas vivenciando vários egos é para mim o mesmo que não sair do lugar, ou seja, um longo presente, o momento sem variação, se presente o passado.
Se você é parte do monismo, está certo. Você está sempre viver da mesma coisa. Agora, se você pensar na idéia de evolução espiritual como conhecida pelos terrestres, ou seja com processo onde você vai se evoluído, na verdade está caminhando para a frente. Então, a sua fala e a e formação tem até alguma realidade, mas depende do seu ponto de vista. Aliás, qualquer coisa que você quiser debater com alguém, lembre-se sempre que depende do seu ponto de vista. Para você é o sempre uma coisa será uma coisa, mas para o outro uma coisa será outra coisa.
Participante: Fale mais do conceito equanimidade, por favor…
Equanimidade é, por definição, a manutenção de um único sentimento constante. Isso equanimidade: quando há um único sentir, não importa a emoção que o ego está criando, quando há um único sentimento no coração para qualquer situação da vida, o espírito alcançou a equanimidade.
Sabe, quando a responsabilidade no trabalho e a felicidade abraçar um filho não tiver diferença para você, isto é equanimidade. Quando o sofrimento de uma doença ou a vivência de ação que você chama negativa não tiver diferença no seu coração dos momentos chamados “bons” aí está a equanimidade.
Equanimidade é isso: quando não há alteração no coração de acordo com as emoções que o ego cria.
Participante: Assisti o filme “Profecia Celestina”. Será que aquelas profecias são corretas?
Em essência sim…
Aliás, se você acompanhar o desenvolvimento de nosso trabalho, ele está todo preso nestas profecias. Nós percorremos o caminho traçado por estas profecias.
Não quero com isso dizer que somos a realização destas profecias, mas que este é o caminho para todos. Em essência, não em atos…
Aliás, a respeito da caminhada dos nossos estudos, eu poderia afirmar que temos três fases bem distintas. A primeira onde nós começamos a combater alguns paradigmas, mas deixamos formar outros. Uma segunda, que ficou marcada pelos estudos dos ensinamentos dos mestres, onde combatemos os paradigmas formados na primeira fase. A terceira, que é a atual, a que estamos desenvolvendo aqui, é o monismo, onde combatemos os paradigmas da primeira da segunda, sem criar novos. Nela apenas dizemos: não importa que verdade seu ego cria, é uma ilusão.
Participante: Qual a próxima fase?
Depois do monismo? Nenhuma. A nossa parte do trabalho na obra geral já está acabando.
Participante: Quando uma indignação se apresenta eu esperneio e me mostro indignado. O curioso é que no fundo não levo a sério esta indignação, mas receio meu comentário, porque ele mostra que não cheguei a lugar algum. O que é isso?
Ego conversando com ego…
Deixe-me deixar bem claro: não se preocupe com o que lhe vem à mente, pois tudo é ilusão.
Participante: É como uma bolinha de pingue-pongue se debatendo numa caixa de espelhos?
Exatamente…
Não se importe com a razão: o que ela cria é sempre uma ilusão. O que vale é o seu coração, mas ele não é visto pela razão…
Quando você me diz que esperneia, mas no fundo sabe que, já chegou à razão. Então, o não levar a sério a indignação, o receio do seu comentário e a conclusão de não ter chegado a lugar nenhum é apenas razão, por isso é ilusão.
Já falei sobre isso… O que não é razão, não existe para você, porque você não toma conhecimento… O problema todo é que vocês ainda querem agir, fazer, ser, estar nem que seja espiritualmente falando, mas para o ego humano é impossível detectar alguma coisa que seja ação do espírito.
Então, não se importe com o que você acha, pois tudo será sempre o ego que está achando. Se você imagina que em determinados momentos está equânime, não tenha a certeza de estar. Na verdade esta consciência é o ego que está criando.
Saiba sempre apenas uma coisa: não dá, não tem condições de você saber nada nesta vida. Tudo que o ser humano sabe é criação do ego, portanto ilusão…
Participante: Queremos pegar a mágica da vida de calçados curtas…
Não é bem isso. Na verdade, o ego de vocês quer é controlar a vida.
Já falei sobre isto também nestas conversas monista. O ego tem como objetivo propor a você o controle sobre a vida. Para isso busca mostrar que tem a capacidade de realizar e conhecer as coisas. Mas não tem…
O objetivo do ego é lhe fazer cair na ilusão de que você está dominando a vida, nem que seja para elevação espiritual. Mas isso faz parte do egoísmo, faz parte da prova e, por isso, não é Real.
Participante: Esta necessidade de controlar a vida é porque a perda deste controle é o fim da encarnação?
Não, é uma prova do egoísmo.
Tudo o que eu ego cria tem como objetivo gerar uma prova. A ilusão do domínio da vida é fruto do egoísmo: o ego quer dominar a vida para poder tirar proveito individual dela.
Participante: Não seria também por medo de ver a vida como ela se apresenta?
Você está querendo entender o ego, mas não conseguirá. Você está querendo entender a razão gerada pelo ego, mas não entenderá… Isto porque toda idéia é sempre ego falando com ego.
Não, o comando que Deus cria para formação das idéias de controle da vida, é fundamentado no egoísmo. Você só pode compreender isto… E, pode compreender isso porque tem a informação passada pelo Espírito da Verdade de que o egoísmo é a “mãe” de todos os males. Então, qualquer outra coisa que falar, será uma expressão do egoísmo e, portanto, será sempre um egoísmo em ação.
Na verdade, se você se olhar com uma visão dualista, o que está sempre acontecendo é uma luta entre o egoísmo e o Universalismo. Mas, esta luta é ilusória, porque existe a ilusão do egoísmo e não o egoísmo em si. Portanto, não adianta nem pela visão dualista querer criar razões que expliquem o funcionamento do ego…
Apesar de não adiantar, o seu ego continuará sempre criando razões. Ele sempre as criará milhares de vezes, mas a cada uma delas você tem que dizer sentimentalmente que não sabe se é isso…
Não adianta querer definições: para este mundo não há. Para este mundo não há exatidão. Neste mundo, para aquele que quer aproveitá-lo como uma etapa da elevação espiritual, só existe uma coisa: a incerteza sobre qualquer coisa. Isto porque qualquer certeza estará presa a um egoísmo e servirá para o ego criar formações mentais querendo ganhar.
Participante: Tudo que é dual foi por nós dividido. O que pode nos auxiliar a não dividir e mudar o foco para o monismo neste mundo material?
Deus. Isto porque ele é a única coisa Absoluta do Universo. Portanto, é preciso focar em Deus ao invés de ver “limpo” e “sujo”, “bonito” e “feio”. Agora, você só fará isso se Deus fizer o seu ego fazer, ou seja, só virá no seu consciente se o Senhor comandar esta mudança.
Saiba de uma coisa: viver a vida no sentido espiritual não é mudar o foco do ego, mas aprender a conviver com ego focado no material de uma forma equânime. Isso quer dizer que você terá a consciência de que está vendo “sujo” (idéia racional) e precisa, neste momento, ficar equânime no coração ao invés de vibrar na ansiedade de limpar, de tornar limpo. É a vibração nesta ansiedade que comprova a sua prisão à materialidade e não as idéias racionais de “limpo” e “sujo”…
Não pode haver mudança de foco porque não há realizações. O que precisa ser feito é aprender a conviver com ego do jeito que ele está focado, sem deixar o coração vibrar com isso.
Participante: O senhor me falou que nem tudo que vem pelo ego é dele. Em que situação isso acontece?
Eu não disse isso… Tudo que vem pelo ego é do ego. O que disse é que nem tudo que vem pelo ego é “errado”. Muitas vezes Deus repassa Verdades Universais pelo ego para ver se você se apega aquilo como Realidade.
Mas, não importa o que seu ego fale, você precisa se libertar do apego ao ego. Não dá para julgar as criações do ego no sentido de concluir se algumas dela são Verdades ou não…
Participante: É verdade, foi isso que o senhor falou. Eu me confundi…
Participante: Então, não nos chegam Verdades Absolutas pelo ego?
Chegam verdades absolutas relativadas.
O que quer dizer isso? Quer dizer que lhe chegam idéias de Verdades Absolutas dentro de uma forma relativa. Isto porque a Verdade Absoluta não é composta por formas, palavras nem intenções, elementos que sempre existem nas formações racionais do ego.
Então, o que posso lhe dizer é que lhe chegam Verdades Absolutas transformadas de tal forma que seu ego tem a capacidade de criar uma determinada consciência, que é relativa…
Participante: Deus pega leve conosco… É isso?
Não, Deus cria provas: esta é a Realidade.
Quando ele cria verdades absolutas relativadas, não está sendo bonzinho com você. Não está lhe amando, dentro dos critérios de amor de vocês, mas criando uma prova: você vai acreditar nisso quando sabe que não deve acreditar em nada?
Participante: Os mantras ou condicionamentos, se não vier do coração, dá na mesma? Aliás, só teremos compreensão ou emancipação se Deus assim permitir, não é mesmo?
De uma forma racional, sim. Mas, isto será porque Deus permitiu, mas sim porque Ele fez…
Deus não permite nada no universo: Ele faz, pois é Onipotente…
Agora, se Deus fizer pela razão, não é uma emancipação, mas uma provação, porque tudo que vem pela razão é uma provação. Sendo assim, a idéia de estar emancipado é uma prova.
Já falei isso aqui: existem espíritos que se liga a egos considerados “personalidade santas” que estão na prova da fama. Eles vivem este tipo de personalidade para ver se vibram em conjunto com a sensação de ter seguidores, de fazer livros, ou seja, de ser um guia para a humanidade, que ele imagina ser, apesar de não ser…
Participante: Por favor, nos dê uma mensagem, apesar de ter dado todas…
Se eu pudesse dar uma mensagem, ela seria no sentido de vocês buscarem se conscientizarem de uma Verdade muito velha, mas muito esquecida: a felicidade não é deste mundo.
Este é o ensinamento de Cristo que foi completamente esquecido. É preciso que vocês se conscientizem desta Verdade.
Mas, a consciência desta Verdade não deve lhes levar a acreditar que este seja um mundo de sofrimentos. Não é isso que Cristo que dizer. O que ele quis dizer é que a felicidade não pertence aos elementos materiais. A felicidade não é o que você sente durante a vida carnal.
Eu gosto muito de ver descrições sobre a sublime felicidade que sente um pai ou uma mãe quando nasce o filho. Mas, quando este espírito ultrapassa a maternidade ou a paternidade, ele verifica que aquilo, apesar de ter sido considerado tão sublime pelo ego, nunca foi ar a verdadeira felicidade.
Esta seria uma mensagem muito importante, porque o que o ego faz para que vocês aceitem o egoísmo como “certo” é justamente lhes dar a idéia de que serão felizes se o seguir. Ele cria as intenções, as ilusões, e a idéia do controle sobre a vida e vocês aceitam estas criações como reais, justamente porque ele diz que realizando isso, serão felizes…
Sabe, ele diz que no dia que vocês fizerem o que acham “certo” e que o mundo for o que vocês acham “certo”, serão felizes. Ledo engano… O espírito, que já é feliz de verdade, abandona a consciência da felicidade que tem para viver a ilusão daquilo que o ego chama de felicidade.
Mais do que eu a mensagem, este é um alerta para vocês, espíritos. Não se deixem levar por este conto da carochinha que o ego cria.
Ele diz, por exemplo, que se você se libertar de tal pessoa será feliz. Ilusão, a pessoa vai embora, vem outra e você terá os mesmos problemas com a nova. Eu costumo dizer que só mudou o endereço: é tudo igual.
Por que nada muda? Porque os seus problemas são criados pelo seu carma e não importa com que encontrar-se, viverá sempre o mesmo carma.
Então, se você quer racionalmente uma ajuda na sua elevação espiritual, conscientize-se de que tudo que o seu ego cria é uma armadilha onde lhe propõe que se cair na dele, será feliz. Aceitar ou não, é uma opção sua… Agora, entenda que por acreditar nisso, você entrega a verdadeira felicidade, ausenta-se se dá a verdadeira felicidade, perde a consciência da verdadeira felicidade.
Acho que essa mensagem é importante, pois fala de um assunto que ainda não tocamos nas conversas monistas: a consciência de que o dualismo existe como armadilha para que você se sinta motivado a acreditar nele pela busca da felicidade.
Participante: Somos amparados, mas devemos andar com nossas próprias pernas em sentimentos. É isso?
Sentir-se amparado racionalmente, é uma ilusão.
Deixe-me dizer uma coisa. Vamos supor que eu seja um aparador seu, seja um amigo espiritual que lhe auxilia. Isso, para você, é uma atitude sublime, mas para mim é minha prova.
Na verdade, só tem um que amparador: Deus. Mas, Ele muitas vezes lhe ampara dando o desamparo…
Sabe, se você nunca soltar a bicicleta da criança depois de tirar as rodinhas de apoio, ela nunca andará sozinha. Por isso, muitas vezes Deus solta a bicicleta sabendo que você irá cair. Mas, ele também sabe que só o tombo lhe ajudará.
Já aqueles que você imagina que lhe ampara, eles são para atores que imaginam que estão lhe amparando, mas na Realidade estão vivendo as suas provas. Além disso, com os amparadores dos amparadores acontece à mesma coisa e assim sucessivamente até chegarmos ao Amparador maior: Deus.
É isso que se chama interdependência: todos os espíritos do Universo executam um papel na chamada “divina comédia humana” onde o que fazem na Verdade é simplesmente vivenciarem uma criação carmática para sua elevação espiritual.
Participante: Quando falei em amparador me referi a Deus…
Participante: Deus ilude o humanizado colocando um corpo maravilhoso em meio a coisas maravilhosas de difícil compreensão e explicação. Além disso, é extremamente convincente a mágica utilizada para estas criações. Com suas últimas palavras, acabou de responder uma pergunta que fiquei fazer: você fala a espíritos e não a egos, não é?
Sim, eu falo ao espírito e nunca ao ego. Falo ao espírito através do ego, mas sempre a ele.
Mas, além disso, na sua pergunta você diz que Deus cria coisas maravilhosas, mas isso não é verdade. Deus não cria nada maravilhoso: Ele cria coisas e diz através do seu ego que elas são maravilhosas.
O nascer e o pôr-do-sol e um campo cheio de flores não são maravilhosos. O nascer e o pôr-do-sol é apenas o nascer e o pôr-do-sol. A eles pode ser atribuído um valor de maravilhoso, mas este valor não é uma Realidade, mas sim uma prova para o espírito.
Sendo assim, Deus não cria coisas maravilhosas. Ele cria coisas e lhe dá a idéia de que elas são maravilhosas.
Participante: Deus criou as maravilhas e nos colocou nela para nossa provação. É isso?
Não… Repito: Deus fez as coisas e lhe disse que elas são maravilhosas.
Deus da idéia a determinados seres humanizados a idéia de que algumas coisas são maravilhosas, mas não dá a todos a mesma idéia. A idéia de determinada coisa ser maravilhosa é relativa, individual…
Por exemplo: conheço uma pessoa se você levá-la ao lugar maravilhoso onde há muita calma, passarinho verde, ela não via gostar… Isto porque maravilhoso para ela é a agitação, carros, shoppings…
Sendo assim, posso afirmar que a maravilha das coisas depende do seu ponto de vista. É o que lhe disse antes: sempre que se pronunciar sobre alguma coisa saiba que este é o seu ponto de vista e não a realidade.
Então Deus não faz as coisas maravilhas: faz as coisas e dá a alguns a idéia de que aquilo é maravilhoso e a outros a idéia de que não é.
Para que isso? Para ver se você respeita a idéia dos outros ao invés de criticá-los, acusá-los ou dizer que estão “errados”. É por isso que afirmo que Ele não fez o maravilhoso, mas sim as provas.
Participante: A provação é deparar-se com conceitos diferentes e respeitar a todos?
Amar… Mais do que respeitar o outro, a amar o outro mesmo ele pensando diferente de você.
Mas, o que é amá-lo quando ele pensa diferente de você? É amar o que ele ama.
Então, quando estiver com alguém que não considere maravilhoso o que você considera, ame aquilo que ele ama… Não digo para achar maravilhoso o que ele acha assim, mas a amar a idéia de maravilhoso que ele tem sobre aquilo.
Participante: Mas, o senhor disse que como humanizados não temos acesso ao verdadeiro amar… Com fazer isso então?
Eu já respondi a esta pergunta milhares de vezes nestas conversas. Como amar, se você humanizado não sabe o que é o verdadeiro amor? Não se deixando influenciar pelo seu maravilhoso…
Você não sabe amar, mas sabe o que é vibrar no maravilhoso e o que é criticar a droga. Não aceite nem o êxtase do maravilhoso nem a depressão da droga que o seu ego cria. Aí estará amando, sem saber que está amando.
Amar não é construir um amor. Amar é simplesmente não vibrar no êxtase do prazer ou na depressão da dor. Isto o amar que vocês humanizados podem alcançar…
Então, no caso que disse que você deve amar o maravilhoso do outro, estou dizendo que não deve vibrar dentro do êxtase que o ego criará quando este padrão for igual ao seu nem cair na depressão da crítica se ele for diferente…
Participante: Ser frio… Seria isso?
Dizem que o inferno é quente… Então é melhor ser frio…
Sim, ser frio, ser indiferente, ser apático: isto é o amar que o ser humanizado pode compreender.
Participante: Uma coisa que aprendi depois destes ensinamentos é ser assim no coração. Às vezes você está numa roda de pessoas onde não pode externar isso com palavras. Então, agora, estou meio dividida. Sou uma do lado fora e outra do lado de dentro. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Tenho a dizer que na primeira linha do primeiro trabalho sobre o ego eu afirmei que enquanto você não criar a dupla personalidade (eu e o ego) nada conseguirá.
Dupla personalidade é isso: por fora ser uma coisa; por dentro ser outra.
Participante: Mas aí se cria uma dualidade…
Não se cria uma dualidade, porque quando internamente passa-se a ser outra pessoa, sabe-se que a externa é ilusão, que ela não existe… Com isso acaba a dualidade.
Parece estranho, não? Realmente tem certas coisas que são muito difíceis de explicar, mas acredite que você precisa dividir-se para poder entrar na unidade. Mas, dividir-se com a consciência de que o que resulta da divisão é uma ilusão. Que não é Real. Ficou claro isso?
Na verdade a ilusão, apesar de ilusória, existe… Mas, como a ilusão ilusória não é Real, ela não existe. Se você não separar você da ilusão e não tiver a consciência que a ilusão existe, ou seja, criar o dual, não consegue realizar nada.
Veja como o monismo ele é ambíguo: é preciso viver no dualismo para se chegar à Unidade.
Realmente, não há como explicar isto racionalmente…
Participante: O senhor poderia falar sobre o Deus ser, o Deus emanado e as emanações de Deus?
Posso falar sobre isso sim. Mas antes de falarmos sobre isso, vamos entender uma coisa. O que é Deus?
Como já conversamos diversas outras vezes, Deus é tudo e tudo é Deus. É a partir da a concepção de que Deus é tudo e tudo é Deus que surge, então, os três deuses que você falou: ser, emanado e emanação. Se você não trabalhar com a idéia do Deus é tudo, não terá estas três outras coisas. Agora, se trabalhar, necessariamente terá que ter nestes três deuses.
Vamos então falar deles… Primeiro o Deus ser.
Deus é um espírito. Claro que tem que ser, pois Deus é a Inteligência Suprema e segundo O Livro dos Espíritos, só o espírito é inteligente, ou seja, ele é o princípio inteligente do universo. Por isso, Ele tem que ser um espírito.
No entanto, ele não pode ser só um espírito, pois se assim fosse, você teria que excluir os elementos materiais – incluindo aí as formas humanas – como Deus… Mas, se Deus é tudo, os elementos materiais têm que ser Deus.
Diante de tudo isso, pergunto: o que são os elementos materiais enquanto Deus? Os deuses emanados… Este é o segundo deus: todos os elementos materiais do Universo são Deus, pois são coisas criadas pela Inteligência Suprema através da Causa Primária de todas coisas.
Então, temos um Deus ser, aquele que é um espírito porque é uma inteligência, e temos os deuses emanados, que são as formas que a inteligência suprema cria através da Causa Primária.
Agora, estas formas, pelo menos ilusoriamente, têm uma movimentação. Quem cria estas movimentações? Deus, já que ele é a causa primeira de tudo que existe. Além de ser tudo, Ele causa tudo…
É a partir desta lógica que chegamos ao terceiro deus: as emanações de Deus. Tudo que dele provém, quer seja em forma, quer seja em comando de ação, é uma emanação sua e, portanto, Ele mesmo emanado…
Portanto, há um Deus Ser, que é uma Inteligência Suprema, que emana pela Causa Primária outras formas que, por causa desta emanação se transformam em deuses emanados, e as ações que estas formas ilusoriamente fazem, que também são geradas primariamente pelo Senhor e que por isso são consideradas como emanações de Deus….
Participante: Estava relendo uma resposta sua sobre desobsessão e vi que você falou que o espírito afastado ao reencontrar o humano obsedado todo arrumado, volta e pode trazer mais sete consigo. Porque deste número cabalístico? Tudo não é ilusão? Existe algum fundamento nestes números cabalísticos? Existe algum fundamento verdadeiro neste tipo de coisa?
Primeiro que esta fala não é minha e sim Deus através de Cristo. Por isto a utilização deste número específico por parte Dele só pode ser desvendada por Ele mesmo… Eu não saberia lhe responder…
Quanto aos números cabalísticos, sim, estes números possuem dentro da ilusão criada pelos cegos alguns determinado significados. Porém, estes significados são espirituais, universais e por isso o ego humanizado não consegue compreendê-los.
Repare: a viagem de Moisés pelo do deserto dura quarenta anos; as tentações de Cristo no mesmo deserto duram quarenta dias. Coincidência? Não, deve haver algum referencial aí, mas vocês ainda não conseguem alcançá-lo.
Por isso, afirmo: se preocupe com quantos espíritos podem ser convidados a morar com você, mas preocupe-se sim em não receber nenhum de volta.
Sabe, nós estávamos em um local outro dia e uma pessoa me perguntou a respeito de apometria: se ela funcionava, se podia ajudar, etc. Eu respondi citando um exemplo acontecido naquela mesma casa.
Uma vez, aconteceu uma apometria onde os médiuns geraram uma perna para um espírito que não a tinha e por isso sofria. Mas, acabada a sessão, este mesmo espírito a perdeu novamente. Isto os médiuns não viram que aconteceu…
Da mesma forma, vocês que fazem a desobsessão, não vêem quando o espírito volta. Se o consulente voltar àquela casa – porque normalmente ele não volta, pois acha que a que ela não melhorou em nada a sua vida, o que, por parte do consulente é também é uma ignorância (no sentido de não conhecer o que está acontecendo) – vocês podem até iniciar uma nova desobsessão achando que se trata de outro obsessor.
Então, não se preocupe com quantos voltarão, nem se preocupa em decifrar estes números cabalísticos. Saiba que eles têm alguma razão de existir, mas que Deus lhe revelará na hora que tiver que revelar.
Participante: Mesmo a apometria e a desobsessão são feitas por ordem de Deus e por isso têm um sentido. São ilusões sim, mas causadas por Deus por motivos que talvez não saibamos, ou será que podemos saber?
Podem. Qual o motivo para toda ilusão que Deus cria? Prova… Só isso.
Então, a ilusão de ter colocado uma perna no espírito foi prova para os médiuns, os freqüentadores da casa, para o espírito em si e para os apoiadores espirituais. Prova para todos…
Não foi do trabalho em si que falei, mas do fato de um médium daquela casa ter se vangloriado, no coração de ter feito aquilo acontecer. Este é o problema e não o que foi feito.
O problema foi o médium ter deixado seu coração vibrar na emoção da conquista, da realização que o ego criou. Aí está o problema e não o que foi feito.
Participante: Para o espírito, tudo além da primeira consciência é ilusão?
Não, para o espírito no tudo que ele vive como real é real. A consciência de que o que ele vive é apenas uma ilusão existe para o Universo e não para o espírito que a está vivendo.
Sabe, o espírito que está ligado ao seu ego, acredita que ele é você. Ele não acha que você é uma ilusão… Nem na primeira consciência ele sabe disso. Ele, na primeira consciência, acredita piamente que é você.
Se não fosse assim, a ilusão tem razão de ser. Por isso digo: você precisa se libertar da ilusão, saber que a ilusão é apenas uma ilusão, porque isso você não sabe.
O Universo sabe que o José é uma ilusão, mas o espírito que está ligado à personalidade José não sabe.
Participante: Todo e qualquer desequilíbrio que se possa experimentar tem sua origem na primeira e única consciência?
Isto é um pouco mais difícil de explicar, mas vou responder tendo em mente o que Krishna ensina. Mas antes quer deixar um detalhe: a primeira consciência não se desequilibra jamais.
Sendo assim, o que acontece? .Acontece o que Krishna fala respondendo à pergunta se a mente primordial é escrava ou livre. Ele diz: se analisarmos superficialmente, a consciência primária é presa à ilusão, o que causaria o desequilíbrio que você falou, mas, se analisarmos melhor, a própria escravidão e a ilusão são ficções.
Então, a mente primária não é escrava de nada: ela está iludida achando que está vivendo uma ilusão, mas não está não a está vivendo. É uma ilusão que ela vive. São coisas diferentes que, como já disse, não dá para explicar perfeitamente para vocês.
O que posso dizer e vocês podem compreender é que a mente primária está sempre equilibrada, mas tem a ilusão de não estar. Mas, esta ilusão de não estar não causa desequilíbrio, pois ela apenas tem a ilusão de estar desequilibrada.
A respeito disso, deixe-me contar uma história. Krishna vinha com seguidor no deserto e em determinado momento disse a ele: eu estou com sede, pode pegar água para mim?
O seguidor saiu em busca do rio e quando chegou à margem, viu do outro lado uma menina muito bonita. Apaixonado por ela atravessou o rio, foi na casa do pai, pediu a mão da menina em casamento, casou-se, trabalhou na lavoura do pai, teve o primeiro e o segundo filho.
Um dia choveu muito. O rio encheu e a correnteza matou a mulher e os filhos dele. No auge do desespero de ver a mulher e os filhos sendo arrastados pelo rio, o seguidor houve a seguinte frase: estou com sede, cadê minha água?
Veja: tudo que aquele seguidor viveu era uma ilusão, que aconteceu sem fragmento de tempo. Aconteceu num segundo só, mas ele achou que tinha vivido anos com aquela mulher.
Apesar de esta resposta ser tecnicamente certa, compreenda que você não conseguirá entender como isso aconteceu. Isto porque existem certas coisas com relação ao funcionamento da consciência primária que eu não tenho como explicar a você, pois não há idéias, palavras ou sentidos que lhe faça compreender isso.
Por isso, com relação ao que perguntou, apenas posso responder que a consciência primária do espírito jamais se desequilibra, mesmo quando está vivendo uma ilusão, porque está tendo a ilusão de viver uma ilusão.
Participante: Os desequilíbrios podem mostrar o nosso afastamento de Deus, mas não mostram o quanto falta para chegar. Comente, por favor…
Já falamos aqui que tudo que existe no Universo é Uno, Único e Estável. Quando você admite a existência real de um desequilíbrio, seja em que nível for, acaba com a estabilidade do Universo, pois afeta a Estabilidade Universal: algo se desequilibra para depois voltar a desequilibrar. Aceitando isso como Real, na verdade você criou um dualismo.
Mais: você fala que este desequilíbrio o afasta de Deus, mas que posteriormente voltará a aproximar-se. Cadê a estabilidade, cadê a unidade?
Participante: Este desequilíbrio que ele está falando não pode ser o desequilíbrio sentimental, que é o que importa realmente? Nós sabemos que a prova é justamente manter o equilíbrio sentimental, o que não conseguimos constantemente. Por isso, eu também acho que acontece um desequilíbrio…
Este desequilíbrio ao qual você se refere é a ilusão de estar desequilibrado e não um desequilíbrio Real. É o que acabei de falar de consciência primária.
Na verdade, o Universo está sempre Uno, Único e Estável o tempo inteiro e o espírito tem a idéia de não estar. Ele tem a ilusão de não estar, o que é bem diferente de estar.
Sendo assim, você, espírito, está sempre junto de Deus, mas ilusoriamente se acha afastando dele. Por ilusoriamente achar que está afastado Dele, você passa a sentir-se como se estivesse, mas não está: só está sentindo se como se estivesse.
É isso que vocês precisam entender. Todo e qualquer processo ao qual você se refira sobre o Universo e que contenha um dualismo, como por exemplo, equilíbrio e desequilíbrio, estar perto ou afastado, é apenas a ilusão de estar. Você está sempre parado no mesmo lugar fazendo a mesma coisa sempre: só tem ilusão de não estar.
Na história de Krishna que contei o seguidor, espiritualmente estava parado, mas viu-se como participante dos acontecimentos: viveu o casamento, gerou filhos, teve colheitas, viu um rio encher e matar a mulher e os filhos. Isso dentro da ilusão, porque na Realidade ele estava parado, estático. Ficou claro isso?
Então só comentando a pergunta, como me foi pedido, tenho a dizer que não posso comentar desequilíbrio a não ser dizendo que não há desequilíbrio.
Participante: Ousei falar sobre o desequilíbrio da primeira consciência por ter entendido isso de um trabalho seu. Tentei mencionar o desequilíbrio como uma metáfora de Adão e Eva que vivia no paraíso e foram expulsos, ou seja, se desequilibraram…
Veja, volto a repetir: tudo que lhe vem à mente uma ilusão. Sendo assim, só posso lhe dizer que você teve a idéia de que houve o desequilíbrio inicial, mas que esta idéia é uma ilusão…
Deixe-me explicar uma coisa: tudo que você ouvir falar sobre a espiritualização, não importa a que doutrina pertença, é um caminho de evolução. Acreditar na doutrina católica é um caminho, na espírita é outro e acreditar no que eu falo é apenas também caminho.
A realização não está em entender-se nada, mas na fusão perfeita com Deus, ou melhor, retomar à consciência da fusão perfeita com Deus que você já vive. Mas isso está muito longe de vocês e de mim. Portanto, vá apenas caminhando, ou seja, acreditando nas coisas para depois desacreditar.
Por isso sempre digo: nunca transforme nada que você tiver consciência em uma Verdade Absoluta, porque amanhã ela deixará de ser verdadeira. Quantas vezes eu mesmo mudei compreensões que vocês chegaram a partir do que eu falei? Sim, faço constantemente isso porque é necessário, pois tudo o que digo são caminhos e não realizações.
A elevação espiritual, já disse isso, é como se você estivesse dentro de um prédio imenso, que ocupasse o quarteirão inteiro com trezentos andares, e tivesse apenas um martelinho na mão do para derrubar tijolo por tijolo. Só tem um detalhe: cada vez que não quebra um tijolo, coloca outro que terá também, futuramente, que quebrar…
Saiba que mesmo no processo monista, muitos acabam com prédios maiores do que quando começaram. Porque isso? Porque vão criando idéias monistas enquanto que a realização do monismo é o fim de todas as idéias.
É aquela história que já contei aqui. Um dia me perguntaram: o que é Universalismo? Eu disse: Universalismo é Universalismo… Se eu definir o Universalismo estarei criando um universalismo e com isso estaria acabando o próprio universalismo porque criei uma individualidade, uma particularidade.
Lembre-se sempre que no monismo não há cultura individualista, não há certeza de nada. Quando lhe disse anteriormente para ler tudo que tinha falado foi no sentido de destruir verdades e não criar novas.
Participante: Qual o melhor local da estrutura do prédio que o senhor citou para se bater de derrubá-lo por inteiro ao invés de martelar as paredes?
Não existe.
Veja: sempre que surge uma razão à sua mente, ela surgiu a partir de alguma coisa que está na sua memória. Por exemplo, os traumas. Se você teve quando criança alguma experiência amarga com relação à água, por exemplo, terá medo de água e nem saberá o porquê disto.
Não há como se quebrar o prédio de uma vez só porque, assim como no prédio humano, as vigas de sustentação das suas verdades estão escondidas. Você precisa ir derrubando tijolo por tijolo para achar as vigas…
Neste processo, pode acontecer de você bater em um tijolo e caírem dois ou três, mas isso é o máximo que conseguirá…
Participante: Ouvi dizer uma vez o seguinte: o primeiro gerou o segundo e o primeiro e o segundo geraram o terceiro. Isso tem a ver com os três deuses que falamos: ser, emanado e emanação?
Não sei, nunca ouvi falar isso. A respeito disso, onde se fala, quem fala, qual o assunto que estava sendo falado?
Agora, se você é aplicar através da lógica humana esta citação aos três deuses que comentamos, lhe digo que é válido, pois Deus gera os deuses emanados e os dois geram, mesmo que ilusoriamente, a ação. Falo assim, apesar da idéia dos três deuses ser uma ilusão porque, afinal de contas, é ilusoriamente que Deus gera as formas e é ainda ilusoriamente que as formas se movimentam.
Agora, não posso falar sobre este assunto definitivamente porque, na realidade, ainda não havia ouvido nada a respeito disso.
Participante: Eu li esta frase num texto sobre a criação do mundo…
Então, está certo… Na verdade na criação do mundo, um Criador cria o segundo e os dois juntos criam o terceiro elemento.
Agora, para poder afirmar definitivamente que isso está perfeito, eu tenho que lhe fazer uma pergunta: a que a criação do mundo você se refere? Sendo ao Universo Real, isso não é perfeito, pois as emanações de Deus nada criam, mas se está referindo-se ao seu mundo, ao Universo ilusório que vive, posso dizer que sim.
Quando digo que a frase está perfeita, não me refiro à criação do Universo Real, porque esta o seu ego não tem condições nem de compreender. Ele nem consegue compreender o que é o Universo, que dirá como ele foi feito.
Na verdade, me refiro ao mundo de vocês, ou seja, a vida que vocês vivem. Este mundo é criado desta forma: Deus faz as formas e os dois juntos criam a ilusão da ação. Ou seja, Deus cria a personalidade ilusória quanto ao seu aspecto e esta forma, ilusoriamente, cria, a partir da Causa Primária gerada pelo Senhor, a ilusão da ação…
Mas isso é apenas uma ilusão porque na verdade Ele que sempre faz tudo e você só levam a fama.
Participante: Como você consegue ensinar a tanto tempo sem ter posse moral do que ensina e nem ser o professor da lei?
Porque nunca disse a ninguém que ele estava “errado”: primeiro detalhe. Segundo: porque nunca disse a ninguém que eu estou “certo”. Terceiro: porque nunca exigi que ninguém acreditasse em mim.
O professor da lei é aquele que acha que ele está certo e por isso quer que os outros o considere como tal. Eu sei que venho aqui falar, mas se estou “certo” ou “errado”, isso eu não sei.
Se você achar que estou certo, estarei, para você; se achar que estou “errado”, estarei, para você. Para os outros é outra verdade, é outra coisa. Por isso consigo não ter posse moral: não possuo o que falo, mas apenas falo que digo. Consigo ainda não ser um professor da lei porque não me considero “certo” e os outros “errados”, nem cobro que os outros me considere “certo”.
Uma vez, num local onde estava falando sobre maçonaria, uma pessoa da platéia me disse que ele era maçom e que o eu estava falando era errado. Por isso ele concluía que eu nem sabia o que era maçonaria.
Respondi-lhe dizendo: então me explique… Pergunta se ele me explicou ou se compreendeu que estava sendo um professor da lei ao me ensinar o que é maçonaria?
É por tudo isso que, apesar de falar tantos anos as mesmas coisas com tantas palavras diferentes, graças a Deus, não me considero professor da lei.
Participante: Você sabia que a Fraternidade Ramatis daqui de Curitiba pegou fogo nesta quarta-feira última? Porque será que um grupo que estava fazendo tanta coisa boa de repente se vê abalado desse jeito? Será um ataque daqueles que não querem ver esta obra ser realizada?
Por favor, não me leve a mal, mas às vezes eu me pergunto: quem será o Deus que vocês acreditam? Sabe, às vezes neste ego eu fico me perguntando isso: puxa meu Deus, que Senhor eles acreditam que é?
Você fala de uma casa aberta para Deus, o Senhor Supremo do Universo, e que estava prestando serviços a Ele, mas me diz que ela pode ser destruída por espíritos ruins, que não querem ver a obra de Deus e tem potência para sustá-la? Onde neste seu pensamento fica o Amor, a Onipotência, a Onisciência e a Onipresença de Deus? Se isso é possível, como fica, então, o título de Senhor Supremo do Universo que Deus ostenta nesta história?
Sabe, vocês acreditam em deus, mas não acredita em Deus. Pelo jeito que vocês falam mostram que acreditam naquela velha história de Deus se confrontando com o diabo e muitas vezes perdendo algumas paradas. Saiba que mesmo nesta história, o diabo é mais fraco que Deus, porque ele é um príncipe, enquanto Deus é o Rei…
Não, não pode isso não pode ter acontecido isso que você sugeriu na sua pergunta. Seu raciocínio está completamente equivocado…
Mas, o equívoco não para por aí… Pergunto-lhe: o que esta casa estava fazendo de “bom” O que de “bom” ela fazia?
Antes de lhe responder, deixe-me apenas dizer que com este comentário não estou desmerecendo a casa nem os trabalhadores materiais e espirituais dela. Dentro da lógica monista que venho mostrando nestas palestras preciso lhe mostrar isso, mas com isso não quero dizer que a casa não prestava. Sei que como instrumento do mundo carnal, ou seja, como instrumento carmático dos espíritos que aqui encarnam, ela é perfeita…
Sabe o que ela fazia de “bom”? O que você acha “bom”, o que você acha que uma casa deveria fazer de “bom”… Mas será que deus acha isso também “bom”? Acho, na teoria e não entrando no caso específico desta casa, que Deus sabe melhor as coisas do que você, não?
Então, por que estranhar? Por que achar que justamente aquela casa não poderia passar por uma situação dessas e que outras poderiam?
Participante: A casa agia doutrinando espíritos encarnados e desencarnados…
Isso é “bom”? Será que a doutrinação estava realmente levando a Deus ou ao que cada médium achava que é certo? Mais: será que alguém é capaz de doutrinar alguém? Se for, esta atitude cancela o livre arbítrio que Deus o outro, acaba com a livre opção que o outro teria.
Repare que afinal de contas as coisas que lá faziam talvez não fossem tão “boas” assim.
Participante: O senhor pergunta se doutrinar é bom, eu acho que sim. Afinal de contas, não é a mesma coisa que se está fazendo?
Pelo amor de Deus, não ponha este peso nas minhas costas.
Como já disse, só estou falando. Se quiser, você deve ser doutrinar. Jamais doutrinei alguém, jamais interferi no livre arbítrio de alguém…
O que estou fazendo aqui é falando; o resto é por sua conta. Você está ouvido, e faço o que quiser com isto…
Eu não estou aqui para doutrinar, mas só para falar a.
Mas, agora esqueça o que a casa fazia e preste atenção a um ensinamento que podemos tirar muito grande desta conversa: tudo que lhe vem à consciência seja através das percepções ou das formações mentais é uma prova.
É uma prova para a para ver se você ama Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. No momento que você vibra contra os supostos agentes do acontecimento, sejam encarnados ou não, não amou.
Sabe, quem ama pensa assim: destruiu, vou lá e costurou. Não amar é dizer: meu Deus, que coisa horrível, houve uma destruição…
Participante: Eu já sabia que a sua resposta seria essa. Mas queria ouvia sua opinião a respeito disso.
Como disse, estou aqui para falar e você está aí para perguntar. Então, pergunte que eu falo.
É assim mesmo. Pergunte e eu respondo. Façamos como uma criança que brinca de roda: cumpra o seu papel no teatro da vida (perguntar) que eu cumpro o meu (responder). Desta forma, de brincadeira em brincadeira tiramos toda a seriedade que vocês imaginam que isso aqui tem. Desta forma, as coisas ficam mais leves para o estudo da elevação espiritual.
Agora, aquele que vem aqui com a fissura de saber, de conhecer, muitas vezes sai frustrado.
Participante: Esta foi a mensagem que passei aos amigos da Fraternidade Ramatis: já havia escutado certa vez de uma entidade que não devemos nos importar com as paredes nem com o teto de uma. Se tudo isso acabasse, mas ainda houvesse os filhos da corrente e os sentimentos que os une, a casa continuaria existindo sobre a luz das estrelas e da lua.
Grande mensagem, que, aliás, me lembra outra coisa que precisamos conversar…
Vocês sabiam que está proibida a entrada de espíritos na casa espírita? É, não pode haver manifestação espírita (incorporação, psicografia0 lá, mas só palestrantes encarnados podem dar sua opinião…
O que é o centro espírita de verdade, senão aquele que acontece fora das percepções humanas? O Real centro dos espíritos é aquele que existe no sexto plano de consciência, onde numa sala que ilusória que existe em conjunto com o ilusório centro espírita do sétimo plano os espíritos são atendidos dentro das leis do amor Universal. Ali, é o centro dos espíritos; aqui o centro dos homens…
Sabe, é preciso desmistificar e acabar com a hipocrisia. O centro espírita é dos espíritos e eles fazem o que tiverem que fazer. É preciso que o espírito encarnado deixe de considerar o censor das atividades dos espíritos a partir de regaras que ele mesmo criou…
Sendo assim, realmente não importa se há uma casa física para os médiuns se reunirem ou se eles se reúnem na mata ou, ainda, se estão no mesmo local físico, o que importa o que acontece no astral.
Participante: Estão humanizados os espíritos ligados a um ego. Esta é a situação dos encarnados. Os encarnados não têm acesso às coisas do espírito e nem ao mundo espiritual ao qual pertence. Difícil é não se frustrar ao saber que seus sentimentos não têm como chegar aos egos. Os encarnados não têm como saber dos seus reais sentimentos, pois seus pensamentos são Deus que dá…
Deixe-me dizer algo: não existe espírito encarnado. Olha que grande novidade…
Existe o espírito e existe o ego, mas este só existe como ilusão, não como Realidade, mas não existe espírito que seja ego, ou seja, esteja encarnado. Existe espírito que tem a ilusão de estar…
É como me disseram outro dia: Deus é egoísta porque Ele não diz as coisas para nós. Eu respondi: para que dizer, se você já sabe? O ego não sabe, mas você já sabe.
Então, porque ficar se preocupando em saber? Tudo que você está falando, na verdade, não é você que não sabe, mas sim o ego, pois o espírito sabe.
Deixe-me lhe dizer uma coisa: o ego está inconformado em não saber. Por que ele está inconformado em não saber? Porque ele quer ser Deus, quer reinar sobre as coisas.
Mas, esta característica de todo ego humano não o torna “mal”. Trata-se apenas de uma propriedade intima com a qual ele é criado para poder gerar a sua provação…
Participante: Poderíamos dizer que o ego é como Adão e Eva querendo ser Deus? É esta a prova: Deus no dá um ego que quer ser Deus como Adão e Eva?
Isso, fazendo o ego ser deste jeito, Deus lhe dá a prova. Ele é assim, justamente para ver se você acredita nele quando se diz capaz de conhecer e com isso ter o poder de separar o “bem” do “mal”, ou se continua entregando este poder ao Senhor.
Então veja, o que você falou na pergunta inicial não é você, o espírito, que está falando. É o seu ego inconformado por ter notícias que afirmam que ele não tem o controle das coisas. Diga para ele: você está certo ego, você está com raiva por causa disso, mas eu não vou estar. Eu vou manter meu coração livre desta revolta. Você não sabe, então está certo, você não sabe. O dia que eu me libertar de você saberei. Tudo isso sob a forma sentimental e não por razão. As palavras da sua pergunta são lindas e maravilhosas, mas são palavras de um ego inconformado por ser apenas um ego, ou seja, inconformado por não ter domínio sobre o mundo.
Agora, esta forma do ego ser não é uma coisa “ruim” ou “má”: é a sua prova. Eu já lhe disse isso: repare que o seu ego sempre faz uma pergunta onde quer criar alguma ação para ele. Esta é sua prova: isso está muito claro para mim.
O seu ego é formado por esta idéia de agir e quando constatou que conseguia fazer sempre o que queria na materialidade, ele teve a idéia de agir no sentido da espiritualidade. Aí ele vem aqui e me ouve dizer que nem neste sentido ele pode agir. Ilusoriamente ele ficou nervoso.
Na verdade, está inconformado de ter perdido o controle das coisas. Ele imaginava que tinha tudo sob controle e com o que está sendo criado agora na sua razão, o ego se desespera por imaginar que não tem capacidade alguma de agir.
O ego tinha tudo guardado nas gavetas de uma forma perfeita, ou seja, tinha plena consciência do que deveria fazer. Aí vem um tal de Joaquim e bagunça tudo. Por isso ele está desesperado… Mas isto é preciso, porque tudo que ele tem certinho guardado nas gavetas é a prova para você.
Vou citar um exemplo para vocês verem como funciona o ego, como o ele é ilógico, mas como a formação da prova é tão lógica e independe da lógica humana.
Tem uma pessoa do nosso grupo cujo ego tem verdades que dizem que a limpeza e arrumação da casa são coisas essenciais. No entanto, este mesmo ego possui verdades que racionaliza como verdadeira a ação de pegar animais que estão desamparados e levá-lo para sua casa. Acontece que esses animais acabam fazendo sujeira e bagunça dentro da casa.
Veja a criação da prova… Os animais foram recolhidos por razões geradas pelo ego, mas este mesmo ego não vai deixar de exigir que a limpeza aconteça. Ou seja, o ego cria a condição para uma provação através de outras provações.
O ego exige a limpeza, mas ao mesmo tempo cria a percepção dos animais e das sujeiras que eles fazem. Além disso, cria a idéia que é muito gostoso de ver o animal dentro de casa, além da idéia de que é bom socorrê-lo.
O ego diz que é muito gostoso ter os animais todos à volta, mas na hora que eles estiverem fazendo bagunça, não se impressione, ele vai esquecer toda esta beleza e vai cobrar a limpeza. Dá para entender agora como o ego cria provas de uma forma racional, ou de uma forma que a razão aceite?
É assim que funciona o ego… Ele cria a ações fundamentadas em algumas lógicas que, muitas vezes, é contrária a outras lógicas que ele também tem, justamente para lhe por nesta luta entre fazer o que quer ou aceitar o que o ego diz.
Participante: Para acabar com a prova, vou me desfazer dos meus animais…
Não vai, porque o ego não fará isso. Se fizesse, realmente estaria acabando com as provas suas provas, mas como elas precisam existir para poder dar um sentido espiritual a sua existência…
Na realidade ilusória o ego manterá a figura dos animais na sua casa e dirá que isso é muito no bom. Mas, não será por causa disso que ele deixará de gerar a contrariedade na hora da sujeira.
Aí o ego contrariado, falando mal dos bichos, limpará e novamente criará a sensação de bem estar para depois novamente criar a percepção da sujeira a contrariedade dela existir. Assim será sucessivamente…
São as vicissitudes (alternância dos fatos da vida) que O Livro dos Espíritos fala. Isso se chama aula de espiritismo na prática. Agora dizer que você é quem escolhe pegar os animais, mas ao mesmo tempo afirmar que a encarnação tem como objetivo viver vicissitude, é aula de materialismo na prática.
A vida é isso, existência carnal é isso: é o ego sempre criando situações que se contrapõem à razões que ele diz que é “certa”.
Sabe, quando você vê uma pessoa na rua fazendo algo que acha “errado”, é uma vicissitude na sua vida. É o ego criando a idéia de que está algo errado no a partir de uma idéia de “certo” que ele mesmo criou. Ele não pára de fazer isso, pois quer sempre jogar você nesta roda dualista, para poder criar sua prova: ver se você sofre ou tem prazer nestes momentos.
Participante: Então, o espírito sabe, mas como sabemos disso?
O ego não por não tem como saber. Porque tudo que ele sabe é Deus que cria esta sapiência, esta sabedoria ele não deixa o ego saber o que o espírito sabe…
Participante: Perguntei anteriormente sobre Krishnamurtti e o senhor me respondeu. Mas queria saber sobre a sua obra e não sobre o ego…
As obras de Krishnamurtti, de Cristo, Krishna e Buda não são deles: são ilusões que Deus cria.
O que é a Bíblia? Uma percepção… É uma criação do seu ego… Quem cria as coisas através de seu ego? Deus. Então, o que é o ensinamento de Krishnamurtti? Uma criação de Deus…
No entanto, aplicando-se esta mesma lógica, a revista pornográfica também é criação de Deus. Não são só os ensinamentos dos mestres que são gerados por Deus, mas tudo…
Agora, qual o objetivo de Deus ao criar o que Krishnamurtti escreve e o que a revista pornográfica a mostra? Lhe gerar uma prova para ver seu se vai ficar a equânime ou vibrará com as emoções que a sua razão criará a partir da percepção daqueles textos e imagens….
Respondi?
Participante: Não há nada que se possa fazer, tudo está feito, disse Cristo. A que se chegar ao Tudo, Todo, amando. Mas, como encarnados não conhecemos o verdadeiro amor, premissa para se universalizar.
Como encarnado você é um ego e este não precisa conhecer o Amor Universal. Por quê? Porque o encarnado não tem que se universalizar, não tem que evoluir.
Quem tem que se universalizar é o espírito, ou melhor, ele já é universal: precisa apenas libertar-se da idéia de não ser. Só isso.
Mais uma vez o seu ego está querendo ser alguma coisa, fazer alguma coisa.
Participante: Mas há de se chegar ao amor sem ter a mínima idéia do que isso seja. Como?
O ego jamais chegará o Amor… Então, não se preocupe com isso… Ou melhor: se o ego se preocupar, deixe-o, mas você vibre o seu coração nesta preocupação…
Quem tem que chegar ao amor não é o ego e nem o espírito, porque ele já ama. O que espírito tem apenas que perder a ilusão de não estar amando. Então, não tem que chegar a lugar nenhum: já está onde você imagina que ele tem que chegar…
Quanto ao ego, este não chegará a lugar algum. Chegará sim à morte, ao fim, à dissolução…
Participante: Esta história do ego não conseguir chegar o amor teria ligação com que Paulo disse: hoje vemos por espelho, mas amanhã chegará o que é perfeito e então poderemos ver face a face. Como o senhor disse, hoje como ego não conhecemos o amor, mas um dia, em espírito, chegaremos ao amor.
É exatamente isso. Paulo fala deste dualismo material e espiritual e do fim dele o tempo inteiro. Ele diz assim na Cara aos Coríntios 1 (Capítulo 15, versículos de 35 em diante): se há um corpo material, há um corpo espiritual. O corpo espiritual não é igual ao material, porque as estrelas não são iguais entre si, nem os peixes. O corpo material morre, mas o espiritual fica. Ele termina este raciocínio dizendo que no dia que nós atingimos o espiritual, a vitória será completa: a morte será destruída.
A morte que Paulo se refere não é o morrer, mas o viver. Você está morto quando acha que está vivo. A morte, para o apóstolo, é a idéia de estar vivo, a idéia de existir como ser humano, a idéia de que as coisas humanas existem.
Este pensamento de Paulo mostra como são ilusórios e temporários os elementos materiais, aliás, a mesma coisa que Krishna fala. O mestre hindu, em seus ensinamentos, deixa bem claro que hoje você só vê reflexos de espelhos. Olhe como ele ensina: o maya é uma miragem, o reflexo de algo que existe.
Hoje, você enquanto humanizado, olha o amor (ama), mas não tem como saber o que é o Amor, pois o que vê é um reflexo do Amor Universal. Só quando se reconhecer frente a frente, ou seja, só quando estiver na sua consciência primária, poderá saber o é que o Amor. Aí, então, compreenderá que sempre amou: só tinha ilusão de que a imagem do espelho era realidade.
Perfeito… É exatamente isso que se falou. Aliás, se alguém que entender espiritualismo, leia Paulo. Como o próprio apóstolo fala, ele aprendeu com Cristo no mais alto céu, ou seja, sem nenhuma influência dos conceitos humanos, o ensinamento do mestre nazareno.
Participante: Buda é uma ilusão?
Sim, Buda é uma ilusão… Mas, Krishna e Cristo também são… São personagens de um mundo ilusório, o mundo humano, e neste só pode existir ilusões. Tudo é ilusão. Tudo que você conhece o reconhece pela razão é uma ilusão.
Agora veja… Não queira saber que eles são ilusões, pois você nem sabe o que é uma ilusão. Ilusão para você, é um conceito. Como foi dito no ensinamento de Paulo acima, a sua idéia de ilusão é algo que está vendo no espelho…
Então sabia de nada…
Participante: Não compreendo o estímulo ao bater que a porta se abrirá, uma vez que ela só será aberta quando Deus quiser. Por que nos foi dito para fazer isso se nada podemos fazer?
Grande pergunta que lhe responderei facilmente. Porque foi dito isso?
Primeiro: isto não foi dito… Deus criou, através do seu ego, a idéia de ter ouvido isto.
Por que Ele fez isso? Porque é a sua prova. Este ensinamento foi criado para ver se você acredita piamente que basta pedir para receber… Pedindo, algumas vezes receberá e outras não. Mas não importa se você recebe ou não, ainda está preso ao prazer e a dor, ao dualismo, as ilusões.
Bata que Eu abrirei, como, aliás, qualquer ensinamento, é algo que Deus pôs na sua cabeça sob determinada forma de compreensão para poder lhe perguntar: você vai me amar acima desta compreensão ou continuará acreditando que isso é real?
Participante: É tudo tão sublime e cruel ao mesmo tempo. Não falo de dois lados da mesma moeda, pois acredito que eles estão fundidos no mesmo lado…
Sim, a crueldade e a sublimidade estão contidas num só lugar: no seu ego… Não existe nada sublime ou cruel: existe dentro de você a idéia de que algumas coisas são sublimes e outros cruéis.
Então sim, é apenas um lado da mesma moeda: você, o ego. São os dualismo hoje que existem no humano que você é…
Participante: O fazer do encarnado é um eterno nada incentivado pela espiritualidade a seguir rumo ao inevitável amor incondicional…
Quem espiritualidade? André Luiz, Emmanuel, Caboclo Pena Branca? Desculpe, na Realidade só existe Deus e a idéia de haver múltiplas personalidades…
Sendo assim, é Deus que lhe incita a fazer tudo para alcançar o nada. Por quê? Para lhe propor uma prova… Para lhe testar no sentido de ver se acredita na Realidade (Deus e o Universo Uno, Único e Estável) ou se fica presa as ilusões como realidade.
Participante: Com relação ao nosso amar, enquanto encarnado, nunca se saberá se o objetivo foi atingido ou não. Dizem-nos se isto aconteceu, porque não temos como ver a luz. De que servem todas as mensagens que nos chegam, que só sairemos desta quando deus quiser?
Primeiro que não sairão apenas quando Deus quiser: sairão quando saírem…
Deus não pode decidir sobre a sua elevação espiritual… Ele pode saber o quanto você fará, mas não pode decidir por você. Ele sabe o que você vai decidir, mas a decisão é sua.
Então, para que servem as mensagens esperançosas? Prova…
Não sei se você se lembra, mas, nestas palestras monistas, outro dia me pediram para comentar um trecho de O Livro dos Espíritos onde se falava sobre o reconhecimento de um homem de bem. Fomos ao trecho citado e lá descobrimos que a resposta afirma que se reconhece o homem de bem quando, ao praticar ações, ele está ligado no mundo espiritual.
Sendo assim, para que servem as mensagens esperançosas? Para ver se você é um homem de bem, ou seja, para ver se está lendo-as ligado ao mundo espiritual, ou seja, tendo a esperança da felicidade de outro mundo, ou se quer exigir esta felicidade agora…
Veja bem: se há um dualismo nessa vida que você pode admitir que exista na Realidade, é este: estar ligado em Deus ou na matéria… Mas, falo isso de forma teórica, pois, na verdade, não há um dualismo nisso, porque quem se liga em Deus acaba com matéria. Com isso, encerrou-se o dualismo, porque quem está ligado em Deus não pode se ligar a uma coisa que para Ele não existe…
Participante: Parece uma questão de sorte, pois na condição de encarnado nada decidimos…
Claro, é sorte se o encarnado tiver idéias evoluídas. Este é um pensamento bem humano… Agora, pode também ser azar…
Se você possui no seu ego razões que lhe diga que deve evoluir, ter idéias avançadas será sorte… Agora, se você, no seu ego, não tiver “vontade!” de evoluir, viver para Deus é azar, pois não terá “lucros” materiais…
Além disso, lembre-se que a vida humana de um espírito não é formada a partir de sorte ou azar, mas sim de acordo com o gênero de provas que cada um pediu antes da encarnação. Sendo assim, ter ou não estas idéias é apenas uma coisa: uma situação ilusória que põe em prova uma essência…
Poderíamos encerrar o comentário aqui, mas quero fazer mais um. Não é o ego que evoluirá…
O ego não pode evoluir porque ele nem existe. As razões que existem nele que falam de evolução espiritual, a favor ou contra, são só idéias que você está tendo.
Como já disse a humanização é o resultado de um espírito que formou um baseado. Alucinação pura. É isso que é um encarnado.
Vendo as suas colocações eu vejo que a sua alucinação está cobrando o direito de ser real…
Participante: Originalmente os espíritos são criados ignorantes e submetidos a incontáveis situações antes mesmo de receberem a auto consciência, pois Deus faz tudo…
Desculpe-me: isto você está falando é uma ilusão.
No Evangelho Apócrifo de Tomé há uma resposta de Cristo à seguinte pergunta: qual será o nosso fim? Nela o mestre diz: como você quer saber o fim se não sabem nem o começo? Como você que afirmar isto sobre o espírito se não sabe o começo dele?
O espírito é submetido a provas antes de receber a consciência de si mesmo? Impossível…
Deus seria muito injusto se desse a alguém que não tenha consciência uma prova sob consciência. Seria como um professor material que desse uma prova de uma matéria que ele não ensinou. Impossível…
Participante: Que consciência tem um espírito que está experimentando uma cenoura, por exemplo?
Sabe de uma coisa, o ego atropela as coisas… Como é que você quer saber que consciência tem um espírito sobre qualquer coisa, se você não sabe nem o que é um espírito?
Você só pode saber a consciência que um humano está tendo, porque sabe o que é ser humano. Você não sabe, por exemplo, que consciência está tendo um cachorro diante de determinadas situações, porque você não é um cachorro. Porque não conhece a realidade dos cachorros…
Sendo assim, se você não conhece a realidade do espírito, como quer saber que consciência ele terá ao fazer alguma coisa? Mesmo que eu ousasse tentar explicar, não poderia, pois não teria palavras para descrevê-la…
Por quê? Porque no mundo material, na razão do sétimo grau de ego, não existem idéias que possa falar do espírito, da consciência espiritual, assim como não existem idéias para saber o que o cachorro está pensando.
Na verdade, você tem uma idéia sobre o cachorro está pensando, mas ela não é Real… Às vezes, vocês dizem que o caixão está com fome, mas na consciência, ele está dizendo: não há agüento mais comer…
Participante: O senhor fala assim porque o médium não é muito chegado a cachorros…
Está certo… Então retire a palavra cachorro e coloque no seu lugar leão…
Vocês, ao visitarem o zoológico, dizem que o leão está querendo fazer alguma coisa, mas ele não está querendo fazer nada daquilo…
Aliás, o espírito que está ligado ao ego de leão, nem sabe que é um leão… Isto porque ele não é uma coisa que só existe no ego humano. No ego leão não existe a distinção “eu sou um leão”.
Ah, isso vale para o cachorro também…
Participante: O espiritismo diz que nós, espíritos, já passamos pelo vegetal. O que herdamos daquela vivência?
Vegetabilidade…
Veja… O que você sabe hoje conscientemente sobre ser vegetal? Nada… Apesar disso, afirmo que na sua consciência primária existem informações a este respeito. Mas, o que lá está não tem palavras para ser criada uma idéia no se consciente atual… Então, o máximo que posso dizer é que o que aprendeu quando foi vegetal foi vegetabilidade…
Mais uma coisa: esta informação é Real. Você, o espírito, já viveu a ilusão de ser vegetal. Não foi o vegetal, mas teve a ilusão de ser. Quando foi, aprendeu a vegetalizar…
Eu vou acabar indo para a Academia Brasileira de Letras de tanto inventar palavras para tentar explicar a vocês o que não podem entender…
O espírito espiriteia; você quando foi vegetal aprendeu a veja vegetalizar… É o máximo que posso responder…
Ah, quando foi pedra, aprendeu a pedralizar… Mais uma palavra nova para o dicionário de vocês…
Participante: Para o leão estar vivo não foi preciso que um espírito o animalisa-se?
O que você está dizendo? Está dizendo que o espírito cria vida? Será que não é Deus quem a cria? Quem criou você e as percepções que têm e que chama de vida? Deus…
Em O Livro dos Espíritos se fala que o espírito é necessário ao corpo humano para intelectualizá-lo, mas não para torná-lo vivo. Agora, você está falando de espírito em leão, mas repare que de uma forma diferente…
Baseado na informação do Espírito da Verdade, eu diria que o espírito precisaria estar ligado à forma leão para leonalizá-la… Agora, para viver, é outra história…
A vida, a ilusão da movimentação que gera os acontecimentos, é criação de Deus. Ele cria e não precisa de espírito para que ela aconteça…
Quantas vezes você já se deparou com alguém se mexendo na sua frente sendo que àquela forma não havia espírito ligado? Eram imagens projetadas por Deus que não necessitavam da união com espírito algum…
Este fato que estou citando já aconteceu na existência de vocês todos milhares de vezes e nem se deram conta disso.
Apesar de estar lhe respondendo desta forma, por favor, não se sinta mal de fazer tantas perguntas. Isto porque ao fazê-las está me dando oportunidade de falar sobre muitas coisas.
Então faça mais, mas compreenda sempre isso: não há nada a fazer, a saber…
Participante: O senhor pode se estender um pouco mais sobre esta idéia de formas que, aparentemente, estão vivas, mas que não possuem espíritos ligados à elas?
Falaram-me que é necessária a presença de um espírito para que o leão esteja vivo e eu respondi dizendo que não é isso que está em O Livro dos Espíritos. O que se encontra escrito lá é que para o ser humano intelectualizar-se é necessária a união com um espírito.
Esta união, no entanto, não é necessária para a existência da vida. Esta também é uma informação do Espírito da Verdade…
Vamos dizer assim: ele pegou uma idéia, levou para outro elemento (leão) e, além disso, criou uma reação à presença do espírito, que não estava no ensinamento original, que ele chamou de vida.
Respondi mostrando para ele que não é nada disso… Tratou-se apenas de um jogo de palavras e idéias que o ego dele fez…
Na verdade, a existência e movimentação de massas, aquilo que você chama de vida, é uma criação de Deus e independe da união a espíritos. Este conceito, porque isto é só um conceito, uma razão humana, estende-se para todas as formas que existam, inclusive a humana.
Depois de explicar isso disse: muitas vezes, todos você já se depararam com pessoas, ou seja, elementos humanos aparentemente intelectualizados, onde não havia nenhum espírito ligado.
Na verdade, colocando em termos compreensíveis por vocês, tratava-se apenas de uma imagem holográfica: uma imagem que fala e se mexe, mas onde nenhum espírito está unido…
Participante: O que não entendi foi justamente esta idéia da imagem holográfica…
Você sabe o que é uma imagem holográfica? É uma imagem que age como se fosse uma realidade, mas é apenas uma imagem.
Afirmo que existem pessoas com as quais vocês já conversaram, até mais de uma vez, e que até lhes tocaram fisicamente, mas elas não estavam ligadas a espírito algum. Eram apenas imagens projetas…
Participante: A idéia desta imagem é para nós como se fosse a imagem de um filme? Lá não há espíritos, mas a imagem fala conosco…
Mas o que eu sempre disse senão que a vida humana é um filme que você assiste? Você está assistindo me ouvir e acha que este existir ouvir é porque eu estou falando, mas não é isso. É porque Deus está passando o filme de ouvir neste momento e você o está assistindo…
Participante: O que acontece depois dos encontros com esta pessoa?
O mesmo que acontece com a ilusão de seu corpo: some, desaparece.
Quando a imagem holográfica humana desaparece? Quando alguém aperta um botão comandando que isso aconteça… Pois bem, quando Deus aperta um botão, a imagem holográfica espiritual também desaparece…
Na verdade é isso que acontece: ela deixa de aparecer. Nada mais do que isso… Não é desintegrar-se, acabar-se, só deixa de aparecer…
Agora desculpa, mas isso está fundindo a cabeça de vocês? Quem está acostumado com Umbanda, deveria estar acostumado com esta idéia… Deveria estar acostumado a trabalhar com imagens onde não há realidade nenhuma.
O espírito, por exemplo, diz que trabalha na mata, mas que mata é esta senão apenas uma percepção que ele está tendo? Ela não existe: é uma ilusão… No Universo Uno, Único e Estável tudo que seja dualista é ilusão, imagem holográfica…
Participante: Esta imagem é a do anjo da guarda que vêm e some?
Meu amigo católico, que anjo da guarda você quer ter? Todo anjo da guarda é o seu carma e você é o carma dele.
Além disso, o anjo da guarda não some nem aparece… A idéia de ele estar junto a você surge quando Deus fizer isso acontecer.
Não vá por este caminho, meu querido amigo católico, porque não é isto não.
Participante: As imagens somem depois de um segundo ou depois de uma vida inteira?
Meu querido ego investigativo, não existe tempo… No universo Uno, Único e Estável não existe espaço nem tempo.
Então, como lhe direi quanto tempo ele durará?
Participante: Até que ponto nós podemos criar as situações de nossa vida? Refiro-me ao espírito e não ao ego…
Nenhum: o espírito não cria situações…
Em O Livro dos Espíritos esta informação está muito clara: o espírito pede gênero de provações.
Sendo assim, você, espírito, pede para que seja provado em determinados elementos espirituais (sentimentais). A partir deste gênero é que Deus cria situações da vida…
Você não pede para ser rico nem pobre, mas pede para vencer a ganância e Deus pode para isso criar vivências na pobreza ou na riqueza.
Participante: Esta idéia de uma figura agir, dá até para entender, mas ao nível de uma imaginação. Podemos imaginar algo ilusório como real. Enquanto está sendo imaginado este algo existe, depois desaparecer. Mas entendo que o que está sendo dito é uma imagem ilusória não movida por um espírito que tem alguma existência material. É isso?
Realmente estas imagens holográficas têm uma existência material. Qual e onde é esta existência? No seu ego… Elas só existem dentro de você; só existem para você…
Deixe-me contar uma história…
Conheço uma pessoa que estava com a sua mãe hospitalizada. Um dia, saindo do hospital ela parou num ponto de ônibus e sentou-se. Ao seu lado, um de cada lado, se sentou um homem e uma mulher ciganos. Lembro que esta pessoa participava do trabalho de umbanda conosco…
Este casal que a colocou no meio começou conversar com ela. Ela gostou da conversa e teve um diálogo com eles…
Contando-me numa gira este fato, ela disse que estava naquele momento desesperada pela situação de saúde da mãe e que a conversa com aquele casal de ciganos e ajudou a sair do desespero. Por isso ela queria saber quem era aquelas pessoas.
Eu perguntei então: o que estavam fazendo as outras pessoas que estavam no ponto do ônibus? Ela disse: as pessoas estavam me olhando de uma forma estranha…
Aí falei: claro que tinham que lhe olhar de uma forma estranha, pois estavam pensando que você era louca porque estava falando sozinha…
Veja, a percepção holográfica é individual e não coletiva. A existência da imagem é individual e não coletiva – aliás, até pode ser coletiva, mas na maioria das vezes é individual.
Sendo individual, quando tempo durará? Quanto você percebê-la…
Participante: Isto não é esquizofrenia?
Sim, isto é esquizofrenia…
Aliás, o que você chama de doentes são os sãos. Doentes são vocês que não acreditam neles…
Mas, voltando ao que estava falando, durante quanto tempo você vai percebê-las? Enquanto for necessário a você…
Tenha em mente que tudo do mundo material existe apenas enquanto lhe for útil no trabalho da elevação espiritual…
As imagens, sejam elas entendidas como holográficas ou como reais, não existem: são simplesmente uma coisa que vocês estão percebendo e que acham que é real.
Participante: É… Algumas pessoas realmente não têm “presença de espírito”…
Participante: Tenho achado divertido ver o corpo carnal diferente do que eu via ao longo dos anos. Esta carne sangrenta, interessante, nada mais é do que a nossa percepção. Com você já disse milhares de vezes, uma ilusão. Bem divertido ver como no perdemos pelos sentidos…
Se você tem visto desta forma, porque está estranhando tanto a idéia da imagem holográfica? Se você já tem a idéia de que o seu corpo é apenas uma percepção, tem que compreender que ele é uma imagem holográfica…
Porque estão abismados com a idéia de que possa existir uma imagem holográfica onde não há espírito ligado, se aquilo que vocês acham que são, também é uma holografia?
Qual a diferença entre o seu corpo e o corpo de outro? A forma como a imagem se cria é a mesma…
Lembre-se: não importa em que canal você ligue a sua televisão, terá sempre e apenas uma imagem.
Participante: Se somos a imagem e semelhança de Deus, por que não criamos nada?
Você, espírito, é a imagem e semelhança de Deus, mas não é com a Ele. Onde você não é igual a Ele? Nos atributos que Ele tem…
Um destes atributos é ser a Causa Primária de todas as coisas, ou seja, fazer as coisas de existirem primariamente. Então, você espírito é igualzinho a Deus, mas não tem como atributo fazer.
Mas, o que quer dizer ser a imagem e semelhança de Deus? Falando sobre este assunto com uma pessoa eu disse que era a imagem e semelhança de Deus e ela concordou.
Eu sabia que ela sentia-se humano e por isso disse então: se você é a semelhança de Deus, pode emprestar uma tesoura para Ele cortar as unhas?
Agi assim porque sei que vocês acham que ser a imagem e semelhança de Deus gera a idéia de que ele é igual ao que vocês acham que são agora. Mas, não é isso…
O que é ser igual a Deus? É possuir tudo que Ele possui. O que Ele possui? Inteligência, justiça e amor…
Você tem tudo isso… Você, espírito, tem inteligência justiça e amor. Sendo assim, por que Ele possui o atributo da Causa primária e você não?
Porque você possui inteligência, mas só Deus tem Inteligência Suprema; porque você possui justiça, mas só Deus é a Justiça Perfeita; você possui amor, mas Deus é sublimação do amor, o Amor Sublime. Por isso só Ele tem este atributo…
Ele tem estes atributos porque tem as suas propriedades desenvolvidas ao extremo. Você, espírito, não tem este atributo, porque têm suas propriedades restritas pela ilusão que vive como realidade.
Ficou claro?
Participante: Tenho inteligência, justiça e amor ou é Deus quem me dá essas propriedades?
Você o espírito tem; você ego não sabe nem o que é isto… Por favor, não ponha na cabeça que você tem: você ego não tem, quem tem é o espírito. Você hoje é cem por cento ego, por isso sempre acreditará que você ego tem.
Estou falando isso antes que vocês egos venham me perguntar como é a justiça que o espírito tem. Impossível responder… Isto porque a idéia de justiça que está no ego não é a que espírito tem e esta não pode ser compreendida pelo ego…
Participante: Ao formular a pergunta eu pensei como espírito…
Você não pode pensar como espírito, porque você está ego.
O espírito tem coisas, mas tudo que o espírito tem o ego não sabe o que é nem como e de onde vem, nem pode saber como funciona. O ego não sabe nada sobre o espírito: ele tem idéias que Deus dá sobre o espírito como carma, como prova e não como Realidade.
Participante: Você me disse uma vez, ou eu entendi assim, que o espírito não é inteligente, mas recebe a inteligência do Pai.
Para discutirmos inteligência, teríamos antes que saber o que inteligência. Como não sabemos, vamos deixar esta questão de lado…
Mas, para botar mais lenha nessa fogueira, vou lhe mostrar uma contradição imensa…
Em O livro dos Espíritos está escrito que o espírito é o princípio inteligente do universo, ou seja, a inteligência. No entanto, logo abaixo, é dito que a inteligência é apenas uma propriedade do espírito.
Como pode o princípio inteligente só ter inteligência como propriedade? Pela lógica humana não dá para compreender isso…
O espírito realmente tem inteligência; ele não é. O espírito não é uma inteligência: ele tem a propriedade, ou seja, recebe de Deus a capacidade da inteligência.
Apesar de falar assim, não tente compreender isso, pois você não tem a mínima noção do que é uma inteligência. Mesmo que pudesse compreender dentro das razões humanas o que é inteligência, nada saberia, pois a inteligência do espírito não tem nada a ver com o que você humano, ego, diz que é uma inteligência…
Participante: E a força do pensamento tão difundida, tem algum valor?
Como algo que não existe pode ter força?
O pensamento é uma idéia que Deus cria através do ego e, portanto, uma ilusão. Como uma ilusão pode ter força?
Participante: Mas, e quando esta força aparentemente existe? Eu, por exemplo, já sequei a planta de uma pessoa…
Você falou tudo: quando aparentemente existe.
Você acredita que existe, acreditou que secou com a planta, mas não existe nem planta para ser secada… Deus criou a idéia de você ver uma planta se secar e lhe deu a idéia de que foi você, com o pensamento, que a secou e você acreditou em tudo isso…
Participante: Mas quando acontece da planta secar, ela não morre?
Como pode o que nunca viveu morrer?
A planta para poder morrer tem que ter vivido, mas para viver teria que ter nascido. Como pode algo nascer se a existência a vida é da por Deus? Como alguém pode ter de uma forma autônoma de vida, se a vida um dom de Deus, ou seja, algo construído por Ele?
Não, nenhuma planta morre… O que acontece é que Deus deu a percepção dela estar morrendo.
Não há o que possa morrer, pois nada há que esteja vivo…
Participante: Ou seja, a minha prova era achar que tinha este poder no pensamento e que a planta tinha secado. A prova da dona da planta eu não sei qual era, mas existiu uma a partir da percepção da planta ter morrido…
Sim…
Agora, repare que até chegar hoje a esta conclusão, você deixou seu coração vibrar com a emoção criada pelo ego de que você secou. Ao fazer isso, não amou a Deus acima de todas as coisas, porque se O amasse acima de tudo, iria dizer: Deus fez, Deus sabe o porquê de ter acontecido isso…
Participante: Pode falar algo sobre vidência, já que o espírito não tem forma?
Como você sabe o que você viu durante o processo de vidência? Pelo pensamento, pela razão, pela consciência. Então, o que é a vidência? Uma idéia que Deus lhe dá. Só isso…
Para que? Para ver se você glorifica-se dizendo que é o melhor porque é capaz de ter evidência, ou se ama Deus acima de todas as coisas e acredita que não viu nada, mas que apenas Deus criou, através de idéias, o que você está vendo.
Deixe-me dizer algo: hoje ia fazer uma brincadeira com vocês, mas acabei não fazendo… Ia responder diversas perguntas dizendo apenas: isto não pode ser assim, porque o que você usa para afirmar isto não existe…
No caso presente, você quer saber sobre vidência porque acredita que ela exista. Vocês querem saber sobre o leão ou sobre o cachorro porque acreditam que eles existam; querem saber sobre o comportamento do espírito, porque imaginam que há um jeito “certo” do espírito se comportar…
Repare que o para tudo que vocês querem saber só se torna parte da idéia de que algo existe, é real… Mas, é real só para você humano.
Então, se eu ficasse calado daqui durante estas nove palestras simplesmente dizendo que nada do que acreditam materialmente existe espiritualmente, teria respondido tudo da mesma forma.
Participante: Basta apenas assistir a tudo como se fosse um filme? Não se envolver emocionalmente com nada, não acreditar em nada, não querer nada, nada se, nada fazer…
No mundo atual, no estágio atual de evolução espiritual de vocês, este é o máximo que se pode fazer…
Agora, o melhor mesmo era você compreender que este filme é uma chanchada horrível e dormir durante a sua exibição, ao invés de assisti-lo. Se você conseguisse fazer isso, o que não conseguirá, seria maravilhoso, porque não teria nem a tentação de se envolver com filme.
Mas, hoje, o máximo que se pode fazer é dizer: este filme está uma droga mesmo, mas é a única coisa que tenho para ver agora, por isso vou assisti-lo sem me envolver com ele…

