MONISMO – PARTE 3

 

 

 

Antes que vocês me façam alguma pergunta, deixe-me falar uma coisa. Uma pessoa estava conversando comigo agora a pouco e disse que viu um filme onde o governo controlava as emoções e as pessoas eram obrigadas a não ter emoções. Esta pessoa me disse, então, que se este é o mundo que eu prego, ela quer isso para si. Mas, este não é o mundo que prego…

Na verdade, enquanto humanizado, você terá tudo de humano. Emoções, percepções e formações mentais estarão sempre presentes na sua consciência durante aquilo que vocês chama de encarnação. Não há como estar encarnado e não ter estas coisas…

O que eu prego não é você acabar com as emoções, mas sim se libertar delas. O que digo é que com o coração você deve chegar a ponto de dizer: estou feliz, estou, e daí? Estou triste, estou, e daí?

Claro que vocês não podem me ver, mas podem me ouvir e reparar que não há diferença de entonação na minha voz quando falo em tristeza ou felicidade…

A tristeza e a felicidade existirão sempre para você enquanto encarnado, mas não se deixar o seu coração se levar por elas: é isso que eu prego.

Participante: É não dar importância a elas?

Mais do que isso: é não deixar ela dominar seu coração.

Veja, emoção humana você sempre terá enquanto ligado ao ego humano; sentimento espiritual também, porque afinal de contas, você é um espírito: o que não pode fazer é deixar as duas soarem uníssonas…

Participante: O grau de amor, veneração e respeito a Deus é questão de sensibilidade?

Não, é questão de amar. O grau de amor e respeito a Deus depende do quanto se ama…

Deixe-me lhe dizer uma coisa interessante… Se o Universo é Uno, Único e Estável, não existem graus de amor. Existe o amar. Aliás, existe o amar e a ilusão de não estar amando, porque na verdade está sempre amando.

Então, diria, se você quer falar em graus de amor, que o grau de amor a Deus é medido de acordo com seu grau de não acreditar que está tendo raiva, desamor ou qualquer outra ilusão emocional que vivencia como real. Se você ama noventa por cento das ilusões que vivencia, diria, simbolicamente que ama a Deus apenas dez por cento…

Falei simbolicamente porque, na verdade, qualquer escala é uma ilusão. Sendo assim, a escala ou os seus níveis não existe dentro da Realidade…

Participante: O senhor pode falar sobre Krishnamurtti.

Um ego… Toda personalidade humana é um ego.

O ego Krishnamurtti tem para a ilusão planetária, como todos os outros, as funções descritas em O Livro dos Espíritos: servir de prova para um determinado espírito e cumprir a sua parte na obra geral. Ou seja, este ego serve a um espírito como provação por verdades, formações mentais, percepções e sensações e serve aos outros espíritos ligados a egos como provação. Serve a você como prova porque se vibrar seu coração na idolatria a Krishnamurtti, não chega a deus.

Então, qualquer personalidade humana ou humanizada – personalidade humana é o ser humano com carne; personalidades humanizadas são espíritos que vivenciam personalidades sem carnes como André Luiz, Emmanuel, Bezerra de Menezes – é sempre isso: prova para um espírito e instrumento para a obra geral de Deus.

Participante: Gostaria de saber se o caminho da paz tem que ser construído ao longo do tempo ou se ela está dentro de nós e temos somente que vivenciá-la?

Por favor, me diga: a que paz se refere… A paz planetária ou a paz interior? Fala da paz entre os homens ou você estar em paz?

Participante: Interior…

A paz interior é uma ilusão. Na realidade, a única coisa que o espírito tem consciência de ter é a sua capacidade de amar…

Na verdade, nenhum espírito vive paz, harmonia ou felicidade. No Universo que é Uno, Único e Estável, o espírito só pode ter uma coisa: o amor. Então, nele só existe amor.

Sendo assim, paz, felicidade e harmonias são ilusões que o espírito vivencia enquanto está amando… Estes elementos são sensações ilusórias que o espírito sente enquanto na sua consciência primária está apenas amando.

Agora, se você quiser saber sobre a paz planetária, eu digo que isso é impossível. Se houvesse paz eterna no planeta, não haveria vicissitudes…Se não houvesse vicissitudes, não haveria provações…

Não havendo mais provas, pergunto: para que encarnar? Não precisando encarnar, pergunto novamente: para que ter planeta?

Participante: É ilusão achar que destruir é mais fácil do que construir?

É claro que é, até porque é ilusão se acreditar que se pode construí ou destruir alguma coisa…Se o Universo é um Uno, Único e Estável, nele não pode ser destruído nada ou construído alguma coisa nova, senão ele perderia a estabilidade.

Nada pode ser destruído e nada pode ser construído… Portanto, é ilusão achar que é mais fácil destruir…

Participante: Se tudo que o humanizado percebe é um processo mental, como fica o papel dos sentimentos em tudo isso?

Você deve estar fazendo uma confusão entre sentimento e emoção ou sensação.

O sentimento é algo espiritual e sendo assim não é percebido pelo ego. Se ele é percebido pelo ego é uma ilusão; se não é, para você ele nem existe, porque só que é percebido é real para você.

Agora, se você fala sensações, de emoções, elas são elementos que se agregam ao espírito quando acontece a natividade. Quando você, espírito, começa a viver a vida humana, passa a conviver ilusoriamente com os “Cinco Agregados”: forma, sensações, formações mentais, memória e percepções. Tudo isso não é do espírito: são elementos que se agregam ao espírito quando acontece a natividade, segundo Buda.

Sendo assim, as emoções que você percebe são elementos da provação, elementos ilusórios que constroem a realidade ilusória que serve de provação ao espírito.

Participante: Posso viver sentimentos na carne, ou seja, posso viver alguma coisa do espírito enquanto encarnado?

A palavra “poder” que colocou em sua pergunta nos cria uma situação meio estranha. Isto porque, você só vive o que é do espírito. Você só vive sentimentos na Realidade. Então, você não pode: só fiz isso.

Agora, eu lhe perguntaria, você pode ter consciência do que vive na Realidade? Eu lhe respondo que não… Enquanto encarnado você não tem consciência de nada do espírito.

Respondendo-lhe, então, digo que você não pode viver o que é do espírito ou não: você só vive o que é do espírito. Mas, tenho que lhe dizer também que viver o que é do espírito é uma coisa, mas ter a consciência de estar vivendo o que é do espírito é outra…

Você não pode ter consciência de viver o que é do espírito porque o ego não tem elemento para lhe trazer esta Realidade. Por que isso? Porque o ego, por definição, é um criador de realidades ilusórias e não algo que traga ao consciente a Realidade.

Participante: Não existe paz, felicidade e não sabemos amar… Somos totalmente iludidos… O que resta como guia para o correto caminhar?

Vou usar uma frase humana chula. Perdoe-me por isso, mas acho que ela traduz perfeitamente a única coisa que você pode fazer: relaxar e gozar…

Só lhe resta isso… Você não pode construir o destruir, fazer ou deixar de fazer nada, então, assista o que é feito…

O que resta ao ser humanizado é assistir a pretensão de estar agindo que o ego cria. Mas, ele não age: ele transmite a ilusão de estar agindo. Na verdade Deus emana o acontecimento e o ego transmite a ilusão de você estar agindo.

Sendo assim, não he resta nada mesmo a fazer, mas nunca restou… O problema é que você vivia mais iludido que está hoje e por isso até hoje imaginou que agia…

A única coisa que você pode se sempre pode é fazer o que Krishna disse: repousar em Deus e assistir a sua vida…

Assistir a sua vida é sentar na frente da televisão e assistir as imagens que lhe são projetas. Na é imaginar-se capaz de interferir nelas, não querer determinar futuro, passado ou presente para os personagens… Isso é a única coisa que lhe resta fazer…

Foi por causa desta ausência de coisas a serem realizadas que Cristo disse: venha para mim que meu jugo é leve… No cristianismo não há nada a se fazer, a não amar a Deus sobre todas as coisas…

Mas, para amar a Deus acima de todas as coisas, o se pode fazer? Não fazer nada, pois tudo que você faz é fundamentado num apego e quando faz algo com apego está amando mais aquilo do que a Deus… Então não faça nada, assim estará amando a Deus…

Sabe o quem não ama a Deus acima de todas as coisas? Quem acredita que está proferindo palavras, quem acredita que tem coisa que precisem ser feitas de dia e a noite, quem acredita que tem que iro centro ou no templo para poder ligar-se a Ele, quem acredita que precisa fazer oração para falar com Ele…

Estes não amam a Deus, porque amam as suas convicções acima de qualquer coisa…

Participante: Então, enquanto encarnados, só vivemos espiritualmente na espiritualidade. Só nos basta desapegar das emoções que são como sentimentos distorcidos. É isso?

Sim, você só tem que se desapegar. Mas, uma coisa interessante: tem que se desapegar sem nenhuma ação de desapego.

Desapegar-se não é jogar fora, mas ter e não deixar isso mexer com você. Desapegar-se não é mudar as suas sensações, mas ter todas elas e não vibrar no êxtase do prazer ou na depressão da dor.

Sim, você só tem que se desapegar, mas este desapego também não é um trabalho que precisa ser feito. Este é o grande problema para vocês compreenderem o que falo, porque imaginam que para desapegarem-se imaginam que tenham que executar alguma ação.

Como me perguntaram agora a pouco, se não resta nada a fazer, quer dizer que seremos inertes? É isto que não os deixa compreender o que digo, pois o ego não aceita a idéia da inércia.

O ego quer construir, quer fazer, por isso lhe cria a obrigação de viver uma vida produtiva, com objetivos, quando a vida não tem nenhum objetivo a não ser assisti-la. O único objetivo da encarnação é você conseguir provar a você mesmo que é capaz de simplesmente assisti-la.

Este é o grande problema: não há nada a ser feito, mas o ego humanizado não suporta a idéia da inércia. Mas, ele não entende que para nada fazer é preciso trabalhar muito…

Participante: Simplesmente assistir a tudo não parece fatalismo?

Qual o problema de ser um fatalismo? Veja, porque o fatalismo é “errado”, “ruim”? Porque existe no seu ego uma verdade que afirma isso…

Você acredita que fatalismo é uma coisa “errada” ou “ruim”. Mas, para quem gosta do ócio, da preguiça – não estou falando de ninguém especificamente, mas fazendo um jogo de palavras para lhe responder – o fatalismo, a doutrina fatalista é “ótima”, porque assim ele pode ficar acomodado sem que ninguém lhe cobre ação…

Quem está “certo”: você ou ele? Chegando a uma conclusão lhe pergunto de novo? Por que este que você disse que estava “certo” pode ser considerado assim e não o outro? Apenas pela presunção de que aquilo é certo, ou seja, pelo fruto de um individualismo…

Já que o que você acha é apenas o que você acha e não uma Verdade Universal, volto a lhe perguntar: qual o problema de ser fatalismo? A vida ser assim só é problema para aqueles que querem agir. Para aqueles que querem ter a ilusão de agir, a ilusão de fazer alguma coisa, para esses o fatalismo é algo “errado”, “ruim”, não presta…

Sim, a vida humana é fatalista e isso está escrito em O Livro dos Espíritos com todas as letras…

851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em vem a achar-se colocado.

Veja bem… Segundo este ensinamento, a vida é fatalista, mas só é assim porque os acontecimentos que nela acontece são frutos da escolha do espírito, antes da encarnação. Estes acontecimentos precisam ser fatalistas, porque, como se lê no capítulo “Da escolha das provas “ deste mesmo livro, depois de encarnado, o espírito se prende a outra motivação é, por isso, não tem como mudar aquilo que pediu para provar.

No entanto, esta característica fatalista diz respeito apenas a atos e não a viver a vida. Ouça isso:

Continuação da resposta da pergunta 851.

Falo das provas físicas, pois pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.

Os acontecimentos da vida (provas físicas) são presos ao fatalismo e, como já vimos, precisam ser, pois são frutos de uma motivação que o espírito que se encarna não tem mais. Mas, viver a vida não é uma atitude fatalista, pois você pode vivenciá-la ligado ao bem (vivendo a felicidade que Deus tem prometido aos seus filhos) ou ao “mal” (às concepções egoístas que o ego cria e que lhe prendem ao binômio prazer e dor).

Portanto, não sou eu que sou fatalista, mas a própria doutrina espírita dos espíritos, apesar dos humanos não assim a entenderem, é.

Participante: Um trauma que o espírito encarnado possa carrega em si como aquele de sentir medo, raiva ou frustrações aconteceu porque o espírito em alguma de suas experiências agarrou-se a estas sensações? Como vivenciar esta situação?

O espírito não tem vive traumas. O espírito está no Universo amando…Quem carrega em si, ou seja, quem acredita que existe um trauma é o ego e não o espírito.

Quem tem o trauma é o ego e não o espírito. Mas, por que o ego tem um determinado trauma? Por que ele acredita em uma determinada coisa? Porque Deus emana através dele esta crença.

Sendo assim, o ego não também não tem traumas, mas vivencia uma emanação de Deus à qual é dado valor de trauma. Uma coisa é diferente da outra…

Mas, por que deus emana este valor? Porque isso está preso ao gênero de provação que o espírito pediu antes da encarnação.

Então, está aí a sua resposta: a vivência pelo ego de emanações que possuem o valor de trauma é um elemento componente da prova que o espírito pediu para passar.

Isto precisa ser compreendido… Agora, querer saber se é porque se apegou ou não a alguma coisa nesta ou em outras encarnações, isto é apenas busca de cultura que não o levará a lugar nenhum.

Participante: Compreensão é um processo mental ou sentimental?

É um processo mental ilusório, que não existe. O ego não compreende: Deus dá a uma emanação sua um valor que o ego chama de compreensão.

Mas, aproveitando que estamos falando de traumas e de valores que Deus dá às suas emanações, deixe-me dizer algo. Para falar sobre isso lhes pergunto: o espírito tem carma? Não, o espírito não tem carma: ele vivencia emanações de Deus às quais o Senhor dá o valor de carma. Uma coisa é bem diferente da outra…

Mas, onde ocorre a vivência do carma? No ego. Então, o espírito não tem carma e nem vivencia carmas… Sabe, estar me ouvindo agora é um carma, mas quem está me ouvindo é o ego. O espírito está amando.

Estão mesmo esta história de carma, traumas ou qualquer outro valor que se dá a uma emanação de Deus não deve ser levada a sério, não deve gerar preocupações. A busca da compreensão destes valores é muito boa para os seres humanizados que estão no início do pré-primário da religiosidade da Terra. É lá que temos que estudar carma ou ação reação.

Quando chegamos ao final de uma temporada de estudos – e isso acontece sempre no monismo, seja porque mestre for o estudo que se realiza – preocupar-se com estas coisas é buscar cultura. Isto porque o espírito não pode ter ação como já vimos: como então estar submetido a uma reação? O espírito só ama, como pode, então, estar sujeito à reações variadas?

Não se preocupem com estas coisas… Ouçam o estou dizendo: assistam suas vidas sem acreditar nos valores que o ego dá a ela. Ou seja, sem se preocupar se tal ou qual coisa é um carma ou um trauma o oriundo de vidas passadas…

Esqueçam tudo isso… Assistam a vida: “ele está levando um tapa na cara”. Este ele ao qual me refiro é você mesmo…

Assista você levar um tapa na cara, se isso acontecer, mas não se preocupe em querer saber porque ou como isto aconteceu.

Participante: Um guru dizia que viver é fácil: é só ficar quieto…

Grande comentário. Apesar disso ser um conhecimento da humanidade, repare nas perguntas. Em todas elas está presente uma ânsia de fazer e uma busca de realizar.

Com esta minha constatação não estou dizendo que esta postura é “errada”; não estou dizendo que vocês são atrasados: não é isso que quero dizer. Quero apenas que vocês reparem que existe por trás das perguntas formuladas pelo ego esta ânsia e que você, espírito, está vibrando dentro desta ansiedade acreditando que isso lhe pertence…

Participante: Isso foi para mim: a ânsia de fazer acontecer…

Isto foi para você ego, não para o espírito. Mas não é só para você especificamente, mas para todo o ser humanizado.

A ânsia de realização é comum no ego humano, pois é um instrumento da prova do Mundo de Provas e Expiações. Isto porque esta ânsia é um subproduto da possessão, da posse.

O ego está dotado da ânsia de realizar porque possui a lógica que diz que fazer leva a possuir o que se faz. Portanto, ele possui em si esta ânsia para gerar a ilusão de querer ter.

Participante: O valor que o humano dá às suas percepções está diretamente ligado à parte da consciência que tem essa herança espiritual?

Se você está se referido a humanizado como um ser humano, ou seja, um ego, ele não tem nada. O ego é um programa que cria realidades virtuais. Sendo assim, ele não dentro de si nada: a cada momento ele cria a realidade que está vivendo, mesmo que a esta seja dada o valor de lembrança.

Se está se referindo ao espírito ligado ao ego, sim: ego é herança das vivências espirituais do espírito. Por que? Porque ele é o representante do gênero de provas pedidas por esse espírito e que está vinculado a conquistas ainda não realizadas…

Participante: Quando os mestres ensinam a manter a mente concentrada, reta, é pegadinha do ego?

Deixe-me dizer uma coisa que às vezes nossos egos não percebem…

Se você estudar os livros védicos, mais precisamente o Bhagavad Gita e o Bhagavata Puranas, que compõem os ensinamentos de Krishna, encontrará logo no primeiro ou segundo capítulo a seguinte informação: tudo que lhe vem à mente é maya, ilusão. A partir deste momento, se pensarmos que o controle da mente é feito pela própria mente, teremos que dizer que dizer que ele só ocorrerá dentro do mundo fantasmagórico criado pela ação inescrutável de maya… Mas, apesar disso, Krishna passa vários capítulos outros capítulos nestes mesmos livros ensinando a dominar a mente.

Parece incongruência? Parece… Parece falsidade? Parece. Mas não é: é caminho.

A idéia de que você pode dominar a mente e que fazer isso não seria uma ilusão, é o caminho ensinado por um mestre. Um caminho que você, durante determinado momento da sua existência, pode até encaminhá-lo, sem a consciência de que é Deus que está criando as sugestões de controle da mente e não você que está conseguindo realizar isso.

Agora, quando você recebe de Deus a oportunidade de ouvir ensinamentos monista – não estou falando apenas dos que passo, mas de todos os mestres que abordam o tema – que lhe levam a mais fiel compreensão do que o mestre quis dizer, deve começar, então, a dizer: está certo… Krishna diz que eu devo controlar a mente, mais se controlar, controlei; se não controlar, não controlei… Vibrando sentimentalmente dentro desta apatia com relação ao controle da mente, você começa a ser desprogramar do que foi programado na programação.

Sabe, volto s repetir um exemplo que para nós é clássico. Fizemos todo um trabalho a partir de estudos dos ensinamentos de Buda. No final dissemos: não se podem ter conceitos. Um mês depois fui obrigado a chamar todo mundo e disser: vocês estão criando o conceito de não ter conceito.

Isso é normal para o ego humanizado… É preciso que ele crie o conceito de não ter conceito para depois se libertar deste novo paradigma…

Sendo assim, eu não diria que o ensinamento que afirma que você deve controlar sua mente é uma pegadinha do ego, mas uma etapa das provações às quais você, espírito, está exposto.

Participante: Há cerca de vinte anos foi psicografado um conjunto de mensagens falando da importância de Portugal nestes tempos conturbados que se aproximam. Uma das mensagens seria do espírito da rainha Santa Isabel que informava que Portugal seria o local onde se ia dar o anúncio formal ao mundo da vinda do Cristo com toda uma hoste de anjos e servidores. Também se disse que de Portugal partiriam palavras de alegria e esperança para manter a felicidade humanidade nestes tempos perturbadores de problemas sociais e epidemias. Recentemente tivemos outras psicografias, supostamente também de Santa Isabel, apresentando-se como Yasmim, que resumidamente dizia que vinha trazer a informação da chegada de um novo portal de energia ao planeta. Depois disso nada mais será como antes. Comente isso, por favor.

São palavras bonitas, mas tenho alguns comentários a fazer…

Tem uma coisa que acho muito engraçada nas comunicações espirituais que os egos humanos vivenciam… Olhe O Livro dos Espíritos, os livros de mensagens espíritas, os livros da chamada literatura espírita e mesmo as músicas e pinturas mediúnicas e repare que não encontrará nenhuma mensagem do mendigo que ficava na porta do palácio…

Porque isso? Quem viveu como mendigo é porque se tratava de um espírito do “mal”? Repare: você não vai encontrar nenhuma mensagem de alguém que foi um ladrão durante uma existência carnal. Apenas encontrará mensagens de pessoas que viveram uma encarnação onde foram considerados santos ou sábios… Acho que tem alguma coisa neste fato que não está muito de acordo com o mundo espiritual, com os ensinamentos dos mestres…

Cristo disse que se uma pessoa for santificada ou glorificada nesta vida irá para o último lugar no mundo espiritual. Sim, se ele disse que o último na Terra era o primeiro no céu, ele quis dizer que os primeiros da Terra serão os últimos no céu…

Mas, não é isso que vemos… Os últimos da Terra jamais passam mensagens que são consideradas como de grande sapiência ou sublimidade… Este é o primeiro comentário que gostaria de fazer a respeito de sua pergunta.

Segundo: não existe Portugal, Brasil, América ou qualquer outro país. Aliás, não existe nem mesmo o planeta Terra: tudo isso é ilusão.

Que o dia virá, isso é certo, mas saber quando e como isso acontecerá, ninguém pode saber. Se nem Cristo, o Messias se arriscou a dizer quando, como ou aonde o dia chegará, como podemos saber?

Terceiro comentário… Você, subliminarmente, afirmou que com a vinda do Cristo acabariam as catástrofes e os desníveis sociais. Bolas, se ele fará isso no seu retorno, porque não acabou logo com tudo isso já dois anos atrás?

Não, ao invés de atacar os tiranos e os iníquos que criam os desníveis sociais, ele compactou com as prostitutas e os cobradores de impostos. Quando perguntado porque agia daquela forma, ele disse: eu vi para os doentes e não para os sãos.

Será que se ele voltasse agora ia se desdizer e agir em prol dos que se consideram sãos: as vítimas, os oprimidos, etc? Claro que não… Então, se ele voltasse não seria para acabar com situações como estas…

O que estou comentando é que nas mensagens ditas espirituais existem certo detalhes que se levados à luz fria dos ensinamentos, perdem o sentido que hoje se dá a estas informações…

Lembre-se sempre: Cristo disse que devemos amealhar bens na Terra e não no Céu. O bem celeste é o amor e o bem material é o prazer e a satisfação de ver nossos anseios humanos serem atendidos…

Se isto é verdade, Cristo, se voltasse, nos ensinaria a amar incondicionalmente e não se preocuparia em se tornar agente de felicidades materiais.

Quanto ao portal novo que a psicografia afirma estar se abrindo, sim: todas as doutrinas falam disso. Estamos num período de transição e quando ele for completado, nada mais será igual.

Esta mudança, no entanto, não se refletirá nas coisas do mundo material, mas nas provações dos espíritos.

Participante: A questão dos espíritos se manifestarem como santos, reis e rainhas, não seria uma necessidade para nós humanizados crermos no que estão dizendo? Não é a mesma coisa da época de Jesus, onde foi preciso que ele fizesse milagres e que morresse na cruz para que a palavra dele fosse ouvida?

Tudo que acontece na vida é uma prova. Portanto, o teor das psicografias e quem as assina são provações.

Sendo assim, eu diria que, estas nomeações – e, ainda dentro deste tema, acho engraçado que em O Livro dos Espíritos todos os espíritos que ditam mensagens são franceses; não existe um brasileiro lá – mais do que lhe ajudar ou transmitir ensinamentos, na verdade, estão criando a sua prova. Quando passa a acreditar em uma mensagem porque ela foi escrita por Santo Agostinho, um espírito que você acha santo, se esqueceu de Deus.

Cristo diz que nós devemos nos relacionar com Deus diretamente. Sendo assim, não devemos nos relacionar nem com ele, que dirá com outros que, segundo vocês, estão hierarquicamente subordinados a ele…

Sabe, concordo até com você que haja alguma intenção neste sentido nas nomeações que Deus cria para as psicografias que Ele emana, mas por trás delas sempre encontraremos o Senhor criando uma prova para os espíritos.

Participante: Se a lei é amar a Deus sobre todas coisas e o humanizado não sabe o que é o verdadeiro amor, já que por sua natureza vivencia o amor egoísta e não o universal, se cria um impasse. Como sair disso?

No â,ago de sua pergunta está o que estou dizendo hoje o tempo inteiro: vocês querem fazer algo, querem realizar alguma coisa… No ego humano há sempre a necessidade de realizar alguma coisa…

O impasse que você diz existir acontece apenas porque quer amar, quer realizar o amar universalmente, mas acredita que não pode fazer isso porque o seu ego é fundamentado no individualismo.

Responda-me: você sabe que os amores que vive hoje são egoístas? Então, não acredite que as ilusões que o ego cria são amores. Com isso, estará amando universalmente…

A elevação espiritual é o contrário do que vocês imaginam. Ela não é uma realização de construção, mas de libertação. Ela acontece quando no seu ego você tem a consciência de não saber o que é amar, apesar dele ainda afirmar que ama qualquer pessoa, e você não deixa o seu coração vibrar dentro desta sintonia. Ela ocorre quando o ego lhe diz que você está tendo raiva e você não deixa o seu coração vibrar junto com esta sensação…

Veja bem: se você não sabe amar, mas sabe o que é não amar, liberte-se de tudo que é não há amor. Assim estará realizando o que tem que realizar…

Volto a dizer… As perguntas de vocês estão sendo praticamente o tempo inteiro guiadas pela ânsia de realizar, de construção algo, de executar alguma coisa…

Não importa quantas vezes vocês mudem o objeto, enquanto a pergunta se fundamentar numa ânsia de agir, eu terei sempre que dizer que evolução espiritual não se dá por construção de nada. Cristo se libertou do mundo, se libertou das supostas obrigações de agir em um determinado sentido (de ter que, como Messias, libertar o povo de Israel do jugo dos romanos) e você quer continuar preso ao mundo e construir alguma coisa em benefício da humanidade?

Mas, apesar de imaginar que porque estou falando em não fazer nada, você não tem nada a fazer, está enganado. Você tem muito a fazer: tem que estar vinte e quatro horas por dia vigilante sobre o que o ego produz para se libertar da ânsia realizar materialmente alguma coisa…

Quando conseguir os frutos desta vigilância, ou seja, libertar o seu coração desta ânsia, estará amando, sem jamais ter construído a ação de amar. Isto porque, na Realidade, você, o espírito, já está amando… Você só tem a ilusão de não estar. Quando se liberta da ilusão, da idéia de que a ilusão é uma realidade, volta à sua essência que já é amar.

Mas, que trabalho, então, deve fazer para vigiar o ego? Aquele que já falei hoje: assistir a sua vida. Esta é a única coisa que você tem que fazer…

Participante: Assistir a vida é uma ação?

Grande pergunta…

Quando se fala em agir, temos três formas de realizar: a ação física, a omissão e a não ação. A ação é o ato de agir material ou racionalmente; a omissão é o ato de não agir para fazer alguma coisa material ou racionalmente; a não ação acontece quando para você agir ou não agir física e materialmente não tem importância.

Teoricamente falando, eu diria que a não ação, ou assistir a vida, é uma ação. Teoricamente, porque, na prática ela não é, já que não envolve uma atividade física ou mental, mas se trata de uma ação sentimental. Ela é uma ação porque precisa existir uma movimentação sua, mesmo que apenas sentimental, quando o personagem que você vivencia age ou omite-se física e mentalmente.

Mas, a não ação também se distingue da não ação ou da omissão em outro aspecto: no que fazer. A ação e a omissão são formadas por múltiplas formas, enquanto que a não ação consiste-se em sempre fazer a mesma coisa. A não ação, na verdade é uma ação continuamente de numa nota só o, ou seja, vivenciá-la é sempre não se importar se agiu ou omitiu-se física e mentalmente. Mas, não esqueça: este não importar se faz no coração, nos sentimentos e não na razão…

Respondendo-lhe agora, digo que sim, assistir a vida é uma ação, mas uma ação espiritual, não material não racional, não conhecida pela consciência nem com movimentação de o corpo e justamente por isso Buda e Krishna a chama de não ação.

Participante: Observar as reações do ego e não se identificar com elas e nem com as sensações que ela provoca. É isso?

Isso: observar com o coração as sensações do ego e não se identificar sentimental elas… Volto a dizer: isso é uma ação, mas como ela não acontece nem no físico nem no mental é chamada de não ação.

É difícil explicar certas coisas para vocês que presos a conceitos dualistas e à ilusão como realidade…

Participante: Entendo que os espíritos que viveram Cristo e Hitler, apesar de criados na igualdade, ambos ignorante, se humanizaram com base na consciência espiritual desenvolvida por cada um. Pergunto: como associar isso com o dito Deus dá a cada um segundo suas obras.

Simples: quem morreu no campo de concentração? Aqueles cuja obra esta de acordo com este acontecimento. Quem foi curado por Cristo? Aqueles cujas obras levaram a vivenciar esta situação… Pronto, associei…

Tanto isto é verdade que Cristo afirma que não cura ninguém, mas que a fé o curou. Ou seja, como resultado de suas obras aqueles mereceram ser curado.

Veja, é fácil associar isso, mesmo dentro das existências a que você se refere: é preciso haver um Hitler porque existem espíritos que de acordo com a sua sobras merecem morrer uma câmara de gás; é preciso haver um Cristo porque existem espíritos que por suas obras merecem receber a cura. Atente-se apenas que ao falar de merecimento não estou julgando méritos da questão, mas apenas falando em simples reação à ações anteriores.

Agora, você falou que Cristo e Hitler são espíritos que desenvolveram seus egos de acordo com a sua consciência espiritual. Com isso está fazendo uma confusão…

Ao dizer que a personalidade humana é condizente com a elevação espiritual do espírito, você está querendo dizer que o espírito de Jesus era mais “limpo” do que o que viveu Hitler, mas, quem disse que este espírito é mais “sujo” do que o outro? Krishna nos ensina:. Não se pode conhecer o espírito pela personalidade humana que ele vivencia.

Qual o maior apóstolo de Cristo? Judas… Este personagem que até hoje é chamado de “mal” – o papa inclusive fez um discurso acusando-o de muitas coisas – foi vivenciado por um espírito puro…

Foi o “mal” vivido por um espírito puro. Mas, se você analisar a história dentro da sua na sua linha de raciocínio, o personagem Judas teria que ser ligado a um espírito extremamente sujo, negativo.

Participante: Eu falo exatamente o contrário do que o senhor está dizendo. No início da minha pergunta falei que os espíritos de ambos os personagens foram criados na igualdade…

Sem, você fala que eles foram criados na igualdade, mas diz durante o texto que as consciências humanas estavam de acordo com o nível atual do espírito. Não é isso que você fala? “… com base na consciência espiritual até então desenvolvida”.

Ou seja, está dizendo que o espírito que viveu Hitler tem uma consciência não desenvolvida, enquanto aquele que o que viveu Cristo tinha uma desenvolvida. Isto não é verdade: o desenvolvimento das consciências são meras ilusões…

Como disse, no Universo Uno, Único e Estável não pode haver mudanças. Sendo assim, as duas consciências espirituais estão sempre no mesmo nível. A ilusão pode ser diferente, mas a ilusão não existe: é apenas uma ilusão…

O que estou querendo dizer é que a idéia que você tem, que afirma que Hitler era “mal” leva a idéia de que o espírito que vivenciou este personagem tinha uma consciência não desenvolvida. Isto não é Real…

O que quero deixar bem claro é que não podemos dizer que o espírito que vive um personagem que seja considerado pela humanidade como um bandido, em sua consciência primária, não é menos evoluído do que qualquer outro que tenha uma existência carnal santificada… Como disse, a Estabilidade e a Unidade universal não permite que exista um que seja, na Realidade, “melhor” ou “pior”, “mais” ou “menos”…

Sabe, existe muito guru na ação, no personagem, que precisa libertar-se da busca da fama, da necessidade ser elogiado. Por fora são elementos aparentemente “santos”, mas por dentro são espíritos vivendo ilusões extremamente egoístas…

Portanto, não podemos julgar o espírito pelo personagem que vivencia. O espírito que viveu o Jesus, Cristo e Hitler são todos em essência iguais e sempre continuarão a ser, mesmo que vivam ilusões diferentes.

Participante: Eu poderia hoje, na minha atual consciência primária, encarnar um personagem que poderia fazer os feitos de Jesus Cristo?

Claro que sim… Se for este o teatro que Deus escolher para suas provas…

Sim, é teatro… Jesus Cristo não fez nada, não existiu: é uma ilusão criada por Deus. Existe um espírito que viveu a personalidade Jesus; existe um espírito que vive aquele que vocês chamam de Cristo, mas nem Jesus nem Cristo existiram na Realidade…

Sim, você pode ter um personagem que vivencie atos físicos idênticos aos que eles ilusoriamente fizeram…

Deixe-me dizer uma coisa: há algum tempo me perguntaram sobre outras encarnações de do espírito que vivenciou o personagem São Francisco. Eu não respondi a esta questão, disse que não ia falar sobre o assunto.

A pessoa, então, me perguntou porque não falaria. Eu respondi: você não acreditaria em mim se eu dissesse que o espírito que viveu a vida chamada São Francisco já encarnou como bandido…

Saiba: o espírito liberto da ação do dualismo não pede para viver um personagem puro. Ele diz: Senhor, fazei de mim instrumento da sua vontade… Se a vontade de Deus é que este espírito encarne um personagem que realizará no teatro da vida o assassinato de milhares de pessoas, ele dirá “louvado seja o Seu nome” e se entregará a esta ilusão…

Sabe, tudo na vida é teatro. Sendo assim, tudo que Jesus Cristo fez ou tudo que qualquer mestre tenha feito, pode ser feito por qualquer ego. Para isso é apenas preciso que Deus emane esta ilusão como missão ou prova para um ser universal.

Participante: não precisaria eu para tal feito ter uma ligação íntima com a primeira consciência por interrogação

Não. Veja, vida odiados. Jesus Cristo não faz nada, deus é que fez. Se deus quiser, ele fez e se o espírito for mais apegada matéria, ter aquele monte de seguidores atrás de uma grande prova.

Participante: Perguntei se os atos de Jesus Cristo podem ser feitos por qualquer espírito e não por qualquer ego…

Tudo que é feito é ilusoriamente realizado por egos, porque o espírito não faz nada que seja material. E, tudo que é feito por qualquer ego será vivenciado pelo espírito que Deus assim declarar que deve vivenciar.

Portanto, qualquer espírito pode viver uma personalidade destas, se Deus assim fizer acontecer.

Participante: O que o senhor acabou de falar, me leva a pensar em um fenômeno que tenho observado. Aparentemente não existe relação direta entre a elevação do espírito e as reações do ego. Mas, por outro lado, percebemos também que algumas características que o ego manifesta são do espírito. O senhor poderia se estender um pouco mais sobre isso?

Posso. Para isso, vamos aproveitar como exemplo o que foi falado agora, ou seja, a hipótese de você viver as ações praticadas por Jesus Cristo…

Você disse que o ego tem algumas características do espírito: isso é verdade. Realmente o ego tem características do espírito. Deus cria os novos egos com características da crença ilusória atual do espírito sobre si mesmo. Não é o espírito que faz isso, mas sim Deus…

Fixando-nos neste aspecto, teríamos que dizer que não é qualquer espírito que pode viver as ações praticadas pela personalidade Jesus Cristo. Um espírito não evoluído (muito preso a ilusão do dualismo), por exemplo, não poderia viver uma vida Jesus Cristo. Mas poder…

Isto porque a característica que o ego tem é algo interno e não externo. Para você melhor compreender, eu darei um exemplo.

O espírito não evoluído poderia viver todas as ações externas, ser reconhecido por atos externos como foi Jesus Cristo, mas internamente ter uma característica da ilusão a que está preso: o prazer de ter realizado aquilo. Este prazer de realizar, que é uma das “Quatro Âncoras” que já conversamos (a busca pela forma pelo elogio) é interno e você não constataria a existência disso nele.

Exatamente por não ver esta característica intrínseca, ou seja, julgando apenas o externo, você poderia dizer que se trata de um espírito puro, mas não é. Ele está preso ao prazer de ser considerado como “santo”.

Então sim, o ego tem intrinsecamente elementos que o espírito ilusoriamente acredita ter. Mas, estes elementos não são perceptíveis a outros egos. A presença deste elemento interno em nada afetaria a participação deste personagem na obra geral, na ação carmatica que os demais espíritos precisam vivenciar…

Por que? Porque o processo de evolução espiritual é de foro íntimo… O espírito que vivesse esta vida Jesus Cristo deveria lutar, no seu íntimo, contra a fama. Não é necessário que Deus dê às demais personalidades que representam os seguidores deste “homem santo” o conhecimento desta luta interna. Até porque, se desse, pensando dentro de uma lógica material, seus seguidores o abandonaria e com isso não haveria mais provação para este espírito.

Então veja… O que você falou está certo: no ego existem características da ilusão que o espírito vivencia naquele momento, mas estas características existem apenas no mundo interno de cada um e ninguém pode vê-las… Aliás, mesmo que quisesse descobrir o íntimo dos outros, você não pode, pois a compreensão que o ego que está vivenciando hoje tem sobre os outros é Deus quem cria e não você que a alcança espontaneamente.

Já que estamos falando de mundo intrínseco de cada um, deixe-me lhe dizer que estas compreensões que Deus dá ao seu personagem também estão ligadas à características ilusórias que o ego tem sobre si mesmo. Ou seja, também estão ligadas à sua prova, ao seu nível de elevação também.

Sendo assim, você jamais teria como descobrir se aquele espírito é realmente simples ou não, pois a sua compreensão sobre ele dependeria de sua própria elevação espiritual.

Resumindo: tudo que vocês chamam de viver, de reconhecer o que está acontecendo, ocorre nos campos mental, emocional e sentimental e estes campos não são perceptíveis no mundo externo. Até porque o mundo externo não se percebe por si mesmo: recebe-se as percepções de Deus, assim como também as conclusões… Tudo isso regido pela lei que já falamos hoje: Deus dá a cada um segundo as suas obras.

Acho que agora ficou claro, não?

Aproveitar o que já tinha sido comentado apenas para se entender o processo. Com isso não quis dizer que Jesus ou Cristo não foram personagens por espíritos libertos da ilusão…

Com este esclarecimento, reforça-se, ainda, o ensinado por Krishna: não dá para se falar de um espírito observando-se a personalidade humana que ele vivencia. Qualquer espírito, mesmo o mais preso à ilusão dual, pode viver um personagem considerado “santo” sem que isso denote a sua elevação espiritual.

Se isto é verdade, posso dizer que qualquer espírito, inclusive o mais puro (mais liberto das ilusões) pode vivenciar um ego considerado “mau” ou “errado” sem afete a sua elevação espiritual já atingida.

Participante: Ego: sou o bonzão, sei de tudo, quero tudo. Quero possuir tudo até o conhecimento, a felicidade e a caridade… Minha razão compreende isso e diz que realmente quero não me prender a nada disso… Mas, engraçado, isso também é ação…

Exato…

Veja, para você só o que lhe é consciente existe, mas tudo que lhe é consciente é do ego. Então, tudo que existe para você, será uma criação ilusória do ego e não uma Realidade. Por isso é que falei da não ação como um meio termo para ser aplicado entre a omissão e ação.

Não importa o que você esteja vivenciando, assista apenas, ao invés de vivenciar. Quando achar que está assistindo, assista este achar, porque este achar que está assistindo também é do ego.

Ou seja, é o que já lhe respondi anteriormente: relaxe e goze, pois não há nada a ser feito.

Viva… Viva o que tem: se tiver raiva tenha, se não tiver, não tenha, mas não se preocupe com as coisas.

Participante: Para mim esta coisa de ego é complexa. Apresenta-se como se fosse um espelho na frente do outro.As imagens vão se refletindo eternamente…

É exatamente isso… Mas, o mais importante: enquanto encarnado tudo será o reflexo de um espelho.

Então, não importa se você já se liberou do reflexo de cinqüenta espelhos, ainda está vendo apenas reflexos. Esta é a consciência para quem quer elevar-se: tudo é reflexo, nada é Real…

Participante: Se Hitler foi um missionário, porque autores espiritualistas dizem que ele está nas trevas?

Para manter a idéia do “bem” e do “mal”.

Autores espirituais não são santos, são egos que servem como instrumentos do seu carma. Autores espirituais não escrevem nada: é Deus quem escreve e dá a um determinado espírito a idéia de estar escrevendo. Tudo faz parte do carma.

Mas o que é o carma? Isso é algo que nos esquecemos sempre…

O carma foi criado lá no Adão e Eva. Ele passou a existir quando você comeu o fruto do conhecimento, o saber, e por isso passou a julgar o “bem” e o “mal” no que acontece na sua existência.

Um autor espiritual que escreva que Hitler é “mal” ainda, é um ego que comeu a maçã, ainda é humanizado: sabe distinguir o “bem” do “mal”. Mas veja, ele é um ego e por isso tem que distinguir entre o “bem” e o “mal”. Por que isso? Para ver se você abre mão de comer a maçã ou não.

Sendo assim, figurativamente, de que posso chamar estes egos? A cobra…

Estes egos são a cobra que estão lhe oferecendo conhecimento: “Hitler está até hoje nas trevas; como a isso, saiba disso”. Se você comer, na próxima vez que ver Deus, sairá para se cobrir porque terá a consciência de que está nu…

Participante: O senhor pode exemplificar a função espelho?

Sim…

Função espelho é quando a sua esposa lhe diz “não faça isso” e você fica com raiva dela, porque acha que está fazendo o “certo” e imagina ela não tinha o direito de falar isso…

Aí está um exemplo da função espelho: ela, ego, está lhe mostrando uma verdade, um achar, que você está acreditando que é “certo”. Olha que grande exemplo de função espelho…

Participante: Estas suas colocações vão demandar algum tempo para serem digeridas tendo em vista que elas colocam tudo de pernas para o ar…

Sim claro…

Aliás, você não vai digeri-las: não é o ego que chega a compreensões, mas Deus é quem dá a ele a idéia de ter compreendido. Portanto, você só compreenderá o que estou dizendo quando Deus criar a idéia de você ter compreendido.

Então, relaxe… É o que estou dizendo tempo inteiro: não queira compreender o que estou dizendo…

Se já falamos há tanto tempo as mesmas coisas e até hoje você ainda não conseguiu compreender, é sinal de que não é para ser compreendido, pois se isso fosse possível, você já teria compreendido antes. Então, o que digo não é para compreender, mas para apenas se constatar que estou falando determinadas coisas…

Além disso, apesar de que o que digo o colocar tudo de pernas para o ar, o chão desta nova construção é sólido. Volto a repetir: faz oito anos que conversamos e nunca disse uma coisa que não estivesse embasada no ensinamento de algum mestre.

Participante: Desde criança trabalho com música. Desde que comecei, os aplausos tiveram o mesmo valor que as críticas. Quando toco nunca senti que fosse eu: sou um ouvinte, com a diferença que estou executando um instrumento. Parece que me sinto bem com seus ensinamentos, embora ainda eu ainda não os tenha assimilado… Comente isso, por favor…

Se o aplauso e a crítica para você não fazem diferença, é sinal de que esta não é sua prova. Mas, ser apaixonado pela música é…

Achar que a música é bonita, importante e que tem que existir é sua prova. Achar que você tem que tocar é. Achar que você faz música é. Achar que existe música, é…

O que não é importante para você não é sua prova: só isso. Não há glória alguma nisso.

Isto porque, o aplauso a música, na verdade, não é importante para você, espírito. Foi Deus quem criou esta importância que você imagina ter sido gerada por você… É por isso que afirmo que esta é uma das suas provações… É onde as coisas são importantes que você tem que trabalhar.

Já falamos na busca da fama como elemento de provação para o espírito, mas ara você parece que não é esta a sua prova. Pode ser para muitos, mas para você parece que não é…

Mas, apesar disso, existem outras provas que lhe são específicas. A crença na necessidade e na importância da música; a idéia que tem de que é capaz de fazer música e de que não é você que está tocando… Estas são suas provações…

Tudo o que você acredita racionalmente, positiva ou negativamente, é sua prova. Isso porque não acreditar em uma crença. Tudo que não lhe afete o coração, não é sua prova, mas tudo aquilo em que você acredite sentimentalmente é…

Participante: Um dia, um cientista me disse que o homem se contenta em dizer que é um animal racional quando poderia almejar ser um ser consciente. Comente isso, por favor…

Cometo com a seguinte frase: vocês se contentam em ser seres humanos que exercem atividades espirituais, quando deveriam se tornar conscientes, ou seja, ter a consciência de que são espíritos tendo experiências materiais.

Participante: Mas, como o senhor já disse, somos cegos… Então não temos que saber ou deixar de saber nada…

Sim, levando para o lado racional você está certo, mas estou falando em saber ou não no coração. Quando me dirijo a espíritos, falo em coração e não em razão…

Portanto, no coração, você deve saber que é um espírito vivendo experiências humanas e por isso deve apenas amar, ao invés de sentir-se um ser humano que ama apenas nos momentos em que fazer isso lhe traz vantagens… É isto que digo, mas vocês preferem sentir-se um animal racional, ou seja, um animal que possui razão, do que alcançar amar incondicional…

Agora, isso não é “mau” nem “bom”, “certo” ou “errado”. Isso é o que é: a prova de vocês.

Participante: Qual o ditado correto: o que os olhos não vêem o coração não sente, ou o que o coração sente os olhos não vêem?.

O que o coração sente os olhos não vêem… Isto porque os olhos são a porta da entrada da razão.

A percepção jamais alcança o que o coração sente. Se alcançasse, deixaria de ser razão e passaria a ser sentimento.

Participante: O senhor disse que a avareza que o ego está criando não é do espírito, mas a forma que Deus escolheu para que este você vivenciasse um gênero de provas. Até agora eu tinha entendido que o espírito, de posse da sua consciência espiritual, é quem escolhia o gênero de provas e Deus se encarregaria da encenação correspondente a este gênero. Mas, quando o senhor disse que avareza foi a forma que Deus escolheu, eu fiquei confuso. disse Pode, por favor, esclarecer…

Posso…

Quais são os gêneros de prova que o espírito escolhe? Sem compreender bem este aspecto não podemos comentar o assunto…

São três os gêneros de provas: posse material, posse moral e posse sentimental. Estas três possessões formam todos os gêneros de prova que estão à disposição do espírito para escolha.

Sendo assim, ele escolhe, por exemplo, combater a posse material e Deus designa para este espírito a avareza como um dos elementos para se combater esta possessão. Ele escolhe esta sensação como elemento para se combater a posse moral, pois ela, quando exercida sobre uma paixão (um elemento material), está vinculada à possessão material.

Depois de escolher esta sensação, Deus, então, escolhe a paixão, ou seja, o objeto material para o qual a avareza será direcionada. Ou seja, escolhe onde o ego sentirá avareza…

Sendo assim, o espírito escolhe libertar-se de possuir sentimentalmente um elemento do mundo (posse material) e Deus lhe diz através de que sensação ele fará a sua provação. Isso porque o despossuir materialmente não está necessariamente vinculado à avareza. Existe ainda a soberba, a busca de acúmulos de bens, etc…

As posses são os elementos disponíveis para a escolha do espírito. Não é à toa que Cristo disse ao homem que já praticava todos os ensinamentos que deveria doar tudo que fosse seu…

A possessão, independente da sua forma for, é o fruto do egoísmo. Ela pode existir através de diversos sentimentos, mas o que estará sempre em jogo para o espírito é a libertação da possessão e não do sentimento…

Participante: O que tenho percebido é que cada coisa que sei a partir do que o senhor fala, só serve para mim é aprisionar e me encher de obrigações. Então estou em um momento de desacreditar de tudo que eu sei. Mas que coisa difícil é essa de ser feita…

Sim, tudo que você sabe cria uma prisão, pois o ego é dualista. A partir do momento que Deus dá através do ego a compreensão de algum ensinamento, automaticamente, Ele cria, também através do ego. o oposto.

Deus lhe dá a compreensão de que deve se libertar da verdade, mas Ele lhe diz mais do que isso: diz que não deve se prender. Ou seja, de uma prova nasce outra…

A cada ensinamento compreendido, surge uma nova provação. Isto é algo que venho tentando lhes passar a muito tempo e por isso venho dizendo: não tentem compreender o que digo; apenas ouçam. Faça as perguntas que fizerem sem se preocuparem com isso, já que não há nada “errado” ou ridículo, mas não tentem entender o que quero dizer quando respondê-las…

Participante: O senhor diz para não buscarmos entender, mas quem executa esta busca não é o ego?

Sim, quem busca entender é o ego. Ele sempre gerará uma nova compreensão, já que esta é a sua função, mas você não comprometa seu coração com isso.

Espiritualmente falando, vibrar o coração com a certeza de saber alguma coisa, é uma compreensão…

Participante: Não se pode vibrar com isso então?

Não, o coração tem que estar apático às coisas do mundo e às compreensões que o ego alcança…

O coração tem que estar sempre equânime, ou seja, sem diferença de emoções. Sendo assim, cada compreensão, cada resolução, cada certeza que o ego chega, lhe gerará uma nova prova, ou seja, uma nova oportunidade para exercer o seu livre arbítrio e optar por manter-se afastado da emoção de saber… É a história antiga que já falei sobre ter o conceito de que não pode haver conceitos.

Então, não se importe com a compreensão que aconteça ou se não alcança nenhuma: não comprometa seu coração com o que o ego gera.

Participante: Em outro momento chegamos à conclusão de que Deus é nos dá as provas. Há como conceber os ensinamentos que o senhor nos traz sem a idéia da vida como provação?

Não, não há como conceber o ensinamento que trago sem a idéia da provação. Mas também trago dentro do ensinamento a idéia de que a provação é do espírito para o espírito e não para Deus.

O espírito precisa provar a si mesmo e não a Deus se aprendeu determinado assunto, aprendeu determinado despossuir. Em O Livro dos Espíritos, este assunto está bem claro. Quando se pergunta se já que Deus é Onisciente, o que temos que provar a Ele, a resposta é: o espírito não precisa provar nada a Deus, mas a si mesmo.

Para poder lhe explicar isso de uma forma mais fácil de compreender, vou usar o seu próprio exemplo durante a vida carnal. Nesta existência, você estudou bastante, fez até a faculdade, mas durante este período, quantas vezes achava que sabia uma matéria e chegou na hora da prova viu que não sabia? Teve, então, que voltar a estudar tudo de novo.

É a esta provação que me refiro: você, espírito, se certificar de que realmente aprendeu um despossuir espiritual ou se a idéia de ter aprendido é apenas uma ilusão.

Participante: Eu particularmente acho que não há problemas em ter compreensões do que o senhor nos ensina… Imagino que o que não se pode fazer é prender-se a estas conclusões como verdades absolutas…

Nem como verdades…

Saiba que para o ego humano não há como distinguir verdades absolutas e relativas. Ele só trabalha com verdades relativas, mas acredita que todas elas são absolutas…

A verdade relativa não é uma verdade, mas uma crença individual. Além do mais, ela não é eterna, mas algo que só é verdadeiro por determinado tempo.

Portanto, mesmo que o ego gere compreensões, você não pode deixar o coração vibrar na ansiedade e na excitação de ter aprendido, na certeza de agora saber. É isso que ensino…

Participante: Quando estou com outra pessoa, estou tendo formações mentais a respeito desta pessoa. Isso gera um carma para mim ou é um carma para a pessoa?

Quando você cria formações mentais a respeito de outra pessoa, na verdade não está criando formações mentais a respeito de ninguém: Deus está dando ao ego estas formações mentais. Ao fazer isso, Deus está lhe dando a sua prova.

Saiba sempre que no final, é tudo entre você e Deus. Não importa o que você pense sobre qualquer um, o que existe é sempre uma provação dada por Deus para ver se você vai acreditar sentimentalmente naquela idéia ou se manterá seu coração no amor.

Acredito que você me faz esta pergunta porque existe no mundo material a idéia de que você projeta formações mentais contra outros. Mas, isso é ilusão. Você não pode emitir formações mentais contra o outro, porque as formações mentais fazem parte do mundo interno de cada um e não podem ser percebidas pelo externo.

Na verdade o que você pode mandar para outro ser é energia, sentimento. Mas, mesmo isso no mundo material não acontece. A troca de energias entre espíritos acontece no mundo espiritual e não no material…

Na realidade, você, ser humano, não manda energia: Deus lhe dá, através de formações mentais a idéia de estar mandando. Portanto, esta idéia é mais uma prova para você.

Pense o seguinte: você imagina que está do lado da sua esposa na sua casa. Acredita que vocês, ao se relacionarem, tem uma vida em comum… Mas, espiritualmente falando, vocês, espíritos, estão vivendo duas existências separadas.

As vidas humanas de vocês são duas ilusões separadas que não se misturam. Você tem a idéia de que ela lhe fala, mas não ela não lhe fala: Deus cria através do seu ego a idéia dela estar falando e de você estar a ouvindo.

A Realidade Universal é aquela que já falamos aqui comentando o livro “Nosso Lar”. André Luiz entra numa sala onde existem milhares de macas. Ao observar os espíritos, pelas feições destes compreende que eles estão vivenciando alguma coisa. Então, pergunta ao mentor o que está acontecendo. O mentor lhe responde: os espíritos estão vivendo as suas vidas…

Sendo assim, no momento que você pensa que está vivendo a lado da sua esposa, você, espírito, está em uma maca e ela em outra. Os dois estão, para a existência espiritual, desacordados, ou seja, sem ter consciência de estarem ao lado do outro. Aliás, podem estar em macas bem distantes um do outro…

Cada um em sua maca vive da sua vida carnal, suas projeções mentais humanas, onde pode estar a figura do outro ou não.

Participante: Não é um tanto desagradável viver a vida inteira nesta insegurança de nada saber, visto que assim só se passa desconforto e mal-estar por onde estiver? Isto não gera um carma negativo?

Não, eu acho que não… Pelo contrário, acho que quanto menos souber, mais leve de obrigações a vida fica e mais fácil ela é de ser vivida. Esta é a minha opinião…

E você, o que acha? Pela sua pergunta vejo que você acha que nada saber pode lhe causar mal-estar. Se assim é para o seu ego e se você se comprometer sentimentalmente com esta verdade, realmente será muito penoso viver assim…

Participante: Nós não temos nada a aprender, mas e o espírito, ele tem o que aprender?

Ele tem que aprender que o que ele vive não é real, é ilusão. Enquanto ele estiver preso à consciências ilusórias precisará aprender que tudo aquilo que está vivenciando é apenas uma ilusão. Só isso…

Mas, eu não diria que ele deve aprender isso. Falaria melhor: ele precisa alcançar a consciência de que tudo é ilusão, pois saber ele já sabe. Então, não é aprender, mas retornar à consciência primária que já sabe que tudo é ilusão…

Participante: Tenho procurado exercitar o amor tomando a postura do não julgamento. Tenho conseguido uma certa paz com isso. Esta paz é real?

Você tem consciência desta paz? Você tem consciência de que está exercitando o não julgamento e por isso está tendo paz?

Participante: Simplesmente faço…

Mas tem consciência que faz? Sabe que está fazendo? Sabe que o resultado do que faz é a paz? Sendo sim a sua resposta, afirmo que esta paz é ilusória, é criação do ego.

Tudo que lhe vem ao consciente é uma prova, ou seja, esta a paz que o ego está dizendo que você está sentido é uma prova para ver se você acredita que está conseguindo alguma coisa…

Não, assistir a vida não é se libertar das coisas ditas erradas e viver como real as coisas que acredita como certas. Assistir a vida é assistir a todos os a todas as formações mentais e não vivenciá-las sentimentalmente.

Participante: E o fato de eu não julgar?

Neste caso, se você tem consciência que não está julgando, quem não está julgando é o ego e não você. Você está achando que ele não está julgando, mas está, pois sabe que não está julgando.

Veja… Para saber que não houve um julgamento, é preciso que você julgue o que aconteceu naquele momento. Portanto, quando você toma consciência de que não julgou, esta consciência já foi fruto de um julgamento. Você só acha que isto não foi um julgamento porque o que ele decretou foi que você não julgou.

É isso que estou querendo mostrar: não importa o que o ego crie, você tem que se libertar de tudo, inclusive da idéia de você não está julgando, porque esta idéia de não julgar é fruto de um julgamento.

Participante: Como amar esta ilusão que é a minha companheira nesta vida, se nem comigo ela está… Gostaria de amar esta pessoa, espírito ou qualquer coisa que está ao meu lado… Se nem a minha companheira eu posso amar, como amar ao próximo?

Você quer amar sua companheira material? Ame a figura dela que existe dentro de você… Isso porque sua companheira só existe dentro de você mesmo…

É o que acabei de responder: você é um espírito deitado numa maca achando que está convivendo com outro espírito que pode estar em outra maca bem distante, inclusive em outras cidades espirituais…

A vida humana é um ato isolado: você vive a sua vida isoladamente com você mesmo. As pessoas que o ego cria como percepções, só existem dentro de você. Quando você quer amar a sua companheira, está buscando se amar. Isto porque quer amar alguém que está dentro de você.

Agora, se você me diz que amar aquele espírito esqueça que este ser é sua companheira nesta vida, porque não é. Esqueça que ela divide a vida com você, porque ela não divide.

Amá-la espiritualmente é ao contrário de amá-la como companheira. É amá-la como irmã espiritual. E para amá-la espiritualmente, você não pode ter companheirismo algum por ela…

Sabe, o a amor que vocês querem dedicar a outras pessoas ainda é material, pois como você disse, quer amar a companheira da sua vida e não aquele espírito por si. Amando dentro desta condição, deixará de amar outras pessoas, aquelas que não são sua companheira.

Veja… Você tem que amar a todos de forma igual. Se isso é verdade, como pode, então, querer amar alguém especificamente. Fazendo isso não conseguirá amar igualmente a todos…

Por favor, ponham pois isso na cabeça de vocês: a evolução espiritual ou vida – já que evolução espiritual e vida são sinônimos – é um ato solitário. Por mais que você perceba que está cercado de gente, essas pessoas só existem dentro de você. Elas não existem fora. Sendo assim, você não está convivendo com uma pessoa externa, mas sim com a imagem daquela pessoa que está dentro de você.

Participante das. Porque Jesus disse para não julgarmos o próximo? A partir do que o senhor ensina, nunca conseguiremos isso…

Conseguirá sim…

Observe: ele disse para não julgar, mas também disse para amar. Se você não consegue com a razão parar de julgar, com o coração ame…

Realmente em seus ensinamentos Cristo disse para não julgarmos, mas se pegarmos o Novo Testamento em qualquer dos seus evangelhos, o mestre julga a todos. Repare que todas as palavras atribuídas a este personagem são sempre de acusação a um procedimento humano. Isso não é julgamento?

Aí você me dirá: ele podia porque sua envergadura moral, porque é um espírito mais elevado… Esta não é a Verdade…

Ligando o não julgar ao amar, podemos compreender que o mestre se referia a uma atividade sentimental e não racional. Cristo ao proferir todas as palavras que aparentemente traduzem em si mesmas julgamentos, no seu coração não estava julgando ninguém. Sentimentalmente ele vibrava amor enquanto que o personagem servia de instrumento para trazer as palavras que eram necessárias…

Isto por si só responderia sua pergunta, mas vou mais adiante: o que é não julgar ninguém pelo coração? É não ter uma emoção diferenciada por ninguém.

Quando você tem uma emoção diferenciada por um determinado ser, como, por exemplo, a que expôs na pergunta anterior (a minha companheira), acabou de julgar. Julgou que aquela é uma pessoa importante para você, pois é a sua companheira, alguém que lhe faz bem.

O que é criticar? Dar um veredicto sobre alguma coisa, criar uma qualificação para alguém ou alguma coisa. Cada vez que você sentimentalmente distingue alguém ou alguma coisa, está julgando…

Não amar no coração é não ter um sentimento privilegiado por nada. Privilegiado positiva e negativamente. Criticar não é apenas falar mal, mas falar bem também é o resultado de uma crítica, de um julgamento…

Não ter sentimentos distintos entre todos e tudo (amar universalmente): foi isso que Cristo ensinou. Já não julgar por palavras, isso ele não pode ter ensinado porque foi só o que fez…

Ou isso, ou teremos que acreditar que Cristo era hipócrita dentro da própria definição que ele deu a este termo: aquele que conhece os ensinamentos, mas não os pratica…

Participante: Devo amar a pessoa que está dentro de mim?

Não, deve amar a Deus, mas não o ser que você acredita que Ele é, mas como o próprio Universo. Deve amar o Um, a Unidade formada pelo Todo. Saiba que o amor privilegiado por alguém, mesmo que seja o Senhor, é fruto de um julgamento.

Repare: se amar as pessoas que estão dentro de você, não estará amando as pessoas que não estão…

São seis bilhões de pessoas no planeta… Será que todas elas estão dentro de você, ou seja, já passaram por sua percepção? Lembre-se que neste total ainda não consignamos os seres que não estão encarnados e nem aqueles que vivem fora do planeta…

Será que todos os incontáveis seres estão dentro de você? É claro que não… Então, se você amar apenas os que estão dentro de você ainda terá distinções sentimentais entre seres…

Agora, se você amar o Todo fundido na Unidade, ou seja, o Um, estará amando a todos… Por isso, ame o Universo e não as pessoas…

Participante: Joaquim, o que você está fazendo dentro da minha cabeça?

Não sei, você que é que me pôs aí…

É, ainda tem mais esta… As pessoas só existem dentro das cabeças de vocês, mas se infiltra aí: vocês é que as colocam lá…

Participante: Dá para definir neste estágio de consciência que estamos o que é felicidade para o espírito?

Boa pergunta… Mas, para que eu possa respondê-la, antes me diga: a que nível de felicidade você está se referido?

Participante: Só posso falar do nível que conheço pelo ego desta encarnação… Por esse estou lhe perguntando se dá para definir o que é felicidade para o espírito, já que certamente não é a mesma coisa que a felicidade para mim ego…

A felicidade para você, espírito, hoje é o que é felicidade para o ego. Por que digo isso? Porque o espírito está ilusoriamente achando que é o ego e vivencia ilusoriamente como real tudo que o ego cria. Sendo assim, você, espírito, é feliz hoje quando o ego lhe diz que você é feliz…

Agora, se você está falando da felicidade além do ego (universal), posso lhe dizer que qualquer definição que crie para esta sensação ainda será uma ilusão que o espírito vive enquanto está amando. Eu disse no início da conversa de hoje: felicidade, paz e harmonia, na verdade, é amor. Isto porque no Universo Uno, Único e Estável só existe o amor.

Então, o que você chama de felicidade, seja o nível do ego ou do espírito em qualquer outra de suas consciências, é o amor, a pulsação do amor.

Sei que anteriormente falei da felicidade universal que o espírito sente, mas isto foi antes. Falei desta forma como preâmbulo para se chegar ao ensinamento de hoje.

Hoje a única coisa que posso lhe dizer é que existe o Universo, onde não há nada que você pensa existir, onde estão os espíritos, que também não são aquilo que você imagina ser, que estão apenas vibrando amor. Mas, quando falei desse jeito hoje, não mudei nada da Realidade, porque isso nunca se alterou ao longo dos séculos e nunca mudará.

Participante: Quando tenho a intenção de me colocar como instrumento de Deus para auxiliar o próximo a ter força para cumprir a sua prova e digo “louvado seja Deus, que esta pessoa consiga atingir a iluminação”, isto é válido?

Tendo esta consciência e dizendo isso com palavras, você não está fazendo nada: é o seu ego que está realizando…

Isso é válido? Se o você que está dentro desta pessoa ali estiver de um jeito positivo, será válido… Se o você que está dentro desta pessoa estiver ali negativamente, também será válido…

Krishna ensina assim: nesta senda de iluminação nada se perde. Tudo que acontece, ou seja, toda criação do ego é válida, porque esta ação está sempre dentro de um gênero de provas pedido pelo outro.

Portanto, quando o seu ego diz o que você acabou de citar, estará criando uma provação para o próximo e para você. Se Deus repercutir (der compreensão) esta percepção positiva ou negativamente em você ou no próximo, o acontecimento terá sido válido como elemento de elevação espiritual, pois é a provação sua e dele…

Agora, se você quer saber se a sua atitude é válida no sentido de “facilitar” as coisas para o próximo, lhe respondo que não, porque ninguém pode auxiliar o outro a fazer elevação espiritual. Lembre-se sempre: a evolução espiritual é algo de cunho íntimo e cada um faz a sua no momento que tiver que fazer. Você não pode dar “empurrões”…

Volto a repetir: apesar do caminho para se alcançar a elevação espiritual seja o universalizar-se, esta caminhada é individual. Cada espírito caminha individualmente para a união com Deus e ninguém pode auxiliá-lo neste momento.

Participante: Tudo bem que a elevação seja individual e que ninguém pode ser instrumento da elevação do outro. Mas, o que você está fazendo aqui? Você aqui não é instrumento da nossa elevação, não está nos mostrando caminhos para elevar-se?

Eu? Eu não estou nem aqui…

Participante: Seja quem for, você ou o ego, não está servindo de auxílio à nós?.

O eu que está dentro de você está mostrando o caminho…

Não sou eu que estou fazendo nada, mas é o seu próprio ego que está lhe mostrando o caminho. Aliás, é Deus que está lhe mostrando…

Deus está lhe falando e, ao mesmo tempo, está criando a idéia de que a figura de Joaquim está falando. Sendo assim, é Deus quem está lhe ajudando, porque ele pode, mais ninguém, porque é o único que respeita o seu livre arbítrio.

Todos os outros seres do Universo, movidos por egoísmo em qualquer grau, estarão sempre procurando lhe ajudar para o que eles querem e não para o que você quer. Só Deus é capaz de abrir mão total de seu desejo para lhe dar a oportunidade de escolher livremente o que quer.

Apesar disso ser verdade, não pense que Deus dá um empurrão, lhe facilita as coisas: Ele lhe ajuda dando as provações necessárias para a sua evolução… O Joaquim que está dentro de você é uma prova; o que você compreende que ele fala, também.

Como já me disseram hoje, a cada vez que o ego cria uma idéia, surge uma prisão, ou seja, cada vez que você compreende o que falo, uma prova foi criada. Portanto, o Joaquim dentro de vocês é apenas um instrumento para a geração de provas.

Sendo assim, a cada vez que este Joaquim lhe fala, ele está auxiliando-o na elevação espiritual… Mas, tudo o que ele fala foi Deus quem criou.

Então não sou eu que lhes auxilio, mas sim Deus. Ele pode fazer porque para isso apenas cria provas sem jamais dizer o que deve fazer…

Participante: Se eu adotar a postura de amar a todos, os que estão dentro e fora, estarei caminhando para amar universalmente, incluindo também tudo que for compreensível?

Se você adotar esta postura, será o ego que a estará adotando… O ego não caminha para elevação. Portanto, se tiver consciência de estar adotando esta postura, nada estará fazendo…

Se você, o espírito adotar esta postura, estará caminhando para elevação… Mas, se você, o espírito, adotá-la, você, o humano, não terá consciência disso.

Portanto, sua pergunta não tem resposta. Ou melhor, tem: se você tiver consciência de adotar qualquer postura, saiba que esta conclusão é apenas uma prova, uma idéia à qual não deve se apegar, acreditar como realidade…

Mas, tem uma coisa importante que quero lhe dizer neste momento. Não pense que estou brigando com você ou lhe criticando, mas repare que a cada pergunta que o seu ego cria, há a intenção de descobrir uma ação que possa ser realizada por você, ser humano, e que tenha reflexos sobre o espírito…

Repare que, a cada pergunta, mudam as palavras ou o assunto, mas no fundo você, ser humano, quer saber o que tem para fazer para que você, espírito, possa evoluir.

Participante: Desculpe, mas, segundo os seus ensinamentos, a cada pergunta ele não faz nada: o ego dele faz…

Desculpe, vou falar diferente…

Ego perceba que a pergunta você cria a idéia de uma possível ação sua que favoreça a elevação do espírito. Mas, ego, compreenda que o espírito não pode compactuar com as idéia de que você é capaz de realizar qualquer coisa. Compreenda que o espírito tem que chegar à conclusão espiritual, ou seja, sentimental, e não racional de que não há nada a ser feito…

Cristo disse: tudo está pronto. Tudo está pronto, Deus faz tudo e você ego vem buscando justificar sempre com alguma palavra alguma coisa para fazer.

Não estou dizendo que você, ego, está errado; não estou dizendo que você, ego, é “mal”: estou querendo lhe que você não pode realizar coisa alguma, não importa o que seja.

Você, ego, sabe que não tenho meio termo e que, para exemplificar o que eu falo vou sempre aos extremos. Por isso lhe digo, que depois de eu responder tantas vezes que você não pode fazer nada, você, ego, vai acabar me perguntando: será que eu não posso realizar nem uma ação fisiológica?

Sim, é bem capaz de você, ego, chegar a este extremo porque, por causa do gênero de provações que o espírito que está ligado a você pediu, você, ego, está e extremamente preso à necessidade de fazer alguma coisa.

Quanto à você, espírito, o meu recado é o seguinte: repare no que eu acabei de falar a este ego. Agora, repare sentimentalmente…

Depois de reparar, não cai nesta armadilha, porque posso lhe garantir pelas perguntas que o seu ego me faz que esta é a sua prova… Liberte-se, espírito, da paixão pela realização material (execução de determinados atos escolhidos pela razão), pois ela é oriunda da possessão dos elementos materiais, da possessão sentimental e da possessão moral…

Participante: Pode falar da diferença de missões entre Cristo e Krishna?

Eu diria que o ego Jesus Cristo teve como objetivo falar do amor e o conhecido como Krishna falou do controle da mente. Com relação a diferença entre estas missões, só posso falar a respeito destes aspectos, que são constatados pela simples leitura, porque a intenção Real com que se cria uma missão, só Deus sabe.

Aliás, posso saber sim: criar provas. Toda encarnação missionária foi criada como prova para vocês.

Participante: O que é moral? Qual a importância dela na nossa passagem na terra. Locação

Vou lhe responder de uma forma direta. O que é moral? Aquilo que você acha que é. Qual a importância dela na nossa passagem na Terra? A que você achar que tem…

Acabei de falar que os valores que se dá aos elementos do mundo material são individuais. Sendo assim, tudo tem o valor que você der a ele.

Eu não posso lhe dizer qual o valor da moral, porque se você não concorda comigo, irá discordar. Agora, posso lhe falar a respeito da moral espiritual. Desta posso falar, pois ela é Universal, ou seja, possui um único significado para todos…

Qual a moral espiritual? Amar a Deus e amar a tudo e todos. O que imoral? Não amar.

Imoral, espiritualmente falando, é, por exemplo, você adorar a sua companheira desta encarnação. Isto é imoral, espiritualmente falando, porque fere o amor universal… Adorar um filho é uma imoralidade espiritual.

Aliás, Cristo, aquele que ensinou a moralidade amorosa, diz: enquanto você não se desapegar de seu pai, sua mãe, filhos, esposa e de você mesmo, não serve para mim.

Então, o que temos que entender a respeito de moral, é que a humana será sempre aquele que você achar que é. Agora, a respeito de qualquer coisa do espírito, amar é a única resposta real que se pode dar a qualquer questionamento.

Qual a importância da moral humana? Para mim, nenhuma, pois ela nem existe: é apenas uma verdade relativa que sumirá com a aproximação de Deus.

Participante: Como eu, espírito, tenho como saber a algum lugar ou algum feito? Estou, eu ego, confinado a viver na a insegurança e na escuridão da ignorância encarnada?

Você espírito pode saber de tudo, pode conhecer tudo. Agora, tudo que você, espírito, conhece não é consciente ao ego.

O que você está me perguntando, em essência, é diferente do que suas palavras dizem. Na verdade, você quer saber porque o ego não conhece o que o espírito sabe…

O ego não pode, por si próprio, saber o que o espírito está pensando porque ele nem existe. O ego é simplesmente um criador de realidades ilusórias. É uma ilusão que cria ilusões. Então, ele não pode saber.

Agora, você, espírito, sabe muito bem o que está fazendo. Mas, sequer saber isso na consciência humana, é impossível…

Participante: É uma louvável situação miserável da alma errante…

Desculpe, mas isso não é uma situação miserável: é uma glória para espírito. É o seu ego que está dizendo que miserável.

Você falou que o espírito está confinado a alguma coisa, mas ele não pode estar, pois é livre. Deixe-me dizer algo interessante a este respeito…

Há muito tempo atrás quando ainda discutíamos a questão do livre arbítrio, me perguntaram se o espírito mais elevado poderia ter o livre arbítrio dos atos. Eu disse que sim, ele pode ter.

Esta pessoa, então, ficou feliz em saber que alguém poderia exercer ações livremente. Aí eu lhe disse: sabe como ele exerce este livre arbítrio? Dizendo: Senhor, faça de mim instrumento de Vossa vontade. Eu faço o que o Senhor quiser… Isto é uma opção. O espírito optou por servir a Deus sem impor condições para tanto…

Sendo assim, o que você chama de confinamento (estar ligado a um ego), para o espírito é o resultado de sua liberdade de agir. O espírito ligado ao mundo espiritual dentro da Unidade, está livre, sente-se livre, inclusive de fazer aquilo que quer, que acha “melhor”…

Agora, o ego interpreta esta idéia de estar preso ao ego como confinamento. Mas, isso é o ego que está interpretando e não o espírito que está vivendo. Então, liberte-se disso também…

Não deixe seu coração sentir que o espírito está confinado em algum lugar, que ele está preso ao ego. Krishna diz bem claro: se o ego é uma ilusão e sentir-se aprisionado também, o espírito não está preso a nada. Tem apenas a ilusão de estar preso.

Participante: Desde que eu estou ligado a este ego, só poderei ver a situação miserável da alma errante, pois o ego é dominante…

O espírito não vê isso: imagina que está vendo. Na sua consciência primária ele não vê as coisas desse jeito. Mas, como não recorre a ela enquanto encarnado, mas só às secundárias, tem a ilusão de. Ele não está preso, mas imagina-se como tal.

Olha a diferença entre o que eu disse e o que você falou. Você está querendo colocar que a vida do ego, as razões da personalidade ilusória são reais para o espírito. Não são… São ilusões que ele trata como realidade, mas são ilusões.

Isso porque na consciência espiritual nada disso está sendo vivenciado: está se tendo a ilusão de estar sendo vivenciado.

Participante: Só sobram as ilusões como realidade?

Para o ego sim.

Aliás, nem para ele só sobra a ilusão como realidade, já que a ilusão não existe. O que se pode dizer é que para o ego toda realidade é uma ilusão…

Participante: Como encarnado só tenho acesso ao que o ego dita. É verdade isso?

Deixe-me tentar lhe mostrar uma coisa. Como encarnado você não tem só acesso ao que o ego dita. Como encarnado você é o ego… É diferente…

Mais do que ter só acesso ao que o ego diz, como se houvessem outras coisas para ter acesso, você é o ego. Sendo assim, não existe mais nada para você como encarnado.

Participante: Só teremos consciência das provas após o desencarne ou podemos ter em vida terrestre?

Você só terá consciência das provas quando se libertar sentimentalmente da personalidade que viva atualmente.

Digamos que seu nome é José. Enquanto você for o José, não terá consciência das provas. Agora, quando se libertar desta sétima consciência, poderá ter, pois na sexta consciência está registrado o que veio provar através da personalidade da sétima. Neste momento terá consciência das provas e do quanto realizou delas.

Isso não tem nada a ver com morte ou vida. Pode se ter esta consciência depois do que você chama morte ou vida…

Participante: Caso de tenha consciência das provas antes do desencarne e verifique-se que ainda ficou algo pendente, pode se seguir no trabalho inicial proposto na provação?

Quando você deixar de ser o José, ou seja, quando puder saber, não se preocupará com o que fez ou deixou de fazer. Você está pensando como ser humano, querendo ser espírito, mas pensando como ser humano. Isso é impossível.

Quando você atingir esta consciência, só dirá: louvado seja Deus…

Participante: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa (Matheus). Qual o significado de abominações neste texto?

Grande pergunta…

Vocês só pensam em desolação, em abominações, em termos materiais, ou seja, em catástrofes. Por isso, imaginam que haverá grandes catástrofes físicas naquele dia que Cristo ensinou, mas não vai ser isto que acontecerá…

Como Cristo ensinou – e nós já estudamos este texto – se Reino de Deus é dentro de cada um, o que marcará aquele dia acontecerá dentro de cada um. Sendo assim, no momento que a moral espiritual do ser humano for cobrada através do apontamento da imoralidade que é a moral humana, ou seja, que em nome de Deus se mata, vilipendia e se faz outras coisas, se neste momento você estiver em cima, ou seja, estiver buscando a sua elevação espiritual, não volte para pegar coisas materiais. Agora, se estiver em baixo, ou seja, preso ao amor aos elementos do mundo material, saia correndo pra cima, para o espiritual, pois esta cobrança quer dizer que os tempos chegaram…

O que acontecerá naqueles dias que Cristo ensinou são as demonstrações de que a moral humana é imoralidade para Deus. Esta imoralidade será muito bem apontada por aqueles que têm moral para tanto: aqueles que vocês chamam de extraterrestres. Estes são espíritos mais evoluídos que vocês e eles, a partir de sua própria ascensão moral, mostrarão como imoral é a moral humana.

Participante: Os extraterrestres virão materialmente ou espiritualmente?

Esta pergunta já meu foi muitas vezes feitas: claro que eles virão espiritualmente, porque são espíritos. Virão em emissão espiritual…

Agora, imagino que você ao me fazer esta pergunta está se querendo saber se eles virão de uma forma perceptível a vocês. Eu respondo que sim, eles serão percebidos pelo ego humano, mas virão espiritualmente e não materialmente…

Falo desta forma para que vocês possam compreender uma coisa importante: o que os seus egos perceberão não são eles, mas as formas às quais eles estão ligados. É diferente. Compreende? Vocês verão um extraterrestre, mas o que verão é uma forma e não o próprio espírito.

Estes espíritos poderão lhes trazer esta cobrança moral porque eles estão livres dos conceitos humanos e dos conceitos do planeta deles. Não digo que é um espírito de posse da sua consciência espiritual, mas que já tem verdades do quarto ou terceiro nível de consciência.

Participante: Esta forma de apresentar-se dos extraterrestres é a mesma que você utiliza?

Não, não é como eu me apresento. Eu, na verdade, não me apresento à vocês com nenhuma forma minha própria. Eu utilizo o que vocês chamam de mediunidade e por isso me apresento à vocês através da forma do médium.

Já os extraterrestres se apresentarão dentro de formas próprias deles, pois não se farão presentes pelo processo de incorporação. Só que estas formas serão meras criações dos seus egos. Esta é a diferença: vocês vão olhar para os extraterrestres e, diferente da minha apresentação, verão um corpo específico para aquela apresentação, mas este corpo só existirá no ego de vocês e não fora dele.

Mas será que todos vão ver da mesma forma os extraterrestres? Sim. Todos terão a mesma percepção da figura com a qual estes espíritos se apresentarão porque, afinal de contas, ninguém vê nada, mas Deus é quem cria o que é percebido pelos egos. Então, Ele irá criar de uma forma o universal as imagens dos extraterrestres.

Resumindo, os extraterrestres se apresentarão com um corpo próprio. Mas este corpo não pertence ao espírito, mas os egos humanos é que o estará criando…

Participante: Estas apresentações serão para mais provas para nós? Mais uma coisa para nos libertarmos?

Sim, a forma percebida pelo ego será mais um elemento para vocês se desapegarem. Apegando-se àquele ser extraterrestre através da sua forma, nada terão alcançado com relação à elevação espiritual.

O que vocês precisam ouvir é a mensagem que eles trarão e não apegarem-se às formas com as quais eles se apresentarão. Aliás, como disse o texto bíblico que deu origem a esta série de perguntas: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa

Participante: O senhor pode falar sobre intenção? Ela vem do coração, do espírito ou é criada pelo ego via prova?

Toda intencionalidade é racional. O ego cria as formações mentais sempre com bases intencionais, ou seja, age sempre com um objetivo predeterminado.

Todo pensamento tem a característica de criar uma intenção, de falar a respeito de uma intenção. Portanto, são provas, já que a base de todas as intenções humanas é o egoísmo.

Saiba: não existe pensamento humano que não contenha no seu íntimo uma pretensão egoísta. Mesmo quando o pensamento fala em fazer o “bom” para os outros, há nele uma intencionalidade. Isto porque o pensamento quer diz que se deve fazer aquilo que se acha “certo” ser feito, sem consultar se quem vai receber quer aquilo e porque o ego só aceita fazer o “bom” para quem quer bem, ao invés de buscar agir assim de uma forma generalizada.

As formações mentais que o ego cria fundamentam-se prioritariamente no “eu”, que é por natureza egoísta. Por isto, as intenções que ele expressa, por mais que pareçam “santas”, são sempre de cunhos egoístas. Por ter este cunho, são, portanto, provações para o espírito.

Agora, esta intencionalidade é dada através do raciocínio e de uma emoção ou sensação. Ou seja, você tem um raciocínio que compreende uma intencionalidade e uma emoção que vibra de acordo com esta intenção.

O espírito que ligado ao ego aceita esta emoção como real, como verdade, como sendo dele, passa, então, a achar que está vibrando aquilo. Neste momento, ilusoriamente, ele imagina que está sentindo aquela emoção Mas, o espírito não tem esta intencionalidade: ela está apenas no ego. Como já disse, no Universo Uno, Único e Estável, o espírito apenas acha que está vibrando de acordo com as emoções do ego…

Resumindo o assunto, então, digo que as intenções são frutos do ego, são elementos da personalidade temporária à qual o espírito se liga e fazem parte da provação deste, seja esta intencionalidade criada através de emoções ou razão…

Participante: Outro tema que me faz confusão é a vontade. Ela está sempre ligada a um desejo? Sendo sua resposta sim, pergunto: por que foi dito seja feita a vossa vontade ao ser humanizado?

Foi dito “seja feita vossa vontade” com relação à vontade de Deus, não à vontade do ser humano. Pelo contrário: foi dito que Deus não se submete as vontades humanas…

Sim, vontade é sinônimo de desejo, mas isso é assim para vocês. Para os egos humanizados vontade é sinônimo de desejo. Mas, quando se fala na vontade de Deus, não se pode imaginar que ela seja fruto de um desejo, porque Ele não deseja.

Deus não tem desejos porque Ele não trabalha com hipóteses que podem dar “certas” ou “erradas”. Deus não tem desejos: só têm Verdades, Realidades. Sendo assim, quando se fala que seja feita a vontade de Deus, o que se diz é que se elimina as vontades humanas para que as Verdades e as Realidades de Deus aconteçam.

Neste aspecto, então, não se tem vontade como sinônimo de desejo, mas, para vocês humanos, a vontade é sinal de desejo.

Participante: Deus criou o espírito puro. Criou também os egos como uma ferramenta carmática e criou as ilusões através das quais os espíritos buscaram se libertar. Ao espírito cabe escolher entre a ilusão e Deus. Se escolher o amor individual estará criando nova encarnação, cujo herdeiro absoluto todo carma é única e exclusivamente o ego. É por aí?

Não, o herdeiro do carma é o espírito. Mas, o espírito quando escolhe um amor individualista gera para si um carma e não uma nova encarnação. Gera um carma que poderá ser vivido nesta ou em outra encarnação e não necessariamente uma nova existência humana.

Quem, no mundo ilusório, irá gerar a percepção da situação carmática é o ego, mas o carma não é dele. O ego vivencia a situação carmática, mas o carma e do espírito. Isto porque o ego só reflete aquilo que espírito precisa.

Então, o espírito adquire um carma por ter se banhado no amor individualista e Deus cria através do ego uma situação carmática que seja de acordo com aquele carma que o espírito adquiriu.

Participante: Eu havia entendido que o espírito não tem carma…

Só o espírito tem carma. O ego nem existe, ele é uma criação ilusória e que não faz nada; quem faz é Deus…

Veja bem. Deus cria a cena e o espírito escolhe entre o amor universal ou o individual. Neste momento da escolha do espírito existe uma ação fundamentada no seu livre arbítrio: da escolha entre o bem ou o “mal”.

Com existe uma ação, ela gera para uma reação. A reação a esta ação espiritual será teatralizada pelo ego. Por isso pode se entender que o carma é do ego, mas a origem desta cena, ou seja, da ação carmática, foi a ação do espírito o carma. Portanto, o carma é do espírito e não do ego…

Aliás, deixe-me falar uma coisa sobre o carma… Na verdade, nem existe carma…

Veja, se o espírito tem a ilusão de estar amando individualmente, o carma é o resultado de uma ilusão e por isso também uma ilusão. Acho que é neste aspecto que você está se baseando para afirmar que eu disse outro dia que o carma não é do espírito.

O carma realmente não é do espírito se você pensar que na realidade ele está sempre amando universalmente e por isso jamais geraria um carma. Mas, se olharmos pelo lado ilusório, pela realidade relativa que você chama de absoluta, ele existe…

O carma, portanto, é o resultado da ilusão de achar que não se está amando universalmente. Sendo o carma uma ilusão, ele não existe um carma. Ficou claro?

Participante: Se o espírito já está amando universalmente, para que então existe o carma?

Para mostrar a ele que apesar de estar amando universalmente, está iludido achando que não está…

Participante: É chover no molhado…

Sim, mas veja. Falar de atividade de espírito para egos, é sempre chover no molhado, porque toda atividade que pode ser conhecida através da razão é uma ilusão…

Se formos nos ater à Realidade, o carma não existe, mas isso não é real para vocês, pois vivenciam carmas…

Então vou dizer assim: ilusoriamente o espírito acha que ama individualmente. Quando vive esta ilusão como real, cai na ilusão da existência do carma. Neste processo de vivenciar ilusões como realidades, ele vai até se libertar de toda a ilusão, tomando cada vez mais a consciência de que não está fazendo nada que a razão diz que é real.

Mas, apesar de ilusório, o carma é importante, pois é o processo que faz o espírito ir de ilusão em ilusão libertando gradualmente do egoísmo…

Participante: Parece-me, então, que Deus criou o espírito já amando universalmente, mas não acreditou na sua própria criação. Por isso tem que colocá-lo à prova. É isso?

Exatamente isso que está na bíblia.

Participante: Então deus não é completamente Onipotente?

Não entendi onde não estaria a Onipotência de Deus…

Participante: Em não acreditar naquilo que Ele próprio criou: o espírito amando universalmente…

Não é que ele não acredite… Ele cria espíritos livres e não robotizados…

Ele cria o espírito de diz a este que pode fazer tudo, menos uma determinada coisa. Aí depende do livre arbítrio do espírito – que é a marca de sua liberdade – fazer ou não o que lhe foi informado para não fazer…

Ou seja, Ele cria a opção para que o espírito escolha, para que este não seja um robô. Ele deixa o espírito escolher o que fazer para não quebrar aquilo mesmo que Ele deu e que marca a liberdade do ser universal: o livre-arbítrio, o direito de escolha.

Deus apenas guia o espírito, através da sua Onipotência, para que este ser volte, depois de ter por moto próprio degenerado um dia, à postura inicial. Para isto criará a vivência de ilusões que sempre trarão em si uma pergunta para este ser responder utilizando-se do seu livre arbítrio: o que você está vivendo agora é Verdade ou ilusão?

Para administrar todo este processo, o Senhor precisa ser Onipotente…

Participante: Já lhe perguntei para onde o senhor vai quando o acabar nossa reunião. Mas, não quis saber do Joaquim, do ego, como foi a resposta que recebi, mas sim de você espírito. Gostaria de saber em que plano você, espírito, está. Insisto na pergunta por que não consigo conceber que você se valha de formas. Em que plano essencial você atua?

Diga-me uma coisa: em que plano como essencial você atua?

Participante: Aprendi com você que, como encarnado, só no sétimo plano…

O que quer dizer encarnado? Ligado a um ego humanizado…

O espírito, qualquer que seja a sua seu grau de elevação moral, não atua dentro do seu grau de consciência, mas dentro da que o seu ego está. Ou seja, tem a consciência sempre determinada pela personalidade transitória que está vivenciando…

Eu posso dizer que talvez eu já pudesse estar vivendo consciências de quinto nível, mas, por causa desta missão, eu me ligo a este ego que você chama de Joaquim. A partir do momento que me ligo a ele, tenho que estar, ou melhor, estarei onde este ego estiver. Quando ele for dissolvido, eu serei livre para ir para outro lugar, mas enquanto ele existir, enquanto houver a ligação ilusória com ele, estarei onde ele estiver.

Em O Livro dos Espíritos diz-se que o espírito está onde o seu pensamento está, ou seja, onde está o seu ego é que você está. Então, sempre estarei onde Joaquim estiver…

Por isso lhe respondi quando fez a primeira vez esta pergunta exatamente assim: por estar ligado ao ego Joaquim, eu, espírito, estou onde ele está. Não posso deixar de ser Joaquim daqui a uma hora e voltar a sê-lo depois de duas. Enquanto a minha missão dourar eu estarei Joaquim e estarei onde ele estiver.

Participante: Você deixa este ego Joaquim quando acaba a reunião?

Não, não posso deixar o ego Joaquim quando acaba esta reunião, porque ele continua depois dela.

Eu, além das reuniões, tenho que agir junto a vocês e a uma série de outros espíritos, que você chamaria de desencarnados, que estão junto conosco. Estes espíritos e vocês não me reconhecem como o ser universal, mas sim como Joaquim.

Quantas vezes, após acabar uma reunião, eu me encontrei com um grupo de espíritos que vocês chamam de desencarnados, que foram trazidos aqui para ouvir a palestra, me esperando. Durante o tempo que estava conversando com vocês, eles estavam vendo a cena que vocês estão e esperando Joaquim para continuar a conversa. Não o espírito, mas o Joaquim que eles conseguem perceber.

Participante: Nestes encontros você vai com forma do médium?

Não, eu vou com a forma de Joaquim. Ela é a forma que os espíritos estão me vendo participar mediunicamente nesta reunião. Eles me vêem dentro da forma Joaquim, ou seja, conseguem me distinguir da forma do médium.

Voltando à pergunta inicial, posso dizer que Joaquim é a missão que estou executando e, por isso, tenho que ser Joaquim o tempo inteiro. Quando acabar a missão, ou seja, o Joaquim dissolver-se, posso ir para outra consciência, mas, por enquanto, tenho que estar sempre preso a Joaquim.

Participante: O que mais prende a roda da encarnação não é o carma, mas sim o aceitarmos nossos atos de encarnado como reais. É isso?

O que mais prende o espírito à roda de encarnações não é aceitar o ato como real, mas aceitar a intencionalidade gerada pelo ego como real.

Foi o que respondi sobre intencionalidade: ela é o fruto do egoísmo. São as posses, as paixões e os desejos que Deus lhe cria através do ego como prova. Não é o ato de gostar ou não de alguém, mas o acreditar na intenção de gostar de determinada pessoa que prende os espíritos à roda de encarnações.

Um dia me disseram que eu falo que tudo é ilusão, mas como são bonitos um pôr-do-sol e as flores. Eu respondi a esta pessoa: é exatamente por achar as flores bonitas que você, espírito, está preso à roda de encarnações.

Você, espírito, aceita a ilusão da beleza que o ego cria como real e quer ter a ilusão de estar vivo para poder curtir o prazer de observá-las… Aí está a intencionalidade que eu falei que os prende à roda de encarnações…

Respondendo-lhe, então, digo que o que os prende à roda de encarnações é o apego às intenções egoístas criadas pelo ego e não o ato em si.

Participante: Entregar toda a responsabilidade dos meus atos a Deus é uma atitude de pequeno valor frente a emancipação espiritual. É verdade isso?

Sim, entregar a responsabilidade de seus atos a Deus ainda é pouco. Isto porque ainda permanece alguma intenção: Deus fez isso para acontecer aquilo, ele fez por causa daquilo…

Olha a intencionalidade presente… Esta intencionalidade é que está lhe prendendo e não o ato de agir.

Participante: No tema “Construindo a felicidade”, uma pessoa levantou a questão de que o carma pode ser interrompido e o senhor concordou dizendo: se nos mantermos equânimes não geramos carma. E isso vale para o carma de vidas passadas?

A resposta é sim, mas antes de completar a questão, precisamos deixar uma coisa bem clara: não existe carmas com origem em vidas passadas…

Não existe o carma de vidas passadas, visto por que o carma é sempre da vida atual. O carma está sendo sempre criado nesta vida. Ele pode ter origem em acontecimentos de egos anteriores, mas não é um carma daquele ego e sim deste.

Dito isto podemos continuar lhe respondendo…

A elevação espiritual se caracteriza pela vivência dos acontecimentos da existência com equanimidade, ou seja, pela libertação do coração das emoções. Quando se vive assim, o carma acaba.

Agora, será que acabar com o carma muda, modifica os acontecimentos previstos para esta existência? Não…

Libertar-se de um carma, ou seja, aprender a ser equânime frente às emoções geradas pelo ego, não modifica o ato pré-programado. Isto porque o Universo é interdependente.

O ato que você vivencia é sempre presenciado ou sabido por outras pessoas. Por isso os atos pré-determinados para sua encanação precisam existir, pois eles representam o carma pelos quais os outros espíritos precisam passar.

Seus atos não mudarão, mas, se conseguiu a equanimidade, você não terá o seu carma naquele momento, ou seja, poderá não ser tentado por determinado emoção. Vou dar um exemplo…

Um ato previsto para sua vida onde você é assaltado, ou seja, alguém entra na sua casa e retira tudo de lá ou alguém enfia a mão no seu bolso e tira todo seu dinheiro. Se você conseguir a equanimidade com relação à paixão pelos elementos materiais, este ato continuará existindo na sua vida, pois os egos do ladrão, do receptor, da polícia, das pessoas que saibam do acontecido, precisam dele para gerar a provação dos espíritos a eles ligados.

Agora, você, por já ter alcançado a equanimidade, não vive este ato tendo a emoção de estar sendo roubado, de ter perdido coisas… Neste momento o seu ego gerará a emoção de equanimidade e o espírito, mesmo ainda acreditando que é o ego, também continuará equânime.

Com isso você, o espírito, não gerará terá carma naquele momento. Isso porque equanimidade é apatia e, por isso, não pode ser considerada uma ação. Se não é ação, não pode gerar reações. Ficou claro?

O momento carmática só pode ser suspendido neste parâmetro (na emoção ou intenção) e nunca na ação propriamente dita, porque a programação de ação para você influencia na programação de ações de outro. Por isso você não pode viver uma situação diferente na sua vida. Agora a sua emoção, se já tiver alcançado a equanimidade será diferente…

Aliás, vocês mesmo conhecem este ensinamento… Quantas vezes já não se pegaram agindo sentimentalmente diferente em situações iguais às ocorridas no passado?

Participante: Quando o ser humano fica apático às situações, isto é um caminho para se desprender da materialidade?

Quando você alcança a apatia com relação às coisas do mundo, libertou se da ilusão. Agora, esta apatia não é racional, mas sentimental. Sendo assim, você nem sabe que alcançou. Quando a apatia é constatada racionalmente, acha que se tornou apático, saiba que não se tornou, mas isso é uma prova.

Sendo assim, lhe respondo que se você, no coração, não na razão, conseguir a apatia é uma prova que conseguiu vencer o mundo e que as emoções mundanas não mais lhe afetam o coração…

Participante: Quando não se esboça um comentário diante de uma situação escandalosa é porque se tornou apático?

Comentário é algo físico, então é prova.

Estou falando de coração… Quando seu coração está apático às emoções que o ego cria, você, o espírito, alcançou a apatia.

Agora, quando racionalmente souber que o coração está apático, pode não estar. Isso, com certeza é apenas o seu ego lhe informando que está.

Portanto, se quer alcançar a apatia, esteja com o coração apático a esta informação também…

Participante: O seu médium postou um texto onde sugere que as diversas entidades que se apresentaram através dele (exu, caboclo, baiano, índio, preto velho, etc.) seriam o mesmo Joaquim, o mesmo espírito que se apresenta sobre o nome de Joaquim. Poderia se estender sobre isso…

É muito simples e nem preciso me de estender tanto… O espírito pode assumir qualquer forma que seja necessária para o bom andamento do seu trabalho.

Na verdade, alguns egos missionários são constituídos com esta característica: criar diversas formas, nomes, tendências, sotaques para apresentar-se quando participam de um trabalho. No meu caso isso, como eu já respondi anteriormente, sim, o meu ego possui esta característica.

No meu caso, é sempre um só espírito trabalhando sob diversas formas, de acordo com a necessidade do trabalho.

Com relação a este assunto, deixe-me dar uma complementada…

Na verdade, não foi o médium que escreveu o texto a que você se refere. Claro que o ego dele foi comandado para escrever. Isto aconteceu por um motivo muito importante, do qual gostaria de falar um pouco…

Quando me perguntaram hoje onde eu estava, em que nível de consciência vivia e eu não respondi diretamente, uma pessoa me falou em particular que a perguntava objetivava saber a que nível de elevação eu pertenço quando liberto deste ego. Disse a esta pessoa que tinha entendido o objetivo da pergunta, mas que esta resposta eu não daria.

É preciso deixar uma coisa bem clara: não importa que espírito esteja usando um ego, tudo que ele faz é sempre criação de Deus. Então, é sempre Deus falando…

Eu evitei responder à pergunta sobre meu nível de elevação – e me desculpem a sinceridade – para evitar endeusamento… Para um espírito missionário a pior provação é o ego criar esta emoção, pois se ele se deixa levar por ela, será, para ele, pura perda de tempo. A missão será realizada, mas ele não vai aproveitar o fruto do seu trabalho.

Entendido isso, podemos, então, entender porque Deus criou a idéia do médium estar divulgando tal texto: desmistificar, acabar com a idéia de um ser (Joaquim) melhor do que os outros…

Nosso trabalho sempre foi desmistificar todos os mitos que os egos humanos criaram a respeito da vida depois da vida. Uma pessoa uma vez me perguntou: se Kardec gerou “kardecismo”, será catecismo que este trabalho gerará o “Joaquinsmo”? Eu respondi: não, nunca…

Isto não pode acontecer porque tenho a plena consciência de que nada do que é transmitido pertence ao Joaquim, ou ao médium ou qualquer outro espírito especificamente. Não pertence nem mesmo ao Espiritualismo Ecumênico Universal…

Numa cidade uma pessoa me disse que estava devolvendo as páginas contendo os ensinamentos porque queria pedir desligamento do grupo. Eu disse que ele não podia pedir desligamento nem ligamento de nada, porque este é um trabalho da espiritualidade para os espíritos. Ele não tem dono…

O ego Joaquim é um transmissor dos ensinamentos e eu (espírito) sou um mero participante deste trabalho na função de locutor de informações. Como já cansei de dizer, Joaquim só toca o som que alguém produziu.

A divulgação da informação de que todas as incorporações, apesar das variadas formas com as quais elas se apresentaram, foram feitas por apenas um espírito, é muito importante para pararmos de dizer que Joaquim fala ou ensina alguma coisa. Joaquim não diz nada… Aliás, ele nem existe…

Este é um trabalho do mundo espiritual para a espiritualidade to planeta Terra. Por isso ninguém está fora nem dentro, nem ninguém cria nada. Tudo vem de Deus.

Participante: Queria lhe passar um comentário interessante que alguém fez e pedir que fale dele: “Interessante que Joaquim, sendo um preto velho, não se inclui nisso. Fiquei com a impressão de que suas frases são ditas por alguém que se considera oriental. Estou falando isso porque Joaquim mesmo diz que ele é porta-voz de um grupo de espíritos que formam o Espiritualismo Ecumênico Universal do. Por isso, acho eu, às vezes ele é ocidental, cristão, outras vezes adquire um tom oriental, budista”.

No início dizíamos assim: todas as nossas mensagens são oriundas da “Academia Superior de Ciências Espirituais”. Chamar a fonte de nossos ensinamentos de academia superior foi um ato de presunção de nossa parte, mas foi algo que foi necessária naquele tempo. Isto porque precisávamos impressionar para abrir ouvidos para as mensagens que trazíamos…

Hoje, o que posso lhe dizer a este respeito, é que os nossos ensinamentos, como os de todos os outros espíritos missionários, fazem parte de um planejamento de evolução dos espíritos que encarnam no orbe terrestre.

É preciso ficar bem claro isso: não se pode dizer que, por exemplo, o espírita é menos evoluído do evangelho. Ser evangélico ou ser espírita faz parte da evolução de cada um. São elementos de acordo com a necessidade de criação de ilusões. Isso não quer dizer que um seja mais elevado ou menos que o outro.

Como já dissemos, não se reconhece o espírito pelo grau de elevação do ego. Posso isso posso lhe dizer que qualquer ensinamento de qualquer religião ou doutrina, é administrado na ilusão, por um grupo de egos. Egos que possuem outras consciências, mas ainda personalidades ilusórias.

São estes egos que determinam o que qualquer mentor de qualquer doutrina irá passar. Mas, nem por isso podemos endeusar estes espíritos, porque ao vivenciar esta realidade, eles estão no mundo deles vivendo as suas provas…

Sendo egos que criam, é Deus quem comanda. Portanto, a administração do ensinamento que cada um vai passar, na verdade, constitui-se em simplesmente fazer o que Deus manda fazer. Portanto, o trabalho em si não é uma criação de espíritos…

Neste grupo de espíritos alguns espíritos estão ligados a egos que, não vou dizer nem que tenham origem, mas possuem missões, que vocês reconhecem como de cunho oriental enquanto outros vocês reconhecem como ocidental. Tratam-se de egos preparados para a criação de determinadas.

Então sim, o comentário que você ouviu é pertinente, pois muitas vezes leio um texto escrito por um ego com ensinamentos de cunho oriental, que foi escrito na ilusão por um ego comissão oriental, e outras vezes por um orientado nos ensinamentos ocidentais. Mas, eu apenas leio o texto deles…

A única coisa que faço aqui é ler textos. As perguntas que vocês estão me fazendo, apesar de vocês não acreditarem nisso, já estavam programadas, assim como as respostas. Eu só estou lendo os textos desta programação…

Um dia, numa destas reuniões, alguém me pediu para repetir uma resposta que eu tinha acabado de dar. Eu disse que não podia porque já tinham tirado a folha… Não dava mais para ler aquela resposta.

O comentário que ouviu, então, é perfeito, mas com a ressalva que eu não sou oriental ou preto-velho: leio respostas escritas por egos que têm esta ou aquela formação por causa da missão de cada um.

Sei que para vocês, espíritos aprisionados às ilusões geradas pelo ego, quando leio respostas parece que eu estou falando como se fosse oriental e ocidental. Mas eu não sou uma coisa nem outra: eu sou eu.

Participante: Na visão monista o passado e o futuro estão contidos no presente, ou esta compreensão é ilusão?

Passado e futuro não existem… Só existe o presente que se repete a cada micro fração de tempo. Só isso.

Não existe passado nem futuro: isto é o máximo que posso lhe dizer… Falar mais do que isso é impossível para vocês que contam tem compreenderem…

Para vocês, egos humanizados, a única coisa que posso dizer é que na visão monista, ou seja, na visão do Universo Uno, Único e Estável, não existe passado ou futuro. Só existe o presente, que se repete a cada momento, sempre sendo presente.

Participante: Se existe só o presente, quando se dá o resultado do merecimento? Nós, os humanizados, temos a sensação de que temos que estar no caminho por um longo tempo para poder alcançar a elevação..

Se não existe tempo, não existe um longo ou curto caminhar.

Quando se dão resultado da ação do presente? No presente… Isto porque o presente é a única coisa que existe…

Como disse, é muito difícil explicar para vocês presente. Quando falo, por exemplo, que o resultado da ação no presente se dá no presente, vocês imaginam que são presentes sobrepondo-se. Com isso, surge, também, a idéia de que quando um presente se sobrepõe ao outro, o atual veio do futuro e o outro foi para o passado. Mas não é isso: sempre há apenas um único presente… Mais do que isso é impossível explicar ao ego humanizado, preso à existência de tempos.

Esta é a primeira explicação com respeito à sua pergunta. Quanto à sua afirmação de que vocês precisam de um longo tempo para elevar-se, Krishna diz que o trabalho da elevação espiritual pode ser executado no minuto anterior à morte. Sendo assim, até pelo tempo humano, você pode imaginar que pode alcançar a elevação espiritual rapidamente.

Aliás, deixe-me dizer uma coisa interessante. A elevação espiritual não gasta nenhum tempo… Isto porque, num presente você não está evoluído, mas no outro sim…

Por mais que vocês imaginem que estão caminhando, ainda não evoluíram. A evolução só acontece quando se termina a caminhada. Ela não acontece paulatinamente. É a mesma história sobre o haver apenas um presente constantemente: não dá para entender o que estou dizendo…

Vocês acreditam que estão evoluindo, mas apenas estão caminhando em um sentido e ainda nada realizaram. Evolução se alcança por completo: antes disso nada se alcançou…

Quando se evolui, evoluiu se. Ficou claro?

Participante: Não…

Que bom: não criaram um novo paradigma…

Não dá para ficar mais claro que isso. Se não compreendeu, pelo menos fique com as palavras de Krishna quando ele fala que, mesmo que a libertação seja feita no último minuto de vida, terá valido a pena toda a vida.

Participante: O quanto devo respeitar meu ego?

Que pergunta difícil…

Você não deve ter nenhum respeito por ele, se entende respeito como acatamento. Sabe, o filho deve respeitar um o pai, ou seja, deve acatar o que o pai fala. Este tipo de respeito você não deve ter nenhum pelo ego.

Agora, se você chama respeito de valorização, deve ter todo o respeito pelo seu ego. Ou seja, deve valorizá-lo muito porque ele é um instrumento da sua prova.

Mas, valorizar o seu ego não é valorizar o que ele cria: é ter respeito ao ego como criador de realidades ilusórias, mas não respeito pelas realidades ilusórias que ele cria. Não sei se me fiz entender, mas no fundo é isso: ame o seu ego porque ele é o seu amigo, o instrumento que lhe ajuda na evolução espiritual; mas, não o ame o que o seu ego cria.

Às vezes é difícil explicar determinadas coisas porque as palavras têm duplo sentido. Por isso fiz questão de falar sobre os dois sentidos que conheço para a palavra a respeito

Participante: Algumas pessoas falam que a Índia está numa situação precária devido à passividade das pessoas que lá habitam e acreditam que devem aceitar tudo que existe sem contrapor-se porque, afinal de contas, é carma. Ou seja, a idéia de que não é necessário se transformar as coisas. Comente, por favor…

O que você quer que eu comente? Pela lógica humana, a Índia está numa situação precária. Mas isso pela lógica humana…

Por que ela pensa isso? Porque a lógica humana é fundamentada na busca da satisfação pessoa… Então, sim, a situação na Índia é lastimável para o ser humano…

Para o ser humano que quer ganhar, que quer estar sempre certo, que quer a fama e o elogio, a vida na Índia acontece em situação precária. Agora, sobre o ponto de vista espiritual, a Índia é um foco de Luiz imenso.

Isto porque lá há amor… Amor real, amor entre espíritos…

Não digo em toda Índia, porque hoje o ocidental já ocidentalizou uma parte do povo deste país, mas nos redutos dos gurus, existe o amor verdadeiro e todos. Este amor não se expressa pelo congraçamento físico entre os habitantes das castas, mas ele sim pelo congraçamento de espíritos. Apesar da existência do sistema de castas, os indianos se amam espiritualmente.

Se isto está acontecendo, não há nenhum atraso espiritualmente falando. Agora para humano existe sim.

Mas, quero lembrar aos humanos uma frase de Cristo que é muito esquecida: o primeiro na terra será o último no Reino do Céu. Para aqueles que não vivem uma situação lamentável, o destino é o fim da fila… A partir disso lhe pergunto: quem é mais evoluído, a Índia, os povos africanos ou os Estados Unidos?

Apenas uma ressalva: nem sempre é preciso condições físicas lamentáveis para se estar mais à frente na fila. Como sempre digo o que comanda é o coração, o sentimento, e não os atos materiais.

Nesta resposta fiz apenas um comparativo para que vocês se libertem da idéia de que, espiritualmente falando, a vida no mundo material precisa ser plena de prazer…

Participante: Parece que a emancipação é o resultado de um somatório de vários momentos equânime, ou seja, acumula-se certa quantidade de pontos por assim dizer. Nunca acontece a equanimidade absoluta para o encarnado, mas sim um acúmulo de experiência na equanimidade.

Você está quase certo. Na verdade, não é difícil ter equanimidade absoluta: é impossível.

Isto porque este não é o mundo de se regenerar, ou seja, de se mudar, É um mundo de se provar que quer se optar por Deus. É bem diferente. O que vale aqui é você mudar a intenção, ou seja, ao invés de querer viver para a humanidade, provar que quer viver para espiritualidade.

Agora no próximo mundo, quando mudar o sentido da encarnação neste planeta, aí sim, começará o processo de regeneração.

Participante: O Talmude, livro judaico, diz: “tão grande é a paz que o nome de Deus é paz; tão grande é a paz que todas as bênçãos podem ser encontradas Nele”. Isto é verdade?

O que é paz? Vamos tentar entender isso porque é interessante.

Paz é quando você alcança uma boa convivência com o próximo. Estar em paz é estar harmonizado com o mundo que vive.

Agora, a partir desta necessidade de se harmonizar com o mundo, os egos humanos criaram a necessidade da mudança das outras pessoas para aquilo que eles chamam de “certo”. Por exemplo: os ocidentais querem que os árabes se mudem para a cultura ocidental para que haja paz. Querem que eles deixem de adorar a Alá, que mudem seu modo de vestir, etc.

Na verdade o que o ego quer não é paz, mas dominação do próximo. Exige, para dizer que está em paz, que todos os demais se submetam aos seus conceitos para que ele viva em paz…

Quando este livro hebraico fala que a paz é conseguida com Deus, pode se perceber que ele está falando de outro tipo. A paz que este livro fala, ou seja, a harmonia que ele prega, não provém das coisas do mundo, mas de Deus…

Só esta é uma paz verdadeira, pois ela não precisa submeter o mundo a alteração nenhuma e, com isso preserva a liberdade do próximo: o direito de ser quem ele quiser ser…

Quando se está com, em e por Deus, as coisas do mundo perdem o seu valor e aí a paz verdadeira pode ser alcançada. Quando se está com Deus, o assassinato não interfere na felicidade porque se vivencia apenas o amor de Deus por seus filhos.

Vivenciando apenas a relação amorosa com Deus, é possível se harmonizar com a ação do matar e com o assassino. Se, ao contrário, houver uma busca de paz fundamentada no objetivo humano (alterar os outros para o que se acha “certo”), a paz não pode ser alcançada.

Quando os valores humanos sobrepõem-se ao amor de Deus, a paz não pode ser alcançada frente a um assassinato porque a visão “errada” com o qual o ego distingue este tipo de ação seria sucedida pela condenação do ato e de quem o praticou, pela busca da vingança, mesmo que apenas na condenação moral do outro.

Então sim, esta fala é perfeita, pois ela fala da apatia, ou seja, ela lhe incita para que você se torne apático para o mundo vivenciando apenas Deus. Neste momento você poderá viver a verdadeira paz, a harmonia com o mundo, porque você entregará tudo nas mãos de Deus.

Participante: estar encarnando por várias vidas vivenciando vários egos é para mim o mesmo que não sair do lugar, ou seja, um longo presente, o momento sem variação, se presente o passado.

Se você é parte do monismo, está certo. Você está sempre viver da mesma coisa. Agora, se você pensar na idéia de evolução espiritual como conhecida pelos terrestres, ou seja com processo onde você vai se evoluído, na verdade está caminhando para a frente. Então, a sua fala e a e formação tem até alguma realidade, mas depende do seu ponto de vista. Aliás, qualquer coisa que você quiser debater com alguém, lembre-se sempre que depende do seu ponto de vista. Para você é o sempre uma coisa será uma coisa, mas para o outro uma coisa será outra coisa.

Participante: Fale mais do conceito equanimidade, por favor…

Equanimidade é, por definição, a manutenção de um único sentimento constante. Isso equanimidade: quando há um único sentir, não importa a emoção que o ego está criando, quando há um único sentimento no coração para qualquer situação da vida, o espírito alcançou a equanimidade.

Sabe, quando a responsabilidade no trabalho e a felicidade abraçar um filho não tiver diferença para você, isto é equanimidade. Quando o sofrimento de uma doença ou a vivência de ação que você chama negativa não tiver diferença no seu coração dos momentos chamados “bons” aí está a equanimidade.

Equanimidade é isso: quando não há alteração no coração de acordo com as emoções que o ego cria.

Participante: Assisti o filme “Profecia Celestina”. Será que aquelas profecias são corretas?

Em essência sim…

Aliás, se você acompanhar o desenvolvimento de nosso trabalho, ele está todo preso nestas profecias. Nós percorremos o caminho traçado por estas profecias.

Não quero com isso dizer que somos a realização destas profecias, mas que este é o caminho para todos. Em essência, não em atos…

Aliás, a respeito da caminhada dos nossos estudos, eu poderia afirmar que temos três fases bem distintas. A primeira onde nós começamos a combater alguns paradigmas, mas deixamos formar outros. Uma segunda, que ficou marcada pelos estudos dos ensinamentos dos mestres, onde combatemos os paradigmas formados na primeira fase. A terceira, que é a atual, a que estamos desenvolvendo aqui, é o monismo, onde combatemos os paradigmas da primeira da segunda, sem criar novos. Nela apenas dizemos: não importa que verdade seu ego cria, é uma ilusão.

Participante: Qual a próxima fase?

Depois do monismo? Nenhuma. A nossa parte do trabalho na obra geral já está acabando.

Participante: Quando uma indignação se apresenta eu esperneio e me mostro indignado. O curioso é que no fundo não levo a sério esta indignação, mas receio meu comentário, porque ele mostra que não cheguei a lugar algum. O que é isso?

Ego conversando com ego…

Deixe-me deixar bem claro: não se preocupe com o que lhe vem à mente, pois tudo é ilusão.

Participante: É como uma bolinha de pingue-pongue se debatendo numa caixa de espelhos?

Exatamente…

Não se importe com a razão: o que ela cria é sempre uma ilusão. O que vale é o seu coração, mas ele não é visto pela razão…

Quando você me diz que esperneia, mas no fundo sabe que, já chegou à razão. Então, o não levar a sério a indignação, o receio do seu comentário e a conclusão de não ter chegado a lugar nenhum é apenas razão, por isso é ilusão.

Já falei sobre isso… O que não é razão, não existe para você, porque você não toma conhecimento… O problema todo é que vocês ainda querem agir, fazer, ser, estar nem que seja espiritualmente falando, mas para o ego humano é impossível detectar alguma coisa que seja ação do espírito.

Então, não se importe com o que você acha, pois tudo será sempre o ego que está achando. Se você imagina que em determinados momentos está equânime, não tenha a certeza de estar. Na verdade esta consciência é o ego que está criando.

Saiba sempre apenas uma coisa: não dá, não tem condições de você saber nada nesta vida. Tudo que o ser humano sabe é criação do ego, portanto ilusão…

Participante: Queremos pegar a mágica da vida de calçados curtas…

Não é bem isso. Na verdade, o ego de vocês quer é controlar a vida.

Já falei sobre isto também nestas conversas monista. O ego tem como objetivo propor a você o controle sobre a vida. Para isso busca mostrar que tem a capacidade de realizar e conhecer as coisas. Mas não tem…

O objetivo do ego é lhe fazer cair na ilusão de que você está dominando a vida, nem que seja para elevação espiritual. Mas isso faz parte do egoísmo, faz parte da prova e, por isso, não é Real.

Participante: Esta necessidade de controlar a vida é porque a perda deste controle é o fim da encarnação?

Não, é uma prova do egoísmo.

Tudo o que eu ego cria tem como objetivo gerar uma prova. A ilusão do domínio da vida é fruto do egoísmo: o ego quer dominar a vida para poder tirar proveito individual dela.

Participante: Não seria também por medo de ver a vida como ela se apresenta?

Você está querendo entender o ego, mas não conseguirá. Você está querendo entender a razão gerada pelo ego, mas não entenderá… Isto porque toda idéia é sempre ego falando com ego.

Não, o comando que Deus cria para formação das idéias de controle da vida, é fundamentado no egoísmo. Você só pode compreender isto… E, pode compreender isso porque tem a informação passada pelo Espírito da Verdade de que o egoísmo é a “mãe” de todos os males. Então, qualquer outra coisa que falar, será uma expressão do egoísmo e, portanto, será sempre um egoísmo em ação.

Na verdade, se você se olhar com uma visão dualista, o que está sempre acontecendo é uma luta entre o egoísmo e o Universalismo. Mas, esta luta é ilusória, porque existe a ilusão do egoísmo e não o egoísmo em si. Portanto, não adianta nem pela visão dualista querer criar razões que expliquem o funcionamento do ego…

Apesar de não adiantar, o seu ego continuará sempre criando razões. Ele sempre as criará milhares de vezes, mas a cada uma delas você tem que dizer sentimentalmente que não sabe se é isso…

Não adianta querer definições: para este mundo não há. Para este mundo não há exatidão. Neste mundo, para aquele que quer aproveitá-lo como uma etapa da elevação espiritual, só existe uma coisa: a incerteza sobre qualquer coisa. Isto porque qualquer certeza estará presa a um egoísmo e servirá para o ego criar formações mentais querendo ganhar.

Participante: Tudo que é dual foi por nós dividido. O que pode nos auxiliar a não dividir e mudar o foco para o monismo neste mundo material?

Deus. Isto porque ele é a única coisa Absoluta do Universo. Portanto, é preciso focar em Deus ao invés de ver “limpo” e “sujo”, “bonito” e “feio”. Agora, você só fará isso se Deus fizer o seu ego fazer, ou seja, só virá no seu consciente se o Senhor comandar esta mudança.

Saiba de uma coisa: viver a vida no sentido espiritual não é mudar o foco do ego, mas aprender a conviver com ego focado no material de uma forma equânime. Isso quer dizer que você terá a consciência de que está vendo “sujo” (idéia racional) e precisa, neste momento, ficar equânime no coração ao invés de vibrar na ansiedade de limpar, de tornar limpo. É a vibração nesta ansiedade que comprova a sua prisão à materialidade e não as idéias racionais de “limpo” e “sujo”…

Não pode haver mudança de foco porque não há realizações. O que precisa ser feito é aprender a conviver com ego do jeito que ele está focado, sem deixar o coração vibrar com isso.

Participante: O senhor me falou que nem tudo que vem pelo ego é dele. Em que situação isso acontece?

Eu não disse isso… Tudo que vem pelo ego é do ego. O que disse é que nem tudo que vem pelo ego é “errado”. Muitas vezes Deus repassa Verdades Universais pelo ego para ver se você se apega aquilo como Realidade.

Mas, não importa o que seu ego fale, você precisa se libertar do apego ao ego. Não dá para julgar as criações do ego no sentido de concluir se algumas dela são Verdades ou não…

Participante: É verdade, foi isso que o senhor falou. Eu me confundi…

Participante: Então, não nos chegam Verdades Absolutas pelo ego?

Chegam verdades absolutas relativadas.

O que quer dizer isso? Quer dizer que lhe chegam idéias de Verdades Absolutas dentro de uma forma relativa. Isto porque a Verdade Absoluta não é composta por formas, palavras nem intenções, elementos que sempre existem nas formações racionais do ego.

Então, o que posso lhe dizer é que lhe chegam Verdades Absolutas transformadas de tal forma que seu ego tem a capacidade de criar uma determinada consciência, que é relativa…

Participante: Deus pega leve conosco… É isso?

Não, Deus cria provas: esta é a Realidade.

Quando ele cria verdades absolutas relativadas, não está sendo bonzinho com você. Não está lhe amando, dentro dos critérios de amor de vocês, mas criando uma prova: você vai acreditar nisso quando sabe que não deve acreditar em nada?

Participante: Os mantras ou condicionamentos, se não vier do coração, dá na mesma? Aliás, só teremos compreensão ou emancipação se Deus assim permitir, não é mesmo?

De uma forma racional, sim. Mas, isto será porque Deus permitiu, mas sim porque Ele fez…

Deus não permite nada no universo: Ele faz, pois é Onipotente…

Agora, se Deus fizer pela razão, não é uma emancipação, mas uma provação, porque tudo que vem pela razão é uma provação. Sendo assim, a idéia de estar emancipado é uma prova.

Já falei isso aqui: existem espíritos que se liga a egos considerados “personalidade santas” que estão na prova da fama. Eles vivem este tipo de personalidade para ver se vibram em conjunto com a sensação de ter seguidores, de fazer livros, ou seja, de ser um guia para a humanidade, que ele imagina ser, apesar de não ser…

Participante: Por favor, nos dê uma mensagem, apesar de ter dado todas…

Se eu pudesse dar uma mensagem, ela seria no sentido de vocês buscarem se conscientizarem de uma Verdade muito velha, mas muito esquecida: a felicidade não é deste mundo.

Este é o ensinamento de Cristo que foi completamente esquecido. É preciso que vocês se conscientizem desta Verdade.

Mas, a consciência desta Verdade não deve lhes levar a acreditar que este seja um mundo de sofrimentos. Não é isso que Cristo que dizer. O que ele quis dizer é que a felicidade não pertence aos elementos materiais. A felicidade não é o que você sente durante a vida carnal.

Eu gosto muito de ver descrições sobre a sublime felicidade que sente um pai ou uma mãe quando nasce o filho. Mas, quando este espírito ultrapassa a maternidade ou a paternidade, ele verifica que aquilo, apesar de ter sido considerado tão sublime pelo ego, nunca foi ar a verdadeira felicidade.

Esta seria uma mensagem muito importante, porque o que o ego faz para que vocês aceitem o egoísmo como “certo” é justamente lhes dar a idéia de que serão felizes se o seguir. Ele cria as intenções, as ilusões, e a idéia do controle sobre a vida e vocês aceitam estas criações como reais, justamente porque ele diz que realizando isso, serão felizes…

Sabe, ele diz que no dia que vocês fizerem o que acham “certo” e que o mundo for o que vocês acham “certo”, serão felizes. Ledo engano… O espírito, que já é feliz de verdade, abandona a consciência da felicidade que tem para viver a ilusão daquilo que o ego chama de felicidade.

Mais do que eu a mensagem, este é um alerta para vocês, espíritos. Não se deixem levar por este conto da carochinha que o ego cria.

Ele diz, por exemplo, que se você se libertar de tal pessoa será feliz. Ilusão, a pessoa vai embora, vem outra e você terá os mesmos problemas com a nova. Eu costumo dizer que só mudou o endereço: é tudo igual.

Por que nada muda? Porque os seus problemas são criados pelo seu carma e não importa com que encontrar-se, viverá sempre o mesmo carma.

Então, se você quer racionalmente uma ajuda na sua elevação espiritual, conscientize-se de que tudo que o seu ego cria é uma armadilha onde lhe propõe que se cair na dele, será feliz. Aceitar ou não, é uma opção sua… Agora, entenda que por acreditar nisso, você entrega a verdadeira felicidade, ausenta-se se dá a verdadeira felicidade, perde a consciência da verdadeira felicidade.

Acho que essa mensagem é importante, pois fala de um assunto que ainda não tocamos nas conversas monistas: a consciência de que o dualismo existe como armadilha para que você se sinta motivado a acreditar nele pela busca da felicidade.

Participante: Somos amparados, mas devemos andar com nossas próprias pernas em sentimentos. É isso?

Sentir-se amparado racionalmente, é uma ilusão.

Deixe-me dizer uma coisa. Vamos supor que eu seja um aparador seu, seja um amigo espiritual que lhe auxilia. Isso, para você, é uma atitude sublime, mas para mim é minha prova.

Na verdade, só tem um que amparador: Deus. Mas, Ele muitas vezes lhe ampara dando o desamparo…

Sabe, se você nunca soltar a bicicleta da criança depois de tirar as rodinhas de apoio, ela nunca andará sozinha. Por isso, muitas vezes Deus solta a bicicleta sabendo que você irá cair. Mas, ele também sabe que só o tombo lhe ajudará.

Já aqueles que você imagina que lhe ampara, eles são para atores que imaginam que estão lhe amparando, mas na Realidade estão vivendo as suas provas. Além disso, com os amparadores dos amparadores acontece à mesma coisa e assim sucessivamente até chegarmos ao Amparador maior: Deus.

É isso que se chama interdependência: todos os espíritos do Universo executam um papel na chamada “divina comédia humana” onde o que fazem na Verdade é simplesmente vivenciarem uma criação carmática para sua elevação espiritual.

Participante: Quando falei em amparador me referi a Deus…

Participante: Deus ilude o humanizado colocando um corpo maravilhoso em meio a coisas maravilhosas de difícil compreensão e explicação. Além disso, é extremamente convincente a mágica utilizada para estas criações. Com suas últimas palavras, acabou de responder uma pergunta que fiquei fazer: você fala a espíritos e não a egos, não é?

Sim, eu falo ao espírito e nunca ao ego. Falo ao espírito através do ego, mas sempre a ele.

Mas, além disso, na sua pergunta você diz que Deus cria coisas maravilhosas, mas isso não é verdade. Deus não cria nada maravilhoso: Ele cria coisas e diz através do seu ego que elas são maravilhosas.

O nascer e o pôr-do-sol e um campo cheio de flores não são maravilhosos. O nascer e o pôr-do-sol é apenas o nascer e o pôr-do-sol. A eles pode ser atribuído um valor de maravilhoso, mas este valor não é uma Realidade, mas sim uma prova para o espírito.

Sendo assim, Deus não cria coisas maravilhosas. Ele cria coisas e lhe dá a idéia de que elas são maravilhosas.

Participante: Deus criou as maravilhas e nos colocou nela para nossa provação. É isso?

Não… Repito: Deus fez as coisas e lhe disse que elas são maravilhosas.

Deus da idéia a determinados seres humanizados a idéia de que algumas coisas são maravilhosas, mas não dá a todos a mesma idéia. A idéia de determinada coisa ser maravilhosa é relativa, individual…

Por exemplo: conheço uma pessoa se você levá-la ao lugar maravilhoso onde há muita calma, passarinho verde, ela não via gostar… Isto porque maravilhoso para ela é a agitação, carros, shoppings…

Sendo assim, posso afirmar que a maravilha das coisas depende do seu ponto de vista. É o que lhe disse antes: sempre que se pronunciar sobre alguma coisa saiba que este é o seu ponto de vista e não a realidade.

Então Deus não faz as coisas maravilhas: faz as coisas e dá a alguns a idéia de que aquilo é maravilhoso e a outros a idéia de que não é.

Para que isso? Para ver se você respeita a idéia dos outros ao invés de criticá-los, acusá-los ou dizer que estão “errados”. É por isso que afirmo que Ele não fez o maravilhoso, mas sim as provas.

Participante: A provação é deparar-se com conceitos diferentes e respeitar a todos?

Amar… Mais do que respeitar o outro, a amar o outro mesmo ele pensando diferente de você.

Mas, o que é amá-lo quando ele pensa diferente de você? É amar o que ele ama.

Então, quando estiver com alguém que não considere maravilhoso o que você considera, ame aquilo que ele ama… Não digo para achar maravilhoso o que ele acha assim, mas a amar a idéia de maravilhoso que ele tem sobre aquilo.

Participante: Mas, o senhor disse que como humanizados não temos acesso ao verdadeiro amar… Com fazer isso então?

Eu já respondi a esta pergunta milhares de vezes nestas conversas. Como amar, se você humanizado não sabe o que é o verdadeiro amor? Não se deixando influenciar pelo seu maravilhoso…

Você não sabe amar, mas sabe o que é vibrar no maravilhoso e o que é criticar a droga. Não aceite nem o êxtase do maravilhoso nem a depressão da droga que o seu ego cria. Aí estará amando, sem saber que está amando.

Amar não é construir um amor. Amar é simplesmente não vibrar no êxtase do prazer ou na depressão da dor. Isto o amar que vocês humanizados podem alcançar…

Então, no caso que disse que você deve amar o maravilhoso do outro, estou dizendo que não deve vibrar dentro do êxtase que o ego criará quando este padrão for igual ao seu nem cair na depressão da crítica se ele for diferente…

Participante: Ser frio… Seria isso?

Dizem que o inferno é quente… Então é melhor ser frio…

Sim, ser frio, ser indiferente, ser apático: isto é o amar que o ser humanizado pode compreender.

Participante: Uma coisa que aprendi depois destes ensinamentos é ser assim no coração. Às vezes você está numa roda de pessoas onde não pode externar isso com palavras. Então, agora, estou meio dividida. Sou uma do lado fora e outra do lado de dentro. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Tenho a dizer que na primeira linha do primeiro trabalho sobre o ego eu afirmei que enquanto você não criar a dupla personalidade (eu e o ego) nada conseguirá.

Dupla personalidade é isso: por fora ser uma coisa; por dentro ser outra.

Participante: Mas aí se cria uma dualidade…

Não se cria uma dualidade, porque quando internamente passa-se a ser outra pessoa, sabe-se que a externa é ilusão, que ela não existe… Com isso acaba a dualidade.

Parece estranho, não? Realmente tem certas coisas que são muito difíceis de explicar, mas acredite que você precisa dividir-se para poder entrar na unidade. Mas, dividir-se com a consciência de que o que resulta da divisão é uma ilusão. Que não é Real. Ficou claro isso?

Na verdade a ilusão, apesar de ilusória, existe… Mas, como a ilusão ilusória não é Real, ela não existe. Se você não separar você da ilusão e não tiver a consciência que a ilusão existe, ou seja, criar o dual, não consegue realizar nada.

Veja como o monismo ele é ambíguo: é preciso viver no dualismo para se chegar à Unidade.

Realmente, não há como explicar isto racionalmente…

 

Participante: O senhor poderia falar sobre o Deus ser, o Deus emanado e as emanações de Deus?

Posso falar sobre isso sim. Mas antes de falarmos sobre isso, vamos entender uma coisa. O que é Deus?

Como já conversamos diversas outras vezes, Deus é tudo e tudo é Deus. É a partir da a concepção de que Deus é tudo e tudo é Deus que surge, então, os três deuses que você falou: ser, emanado e emanação. Se você não trabalhar com a idéia do Deus é tudo, não terá estas três outras coisas. Agora, se trabalhar, necessariamente terá que ter nestes três deuses.

Vamos então falar deles… Primeiro o Deus ser.

Deus é um espírito. Claro que tem que ser, pois Deus é a Inteligência Suprema e segundo O Livro dos Espíritos, só o espírito é inteligente, ou seja, ele é o princípio inteligente do universo. Por isso, Ele tem que ser um espírito.

No entanto, ele não pode ser só um espírito, pois se assim fosse, você teria que excluir os elementos materiais – incluindo aí as formas humanas – como Deus… Mas, se Deus é tudo, os elementos materiais têm que ser Deus.

Diante de tudo isso, pergunto: o que são os elementos materiais enquanto Deus? Os deuses emanados… Este é o segundo deus: todos os elementos materiais do Universo são Deus, pois são coisas criadas pela Inteligência Suprema através da Causa Primária de todas coisas.

Então, temos um Deus ser, aquele que é um espírito porque é uma inteligência, e temos os deuses emanados, que são as formas que a inteligência suprema cria através da Causa Primária.

Agora, estas formas, pelo menos ilusoriamente, têm uma movimentação. Quem cria estas movimentações? Deus, já que ele é a causa primeira de tudo que existe. Além de ser tudo, Ele causa tudo…

É a partir desta lógica que chegamos ao terceiro deus: as emanações de Deus. Tudo que dele provém, quer seja em forma, quer seja em comando de ação, é uma emanação sua e, portanto, Ele mesmo emanado…

Portanto, há um Deus Ser, que é uma Inteligência Suprema, que emana pela Causa Primária outras formas que, por causa desta emanação se transformam em deuses emanados, e as ações que estas formas ilusoriamente fazem, que também são geradas primariamente pelo Senhor e que por isso são consideradas como emanações de Deus….

Participante: Estava relendo uma resposta sua sobre desobsessão e vi que você falou que o espírito afastado ao reencontrar o humano obsedado todo arrumado, volta e pode trazer mais sete consigo. Porque deste número cabalístico? Tudo não é ilusão? Existe algum fundamento nestes números cabalísticos? Existe algum fundamento verdadeiro neste tipo de coisa?

Primeiro que esta fala não é minha e sim Deus através de Cristo. Por isto a utilização deste número específico por parte Dele só pode ser desvendada por Ele mesmo… Eu não saberia lhe responder…

Quanto aos números cabalísticos, sim, estes números possuem dentro da ilusão criada pelos cegos alguns determinado significados. Porém, estes significados são espirituais, universais e por isso o ego humanizado não consegue compreendê-los.

Repare: a viagem de Moisés pelo do deserto dura quarenta anos; as tentações de Cristo no mesmo deserto duram quarenta dias. Coincidência? Não, deve haver algum referencial aí, mas vocês ainda não conseguem alcançá-lo.

Por isso, afirmo: se preocupe com quantos espíritos podem ser convidados a morar com você, mas preocupe-se sim em não receber nenhum de volta.

Sabe, nós estávamos em um local outro dia e uma pessoa me perguntou a respeito de apometria: se ela funcionava, se podia ajudar, etc. Eu respondi citando um exemplo acontecido naquela mesma casa.

Uma vez, aconteceu uma apometria onde os médiuns geraram uma perna para um espírito que não a tinha e por isso sofria. Mas, acabada a sessão, este mesmo espírito a perdeu novamente. Isto os médiuns não viram que aconteceu…

Da mesma forma, vocês que fazem a desobsessão, não vêem quando o espírito volta. Se o consulente voltar àquela casa – porque normalmente ele não volta, pois acha que a que ela não melhorou em nada a sua vida, o que, por parte do consulente é também é uma ignorância (no sentido de não conhecer o que está acontecendo) – vocês podem até iniciar uma nova desobsessão achando que se trata de outro obsessor.

Então, não se preocupe com quantos voltarão, nem se preocupa em decifrar estes números cabalísticos. Saiba que eles têm alguma razão de existir, mas que Deus lhe revelará na hora que tiver que revelar.

Participante: Mesmo a apometria e a desobsessão são feitas por ordem de Deus e por isso têm um sentido. São ilusões sim, mas causadas por Deus por motivos que talvez não saibamos, ou será que podemos saber?

Podem. Qual o motivo para toda ilusão que Deus cria? Prova… Só isso.

Então, a ilusão de ter colocado uma perna no espírito foi prova para os médiuns, os freqüentadores da casa, para o espírito em si e para os apoiadores espirituais. Prova para todos…

Não foi do trabalho em si que falei, mas do fato de um médium daquela casa ter se vangloriado, no coração de ter feito aquilo acontecer. Este é o problema e não o que foi feito.

O problema foi o médium ter deixado seu coração vibrar na emoção da conquista, da realização que o ego criou. Aí está o problema e não o que foi feito.

Participante: Para o espírito, tudo além da primeira consciência é ilusão?

Não, para o espírito no tudo que ele vive como real é real. A consciência de que o que ele vive é apenas uma ilusão existe para o Universo e não para o espírito que a está vivendo.

Sabe, o espírito que está ligado ao seu ego, acredita que ele é você. Ele não acha que você é uma ilusão… Nem na primeira consciência ele sabe disso. Ele, na primeira consciência, acredita piamente que é você.

Se não fosse assim, a ilusão tem razão de ser. Por isso digo: você precisa se libertar da ilusão, saber que a ilusão é apenas uma ilusão, porque isso você não sabe.

O Universo sabe que o José é uma ilusão, mas o espírito que está ligado à personalidade José não sabe.

Participante: Todo e qualquer desequilíbrio que se possa experimentar tem sua origem na primeira e única consciência?

Isto é um pouco mais difícil de explicar, mas vou responder tendo em mente o que Krishna ensina. Mas antes quer deixar um detalhe: a primeira consciência não se desequilibra jamais.

Sendo assim, o que acontece? .Acontece o que Krishna fala respondendo à pergunta se a mente primordial é escrava ou livre. Ele diz: se analisarmos superficialmente, a consciência primária é presa à ilusão, o que causaria o desequilíbrio que você falou, mas, se analisarmos melhor, a própria escravidão e a ilusão são ficções.

Então, a mente primária não é escrava de nada: ela está iludida achando que está vivendo uma ilusão, mas não está não a está vivendo. É uma ilusão que ela vive. São coisas diferentes que, como já disse, não dá para explicar perfeitamente para vocês.

O que posso dizer e vocês podem compreender é que a mente primária está sempre equilibrada, mas tem a ilusão de não estar. Mas, esta ilusão de não estar não causa desequilíbrio, pois ela apenas tem a ilusão de estar desequilibrada.

A respeito disso, deixe-me contar uma história. Krishna vinha com seguidor no deserto e em determinado momento disse a ele: eu estou com sede, pode pegar água para mim?

O seguidor saiu em busca do rio e quando chegou à margem, viu do outro lado uma menina muito bonita. Apaixonado por ela atravessou o rio, foi na casa do pai, pediu a mão da menina em casamento, casou-se, trabalhou na lavoura do pai, teve o primeiro e o segundo filho.

Um dia choveu muito. O rio encheu e a correnteza matou a mulher e os filhos dele. No auge do desespero de ver a mulher e os filhos sendo arrastados pelo rio, o seguidor houve a seguinte frase: estou com sede, cadê minha água?

Veja: tudo que aquele seguidor viveu era uma ilusão, que aconteceu sem fragmento de tempo. Aconteceu num segundo só, mas ele achou que tinha vivido anos com aquela mulher.

Apesar de esta resposta ser tecnicamente certa, compreenda que você não conseguirá entender como isso aconteceu. Isto porque existem certas coisas com relação ao funcionamento da consciência primária que eu não tenho como explicar a você, pois não há idéias, palavras ou sentidos que lhe faça compreender isso.

Por isso, com relação ao que perguntou, apenas posso responder que a consciência primária do espírito jamais se desequilibra, mesmo quando está vivendo uma ilusão, porque está tendo a ilusão de viver uma ilusão.

Participante: Os desequilíbrios podem mostrar o nosso afastamento de Deus, mas não mostram o quanto falta para chegar. Comente, por favor…

Já falamos aqui que tudo que existe no Universo é Uno, Único e Estável. Quando você admite a existência real de um desequilíbrio, seja em que nível for, acaba com a estabilidade do Universo, pois afeta a Estabilidade Universal: algo se desequilibra para depois voltar a desequilibrar. Aceitando isso como Real, na verdade você criou um dualismo.

Mais: você fala que este desequilíbrio o afasta de Deus, mas que posteriormente voltará a aproximar-se. Cadê a estabilidade, cadê a unidade?

Participante: Este desequilíbrio que ele está falando não pode ser o desequilíbrio sentimental, que é o que importa realmente? Nós sabemos que a prova é justamente manter o equilíbrio sentimental, o que não conseguimos constantemente. Por isso, eu também acho que acontece um desequilíbrio…

Este desequilíbrio ao qual você se refere é a ilusão de estar desequilibrado e não um desequilíbrio Real. É o que acabei de falar de consciência primária.

Na verdade, o Universo está sempre Uno, Único e Estável o tempo inteiro e o espírito tem a idéia de não estar. Ele tem a ilusão de não estar, o que é bem diferente de estar.

Sendo assim, você, espírito, está sempre junto de Deus, mas ilusoriamente se acha afastando dele. Por ilusoriamente achar que está afastado Dele, você passa a sentir-se como se estivesse, mas não está: só está sentindo se como se estivesse.

É isso que vocês precisam entender. Todo e qualquer processo ao qual você se refira sobre o Universo e que contenha um dualismo, como por exemplo, equilíbrio e desequilíbrio, estar perto ou afastado, é apenas a ilusão de estar. Você está sempre parado no mesmo lugar fazendo a mesma coisa sempre: só tem ilusão de não estar.

Na história de Krishna que contei o seguidor, espiritualmente estava parado, mas viu-se como participante dos acontecimentos: viveu o casamento, gerou filhos, teve colheitas, viu um rio encher e matar a mulher e os filhos. Isso dentro da ilusão, porque na Realidade ele estava parado, estático. Ficou claro isso?

Então só comentando a pergunta, como me foi pedido, tenho a dizer que não posso comentar desequilíbrio a não ser dizendo que não há desequilíbrio.

Participante: Ousei falar sobre o desequilíbrio da primeira consciência por ter entendido isso de um trabalho seu. Tentei mencionar o desequilíbrio como uma metáfora de Adão e Eva que vivia no paraíso e foram expulsos, ou seja, se desequilibraram…

Veja, volto a repetir: tudo que lhe vem à mente uma ilusão. Sendo assim, só posso lhe dizer que você teve a idéia de que houve o desequilíbrio inicial, mas que esta idéia é uma ilusão…

Deixe-me explicar uma coisa: tudo que você ouvir falar sobre a espiritualização, não importa a que doutrina pertença, é um caminho de evolução. Acreditar na doutrina católica é um caminho, na espírita é outro e acreditar no que eu falo é apenas também caminho.

A realização não está em entender-se nada, mas na fusão perfeita com Deus, ou melhor, retomar à consciência da fusão perfeita com Deus que você já vive. Mas isso está muito longe de vocês e de mim. Portanto, vá apenas caminhando, ou seja, acreditando nas coisas para depois desacreditar.

Por isso sempre digo: nunca transforme nada que você tiver consciência em uma Verdade Absoluta, porque amanhã ela deixará de ser verdadeira. Quantas vezes eu mesmo mudei compreensões que vocês chegaram a partir do que eu falei? Sim, faço constantemente isso porque é necessário, pois tudo o que digo são caminhos e não realizações.

A elevação espiritual, já disse isso, é como se você estivesse dentro de um prédio imenso, que ocupasse o quarteirão inteiro com trezentos andares, e tivesse apenas um martelinho na mão do para derrubar tijolo por tijolo. Só tem um detalhe: cada vez que não quebra um tijolo, coloca outro que terá também, futuramente, que quebrar…

Saiba que mesmo no processo monista, muitos acabam com prédios maiores do que quando começaram. Porque isso? Porque vão criando idéias monistas enquanto que a realização do monismo é o fim de todas as idéias.

É aquela história que já contei aqui. Um dia me perguntaram: o que é Universalismo? Eu disse: Universalismo é Universalismo… Se eu definir o Universalismo estarei criando um universalismo e com isso estaria acabando o próprio universalismo porque criei uma individualidade, uma particularidade.

Lembre-se sempre que no monismo não há cultura individualista, não há certeza de nada. Quando lhe disse anteriormente para ler tudo que tinha falado foi no sentido de destruir verdades e não criar novas.

Participante: Qual o melhor local da estrutura do prédio que o senhor citou para se bater de derrubá-lo por inteiro ao invés de martelar as paredes?

Não existe.

Veja: sempre que surge uma razão à sua mente, ela surgiu a partir de alguma coisa que está na sua memória. Por exemplo, os traumas. Se você teve quando criança alguma experiência amarga com relação à água, por exemplo, terá medo de água e nem saberá o porquê disto.

Não há como se quebrar o prédio de uma vez só porque, assim como no prédio humano, as vigas de sustentação das suas verdades estão escondidas. Você precisa ir derrubando tijolo por tijolo para achar as vigas…

Neste processo, pode acontecer de você bater em um tijolo e caírem dois ou três, mas isso é o máximo que conseguirá…

Participante: Ouvi dizer uma vez o seguinte: o primeiro gerou o segundo e o primeiro e o segundo geraram o terceiro. Isso tem a ver com os três deuses que falamos: ser, emanado e emanação?

Não sei, nunca ouvi falar isso. A respeito disso, onde se fala, quem fala, qual o assunto que estava sendo falado?

Agora, se você é aplicar através da lógica humana esta citação aos três deuses que comentamos, lhe digo que é válido, pois Deus gera os deuses emanados e os dois geram, mesmo que ilusoriamente, a ação. Falo assim, apesar da idéia dos três deuses ser uma ilusão porque, afinal de contas, é ilusoriamente que Deus gera as formas e é ainda ilusoriamente que as formas se movimentam.

Agora, não posso falar sobre este assunto definitivamente porque, na realidade, ainda não havia ouvido nada a respeito disso.

Participante: Eu li esta frase num texto sobre a criação do mundo…

Então, está certo… Na verdade na criação do mundo, um Criador cria o segundo e os dois juntos criam o terceiro elemento.

Agora, para poder afirmar definitivamente que isso está perfeito, eu tenho que lhe fazer uma pergunta: a que a criação do mundo você se refere? Sendo ao Universo Real, isso não é perfeito, pois as emanações de Deus nada criam, mas se está referindo-se ao seu mundo, ao Universo ilusório que vive, posso dizer que sim.

Quando digo que a frase está perfeita, não me refiro à criação do Universo Real, porque esta o seu ego não tem condições nem de compreender. Ele nem consegue compreender o que é o Universo, que dirá como ele foi feito.

Na verdade, me refiro ao mundo de vocês, ou seja, a vida que vocês vivem. Este mundo é criado desta forma: Deus faz as formas e os dois juntos criam a ilusão da ação. Ou seja, Deus cria a personalidade ilusória quanto ao seu aspecto e esta forma, ilusoriamente, cria, a partir da Causa Primária gerada pelo Senhor, a ilusão da ação…

Mas isso é apenas uma ilusão porque na verdade Ele que sempre faz tudo e você só levam a fama.

Participante: Como você consegue ensinar a tanto tempo sem ter posse moral do que ensina e nem ser o professor da lei?

Porque nunca disse a ninguém que ele estava “errado”: primeiro detalhe. Segundo: porque nunca disse a ninguém que eu estou “certo”. Terceiro: porque nunca exigi que ninguém acreditasse em mim.

O professor da lei é aquele que acha que ele está certo e por isso quer que os outros o considere como tal. Eu sei que venho aqui falar, mas se estou “certo” ou “errado”, isso eu não sei.

Se você achar que estou certo, estarei, para você; se achar que estou “errado”, estarei, para você. Para os outros é outra verdade, é outra coisa. Por isso consigo não ter posse moral: não possuo o que falo, mas apenas falo que digo. Consigo ainda não ser um professor da lei porque não me considero “certo” e os outros “errados”, nem cobro que os outros me considere “certo”.

Uma vez, num local onde estava falando sobre maçonaria, uma pessoa da platéia me disse que ele era maçom e que o eu estava falando era errado. Por isso ele concluía que eu nem sabia o que era maçonaria.

Respondi-lhe dizendo: então me explique… Pergunta se ele me explicou ou se compreendeu que estava sendo um professor da lei ao me ensinar o que é maçonaria?

É por tudo isso que, apesar de falar tantos anos as mesmas coisas com tantas palavras diferentes, graças a Deus, não me considero professor da lei.

Participante: Você sabia que a Fraternidade Ramatis daqui de Curitiba pegou fogo nesta quarta-feira última? Porque será que um grupo que estava fazendo tanta coisa boa de repente se vê abalado desse jeito? Será um ataque daqueles que não querem ver esta obra ser realizada?

Por favor, não me leve a mal, mas às vezes eu me pergunto: quem será o Deus que vocês acreditam? Sabe, às vezes neste ego eu fico me perguntando isso: puxa meu Deus, que Senhor eles acreditam que é?

Você fala de uma casa aberta para Deus, o Senhor Supremo do Universo, e que estava prestando serviços a Ele, mas me diz que ela pode ser destruída por espíritos ruins, que não querem ver a obra de Deus e tem potência para sustá-la? Onde neste seu pensamento fica o Amor, a Onipotência, a Onisciência e a Onipresença de Deus? Se isso é possível, como fica, então, o título de Senhor Supremo do Universo que Deus ostenta nesta história?

Sabe, vocês acreditam em deus, mas não acredita em Deus. Pelo jeito que vocês falam mostram que acreditam naquela velha história de Deus se confrontando com o diabo e muitas vezes perdendo algumas paradas. Saiba que mesmo nesta história, o diabo é mais fraco que Deus, porque ele é um príncipe, enquanto Deus é o Rei…

Não, não pode isso não pode ter acontecido isso que você sugeriu na sua pergunta. Seu raciocínio está completamente equivocado…

Mas, o equívoco não para por aí… Pergunto-lhe: o que esta casa estava fazendo de “bom” O que de “bom” ela fazia?

Antes de lhe responder, deixe-me apenas dizer que com este comentário não estou desmerecendo a casa nem os trabalhadores materiais e espirituais dela. Dentro da lógica monista que venho mostrando nestas palestras preciso lhe mostrar isso, mas com isso não quero dizer que a casa não prestava. Sei que como instrumento do mundo carnal, ou seja, como instrumento carmático dos espíritos que aqui encarnam, ela é perfeita…

Sabe o que ela fazia de “bom”? O que você acha “bom”, o que você acha que uma casa deveria fazer de “bom”… Mas será que deus acha isso também “bom”? Acho, na teoria e não entrando no caso específico desta casa, que Deus sabe melhor as coisas do que você, não?

Então, por que estranhar? Por que achar que justamente aquela casa não poderia passar por uma situação dessas e que outras poderiam?

Participante: A casa agia doutrinando espíritos encarnados e desencarnados…

Isso é “bom”? Será que a doutrinação estava realmente levando a Deus ou ao que cada médium achava que é certo? Mais: será que alguém é capaz de doutrinar alguém? Se for, esta atitude cancela o livre arbítrio que Deus o outro, acaba com a livre opção que o outro teria.

Repare que afinal de contas as coisas que lá faziam talvez não fossem tão “boas” assim.

Participante: O senhor pergunta se doutrinar é bom, eu acho que sim. Afinal de contas, não é a mesma coisa que se está fazendo?

Pelo amor de Deus, não ponha este peso nas minhas costas.

Como já disse, só estou falando. Se quiser, você deve ser doutrinar. Jamais doutrinei alguém, jamais interferi no livre arbítrio de alguém…

O que estou fazendo aqui é falando; o resto é por sua conta. Você está ouvido, e faço o que quiser com isto…

Eu não estou aqui para doutrinar, mas só para falar a.

Mas, agora esqueça o que a casa fazia e preste atenção a um ensinamento que podemos tirar muito grande desta conversa: tudo que lhe vem à consciência seja através das percepções ou das formações mentais é uma prova.

É uma prova para a para ver se você ama Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. No momento que você vibra contra os supostos agentes do acontecimento, sejam encarnados ou não, não amou.

Sabe, quem ama pensa assim: destruiu, vou lá e costurou. Não amar é dizer: meu Deus, que coisa horrível, houve uma destruição…

Participante: Eu já sabia que a sua resposta seria essa. Mas queria ouvia sua opinião a respeito disso.

Como disse, estou aqui para falar e você está aí para perguntar. Então, pergunte que eu falo.

É assim mesmo. Pergunte e eu respondo. Façamos como uma criança que brinca de roda: cumpra o seu papel no teatro da vida (perguntar) que eu cumpro o meu (responder). Desta forma, de brincadeira em brincadeira tiramos toda a seriedade que vocês imaginam que isso aqui tem. Desta forma, as coisas ficam mais leves para o estudo da elevação espiritual.

Agora, aquele que vem aqui com a fissura de saber, de conhecer, muitas vezes sai frustrado.

Participante: Esta foi a mensagem que passei aos amigos da Fraternidade Ramatis: já havia escutado certa vez de uma entidade que não devemos nos importar com as paredes nem com o teto de uma. Se tudo isso acabasse, mas ainda houvesse os filhos da corrente e os sentimentos que os une, a casa continuaria existindo sobre a luz das estrelas e da lua.

Grande mensagem, que, aliás, me lembra outra coisa que precisamos conversar…

Vocês sabiam que está proibida a entrada de espíritos na casa espírita? É, não pode haver manifestação espírita (incorporação, psicografia0 lá, mas só palestrantes encarnados podem dar sua opinião…

O que é o centro espírita de verdade, senão aquele que acontece fora das percepções humanas? O Real centro dos espíritos é aquele que existe no sexto plano de consciência, onde numa sala que ilusória que existe em conjunto com o ilusório centro espírita do sétimo plano os espíritos são atendidos dentro das leis do amor Universal. Ali, é o centro dos espíritos; aqui o centro dos homens…

Sabe, é preciso desmistificar e acabar com a hipocrisia. O centro espírita é dos espíritos e eles fazem o que tiverem que fazer. É preciso que o espírito encarnado deixe de considerar o censor das atividades dos espíritos a partir de regaras que ele mesmo criou…

Sendo assim, realmente não importa se há uma casa física para os médiuns se reunirem ou se eles se reúnem na mata ou, ainda, se estão no mesmo local físico, o que importa o que acontece no astral.

Participante: Estão humanizados os espíritos ligados a um ego. Esta é a situação dos encarnados. Os encarnados não têm acesso às coisas do espírito e nem ao mundo espiritual ao qual pertence. Difícil é não se frustrar ao saber que seus sentimentos não têm como chegar aos egos. Os encarnados não têm como saber dos seus reais sentimentos, pois seus pensamentos são Deus que dá…

Deixe-me dizer algo: não existe espírito encarnado. Olha que grande novidade…

Existe o espírito e existe o ego, mas este só existe como ilusão, não como Realidade, mas não existe espírito que seja ego, ou seja, esteja encarnado. Existe espírito que tem a ilusão de estar…

É como me disseram outro dia: Deus é egoísta porque Ele não diz as coisas para nós. Eu respondi: para que dizer, se você já sabe? O ego não sabe, mas você já sabe.

Então, porque ficar se preocupando em saber? Tudo que você está falando, na verdade, não é você que não sabe, mas sim o ego, pois o espírito sabe.

Deixe-me lhe dizer uma coisa: o ego está inconformado em não saber. Por que ele está inconformado em não saber? Porque ele quer ser Deus, quer reinar sobre as coisas.

Mas, esta característica de todo ego humano não o torna “mal”. Trata-se apenas de uma propriedade intima com a qual ele é criado para poder gerar a sua provação…

Participante: Poderíamos dizer que o ego é como Adão e Eva querendo ser Deus? É esta a prova: Deus no dá um ego que quer ser Deus como Adão e Eva?

Isso, fazendo o ego ser deste jeito, Deus lhe dá a prova. Ele é assim, justamente para ver se você acredita nele quando se diz capaz de conhecer e com isso ter o poder de separar o “bem” do “mal”, ou se continua entregando este poder ao Senhor.

Então veja, o que você falou na pergunta inicial não é você, o espírito, que está falando. É o seu ego inconformado por ter notícias que afirmam que ele não tem o controle das coisas. Diga para ele: você está certo ego, você está com raiva por causa disso, mas eu não vou estar. Eu vou manter meu coração livre desta revolta. Você não sabe, então está certo, você não sabe. O dia que eu me libertar de você saberei. Tudo isso sob a forma sentimental e não por razão. As palavras da sua pergunta são lindas e maravilhosas, mas são palavras de um ego inconformado por ser apenas um ego, ou seja, inconformado por não ter domínio sobre o mundo.

Agora, esta forma do ego ser não é uma coisa “ruim” ou “má”: é a sua prova. Eu já lhe disse isso: repare que o seu ego sempre faz uma pergunta onde quer criar alguma ação para ele. Esta é sua prova: isso está muito claro para mim.

O seu ego é formado por esta idéia de agir e quando constatou que conseguia fazer sempre o que queria na materialidade, ele teve a idéia de agir no sentido da espiritualidade. Aí ele vem aqui e me ouve dizer que nem neste sentido ele pode agir. Ilusoriamente ele ficou nervoso.

Na verdade, está inconformado de ter perdido o controle das coisas. Ele imaginava que tinha tudo sob controle e com o que está sendo criado agora na sua razão, o ego se desespera por imaginar que não tem capacidade alguma de agir.

O ego tinha tudo guardado nas gavetas de uma forma perfeita, ou seja, tinha plena consciência do que deveria fazer. Aí vem um tal de Joaquim e bagunça tudo. Por isso ele está desesperado… Mas isto é preciso, porque tudo que ele tem certinho guardado nas gavetas é a prova para você.

Vou citar um exemplo para vocês verem como funciona o ego, como o ele é ilógico, mas como a formação da prova é tão lógica e independe da lógica humana.

Tem uma pessoa do nosso grupo cujo ego tem verdades que dizem que a limpeza e arrumação da casa são coisas essenciais. No entanto, este mesmo ego possui verdades que racionaliza como verdadeira a ação de pegar animais que estão desamparados e levá-lo para sua casa. Acontece que esses animais acabam fazendo sujeira e bagunça dentro da casa.

Veja a criação da prova… Os animais foram recolhidos por razões geradas pelo ego, mas este mesmo ego não vai deixar de exigir que a limpeza aconteça. Ou seja, o ego cria a condição para uma provação através de outras provações.

O ego exige a limpeza, mas ao mesmo tempo cria a percepção dos animais e das sujeiras que eles fazem. Além disso, cria a idéia que é muito gostoso de ver o animal dentro de casa, além da idéia de que é bom socorrê-lo.

O ego diz que é muito gostoso ter os animais todos à volta, mas na hora que eles estiverem fazendo bagunça, não se impressione, ele vai esquecer toda esta beleza e vai cobrar a limpeza. Dá para entender agora como o ego cria provas de uma forma racional, ou de uma forma que a razão aceite?

É assim que funciona o ego… Ele cria a ações fundamentadas em algumas lógicas que, muitas vezes, é contrária a outras lógicas que ele também tem, justamente para lhe por nesta luta entre fazer o que quer ou aceitar o que o ego diz.

Participante: Para acabar com a prova, vou me desfazer dos meus animais…

Não vai, porque o ego não fará isso. Se fizesse, realmente estaria acabando com as provas suas provas, mas como elas precisam existir para poder dar um sentido espiritual a sua existência…

Na realidade ilusória o ego manterá a figura dos animais na sua casa e dirá que isso é muito no bom. Mas, não será por causa disso que ele deixará de gerar a contrariedade na hora da sujeira.

Aí o ego contrariado, falando mal dos bichos, limpará e novamente criará a sensação de bem estar para depois novamente criar a percepção da sujeira a contrariedade dela existir. Assim será sucessivamente…

São as vicissitudes (alternância dos fatos da vida) que O Livro dos Espíritos fala. Isso se chama aula de espiritismo na prática. Agora dizer que você é quem escolhe pegar os animais, mas ao mesmo tempo afirmar que a encarnação tem como objetivo viver vicissitude, é aula de materialismo na prática.

A vida é isso, existência carnal é isso: é o ego sempre criando situações que se contrapõem à razões que ele diz que é “certa”.

Sabe, quando você vê uma pessoa na rua fazendo algo que acha “errado”, é uma vicissitude na sua vida. É o ego criando a idéia de que está algo errado no a partir de uma idéia de “certo” que ele mesmo criou. Ele não pára de fazer isso, pois quer sempre jogar você nesta roda dualista, para poder criar sua prova: ver se você sofre ou tem prazer nestes momentos.

Participante: Então, o espírito sabe, mas como sabemos disso?

O ego não por não tem como saber. Porque tudo que ele sabe é Deus que cria esta sapiência, esta sabedoria ele não deixa o ego saber o que o espírito sabe…

Participante: Perguntei anteriormente sobre Krishnamurtti e o senhor me respondeu. Mas queria saber sobre a sua obra e não sobre o ego…

As obras de Krishnamurtti, de Cristo, Krishna e Buda não são deles: são ilusões que Deus cria.

O que é a Bíblia? Uma percepção… É uma criação do seu ego… Quem cria as coisas através de seu ego? Deus. Então, o que é o ensinamento de Krishnamurtti? Uma criação de Deus…

No entanto, aplicando-se esta mesma lógica, a revista pornográfica também é criação de Deus. Não são só os ensinamentos dos mestres que são gerados por Deus, mas tudo…

Agora, qual o objetivo de Deus ao criar o que Krishnamurtti escreve e o que a revista pornográfica a mostra? Lhe gerar uma prova para ver seu se vai ficar a equânime ou vibrará com as emoções que a sua razão criará a partir da percepção daqueles textos e imagens….

Respondi?

Participante: Não há nada que se possa fazer, tudo está feito, disse Cristo. A que se chegar ao Tudo, Todo, amando. Mas, como encarnados não conhecemos o verdadeiro amor, premissa para se universalizar.

Como encarnado você é um ego e este não precisa conhecer o Amor Universal. Por quê? Porque o encarnado não tem que se universalizar, não tem que evoluir.

Quem tem que se universalizar é o espírito, ou melhor, ele já é universal: precisa apenas libertar-se da idéia de não ser. Só isso.

Mais uma vez o seu ego está querendo ser alguma coisa, fazer alguma coisa.

Participante: Mas há de se chegar ao amor sem ter a mínima idéia do que isso seja. Como?

O ego jamais chegará o Amor… Então, não se preocupe com isso… Ou melhor: se o ego se preocupar, deixe-o, mas você vibre o seu coração nesta preocupação…

Quem tem que chegar ao amor não é o ego e nem o espírito, porque ele já ama. O que espírito tem apenas que perder a ilusão de não estar amando. Então, não tem que chegar a lugar nenhum: já está onde você imagina que ele tem que chegar…

Quanto ao ego, este não chegará a lugar algum. Chegará sim à morte, ao fim, à dissolução…

Participante: Esta história do ego não conseguir chegar o amor teria ligação com que Paulo disse: hoje vemos por espelho, mas amanhã chegará o que é perfeito e então poderemos ver face a face. Como o senhor disse, hoje como ego não conhecemos o amor, mas um dia, em espírito, chegaremos ao amor.

É exatamente isso. Paulo fala deste dualismo material e espiritual e do fim dele o tempo inteiro. Ele diz assim na Cara aos Coríntios 1 (Capítulo 15, versículos de 35 em diante): se há um corpo material, há um corpo espiritual. O corpo espiritual não é igual ao material, porque as estrelas não são iguais entre si, nem os peixes. O corpo material morre, mas o espiritual fica. Ele termina este raciocínio dizendo que no dia que nós atingimos o espiritual, a vitória será completa: a morte será destruída.

A morte que Paulo se refere não é o morrer, mas o viver. Você está morto quando acha que está vivo. A morte, para o apóstolo, é a idéia de estar vivo, a idéia de existir como ser humano, a idéia de que as coisas humanas existem.

Este pensamento de Paulo mostra como são ilusórios e temporários os elementos materiais, aliás, a mesma coisa que Krishna fala. O mestre hindu, em seus ensinamentos, deixa bem claro que hoje você só vê reflexos de espelhos. Olhe como ele ensina: o maya é uma miragem, o reflexo de algo que existe.

Hoje, você enquanto humanizado, olha o amor (ama), mas não tem como saber o que é o Amor, pois o que vê é um reflexo do Amor Universal. Só quando se reconhecer frente a frente, ou seja, só quando estiver na sua consciência primária, poderá saber o é que o Amor. Aí, então, compreenderá que sempre amou: só tinha ilusão de que a imagem do espelho era realidade.

Perfeito… É exatamente isso que se falou. Aliás, se alguém que entender espiritualismo, leia Paulo. Como o próprio apóstolo fala, ele aprendeu com Cristo no mais alto céu, ou seja, sem nenhuma influência dos conceitos humanos, o ensinamento do mestre nazareno.

Participante: Buda é uma ilusão?

Sim, Buda é uma ilusão… Mas, Krishna e Cristo também são… São personagens de um mundo ilusório, o mundo humano, e neste só pode existir ilusões. Tudo é ilusão. Tudo que você conhece o reconhece pela razão é uma ilusão.

Agora veja… Não queira saber que eles são ilusões, pois você nem sabe o que é uma ilusão. Ilusão para você, é um conceito. Como foi dito no ensinamento de Paulo acima, a sua idéia de ilusão é algo que está vendo no espelho…

Então sabia de nada…

Participante: Não compreendo o estímulo ao bater que a porta se abrirá, uma vez que ela só será aberta quando Deus quiser. Por que nos foi dito para fazer isso se nada podemos fazer?

Grande pergunta que lhe responderei facilmente. Porque foi dito isso?

Primeiro: isto não foi dito… Deus criou, através do seu ego, a idéia de ter ouvido isto.

Por que Ele fez isso? Porque é a sua prova. Este ensinamento foi criado para ver se você acredita piamente que basta pedir para receber… Pedindo, algumas vezes receberá e outras não. Mas não importa se você recebe ou não, ainda está preso ao prazer e a dor, ao dualismo, as ilusões.

Bata que Eu abrirei, como, aliás, qualquer ensinamento, é algo que Deus pôs na sua cabeça sob determinada forma de compreensão para poder lhe perguntar: você vai me amar acima desta compreensão ou continuará acreditando que isso é real?

Participante: É tudo tão sublime e cruel ao mesmo tempo. Não falo de dois lados da mesma moeda, pois acredito que eles estão fundidos no mesmo lado…

Sim, a crueldade e a sublimidade estão contidas num só lugar: no seu ego… Não existe nada sublime ou cruel: existe dentro de você a idéia de que algumas coisas são sublimes e outros cruéis.

Então sim, é apenas um lado da mesma moeda: você, o ego. São os dualismo hoje que existem no humano que você é…

Participante: O fazer do encarnado é um eterno nada incentivado pela espiritualidade a seguir rumo ao inevitável amor incondicional…

Quem espiritualidade? André Luiz, Emmanuel, Caboclo Pena Branca? Desculpe, na Realidade só existe Deus e a idéia de haver múltiplas personalidades…

Sendo assim, é Deus que lhe incita a fazer tudo para alcançar o nada. Por quê? Para lhe propor uma prova… Para lhe testar no sentido de ver se acredita na Realidade (Deus e o Universo Uno, Único e Estável) ou se fica presa as ilusões como realidade.

Participante: Com relação ao nosso amar, enquanto encarnado, nunca se saberá se o objetivo foi atingido ou não. Dizem-nos se isto aconteceu, porque não temos como ver a luz. De que servem todas as mensagens que nos chegam, que só sairemos desta quando deus quiser?

Primeiro que não sairão apenas quando Deus quiser: sairão quando saírem…

Deus não pode decidir sobre a sua elevação espiritual… Ele pode saber o quanto você fará, mas não pode decidir por você. Ele sabe o que você vai decidir, mas a decisão é sua.

Então, para que servem as mensagens esperançosas? Prova…

Não sei se você se lembra, mas, nestas palestras monistas, outro dia me pediram para comentar um trecho de O Livro dos Espíritos onde se falava sobre o reconhecimento de um homem de bem. Fomos ao trecho citado e lá descobrimos que a resposta afirma que se reconhece o homem de bem quando, ao praticar ações, ele está ligado no mundo espiritual.

Sendo assim, para que servem as mensagens esperançosas? Para ver se você é um homem de bem, ou seja, para ver se está lendo-as ligado ao mundo espiritual, ou seja, tendo a esperança da felicidade de outro mundo, ou se quer exigir esta felicidade agora…

Veja bem: se há um dualismo nessa vida que você pode admitir que exista na Realidade, é este: estar ligado em Deus ou na matéria… Mas, falo isso de forma teórica, pois, na verdade, não há um dualismo nisso, porque quem se liga em Deus acaba com matéria. Com isso, encerrou-se o dualismo, porque quem está ligado em Deus não pode se ligar a uma coisa que para Ele não existe…

Participante: Parece uma questão de sorte, pois na condição de encarnado nada decidimos…

Claro, é sorte se o encarnado tiver idéias evoluídas. Este é um pensamento bem humano… Agora, pode também ser azar…

Se você possui no seu ego razões que lhe diga que deve evoluir, ter idéias avançadas será sorte… Agora, se você, no seu ego, não tiver “vontade!” de evoluir, viver para Deus é azar, pois não terá “lucros” materiais…

Além disso, lembre-se que a vida humana de um espírito não é formada a partir de sorte ou azar, mas sim de acordo com o gênero de provas que cada um pediu antes da encarnação. Sendo assim, ter ou não estas idéias é apenas uma coisa: uma situação ilusória que põe em prova uma essência…

Poderíamos encerrar o comentário aqui, mas quero fazer mais um. Não é o ego que evoluirá…

O ego não pode evoluir porque ele nem existe. As razões que existem nele que falam de evolução espiritual, a favor ou contra, são só idéias que você está tendo.

Como já disse a humanização é o resultado de um espírito que formou um baseado. Alucinação pura. É isso que é um encarnado.

Vendo as suas colocações eu vejo que a sua alucinação está cobrando o direito de ser real…

Participante: Originalmente os espíritos são criados ignorantes e submetidos a incontáveis situações antes mesmo de receberem a auto consciência, pois Deus faz tudo…

Desculpe-me: isto você está falando é uma ilusão.

No Evangelho Apócrifo de Tomé há uma resposta de Cristo à seguinte pergunta: qual será o nosso fim? Nela o mestre diz: como você quer saber o fim se não sabem nem o começo? Como você que afirmar isto sobre o espírito se não sabe o começo dele?

O espírito é submetido a provas antes de receber a consciência de si mesmo? Impossível…

Deus seria muito injusto se desse a alguém que não tenha consciência uma prova sob consciência. Seria como um professor material que desse uma prova de uma matéria que ele não ensinou. Impossível…

Participante: Que consciência tem um espírito que está experimentando uma cenoura, por exemplo?

Sabe de uma coisa, o ego atropela as coisas… Como é que você quer saber que consciência tem um espírito sobre qualquer coisa, se você não sabe nem o que é um espírito?

Você só pode saber a consciência que um humano está tendo, porque sabe o que é ser humano. Você não sabe, por exemplo, que consciência está tendo um cachorro diante de determinadas situações, porque você não é um cachorro. Porque não conhece a realidade dos cachorros…

Sendo assim, se você não conhece a realidade do espírito, como quer saber que consciência ele terá ao fazer alguma coisa? Mesmo que eu ousasse tentar explicar, não poderia, pois não teria palavras para descrevê-la…

Por quê? Porque no mundo material, na razão do sétimo grau de ego, não existem idéias que possa falar do espírito, da consciência espiritual, assim como não existem idéias para saber o que o cachorro está pensando.

Na verdade, você tem uma idéia sobre o cachorro está pensando, mas ela não é Real… Às vezes, vocês dizem que o caixão está com fome, mas na consciência, ele está dizendo: não há agüento mais comer…

Participante: O senhor fala assim porque o médium não é muito chegado a cachorros…

Está certo… Então retire a palavra cachorro e coloque no seu lugar leão…

Vocês, ao visitarem o zoológico, dizem que o leão está querendo fazer alguma coisa, mas ele não está querendo fazer nada daquilo…

Aliás, o espírito que está ligado ao ego de leão, nem sabe que é um leão… Isto porque ele não é uma coisa que só existe no ego humano. No ego leão não existe a distinção “eu sou um leão”.

Ah, isso vale para o cachorro também…

Participante: O espiritismo diz que nós, espíritos, já passamos pelo vegetal. O que herdamos daquela vivência?

Vegetabilidade…

Veja… O que você sabe hoje conscientemente sobre ser vegetal? Nada… Apesar disso, afirmo que na sua consciência primária existem informações a este respeito. Mas, o que lá está não tem palavras para ser criada uma idéia no se consciente atual… Então, o máximo que posso dizer é que o que aprendeu quando foi vegetal foi vegetabilidade…

Mais uma coisa: esta informação é Real. Você, o espírito, já viveu a ilusão de ser vegetal. Não foi o vegetal, mas teve a ilusão de ser. Quando foi, aprendeu a vegetalizar…

Eu vou acabar indo para a Academia Brasileira de Letras de tanto inventar palavras para tentar explicar a vocês o que não podem entender…

O espírito espiriteia; você quando foi vegetal aprendeu a veja vegetalizar… É o máximo que posso responder…

Ah, quando foi pedra, aprendeu a pedralizar… Mais uma palavra nova para o dicionário de vocês…

Participante: Para o leão estar vivo não foi preciso que um espírito o animalisa-se?

O que você está dizendo? Está dizendo que o espírito cria vida? Será que não é Deus quem a cria? Quem criou você e as percepções que têm e que chama de vida? Deus…

Em O Livro dos Espíritos se fala que o espírito é necessário ao corpo humano para intelectualizá-lo, mas não para torná-lo vivo. Agora, você está falando de espírito em leão, mas repare que de uma forma diferente…

Baseado na informação do Espírito da Verdade, eu diria que o espírito precisaria estar ligado à forma leão para leonalizá-la… Agora, para viver, é outra história…

A vida, a ilusão da movimentação que gera os acontecimentos, é criação de Deus. Ele cria e não precisa de espírito para que ela aconteça…

Quantas vezes você já se deparou com alguém se mexendo na sua frente sendo que àquela forma não havia espírito ligado? Eram imagens projetadas por Deus que não necessitavam da união com espírito algum…

Este fato que estou citando já aconteceu na existência de vocês todos milhares de vezes e nem se deram conta disso.

Apesar de estar lhe respondendo desta forma, por favor, não se sinta mal de fazer tantas perguntas. Isto porque ao fazê-las está me dando oportunidade de falar sobre muitas coisas.

Então faça mais, mas compreenda sempre isso: não há nada a fazer, a saber…

Participante: O senhor pode se estender um pouco mais sobre esta idéia de formas que, aparentemente, estão vivas, mas que não possuem espíritos ligados à elas?

Falaram-me que é necessária a presença de um espírito para que o leão esteja vivo e eu respondi dizendo que não é isso que está em O Livro dos Espíritos. O que se encontra escrito lá é que para o ser humano intelectualizar-se é necessária a união com um espírito.

Esta união, no entanto, não é necessária para a existência da vida. Esta também é uma informação do Espírito da Verdade…

Vamos dizer assim: ele pegou uma idéia, levou para outro elemento (leão) e, além disso, criou uma reação à presença do espírito, que não estava no ensinamento original, que ele chamou de vida.

Respondi mostrando para ele que não é nada disso… Tratou-se apenas de um jogo de palavras e idéias que o ego dele fez…

Na verdade, a existência e movimentação de massas, aquilo que você chama de vida, é uma criação de Deus e independe da união a espíritos. Este conceito, porque isto é só um conceito, uma razão humana, estende-se para todas as formas que existam, inclusive a humana.

Depois de explicar isso disse: muitas vezes, todos você já se depararam com pessoas, ou seja, elementos humanos aparentemente intelectualizados, onde não havia nenhum espírito ligado.

Na verdade, colocando em termos compreensíveis por vocês, tratava-se apenas de uma imagem holográfica: uma imagem que fala e se mexe, mas onde nenhum espírito está unido…

Participante: O que não entendi foi justamente esta idéia da imagem holográfica…

Você sabe o que é uma imagem holográfica? É uma imagem que age como se fosse uma realidade, mas é apenas uma imagem.

Afirmo que existem pessoas com as quais vocês já conversaram, até mais de uma vez, e que até lhes tocaram fisicamente, mas elas não estavam ligadas a espírito algum. Eram apenas imagens projetas…

Participante: A idéia desta imagem é para nós como se fosse a imagem de um filme? Lá não há espíritos, mas a imagem fala conosco…

Mas o que eu sempre disse senão que a vida humana é um filme que você assiste? Você está assistindo me ouvir e acha que este existir ouvir é porque eu estou falando, mas não é isso. É porque Deus está passando o filme de ouvir neste momento e você o está assistindo…

Participante: O que acontece depois dos encontros com esta pessoa?

O mesmo que acontece com a ilusão de seu corpo: some, desaparece.

Quando a imagem holográfica humana desaparece? Quando alguém aperta um botão comandando que isso aconteça… Pois bem, quando Deus aperta um botão, a imagem holográfica espiritual também desaparece…

Na verdade é isso que acontece: ela deixa de aparecer. Nada mais do que isso… Não é desintegrar-se, acabar-se, só deixa de aparecer…

Agora desculpa, mas isso está fundindo a cabeça de vocês? Quem está acostumado com Umbanda, deveria estar acostumado com esta idéia… Deveria estar acostumado a trabalhar com imagens onde não há realidade nenhuma.

O espírito, por exemplo, diz que trabalha na mata, mas que mata é esta senão apenas uma percepção que ele está tendo? Ela não existe: é uma ilusão… No Universo Uno, Único e Estável tudo que seja dualista é ilusão, imagem holográfica…

Participante: Esta imagem é a do anjo da guarda que vêm e some?

Meu amigo católico, que anjo da guarda você quer ter? Todo anjo da guarda é o seu carma e você é o carma dele.

Além disso, o anjo da guarda não some nem aparece… A idéia de ele estar junto a você surge quando Deus fizer isso acontecer.

Não vá por este caminho, meu querido amigo católico, porque não é isto não.

Participante: As imagens somem depois de um segundo ou depois de uma vida inteira?

Meu querido ego investigativo, não existe tempo… No universo Uno, Único e Estável não existe espaço nem tempo.

Então, como lhe direi quanto tempo ele durará?

Participante: Até que ponto nós podemos criar as situações de nossa vida? Refiro-me ao espírito e não ao ego…

Nenhum: o espírito não cria situações…

Em O Livro dos Espíritos esta informação está muito clara: o espírito pede gênero de provações.

Sendo assim, você, espírito, pede para que seja provado em determinados elementos espirituais (sentimentais). A partir deste gênero é que Deus cria situações da vida…

Você não pede para ser rico nem pobre, mas pede para vencer a ganância e Deus pode para isso criar vivências na pobreza ou na riqueza.

Participante: Esta idéia de uma figura agir, dá até para entender, mas ao nível de uma imaginação. Podemos imaginar algo ilusório como real. Enquanto está sendo imaginado este algo existe, depois desaparecer. Mas entendo que o que está sendo dito é uma imagem ilusória não movida por um espírito que tem alguma existência material. É isso?

Realmente estas imagens holográficas têm uma existência material. Qual e onde é esta existência? No seu ego… Elas só existem dentro de você; só existem para você…

Deixe-me contar uma história…

Conheço uma pessoa que estava com a sua mãe hospitalizada. Um dia, saindo do hospital ela parou num ponto de ônibus e sentou-se. Ao seu lado, um de cada lado, se sentou um homem e uma mulher ciganos. Lembro que esta pessoa participava do trabalho de umbanda conosco…

Este casal que a colocou no meio começou conversar com ela. Ela gostou da conversa e teve um diálogo com eles…

Contando-me numa gira este fato, ela disse que estava naquele momento desesperada pela situação de saúde da mãe e que a conversa com aquele casal de ciganos e ajudou a sair do desespero. Por isso ela queria saber quem era aquelas pessoas.

Eu perguntei então: o que estavam fazendo as outras pessoas que estavam no ponto do ônibus? Ela disse: as pessoas estavam me olhando de uma forma estranha…

Aí falei: claro que tinham que lhe olhar de uma forma estranha, pois estavam pensando que você era louca porque estava falando sozinha…

Veja, a percepção holográfica é individual e não coletiva. A existência da imagem é individual e não coletiva – aliás, até pode ser coletiva, mas na maioria das vezes é individual.

Sendo individual, quando tempo durará? Quanto você percebê-la…

Participante: Isto não é esquizofrenia?

Sim, isto é esquizofrenia…

Aliás, o que você chama de doentes são os sãos. Doentes são vocês que não acreditam neles…

Mas, voltando ao que estava falando, durante quanto tempo você vai percebê-las? Enquanto for necessário a você…

Tenha em mente que tudo do mundo material existe apenas enquanto lhe for útil no trabalho da elevação espiritual…

As imagens, sejam elas entendidas como holográficas ou como reais, não existem: são simplesmente uma coisa que vocês estão percebendo e que acham que é real.

Participante: É… Algumas pessoas realmente não têm “presença de espírito”…

Participante: Tenho achado divertido ver o corpo carnal diferente do que eu via ao longo dos anos. Esta carne sangrenta, interessante, nada mais é do que a nossa percepção. Com você já disse milhares de vezes, uma ilusão. Bem divertido ver como no perdemos pelos sentidos…

Se você tem visto desta forma, porque está estranhando tanto a idéia da imagem holográfica? Se você já tem a idéia de que o seu corpo é apenas uma percepção, tem que compreender que ele é uma imagem holográfica…

Porque estão abismados com a idéia de que possa existir uma imagem holográfica onde não há espírito ligado, se aquilo que vocês acham que são, também é uma holografia?

Qual a diferença entre o seu corpo e o corpo de outro? A forma como a imagem se cria é a mesma…

Lembre-se: não importa em que canal você ligue a sua televisão, terá sempre e apenas uma imagem.

Participante: Se somos a imagem e semelhança de Deus, por que não criamos nada?

Você, espírito, é a imagem e semelhança de Deus, mas não é com a Ele. Onde você não é igual a Ele? Nos atributos que Ele tem…

Um destes atributos é ser a Causa Primária de todas as coisas, ou seja, fazer as coisas de existirem primariamente. Então, você espírito é igualzinho a Deus, mas não tem como atributo fazer.

Mas, o que quer dizer ser a imagem e semelhança de Deus? Falando sobre este assunto com uma pessoa eu disse que era a imagem e semelhança de Deus e ela concordou.

Eu sabia que ela sentia-se humano e por isso disse então: se você é a semelhança de Deus, pode emprestar uma tesoura para Ele cortar as unhas?

Agi assim porque sei que vocês acham que ser a imagem e semelhança de Deus gera a idéia de que ele é igual ao que vocês acham que são agora. Mas, não é isso…

O que é ser igual a Deus? É possuir tudo que Ele possui. O que Ele possui? Inteligência, justiça e amor…

Você tem tudo isso… Você, espírito, tem inteligência justiça e amor. Sendo assim, por que Ele possui o atributo da Causa primária e você não?

Porque você possui inteligência, mas só Deus tem Inteligência Suprema; porque você possui justiça, mas só Deus é a Justiça Perfeita; você possui amor, mas Deus é sublimação do amor, o Amor Sublime. Por isso só Ele tem este atributo…

Ele tem estes atributos porque tem as suas propriedades desenvolvidas ao extremo. Você, espírito, não tem este atributo, porque têm suas propriedades restritas pela ilusão que vive como realidade.

Ficou claro?

Participante: Tenho inteligência, justiça e amor ou é Deus quem me dá essas propriedades?

Você o espírito tem; você ego não sabe nem o que é isto… Por favor, não ponha na cabeça que você tem: você ego não tem, quem tem é o espírito. Você hoje é cem por cento ego, por isso sempre acreditará que você ego tem.

Estou falando isso antes que vocês egos venham me perguntar como é a justiça que o espírito tem. Impossível responder… Isto porque a idéia de justiça que está no ego não é a que espírito tem e esta não pode ser compreendida pelo ego…

Participante: Ao formular a pergunta eu pensei como espírito…

Você não pode pensar como espírito, porque você está ego.

O espírito tem coisas, mas tudo que o espírito tem o ego não sabe o que é nem como e de onde vem, nem pode saber como funciona. O ego não sabe nada sobre o espírito: ele tem idéias que Deus dá sobre o espírito como carma, como prova e não como Realidade.

Participante: Você me disse uma vez, ou eu entendi assim, que o espírito não é inteligente, mas recebe a inteligência do Pai.

Para discutirmos inteligência, teríamos antes que saber o que inteligência. Como não sabemos, vamos deixar esta questão de lado…

Mas, para botar mais lenha nessa fogueira, vou lhe mostrar uma contradição imensa…

Em O livro dos Espíritos está escrito que o espírito é o princípio inteligente do universo, ou seja, a inteligência. No entanto, logo abaixo, é dito que a inteligência é apenas uma propriedade do espírito.

Como pode o princípio inteligente só ter inteligência como propriedade? Pela lógica humana não dá para compreender isso…

O espírito realmente tem inteligência; ele não é. O espírito não é uma inteligência: ele tem a propriedade, ou seja, recebe de Deus a capacidade da inteligência.

Apesar de falar assim, não tente compreender isso, pois você não tem a mínima noção do que é uma inteligência. Mesmo que pudesse compreender dentro das razões humanas o que é inteligência, nada saberia, pois a inteligência do espírito não tem nada a ver com o que você humano, ego, diz que é uma inteligência…

Participante: E a força do pensamento tão difundida, tem algum valor?

Como algo que não existe pode ter força?

O pensamento é uma idéia que Deus cria através do ego e, portanto, uma ilusão. Como uma ilusão pode ter força?

Participante: Mas, e quando esta força aparentemente existe? Eu, por exemplo, já sequei a planta de uma pessoa…

Você falou tudo: quando aparentemente existe.

Você acredita que existe, acreditou que secou com a planta, mas não existe nem planta para ser secada… Deus criou a idéia de você ver uma planta se secar e lhe deu a idéia de que foi você, com o pensamento, que a secou e você acreditou em tudo isso…

Participante: Mas quando acontece da planta secar, ela não morre?

Como pode o que nunca viveu morrer?

A planta para poder morrer tem que ter vivido, mas para viver teria que ter nascido. Como pode algo nascer se a existência a vida é da por Deus? Como alguém pode ter de uma forma autônoma de vida, se a vida um dom de Deus, ou seja, algo construído por Ele?

Não, nenhuma planta morre… O que acontece é que Deus deu a percepção dela estar morrendo.

Não há o que possa morrer, pois nada há que esteja vivo…

Participante: Ou seja, a minha prova era achar que tinha este poder no pensamento e que a planta tinha secado. A prova da dona da planta eu não sei qual era, mas existiu uma a partir da percepção da planta ter morrido…

Sim…

Agora, repare que até chegar hoje a esta conclusão, você deixou seu coração vibrar com a emoção criada pelo ego de que você secou. Ao fazer isso, não amou a Deus acima de todas as coisas, porque se O amasse acima de tudo, iria dizer: Deus fez, Deus sabe o porquê de ter acontecido isso…

Participante: Pode falar algo sobre vidência, já que o espírito não tem forma?

Como você sabe o que você viu durante o processo de vidência? Pelo pensamento, pela razão, pela consciência. Então, o que é a vidência? Uma idéia que Deus lhe dá. Só isso…

Para que? Para ver se você glorifica-se dizendo que é o melhor porque é capaz de ter evidência, ou se ama Deus acima de todas as coisas e acredita que não viu nada, mas que apenas Deus criou, através de idéias, o que você está vendo.

Deixe-me dizer algo: hoje ia fazer uma brincadeira com vocês, mas acabei não fazendo… Ia responder diversas perguntas dizendo apenas: isto não pode ser assim, porque o que você usa para afirmar isto não existe…

No caso presente, você quer saber sobre vidência porque acredita que ela exista. Vocês querem saber sobre o leão ou sobre o cachorro porque acreditam que eles existam; querem saber sobre o comportamento do espírito, porque imaginam que há um jeito “certo” do espírito se comportar…

Repare que o para tudo que vocês querem saber só se torna parte da idéia de que algo existe, é real… Mas, é real só para você humano.

Então, se eu ficasse calado daqui durante estas nove palestras simplesmente dizendo que nada do que acreditam materialmente existe espiritualmente, teria respondido tudo da mesma forma.

Participante: Basta apenas assistir a tudo como se fosse um filme? Não se envolver emocionalmente com nada, não acreditar em nada, não querer nada, nada se, nada fazer…

No mundo atual, no estágio atual de evolução espiritual de vocês, este é o máximo que se pode fazer…

Agora, o melhor mesmo era você compreender que este filme é uma chanchada horrível e dormir durante a sua exibição, ao invés de assisti-lo. Se você conseguisse fazer isso, o que não conseguirá, seria maravilhoso, porque não teria nem a tentação de se envolver com filme.

Mas, hoje, o máximo que se pode fazer é dizer: este filme está uma droga mesmo, mas é a única coisa que tenho para ver agora, por isso vou assisti-lo sem me envolver com ele…

FONTE: http://www.universalismo.org/

MONISMO – PARTE 2

 

 

 

Participante: Na visão monista o UM é o Todo e não pode ser dividido. Sendo assim a causa de nossa ignorância é uma só? É o fato de não sabermos o que é amar verdadeiramente Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo?

No monismo o UM é o Todo… Esta sua afirmação é perfeita, mas o que é o fato do UM ser o Todo? O que ser Um e o que é estar no Todo?

Estas são as questões que precisam ser avaliadas para bem compreender este tema. Por isso, vamos falar um pouco disso…

Já existiram doutrinas (doutrinas ditas panteístas) que afirmavam que o espírito, o princípio inteligente do Universo, o UM ao qual você se refere, transformava-se em UM apenas quando saía Todo. Quando isto acontecia, ele vivia como UM, ou seja, tinha uma individualidade durante certo tempo.

Findo este tempo, ainda segundo estas doutrinas, este UM regressava ao Todo e com isso perdia a característica de UM. Ou seja, elas afirmavam que o espírito não era por si só uma individualidade, a não ser quando afastado do Todo.

Já em O Livro dos Espíritos Kardec faz uma pergunta bem clara: o espírito é uma individualidade. A resposta é sim… Sendo assim, as doutrinas ditas panteístas perdem a sua consistência, pois o Espírito da Verdade afirma que o ser universal é UM dentro e fora do Todo…

Descoberto que o espírito é sempre UM, pergunto: o que é ser UM no Todo? Respondo: é ter uma individualidade sem individualismo…

Vou lhe explicar esta afirmação… Para isso vamos criar uma figura… Imaginemos que todos nós que estamos aqui formamos um grupo. O “Grupo das Bananas”, só para podermos dar um nome a este grupo, ou seja, para criar uma individualidade grupal…

O “Grupo das Bananas” é uma individualidade formada por cada uma das individualidades que fazem parte dele. Ou seja, existimos individualmente eu, você e todos que estão aqui. Mas, fora isso, existe uma individualidade que congraça todas estas individualidades: O “Grupo das Bananas”.

Acontece que quando você individualidade passa a fazer parte de uma individualidade grupal, o óbvio, o natural, seria anular os efeitos e ações da sua individualidade em prol, em benefício da individualidade coletiva. Sei que isso geralmente não acontece, mas esta deveria ser a realidade.

Na verdade, na maioria das vezes, as individualidades, mesmo integradas a um grupo, permanecem utilizando-se dos efeitos da sua própria individualidade. É a isso que chamamos de egoísmo, ou seja, priorizar a individualidade individual em detrimento da individualidade grupal que se faz parte…

Mas, anular os efeitos da sua individualidade, ou seja, o egoísmo, não acaba com a individualidade individual. O ser que está num grupo e anula seu egoísmo continua sendo uma individualidade, mas sem individualismo…

Voltemos agora ao nosso assunto, ou seja, ao UM espiritual e o Todo Universal…

O espírito é uma individualidade, ou seja, o UM. No entanto, este espírito pertence a uma plêiade espiritual, que vulgarmente chamamos de Todo.

Aplicando-se aqui o que falamos acima, podemos dizer que o ser espiritual que não anula os efeitos da sua individualidade, não está no Todo. Já aquele que consegue anulá-los passa a viver perfeitamente integrado ao grupo que faz parte, ou seja, torna-se o Um no Todo…

Resumindo, digo que o espírito que consegue anular o seu egoísmo é uma individualidade perfeitamente integrada à comunidade espiritual, é o Um no Todo…

Agora posso começar a lhe responder… Você me pergunta: o espírito não consegue viver como UM no Todo por que não sabe amar? Eu respondo sim…

O ser espiritual não consegue ser UM no Todo porque não sabe amar universalmente: ama individualistamente, egoisticamente. Ou seja, não consegue, ao amar, anular os efeitos de sua individualidade…

Aliás, esta é a característica do seu nível de elevação espiritual atual. Todos os espíritos encarnados para provas e expiações são individualidades individualistas, egoístas. São o UM alheio ao Todo porque querem conviver numa sociedade onde elas tenham as suas vontades e desejos atendidos, mesmo que com isso prejudique o grupo.

Este é o “problema”… O “problema” do ser espiritual dentro da questão monista ou processo de elevação espiritual é o individualismo, o egoísmo, o amar a si acima de tudo. É isso que precisa ser combatido por este ser para poder reintegrar-se ao Todo…

Mas, deixe-me deixar algo bem claro: não é você espírito que é assim, mas o ego.

O ego tem como característica fundamental o individualismo, o egoísmo. Ele, como instrumento da tentação, da provação, possui aquilo do qual o ser universal deve libertar-se para poder ter a consciência de estar integrado à plêiade espiritual que chamamos de Universo ou Todo…

O espírito não tem individualismo, egoísmo… Ou seja, ele é e sempre será o UM integrado ao Todo. Apenas quando se imagina como sendo a personalidade humana, ou seja, acredita na realidade construída pelo ego que utiliza o egoísmo como sendo a sua realidade é que, ilusoriamente, o ser não se vê como o UM integrado o Todo…

Portanto, o UM jamais perde a sua individualidade e jamais se separa do Todo. O que ele tem é a ilusão de não ser ou a ilusão de não estar integrado…

Acho que enrolei um pouco, mas é porque o assunto é muito complexo…

Participante: O que seria agira em prol da individualidade do grupo? Como posso saber o que é melhor para o grupo?

Você só estará agindo em prol do grupo quando simplesmente assistir os acontecimentos do grupo…

Sendo assim, pergunto: quando você não age em prol do grupo? Quando quer ter ingerência nas decisões do grupo, ou seja, quer comandar o grupo. Não esqueça: o fundamento básico do UM ilusoriamente separado do Todo é o egoísmo e por isso qualquer ingerência deste UM sempre será motivada por ganhos pessoais…

Mas, como saber o que é “melhor” para este grupo?

O grupo universal não é um grupo como outro qualquer… Ele não é um grupamento onde os seus participantes tenham vontades ou objetivos individualistas. Trata-se de um grupo que está unido pela fé, ou seja, pela confiança e entrega absoluta a um Ser Maior…

Esta característica específica do “Grupo Universal” ou Todo elimina vontades individuais. Por causa da entrega com confiança, o Todo aceita a presença de uma Causa Primária, ou seja, de um só Coordenador que decide o que é “melhor” para o grupo. Mas, esta fé só existe porque os participantes do Todo sabem que esta coordenação do Ser Maior é feita com Amor e Justiça…

Ora, se as atividades deste grupo são sempre causadas primariamente pelo Coordenador e se elas refletem aquilo que todos querem (Amor e Justiça) o que resta aos seus participantes? Assistirem aquilo que o Ser Maior causa…

A partir daqui posso lhe responder…

O que é que o grupo quer realmente? O que está acontecendo…

O que é “melhor” para o grupo? O que está acontecendo…

Diante deste fato, para poder integrar-se a este grupo sem destoar, só resta a você, para não ter individualismo, amar o que está acontecendo…

Olha, deixe-me dizer uma coisa… Nós podemos dar muitas voltas e voltas, ou seja, falar de diversos assuntos com diversas palavras, mas vamos sempre voltar nas mesmas questões antigas: amor, fé, Causa Primária, entrega, Justiça, Amor, etc…

Não adianta se querer dizer que existem coisas novas que precisam ser conhecidas… Como Cristo disse: tudo está feito…

Por isso sempre disse que o trabalho para a evolução espiritual é aprender a assistir a vida sem deixar que o coração se altere por causa da razão ou emoção. Isso vale para qualquer coisa que vocês queiram saber…

Participante: Parece que seus ensinamentos se dividem em dois níveis: o do monismo e o da espiritualidade corriqueira (encarnação, obsessão, reencarnação, carma, etc.). Um nível exclui ou entre em conflito com outro.

Falar em meu ensinamento é apenas uma força de expressão, já que, na verdade sou apenas o locutor de ensinamentos redigidos por outros seres…

Na verdade, a linha de pensamento do que leio não tem dois níveis não: tem um só. Desde a primeira mensagem que passamos, falamos de uma forma monista. Agora, para se atingir ao monismo existe um caminho para chegar…

Por onde passa este caminho? Com certeza não passa pela construção de coisas novas – se houve construção de novos paradigmas durante a caminhada ela foi feita por voes e não por mim. O caminho passa sempre pela destruição de tudo o que é acreditado como real.

Sendo assim, quando falo em desobsessão, incorporação ou em qualquer outro tema que você chamou de espiritualidade corriqueira, percorro pedaços do caminho. Ou seja, tenho sempre no fundo a intenção de destruir alguma verdade pré-concebida para que os seres humanizados possam chegar ao monismo.

Na verdade, a cada vez que comento um tema específico sempre busco quebrar os paradigmas pré-existentes. Por isso muitas pessoas dizem que eu não concordo nunca com o que vocês dizem, que digo que vocês estão sempre errados… Não é isso: se concordasse com vocês estaria reforçando determinada verdade, quando sempre as estou combatendo.

A respeito da linha dos ensinamentos, deixe-me lhe dizer uma coisa: se chegasse aqui e dissesse apenas amem a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, teria dito tudo o que tenho para falar. Só que vocês não teriam entendido nada…

Por que? Porque faltam elementos para a compreensão deste tema. Ou ao contrário: sobram elementos para compreensão. Sobram verdades, escalas, leis, cultura… Por isso foi preciso como caminho se comentar diversos aspectos, mas sempre mantendo um cunho monista nas respostas…

A linha de pensamento que sigo desde o primeiro dia é dar a Deus o que é Deus e a César o que é de César. É entregar a Deus a batuta do Universo…

Isso é necessário porque os seres humanos, com suas verdades fincadas no individualismo, imaginam que tiraram a batuta Dele. Imaginando-se capaz de agir independente de uma Causa primária, cada um do seres humanizados ilusoriamente imagina que retirou a batuta de Deus e imaginou-se capaz de reger a “Orquestra Universo”. Por isso, dentro dos conceitos humanos, a orquestra é está tão desafinada e desencontrada…

Participante: Fale um pouco das vicissitudes, que parecem ser um ciclo vicioso…

Vicissitude, como bem explicado em O Livro dos Espíritos, são as alternâncias das situações da vida.

A vida não existe de uma forma retilínea. Ao contrário, o viver é um Constante subir e descer de montes.

Isso é vicissitude: de manhã você acorda muito bem, na hora do almoço já não está tão bem, à tarde melhora e de noite tem nova caída…

Mas, a vida não é assim por acaso… Estas situações acontecem deste jeito porque elas são instrumentos carmaticos do espírito.

Além do mais, a vida não pode ser só de prazer ou de dor, pois é preciso sempre o equilíbrio. Saiba que no Universo tudo está sempre equilibrado: nada está fora do lugar…

Participante: De que adianta um ego Joaquim ficar falando para outro ego José? Tudo que vem do ego não é sem importância para a Realidade?

Sabe, o pior nesta história não é querer saber a importância da conversa destes dois egos: é imaginar que Joaquim fala… Joaquim não fala: o seu ego cria a idéia de que Joaquim está falando.

Na verdade o som não existe: é uma criação do seu ego. Mas, o ego vai mais longe na criação das realidades ilusórias: além de criar o som, ele cria uma compreensão para um som que ele mesmo cria…

Veja, você, ego, não está convivendo com Joaquim, mas sim com você mesmo, ou seja, o ego convive apenas ele mesmo o tempo inteiro. Tudo que acontece na sua existência não existe externamente, mas sim internamente.

Você me perguntaria: para que isso? Eu lhe responderia: por que você está vivendo…

Vamos voltar à questão que falei agora pouco sobre integrar-se ao grupo sem individualismo: é preciso assistir o que a Causa Primária está criando para comandar o grupo universal, o Todo. Esta é a forma que o grupo universal no seu nível de elevação vive. Portanto, assista isso e não queira saber motivos…

Para que, porque, como, quando e onde não fazem parte da consciência do Um que está perfeitamente integrado ao Todo. Não fazem partes de individualidades que querem perder o individualismo. Isto porque querer saber é uma característica individualista: querer deter a posse de um conhecimento…

É isso… Por que eu falo? Não sei lhe responder, já que eu nem falo. Você, o ego, é que está criando a fala do Joaquim, este lugar, a minha compreensão, tudo…

Eu, não estou nem aqui…

Participante: O senhor já falou sobre desobsessão. Disse que quando eu não tiver nada os obsessores nada irão querer de mim… Poderia explanar um pouco mais sobre o assunto?

Posso…

Em O Livro dos Espíritos se fala que o Universo se agrega por simpatia, por afinidade de idéias. Os iguais se atraem…

Quando você fala em obsessão tem que se lembrar disso. Tem que se lembrar de que nenhum obsessor vem ao seu encontro, ao encontro deste ego, porque você é lindo e maravilhoso.

Repare que estamos falando de obsessor, ou seja, de espíritos que vocês consideram “maus”. Se você for lindo e maravilhoso, outros espíritos virão ao seu encontro, mas estes vocês chamam de mentores, anjos da guarda e não estão preocupados em afastá-los…

O obsessor, aquele espírito que vem ao seu encontro e que você considera “mau”, buscando alguém semelhante a ele para se unir. Muitas vezes ele faz isso sem maldade…

Vou lhe dar um exemplo. Se você é uma pessoa que gosta de sentir inveja dos outros, os invejosos vão lhe procurar, vão querer conviver com você já que vibra na mesma faixa que ele.

Mas, eles não estão ali para lhe fazer o “mau”. Estão ali porque você tem o que eles querem, o que eles gostam…

Quem é invejoso gosta da inveja, do invejar e por isso se junta a todos que invejam…

Se, ao contrário, você seca seu coração, se não tem elementos materiais – sensações emoções humanas – os espíritos presos a estes padrões vibratórios não lhe buscarão. Isto porque você não terá nada o que eles querem…

Aproveitando este tema, deixe-me dizer algo interessante.

Na Bíblia Cristo ensina assim: você expulsa um demônio, ele sai, não encontra lugar para viver e volta. Ao voltar, encontra a casa arrumada como ele deixou…

O que é uma casa arrumada para um obsessor? Aquela que contém o que ele quer, que contenha aquilo que ele deseja. Este obsessor, então, volta a habitar a casa donde foi expulso. Mais: ele chama mais sete afins para também morar ali…

Afinidade: isto é o que une os espíritos em qualquer nível…

O obsessor expulso de um encarnado que gosta de fazer fofoca chama seus amigos que adoram fofocar e os convida para se juntarem ao ser humanizado que também gosta disso para viver a inveja.

Sendo assim, se você não quer o demônio (obsessor) volte e fique, o único remédio é desorganizar a casa. Isso quer dizer que você deve mudar o seu padrão vibracional.

Agora, não adianta deixar de ser invejoso e passar a ganancioso, pois tal conduta irá atrair os gananciosos. O que você precisa para se libertar completamente dos companheiros do orbe terrestre é se libertar das emoções e sensações terrestres, humanas. Quando conseguir realizar esta reforma íntima só terá como companheiros espíritos que não estão presos a estas emoções…

Participante: Mas, estas emoções não são do ego?

Sim, as emoções humanas são criações ilusórias da personalidade temporária à qual o espírito está ligado. Agora, quando o ser universal deixa seu coração vibrar nesta mesma emoção passa a vivê-la como real.

Então quando disse não ter emoções não estava falando em razão, mas sim no coração. Aliás, esta é uma confusão que sempre acontece quando proponho alguma mudança. As pessoas dizem logo: mas, não estava pré-escrito…

Esta confusão é comum porque tenho que colocar o que pretendo transmitir em palavras. Quando faço isso vocês acreditam que estou propondo mudanças na razão, mas isso não é Real…

Sempre estou falando de coração, de sentimentos. Apenas utilizo-me para tanto de termos conhecidos da razão. Mas, sempre estou afirmando que você deve realizar o que digo no coração e não pela razão…

Participante: Se já está tudo programado, como posso desarrumar a casa?

Sua razão está completamente programada, portanto, não conseguirá desarrumá-la. Agora, seu coração é fruto do seu livre arbítrio: esta casa pode arrumar do jeito que quiser. O livre arbítrio a que me refiro é entre o bem e o mal: amar ou ser egoísta. Portanto, você não arruma a mente e sim o coração.

A reorganização dos sentimentos é fundamental porque o espírito desencarnado não se liga na mente, mas sim no coração.. O obsessor se liga no coração e é por isso que muitas vezes ele sabe melhor do que você os seus reais sentimentos…

O ego pode mentir, pode falsear emoções, mas o coração jamais mente: espelha sempre a intencionalidade do espírito…

Participante: Como mudamos o padrão vibracional? Como não se identificar com algo que parece tão nosso como, por exemplo, o ciúme, a posse, etc?

Assistindo a vida: olha, ela está com ciúme, que besta…

Para isso é preciso nos lembramos do primeiro trabalho específico que fizemos sobre o ego (“Conhece a ti mesmo”). Já no início desta série de palestras dissemos: é preciso criar uma dupla personalidade.

Esta dupla personalidade de se constituir de coração e razão. Sentimentalmente você deve identificar-se com o coração e fazê-lo assistir a razão, ao invés de querer vivenciá-la…

É assim que se faz: libertando o coração da razão você faz com que o coração assista a razão funcionar…

Participante: Mas, se libertar das sensações humanas não é praticamente deixar de ser humano?

Sim… Mas, no que se transformará quando deixar de ser humano? Em um ser espiritual… Portanto, sim, libertar-se das emoções, das sensações e da razão humana é negar a humanidade e reafirmar a sua espiritualidade.

Lembre-se: você não é um ser humano que tem experiências espirituais, mas um ser espiritual tendo experiências humanas como provação do seu amor incondicional… Você humanizou-se para provar a si mesmo que ama mais os sentimentos espirituais do que as emoções e sensações humanas…

Por isto estas sensações são chamadas pelos mestres de tentações humanas…

Participante: Dentro deste tema, pode-se falar em obsessões de toda uma nação? Existem povos escravos da violência e do radicalismo. Isso é um desafio enorme para a regeneração planetária. Como as mentalizações amorosas podem ajudar este processo de regeneração sem o apelo do egoísmo? Ou está tudo programado que nossa intenção nada valerá?

Desculpe, você está generalizando quando afirma que há povos que se baseiam na violência e no radicalismo. Dentro do povo árabe, por exemplo, que é muito citado por estas características, existe pessoas que tem amigos judeus e não tem ódios deles.

Estes elementos conhecem e têm na razão todos os argumentos que os radicalistas têm. No entanto, não deixam o coração seguir a razão.

Portanto, não são todos os elementos de um povo que vivem o radicalismo e a violência, como você quis insinuar. Este é o primeiro detalhe…

Segundo: o ódio do árabe pelo judeu, por exemplo, é carma… É razão, lógica racional, ou seja, é o instrumento carmatico que aqueles espíritos precisam. Por isso, me desculpe, mas afirmo: você não pode acabar com isso…

Em O Livro dos Espíritos tem uma pergunta interessante sobre o que você quer fazer (alterar as condições humanas):

260a – Assim, se não houvesse na Terra gente de maus costumes, o Espírito não encontraria aí meio apropriado ao sofrimento de certas provas? E seria isso de lastimar-se? É o que ocorre nos mundos superiores, onde o mal não penetra. Eis porque, nesses mundos, só há Espíritos bons. Fazei que em breve o mesmo se dê na Terra.

Na hora que você entender que não existe árabe, judeu, brasileiro ou americano, mas que todos são espíritos, irmãos entre si, filhos de Deus, a violência e o radicalismo acabam… Mas, não acaba porque eles irão fazer as pazes, porque terão compreensão, porque entenderam que devem se amar, mas porque Deus mudará a programação dos egos…

Os maus costumes que o Espírito da Verdade cita é exatamente o hábito de deixar o coração seguir a razão…

Deixe-me falar uma coisa. O anti-semitismo na Europa é muito mais velho do que a Segunda Guerra Mundial. Existiam na Rússia no tempo dos czares os dias de se matar judeus. Neste dias, os russos entravam nos guetos simplesmente para matar os judeus ao léu… Isto era uma festa para o povo de então…

Então, a razão que move o povo árabe, é mais antiga no planeta do que as recentes violências. Mas, porque é assim? Porque é instrumento de carmas dos espíritos.

Vamos sair um pouco da questão violência para poder me fazer entender melhor. Por que a maioria dos brasileiros quer levar vantagem em tudo? Porque é o instrumento de um carma destes espíritos humanizados… Por que a maioria dos americanos é essencialmente materialista? Porque é o instrumento do carma destes espíritos…

Sendo assim, não queira mudar o jeito de ser de um povo, pois a partir do momento que você quer mudar alguma coisa, decretou antes que aquilo estava “errado”. Quando age assim, está dizendo que Deus está “errado”…

Cristo ensinou que se deve amar a tudo e a todos: o árabe, o judeu e a rixa entre eles… Sim, temos que amar a guerra, a bomba, a morte… Não dá para se dizer cristão quando você ama algumas coisas e quer mudar ou acabar com algumas…

Se fosse assim, Cristo teria lutado contra os romanos. Teria deposto o pró-cônsul que estava explorando o povo judeu. Ele nunca fez isso. Aliás, nem ligou para eles. Desculpa, ligou sim. Foi socorrer a filha de um senador, o assistente de um oficial do exército romano…

Saiba: você não tem que acabar com nada, mas sim aprender a amar a tudo, inclusive o que diz que está “errado”.

Sendo assim, afirmo que o que você chama de processo obsessivo coletivo, na verdade é a programação de egos de acordo com a prova que os espíritos precisam… Como em todas as provações espirituais, alguns conseguem silenciar o coração, outros não…

Participante: Esta semana eu tentei assistir a vida e tive sentimentos de irritação sem saber por que. Observei e mandei o ego calar a boca e funcionou… De onde vem estes sentimentos repentinos sem motivo algum?

Do próprio ego. Você acha que o ego vai aplaudir os seus esforços de espiritualizar-se? Não, a cada vez ele complica mais…

Quando você está fazendo um curso material, no primeiro mês a prova é mais fácil porque existem apenas as matérias dadas naquele mês. No segundo, as provas pioram, porque a matéria que será abordada no teste já são aquelas que foram ministradas nos dois meses. No terceiro piora ainda mais e assim sucessivamente…

O ego sempre estará aumentando o grau de dificuldade da prova… Só isso…

Participante: O que você quer dizer com “coração”?

Sentimento que não passe pela razão, que não seja explicado racionalmente…

Participante: Você conhece o fluído cósmico em sua essência original?

Não… O ego Joaquim não conhece porque ele está preso às formas do sétimo e do sexto plano…

Como estou preso a este ego, ou seja, só o que ele cria é realidade para mim, tenho noções, mas não conheço…

Participante: Você acha o seu trabalho produtivo?

Eu não acho nada… Aliás, Eu não estou nem aqui…

Diga-me uma coisa: se tudo está acontecendo dentro de você, o que será que estou fazendo? Se não estou fazendo nada o que tenho que achar sobre o que não faço?

Participante: Você também tem os sentimentos de individualismo: raiva, tristeza, etc…

Eu, o espírito, não tenho… Assim como você, o espírito, também não tem…

Nem eu nem vocês temos estas sensações, emoções. Quem tem é o ego. Eu ou você só passamos a tê-los quando acreditamos que nós somos o ego, quando acreditamos que estamos vivendo aquilo que o ego está criando.

Você espírito não tem estas sensações. Você espírito está no Universo “espiritando”…

Participante: Se formos o ego vinte e quatro horas por dia não nos restará nada mais a fazer: nem mudar, nem nada mais. Então, não compensa fazer nada… Este ego um dia vai morrer, como você já disse. Sendo assim, algumas pessoas estão certas quando dizem que quando morre acaba tudo…

Sim, para o ego quando surge a realidade ilusória da morte, acaba tudo. Para o ego, não para o espírito. Isso porque o ego acaba, mas para a consciência primária do espírito você, seja lá quem for, continua existindo junto à sexta consciência que, mesmo hoje, está criando também realidades.

A Maria morrerá, mas você espírito ligado a uma identidade “Joaquina” no sexto nível, por exemplo, continuará existindo. A Maria morrerá, mas a Joaquina que existe no inconsciente da Maria continuará viva…

Sendo assim, você disse uma grande Verdade do Universo que tenho tentado salientar sempre: para a Maria não há nada a fazer, a não ser assistir o que está acontecendo…

Participante: Você não acha que este pensamento que eu Maria vou morrer e com isso acaba esta história de que reencontrarei parentes depois do desencarne e outras coisas que os espíritas acreditam, não pode causar um certo pânico?

Ao ego pode, mas a você espírito não… Isto porque o espírito sabe que não têm parentes. Os parentes são uma criação do ego…

Participante: Eu sou o ego… Então eu sei que tenho parente…

Está certo, mas mesmo você ego não pode ter pânico por causa de um ensinamento, por conclusões tiradas a partir do ensinamento. O ego só pensa o que Deus fizer ele pensar.

Sendo assim, se você tiver pânico ia ter sempre, pois Deus ia programar isso de uma forma ou de outra, pois, com certeza, era a prova do espírito. Esta dinâmica de consciência vale para todas as conclusões que Deus dá através do ego…

O ego não pensa por si só, não tira conclusões… Ele não cria idéias…

Se o ego Maria sentir pânico ao criar a ilusão de estar me ouvindo, isso não aconteceu por causa dos ensinamentos, mas sim porque era a prova do espírito que está ligado a esta personalidade.

Portanto, você, o espírito, deve dizer: o ego não tem nada a fazer, por isso não vou me perturbar com o pânico dele… Isso é Verdade e você, sentimentalmente, deve chegar a esta conclusão e deixar o ego debater-se na ânsia de realizar algo…

A você, espírito, a única coisa que resta fazer é assistir o ego trabalhar. Neste caso deve observar que o ego está desesperado porque não vai mais encontrar a mamãe e o papai…

Para isso diga a si mesmo sentimentalmente: não devo deixar o meu coração entrar neste desespero…

.Participante: Mas é um ego pensando em cima do que outro constrói… É como se fosse um espelho… Isso não tem fim…

Eu falei para assistir de coração e não racionalmente… Coração em paz, mesmo que a mente não esteja…

Como já disse hoje, eu coloco em palavras porque sou obrigado a isso. Mas quando falo em assistir a sua vida digo que você deve fazer o seu coração assistir a razão…

Quando coloco em palavras é para dar um direcionamento ao coração e não à razão. Acho que aí é que está o grande problema para a compreensão do que digo…

Quando coloco em palavras vocês pensam que estou falando para trabalhar na razão, mas não falo isso. Digo para trabalhar no coração, no sentimento. Ou seja, digo para trabalhar sentimentalmente neste sentido e não com estas palavras…

Participante: Aí vem um grande problema: não conseguimos distinguir quando estamos trabalhando com o coração ou quando é o ego que está pensando que está sentindo…

Fique em paz, mesmo sem distinguir…

Veja: você não pode distinguir, pois quem distingue qualquer coisa é a razão, o ego. Então esteja em paz distinguindo ou não…

Assista a razão: ela está dizendo que eu estou em paz, então estou… Ela está dizendo que eu não estou, então não estou…

Realize isso, não pela razão, mas pelo coração…

Participante: Não dá para fazer esta distinção…

Eu afirmo que dá…

Não digo que você tenha a consciência de estar fazendo, mas muitas vezes a sua razão está ilusoriamente criando bolhas de atividade, mas você espírito, está equânime. Quando isso acontece, vocês, egos, nem vêem…

O problema é racionalmente os egos ainda querem ter consciência de estar fazendo algo. Querem ter a consciência (razão) de que estão fazendo a evolução e não se faz evolução…

Aliás, não se faz nada…

Lembram do que já falamos: ação, a omissão e a não ação… Neste caso, a ação é agir, é conscientemente realizar a elevação espiritual. A omissão é conscientemente esquecer as coisas a respeito da elevação espiritual e a não ação é fazer sem saber que está fazendo…

Participante: É preciso ter fé para acreditar em você? É preciso acreditar em você?

Não, não acredite em mim…

Não acredite em mim. Se você é feliz de verdade – não estou falando em ter prazer – não acredite em mim… Sendo triste, não acredite em mim também…

Saiba de uma coisa: eu não falo verdades, mas mostro caminhos. Caminhos para se alcançar uma coisa ou para se alcançar outra…

Jamais disse uma Verdade Absoluta…

Participante: Eu acho que estes caminhos e verdades que você diz transmitir são todas relativas…

Sim, é o caminho de agora, a verdade de agora. Se ela durará nos próximos dois dias, eu não sei…

Agora se lembre do que sempre disse: posso hoje dizer que uma coisa é preta e depois dizer que o preto não cem por cento preto, mas oitenta por cento. Isso eu posso fazer, mas não posso jamais dizer que o disse que era preto agora é branco.

Ou seja, eu posso dar uma nova interpretação a alguma coisa que já falei… Aliás, isso eu faço sempre. Sempre estou mudando a visão sobre alguma verdade que vocês imaginam que eu tenha dito.

Agora, me opor ao que já disse antes, isso jamais poderei fazer…

Participante: Você disse que está ligado a um ego. Creio que se referiu ao Pai Joaquim de Aruanda. Mas, creio que você se liga intencionalmente a esta ilusão para poder conversar conosco. Quando encerra este trabalho creio que deixa o Pai Joaquim de lado. Então, em que plano você se sintoniza?

Você está realmente preocupado com esta questão, não é mesmo? Já é a segunda vez que me faz esta pergunta…

Saiba de uma coisa: é impossível que eu deixe o ego Joaquim de lado. Isto porque o meu trabalho não é apenas incorporar aqui e passar ensinamentos. O meu trabalho dura vinte e quatro horas por dia…

O tempo inteiro que estamos neste trabalho e antes mesmo de assumir as incorporações já precisávamos ser Joaquim para poder programar, dentro das ilusões humanas, as ações que seriam executadas. Ou melhor, ter a ilusão de estar programando já que sempre acontecerá o que Deus quiser…

Lembro-me de ter dito a algumas pessoas que era importante para nós que eles escrevessem o que falamos, ao invés de nós ditarmos diretamente… Isto porque muitas vezes nos faltam palavras e quando os egos mais humanizados transcrevem utilizam melhor as palavras do que eu.

Falei isso mesmo estando ligado a um ego que está preso entre a sétima e a sexta consciência: imagina se não estivesse ligado a ele…

Então, não: agora eu não posso me desligar de Joaquim enquanto durar esta minha missão…

Mas, porque eu sei que sou um espírito e vocês não? Porque em Joaquim existe a verdade de que eu não sou Joaquim; no ego de vocês, não…

Participante: Joaquim, quando você fala para mim ego o ensinamento chega para mim espírito?

Já me fizeram esta pergunta com outras palavras: sendo ego lidando com ego, o que está acontecendo entre mim e você, espíritos? Eu respondi: você e eu, espíritos, estamos na Realidade, ou seja, estamos espiritando.

Não, a palavra não chega ao espírito, porque espírito não entende palavra. Aliás, eu não estou nem falando com você: você, ego, cria a idéia de estar me ouvindo. Aliás, cria até eu…

Então eu não falo com você, espírito, nem falo para o se ego: o seu ego cria a idéia de estar me ouvindo…

Participante: Coração igual a intenção… Certo?

Não, jamais… Intenção é razão…

Participante: O ego se desmancha naturalmente quando só o coração permanece. É isso?

Não, o ego não se desmancha… Ele se desmanchará através do comando de Deus e quando Ele achar que tem que desmanchá-lo…

Participante: Pelo que sinto, se o ego deixar, o coração pode despossuir o próprio ego e assim encerrar o processo de vir a ser, só restando o espírito integrado a Deus…

Não, o ego jamais deixará nada… Aliás, o ego nem existe…

O ego não é uma pessoa, um individualismo: é um processo através do qual Deus cria ilusões. Ele é um processo e não uma pessoa…

Participante: É uma programação?

Não, ele é um programa…

Programação é o resultado do que o programa faz. Programa são as linhas escritas, os comandos escritos que criam a realidade.

O ego é simplesmente um método pelo qual Deus cria as ilusões racionais. Sendo assim, ele não pode deixar nada… Se tiver que deixar, este deixar fará parte da pré-programação e não será conquista alguma do ego…

Saiba de uma coisa: espírito e ego não se misturam… É só pela ilusão que o espírito acha que está ligado ao ego…

Participante: O ego Joaquim é diferenciado, porque sabe que ele não é Joaquim. É isso?

Eu não diria diferenciado, mas preparado para esta missão. Falo assim, porque quando você fala em diferenciado, está se referindo a algo melhor do que outra coisa. Não, Joaquim não é melhor ou pior do que os egos que vocês estão vivenciando: apenas preparado para uma determinada função o que o de vocês não está…

Participante: Depois de tudo isso que o senhor falou, só me resta perguntar: para que tudo isso?

Não sei, pergunta para Deus…

Veja bem, seu ego investigativo, não existe para que, porque ou como. Assista estar aqui ou não estar. Jamais tente compreender porque esteve ou não, pois não existe porque para o que você vive…

Olha o que acabei de dizer corroborando o que me disseram: você ego não tem nada para fazer a não ser assistir o que está acontecendo. Assista de coração sem querer ter razões.

Sem razões que determine onde você está, por que está neste lugar, onde vai dar tudo o que está acontecendo agora, como as coisas prosseguirão…

Eu, ego Joaquim, que, por causa de minha missão, estou falando estas palavras não sei o que irá acontecer a partir deste trabalho, que dirá vocês, egos, que estão aqui por provas…

Participante: O senhor diz que a ação é de Deus. O carma agindo, qual a postura perfeita para aproveitar esta oportunidade?

Amando… Amando universalmente… Ame a tudo e a todos.

Olha, deixe-me deixar bem claro. Não adianta se amar apenas as pessoas. Foi o que disse agora a pouco: não adianta amar apenas os judeus e os árabes… É preciso amar a rusga entre eles…

Amar a tudo e a todos, de uma forma universal, ou seja, de uma forma eterna e sem que haja distinções é a única postura que nos aproxima de Deus…

Participantes Por que Deus cria ilusões tão ”horripilantes” para alguns egos, como dores alucinantes e estupros, e para outros cria ilusões mais fáceis de serem vividas?

Deixe-me explicar uma coisa: nem sempre as provas aparentemente mais fáceis são as mais fáceis. Tomemos como exemplo um casamento.

Será que ter um casamento feliz, nos termos de vocês, um casamento onde há um congraçamento, uma união entre os pares, é uma prova mais fácil do que um casamento cheio de brigas? Eu diria que não…

Por que? O qual é a prova de vocês? A prova do despossuir. Despossuir as coisas, as pessoas, os conhecimentos, o que tem e as sensações que o ego cria.

Olhando a partir deste ponto, pergunto: é mais fácil despossuir um marido que bate em você ou um marido que lhe dá carinho?

Veja… Você está partindo do pressuposto humano sobre felicidade e não dentro da visão universal. Por causa disso é que afirma que uma situação onde você é feliz materialmente é uma prova mais fácil. Dentro da Realidade Universal é ao contrário: é mais difícil despossuir quando se está feliz materialmente, ou seja, se está tendo prazer e diz que é feliz.

É muito mais fácil você despossuir a ganância, por exemplo, não tendo dinheiro nem para comparar comida, do que sendo rico. É muito mais fácil despossuir a inveja pela consciência de saber que não pode ter determinada coisa, do que quando ilusoriamente se acha que se pode ter tudo o que quer…

Então, viver uma vida cheia de prazer não é prova mais fácil. Para se poder determinar a facilidade ou não de uma prova é preciso se estar conectado no universal, no eterno e não na realidade material.

Se a Realidade Universal nos diz que a aprovação é conseguida através do despossuir, já que o egoísmo nato do ego que gera a posse é muito mais fácil despossuir aquele que nos fere, que nos magoa, do que despossuir aquele que nos dá carinho.

Apesar de ter dito tudo isso, saiba que apenas fiz um raciocínio… Isso porque, não importa se é o prazer ou a dor, a coisa mais difícil de despossuir é sempre a que possuímos e não o que os outros possuem…

Participante: É impossível amar quando julgamos aquilo que vemos…

Por isso sempre digo: assista aquilo que a razão fala e não viva o que ela diz… Isto porque a razão vai trabalhar o tempo inteiro julgando.

Razão existe para julgar… Raciocinar é comparar percepções com verdades arquivadas no ego e editar uma realidade. Isso é raciocinar.

Se você acredita no resultado deste processo como verdadeiro, vai julgar a vida inteira por que raciocinar é julgar.

Participante: Quando o perispírito se desdobra, o espírito está na sexta consciência?

Que perispírito? Perispírito é corpo – mesmo sendo o espiritual – e todo corpo é ilusão… Sendo assim, que desdobramento de perispírito você quer que exista?

Lembre-se: existem caminhos… As informações espirituais a respeito do desdobramento do perispírito e tantas outras são necessárias para que você comece a ver que existem mais coisas do que suas percepções pode, captar. Mas, a partir do momento que você entra em um campo para onde tem que sair do tudo para o nada, nada pode existir.

Na verdade, o perispírito existe dentro da sexta consciência, mas existe como uma ilusão criada por esta sexta consciência. Agora, se ele é uma ilusão, não pode, então, se desdobrar. O que você pode ter é a ilusão de que ele está se desdobrando, mas isto é outra coisa.

Participante: No que o senhor falou acima se encaixam também outras coisas como pressentimentos, intuições, visões, etc?

Encaixa-se tudo o que é racional. Passou pela razão, ou seja, você teve um conhecimento racional sobre a coisa é uma ilusão.

Participante: O que eu quis dizer é que, por exemplo, as vezes as intuições se concretizam, mas mesmos nestes casos, não somos nós espíritos que temos a intuição, mas sim Deus quem dá e a nós não cabe saber por que Ele agiu assim. É isso?

Exato: cabe a nós assisti-la…

Participante: Você disse que a única matéria que existe é o fluido cósmico com o qual o espírito entra em contato para se conscientizar e se aproximar de Deus…

Nunca falei isso… É você que está fazendo esta afirmação…

A matéria universal, segundo O Livro dos Espíritos, é aquilo que compõe o espírito, do qual se cerca e sobre o qual age. Isso eu sempre disse…

Agora, quanto à intenção de chegar a Deus quando o espírito age sobre a matéria, isto você que está dizendo…

Participante: Disse também que para o espírito é impossível conhecer algo do mundo material. Esse mundo material ao qual você se refere é a matéria como os encarnados conhecem na Terra?

Realmente é impossível ao ser espiritual conhecer alguma coisa do mundo material… Sabe por que? Porque o mundo material não existe…

Sabe o que é esta vida que você está levando? Uma alucinação de um espírito que cheirou cocaína… Como pode uma alucinação existir realmente?

A vida é só uma alucinação… Como pode, então, o espírito conhecer alguma coisa dela? Nada nela existe de verdade…

Quando falo em mundo material, falo sempre desta alucinação… Saiba de uma coisa: não importa em que densidade que esteja esta matéria a que você está se referindo, qualquer matéria a que você se refira que não seja o próprio fluído universal, é alucinação…

Saiba: só existe Deus, o espírito e o fluido cósmico universal… Todo o resto que você acredite existir são combinações do fluído cósmico… São percepções que deus cria a partir do fluido…

Participante: Mas, então, parece que o que foi falado está correto: é através do fluido cósmico que o espírito entra contato que ele se conscientiza de si mesmo e se aproxima de Deus… Você acabou de falar isso

Não, eu não falei isso… Eu disse a que o espírito entra contato com o fluido, mas não afirmei que ele faz pare se conscientizar de alguma coisa ou para se aproximar de Deus.

Eu nunca falei isso porque você não entra em contato com Deus através de matérias, mas sim do amor, que não é uma matéria…

Participante: Para que serve esta matéria então?

Ela serve para “gupigupi”… Entendeu? Não, por que para o que ela serve de verdade não existem palavras humanas que possam definir.

Saiba que qualquer coisa que exista de Verdade no Universo não pode ser definida pelas palavras que vocês têm… Não há como se falar do mundo espiritual através de palavras humanas.

Participante: Mas, no fluído cósmico universal não há toda a variação da matéria como a conhecemos?

Não o fluido cósmico é fluido cósmico e não a matéria como você a conhece… A matéria que você conhece é uma percepção que o ego cria para o fluído cósmico…

Olhe para baixo… Você tem a percepção de ver um chão abaixo do seu pé, mas não está vendo nada, pois nem o chão nem o pé existem como você os vê… Abaixo de você existe o fluido cósmico, mas ele não é o que vê.

Portanto, taco não é fluido cósmico… Taco é uma forma de ver fluido cósmico universal assim como tapete, paredes são formas de ver o mesmo fluido… Isso aplica-se a qualquer elemento material que você perceba, pois tudo que existe é o fluido cósmico universal.

Já fiz esta figura anteriormente, mas vou fazê-la novamente. O Universo é como se fosse uma massa de bolo: uma massa compacta e homogênea de alguma coisa onde você não distingue nada em separado. O Universo é isso…

Distinguir elementos nesta massa é a mesma coisa que pegar um palito de fósforo e, com as próprias mãos, desenhar formas. O ego desenha um homem, uma cadeira, o chão…

No entanto, estas imagens não estão na massa: tratam-se apenas de imagens geradas ilusoriamente numa massa compacta e homogênea… Esta é a realidade

Além disso, encerrando o assunto, deixe-me dar-lhe outro conselho: não queira entender fluido cósmico universal, pois ele não faz parte do seu mundo…

Participante: Ou seja, não sabemos quem somos, onde moramos, como fomos feitos, onde estamos… Não sabemos o que é o Universo, não sabemos quem é Deus… Não sabemos nada…

Mas, você acha isso “ruim”? O que é qualquer coisa que você sabe? Um fruto da árvore do conhecimento, um elemento que Deus disse que não deve ser comido…

Saiba que sempre que você souber alguma coisa este saber nasceu como um fruto da árvore do conhecimento. Portanto se souber algo ainda estará comendo maçã e por isso não poderá voltar ao paraíso…

Participante: Mas, se Deus se diz universalista, por que não divide este conhecimento com os espíritos? Então Deus é individualista?

Não entendi a pergunta…

Participante: Se nós não podemos ter o conhecimento, Deus é individualista por que não o divide conosco…

Na verdade, você tem o conhecimento… Ou seja, o espírito tem o conhecimento do Universo, mas o ego não.

Isto é desta forma porque o ego não pode ter este conhecimento. Se ele tivesse, seria a mesma coisa que o espírito fazer a prova com o livro aberto. Cada ego cria um mundo (saber) específico para um espírito mundo gerando, assim, as suas provações individuais.

Portanto, o ego não pode saber, mas o espírito sua consciência primária sabe…

Participante: Uma coisa que sempre me confunde é quando você diz que é Deus quem cria. Mas, como você já afirmou diversas outras vezes, Deus não existe. Então, que coisa é essa que cria? Que força é esta?

Deus…

Veja o que acabei de dizer: não dá para se explicar o mundo espiritual para chegar ao nível do conhecimento de vocês porque faltam aos seres humanos sentidos, percepções e compreensões espirituais para poder entender o Universo.

Sendo assim, acredite que esta força à qual você se referiu é Deus. Agora, tenha também a plena consciência que dizer que o Senhor é esta força é apenas um rótulo, um nome, que você deu àquilo que chama de força. Não dá para se explicar o que Ele causa, quando e como funciona, porque senão você estará humanizando Deus e o Senhor não tem nada de humano…

Ouça bem: o grande problema neste sentido é que o ego materializa o mundo espiritual. Como vocês acreditam como real estas humanizações que o ego faz, aceitam, também quando ele os instiga saber cada vez mais.

Ou seja, como a cobra da história bíblica, os instiga a querer comer o fruto da árvore do conhecimento. Por causa desta tentação gerada pelo ego vocês deixam de buscar entender o que realmente precisa ser feito para a elevação espiritual e se prendem na busca de curiosidades que não levam a nada…

Esquecem que o ego age desta forma insuflando-os a ter os olhos abertos e o poder de separar o “bem” do “mal”… Só isso…

Lembra o que falei na semana que passou? O ego incita a busca pelo conhecimento insuflando-os com a ilusão de que assim podem exercer o ilusório poder sobre a vida…

Para isso ele lhes diz: quem sabe mais pode mais…

Participante: Não sei se consegui deixar clara a minha dúvida. O que quero saber é como podemos amar a Deus se não existe um deus conforme a nossa concepção e sim apenas a Unidade?

Amando a Unidade… Amando a Unidade, ou seja, amando o que está acontecendo…

O que é a Unidade? O que está acontecendo aqui e agora…

O que é uma coisa universal? É tudo que existe no Universo… Mas, o que é existe no Universo? Tudo que você está vivendo… O tudo que você conhece é o tudo que você é e que existe para você.

Então, chame tudo que você é e vive de conhecimento total… Aí estará amando o Uno sem estar amando um uno… O problema é que vocês querem sempre criar um rótulo ou uma identificação e assim criam uma individualidade do que é em essência universal…

Um dia me perguntaram o que é o universalismo… Eu respondi que se eu definisse o universalismo estaria criando um universalismo. Ao fazer isso, estaria deixando de ser universal.

Respondendo-lhe diria que para amar a Deus, você deve chamar o tudo de Todo e amar a tudo: só isso…

Participante: Na nossa concepção não podemos dizer que Deus é um ser?

Claro que sim… Na sua concepção você pode dizer o que quiser, ou melhor, o que Deus criar para ela…

Então, você pode dizer que Deus é um ser, mas você não deve se prender a idéia de que isso é Realidade, já que existe o Deus ser, o emanado e Suas emanações… Estes três elementos são a força criadora e que foi citada anteriormente.

Deus é tudo… Acreditando que Ele é um ser, não irá crer que o coco do cachorro é Deus, mas ele é…

Portanto, você pode acreditar que Deus é um ser, mas tenha a consciência de que não adianta se apegar a esta idéia. Para se promover a reforma íntima você deve conviver com Deus como um rótulo que você deve usar para rotular tudo que existe.

Participante: De onde venha a idéia de que Deus e é justo e amoroso?

Das doutrinas religiosas, ou seja, dos carmas…

Ter a consciência de que Deus é justo é um carma. Trata-se de uma prova para ver se você vai armar mais a Ele ou aos seus padrões de justiça…

Sim, é isso mesmo, pois quando você não aceita a idéia de que Deus é justo é porque não vê justiça no que ele faz. É por não ter padrões individuais que rotule o que está acontecendo como justo é que você não aceita Deus como justo… Neste momento você não está amando a Ele e sim a você que sabe o que é ser justo.

Lembre-se sempre: Deus não é justo, mas a Justiça… Sendo assim, tudo o que Ele promulga é o próprio código normativo daquela situação (Justiça) e não a simples bem aplicação de um código pré-escrito (ser justo).

É a mesma diferença que conversamos entre “bem” e “bom”: “bem” é universal, é tudo o que vem de Deus; “bom” é individualista, é como é rotulado aquilo que vem de Deus (bem) e que você gosta… É bem diferente uma coisa da outra…

Participante: Só que você não respondeu a minha pergunta: de onde vêm esta informação?

De Deus…

Se tudo vem de Deus, esta informação também vem Dele…Vêm Dele como carma e por isso eu falei: esta informação faz parte da sua prova.

Você ter a informação racional que afirma que Deus é justo e ter critérios individuais de justiça é uma prova para ver se você vai amar mais ao Pai ou aos seus critérios de justiça…

Participantes: De onde vem a idéia de que eu sou obrigado a amar a Deus?

Apesar de usar constantemente esta expressão, você não é obrigado a amar a Deus… Lembre-se que também constantemente afirmo que Deus é um rótulo que você deve aplicar a tudo que existe…

Na verdade, você deve amar a tudo que existe porque esta forma de agir sentimental isso faz parte do universalismo. Mas, por que faz parte do universalismo? Porque quando deixa de amar alguma coisa criou um egoísmo, um individualismo que não pode ser Universal porque é individual.

Deixe-me deixar bem claro o que eu digo: ame a Deus, mas o Deus que me refiro não é um espírito ou um líder de uma religião, mas sim o Todo universal.

Participante: Aqui e agora é preciso esquecer toda literatura, ensinamentos e práticas espíritas e espiritualista para entender o que você diz?

Não só neste aqui e agora, mas em todos eles, você precisa libertar-se de tudo o que lhe vem ao ego e não só das práticas espiritualistas e espíritas.

Precisa libertar-se das práticas sexuais, daquelas que utiliza para poder exercer as funções fisiológicas, para ser pai, para ser médico… Em todos os momentos da sua existência deve libertar-se de todas as práticas que o ego lhe diz que são necessárias para viver…

Veja que não falei em esquecê-las, pois isso é impossível. Eu disse que você precisa se libertar delas, ou seja, não acreditar na idéia que o ego cria e que afirma que elas são verdades absolutas… Só isso…

Participante: Qual é o fruto da árvore da vida citada na Gênesis?

Participante 2: O fruto da árvore da vida é o conhecimento…

Não, o fruto da árvore da vida não é o conhecimento, mas sim o saber…

Quando eu ou qualquer pessoa estamos falando alguma coisa, o que está sendo dito um conhecimento. Quando você decreta que isto que ouviu é uma verdade gera um saber a partir de um conhecimento. No momento que você transformou o conhecimento percebido num saber foi que comeu o fruto da árvore da vida, ou seja, passou a saber.

É por isso que digo: não acredite em mim, ou seja, não transforme o que falo em um saber, porque senão não adianta nada me ouvir…

Participante: Acho que o amor é a mais elevada percepção de sentimentos que podemos provar neste nível do ego, não?

O ego não pode experimentar o amor universal porque ele é humano, ou seja, não existe…

Não, o amor universal espiritual não pode ser experimentado de uma forma racional: ele só pode existir no coração…

Sabe aquelas pessoas que saem pulando de felicidade sem nem saber o porque estão agindo e nem se dão conta da felicidade que estão sentindo, estes experimentaram a felicidade universal. Mas, o pior é que eles nem sabem disso, nem sabem que experimentaram algo tão grandioso… Se soubessem, não teriam experimentado, mas apenas tido a impressão de que experimentaram. Teriam vivido a idéia de ter experimentado sem ter realmente vivenciado esta postura sentimental…

Participante: Seria, então, assim: Deus é tudo e tudo é Deus…

Deus é tudo e tudo é Deus: perfeitos… Mas, além disso, Deus é o todo…

Lembre-se que o Deus a que me refiro neste caso é apenas ao rótulo que você utiliza de uma forma conceitual, ou seja, dentro daquilo que você acha que é Deus… O que estou dizendo é que você deve aplicar os valores conceituais que tem por trás da palavra Deus e todas as coisas, a tudo que existe…

Participante: Haverá sempre uma ilusão associada ao estado de consciência que o espírito vive, com exceção talvez da primeira consciência?

Perfeito

Participante: Como amar você diz aceita?

Amar não é aceitar… Aceitar é aceitar, amar é amar…

Deixe-me explicar uma coisa é ouça com atenção: não dá para se explicar de uma forma ou humana, ou seja, através de comparações a Realidade espiritual. Portanto saiba: amar é amar, aceitar é aceitar.

Ao falar assim vocês me diriam: vamos dizer que é parece que é… Não, isso não deve ser feito sem correr o risco de vocês ficarem presos à esta comparação como Verdade quando não é. Sem correr o risco de vocês quererem aceitar e com isso não amarem….

Amar não é aceitar: a mar é amar… O que eu falo é ame a tudo, a todos, a todas as coisas…

Participante: Como amar a tudo?

Amando de uma maratona onde não haja emoções variadas no trato com qualquer coisa…

Para amar, por exemplo, não aceite apenas aceitar as coisas… Como disse aceitar é uma emoção diferente de amar. Por isso não aceite as aceitações que o ego crie. Assim estará amando…

Saiba de uma coisa: o amor não se constrói. Ninguém consegue realizar a ação eu amo… O ser humanizado é incapaz de criar a ação amar, porque todas as ações que este ser pratica lhe são conscientes, ou seja, são criações racionais e o ego, aquele que cria as ilusões e as leva ao consciente, é incapaz de amar.

Você não pode mudar estas criações do ego nem criar nada que lhe seja consciente independente da sua personalidade transitória, portanto, não pode amar… O que você pode fazer é libertar-se das emoções que o ego cria…

Acontece que quando você se liberta das criações ilusórias do ego cai, mesmo que não tenha consciência disso, na Realidade vivenciada pelo espírito. Nesta Realidade, o estado natural, ação única do espírito é amar. Portanto, quando você se liberta da crença que as emoções geradas pelo ego são reais, naturalmente estará amando, mesmo sem saber (ter a consciência) que está.

O problema é que vocês querem construir um amor, querem amar, quando amar não é uma postura que possa ser conscientizada pela razão… Amar é o estado natural do espírito e este nunca será percebido pela razão humana.

Portanto, saiba que você já está amando, mesmo que não saiba que está, pois ainda acredita que você é o ego… Se isso é verdade, não se preocupe, então em construir um amar, mas sim em libertar-se da consciência de que você é o ego…

Agora ficou claro o que é amar? Compreendeu como se ama? Amando…

Participante: Seria fazer com que o ego caia no vazio absoluto?

Não, seria fazer com que o coração caia no vazio absoluto… Deixe-me contar uma história para isso ficar mais claro…

Lembram-se dos aviões que bateram nas torres gêmeas? Pois bem, algumas pessoas que já tinham me ouvido estavam assistindo a tudo aquilo junto com outras. Estas pessoas estavam presenciando aquela cena com uma consciência sentimental de que não havia acontecido nada de anormal. Aquelas que nunca tinham me ouvido estavam, no coração, vivendo um grande sofrimento…

Sabe do que tas pessoas que já tinham me ouvido foram chamadas? De frias…

Acontece que, como já dissemos em outro dia, amar é ser frio com as coisas do mundo. Portanto, estas pessoas estavam realmente amando, enquanto aqueles estavam sofrendo, mesmo que dissessem que aquilo era amor, ou fruto dele…

Eu já chamei durante muito tempo o sentimento equânime de apatia. O sentimento equânime, ou seja, o amor, acontece quando você é apático para as coisas do mundo, com as emoções mundanas…

Participante: Falemos da procura da equanimidade… Um ser humanizado pode ter os seus extremos em distâncias diferentes um do outro. Por exemplo: não se exaltar com os resultados positivos ou harmoniosos, mas se alterar com os resultados negativos ou não harmoniosos…

Deixe-me antes lhe explicar um detalhe: não se procura a equanimidade… Ela aparece naturalmente quando você abandona os extremos. Ninguém se transforma em equânime: abandonam o extremo… Uma coisa é diferente da outra…

Vamos, então a resposta… Não importa em que grau você congraça com um dos aspectos do dualismo: neste ponto está o seu extremo, o seu ápice.

Quando se fala e se abandonar os extremos não se fala em, por exemplo, abandonar a raiva extrema, mas sim a sua extremidade de raiva, que pode ser menor do que a dos outro, mas é o seu extremo de raiva.

Veja que grande ambigüidade… O Universo, apesar de ser universal, é individual, ou seja, único para cada um… O que isso quer dizer? Que cada ser vive no Universo em Unidade, mas que as ilusões criadas pelo ego formam um Universo diferente para cada um…

Sabe, tem gente que fica chateada com uma coisa que para outros não têm importância… Eles estão em Unidade no Universo porque são elementos universais, mas ao acreditarem nas verdades e nas sensações que o ego de cada um cria como Realidade ou Verdade, vivem em mundo diferentes…

Além do mais, não se pode querer conhecer o que você já andou pela medida dos outros. Isso é egoísmo é querer se dizer melhor…

Não, não é este o caminho… O caminho é lutar contra todos os extremos, mesmo que um deles esteja apenas um passo do meio…

Falei em lutar contra no sentido de se libertar e não de brigar ou querer mudar-se…

Participante: Eu me referia a mim mesmo… Referi-me ao fato de não me alterar com atos harmoniosa, mas aceitar a tristeza em outros momentos… Aproveitando… Em certas ocasiões você disse que devemos fazer o coração cair no vazio: não seria fazer a razão cair no vazio?

Mas, a razão não existe… A razão é o próprio ego, portanto, ela é uma emanação de Deus… É Deus quem cria a razão: como então você poderá mudá-la? É impossível…

A razão não existe: ela é um instrumento que Deus cria para ver se você ama a tudo e a todos. É por isso que digo que ela é contrária ao amor universal.

Saiba de uma coisa: se você ama a tudo, não pode acreditar na razão…

Participante: A partir do que falei sobre reagir diferente no prazer e na dor, será que os meus extremos não estariam desequilibrados?

No Universo não existe nada desequilibrado… Se os seus extremos são diferentes o equilíbrio deles é ser desta forma…

Dizer que alguma coisa no Universo está desequilibrada é a mesma coisa que dizer que a Onipotência não sabe o que faz… Isso porque onipotência quer dizer toda a potência de construção de alguma coisa.

Sendo assim, tenho que dizer que os seus extremos foram construídos por Deus. Quando você fala que eles estão desequilibrados, diz que Deus é um desequilibrado…

Participante: Me parece que só conseguiremos amar universalmente quando não estivermos aí para nada, nem para esta história de amar, simplesmente abandonando tudo o que passa pela nossa mente. Muitas vezes essa história de amar a tudo tira a nossa paz e acaba nos aprisionando nesta necessidade…

Exatamente. Entender a questão do amar é não tornar isso como uma obrigação, como algo que deverá ser realizado… A questão do amar se torna um carma, uma prova, quando você quer amar…

É o que acabei de dizer: amar é amar e ninguém ama… O amor já existe e flui quando você se liberta das emoções criadas pelo ego…

Existia uma pessoa que vinha sempre me ouvir… Um dia disse uma coisa para ela, que ela não gostou muito, e agora vou dizer a mesma coisa para vocês todos…

Sabem por que vocês não evoluem? Porque querem evoluir…

Transformar a evolução espiritual em objetivo de vida é sinal de egoísmo, pois nesta busca está embutida a esperança de ganhar alguma coisa… A evolução não se constrói: percebe-se que evoluiu depois que evoluir e não durante a caminhada…

Participante: Atirar-se no vazio traz uma sensação de perda e de falta de controle sobre as coisas para que não têm fé… É por isso que o ego rechaça tanto esta hipótese…

Sim… Lembre-se que o interesse do ego é sempre manter acesa a ilusão do controle sobre as coisas da vida, como falamos na semana passada. Por isso ele não pode permitir esta sensação de perda e de falta de controle…

 

Participante: A energia e a atração sexual é da realidade do espírito?

A que energia você se refere a: elétrica, magnética, sexual… A que energia você se refere?

Participante: Sexual…

Se você chama de energia sexual o desejo por um corpo ou o desejo do ato sexual através da junção de corpos isto não pode ser do espírito, pois o corpo é irreal… O espírito só vive o que é real e o corpo é irreal…

Agora, se você chama de energia sexual o desejo de atingir o ápice do amor – e o que estou falando não tem nada a ver com corpo, com toques, com órgãos sexuais – isso faz parte do espírito.

O espírito pratica sexo, mas o sexo entre espíritos é um enlevo amoroso e não um ato sexual…

Participante: Então, a atração entre dois espíritos, quando teatralização da ilusão humana, não estaria representando o trabalho que cada um deveria individualmente fazer caso se objetivasse a equanimidade?

Não… A atração sexual entre humanos não pode existir porque o ser humano não existe…

A atração sexual é racional – desejada através da razão – e a razão humana não existe. Na verdade, a atração sexual entre dois egos, ou melhor, a atração sexual que é criada por Deus através de dois egos é uma prova para o espírito para ver se ele continua amando a Deus acima de todas as coisas ou vai gozar o prazer do sexo ou sofrer um porque não conseguiu ter relações com aquela mulher ou homem.

Deixe-me deixar uma coisa bem clara: tudo que é humano não existe… Tudo que pertence ao ser humano é o uma criação ilusória: só existe na ilusão do ego… Na Realidade não existe nada que seja humano…

Aliás, Krishna diz: o que é Real nunca deixa de existir o que é irreal nunca existiu…

Participante: Quando estamos encarnados é possível que o espírito manifeste o seu desejo de atingir o ápice do amor?

Não entendi muito bem a sua pergunta, mas se você está se referindo à possibilidade do espírito manifestar através do ego o seu desejo de atingir o ápice do amor espiritual, universal, Real, eu diria que isso é impossível…

Isto porque o espírito, iludido como está acreditando que é o ego, é incapaz de dizer: “ego você tem que fazer isto ou aquilo”. Repare, ele acha que é o ego: ele não tem consciência de que a personalidade transitória não é ele…

Sendo assim, se você me pergunta se o espírito pode informar ao ego sobre seus desejos – e volto a dizer não entendi direito a sua pergunta – acho que é impossível ao espírito dar alguma informação ao ego.

Digo que não entendi direito a sua pergunta por que, se observarmos o que sempre digo (as razões racionais tornadas conscientes pelo ego são geradas e administradas por Deus), apenas o Senhor pode criar razões e mais ninguém…

Participante: Credo, então não faremos mais sexo?

Você acha isso ruim? Fala isso porque não experimentou o sexo dos espíritos…

Sabe, vocês se prendem ao contato físico para atingir alguma coisa que é espiritual. Por isso ficam chocados quando se diz que não é preciso o contato…

O êxtase espiritual, ou seja, o resultado da oração em fervor é muito mais – vou utilizar-me de uma palavra apenas por falta de algo melhor – “gratificante” do que o êxtase sexual. O pensamento que afirma ao contrário é gerado por um ego que não conhece este o elemento…

Por não conhecê-lo é que você se prende na necessidade do contato físico e não quer experimentar este êxtase. Mas, quando conseguir atingir o êxtase que é alcançado com a comunhão de duas almas que estejam mesmo à distância, não se lamentará pelo fim do contato físico.

Participante: Mas não se pode fazer os dois juntos?

E impossível… Isto porque, quando você está praticando sexo material está viver das percepções… Está vivendo as sensações geradas, no seu caso, pela penetração.

No ato sexual material você está atenta ao que o corpo produz… Na verdade, não está atenta nem ao corpo, mais sim àquilo que o ego produz e diz localizar-se no corpo. Dessa forma, é impossível se atingir o ápice espiritual.

Agora quando você estiver concentrada em Deus, com o coração livre voltado exclusivamente para deus, aí conseguirá…

Participante: O sexo entre os espíritos não é a busca da fusão dos princípios masculinos e femininos, a busca de fundir os extremos no coração (sentimentos) a fim de atingir a equanimidade?

Não existe espírito masculino feminino. Não existe no espírito um lado masculino e outro feminino. O espírito é o Uno, Único e constante.

Quando você pensa em masculino e feminino, já saiu da realidade e entrou no dualismo. Isto porque o Universo é Uno, Único e Constante.

A partir desta conclusão todo o resto do seu raciocínio ficou sem efeito. Mas, deixe-me comentar mais algumas coisas a respeito deste tema…

Primeiro: não existe e sexo entre espíritos… Um espírito não faz sexo com outro.

O que chamamos de sexo espiritual acontece quando um ser universal atinge o êxtase do seu relacionamento com Deus. Quando está com Deus, em Deus e por Deus. O êxtase espiritual surge do louvor ao Senhor, das glórias a Deus, da vivência da felicidade que o Pai tem prometido a seus filhos.

O espírito não faz sexo com outros: ele faz com o Universo, com Deus. No ápice do gozo desta relação amorosa com o Pai é que o espírito alcança o sentimento universal que pode ser chamado, por falta de outras palavras que o descreve, de “gozo sexual”.

Portanto, não existe e sexo entre um e outro…

Segundo aspecto que quero falar… Perguntaram agora a pouco: quer dizer que não faremos mais sexo? Sabe de uma coisa: vocês nunca fizeram sexo…

Quem faz sexo é o ego e não o espírito. Ou melhor, quem tem a ilusão de estar fazendo sexo, que algo ilusório, é o ego. Isto porque o sexo é algo racional…Exatamente por causa disso é que a atividade sexual material não tem nada a ver com espiritualidade…

Terceiro aspecto… Vocês me perguntariam: quer dizer que não mais nasceram crianças? Eu digo: sim, nasceriam crianças e elas continuariam sendo geradas do mesmo jeito que são hoje… Ou vocês ainda acham que a geração de corpos acontece porque o espermatozóide penetra o óvulo?

Ora, se a vida é um dom de Deus, será que Ele vai esperar que a mulher não queira tomar o anticoncepcional ou que o homem não vão use camisinha e depois disso ainda esperar que todo processo descrito pela biologia dê certo existir a vida?

Acreditando nisso, lhes diria: que Deus fraquinho o de vocês, não? Que Deus é esse que vocês acreditam que dependente da matéria a ponto de só poder dar aos seus filhos aquilo que a materialidade deixar acontecer?

Vocês dizem que acreditam que Deus é o Senhor do Universo, mas que senhor é este que tem que se submeter às coisas da matéria que nunca acontecem de uma forma igual todas às vezes? Que Senhor universal é este que tem que se submeter a esperar que a mulher no seu período fértil tenha vontade de fazer sexo e o homem também?

Que senhor é este que, para povoar o mundo que ele criou, precisa depender da vontade dos outros? Que Deus é este que é obrigado a ficar no Universo impotente rezando: por favor, façam sexo para poderem ter filhos e Eu poder povoar meu Mundo…

Olha, deixe-me dizer algo importante: vocês precisam cair na real…

Vocês dizem que Deus é o Senhor do Universo, mas acreditam que Ele é dependente da matéria e do ser humano. Isto porque acreditam que se as reações químicas, físicas e biológicas não acontecerem e se o ser humano não quiser, nada acontece…

Desculpe, vocês vivem uma grande hipocrisia, porque pode ser senhor de nada…

Participante: Então esta busca é individual? Tenho que partir do individual para chegar ao universal?

A reforma íntima com a intenção de buscar a elevação espiritual tem uma característica engraçada. Ela é um trabalho para se acabar com o individualismo, mas é um trabalho que tem que ser feito individualmente.

Como diria o texto de Madre Teresa de Calcutá, no final tudo é entre você e Deus. O trabalho da reforma íntima é realizado por você com você e deve ser feito em você para você chegar a Deus.

Saiba de uma coisa: nada cai do céu. Nenhuma a ajuda, no sentido de facilitar o trabalho, será dada. O que serão sempre concedidos são oportunidades de trabalho, o que é uma coisa diferente.

Oportunidade de trabalhar é uma coisa; facilidade no trabalho é outra. Deus dá aos seus filhos diversas oportunidades de trabalho, mas Ele não pode facilitar trabalho de ninguém.

Portanto, no fundo, sempre será você trabalhando para você em você. Ninguém mais entra nesta história, nem o próprio Deus.

Participante: O clímax de sentimentos é a felicidade incondicional?

É o clímax da felicidade incondicional. Ele ocorre quando você entra no gozo pleno da felicidade incondicional.

Digo gozo pleno por que, ao longo do processo evolucionário, você poderá sentir momentos de felicidade incondicional, mas não ela toda. Quando senti-la por inteiro, terá atingido o clímax…

Participante: A partir da sua afirmação que diz que “todo trabalho de elevação espiritual se caracteriza pela libertação de toda razão” pergunto: isto é válido somente para a sétima consciência ou serve também para todos os estágios de compreensão que se encontre o espírito?

Para qualquer estágio que se encontrem o espírito…

O que existe de diferença entre os diversos estágios de consciência é a própria razão. A forma de existir da razão muda nos outros estágios de consciência aos quais o espírito se liga temporariamente…

No entanto, sempre haverá uma razão contra um sentimento. Isso acontecerá sempre…

A razão muda em cada estágio e pode até não ser entendida por vocês como razão já que conhecem apenas o atual processo racional como razão, mas a prova à qual o espírito se submete será sempre viver uma ilusão para ver se você consegue manter-se equânime e no amor ou se deixa levar pelas razões, que são emoções.

Participante: O senhor disse que as ações de nossa vida são de Deus. Não somos nós que agirmos. Sendo assim, qualquer meta que estabelecemos é ilusão. Como podemos ver a presença divina em todas as coisas, inclusive no que achamos?

Sim, todos os atos humanos são criados por Deus. Sim, toda a meta que você estabelecer é uma ilusão.

Quem quer evoluir, não evolui, porque está sendo egoísta, quer ganhar alguma coisa, nem que seja evolução espiritual já que não dá para ganhar nada materialmente. Também não adianta ficar medindo o que já fez, porque tudo que você tiver ciência sobre o que já fez é apenas uma ilusão de ter feito.

A única coisa que você pode reconhecer é a Deus. Este reconhecimento ocorre quando você alcança a paz, a harmonia e a felicidade. Mas não na mente, não na razão. Na verdade, você não sabe que está com Deus, só sente que está com Deus.

Deixe-me falar mais: acho que é este é o grande aspecto… Esta é a grande dificuldade para vocês compreenderem o que quero dizer: toda a compreensão irreal, ilusão, mas só o que é compreendido para vocês é real.

Olha que disparate… Tudo o que você compreender é irreal, mas para você só o que é compreendido é real… Por isso digo: não tentem compreender nada; simplesmente entreguem seu coração a Deus sem que para isso use, a mente. Para fazer isso, desapeguem o seu coração da razão.

Desapegar o seu coração é viver com a seguinte consciência: a razão está no prazer, mas o meu coração não está… Onde ele está? Não sei, por que se soubesse não é lá que ele estaria…

Ficou claro? Não, mas não dá para ficar claro mesmo…

Participante: Graças a deus não entendi nada…

Participante 2: Cada dia sinto mais suas palavras como reais, mas como dói o morrer para nascer de novo…

É, mas como Cristo disse: em verdade, em verdade, vos digo que quem não nascer de novo não verá o Reino do Céu. Acontece que para se nascer novamente é preciso antes morrer. Então se entregue à sua morte.

Não à morte física, mas a morte do “eu” que é hoje para que o “eu universal” renasça…

Participante: O senhor poderia falar sobre as doenças e como obter a cura?

Antes de falar sobre a doença ou de como se obter a cura permita lhe fazer uma pergunta: Para que obter a cura?

Para que se curar de uma doença? Para ficar vivo? Mas, se quando você está vivo está morto. Está morto para Universo, para Deus… Só está vivo para o ego.

Então, a idéia de procurar a cura é uma idéia humana. A cura é um bem material, fruto de uma posse. Querer saúde é uma possessão. É baseado no egoísmo do ego que você quer estar vivo…

Respondendo-lhe agora, pergunto: o que é a doença? Veja, se seu próprio corpo não existe, como é que ele pode ficar doente? Impossível: o que não existe não pode variar de “bom” para “mal”, de saudável para doente.

Sendo assim, eu diria, então, que não existem doenças. O que existe é o estar doente, o se sentir doente, que, aliás, é uma razão criada pelo ego.

O olha que coisa interessante: a doença, que vocês acreditam ser algo físico, é um mal racional, é algo criado pelo ego. Mas o ego não cria a doença em si: ele cria o estar doente, o sentir-se doente.

Por que o ego cria a sensação de sentir-se doente? Ou melhor, por que Deus criou este estado emocional? Para lhe propor uma prova: você vai integrar-se a sensação de estar doente, ou seja, vai anelar o seu coração a esta razão, ou continuará na equanimidade?

A doença, sendo algo existente no mundo material, é uma ação carmatica e todo carma tem si embutida esta pergunta: você vai prender seu coração à razão ou amará a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo?

Participante: O senhor afirma que estamos no pré-primário da espiritualidade, mas me parece que o monismo é matéria de mestrado para os que estão na universidade. É isso?

Pergunta as crianças que estão no primário e o quanto para elas é difícil juntar a letra “b” com a “a” para formar a sílaba “ba”…

O monismo não é questão de universidade, mas de primeiro ano primário. Por isso é questão de final de ano de pré-primário.

Por que? Porque quando sair do pré-primário tendo noções de monismo começar a estudar monismo no primário. Aliás, estudará o monismo do primário à faculdade, como, aliás, fazem com matérias como história, geografia, matemática ou português.

No mundo material também é assim: vocês estudam durante toda a sua vida escolar os mesmos assuntos, que vão sendo mostrados sempre em outros aspectos, com mais profundidades.

O que estamos falando aqui sobre monismo é difícil para o ego de vocês mal saíram do aprendizado do espiritismo, do cristianismo. Tão difícil como é para uma criança de pré-primário formar sílabas, pois elas mal acabaram de aprender a desenhar as letras.

Não se prenda a idéia de que esta dificuldade que agora está sentindo é grande. Um dia deixará de ser assim, como para você não existe a idéia de ser difícil formar sílabas, já que não está mais no pré-primário…

Então, não ache que o monismo é algo para atingir daqui a cinqüenta mil anos: o estudo do monismo é algo para você começar a interpenetrar a partir de agora e durará por toda a sua eternidade espiritual. Em cada etapa, este mesmo assunto será debatido em uma profundidade cada vez maior.

Aliás, se você acha que o que falo é o tudo que se pode conhecer está muito enganado. Saiba: eu não tirei nem uma volta inteira da primeira casca da laranja… Tirei apenas uma pequena camada para você poder olhar e ver que existe uma laranja…

Participante: Então, só temos uma mesma matéria para estudar pela eternidade afora?

Deixe-me dizer-lhe algo: num Universo que é Uno, Único e constante, quantas matérias você queria que houvesse para serem estudadas?

Por favor, quero deixar isso bem claro: no Universo Único, Uno e Constante só pode haver a Unidade. Por isso, só pode haver uma matéria a ser estudada pela eternidade.

Se houvessem duas ou mais matérias, estaríamos no dualismo e não mais no universalismo. Durante toda eternidade terá como objetivo eliminar a dualidade para entrar na Unidade. Se você rotula esta busca como monismo, digo que terá que estudar este assunto a vida inteira.

Participante: O que é o medo?

Responda-me: você tem medo do que? Por que? Tem consciência de ter medo? Havendo resposta a estas três perguntas a respeito do medo, ou a respeito de qualquer coisa, eu lhe digo que esta sensação é uma criação racional.

Sendo assim, o medo é uma emoção ou sensação, que é criação do ego. Ou seja, o ego tem medo de alguma coisa, mas isso não quer dizer que você tema algo… Quem tem medo é o personagem humano, que, aliás, nem existe.

Então, lhe respondendo, digo que o medo é uma ilusão, uma criação do ego.

Agora, se você tem uma sensação estranha que não sabe por que, de onde vem e nem sabe rotulá-la (dizer qual é), isto é do espírito. Mas, neste caso não há palavras para descrever, já que nem você sabe o que é…

Participante: Ouvi dizer que onde há medo, não há amor…

Realmente, onde há medo, não há amor. Agora, onde há felicidade material também não há amor…

Onde há carinho, afeição ou qualquer outra que sensação não há amor. Amar é amar… Qualquer outra coisa que tenha outro rótulo não é amor…

Onde há curiosidade, não há amor. Onde há satisfação, tristeza, coleguismo, não há amor. Onde há sentimento marital entre homem e mulher não há amor e nem odiar sentimento há sentimento filial também…

Ficou claro isso?

Participante: O que posso fazer para melhorar meu espírito?

Você não pode fazer nada: quem tem que fazer é o próprio espírito. Você, o espírito, pode fazer alguma coisa, mais você, o ser humano não pode.

Então deixa o espírito fazer a porque o você que tem consciência de é humano. Você vive pela razão, você reconhece tudo pela razão. Por isso nada pode fazer… Se nada pode fazer, então não pode faça nada.

Parece estranho o que estou falando… Parece comodismo, mas é a Verdade, é a Realidade: não há nada que o ser humano possa fazer pelo espírito. Até porque, o ser humano não existe: é uma criação virtual que Deus coloca o frente ao espírito. É uma ilusão que o espírito está tendo.

O ser humano, portanto, não tem nada a fazer a não ser viver a vida que está vivendo… Tendo medo, viva o medo… Tendo felicidade, viva a felicidade… Se não tem o que comer, viva não ter o que comer. Esta é a única coisa que se pode fazer: viver a sua vida.

Apesar do que o que estou falando parecer simplório, fazer isto é a coisa mais difícil para vocês. Viver a vida que se tem é a coisa mais difícil que existe para um ser humanizado…

Por que isso? Porque vocês estão sempre presos em desejos, vontades, expectativas, em querer mudar as coisas, em querer ser quem não é, em querer fazer alguma coisa, em querer ganhar… Mas, tudo isso que você vive não é sua vida…

Viver a vida, utilizando-me de um dos exemplos que já falei, é viver a fome quando se está com fome e não e não viver o desejo de matar a fome. Quem vive o deseje matar a fome não está vivendo a vida que tem, porque naquele momento o que tem de realidade é a fome. Quem vive no sonhando em fazer ou realizar algo, mesmo que seja no campo espiritual, não vive a vida que o tem, já que a vida que esta pessoa tem é aquilo que está acontecendo enquanto ele está sonhando.

Sendo assim, a única coisa que posso dizer que você pode fazer é libertar-se no coração da ação dos desejos, vontades, paixões, “certo e errado”, amo ou não, é meu ou a de outra pessoa que o ego cria. Enquanto estiver preso a estes conceitos e sensações não estará vivendo a vida que tem e com isso não estará fazendo a única coisa que pode fazer.

Veja: se a vida é uma ilusão, eu poderia dizer que você vive de ilusões. Vive se iludindo esperando se melhorar para poder sentir-se bom, ter mais para poder ser feliz. Vive se iludido imaginando que quando ganhar determinadas coisas – e olha que não estou falando só em ganhar objetos, mas de ter saúde, felicidade, moral – será feliz… Ledo engano…

Repare que Cristo disse que você deve amar ao próximo como você se ama… Se você ama do jeito que é, poderá amar o próximo do mesmo jeito; mas se você não se ama incondicionalmente, viverá esperando o outro ser diferente para amá-lo também…

Saiba de uma coisa: a arte de bem viver é a arte de saber conviver com você mesmo do jeito que é. É a arte de aprender a viver em paz, em harmonia, consigo e com o mundo, e num estado de felicidade incondicional.

Participante: Estando nós no pré-primário da espiritualidade, a promoção de série acontece apenas no sentimento ou simultaneamente em entre a consciência é o sentimento?

Sempre no sentimento… A consciência não aprova ninguém.

A consciência é algo que Deus cria. Sendo assim, se alguém tivesse que ser aprovado por mudança de consciência este alguém seria Ele…

Mas esta aprovação não é aquilo que vocês imaginam que seja… Assim como no pré-primário material, os alunos desta turma não precisam fazer provações definitivas, absolutas: basta demonstrar a vontade de aprender.

Se você tem no coração vontade de buscar a Deus, isso é o importante. Na outra forma de encarnação (Mundo de Regeneração) aprenderá como se faz.

Participante: Parece que o caminho para o nada gera um vazio… A irresponsabilidade diante de horários e compromissos, por exemplo, parece tornar-se crônica e de alguma forma o penso que viver assim é estarmos ausente da vida. Isso gera uma apatia triste e não felicidade. Será que esta é uma fase passageira da caminhada?

Vamos por parte por que esta pergunta é importante.

Você diz que o caminho para o nada gera um vazio, mas isso é óbvio, porque o nada é um vazio… Se o nada tivesse alguma coisa, seria alguma coisa.

Se a caminhada é para o nada é formada, portanto, por uma consciência do vazio. Mas, vazio de coisas materiais, de convicções e valores materiais, mas plena de coisas espirituais.

O que acontece é que esta plenitude não se alcança na razão, mas sim no coração. Mas, não se tem a consciência de que o coração está cheio…

Então, o caminho é um esvaziar a mente de realidades materiais, mas encher o coração até chegar à plenitude. Este caminhar, no entanto, não chega a razão.

Você diz mais: que esta caminhada gera uma irresponsabilidade diante de horários que se pode se tornar crônica. Por causa disso você acredita que está ausente da vida e se imagina no estado de apatia e não de felicidade.

Para lhe falar sobre isso pergunto: irresponsabilidade de quem; sua ou de outra pessoa? Pergunto isso porque o ego normalmente cria a idéia de que ficamos com medo de que o outro se torne irresponsável e, de acordo com os ensinamentos, você não possa cobrá-lo o horário de chegada…

Para poder lhe responder a questão da irresponsabilidade, lhe pergunto: que responsabilidade imagina ter? Que a responsabilidade você tem em um mundo onde existe um Deus Onisciente, Onipresente e Onipotente?

Você sabe o que quer dizer Onipotente? Ter toda a potência… Que responsabilidade você quer ter num mundo onde Deus e o é potente para realizar? Que responsabilidade quer ter no mundo onde Deus já sabe de antemão tudo o que acontecerá?

Veja, o que você chama de irresponsabilidade o ato de alguém se você atrasar, lhe diria que o único irresponsável nesta história é Deus e não você ou outro. Isto porque a Onisciência já sabia em qual horário esta pessoa ia chegar e a Onipotência não a adiantou para que cumprisse a ilusão do horário comprometido…

Olha que irresponsável este Deus…

Mas, nossa conversa não para por aí… O que é ter responsabilidade por um horário de chegada? O que é ter um horário fixo para realizar alguma coisa? Quem disse que o horário que você estabeleceu é aquele que, em um Universo interdependente, você tinha que chegar?

Veja: a série de argumentos que você possa dar como resposta a qualquer uma destas questões nada mais são do que padrões criados por egos e não Realidades. Ou seja, nada mais são do que a sua prova.

O ego cria um horário de chegada apenas como prova para a sua equanimidade, para ver se você se prenderá a isto o ou não. Não há um horário de chegada que posso ser considerado “correto” a não ser aquele em que se chegou em algum lugar: isso que quero deixar bem claro.

Sendo assim, por mais que uma pessoa se atrase, não há irresponsabilidade, pois horário de chegada perfeito de acordo com os padrões universais não é o que você estabeleceu, mas aquele em que se chegou. Isto porque foi o horário que a Onisciência sabia que a Onipotência realizaria…

O fato de o seu ego dizer que aquela pessoa está atrasada é apenas a sua prova…

Agora, frente ao fato de não poder cobrar a responsabilidade sua ou do outro, você me diz que imagina que se crie uma apatia sofredora. Acredito que sim, mas esta sensação é apenas uma criação do ego…

O seu ego sofre com aquilo que ele chama de irresponsabilidade do outro e a não possibilidade de cobrá-los de suas obrigações, porque ele não quer entregar o falso e ilusório comando que lhe diz que tem sobre a vida. O ego quer ser Deus, ou seja, quer ser Onipotente e Onisciente…

Sendo assim, realmente ele não entregará facilmente os pontos: criará sensações de vazios sofredores. Mais isto é mais uma prova para você…

Participante: Tenho a impressão que as coisas você fala não são para entendemos agora, no mundo atual. Sinto que suas palavras são para o espírito e que a evolução espiritual acontecerá em um futuro próximo. Talvez quando não mais estivermos enganados. Sinto que você está apenas colaborando na preparação dos espíritos para esta evolução. O é mais ou menos isto ou não ter nada a ver?

Tem uma frase de vocês aqui da terra muito interessante que posso usar agora: salvou-se uma alma do purgatório. Até que enfim alguém me entendeu…

Venho dizendo há muitos anos: não acredite em mim, não queira compreender o que eu falo.

Sim é isso. O problema é que os egos, por prova para os espíritos, pegam o que falo e querem raciocinar para formar uma compreensão. Impossível… Se houver uma compreensão, é sinal de que você não compreendeu nada do que disse: apenas criou mais uma prova.

Quando disse pela primeira vez que vocês não devem acreditar em mim, as pessoas presentes quase morreram no coração. Internamente começaram a se perguntar: o que vim fazer aqui então?

Saiba de uma coisa: vocês não vêem aqui… Ilusoriamente vocês estão aqui e, por isso, não existe outro lugar onde possam estar neste momento…

Mas, o que acabei de dizer agora não deve ser entendido como um sinal de que vocês não devem mais fazer perguntas: se tiverem que fazer, façam, mas não tentem entender o que eu quero dizer…

Participante: Mas comigo o senhor sempre falou tudo o que ia acontecer de forma dura e séria e aconteceu tudo…

Coincidência…

Houve um tempo em que eu até carmaticamente conversava com as pessoas sobre coisas de suas vidas fazendo previsões, mas hoje não dá mais para falar desta forma. Muitas pessoas, inclusive, me cobram que eu não falo mais nada das suas vidas particulares… Saibam: não dá para falar de vidas particulares a partir do momento em que começamos a entender o monismo e começamos a falar de uma forma monista.

A outra forma de agir foi necessária a durante uma época dos processos ilusórios que nós vivemos, mas eram só ilusões… Eu tinha esta consciência, mas vocês não… Digamos assim: eu só falava, mas nunca tive a certeza de que o ia acontecer ou não as coisas que falava…

Para a pessoa que falou agora a pouco sobre responsabilidade, digo: que irresponsável sou eu, não? Falava coisas sem ter certeza de que iam acontecer ou não… Para você deve haver uma irresponsabilidade muito grande no que fiz, não? Mas, não existe…

Para mim não existe irresponsabilidade nesta forma de agir porque tenho a consciência de que não falo nada. Aliás, eu não estou nem aqui e eu nem existo…

Participante: Dizem que coincidência não existe, é verdade?

Claro que não…

A coincidência acontece quando existe uma similitude entre um pré-pensamento que descreve um acontecimento que Deus faz acontecer. Quando existe uma semelhança entre um pensamento que você chama de premonição ou intuição, você diz que aconteceu uma coincidência.

Mas, também não é você que diz, mas sim o ego, ou seja, Deus… Sendo assim, posso dizer que coincidência é um termo que Deus utiliza para descrever o momento onde acontece similitude entre um pré-pensamento que Ele cria e um ato que Ele lhe faz perceber… Ou seja, nada…

NOTA: Neste momento houve um grande silêncio. Mesmo instigados pelo amigo espiritual, os presentes não fizeram nenhuma pergunta. Por isso, o amigo tomou a palavra…

Já que não há perguntas para mim, quero eu fazer uma pergunta a vocês. Estando nós aqui para destruir as Verdades e Realidades, vamos aproveitar este momento arrasar algumas coisas que vocês nem imaginam que precisam ser arrasadas…

Por favor, se puderem. me digam: o que Cristo trouxe aos seres humanos? Qual foi a mensagem de Cristo para os seres os humanos? Por favor, me respondam…

Amor a tudo… Eu acho que foi despossuir… Amar a deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo… O amor… Que o verdadeiro Reino não é deste mundo… Divinizar tudo… Eu e o Pai somos Um… Humildade e simplicidade…

Eu sabia que seriam estas as respostas de vocês. Por isso fiz a pergunta, mas lamento dizer que ninguém acertou. Muito pelo contrário…

Eu não perguntei que mensagem Cristo trouxe para o espírito, que é tudo isso que vocês falaram, mas sim o que ele falou aos seres humanos…Ao ser humano, ele falou coisas completamente diferentes… Isso é uma coisa que precisamos prestar muita atenção.

Sabem, Deus através dos egos humanos criou a idéia de que Cristo veio trazer o amor para os seres humanos. Isto é mentira…

Para Cristo, o humanismo, a humanização que o espírito vivencia, não vale nada. O ser humano é tratado por Cristo como o diabo…

Quando Pedro responde dizendo que deviam todos rezar para a Deus para que Cristo não fosse crucificado, o mestre diz: para Pedro, você está falando como ser humano. Sai de mim satanás…

Para Cristo, o ser humano é o professor da lei, por que é aquele que conhece os textos bíblicos, mas não vive nada do que está escrito. Aquele que só sabe usar os textos bíblicos para acusar os outros… Para Cristo, o ser humano é como ele se dirigiu aos apóstolos: vermes miseráveis, até quando terei que agüentá-los?

Cristo não veio trazer nada de bom para a humanidade. Ele não falou a egos, pois como diz João em seu Evangelho, quem veio do céu fala das coisas do céu e para aqueles que estão no céu.

Como alguém citou, Cristo disse: meu reino não é deste mundo… Portanto, ele está se lixando para ele. Isto é algo que precisamos entender muito claramente…

Cristo falou aos espíritos de um jeito e aos humanos de forma completamente diferente. Ele prometeu ao espírito a entrada no Reino do Céu, mas não prometeu esta entrada o ser humano. Tanto isto é verdade que ele disse: em verdade em verdade vos digo, quem não nascer do espírito não encontrará o Reino do Céu.

Aqueles que colocam a mensagem de Cristo sob o jugo da busca do prazer humano, da satisfação na vida material, nunca compreenderam o ensinamento dele. Mas ele foi bem claro: não se servem dois senhores ao mesmo tempo.

Eu já tinha antecipado a resposta que daria a algumas pessoas e eles me disseram que ela era muito dura. Sim, o que estou dizendo é muito duro para o ser humano, mas é verdade.

Como disse agora a pouco, você tem que viver a vida que tem e não viver a ilusão de que Cristo ou outro ser espiritual vai atender aos seus desejos materiais. Pode ser considerado como um bobo quem conhece os ensinamentos de Cristo e ainda vive na ilusão de esperar que o mestre ou Deus queira lhe dar uma vida confortável.

Esperar que Cristo venha trazer a cura para uma doença, que distribua alimentos ou faça a reforma. Agrária. Que ele acabará com a violência, com a corrupção e a iniqüidade… Ele não fez isso quando aqui esteve e tudo isso existia naquela época… Se não fez, porque faria agora?

Não, ele não está aqui para servir à humanidade. Ele não veio para falar aos seres humanos. Quando se dirigia ao humano, suas palavras nunca foram de amor, mas sim no sentido de mostrar e apontar o egoísmo humano que quer sempre ganhar, que quer sempre levar vantagem individual.

Com isso que estou falando, não estou acusando ninguém de nada. O egoísmo que leva à formação de pensamentos que sempre busquem tirar alguma vantagem da situação é uma característica do ego e não uma personalidade do espírito.

O egoísmo que Cristo aponta não é um mau, mas uma característica do ego. Uma característica da etapa de evolução que vocês espíritos encontram-se atualmente. Não é boa nem má, mas apenas a sua etapa.

O importante ao se conscientizar disso não é você acusar, sentir-se mal com o que estou falando. Isso não adiantaria nada, não resolveria nada…

Aliás, se ficar, quem ficou foi o ego e não você… Mas o ego não fica de forma alguma por espontânea vontade, mas sim porque Deus comandou aquela sensação. Portanto, se ficar, na verdade quem criou foi Deus. Deixe-o ficar assim e permaneça na sua paz…

O necessário é que você compreenda que Cristo não quer nada com você… Por que? Porque ele serve a Deus, ele vive para o Universo, ele é Universalista e monista e por isso não compactua com egoísmo…

Isso é importante compreender… Para que? Para que você possa libertar o seu coração das ilusões que o ego cria dizendo que deve se rezar a Deus para que Ele atenda e satisfaça os seus caprichosos humanos…

Vocês estão rindo? Acham que isso é apenas coisa de católico e evangélico? Já vi muito universalista falando isso. Já vi muito universalista dizendo que deveria ser feito uma sessão de descarrego na Umbanda ou de desobsessão no centro espírita para poder trazer a felicidade para o espírito encarnado… Mas, para estes uso a mesma frase de Cristo a Pedro: sai de mim, satanás…

É isto que quero mostrar com o que estou falando agora… Não nas minhas palavras nenhuma intenção de acusação ou crítica, mas apenas do esclarecimento. Precisamos entender isso para poder destruir a prisão que o coração se submete a esta razão que cria um Cristo a amoroso com a humanização do espírito.

Mas veja: estou falando de Cristo, mas você pode estender este raciocínio a qualquer mestre ou trabalhador espiritual. Aquele que realmente compreende os ensinamentos dos mestres abre mão da sua humanidade ao invés de colocar Deus e o mestre à disposição dos desejos humanos.

Ficou bem claro?

Participante: Você falou que para Cristo a humanidade não servia para nada…

Não foi isto que disse… Não falei que a humanidade não servia para nada, mas sim que o humanismo não serve…

Participante: Mas, se você disse que o humanismo não serve de nada, diz também que Deus não sabe o que faz? Para nós humanos é muito difícil entender por que Deus criou o monismo para depois rejeitá-o… Porque criou ego para não ser seguido… Por que a tal da prova, se Ele é tão justo e Onipotente? Será que um dia conseguiremos entender o por que de tudo isso?

Quando se fala em rejeitar o humanismo que faz parte do padrão do ego, a personalidade humana que você está vivenciando interpreta logo isso como se ele fosse algo que não presta e que por precisa ser jogado fora. Eu nunca disse isso… Aliás, no final, falei o contrário…

O humanismo tem o seu valor espiritual. Qual este valor? Servir como instrumento para a depuração da as sujeiras que o espírito acumula durante a sua existência eterna.

Quanto mais você despossui o humanismo, mais se depura no sentido da elevação espiritual. Neste aspecto, no aspecto espiritual, o humanismo é importantíssimo…

NOTA: Como humanismo, entenda-se ego, a personalidade humana e as percepções.

Agora, o humanismo vivido por valores materiais, ou seja, pelo apego à personalidade humana, aos anseios e posses humanas, não presta, não serve. Isto porque tudo isso está fundamentado no egoísmo que é contrário ao universalismo.

Então, o humanismo tem valor no sentido espiritual e isso Cristo deixou bem claro quando disse que você não deve se prender à humanidade. Aliás, ele não falou que nós não devemos ter humanidade, nos humanizar… Este aspecto é muito interessante e precisamos compreendê-lo.

Humanizar-se, ou seja, encarnar, é, dentro da espiritualização, um processo importantíssimo, necessário. Isto Cristo deixou bem claro quando disse: rezemos a Deus para que mande mais trabalhadores para esta seara porque a colheita é grande.

Portanto, ele não falou que você não deve nascer. Ele disse que você não deve servir a esta humanidade. Este é o primeiro aspecto as sua pergunta.

Segundo aspecto… Você me perguntou: se Deus é Onipotente, porque Ele não faz?

Hoje eu lhe responderei de uma forma diferente das que já respondi em outras épocas. Outras vezes lhe disse que havia necessidade de ser assim parta que se gerasse o merecimento. Mas, hoje, lhe responderei assim: porque não faz.

Veja, eu acabei de dizer que é preciso se viver a vida que tem e não querer sonhar com outra vida ou com outras possibilidades de vida. Sendo assim, se Ele não faz, você só tem isso para viver: viva isso… Não queira ficar imaginando se poderia ser diferente…

Você ainda me pergunta: nunca dará para compreender tudo isso? Não, hoje não há como ego humano gerar compreensão sobre estes temas.

Isso porque ele está preso à necessidade de ganhar, de levar vantagem… Por isso é que ele se pergunta por que ele tem que fazer alguma coisa se Deus, pela sua Onipotência, pode fazer?

Participante: Joaquim, o que Cristo falou foi no sentido de estimular o ego a despossuir uma condição humana e viver condição plena de espírito. Então, ele de certa forma falou ao ser humano…

Ego não é espírito… Ego não é gente ou individualidade… A personalidade Maria, por exemplo, que se sobressalta de um ego é uma ilusão, não existe…

O Cristo sabia disso e por isso disse que até os fios de cabelos de nossas cabeças estão contados. Disse mais: quando forem falar, não tenham medo, porque sairá o que precisar sair.

Sabe, Cristo sabia e sabe que não existe ego, que ele é uma apenas uma ilusão. Por isso não ia falar a ego com a intenção dele evoluir… Se ele sabia que até os fios de cabelos estão contados, como ele poderia esperar o que o ego se mudasse para Deus? Impossível…

Não, Cristo como falou de Universo para espíritos… Aliás, ele nada disse, não é mesmo?

Se Cristo nem encarnou como vimos, ele não tinha boca para poder falar com egos. Veja bem o que estou dizendo: as palavras atribuídas à personalidade Jesus Cristo e os escritos que você lê, não foram feitos por Cristo. São ilusões, são maias, são criações do ego, percepções, raciocínios.

Cristo não podia falar, porque ele não perdeu o seu nível de consciência para cumprir a sua missão. Ele comunicou-se de espírito para espírito… Foi Deus quem criou na ilusão de do ego as informações que você conhece e diz que foram palavras proferidas por Cristo.

Mesmo que mantivéssemos a idéia de que as palavras são de Cristo, mesmo assim ele não poderia ter falado a egos… Tudo neste mundo são ilusões… A personalidade Cristo, que de acordo com os textos que você leu conhecia o velho testamento, com certeza já deveria ter lido esta informação no livro Eclesiastes de Salomão.

Mesmo que ele tivesse encarnado e proferido palavras, ele saberia da existência ilusão ao invés da vida. Por isso disse: quem segue os ensinamentos (apegar-se no universal e libertar-se do humanismo) constrói a casa na pedra. Pode vir qualquer onda que não a derrubará. Ao contrário, aquele que a constrói galera na areia, ou seja, na ilusão deste mundo que afirma que Deus ajudará o ser humano a resolver seus problemas, a onda vem e derruba a sua casa.

Como já me disseram, para o ego é duro ouvir estas palavras… Sim é… Por que? Porque no ego Deus criou a ilusão de que vocês conseguirão ganhar alguma coisa apenas pedindo…

Para o ego, Deus está lá em cima esperando você desejar para lhe dar. Ilusão…

Participante: Mas o humanismo não se deu quando o espírito caiu na matéria? Então, porque se limpar? Não é somente conseguir viver do espírito e a matéria desaparece?

Limpasse das ilusões e a viver do espírito ele passa das ilusões, deixar de acreditar nas realidades ilusórias que o ego cria um e qualquer uma das suas etapas, e qualquer um dos seus níveis. Deixar de viver a ilusão de acreditar nela de uma forma que você possa compreender, é libertar o seu coração da sua razão. O então limpasse do que por interrogação do que a mente para dos. Mas o que é libertar-se do que a mente para dos e o pior é não acreditar nela e, é não misturar a sentimentos com emoções.

Participante: A criação da ilusão por Deus é somente para ser usada como ferramenta para o carma ou devemos amara tudo que o Criador cria, inclusive a ilusão?

A ilusão é usada como ferramenta carmatica. No entanto, como carma que é, ela também tem a pergunta ‘você amará a ilusão ou terá raiva dela’.

Então, sim, a ilusão é ferramenta carmatica, mas que precisa ser amada. Ou seja, você deve manter-se equânime no coração com relação à criação e às próprias ilusões que vive.

Participante: Na crucificação Cristo falou: Pai, porque me abandonaste. O que ele quis dizer com isso?

Sei que esta é uma frase atribuída ao personagem Jesus Cristo, mas acabei de dizer que Cristo não fala… Acabei de dizer que todas as palavras que estão na bíblia são carmas criados por.Deus Portanto, esta frase tem a mesma realidade…

Como ensinamento, posso lhe dizer que ela lhe diz que o ego, neste caso o Jesus Cristo, pode, inclusive, sentir-se abandonado por Deus sem perder a sua validade como instrumento carmatico. Sentir-se abandonado de palavras, de idéia; não de coração, como Cristo sentiu-se…

A frase que mais traduz este não se sentir abandonado no coração, ou seja, a ilusão que mais traduz o que ia dentro do coração de Jesus e de Cristo, é aquela no Evangelho de João: que posso dizer, sinto um grande temor neste o momento… Mas, o que farei: direi, Pai afasta de mim este cálice, mas se eu vim aqui para isso… Pai glorifique o Teu nome em mim.

Esta frase demonstra o que estava no coração de Cristo e Jesus e também tudo que estamos falando. Esta frase, que é um maya, uma ilusão criada por Deus através dos séculos nos egos humanos, espelha bem o que queremos dizer: O ego é incapaz de aceitar o amor universal, mas o coração se aninha em Deus…

O ego pode sentir o sente-se abandonado por Deus, mas o coração se aninha no Pai…

É isso que quer dizer esta ilusão criada por Deus…

Participante: O senhor citou o trabalho de umbanda no assunto de agora…Para mim, intenção é tudo. Sendo assim, o trabalho de Umbanda também depende da intenção na qual se aprendem os participantes. Assim como Cristo, as entidades em um trabalho de Umbanda podem estar falando coisas para destruir o ser humano. Não pode ser assim? É assim que eu vejo o trabalho de Umbanda… Quanto ao ritual, acho que é para o ser humano se distrair e se divertir um pouco.

O que é um trabalho de umbanda? Um ato da peça da sua vida.

Não existe trabalho de umbanda, assim como não existe missa, palestra ou passe espírita ou até mesmo isto que estamos fazendo aqui. Tudo que você chama de atividade espiritual, quando vivenciado pela razão, é um pedaço de um filme criado por Deus.

Sendo assim, posso dizer que as entidades às quais você se referiu não existem. O caboclo Rompe Mato e a pomba gira Maria Padilha, não existem. A palavra que eles falam, não existe, assim como médium também não.

Aí você me perguntaria: o que existe? Espíritos. O espírito que você chama de entidade está se relacionando espiritualmente com aquele que você chama de consulente tendo, os dois, a ilusão que os atos materiais tudo estão acontecendo.

As ações da gira de Umbanda só estão acontecendo nos egos do consulente e da entidade. Mas, o que está acontecendo no mundo espiritual e enquanto os espíritos envolvidos estão imaginando estar vivenciando uma gira de Umbanda? Algo que você não consegue compreender pela razão.

É isso que precisamos é deixar bem claro: tudo que acontece durante existência carnal, envolvendo ou não aquilo que é chamado de mundo espiritual, não existe: é mais um ato do teatro, da peça. O que existe na Realidade é sempre algo que não pode ser alcançado pela razão.

Mas, na sua pergunta você fala mais um assunto importante: fala sobre intenção, Quero aproveitar para falar sobre isso.

Universalmente existem duas intenções: a do ego e a do espírito. Como tudo que se liga a maya, a intenção possui um dualismo, pois maya tem o poder de gerar a dualidade onde existe apenas a Unidade…

Por isso Krishna chama o fruto da ação de maya me miragem, ou seja, algo que aparenta ser uma coisa, mas, na Realidade é outra. Maya possui o poder de um espelho, mas o que ele cria é sempre uma imagem desfigurada da Realidade…

A intencionalidade do ego é criada pela razão: eu vou fazer o trabalho de umbanda por este motivo… Esta intencionalidade você não poderá alterar, porque ela é do ego, está no ego. Mas veja, esta intenção é uma ilusão: não é uma Verdade, uma Realidade. Isto porque tudo que ego não existe.

Na Realidade o espírito também tem uma intencionalidade, mas esta jamais será a de fazer ou não um trabalho de umbanda. Isto porque para o espírito só existem duas intenções: acreditar na ilusão como real ou não acreditar na realidade que ela parece ter.

As intenções possíveis de serem vivenciadas pelo espírito são apenas estas: acreditar como real as construções do ego não, ou seja, saber que aquilo é só uma ilusão.

Resumindo o assunto, então, digo que a intenção humana não tem nada a ver com a intenção do espírito. Para justificar esta conclusão lhe digo que a intenção humana não existe e por isso não pode ter nada a ver com a do espírito.

Participante: Sobre a intenção do ego, eu posso não desacreditar dela, não é mesmo?

Você quem, o ego? O ego não pode acreditar ou desacreditar em alguma coisa, já que o ego nem existe…

Se você, ego, acreditar na intenção humana, na verdade não acreditou: Deus criou a ilusão de você está acreditando nesta ilusão. Se você não acreditar, também não será você que não estará não acreditando, mas Deus que também criou a ilusão de desacreditar…

Na razão, não se ganha ou se perde nada… É por isso que Krishna diz: neste mundo nada se perde… Diz mais: nada pode ser considerado Real.

Respondida a sua pergunta e aproveitando que estamos encerrando mais este dia de trabalho, deixe-me dizer uma coisa.

Sabe, tenho nesta missão andado por muitas ilusões onde ilusoriamente os egos dizem que estão buscando a Deus. O que tenho descoberto – eu, o ego – é que cada dia os egos humanos ficam mais presos a hipocrisia que Cristo citou. Além disso, tenho reparado que mais espíritos se prendem a esta ilusória hipocrisia.

A hipocrisia a que me referi está justamente nisso: esperar que o mundo espiritual venha trazer felicidade material. Venha trazer mais felicidade, conforto ou sentir-se bem, mesmo que seja espiritual, emocional… A espiritualidade não pode se prender a lhe dar estas coisas, porque eles sabem que nada disso é real.

Vocês me diriam, mas existem narrativas que dizem que os espíritos trazem estas coisas para o ser humano. Ilusão: eles trazem elementos carmaticos por ordem de Deus e não bens para melhorar a vida material…

Fizeram-me uma pergunta hoje afirmando que imaginam que se pode sentir uma apatia não feliz como resultado do trabalho de libertação das ilusões. Por que estranhar isso? Ou será que vocês ainda estão esperando que a elevação espiritual traga uma vida material vivida com felicidade? Isto é impossível…

A elevação espiritual é o oposto da paz material. É o oposto do sentir-se bem racionalmente. Não é à toa que Cristo diz: eu não vim trazer a paz, mas a espada. Eu vim para jogar um contra o outro…

É isso o que estou tentando passar. Mas, com isso não estou querendo dizer que estas ilusões que tenho percebido e o apego racional a elas estão “certo ou errado”, que isso é “bom ou mal”. Sei que o arrefecimento destas ilusões, ou seja, daquilo que vocês chamam de espiritualização da humanidade, só acontece porque estamos chegando naqueles dias. Ou seja, o apego que o ego cria (a prova) vai se tornando cada dia mais forte porque estamos chegando ao final do período de transição entre dois mundos.

Eu já fiz esta comparação: elevação espiritual é como pegar um foguete que saia da terra ir para o sol. Quanto mais você se aproxima do sol, mais calor sente. O problema é que o ego cria a ilusão de que quanto mais você se aproximar do sol, mais amena estará temperatura. Impossível: não há como isto acontecer… A não ser que você acredite que pode chegar ao sol de noite, ou seja, quando este astro estiver “apagado”…

Esta é uma mensagem importante para os dias de hoje e precisamos levá-la para dentro de nós.

Sabe, não dá para comprometer o coração com isto. Quantas vezes vocês já rezaram – como rezar, não estou falando em declamar orações inteiras, mas apenas dizer para si ou para outro que Deus lhe ouça, que Deus faça o que quer acontecer: dizer isto já é fazer uma oração – e não tiveram suas orações atendidas? Será que ainda vão acreditar que Deus lhes atenderá sempre? O acreditar que digo é no sentido de viver sentimentalmente (ter esperanças) a ilusão de que aquilo acontecerá.

Será que ainda vão acreditar que apenas porque falaram em nome de Deus as coisas acontecerão? Quem é você, ser humano, para esperar alguma coisa de Deus? Como Paulo ensina, o ser humano é o inimigo de Deus… Como pode, então, esperar que Ele faça alguma coisa de “bom” para você?

É isso que precisamos compreender. Mas, nesta busca de compreender vocês não devem sentir-se menores, os últimos, porque como disse, este arrefecimento do egoísmo do ego não é “mau” ou sinal de atraso, de derrota: pelo contrário, é sinal de que vocês que estão humanizados atualmente, já venceram provas mais simples e agora merecem e precisam das provas mais complicadas.

Portanto, glorifiquem a Deus no coração, mesmo que a ação ou intenção do ego seja egoísta.

Participante: Mas, tudo é ilusão? Assim, fica difícil…Não existe uma intenção de liberar o amor? Você não prega a vivência da felicidade incondicional? Como fazer isso se tudo é ilusão?

Eu prego a vivência da felicidade incondicional como algo que você não sabe o que é.

Eu prego vibrar amor pelo coração e não pela razão. Você não vibrará amor sabendo que está vibrando amor, porque quando você sabe que está vibrando, apenas sabe que está: pode não estar.

Eu prego o nada. Eu prego que você compreenda que tudo que lhe vem à mente não existe: é uma ilusão gerada por Deus…

Eu prego vivenciar o nada e realmente viver o nada é difícil… É muito difícil para quem quer viver alguma coisa. É difícil para quem precisa se agarrar em alguma coisa, mesmo que seja uma simples folha de grama.

Sabe, existem pessoas que pensam que é preciso haver alguma coisa para se segurar. Elas imaginam que é necessário continuar existindo alguma coisa para que sintam-se gente, sintam-se humanos…

Mas, o trabalho da elevação espiritual é realizado com a intenção de não mais se sentir gente… Não mais se sentir o humano, mas sim espírito.

Este é um ensinamento antigo que Cristo trouxe… A única novidade que estou colocando agora, mas que também já estava presente nos ensinamentos do mestre e nunca foi compreendida, é que é preciso sentir-se espírito, sem saber o que é ser espírito.

Sim, é muito difícil viver no nada para quem ainda quer ter ou ser alguma coisa… Aliás, para o ego é impossível.

Portanto, não queira compreender. Isto porque nem compreender o que estou falando você pode…

Participante: O senhor pode falar um pouco mais sobre os sete níveis de consciências a que já se referiu?

Sete níveis de consciência ou sete consciências que funcionam em conjunto, sendo seis ilusórias e uma que é a consciência primária do espírito.

São seis consciências, cada uma formando uma conscientização ou realidade, as quais o espírito está ligado, sendo que das seis consciências, somente uma é vivida no consciente. As outras são vivenciadas no inconsciente. Você, o espírito, hoje tem uma consciência primária que está ligada a seis outras das quais você só toma ciência de uma, ou seja, só vive como realidade aquilo que a sétima constrói.

Sendo assim, não importa nem saber que existem sete consciências: é apenas uma cultura. Isto porque na verdade, para você, só existe a sétima. Só lhe é consciente aquilo que você traz ao consciente, ou seja, no seu caso como o espírito vivendo um mundo de Provas e Expiações, é a sétima.

Portanto, não se prenda a esta informação, porque será mais uma cultura que terá que se libertar. Só isso.

Participante: Somos simplesmente privilegiados ou escolhidos pelos ensinamentos recebemos de você ou qual a nossa função frente a tudo isso?

Privilegiado escolhido? Isto é ilusão humana…

Somente a visão humana das coisas pode imaginar que a Causa Primária de todas as coisas pode conceder um privilégio ou uma escolha a alguém. A mente universal, que sabe que Deus é justiça e o amor, não pode pensar em privilégios algum para ninguém. Não concebe que possa haver a escolha de um em detrimento de outro.

Não, não se trata de escolhas pessoais, mas de merecimento. Sendo assim, eu diria que se vocês ouvem o meu ensinamento – sem entrar no mérito dele ser melhor ou pior do que qualquer outro – é porque merecem estar aqui. Posso dizer que vocês o merecem, porque estão aqui o ouvindo…

Agora, se você considera os ensinamentos muito bons – digo isso pelo termo privilégio que usou – eu só tenho uma coisa lhe dizer: a quem muito foi dado, muito será cobrado. Tornar-se merecedor de receber alguma coisa é ao mesmo tempo participar de provações cuja aprovação está baseado no que recebeu.

Sabe, vocês acham muito bom e muito bonito ouvir palavras de mestres – não que eu me considere um mestre – gostam de ouvir ensinamentos que consideram de grande sabedoria, mas se esquecem da contrapartida. Não há privilégios individuais, não há escolha: há responsabilidade.

Por isso lhe digo que mais do que um privilégio, receber ensinamentos é uma responsabilidade. Na realidade você não está recebendo ensinamento, mas responsabilidades. Mas, se as recebeu é porque é merecedor dela, ou seja, tem condições para realizar o que advém (provas com este conteúdo) deste recebimento.

Participante: Nos seus ensinamentos em “Optando pela felicidade”, o senhor fala sobre o livre arbítrio do espírito entre optar pelo bem ou mal. No monismo não existe dualismo… Fiquei confuso sobre este tema. Poderia falar sobre isso, que a mim se assemelha com o ensinamento do separar o joio do trigo?

A sua visão monista é perfeita: não existe nem o bem nem o mal, não existe o joio nem o trigo, já que o Universo é Uno, Único e Constante. Mas, apesar disso, é preciso abordar este tema… Vamos falar disso.

Antes de falarmos sobre o porquê da necessidade de se passar este ensinamento apesar dele ser uma ilusão, deixe-me relembrá-lo que ele não é ensinamento meu, mas do Espírito da Verdade. Deixe-me lembrá-lo também, que este mestre não fala sobre a escolha entre o “bom” e o “mal” mas entre o bem e o “mal”.

Já falamos sobre isso, mas não custa repetir… O bem é Deus, é a elevação espeto espiritual, o mundo espiritual, o Universo. Já em contrapartida, o “mal” é a matéria, o materialismo, o egoísmo básico do ego humano.

Aplicando-se estes valores ao que o Espírito da Verdade disse, podemos entender que o ensinamento que nos leva a compreender a necessidade de se separar o bem do “mal”, não é meu nem daquele que trouxe as bases da doutrina dos espíritos, mas todos mestres nos colocaram frente a este dilema: a escolha entre o bem ou o “mal”, a escolha entre Deus ou o mundo material. Mas, porque eles nos colocaram frente este dilema?

Porque os mestres, se eles sabem que não existe dualismo, nos colocaram este dualismo? Porque este dualismo não existe na consciência primária do espírito, mas existe na consciência que você está vivendo hoje.

Sendo assim, para você este dualismo é real. Aliás, todo dualismo é real. Eles podem não existir na Realidade universal, mas existem como caminhos para o monismo.

Você não pode simplesmente acabar com o bem ou “mal”: precisa entender que o bem é o monismo, é a integração com o universo, é ligar-se em deus, é viver para Deus, em Deus e com Deus. Para isso precisa se conscientizar que o “mal” é tratar o dual como real. Por isso, Cristo ensinou: não corte o joio quando ele ainda estiver crescendo. Espere ele e o trigo crescerem para só aí separar um do outro…

Como disse, ensinar a necessidade de separar op bem do “mal” é um caminho, é um instrumento necessário da caminhada para o retorno da consciência da Unidade em que já vive. Por isso os mestres falaram nele e por isso eu também falo.

Ele é necessário para que você venha libertando-se de verdades, até entender que não há verdade para se libertar. Sim, não há verdades das quais você precisa se libertar. Porque? Porque você tem apenas a ilusão de ter uma verdade…

Deixe-me deixar bem claro isso. Todo o processo de evolução não existe. O espírito já é puro, já está pronto. Mas, ele não tem consciência disso.

Por isso existe o processo de evolução das ilusões que acontece nesta fase que estamos vivenciando. O processo consiste-se em libertar-se paulatinamente das verdades, mas ele em si é uma ilusão, pois o espírito tem apenas a ilusão de estar vivendo as ilusões… É o ensinamento de Krishna do qual já falei: a mente primária é escrava da mente secundária, mais, se a mente secundária e a escravidão são ilusões, ela não está presa.

Portanto, na verdade todo o chamado processo de elevação espiritual é um processo ilusório, porque na realidade existe apenas o espírito que é Uno, Único, Constante e puro.

Participante: O senhor já ouviu falar do processo chamado de transcomunicação experimental, que permite a comunicação com os espíritos através de aparelhos eletrônicos como televisão, computador, telefone, etc? Existem milhares de gravações realizadas em diversos países em inclusive no Brasil…

Antes de qualquer coisa, lhe direi: este processo é uma ilusão.

Para se comunicar com os espíritos, para ouvi-los, não é preciso aparelhos sonoros. Além do mais, seria impossível para um espírito usar televisão ou rádio, já que estes aparelhos sonoros são materiais e, portanto, simples criações de ego, ilusões. Foi por isso que comecei dizendo que, no meu ponto de vista, este processo é uma ilusão…

Além disso, posso afirmar que este processo é mais uma prova para a humanidade, já que tudo que é vivenciado através do ego é uma provação para o espírito. Mas que prova é esta?

Ao lhe responder isso, aproveito para abordar um tema muito importante que gostaria de conversar hoje. Hoje, aqui, estão presentes mais de quinze pessoas. Quinze pessoas que se dizem buscadoras de Deus. A vocês, pergunto: o que é buscar a Deus? É libertar-se da matéria.

Não se busca a Deus sem se libertar da matéria. O chamado processo de evolução espiritual consiste-se em libertar-se da matéria para poder voltar à consciência da sua já existente ligação com Deus.

A partir disso, faço uma pergunta: por que vocês, humanos que dizem que buscam a Deus, vibram quando um cientista comprova pela ciência o que vocês já sabem de estudos espiritualistas? Será que para vocês é preciso que um cientista lhe comprove que existe espírito? Será preciso você ouvir a voz de um espírito para acreditar que existe o ser universal? Que espiritualismo seu é este que precisa que a ciência comprove para que você acredite que existe?

Isto não é espiritualismo é materialismo, é acreditar na ciência. Ciência e espiritualismo são coisas completamente diferentes…

Se você é espiritualista, ou seja, acredita haver algo mais do que a carne tem que parar de vibrar sentimentalmente quando a ciência comprova algo que já aprendeu no campo espiritualista. Senão você acreditará nas verdades científicas e no espírito verdadeiro.

Aproveitei sua pergunta para falar uma coisa que tenho visto muito: espiritualistas em êxtase porque doutores falam das coisas espirituais como verdadeiras. Isto deixa transparecer que para espiritualista, apesar dele dizer que acredita na sua doutrina religiosa, é necessária a comprovação do mundo espiritual através da ciência.

Que me desculpem aqueles que age assim: são egos e viver isso como real é carma; bem sei disso. Mas, se vocês continuarem a deixar seus corações presos a isto, continuarão presos ao materialismo, continuarão adorando a ciência como seu Deus.

Então, lhe respondendo, acho a transcomunicação experimental que falou, um grande carma para ver se você se apega a ela ou simplesmente acredita que é algo mais do qual precisa se desligar e prestar mais atenção na sua relação de amor com Deus, com o Universo e com a espiritualidade como um todo.

Participante: Como se libertar da matéria?

Alterando as suas prioridade. Liberta-se da matéria alterando a prioridade das coisas.

O que é prioridade na sua vida? Ser mulher, ser feliz no casamento, na maternidade, no trabalho, no relacionamento com os outros? Então você não está buscando a Deus, pois estas são prioridades materiais. Aquele que se liberta da matéria é aquele que tem como prioridade o seu relacionamento com Deus…

Para isso, este ser passa por cima exatamente daquilo que é prioritário para o materialista. Com isso, ele abandona a matéria.

Quando você decretar que sua vida está uma droga, mas no coração tiver a certeza que é filho de Deus e por isso mantiver-se em paz, por isso, terá priorizado Deus na sua vida. Agora, o seu coração vibrar com a razão que decreta racionalmente que sua vida é muito boa e feliz, que você tem tudo o que quer, que se dá muito bem com as pessoas e por isso se sente amado por Deus, estará priorizando o mundo material.

Lembrei-me agora de uma coisa que já disse há alguns anos para umas pessoas… Nunca mais voltei a falar nisso, mas agora me lembrei disso e acho que se encaixa perfeitamente no que estou dizendo.

Perguntaram-me como fazer o que eu ensino e eu disse: zelando pela sua elevação espiritual. Zelando pela sua relação com Deus, como se zela pelas suas coisas materiais.

Sabe, vocês são zelosos no seu trato com as pessoas que aparecem nas suas vidas, no trato com os seus familiares, no trato com o seu emprego, mas não têm zelo pela sua relação com Deus. Por qualquer dez mil réis esquecem Deus, ou seja, perdem a paz, a harmonia e a felicidade. Por qualquer afago ilusório ao seu ego, vocês se esquecem de Deus, ou seja, perdem a equanimidade…

Portanto, como se abandona matéria? Alterando as prioridades da vida e zelando por esta nova prioridade. Se você não zelar por isso, não consegue.

Participante: O que é zelar?

Tomar cuidado com uma relação. No caso do buscador, com a sua relação com Deus.

Para aqueles que querem aproximar-se do Pai, Deus tem que ser mais importante para você, por exemplo, do que o medo da barata. Já que você tem que tomar cuidado na sua relação com Deus, precisa manter o seu coração em paz mesmo que uma barata esteja na sua frente.

Tome cuidado na sua relação com Deus quando acontece o que você quer ou não: é assim que se volta a ter a consciência de já estar com Ele…

Participante: Eu de minha parte ainda acho muito difícil distinguir o que é pensamento e o que é sentimento. Para nós seres humanos isso ainda é muito complexo…

Eu sei, mas racionalmente você jamais saberá distinguir. Sendo assim – e isso precisa ficar claro – ouça apenas: libertar-se da matéria é zelar pela sua felicidade mesmo quando o mundo a ataque. Quando para você o seu relacionamento com Deus for a coisa mais importante da sua vida, estará buscando a Deus, priorizando a elevação espiritual.

Deixe-me agora fazer uma pergunta: vocês entenderam o recado que tentei passar quando respondi sobre a transcomunicação?

Tem muita gente acendendo vela para o diabo dizendo que está cedendo para Deus. Tem muita gente vivendo materialidade dizendo que está servindo a Deus…

Um grande exemplo é exatamente disso é o que falei: quando se vibra com a perspectiva da ciência comprovar a espiritualidade e se diz que isto é muito bom para elevação espiritual. Desculpe: isto é apenas prisão a ciência material.

Participante: Somente para exemplificar sobre o tema. Suponhamos que percebi logo após conversar com uma pessoa que não fiquei em paz naquele momento. Neste tipo de situação a falta de paz se dá porque motivos espirituais ou é a ação é de Deus? Porque não me encontrava equânime no meu coração ou é simplesmente a ação do ego?

Porque o seu coração tem intenções. É ato de Deus, mas o coração vivencia intencionalidade durante as ações de Deus.

Veja, o coração que não fica em paz quando está convivendo com a criação ilusória de estar conversando com outra pessoa é porque tem intenções diferentes daquilo que ouviu, daquilo que sentiu. O coração, por exemplo, que não fique em paz quando ouve algo diferente do que ele acredita tem a intenção de mostrar o quanto ele é sábio, o quanto sabe. Isso porque ele vivencia a criação do ego que diz que aquele outro ser está ameaçando as verdades possuídas…

Você pode me dizer: mas isso é razão pura… Sim, mas tudo que a razão cria é acompanhada por um sentimento no coração daquele que está aprisionado à realidade do ego como Real.

Na verdade, esta criação não é um sentimento do coração, mas uma intencionalidade que o espírito vivencia como real. Quando dizemos que o coração está vibrando de acordo com a razão, está se falando de ilusões, pois o coração jamais vibra de forma diferente. Por isso afirmo que se imaginar vibrando dentro de um determinado padrão demonstra apenas uma intencionalidade, elemento que é ilusório…

Como já disse, o espírito está só amando, mas acredita que está defendendo suas idéias. Então ele ama, mas vive a ilusão de estar querendo defender suas idéias. Isto é a intenção do espírito que estou falando agora…

Como já disse é difícil falar sobre isso porque tenho que colocar em palavras e quando faço isso vocês pensam que estou me referindo a razões, mas falo de sentimentos.

Participante: Como podemos eliminar nossas intenções? Às vezes percebo que não consigo mudar e isso me deixa triste…

Você está se referia da intenção do coração? Esta você não muda, ela se muda de acordo com a ação do espírito… Você está falando com relação à intenção da razão? Esta não se muda, você se liberta.

Veja, o que você precisa é libertar o seu coração da razão e não mudar a razão. Krishna fala: cada um age de acordo com a sua natureza e cada natureza tem uma intencionalidade.

Sendo assim, não dá para você mudar a intencionalidade racional com que vive. O que pode fazer é libertar-se da intencionalidade, ou seja, a razão está com uma intenção, mas o seu coração não ter intenções.

Não é ter intenções é diferente de eliminar as intenções.

Participante: Posso confiar no coração como bússola para este meu caminhar?

Só pode… Só pode confiar no seu coração, mas tem um detalhe: não pode confiar na razão que diz do que o coração está sentindo…

Olha a diferença: confiar no coração é confiar em nada, porque o coração não chega à razão e por isso o que ele sente não é consciente para você. Quando o coração, ou seja, a vibração sentimental chega à razão, na verdade não chegou, mas a razão criou uma razão para o coração.

Então, não confie em nada. Não confie você, em Deus, em mim ou em ninguém. Desconfie sempre, porque quem confia em alguém, mesmo que seja em si mesmo, irá se decepcionar um dia.

Saiba de uma coisa: a vida é feita de vicissitudes, ou seja, de alternância de situações. Já a confiança é formada a partir da convicção de que aquela pessoa sempre agirá de uma única forma.

Por isso, quando você cria uma confiança em alguém ou em algo, elimina a possibilidade de alternância daquela situação. Mas isto não pode ser eliminado, porque esta alternância com certeza irá acontecer.

Por isso não crie confiança em nada: esteja vinte e quatro horas por dia atento… Atento a que? A não se deixar prender ao que a razão diz.

Participante: Como seria uma pessoa liberta de suas razões? É possível ser assim encarnado?

Uma pessoa liberta das suas razões é racional e externamente igual a você é. Ele é igual você. Por que digo isso? Porque a diferença é que ela estaria liberta no coração, mas você não vê o coração de ninguém, não é mesmo?

Ela tem pensamentos (razões) que falam de ódio, de dor, de ciúmes e de prazer. Ela tem tudo isso, mas se liberta destas coisas no coração. Este coração, no entanto, você não vê…

Mas, veja, se você quer conhecer externamente uma pessoa liberta, ouça o que diz Krishna: ela tem cara de bobo…

Participante: Quando há uma forma mental percebida, qual a melhor maneira de lidar com esta situação?

Não prender seu coração a ela. Sua razão diz que você está aqui ouvindo isso, não acredite nisso. Sua razão diz que você é homem, brasileiros, um trabalhador: não prenda seu coração a estas verdades…

Não acredite sentimentalmente em nada que lhe venha a razão. Não empenhe seu coração com verdades geradas pelo ego.

Participante: Quando somos muito cobrados, temos que voltar de vez em quando aqui para ser reabastecer. Quando eu sinto isso, apareço por aqui…

Só vou mudar algo que você que você só se falou: ninguém lhe cobra nada…

Na verdade você cria a idéia de estar sendo cobrado, mas não está… Lembre-se que toda a realidade racional, ou seja, consciente, que você tem é uma criação do seu próprio ego.

Sendo assim, ninguém lhe cobra nada. Na verdade, o ego está criando a idéia de ser cobrado para também justificar racionalmente a necessidade de estar aqui e justificar, também a sua presença aqui.

Agora, tudo isso acontece apenas no mundo da razão, no mundo a ilusão. Na Realidade você não está aqui nem em nenhum lugar…

Portanto, imaginando que está, esteja. Mas se não imaginar, não esteja…

Participante: Quando falo em muito cobrado é porque sinto que a dificuldade da prova é muito maior, mesmo sabendo a resposta…

Você sente que a dificuldade da prova é maior, mas este sentir é racional. Você vê a dificuldade, compreende as dificuldades, mas quando faz isso não há prova difícil, mas compreensão de dificuldade da prova.

Por isso disse que o ego é que cria a cobrança e não que os outros que lhe cobram. Como outros, eu não falo só das pessoas com quem convive, mas de Deus, dos espíritos, de qualquer coisa.

Na verdade a dificuldade da prova não está na prova, mas sim na informação que o ego lhe dá dizendo que ela é difícil.

Participante: Quando o nosso coração fica pesado de emoções é porque permitimos ou isso também é dado por Deus?

O coração só fica pesado de sentimentos se ele se apega à realidade racional que é pesada. O peso que você tem consciência de ter vem das obrigações e responsabilidades que a razão cria.

Quando o coração se apega a isso ele fica pesado. Agora, quando ele se liberta disso, a razão é pesada, mas o coração é leve.

Participante: O senhor poderia falar sobre o tema que finalizou a semana passada: a humanidade não presta.

Primeiro, vamos colocar esta citação dentro de um conteúdo, para não a generalizarmos. Eu disse que o humanismo, não as pessoas humanas, não presta para quem busca a Deus.

Foi isso que quis dizer, mas que não sou eu só quem digo. Cristo, Paulo e todos os mestres disseram: não se podem servir dois senhores ao mesmo tempo, senão você serve a um e desagrada outro.

Não se pode servir a humanidade e ao mesmo tempo querer servir a Deus. Não se pode ser um ser humano e querer aproximar-se de Deus ao mesmo tempo. Foi isso que disse.

Realmente, o humanismo não serve para quem quer buscar a Deus. Agora, para quem não quer buscar a Deus, o humanismo é ótimo.

Sabe, outro dia estava falando sobre a elevação espiritual e uma pessoa me disse: mas, ninguém é obrigado a fazer elevação espiritual… Eu disse: concordo com você plenamente.

Ninguém é obrigado a realizar espiritualmente, ninguém é obrigado a optar pelo bem sempre. Isso é ponto pacífico, senão o livre-arbítrio do espírito (escolher entre o bem ou mal) não existe.

Isto disse naquele momento, mas para vocês que estão aqui hoje, tenho que dizer que o humanismo não serve para vocês. Por que? Porque a platéia que está aqui hoje é composta por pessoas que se dizem buscadores de Deus. Se estivesse falando para cientistas espirituais, ou seja, para aqueles que estão buscando Deus através da matéria, não falaria isso.

Sendo assim, aqui e agora digo que o humanismo, não é a humanidade como pessoas, não presta para aquele que está buscando a Deus. Isto porque o humanismo se fundamentada no egoísmo, na busca da satisfação pessoal acima de qualquer coisa.

Além do mais, o humanismo se baseia no aqui agora humano e não leva em consideração a existência eterna do espírito, ou seja, não compreende que os acontecimentos de agora são provas e expiações para uma vida eterna e busca o prazer agora.

São por estes motivos que afirmo que o humanismo não presta para quem quer Deus. Agora para que não quer, ele é ótimo.

Compreendeu?

Participante: Entendi o conteúdo e adorei ver o senhor usando a espada…

Eu não vim trazer a paz, mas a espada… Ajo assim porque sou seguidor de Cristo.

Participante: Porque sofremos quando perdemos alguém que estamos apaixonados?

Porque somos seres humanos, porque queremos possuir.

Veja você falou por que “sofremos quando perdemos”. Perdeu por que? A pessoa morreu? Mas, não existe morte… A pessoa foi embora? Mas, não existe distância e por isso não há ir embora…

Veja, você sofreu, na verdade, por ter perdido o contato físico com esta pessoa. Acontece que só precisamos do contato físico quando imaginamos que as pessoas são o físico que percebemos… Quando deixamos de percebê-lo, criamos, então, a sensação de ausência e com isso a de ilusão…

Mas, só quem vive assim é o ego humanizado e o espírito que acredita nesta ilusão criada pelo ego. Por isso lhe respondi que você sofre porque é o humano, porque quer viver humanamente. Só estar assim é que você imagina que precisa do contato material para acreditar que é feliz. Na verdade, é o ego lhe diz que a sua felicidade depende do contato material com determinadas pessoas…

Deixe-me dizer algo que eu acho muito engraçado… Vocês dizem que amam profundamente uma pessoa ou um objeto, mas daqui esta pessoa ou objeto age de uma forma que você não gosta e, neste momento, acredita que acabou o amor. Amor não acaba…

Sendo assim, você na verdade nunca amou… Você estava preso ao prazer, ou seja, estava bem porque aquela pessoa satisfazia as suas expectativas. Isso fica bem claro, porque a mesma pessoa que diz amar não mais satisfaz, o amor acaba e você é o primeiro a acabar com a relação amorosa sem sofrimentos…

Veja bem: se você ama de verdade e a pessoa amada vai embora, você não perde a felicidade porque ainda têm o mesmo amor que tinha para viver e que lhe fazia feliz. Compreenda que amar é sentir-se feliz com amor que tem e não com a pessoa que é objeto do amor. Amar é amar e esta ação não precisa de nenhum instrumento para existir…

Além do mais, lembre-se: não existe o outro, não existe a presença física, mas sim um sentimento que está dentro de você. Porque todo este sofrimento se ele continua lá dentro?

Saiba: aquele que zela pela sua espiritualidade compreende que é muito mais e importante estar feliz do que estar com alguém…

Participante: Buda falou que precisamos atingir uma consciência correta, uma fala correta, um coração correto. Poderia falar sobre isso?

Posso, pois nós já estudamos o “Nobre Caminho Óctuplo”, ensinamento no qual Buda fala de uma série de coisas corretas. No entanto, antes de entrar no mérito do ensinamento, preciso falar uma coisa…

O correto que Buda cita possui a mesma conotação do humanismo que acabei de abordar… Para o mestre, correto não é “certo”, mas o melhor a ser feito para quem tem determinado objetivo…

“Certo” não admite erros, não admite controvérsias: tem que ser igual para todos. Correto é aquilo que é melhor para você. Quando Buda falou sobre determinados aspectos no Nobre Caminho Óctuplo como sendo o correto, ele não quis dizer que era o certo, mas o melhor para aquele que quer alcançar a iluminação.

Ele não falou em “certo”, ou seja, ele não diz que só isso pode ser feito. Ele diz que isso é o caminho para a iluminação, é o caminho que leva a Deus.

Esta primeira compreensão necessária sobre o tema: o caminho búdico, ou seja, as “Quatro Nobres Verdades” e o “Nobre Caminho Óctuplo” falam de procedimentos corretos para quem quer ser um Buda. Mas, isso não quer dizer ele tenha dito que eles são “certos”.

Neste ensinamento ele fala que é preciso ter uma “consciência correta”. O que é uma “consciência correta”? Vamos entender isso…

Este é um mundo espiritual humanizado… Este não é um mundo humano que convive com um mundo espiritual como a doutrina espírita humana fala. Este é um mundo espiritual humanizado.

Mas, se ele é um mundo espiritual, tem que ser compreendido e vivenciado a partir de verdades espirituais e não materiais. O que seria viver neste mundo a partir de verdades espirituais? Por exemplo, deixar de acreditar nascimento.

Bolas, que espíritas são esses, que conhecem o fato da encarnação, que conhecem a realidade que diz que apesar de humanizarem-se não deixam de ser espíritos, mas que ainda acreditam no nascimento do a partir do corpo físico? Nascimento é começo, início, mas não de uma existência humana, mas sim de uma encarnação. Sendo assim, a “compreensão correta” deveria nos dizer que estamos encarnados, mas vocês ainda acreditam que são seres humanizados que nasceram na maternidade…

Outra “compreensão correta” que grita aos nossos olhos somente a partir da constatação da existência do espírito ou alma: você não está vivo; está encarnado… Estar encarnado é completamente diferente de estar vivo.

Quem está encarnado vai a O Livro dos Espíritos e lê os objetivo da encarnação e a partir deles cria os valores para esta existência. Com isso, para de viver uma vida como humano e vivencia os objetivos ali descritos.

Pergunto ainda aos espíritas: se não existe vida nem nascimento, quem é seu pai e sua mãe? Quem são seus irmãos? Voltamos a um ensinamento crístico que não teve, também, uma “compreensão correta”…

Entender a “compreensão correta” é compreender que é preciso se ir moldando valores com é o respeito ao que você vivencia no dia a dia. Mas, para fazer isso, diz o Buda, é preciso ter uma “atenção plena correta”.

Vocês não têm uma “atenção plena correta”. Estão sempre focados externamente, ao invés de estarem atentos às razões que estão criando verdades e realidades. Por não prestarem atenção às formações mentais, vocês ficam presos a elas e acreditam no que ela diz…

Mas, para ser uma “atenção plena correta”, ensina mais Sidarta Gautama, é preciso ter uma “concentração correta”. Que concentração é esta? Para aqueles que querem transformar a ilusória existência carnal em uma oportunidade de voltar à sua consciência primária, este deve ser o seu foco principal…

No entanto, mesmo aqueles que se dizem buscadores estão concentrados em fazer o papel de ser humano bonito. Concentram-se em realizar-se dentro dos papéis que vivenciam durante a existência (ser um bom pai / mãe, ser um bom profissional, ser limpo). Esta é uma concentração não correta para aqueles que afirmam querer elevar-se espiritualmente, estar com Deus.

Este o “Nobre Caminho Óctuplo”. Estas três atitudes (compreensão, atenção plena e concentração correta), ainda segundo o Buda, leva uma fala correta, a uma ação correta, a um meio de vida correto. Não que elas mudem as ações criadas por deus, mas altera a compreensão da ação. Aplicando estes princípios, você não estará mais conversando com uma outra pessoa, apesar deste fato continuar acontecendo, mas vivendo uma ação carmatica e convivendo como um instrumento desta ação.

Comece pela compreensão correta para viver todo caminho ensinado por Buda, apesar dele se circular. Comece pela compreensão e depois de percorrê-lo por completo, volte à compreensão e compreenda tudo de novo. Aliás, é o que estamos fazendo há oito anos…

Mas, aproveitando a sua pergunta, afirmo que neste ensinamento está tudo o que precisamos entender a respeito da elevação espiritual: sem uma compreensão espiritualista da vida, não há elevação espiritual, não há busca espiritual. Aliás, hoje falamos quase que o tempo inteiro sobre isso: matéria versos espírito, materialismo versos espiritualista.

Como ensinou Cristo, depois que cresce, é preciso separar o joio do trigo e acho que o de vocês já está bem grande, pois vocês já estão há muito tempo nesta vida, nesta busca da elevação espiritual. A separação ensinada pelo mestre nazareno consiste justamente nisso que acabamos de falar: separar o que é material do que é espiritual e com isso mudar a compreensão da vida.

Não foi à toa que Cristo disse assim através do Evangelho Apócrifo de Tomé: quando você vir alguém que se saiba que não é nascido de homem de mulher, saiba que este é um mestre.

Porque ele falou assim? Porque este teve uma “compreensão correta” sobre si mesmo… Ele não se vê mais como humano, não preza mais a sua humanidade, mas sim a sua espiritualidade.

Participante: Porque nas casas de auxílio espiritual os encarnados, embora se encontrem muitos que já se emanciparam a da experiência humana, ainda continua se esclarecendo através das verdades ilusórias. É porque eles mesmos não estão afinados com estas verdades ou porque não havia outra maneira de auxiliar os necessitados que, por hora, compreendem desta forma?

É porque as casas espirituais não são casas espirituais, mais carma…

Uma religião que diga que acredita em Cristo, não é uma religião que acredita em Cristo, mas um carma para ver se você vai idolatrar a Cristo ou se vai amar a Deus acima da idolatria proposta… Uma casa espírita não é uma casa de Deus, mas uma casa espírita.

Mas, elas não estão erradas de serem assim: elas são carmas para ver se você acompanha os ensinamentos de Cristo que dizem que devemos que amar ao Pai e não a ele.

Cristo sempre se colocou como uma segunda pessoa com relação ao Pai… Ele e o Pai não são a mesma coisa, o mesmo espírito… Portanto, as religiões que se dizem seguidores de Cristo não deveriam incitar a idolatria ao mestre nazareno.

No entanto, quando agem desta forma, elas não estão “erradas”. Isso porque elas não são “certas” nem “erradas”, mas elementos carmaticos.

Não podem ser consideradas como “certas” ou “erradas”, até porque, como elementos carmaticos que são, não existem… Se não existem, como podem ser consideradas “certas” ou “erradas”?

Elas, na verdade, são Perfeitas, porque servem há quem vá lá, ou seja, tornam-se instrumentos carmaticos de diversos espíritos, e a você, lhe dando uma oportunidade para escolher entre o individualismo (acreditar que elas estão “erradas” ou que são inadequadas com a realidade e com isso vibrar na crítica que o ego construirá) ou se permanecerá ligado a Deus.

Veja, não estou falando especificamente de você, mas daqueles que criticam as religiões dizendo que uma determinada é atrasada porque não acredito em reencarnação, que a outra é idolatra porque louva imagens, etc.

Participante: As vicissitudes do mundo interno, ou seja, quando estamos brigando internamente conosco ou com alguém, são sinais de fraqueza?

É sinal de carma…

Você está falando de vicissitude interna racional. (saber que existe através de uma razão), então é carma para ver se você se prende as brigas ou a lutar contra elas querendo vencer este atitude ou se apenas constata que está brigando. Tudo que lhe vem à razão, ou seja, tudo que lhe é consciente é um carma para ver se você prende com seu coração aquilo ou vive solto daquilo.

Participante: Desculpe, mas estou inconformado com o que o senhor falou a respeito das religiões, pois nos ensinou que elas fazem parte de um caminho. Como posso chegar para uma pessoa evangélica que nem sabe ler e escrever e dizer que ela nem existe? As religiões que o senhor falou falam de outra forma, ou seja, de uma forma que as pessoas entendam… Então, você não acha que estas casas não são caminhos?

Pois então, um carma: foi o que disse. O que é um caminho? Um direcionamento para se chegar a Deus… Como se caminha? É através da vivência dos carmas que se percorre o caminho.

Portanto, se elas lhe levam a se aproximar e são caminhos, elas são instrumentos do carma, do caminhar. Não foi isso que disse?

Agora, quanto a pessoa analfabeta não entender que ela é um ego, isso eu concordo com você. Mas com certeza compreende que deve amar a Deus sobre todas as coisas, inclusive acima da religião, do marido e dos filhos.

Não precisa se falar de ego para alcançar a evolução espiritual. Segundo Cristo não é preciso se ter cultura para se chegar a Deus, mas sim amar… Sendo assim, uma religião, principalmente cristã, que lhe diga que tem que saber alguma coisa é um carma…

Repare: uma religião forte de cultura e sabedoria é um carma, porque lhe prende a materialidade, ao conhecimento. Isto porque, como acabei de dizer, é por causa do suposto saber de cada religião que o ego cria a crítica a outras religiões.

Aqueles que se tornam religiosos de religiões que fomentam o saber para chegar a Deus ao invés do amor, possuem egos que vangloriam da sua religião. Apesar de constara isso, não digo que estas religiões são “erradas”, mas instrumentos carmaticos…

Na verdade, a religião é um carma para ensinar as pessoas o que eu falo. Mas, para você repassar o que falo para pessoas que não estão afetas aos nossos encontros, você não precisa a repetir as minhas palavras.

Em uma palestra recente, falei de cinco a seis horas sobre conhecimentos, cultura, sobre elementos espirituais desconhecidos daquela platéia. Mas, no final, como sempre, disse: esqueçam tudo que eu disse e preocupem-se apenas em amar a Deus. Disse mais: não há como se fazer isso a não ser amando a tudo como se fosse o próprio Deus, já que tudo é ação de Deus…

A partir disso posso afirmar que mesmo uma pessoa que não sabia ler pode receber o meu ensinamento. Para falar deles, não é preciso ensinar sobre egos… Aliás, quando se ensina a ego, cria-se uma nova prova, porque quem está ouvindo criará um novo saber…

O que preciso é falar do amor: isso não cria sabedoria alguma…

Por isso disse que as casas ditas como de auxílio aos encarnados não são “certas” nem “erradas”, ,mas instrumentos carmaticos. Ou seja, existem para ver se você se prende a uma cultura ou se ama Deus acima de todas coisas…

Participante: Como diferenciar consciência espiritual da razão do ego?

Não tem como diferenciar…

Isso porque tudo o que lhe é consciente é razão, é ego. O que pertence à consciência do espírito o ego não tem como lhe trazer ao consciente. O ego não possui elementos para decodificar (transformar em consciente) coisa alguma que espírito tenha sentido.

Então, tudo é razão. Toda criação racional é ilusão como, aliás, Krishna ensina isso: tudo que lhe vem à mente é maya, é ilusão.

Participante: Estou vindo aqui a primeira vez… Sinto-me perdida com tantas informações… Isto é normal?

Sim. Veja, sempre que o vento bate sobre a areia, ele a espalha para todo lado e muito desta areia fica no ar. É preciso esperar o vento passar e a areia assentar para poder ver como as coisas ficam…

Este se sentir perdido a que você se refere, acontece porque aqui puxamos o “chão” que está debaixo dos pés de cada um, ou seja, aquilo no qual vocês sustentam a vida. Mas, fazemos isso de propósito porque o que se você vive como humano, ou seja, vive preso a um chão humano, jamais conseguirá chegar às nuvens.

Participante: Há algumas semanas atrás você falou em dois lados da moeda. Esta moeda se chama vida?

Esta moeda se chama a ilusão da vida. Ter dois lados é um dualismo e tudo que é dual é ilusório. Existe, na realidade, uma vida de um único lado que a ilusão transforma em dois.

Aliás, a ilusão não transforma somente em dois, porque ela não transforma simplesmente em “bom” e “mal”, mas cria também o “quase bom”, “pode ser que fique melhor”, “ótimo”… Portanto, a ilusão não é dual, mas múltipla, enquanto que a Realidade é a Uma, Única e estável.

Participante: Como podemos nos desapegar das coisas mundanas?

Eu sei que você é nova em nosso grupo, por isso vou lhe dizer: a resposta que lhe darei é uma resposta típica de Joaquim e não uma chacota… Como pode se desapegar das coisas mundanas? Desapegando-se…

Não há outro jeito… Não há fórmulas científicas que levem a desapegar-se a não ser o próprio desapego.

Mas, o que é desapegar-se das coisas mundanas? É não dar a elas o valor que têm hoje para você. É só isso…

Desapegar-se é alterar o valor que, a importância, o selo que tem hoje por estas coisas. Quando para você a importância e o zelo que existe hoje por alguma coisa mundana, se desapegou dela…

Digo isto porque o apego está justamente na importância e no zelo que se dá às coisas materiais…

Participante: Depois de ouvir você me dar alento, leio que o próprio Paulo se coloca como nós: em constante busca…

Sim, Paulo coloca que é necessário buscar sempre a Deus. Diz que o trabalho de busca a Deus é algo que não pode ser interrompido em momento nenhum…

Por que ele fala isso? Porque cada vez que você interrompe a sua busca Deus se prende a matéria.

Aliás, o que acabei de dizer me lembra um exemplo que dei há muito tempo atrás… Elevação espiritual é como de derrubar um prédio imenso, tijolo por tijolo tendo-se apenas um martelinho para bater. Além disso, é preciso estar constantemente batendo, porque quando não bate, assenta novos tijolos.

É isso que Paulo sabia e é isso que ele diz para vocês: Deus vinte e quatro horas por dia… Como dizem os evangélicos: é preciso tomar Deus na veia…

Agora, para finalizar esta conversa de hoje, deixe-me dizer uma coisa que acho que se encaixa muito bem com tudo que foi falado. Durante estes oito anos que tenho conversado com vocês acredito que devam ter percebido que tudo o que falei já estava escrito em algum ensinamento de algum mestre.

Posso dizer que todos os ensinamentos que falo não possuem conotação de novo para vocês. Mas, mesmo assim, vocês chocam se com muitas coisas que falo.

Por que isso? Porque não levaram o ensinamento que receberam para a vida, ou seja, não transformaram o valor das coisas que vivenciam a partir das verdades espirituais.

Foi o que falei agora pouco quando respondi sobre o “Nobre Caminho Óctuplo” de Buda. Falamos sobre “compreensão correta”, ou seja, que é preciso se pegar os ensinamentos dos mestres e a partir dele alterar os significados de elementos do mundo material.

No entanto, a humanidade pegou todos os suttas budistas, os textos védicos de Krishna, o Novo testamento, O Livro dos Espíritos, o Alcorão e transformou o conteúdo destes livros em palavras frias, em cultura, em ensinamentos decorados…Não, nenhum mestre veio trazer ensinamentos que precisem ser decorados… Aliás, todos foram unânimes em dizer que a letra fria mata.

Por isso afirmo que é preciso se pegar o ensinamento dos mestres e se colocar em prática. Esta prática existe quando a partir deles você buscar uma nova compreensão para tudo que hoje você tem como real.

É por isso que Cristo diz: o verdadeiro sábio é aquele que abre o seu baú de coisas velhas e tira coisas novas.

Sem isso, sem este trabalho de ir a vida e analisá-la a partir dos ensinamentos dos mestres, o que eles ensinaram vira letra fria.
FONTE:
http://www.universalismo.org/

MONISMO – PARTE 1

 

Chama-se de monismo (do grego monos, “um”) às teorias filosóficas que defendem a unidade da realidade como um todo (em metafísica) ou a identidade entre mente e corpo (em filosofia da mente). Opõe-se ao dualismo ou ao pluralismo em geral.

Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Monismo

“Monismo” é uma série de palestras realizadas no chat do CEU durante o segundo semestre de 2006 pelos amigos espirituais onde, utilizando-se de todos os ensinamentos já transmitidos, eles objetivaram trazer a visão monista sobre diversos elementos do mundo material.
Participante: Parece que um espírito, no estado que é concebido, ou seja, na sua criação, embora perfeito, não consegue ter consciência de si mesmo. Por isso, para ampliar cada vez mais a auto consciência, vivencia muitas e variadas experiências ao longo da eternidade. Parece também que o contato com a matéria mais densa é um dos principais meios se não o único e obrigatório nesta trajetória.

Sendo mesmo assim que uma importante fase da caminhada da evolução se desenvolve então, o espírito como co-criador que molda matéria até no plano mais denso, o faz impulsionado por amor a todos os demais, porque expandir o plano físico nada mais é do que ampliar o cenário aonde mais espíritos venham a se desenvolver.

Tem algo que presta ou certo neste raciocínio?

O raciocínio é longo… Para melhor responder, proponho analisá-lo, passo a passo.

“Parece que um espírito que é concebido, ou seja, na sua criação, não consegue ter consciência de si mesmo”.

Vamos estudar apenas este trecho.

O espírito, no estado que é gerado por Deus, não tem consciência de si como individualidade. Essa afirmação é verídica.

Mas, porque ele não tem esta consciência? Porque, segundo o que foi ensinado pelo Espírito da Verdade, ele nasce simples e ignorante – ignorante no sentido de não conhecer, ignorar. Então sim, o espírito no início não tem consciência de si porque ignora os elementos do Universo.

A partir do nascedouro, começará a conhecer os elementos do Universo. Que elementos são esses? Não é a água, o ar, o vegetal ou o mineral. Na verdade ele conhecerá o único elemento existente no Universo: aquele que foi chamado pelo Espírito da Verdade de fluído primário ou fluído cósmico universal.

Aí está a primeira etapa da evolução do espírito: ele nasce puro, simples e ignorante, por isso não reconhece a si mesmo como individualidade; a partir daí começa a vivenciar o processo de conhecimento do fluído cósmico universal reconhecendo o resultado das múltiplas combinações que este elemento pode ter.

Quando o espírito conhece as múltiplas combinações a que o elemento primário do Universo pode se submeter passa, então, a ter consciência de si mesmo e do mundo que o cerca. Este conhecimento, no entanto, ainda não é profundo, pois, mesmo neste estágio, ele é como uma criança que está no nível primário de estudo escolar: reconhece as letras, mas não sabe escrever, não sabe juntar as letras para formar palavras.

O período de reconhecimento das combinações do fluído universal é descrito na Bíblia. Corresponde a adaptação do homem ao paraíso, ou seja, quando Deus, depois de criar o homem e a mulher, afirma: isso tudo é seu, visite cada lugar e dê nome a cada coisa que encontrar.

É exatamente isso que estou dizendo em outras palavras. O espírito é gerado por Deus e aí o Senhor diz: o Universo é todo seu; visite tudo e dê nome a todas as coisas, ou seja, crie reconhecimento para essas coisas.

Vamos continuar com a sua pergunta…

Parece também que o contato com a matéria mais densa é um dos principais meios se não o único e obrigatório nesta trajetória.

Aqui começamos a discordar… “Parece que o contato com a matéria mais densa”…

Deixe-me dizer uma coisa. Em O livro dos Espíritos está escrito: no Universo existem apenas dois elementos. Estes elementos lá são descritos como espírito e matéria. Afirma mais: acima de tudo existe Deus. Portanto, no Universo, só existem o espírito, a matéria e Deus…

Está escrito lá também que a matéria é apenas o fluído cósmico universal. Agora lhe afirmo quanto ao elemento material do Universo: ele não aceita densidades diferentes.

Lá atrás, antes de falarmos de ego e de construções de realidades, também tivemos que usar este conhecimento (mundos em densidades diferentes), assim como o espiritismo também usa esta denominação para falar dos planos mentais de vida. Mas, isso porque tanto nós como o espiritismo, ainda não tínhamos trazido as notícias sobre o ego, a personalidade humana que o espírito veste e sua vivência com ela.

Mas, veja, a partir do momento que compreendemos que o ego é o criador de realidades, ou seja, é ele que cria o que é percebido, tenho que afirmar que não existe matéria mais ou menos densa. O que existe, na verdade, é uma percepção ilusória de densidades do fluído cósmico universal.

Vou lhe dar um exemplo. Olhe para a parede de sua casa. O que está vendo? Uma matéria numa densidade diferente da espiritual. Mas isso não é verdade.

O que existe ali não é tijolo nem parede. O que existe é fluído cósmico universal. Na verdade, você está tendo a percepção de uma matéria mais densa, mas estas percepções são criações do ego, ou seja, ilusão, mundo de maya. O que existe ali é fluído cósmico universal, é matéria universal na sua densidade original.

Voltando, então à sua afirmação, posso lhe dizer que não é contato com matérias mais densas um dos principais meios de evolução do espírito, mas que o processo que vem depois da primeira fase de aprendizado é o contato com ilusões de densidades. Isso muda tudo, porque muda o mundo que você vive. Ao invés de viver em um mundo real, verdadeiro, existente, passa a viver num mundo perceptivo, percebido, simplesmente isso.

Então, sim: o espírito evolui primariamente no Universo tomando contato com o fluído cósmico universal e as suas múltiplas combinações. Depois continua o seu progresso através de vivência de mundos mentias onde a percepção é de que as matérias são mais densas.

Alterando isso, então, eu posso concordar com você o trabalho de viver nestes mundos mentais onde a matéria é percebida com mais densidade é o processo de evolução do espírito.

Participante: Então, quanto mais iniciante na caminhada no contato com a matéria única nós a percebemos como mais densa possível?

Não como iniciante no contato com a matéria primária. Enquanto você não acorda para a consciência do “eu”, ou seja, não tem o contato completo com todas as possibilidades de combinações do fluído cósmico universal, só se relaciona com a matéria primária em sua forma original. A partir do momento que há a consciência do “eu” começará, então, a haver o contato com as percepções de matérias em densidades maiores.

Quando este segundo processo ou caminhada começa, posso concordar com a sua afirmação de agora. Isso porque, quanto mais no início desta segunda caminhada – não vou dizer menor, atrasado, mas no início da caminhada – mais a percepção é de que a densidade da matéria é mais grosseira.

A partir do momento que o espírito vai se afastando deste início, ou seja, aproximando-se de Deus, as percepções do fluído cósmico universal vão transformando a matéria em menos densa. É por isso é que os espíritos desencarnados falam de matérias mais fluídas. Na verdade as matérias não são mais fluídicas, mas as percepções deste espírito é que vêem a matéria primária desta forma.

As percepções, independente da densidade que conferem à matéria universal, existirão até que o espírito volte novamente a conviver apenas com o fluído cósmico universal na sua forma primária, ou seja, aproxime-se de Deus e da Realidade. Aí não haverá mais percepções mentais.

Participante: Então tem muito lugar ilusório ainda para visitar…

Olha, você está no pré-primário desta segunda etapa de caminhada. O planeta Terra, o Mundo de Provas e Expiações, é o início desta segunda etapa de caminhada dos espíritos. Por isso ele é o mundo onde as percepções da matéria são mais grosseiras, mais densas.

Eu diria que você ainda tem muito que caminhar no Universo.

Continuemos analisando sua pergunta…

Sendo mesmo assim que uma importante fase da caminhada da evolução se desenvolve então, o espírito como co-criador que molda matéria até no plano mais denso, o faz impulsionado por amor a todos os demais…

Espere um pouco… Deixe-me falar algo importante: o espírito não é co-criador:, mas assistente da Criação… O espírito não molda a matéria: ele tem a percepção de estar moldando.

O que é Criar? Como se moldam imagens? Para poder explicar isso terei que voltar a um ensinamento que já conversamos há algum tempo…

Existem três deuses no Universo. O primeiro é o Ser, o espírito que é o Senhor do Universo. O segundo são os deuses emanados, ou seja, os espíritos e as suas múltiplas personalidades ou “eus”.

O espírito é o deus emanado. Por que? Porque ele vive com consciências que Deus emana.

Por exemplo, você, espírito, agora acha que é a consciência ou personalidade José. Ao você imaginar-se como sendo o José, se torna neste personagem e o transforma, mesmo ilusoriamente, em realidade. Mas, o José não existe na realidade: ele é uma emanação de Deus, uma criação ilusória do Pai.

Tudo que José é está sendo emanado por Deus, criado pelo Pai e não existe na realidade. Você, espírito, não é nem cria nada do José: apenas assiste ao que Deus emana. Por isso se torna em um assistente da criação.

Terceiro deus do Universo: As emanações de Deus. São aquelas coisas que o José faz, que o deus emanado José faz, mental ou materialmente falando.

Mas, quando falamos que o José faz, não estamos sendo fieis à Verdade. Isso porque o José não faz nada, pois ele não existe, mas trata-se também apenas de uma emanação de Deus. Na verdade, Deus emana e dá ao José a ilusão de estar fazendo. Quanto ao espírito, ele acha que o José está fazendo, mas não tem interferência nenhuma neste processo.

Juntando tudo, então, posso dizer que, na Realidade, existe o espírito assistindo a tudo. Ele está apenas assistindo as emanações de Deus, mas acha que é o José, e que está fazendo o que o José faz.

O espírito, portanto, não é co-criador, mas assistente da criação.

Agora pode continuar a leitura deste parágrafo…

…o faz impulsionado por amor a todos os demais, porque expandir o plano físico nada mais é do que ampliar o cenário aonde mais espíritos venham a se desenvolver.

Antes não podia, mas agora posso falar sobre este trecho. Isso porque já deixei bem claro que não é o espírito que cria, mas sim Deus.

Sim, quando Deus cria toda a ilusão do mundo material, ou seja, quando ele emana as percepções que criam o mundo material, faz por amor, por Amor aos seus filhos.

Isso porque Ele sabe, como você colocou, que essa etapa é importante. Agora, uma coisa precisa ficar bem clara: essa etapa não é a mais importante…

O que é mais importante: aprender ou comprovar que aprendeu? Se você aprender de verdade a comprovação nem se torna necessária… O que é mais importante: assistir aula o ano inteiro ou fazer prova final? Assistir que eu digo é participar conhecendo e compreendendo os ensinamentos… Será que se você participar da aula aprendendo o ano inteiro precisará fazer prova final?

Portanto, a parte mais importante da segunda caminhada do espírito não é o contato com as percepções mais grosseiras – que se trata apenas de uma provação de ensinamentos recebidos – mas sim aquela onde o espírito toma conhecimento com a Verdade. Isso acontece quando há contato com percepções menos grosseiras, ou seja, fora da carne.

Isso é Real… Agora, para muitos espíritos que, como os humanos, vão para a escola para esperar a hora do recreio para comer e brincar, essa etapa se torna importante. Importante para que? Para ele compreender que não dá para fingir que aprendeu…

Esta é a grande importância para o espírito da etapa chamada vida carnal. O espírito se liga a este ego que cria percepções mais grosseiras, achando que sabe tudo, que conhece tudo, que pode resolver todos os problemas. Vem para cá e falha, ou seja, não consegue amar a Deus como todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Quando retorna a uma consciência que cria percepções menos grosseiras, vê suas falha e descobre que ainda não aprendeu a lição. Aí compreender que tem se aplicar mais ao estudo durante aquilo que vocês chamam de existência entre vidas.

Então, a encarnação, ou a vida ligada à percepção de matérias mais grosseiras, é importante sim. Mas, não importante como evolução, porque na verdade a evolução está no aprender, o que é feito no mundo espiritual, mas é muito importante para o espírito entender que não dá para brincar de evolução espiritual.

Este é um aspecto que eu tenho batido muito. A maioria brinca de evolução espiritual, ou seja, transforma o processo evolucionário em segundo princípio de vida. O primeiro é transformar-se em um ser humano de sucesso material e feliz. O segundo é realizar isso, se possível, dentro do que os mestres ensinam.

Se possível fazem cumprem com a segunda prerrogativa, mas a primeira tem que ser feita…

É essa a grande importância da encarnação: o espírito compreender que tal modo de pensar não dá certo…

Outro dia, falei: olha temos que oferecer a outra face para quem bate em nós. Uma pessoa, que faz palestras religiosas, me disse que não, que devemos reagir. Disse, então: não foi isso que Cristo ensinou… Ele me respondeu: mas não dá para viver assim.

Mas, não dá por que? Porque se não reagir, ele não se considerará um ser humano de sucesso. Imaginará que, porque não reagiu, é um fracassado, humanamente falando…

Para este ser humanizado realmente não é possível viver os ensinamentos de Cristo, pois a sua prioridade número um, apesar de ser religioso, é tornar-se um ser humano de sucesso… Ser alguém reconhecido pela sociedade humanamente falando…

Este espírito, quando retorna à uma consciência que vive percepções menos densas compreende, então que esta opção pela materialidade não dá certo para sua evolução espiritual.

Agora, então, respondendo a tudo que você falou, digo que o espírito começa o processo evolucionário conhecendo o elemento do Universo e suas múltiplas combinações. Quando, depois de processo, toma consciência de si mesmo passa a viver ligado à múltiplas personalidades onde existem percepções de matérias mais grosseiras. Essas personalidades, no entanto, são temporárias e só servem para o espírito entender que precisa se dedicar completamente ao processo de evolução.

Participante: Insisto… porque expandir o plano físico nada mais é do que ampliar o cenário aonde mais espíritos venham a se desenvolver. Tem algo que presta ou certo neste raciocínio?

Olha, “certo ou errado” não existe… Eu não posso dizer se o seu raciocínio está “certo”: só quem pode fazê-lo é você, pois o seu “certo” não é o meu…

O que eu posso lhe dizer a respeito desse assunto é o seguinte: se o mundo da matéria mais densa é ilusório, ele expandirá para onde?

Olhe ao seu redor. Você acha que está numa sala ou num quarto: isso não importa… Você acha que está, mas não está, pois este lugar não existe.

Eleve-se um pouco mais. Olhe a cidade que onde imagina que está. Esta não é a cidade que você está, mas a que acha que está. Você não está lá, porque ela não existe, é uma ilusão.

Sobrevoe o planeta Terra e olhe para ele… Você acha que está dentro daquele globo, mas o planeta Terra não existe…

Só o que existe, só o que é Real é o Universo. Mas, para onde o Universo pode se expandir?

Pense… Se expandíssemos o Universo para outros lugares, é sinal de que esses outros lugares já existiam antes da expansão. E se já existiam, o que ele eram até então? Com certeza um lugar onde Deus não era a Causa Primária, pois o Espírito da Verdade afirma que o Senhor tem esta característica nas coisas universais…

Que Deus é esse que você acabou de criar? Com esta teoria de expansão voltamos à velha história dos múltiplos senhores (Deus e o diabo)… Sendo assim, Deus teria que conquistar os espaços além do Universo de outros Senhores… Que mundo material vocês está desenhando, não…

Não, desculpa, o Universo: o Universo não pode se expandir… Aliás, nem podemos dizer que ele é fixo, pois é a única coisa que existe. Se disséssemos que o Universo é fixo, estaríamos dizendo que ele era delimitado por outra coisa…

Sei que para vocês compreenderem isso é impossível. Isso porque a única forma como conseguem imaginar um lugar é que ele está dentro de outro. Tudo para vocês precisa estar dentro de outra coisa para existir, pois vocês humanos não conseguem imaginar nada infinito, que não tenha fim.

O Universo é infinito e o que é infinito não pode ser expandido. Agora as expansões das provas é outra coisa. Deus expandir as provas dos espíritos, ou seja, dar novas provações ao espírito é outra coisa…

Participante: O senhor pode comentar sobre o poder da oração se é que ela tem algum poder…

A oração tem um poder imenso… Tem um poder regenerativo, o poder de sublimar, curar e elevar o espírito… Olha como é importante a oração…

Sim a oração é importante. Agora que sabemos disso, no entanto, nos resta saber agora o que é a oração, não é mesmo?

Falo assim porque a oração não são as palavras de um texto. Em O Livro dos Espíritos está bem claro: a oração são energias que se expandem…

A oração é os sentimentos que o espírito sente enquanto recita ou não palavras. É aquilo que sai do coração e não da boca. Aliás, Cristo já disse: o problema não é o que entra pela boca, mas o que sai pelo que coração.

A oração, ou seja, a união amorosa com Deus – sentir-se amado e amar a Deus sobre todas as coisas (isso é oração) – tem todas estas propriedades que eu falei. Quem vive nesta união amorosa com Deus, ou seja, ama e se sente amado, não sofre, não fica triste, não tem depressão, nervoso, angústia, medo… Afinal se Deus é por nós, quem pode ser contra nós…

Então, sim a oração verdadeira tem um grande poder porque ela é formada por todas estas propriedades. Agora a oração recitada, executada por palavras não tem valor algum. Ou, aliás, tem sim: é um carma.

É muito fácil orar: quero ver viver de acordo com a oração. É muito fácil recitar uma oração, quero ver viver como a oração propõe sentimentalmente.

Nós já estudados a oração do São Francisco, do Pai Nosso… Podemos pegar qualquer uma e perguntar: será que vocês oram estas orações com o coração, ou seja, com o sentimento sincronizado com estas palavras, ou oram apenas da boca para fora, mantendo o coração preso em outras bases sentimentais?

Participante: Mas, o conceito oração do nosso ego é diferente. Então orar por alguém não tem nenhum sentido?

Orar com palavras? Não… Orar com palavras não tem nenhum reflexo para quem se está orando: tem para você. Vivenciar este acontecimento trata-se de uma prova para você.

Orar com o coração, isso faz sentido para o próximo. Isso porque, orar com o coração é amar. Quando você expande amor em direção a alguém, doa amor a essa pessoa. Com isso este espírito pode reagir melhor na luta contra o ego.

Oração com palavras é teatrinho e tudo que pertence à Divina Comédia Humana é carma, prova. Então, fazer uma oração para os outros é apenas uma prova para você mesmo.

Mas, faço uma pergunta: fazer oração para os outros, para que? Para acabar com o sofrimento? Para acabar com a carência de alguém? Desculpa, isso parece até Jó – personagem do livro bíblico homônimo.

Jó pergunta assim em uma de suas falas: que Deus está errado eu sei, mas quem tem coragem de dizer a Ele que está? Quem tem coragem de dizer a Deus que Ele está errado são aqueles que oram pedindo, exigindo benefícios que o Pai, que tudo sabe, não deu…

Quando você ora para alguém, para melhorar a vida de alguém, está partindo da premissa que Deus está “errado”. A sua oração está acontecendo porque imagina que aquilo não devia estar acontecendo com aquela pessoa naquele ou em qualquer outro momento.

Nós temos que orar a Deus – orar de coração – a todo o momento sim, mas agradecendo o que Ele nos dá. Não importa se o que Ele nos dá é fartura ou escassez, alegria ou sofrimento. Não importa, porque tudo que Deus cria é planejado nos mínimos detalhes para que o espírito possa executar a sua provação.

Deus não dá nada de mais nem de menos a um filho. Ou como vocês dizem: dá a cada um a cruz que cada pode carregar…

Então carregue a sua cruz louvando a Deus e oriente aos outros a fazer a mesma coisa, ao invés de orar a Deus pedindo que encurte a cruz dos outros ou a sua…

Na introdução do Evangelho segundo Tomé (livro escrito também pelo Espiritualismo Ecumênico Universal), tem uma história que eu conto sobre carregar a cruz. Vou reproduzi-la aqui porque cabe bem dentro do assunto:

A vida de vocês é um eterno caminhar. Vocês caminham levando uma cruz nas costas. Uma cruz que, para cada um, sempre é mais pesada que a do outro.

Aí se conta que existiu um moço que era muito esperto e um dia disse:

“Eu vou ficar andando com esta cruz grande e pesada? Eu vou fazer uma coisa: vou cortar um pedacinho da cruz e ninguém vai ver. Quer ver só?”

Ele cortou um pedaço da cruz e continuou caminhando. Engraçado, ninguém falou nada com ele. Ninguém cobrou dele aquele pedacinho da cruz. Aí ele disse:

“Está vendo como sou esperto? Já que agora eu cortei um pedacinho e ninguém reclamou, vou cortar mais um pedacinho”.

Continuou andando e ninguém veio dizer para ele que não podia cortar pedaços da cruz. Ele continuou caminhando confiante, porque a cruz tinha ficado mais leve sem os dois pedaços.

Assim foi ele fazendo a sua caminhada, cortando pedaços da cruz, até que a cruz ficou pequenina e ele a carregou nos ombros sem sentir muito peso, sem muito problema.

Uma multidão caminhava junto dele, cada um com a sua cruz pesada e ele, o grande homem, o homem que tinha descoberto o sentido da vida – cortar a cruz – caminhava tranqüilo, sem esforço, sem sofrimento e sem cansaço.

Mas, como todos os homens que caminhavam pela planície da vida, um dia ele chegou no desfiladeiro onde tinha um buraco muito grande para passar para o outro lado. Ele então pensou:

“E agora, como eu vou fazer para passar?”

Aí um anjo apareceu para todos que estavam à beira do precipício e disse:

“Do outro lado está a terra prometida. Do outro lado está a vida que vocês sempre quiseram. Se vocês perceberem, a cruz que cada um carrega é do tamanho exato do buraco por onde vocês têm que passar. Joguem a cruz que ela vai servir de ponte e vocês atravessam”.

Nosso amigo estava lá com o seu cotoco de cruz e ela não alcançava o outro lado do buraco. Os outros passaram pela cruz e no momento que chegaram do outro lado, a cruz sumiu. Mas o homem que carregava o cotoco teve que voltar pela mesma estrada para recolher as partes que ele tinha cortado, para juntar tudo e poder passar.

Acho que essa história o ajuda a entender se deve orar para ajudar o outro…

Participante: A pergunta é sobre o período inter vidas. Como se processa o estudo nesta fase? Podemos entender isso com nossas mentes humanas?

Deus é tão interessante que muitas coisas ele deixa você entender através do ego, mesmo ligado a ele.

A mesma pergunta que você está me fazendo agora, foi feita por Kardec ao Espírito da Verdade e a resposta está em O Livro dos Espíritos: observando os espíritos encarnados.

É assim que se aprende. O espírito que está numa consciência que forma percepções de matérias menos densas, observa como os seres que estão vivendo ligados a consciências que formam matérias mais densas se relacionam com suas ilusões.

Os espíritos que estão no período que você chamou de inter vidas vêem como se comporta o encarnado e juram que não irão agir da mesma forma. Agora, quando encarnam, ou seja, quando vivenciam eles mesmos a personalidade humana aí não conseguem realizar…

Como eu disse no início desta resposta, Deus é ótimo, porque primeiro dá a resposta e depois exemplifica na ilusão da vida como isso acontece. Ele deu a resposta através do espírito da Verdade nos anos 1800 e no final do outro século cria um programa de televisão que reproduz de forma semelhante este processo: Big Brother…

É no mesmo estilo que decorre este programa que acontece os estudos dos espíritos no mundo inter vidas: os seres “sentam numa sala” e ficam assistindo os seus irmãos que estão ligados ao ego e, portanto, presos na ilusão do mundo material. Durante este tempo, os seres do mundo menos denso analisam o comportamento do espírito – não é do ego – a cada ilusão que é criada. Analisa o comportamento do espírito e verifica como é a lei do carma em ação e entende o que acontece com o espírito quando ele se deixa enganar por essa ilusão.

Somente uma informação para deixar bem claro o assunto: eles observam o espírito e não o ego…

Por favor, não imagine que os espíritos da matéria menos densa ficam presos a observar o comportamento humano (participação em atos através de atitudes e pensamentos). Isso não é verdade: o que eles observam é a forma como o espírito reage às ilusões…

Participante: Tive uma experiência de pensar coletivamente. Não lembro o que foi pensado, mas pensava em conjunto com mais ou menos duzentos ou trezentos seres.

Não era debate: simplesmente um pensamento que se desenvolvia simultaneamente em várias consciências. Um único tema que se desenvolvia utilizando vários pensadores ao mesmo tempo. Ninguém pensava algo isoladamente, a todos pertencia igualmente a única coisa pensada, o que tornava o pensar infinitamente mais leve do que pensar sozinho.

Você pode comentar este fenômeno?

Responda-me: você sabe o que foi pensado?

Participante: Não…

Está certo…

Esta comunhão espiritual que você descreve, pode acontecer: diversos espíritos comungando num ideal. Aliás, não só pode: isso acontece sempre…

Esta é a Realidade do Universo. Deixe-me aproveitar a sua pergunta e explicar uma coisa…

Se vocês pudessem dar um rótulo para identificar a linha de raciocínio dos ensinamentos que transmito, poderíamos dizer que esta linha é monista. O que quer dizer isso?

Que a linha de raciocino dos ensinamentos que transmito busca fundir o múltiplo na Unidade. Busca trazer aqueles que estão na multiplicidade para a Unidade. Por que isso? Porque essa o monismo é a Realidade do Universo.

Deus é Um e Único; o Universo é Um e único; e a comunidade espiritual vive dentro do Universo com as suas individualidades em comunhão perfeita consigo, com todos e com Deus. Essa comunhão perfeita é a Unidade.

Essa é a Realidade do Universo. Todos os ensinamentos que lhe prende à multiplicidade – ou seja, isso deve ser feito, aquilo não; isso pode, aquilo não – são ensinamentos dualistas e, portanto, não universais.

Então veja, a consciência que se formou através do seu ego deu uma idéia do que é a Unidade Universal: diversos espíritos comungando um bem comum que não pertenciam a ninguém e é ao mesmo tempo de todos, sem posses.

Agora, o seu ego não consegue compreender o que é comungado entre os espíritos. Não há palavra que descreva o que é comungado entre os espíritos.

Veja bem: se há uma comunhão, é necessário que haja algo que seja comungado entre s espírito. No entanto, aquilo que é comungado entre os espíritos não pertence ao mundo material e, por isso, não pode ser reconhecido pela personalidade humana. O ego não consegue fazer idéia do que é comungado, por isso, quando trouxe ao consciente a Realidade Universal (a comunhão espiritual) criou a idéia de que o que estava sendo compartilhado era um pensamento…

Na verdade os espíritos não pensam, não comungam pensamentos, já que, segundo Buda, este elemento, como outros, são coisas que se agregam ao espírito depois do advento… Os espíritos comunicam-se entre si de uma forma diferente que os humanos…

Deixe-me dizer algo. No início desse trabalho, afirmamos que o espírito quanto mais ia evoluindo perdia algumas características humanas. Uma delas era o falar, a palavra, o som…

Quando dissemos isso nos perguntaram: como os espíritos se comunicam então? Eu respondi: amando-se. Um espírito ama (expande amor) e o outro recebe essa vibração e sabe perfeitamente o que o outro está “querendo dizer”.

Sei que imaginar isso é incompreensível para você ego. Isto porque não há imagens ou idéias que criem uma consciência de como se processa essa comunicação, já que para vocês a comunicação precisa ter formas, pensamentos, sensações, memórias, percepções: seja formada pelos cinco agregados do ego…

Então, comentando não a sua experiência, porque afinal o que você se lembra não foi realmente uma experiência sua (do ego), mas sim do espírito, que apenas foi descrita pelo ego dentro das suas limitações, posso dizer que você teve uma noção do que é a Unidade Universal. Na verdade você, ego, não teve experiência alguma, mas apenas tornou-se consciente de algo que ocorre com o espírito: a comunhão universal.

Mas, que fique bem claro: a comunhão universal não são diversos espíritos pensando, mas sim uma plêiade espiritual que comunga algo, que a consciência humana jamais poderá descrever, de forma única…

Participante: Foi isso mesmo, algo era comungado, mas o que era, não sei… Isso parece música, não?

Não, no Universo não existe música. Porque se existisse música teria que existir a não música, que poderia ser o silêncio ou a prosa.

Repare o que acabei de falar sobre dualismo: tudo o que é dual (pode ser ou não ser, estar ou não estar) não pertence ao Universo. Existe um único elemento no Universo e ele não tem nada a ver com a música (som) que vocês conhecem.

Sabe porque o seu ego descreveu essa comunhão como música? Porque ele é músico… Não é você que é músico, é o seu ego que é. Por isso, ele raciocina, através de sons (o ritmo do raciocínio é movido por música). Já o ego do escritor raciocina em palavras.

O que é comungado entre os espíritos não parece com música… Não queira dar valores a esta forma de comunhão porque a personalidade humana não tem idéias que possam descrever o que é comungado.

O que ela pode saber sobre isso é só que o que é comungando não dual, é Único, Uno. Além disso, ela pode saber que este elemento universal não pode deixar de existir ou existir em alguns momentos. Se este elemento não fosse Único e pudesse deixar de existir em algum momento, ele viraria dual como a música e a não música…

O elemento comungado entre os espíritos no Universo é Único, Uno e constante…

Saiba de uma coisa. Enquanto você, espírito, está iludido, vivendo a consciência humana, ou seja, vivendo a idéia de ser o personagem humano (suas idéias, seus pensamentos, suas emoções) está sempre nessa comunhão, sempre comungando.

Foi isso que eu quis dizer outro dia: o espírito só ama. Não faz mais nada. Naquele momento chamei de amar essa comunhão, mas isso é apenas um nome, um rótulo. Podia chamar de banana, de tesouro, de qualquer coisa, porque vocês não têm mesmo valores para descrever o que realmente o espírito faz.

Esta é a Realidade Universal: o espírito comunga com a coletividade espiritual constantemente – algo que chamamos de amar – mas tem a ilusão de estar irritado, depressivo ou feliz. Tem a ilusão de estar escrevendo, tocando ou se divertindo…

Deixe-me falar algo: estão sendo muito importantes estas nossas reuniões exatamente por causa de conversas como estas. Como já disse não temos mais nada a estudar: o que precisamos é alcançar a prática e a essência do ensinamento.

A essência de tudo o que falamos é exatamente o monismo, ou seja, a compreensão de que o Universo é Único, Uno e constante.

Participante: Fiz esta pergunta porque imaginava que não pudesse fazer contato espiritual dessa maneira…

Você, ego, não fez contato espiritual algum. Deixe-me deixar bem claro isso…

Sabe de uma coisa: agora, que você, ego, não está tendo a idéia de estar tendo esta comunhão, você, espírito está fazendo. Isso é Real, isso é Realidade… Não é porque o ego não cria a consciência de você, espírito, estar comungando, que você não está.

O que você ego teve não foi um contato espiritual, mas sim uma idéia (consciência) criada por Deus. O espírito tem a experiência espiritual, mas a personalidade humana recebe de Deus em determinados momentos a idéia desta experiência que faz parte da Realidade Universal. Portanto, você, ego, personalidade humana, não teve a experiência, mas sim apenas uma consciência da comunhão que o espírito vive.

Então, você não teve nenhum trabalho espiritual específico: Deus criou a idéia através do ego. São coisas completamente diferentes.

Mas, tem mais. Além de não ter realizado a experiência espiritual, não foi você ego, que criou a consciência dela existir: foi Deus quem criou a idéia da comunhão. O que o espírito faz, como ele existe, o ego não pode sozinho, ou por vontade própria ou do espírito tornar-se consciente. É preciso que Deus dê a idéia.

Portanto, você, ego, não teve experiência espiritual e nem teve a capacidade de tornar a comunhão universal consciente: tudo foi obra de Deus para dar a seu filho o justo e necessário para a sua caminhada de retorno à consciência primária.

Participante: Essa idéia é ilusória?

A idéia é carma, é prova para o espírito. Ou seja, é algo gerado através do inescrutável poder de maya por Deus para ver se o espírito acredita no que você acabou de dizer: “eu tive uma experiência espiritual”. Seria muito engraçado se um espírito acreditasse que teve apenas em determinados momentos uma experiência espiritual, não é mesmo?

Você, ego, não teve experiências nenhuma: teve apenas a idéia de ter tido.

Participante: Essa comunhão que o ego se lembra pode ter existido assim como pode não ter?

A comunhão sempre ocorre, sempre existe. Agora, a idéia de a ter vivenciado, é só uma idéia, uma ilusão, não a Realidade. O espírito que vivencia como real ter tido apenas uma experiência espiritual em um determinado momento, nega a sua Realidade, a sua Universalidade…

Participante: Então eu apenas acho que percebi a comunhão… É isso?

Mais do que isso: você, ego, teve apenas a idéia de ter percebido a reunião, teve apenas um raciocínio que a criou de forma fictícia. Aquela comunhão que você se lembra não existiu: foi apenas uma imagem criada pelo raciocínio.

Deixe-me voltar a deixar algo bem claro: não confie em nada que o seu ego crie; não feche questão com nada que o seu ego crie; não comprometa seu coração com o “certo e errado”, o “verdadeiro ou falso” que o seu ego crie sobre qualquer coisa.

Por exemplo: você acredita que teve a idéia de ter tido essa percepção para lhe mostrar que você teve uma experiência espiritual pessoal. Mas, quem disse que essa intenção é verdadeira? As intenções com as quais Deus gera as percepções não são distinguíveis através da razão…

Vou fazer uma suposição: essa idéia pode ter sido criada pelo seu ego só para justificar a pergunta que você fez hoje, agora. Ou seja, ela teve a finalidade que o seu ego diz que teve, mas pode ter servido apenas para justificar a existência da resposta que eu dei para que os outros pudessem ouvir esse ensinamento.

Ninguém sabe a finalidade com a qual Deus coloca as coisas através do ego, a não que é uma provação, ou seja, para ver se o espírito ama ou não. Se você, espírito, acredita no que o ego diz, ou seja, que foi uma experiência para fins pessoais, não estará amando universalmente.

Nada do que o ego diz é Verdade Absoluta, Universal. Para ilustrar bem isso, pergunto: quem foi que descobriu o Brasil. A resposta seria Pedro Álvares Cabral. Mas, a idéia que afirma que isso aconteceu é apenas uma criação de ego. É uma razão e não uma Realidade.

Ninguém pode afirmar que isso é verdade. “Ah, Joaquim, tem documentos que comprovam isso”. Quem disse que estes documentos são reais? Os documentos não existem: tudo o que você convive (percebe) é uma percepção gerada por Deus através do ego.

Olha, toda história universal é uma criação do ego, uma idéia que Deus traz ao consciente através das formações mentais. Mais: as histórias que o ego cria podem ser coletivas (do planeta) ou individuais.

Quem ainda tem mãe, pai, avó ou qualquer ascendente que já era adulto enquanto você era uma criança, converse com ele sobre algum acontecimento histórico de sua vida, sobre algo que você tenha certeza de que aconteceu de determinada maneira. Converse com seus ancestrais sobre algo que você acredita ter feito e verá que eles dirão que o acontecimento não foi bem como você se lembra…

Saiba de uma coisa: a sua própria história de vida é uma criação do ego. Coisas que imagina ter feito, que tem certeza que fez, podem não ter sido feitas.

Por que isso é assim? Porque todas as razões lógicas que você tem embutidas na sua memória fazem parte da sua história de agora. Por que elas influenciam no hoje? Porque levam a dar veracidade e razão a algumas verdades de hoje.

Por exemplo, se você tem medo de água, pode imaginar que um dia quase se afogou e por isso tem medo de água. Você justifica o medo de hoje com uma história do passado.

Mas, como eu já disse, não há este encadeamento entre as razões que o ego tem. A cada momento Deus leva razões à consciência para que sirvam de provação para aquele momento e estas razões nem sempre são fundamentadas em percepções realmente vividas.

A história que justifica o medo de água pode ser uma criação atual do ego para que você acredite que realmente tem medo de água. Com isso, a provação de hoje é gerada: você, espírito, vai vivenciar o medo que o ego cria, ou vai prender-se a Realidade e vivenciar apenas o amor?

Por isso, filhos, digo a vocês: sigam o conselho de Buda e Krishna. Estes mestres ensinaram que devemos viver apenas o momento de agora, sem vinculá-lo a nada do passado ou do futuro.

Sri Krishna chega a ensinar assim: o verdadeiro sábio não tem outro lugar para guardar o alimento que não a sua barriga. Quando estudamos isso fui bem claro: o que ele quer dizer é que o verdadeiro sábio não tem memória.

Claro que o ego do sábio tem memória, pois como vimos através dos ensinamentos de Sidarta Gautama, enquanto ele estiver encarnado terá este agregado. O que acontece é que o verdadeiro sábio não acredita na sua memória e, por isso, não compromete o seu coração com o que a memória traz à razão.

Só isso. Não comprometa o seu coração com o que a razão diz. Ou seja, não jure de “coração junto” (alusão ao dito “jurar de pé junto”) que aquilo é verdade, é real.

Não faça isso, porque você pode “quebrar a cara”. Muitos juraram de pés juntos, por exemplo, que Cabral descobriu Brasil, mas hoje até a própria ciência histórica afirma que o povo da Escandinávia estive no Brasil muito antes de Cabral.

Participante: Estando nós continuamente imersos em um mar de pensamentos de muitas inteligências, podemos dizer que aquilo que pensamos é aquilo que filtramos baseados na sintonia de nossos sentimentos naquele instante.

Eu não falei em momento algum que você está imerso num mar de pensamentos dos outros. Isso não existe.

O que falei foi que há uma comunhão e que nela é comungado algo que você não sabe o que é. Disse ainda que o ego, simplesmente para trazer essa comunhão a consciência, usou a figura de que se tratava de pensamentos.

Não, os egos não comungam nem se imergem num mar junto com outros egos. Eles vivem sozinhos. Os espíritos estão comungados com os outros, mas os egos vivem sozinhos. Até porque ego não vive.

Aliás, ele nem existe, não é verdade? Ego é uma idéia, uma ilusão, uma percepção que Deus cria e que o espírito crê ser real.

Portanto, não pode haver mar de pensamentos já que não existem pensamentos. O pensamento é uma idéia de ter pensado, um acreditar que pensou. Ele não existe: você só acredita que pensa.

Participante: Quanto a essa percepção que tive, o que quis me dizer o ego quando criou uma realidade distorcida em cima de uma Realidade Real?

Ele não quis dizer nada… Ele simplesmente propôs uma prova: e agora, você, espírito, vai amar a Deus acima de todas as coisas ou vai achar que você mesmo gerou para si uma oportunidade dessas. Você vai amar a Deus ou vai achar que você conseguiu isso sozinho?

Ego não tem intenção: é Deus quem faz as coisas. Aliás, ego nem existe: é apenas algo ilusório, um elemento ilusório que a razão cria para descrever o faça-se de Deus. Como então pode fazer alguma coisa ou ainda por cima ter intenções ao fazer?

NOTA: O “faça-se” de Deus foi profundamente discutido no estudo do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos. Num dos capítulos deste livro Kardec pergunta ao Espírito da Verdade como Deus age e o mensageiro espiritual respondeu que para o ser humano é impossível compreender isso, mas que a melhor definição estaria no livro Gênesis da Bíblia: Deus disse faça-se e a coisa se faz. Ficou, então, para nós, como ensinamento, que o “faça-se” de Deus é a sua forma de emanar tudo que existe.

Por isso afirmo: quem tem a intenção é Deus. Mas, qual a intenção do Senhor do Universo? Dar uma oportunidade para que o espírito prove a si mesmo que aprendeu a amar ao Pai acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Para poder fazer esta comprovação, o espírito não pode acreditar no que o ego fala…

Sendo assim, esta foi a intenção com a qual você, espírito, recebeu a criação ilusória que você, ego, tornou consciente.

Participante: Com todos estes estudos, está ficando difícil participarmos de algum outro tipo de casa (espírita, de umbanda, etc), principalmente naquelas casas onde médiuns ou entidades falam coisas que já não condizem mais com o que o nosso ego no momento está pensando. Como participar dessas casas ou não devemos mais participar delas?

Primeiro que não está ficando para vocês (plural): está ficando para quem está e não está para quem não está. Não pode se generalizar as percepções de cada um. Como disse os egos vivem sozinhos, portanto, esta é uma percepção individual.

Já disse aqui que um ato não leva a outro; que dois mais dois não dá sempre quatro no Universo. Não é porque alguém vivencia como o outro a percepção de estar aqui que tem que viver exatamente o que o outro sente. Portanto, está ficando apenas para você e para quem mais estiver sentindo e não para todos.

Agora, na Realidade, não está ficando difícil para você, espírito, mas sim para você, ego. A idéia de estar ficando difícil freqüentar uma casa é uma criação do ego, ou seja, uma criação de Deus. Trata-se, portanto, como vimos, de uma pergunta: você vai continuar amando a mim ou se prenderá nessa angústia de querer saber se deve ir ou não, o que acontecerá quando chegar lá, como deve se comportar…

Saiba de uma coisa: não dá para se tentar solucionar problemas materiais da vida carnal com esses ensinamentos. Eles não têm a menor intenção de lhe fazer viver de uma forma ou de outra. O que eles querem é fazer com que você entenda que não deve comprometer seu coração, ou seja, misturar seus sentimentos à emoção que o ego está criando.

Portanto, se você está em dúvida, não é você que está, mas sim o ego; e se ele está, mantenha o seu coração em paz mesmo que ele esteja em dúvida.

Digo isso como orientador espiritual. Mas, materialmente falando, posso lhe responder de outra forma a pergunta como freqüentar a casa que freqüenta: não sei… Sabe porque falo assim? Porque você, ego, não pode decidir se freqüenta ou não e nem a forma como freqüentar uma casa.

Se você, ego, tiver que criar a percepção ilusória de freqüentar alguma casa, Deus a criará de qualquer maneira. Além disso, será também Ele e não você que criará as razões de como se sentir quando estiver freqüentando ou não. Tudo para que a freqüência ou ausência aliada aos raciocínios e sensações (emoções racionais) gere a oportunidade de provação para o espírito.

Volto a repetir. Se alimente do hoje, do agora. Esqueça o futuro, não acredite no passado…

Você está agora num desses lugares? Não, então não se preocupe com isso. Amanhã, se você foi, esteja lá. Se enquanto estiver lá o ego criar razões que afirme que as coisas não estão certas porque cada um está falando algo diferente, observe estas formações de razões, mas não comprometa o seu coração com essas sensações que o ego está criando.

Eu queria ter falado uma coisa antes dessa sua pergunta, mas acho que agora fica até melhor. Grave isso: não dá para se relacionar com o ego acreditando em algumas coisas e não acreditando em outras.

Se por premissa o ego é simplesmente um programa de computador que Deus usa para criar uma realidade virtual, tudo o que ele cria é uma emanação de Deus. Mas, o que Deus emana? Provas… Então, tudo é prova…

Não importa o que o ego está dizendo: tudo o que ele disse não tem finalidade nenhuma, não tem passado algum, não tem futuro nenhum, ou seja, não levará a lugar algum. Trata-se apenas de oportunidades para o espírito provar a si mesmo a sua universalidade ao não crer na realidade das construções do ego.

Se a personalidade humana tiver que ir para outro lugar, se tiver que fazer, acreditar ou pensar em outra coisa, quem criará esta outra coisa é Deus. Não será o ego que chegará, através de raciocínios brilhantes, a conclusões maravilhosas.

O ego não tira conclusões, não raciocina, não faz nada: ele simplesmente transforma uma emanação de Deus numa ilusão. Agora achar que o ego é que dá vida (cria percepções) também é uma ilusão. Deus é que faz tudo…

Deus é que é o Criador, o espírito é o espectador e o ego a tela que torna consciente o que Deus está projetando…

Participante: Mas, o conceito oração do nosso ego é diferente. Então orar por alguém não tem nenhum sentido?

Orar com palavras? Não… Orar com palavras não tem nenhum reflexo para quem se está orando: tem para você. Vivenciar este acontecimento trata-se de uma prova para você.

Orar com o coração, isso faz sentido para o próximo. Isso porque, orar com o coração é amar. Quando você expande amor em direção a alguém, doa amor a essa pessoa. Com isso este espírito pode reagir melhor na luta contra o ego.

Oração com palavras é teatrinho e tudo que pertence à Divina Comédia Humana é carma, prova. Então, fazer uma oração para os outros é apenas uma prova para você mesmo.

Mas, faço uma pergunta: fazer oração para os outros, para que? Para acabar com o sofrimento? Para acabar com a carência de alguém? Desculpa, isso parece até Jó – personagem do livro bíblico homônimo.

Jó pergunta assim em uma de suas falas: que Deus está errado eu sei, mas quem tem coragem de dizer a Ele que está? Quem tem coragem de dizer a Deus que Ele está errado são aqueles que oram pedindo, exigindo benefícios que o Pai, que tudo sabe, não deu…

Quando você ora para alguém, para melhorar a vida de alguém, está partindo da premissa que Deus está “errado”. A sua oração está acontecendo porque imagina que aquilo não devia estar acontecendo com aquela pessoa naquele ou em qualquer outro momento.

Nós temos que orar a Deus – orar de coração – a todo o momento sim, mas agradecendo o que Ele nos dá. Não importa se o que Ele nos dá é fartura ou escassez, alegria ou sofrimento. Não importa, porque tudo que Deus cria é planejado nos mínimos detalhes para que o espírito possa executar a sua provação.

Deus não dá nada de mais nem de menos a um filho. Ou como vocês dizem: dá a cada um a cruz que cada pode carregar…

Então carregue a sua cruz louvando a Deus e oriente aos outros a fazer a mesma coisa, ao invés de orar a Deus pedindo que encurte a cruz dos outros ou a sua…

Na introdução do Evangelho segundo Tomé (livro escrito também pelo Espiritualismo Ecumênico Universal), tem uma história que eu conto sobre carregar a cruz. Vou reproduzi-la aqui porque cabe bem dentro do assunto:

A vida de vocês é um eterno caminhar. Vocês caminham levando uma cruz nas costas. Uma cruz que, para cada um, sempre é mais pesada que a do outro.

Aí se conta que existiu um moço que era muito esperto e um dia disse:

“Eu vou ficar andando com esta cruz grande e pesada? Eu vou fazer uma coisa: vou cortar um pedacinho da cruz e ninguém vai ver. Quer ver só?”

Ele cortou um pedaço da cruz e continuou caminhando. Engraçado, ninguém falou nada com ele. Ninguém cobrou dele aquele pedacinho da cruz. Aí ele disse:

“Está vendo como sou esperto? Já que agora eu cortei um pedacinho e ninguém reclamou, vou cortar mais um pedacinho”.

Continuou andando e ninguém veio dizer para ele que não podia cortar pedaços da cruz. Ele continuou caminhando confiante, porque a cruz tinha ficado mais leve sem os dois pedaços.

Assim foi ele fazendo a sua caminhada, cortando pedaços da cruz, até que a cruz ficou pequenina e ele a carregou nos ombros sem sentir muito peso, sem muito problema.

Uma multidão caminhava junto dele, cada um com a sua cruz pesada e ele, o grande homem, o homem que tinha descoberto o sentido da vida – cortar a cruz – caminhava tranqüilo, sem esforço, sem sofrimento e sem cansaço.

Mas, como todos os homens que caminhavam pela planície da vida, um dia ele chegou no desfiladeiro onde tinha um buraco muito grande para passar para o outro lado. Ele então pensou:

“E agora, como eu vou fazer para passar?”

Aí um anjo apareceu para todos que estavam à beira do precipício e disse:

“Do outro lado está a terra prometida. Do outro lado está a vida que vocês sempre quiseram. Se vocês perceberem, a cruz que cada um carrega é do tamanho exato do buraco por onde vocês têm que passar. Joguem a cruz que ela vai servir de ponte e vocês atravessam”.

Nosso amigo estava lá com o seu cotoco de cruz e ela não alcançava o outro lado do buraco. Os outros passaram pela cruz e no momento que chegaram do outro lado, a cruz sumiu. Mas o homem que carregava o cotoco teve que voltar pela mesma estrada para recolher as partes que ele tinha cortado, para juntar tudo e poder passar.

Acho que essa história o ajuda a entender se deve orar para ajudar o outro…

Participante: A pergunta é sobre o período inter vidas. Como se processa o estudo nesta fase? Podemos entender isso com nossas mentes humanas?

Deus é tão interessante que muitas coisas ele deixa você entender através do ego, mesmo ligado a ele.

A mesma pergunta que você está me fazendo agora, foi feita por Kardec ao Espírito da Verdade e a resposta está em O Livro dos Espíritos: observando os espíritos encarnados.

É assim que se aprende. O espírito que está numa consciência que forma percepções de matérias menos densas, observa como os seres que estão vivendo ligados a consciências que formam matérias mais densas se relacionam com suas ilusões.

Os espíritos que estão no período que você chamou de inter vidas vêem como se comporta o encarnado e juram que não irão agir da mesma forma. Agora, quando encarnam, ou seja, quando vivenciam eles mesmos a personalidade humana aí não conseguem realizar…

Como eu disse no início desta resposta, Deus é ótimo, porque primeiro dá a resposta e depois exemplifica na ilusão da vida como isso acontece. Ele deu a resposta através do espírito da Verdade nos anos 1800 e no final do outro século cria um programa de televisão que reproduz de forma semelhante este processo: Big Brother…

É no mesmo estilo que decorre este programa que acontece os estudos dos espíritos no mundo inter vidas: os seres “sentam numa sala” e ficam assistindo os seus irmãos que estão ligados ao ego e, portanto, presos na ilusão do mundo material. Durante este tempo, os seres do mundo menos denso analisam o comportamento do espírito – não é do ego – a cada ilusão que é criada. Analisa o comportamento do espírito e verifica como é a lei do carma em ação e entende o que acontece com o espírito quando ele se deixa enganar por essa ilusão.

Somente uma informação para deixar bem claro o assunto: eles observam o espírito e não o ego…

Por favor, não imagine que os espíritos da matéria menos densa ficam presos a observar o comportamento humano (participação em atos através de atitudes e pensamentos). Isso não é verdade: o que eles observam é a forma como o espírito reage às ilusões…

Participante: Tive uma experiência de pensar coletivamente. Não lembro o que foi pensado, mas pensava em conjunto com mais ou menos duzentos ou trezentos seres.

Não era debate: simplesmente um pensamento que se desenvolvia simultaneamente em várias consciências. Um único tema que se desenvolvia utilizando vários pensadores ao mesmo tempo. Ninguém pensava algo isoladamente, a todos pertencia igualmente a única coisa pensada, o que tornava o pensar infinitamente mais leve do que pensar sozinho.

Você pode comentar este fenômeno?

Responda-me: você sabe o que foi pensado?

Participante: Não…

Está certo…

Esta comunhão espiritual que você descreve, pode acontecer: diversos espíritos comungando num ideal. Aliás, não só pode: isso acontece sempre…

Esta é a Realidade do Universo. Deixe-me aproveitar a sua pergunta e explicar uma coisa…

Se vocês pudessem dar um rótulo para identificar a linha de raciocínio dos ensinamentos que transmito, poderíamos dizer que esta linha é monista. O que quer dizer isso?

Que a linha de raciocino dos ensinamentos que transmito busca fundir o múltiplo na Unidade. Busca trazer aqueles que estão na multiplicidade para a Unidade. Por que isso? Porque essa o monismo é a Realidade do Universo.

Deus é Um e Único; o Universo é Um e único; e a comunidade espiritual vive dentro do Universo com as suas individualidades em comunhão perfeita consigo, com todos e com Deus. Essa comunhão perfeita é a Unidade.

Essa é a Realidade do Universo. Todos os ensinamentos que lhe prende à multiplicidade – ou seja, isso deve ser feito, aquilo não; isso pode, aquilo não – são ensinamentos dualistas e, portanto, não universais.

Então veja, a consciência que se formou através do seu ego deu uma idéia do que é a Unidade Universal: diversos espíritos comungando um bem comum que não pertenciam a ninguém e é ao mesmo tempo de todos, sem posses.

Agora, o seu ego não consegue compreender o que é comungado entre os espíritos. Não há palavra que descreva o que é comungado entre os espíritos.

Veja bem: se há uma comunhão, é necessário que haja algo que seja comungado entre s espírito. No entanto, aquilo que é comungado entre os espíritos não pertence ao mundo material e, por isso, não pode ser reconhecido pela personalidade humana. O ego não consegue fazer idéia do que é comungado, por isso, quando trouxe ao consciente a Realidade Universal (a comunhão espiritual) criou a idéia de que o que estava sendo compartilhado era um pensamento…

Na verdade os espíritos não pensam, não comungam pensamentos, já que, segundo Buda, este elemento, como outros, são coisas que se agregam ao espírito depois do advento… Os espíritos comunicam-se entre si de uma forma diferente que os humanos…

Deixe-me dizer algo. No início desse trabalho, afirmamos que o espírito quanto mais ia evoluindo perdia algumas características humanas. Uma delas era o falar, a palavra, o som…

Quando dissemos isso nos perguntaram: como os espíritos se comunicam então? Eu respondi: amando-se. Um espírito ama (expande amor) e o outro recebe essa vibração e sabe perfeitamente o que o outro está “querendo dizer”.

Sei que imaginar isso é incompreensível para você ego. Isto porque não há imagens ou idéias que criem uma consciência de como se processa essa comunicação, já que para vocês a comunicação precisa ter formas, pensamentos, sensações, memórias, percepções: seja formada pelos cinco agregados do ego…

Então, comentando não a sua experiência, porque afinal o que você se lembra não foi realmente uma experiência sua (do ego), mas sim do espírito, que apenas foi descrita pelo ego dentro das suas limitações, posso dizer que você teve uma noção do que é a Unidade Universal. Na verdade você, ego, não teve experiência alguma, mas apenas tornou-se consciente de algo que ocorre com o espírito: a comunhão universal.

Mas, que fique bem claro: a comunhão universal não são diversos espíritos pensando, mas sim uma plêiade espiritual que comunga algo, que a consciência humana jamais poderá descrever, de forma única…

Participante: Foi isso mesmo, algo era comungado, mas o que era, não sei… Isso parece música, não?

Não, no Universo não existe música. Porque se existisse música teria que existir a não música, que poderia ser o silêncio ou a prosa.

Repare o que acabei de falar sobre dualismo: tudo o que é dual (pode ser ou não ser, estar ou não estar) não pertence ao Universo. Existe um único elemento no Universo e ele não tem nada a ver com a música (som) que vocês conhecem.

Sabe porque o seu ego descreveu essa comunhão como música? Porque ele é músico… Não é você que é músico, é o seu ego que é. Por isso, ele raciocina, através de sons (o ritmo do raciocínio é movido por música). Já o ego do escritor raciocina em palavras.

O que é comungado entre os espíritos não parece com música… Não queira dar valores a esta forma de comunhão porque a personalidade humana não tem idéias que possam descrever o que é comungado.

O que ela pode saber sobre isso é só que o que é comungando não dual, é Único, Uno. Além disso, ela pode saber que este elemento universal não pode deixar de existir ou existir em alguns momentos. Se este elemento não fosse Único e pudesse deixar de existir em algum momento, ele viraria dual como a música e a não música…

O elemento comungado entre os espíritos no Universo é Único, Uno e constante…

Saiba de uma coisa. Enquanto você, espírito, está iludido, vivendo a consciência humana, ou seja, vivendo a idéia de ser o personagem humano (suas idéias, seus pensamentos, suas emoções) está sempre nessa comunhão, sempre comungando.

Foi isso que eu quis dizer outro dia: o espírito só ama. Não faz mais nada. Naquele momento chamei de amar essa comunhão, mas isso é apenas um nome, um rótulo. Podia chamar de banana, de tesouro, de qualquer coisa, porque vocês não têm mesmo valores para descrever o que realmente o espírito faz.

Esta é a Realidade Universal: o espírito comunga com a coletividade espiritual constantemente – algo que chamamos de amar – mas tem a ilusão de estar irritado, depressivo ou feliz. Tem a ilusão de estar escrevendo, tocando ou se divertindo…

Deixe-me falar algo: estão sendo muito importantes estas nossas reuniões exatamente por causa de conversas como estas. Como já disse não temos mais nada a estudar: o que precisamos é alcançar a prática e a essência do ensinamento.

A essência de tudo o que falamos é exatamente o monismo, ou seja, a compreensão de que o Universo é Único, Uno e constante.

Participante: Fiz esta pergunta porque imaginava que não pudesse fazer contato espiritual dessa maneira…

Você, ego, não fez contato espiritual algum. Deixe-me deixar bem claro isso…

Sabe de uma coisa: agora, que você, ego, não está tendo a idéia de estar tendo esta comunhão, você, espírito está fazendo. Isso é Real, isso é Realidade… Não é porque o ego não cria a consciência de você, espírito, estar comungando, que você não está.

O que você ego teve não foi um contato espiritual, mas sim uma idéia (consciência) criada por Deus. O espírito tem a experiência espiritual, mas a personalidade humana recebe de Deus em determinados momentos a idéia desta experiência que faz parte da Realidade Universal. Portanto, você, ego, personalidade humana, não teve a experiência, mas sim apenas uma consciência da comunhão que o espírito vive.

Então, você não teve nenhum trabalho espiritual específico: Deus criou a idéia através do ego. São coisas completamente diferentes.

Mas, tem mais. Além de não ter realizado a experiência espiritual, não foi você ego, que criou a consciência dela existir: foi Deus quem criou a idéia da comunhão. O que o espírito faz, como ele existe, o ego não pode sozinho, ou por vontade própria ou do espírito tornar-se consciente. É preciso que Deus dê a idéia.

Portanto, você, ego, não teve experiência espiritual e nem teve a capacidade de tornar a comunhão universal consciente: tudo foi obra de Deus para dar a seu filho o justo e necessário para a sua caminhada de retorno à consciência primária.

Participante: Essa idéia é ilusória?

A idéia é carma, é prova para o espírito. Ou seja, é algo gerado através do inescrutável poder de maya por Deus para ver se o espírito acredita no que você acabou de dizer: “eu tive uma experiência espiritual”. Seria muito engraçado se um espírito acreditasse que teve apenas em determinados momentos uma experiência espiritual, não é mesmo?

Você, ego, não teve experiências nenhuma: teve apenas a idéia de ter tido.

Participante: Essa comunhão que o ego se lembra pode ter existido assim como pode não ter?

A comunhão sempre ocorre, sempre existe. Agora, a idéia de a ter vivenciado, é só uma idéia, uma ilusão, não a Realidade. O espírito que vivencia como real ter tido apenas uma experiência espiritual em um determinado momento, nega a sua Realidade, a sua Universalidade…

Participante: Então eu apenas acho que percebi a comunhão… É isso?

Mais do que isso: você, ego, teve apenas a idéia de ter percebido a reunião, teve apenas um raciocínio que a criou de forma fictícia. Aquela comunhão que você se lembra não existiu: foi apenas uma imagem criada pelo raciocínio.

Deixe-me voltar a deixar algo bem claro: não confie em nada que o seu ego crie; não feche questão com nada que o seu ego crie; não comprometa seu coração com o “certo e errado”, o “verdadeiro ou falso” que o seu ego crie sobre qualquer coisa.

Por exemplo: você acredita que teve a idéia de ter tido essa percepção para lhe mostrar que você teve uma experiência espiritual pessoal. Mas, quem disse que essa intenção é verdadeira? As intenções com as quais Deus gera as percepções não são distinguíveis através da razão…

Vou fazer uma suposição: essa idéia pode ter sido criada pelo seu ego só para justificar a pergunta que você fez hoje, agora. Ou seja, ela teve a finalidade que o seu ego diz que teve, mas pode ter servido apenas para justificar a existência da resposta que eu dei para que os outros pudessem ouvir esse ensinamento.

Ninguém sabe a finalidade com a qual Deus coloca as coisas através do ego, a não que é uma provação, ou seja, para ver se o espírito ama ou não. Se você, espírito, acredita no que o ego diz, ou seja, que foi uma experiência para fins pessoais, não estará amando universalmente.

Nada do que o ego diz é Verdade Absoluta, Universal. Para ilustrar bem isso, pergunto: quem foi que descobriu o Brasil. A resposta seria Pedro Álvares Cabral. Mas, a idéia que afirma que isso aconteceu é apenas uma criação de ego. É uma razão e não uma Realidade.

Ninguém pode afirmar que isso é verdade. “Ah, Joaquim, tem documentos que comprovam isso”. Quem disse que estes documentos são reais? Os documentos não existem: tudo o que você convive (percebe) é uma percepção gerada por Deus através do ego.

Olha, toda história universal é uma criação do ego, uma idéia que Deus traz ao consciente através das formações mentais. Mais: as histórias que o ego cria podem ser coletivas (do planeta) ou individuais.

Quem ainda tem mãe, pai, avó ou qualquer ascendente que já era adulto enquanto você era uma criança, converse com ele sobre algum acontecimento histórico de sua vida, sobre algo que você tenha certeza de que aconteceu de determinada maneira. Converse com seus ancestrais sobre algo que você acredita ter feito e verá que eles dirão que o acontecimento não foi bem como você se lembra…

Saiba de uma coisa: a sua própria história de vida é uma criação do ego. Coisas que imagina ter feito, que tem certeza que fez, podem não ter sido feitas.

Por que isso é assim? Porque todas as razões lógicas que você tem embutidas na sua memória fazem parte da sua história de agora. Por que elas influenciam no hoje? Porque levam a dar veracidade e razão a algumas verdades de hoje.

Por exemplo, se você tem medo de água, pode imaginar que um dia quase se afogou e por isso tem medo de água. Você justifica o medo de hoje com uma história do passado.

Mas, como eu já disse, não há este encadeamento entre as razões que o ego tem. A cada momento Deus leva razões à consciência para que sirvam de provação para aquele momento e estas razões nem sempre são fundamentadas em percepções realmente vividas.

A história que justifica o medo de água pode ser uma criação atual do ego para que você acredite que realmente tem medo de água. Com isso, a provação de hoje é gerada: você, espírito, vai vivenciar o medo que o ego cria, ou vai prender-se a Realidade e vivenciar apenas o amor?

Por isso, filhos, digo a vocês: sigam o conselho de Buda e Krishna. Estes mestres ensinaram que devemos viver apenas o momento de agora, sem vinculá-lo a nada do passado ou do futuro.

Sri Krishna chega a ensinar assim: o verdadeiro sábio não tem outro lugar para guardar o alimento que não a sua barriga. Quando estudamos isso fui bem claro: o que ele quer dizer é que o verdadeiro sábio não tem memória.

Claro que o ego do sábio tem memória, pois como vimos através dos ensinamentos de Sidarta Gautama, enquanto ele estiver encarnado terá este agregado. O que acontece é que o verdadeiro sábio não acredita na sua memória e, por isso, não compromete o seu coração com o que a memória traz à razão.

Só isso. Não comprometa o seu coração com o que a razão diz. Ou seja, não jure de “coração junto” (alusão ao dito “jurar de pé junto”) que aquilo é verdade, é real.

Não faça isso, porque você pode “quebrar a cara”. Muitos juraram de pés juntos, por exemplo, que Cabral descobriu Brasil, mas hoje até a própria ciência histórica afirma que o povo da Escandinávia estive no Brasil muito antes de Cabral.

Participante: Estando nós continuamente imersos em um mar de pensamentos de muitas inteligências, podemos dizer que aquilo que pensamos é aquilo que filtramos baseados na sintonia de nossos sentimentos naquele instante.

Eu não falei em momento algum que você está imerso num mar de pensamentos dos outros. Isso não existe.

O que falei foi que há uma comunhão e que nela é comungado algo que você não sabe o que é. Disse ainda que o ego, simplesmente para trazer essa comunhão a consciência, usou a figura de que se tratava de pensamentos.

Não, os egos não comungam nem se imergem num mar junto com outros egos. Eles vivem sozinhos. Os espíritos estão comungados com os outros, mas os egos vivem sozinhos. Até porque ego não vive.

Aliás, ele nem existe, não é verdade? Ego é uma idéia, uma ilusão, uma percepção que Deus cria e que o espírito crê ser real.

Portanto, não pode haver mar de pensamentos já que não existem pensamentos. O pensamento é uma idéia de ter pensado, um acreditar que pensou. Ele não existe: você só acredita que pensa.

Participante: Quanto a essa percepção que tive, o que quis me dizer o ego quando criou uma realidade distorcida em cima de uma Realidade Real?

Ele não quis dizer nada… Ele simplesmente propôs uma prova: e agora, você, espírito, vai amar a Deus acima de todas as coisas ou vai achar que você mesmo gerou para si uma oportunidade dessas. Você vai amar a Deus ou vai achar que você conseguiu isso sozinho?

Ego não tem intenção: é Deus quem faz as coisas. Aliás, ego nem existe: é apenas algo ilusório, um elemento ilusório que a razão cria para descrever o faça-se de Deus. Como então pode fazer alguma coisa ou ainda por cima ter intenções ao fazer?

NOTA: O “faça-se” de Deus foi profundamente discutido no estudo do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos. Num dos capítulos deste livro Kardec pergunta ao Espírito da Verdade como Deus age e o mensageiro espiritual respondeu que para o ser humano é impossível compreender isso, mas que a melhor definição estaria no livro Gênesis da Bíblia: Deus disse faça-se e a coisa se faz. Ficou, então, para nós, como ensinamento, que o “faça-se” de Deus é a sua forma de emanar tudo que existe.

Por isso afirmo: quem tem a intenção é Deus. Mas, qual a intenção do Senhor do Universo? Dar uma oportunidade para que o espírito prove a si mesmo que aprendeu a amar ao Pai acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Para poder fazer esta comprovação, o espírito não pode acreditar no que o ego fala…

Sendo assim, esta foi a intenção com a qual você, espírito, recebeu a criação ilusória que você, ego, tornou consciente.

Participante: Com todos estes estudos, está ficando difícil participarmos de algum outro tipo de casa (espírita, de umbanda, etc), principalmente naquelas casas onde médiuns ou entidades falam coisas que já não condizem mais com o que o nosso ego no momento está pensando. Como participar dessas casas ou não devemos mais participar delas?

Primeiro que não está ficando para vocês (plural): está ficando para quem está e não está para quem não está. Não pode se generalizar as percepções de cada um. Como disse os egos vivem sozinhos, portanto, esta é uma percepção individual.

Já disse aqui que um ato não leva a outro; que dois mais dois não dá sempre quatro no Universo. Não é porque alguém vivencia como o outro a percepção de estar aqui que tem que viver exatamente o que o outro sente. Portanto, está ficando apenas para você e para quem mais estiver sentindo e não para todos.

Agora, na Realidade, não está ficando difícil para você, espírito, mas sim para você, ego. A idéia de estar ficando difícil freqüentar uma casa é uma criação do ego, ou seja, uma criação de Deus. Trata-se, portanto, como vimos, de uma pergunta: você vai continuar amando a mim ou se prenderá nessa angústia de querer saber se deve ir ou não, o que acontecerá quando chegar lá, como deve se comportar…

Saiba de uma coisa: não dá para se tentar solucionar problemas materiais da vida carnal com esses ensinamentos. Eles não têm a menor intenção de lhe fazer viver de uma forma ou de outra. O que eles querem é fazer com que você entenda que não deve comprometer seu coração, ou seja, misturar seus sentimentos à emoção que o ego está criando.

Portanto, se você está em dúvida, não é você que está, mas sim o ego; e se ele está, mantenha o seu coração em paz mesmo que ele esteja em dúvida.

Digo isso como orientador espiritual. Mas, materialmente falando, posso lhe responder de outra forma a pergunta como freqüentar a casa que freqüenta: não sei… Sabe porque falo assim? Porque você, ego, não pode decidir se freqüenta ou não e nem a forma como freqüentar uma casa.

Se você, ego, tiver que criar a percepção ilusória de freqüentar alguma casa, Deus a criará de qualquer maneira. Além disso, será também Ele e não você que criará as razões de como se sentir quando estiver freqüentando ou não. Tudo para que a freqüência ou ausência aliada aos raciocínios e sensações (emoções racionais) gere a oportunidade de provação para o espírito.

Volto a repetir. Se alimente do hoje, do agora. Esqueça o futuro, não acredite no passado…

Você está agora num desses lugares? Não, então não se preocupe com isso. Amanhã, se você foi, esteja lá. Se enquanto estiver lá o ego criar razões que afirme que as coisas não estão certas porque cada um está falando algo diferente, observe estas formações de razões, mas não comprometa o seu coração com essas sensações que o ego está criando.

Eu queria ter falado uma coisa antes dessa sua pergunta, mas acho que agora fica até melhor. Grave isso: não dá para se relacionar com o ego acreditando em algumas coisas e não acreditando em outras.

Se por premissa o ego é simplesmente um programa de computador que Deus usa para criar uma realidade virtual, tudo o que ele cria é uma emanação de Deus. Mas, o que Deus emana? Provas… Então, tudo é prova…

Não importa o que o ego está dizendo: tudo o que ele disser não tem finalidade nenhuma, não tem passado algum, não tem futuro nenhum, ou seja, não levará a lugar algum. Trata-se apenas de oportunidades para o espírito provar a si mesmo a sua universalidade ao não crer na realidade das construções do ego.

Se a personalidade humana tiver que ir para outro lugar, se tiver que fazer, acreditar ou pensar em outra coisa, quem criará esta outra coisa é Deus. Não será o ego que chegará, através de raciocínios brilhantes, a conclusões maravilhosas.

O ego não tira conclusões, não raciocina, não faz nada: ele simplesmente transforma uma emanação de Deus numa ilusão. Agora achar que o ego é que dá vida (cria percepções) também é uma ilusão. Deus é que faz tudo…

Deus é que é o Criador, o espírito é o espectador e o ego a tela que torna consciente o que Deus está projetando…

Participante: Quero aproveitar dois exemplos dados para esclarecer uma dúvida. É a respeito do impasse que se encontra quando conscientemente se busca a emancipação da alma e a impossibilidade de se ligar ao teatro carmatico. Trata-se um caso que já foi estudado aqui onde um senhor tem uma esposa que é médium sem controle. Supondo que o marido compreendeu que não somente deve deixar a crítica de lado, mas que também deve passar a viver feliz e apoiar a experiência de um espírito hora sua mulher. Pergunta: é possível que ele compreenda isso, mas continue tendo palavras e atos contrários à sua compreensão por não poder mudar o teatro terrestre, sobretudo se este comportamento for carma da esposa em que o marido assim deva se comportar. Esta é a primeira pergunta…

Esta sua primeira pergunta, longa, maravilhosa, muito bem conjeturada, só tem uma resposta: que marido? Que esposa? Que compreensão? Que raciocínio? Veja, todos estes elementos não existem.

Tudo o que você ouviu anteriormente não aconteceu de verdade: trata-se apenas de uma emanação de Deus para criar uma prova para você. Não estou afirmando que esta pergunta não foi feita em um dos nossos encontros. Ela foi, mas a sua lembrança e o raciocínio que ela serviu para embasar são apenas sua prova.

Veja, marido nenhum pode mudar… Isso porque não existem maridos, mas egos. Como um ego pode mudar, principalmente no caminho da busca da emancipação da alma? O ego, mesmo que pudesse emancipar-se, não quer isso…

Querer emancipar-se, ter razões que digam que você quer emancipar-se, não é uma Realidade, mas uma prova. Trata-se na realidade de uma vontade de emancipar-se, ou seja, um dos frutos do egoísmo.

Olha o que eu acabei de dizer: não para dizer que uma parte do ego é Real e outra não; não se pode dizer que ele raciocina em alguns momentos e em outros não…

Tudo isso é história, é sua prova. Isso porque o marido e a esposa que estão no seu ego não são nem aqueles personagens humanos, nem os espíritos que estão ligados a eles.

Deixa eu lhe dizer uma coisa. Em uma palestra anterior, me fizeram a pergunta mais interessante que recebi em todos estes anos de estudo: “Joaquim, onde você está”? Eu respondi com outra pergunta, que, aliás, é o tema de hoje: o que falei sobre as coisas materiais?

A pessoa, então, me respondeu: “o senhor disse que tudo é criação do ego”. Aí respondi a ele: bom, se eu disse que tudo do mundo exterior é uma criação do ego, eu estou no seu ego.

Sabe, Joaquim não existe no mundo exterior, mas somente no ego daqueles que um dia tiveram esta percepção. Mais: as palavras que você imagina que eu estou falando, não são minhas, mas criações do seu ego. É a sua personalidade racional que está criando as palavras e a compreensão do que você imagina que estou dizendo.

O mundo externo não existe e o do raciocínio também não. O que existe é o mundo do espírito e este não será alcançado através da razão ou das percepções.

Participante: Qual é a lição de se passar por um assédio sexual?

Não sei…

Veja bem… O que são os acontecimentos de uma existência humana? Percepções que servem para gerar provas para o espírito.

Qual é o fundamento básico de todas as provas que o ser universal se submete no Mundo de Provas e Expiações? O egoísmo. Todas as provações do espírito, ou seja, todos os atos e pensamentos do ego têm como objetivo fazer com que o ser universal comprove para si mesmo que abandonou o seu egoísmo.

Sendo assim, um espírito, ao passar por um assédio sexual, estará vivenciando uma provação onde terá a oportunidade de provar a si mesmo que venceu o egoísmo. Você pode até achar que um assédio sexual não tem nada a ver com egoísmo, mas vamos ver o caso sobre um outro ângulo.

Por que quem passa pelo assédio sexual sofre? Porque não gosta, não quer vivenciar o que está acontecendo. Acha que é “errado” passar por aquela situação…

Ora, o que é isso, senão idéias fundamentadas em valores individuais? Sim, é uma idéia individual, já que quem está assediando faz porque quer, porque gosta, porque achando “certo” fazer isso… As opiniões de cada um a respeito do acontecimento são individuais porque cada um tem a sua.

Agora, se analisarmos dentro da questão moral para fins de elevação espiritual, quem está perfeito: quem acha “certo” a prática do ato ou quem acha “errado”? Nenhum dos dois…

Dentro do prisma do aproximar-se de Deus os dois estão “errados”. Isso porque cada um acha que ele está “certo”. Ao agirem assim tornam-se egoístas, pois quererem ser o dono da verdade.

Isso vale para qualquer coisa que ocorre durante a vida de um ser humano, já que sempre haverá diversas opiniões sobre todas as coisas. Portanto, qualquer coisa que ocorra será sempre a provação do egoísmo.

Apesar de agora dar esta garantia, comecei lhe respondendo que não saberia lhe dizer que proveito tem um ato de assédio sexual. Por que fiz isso? Vamos entender…

O egoísmo se expressa sempre através de uma posse. Em todos as situações da existência alguma possessão está sendo ameaçada.

Que posses são essas?

A posse moral: eu acho certo, eu acho errado…

A posse sentimental: eu gosto ou desgosto…

A posse do elemento material, no caso o corpo físico.

Uma destas três posses – ou ainda todas elas – estão em provação neste caso que você citou. Como você perguntou genericamente, não saberia dizer qual delas, ou se todas elas, estavam nesta provação. Por isso respondi logo que não sabia…

Mas, não importa se saber que posse está em jogo, se todas elas partem do egoísmo. Se isso é verdade, então, o que está sempre em provação é o egoísmo.

O que está em prova sempre é o apego do espírito aos pensamentos gerados pelo ego a partir do “eu”: eu estou certo, eu gosto, eu quero…

Participante: Entendo o amar o próximo como amar o espírito em todos os humanos como manifestações divinas que são.

Deus atende as necessidades do espírito e não do humano.

Foi ensinado que devemos carregar a pedra que o humano nos pede até mesmo pelo dobro do caminho solicitado ou mais.

Atendendo a um pedido humano estaria eu muito que provavelmente colaborando para que esse se apegasse ainda mais ao ego o que me levaria a não seguir o exemplo de Deus.

Pode comentar estas colocações?

Vamos lhe responder esta pergunta pensamento por pensamento…

Entendo o amar o próximo como amar o espírito em todos os humanos como manifestações divinas que são.

Não tente entender o amar o próximo. Pois nenhum humano sabe amar o próximo. Por que? Porque o amor humano ao próximo, como entendido pelo humano, é gerado a partir do egoísmo, ou seja, é criado a partir daquilo que você quer amar…

Você ama Hitler? Ama aqueles que jogaram os aviões contra as torres gêmeas? Ama os terroristas que entraram em uma escola da Rússia e mataram as crianças? Claro que não… Então você não ama o próximo, porque eles também são o seu próximo…

Não queira entender o amor ao próximo porque o ego humano não sabe amar. O amor, a idéia de amar, do ego humano é egoísta, pois não ama universalmente, mas quem ele quer, quem ele gosta, quem acha certo amar…

Foi ensinado que devemos carregar a pedra que o humano nos pede até mesmo pelo dobro do caminho solicitado ou mais.

Não, não foi ensinado que se deve carregar a pedra que o humano pede. Cristo diz o seguinte: você deve carregar a pedra que o soldado inimigo lhe pede…

Não se trata de um simples ser humano, mas do soldado humano que, no caso, era o inimigo de quem estava ouvindo o mestre. Ou seja, o que foi ensinado é que o que o seu inimigo pede deve ser feito em dobro…

Veja. Não é a qualquer ser humano que você deve fazer mais do que ele espera, mas principalmente ao seu inimigo. Por isso acabei de perguntar se você ama alguns exemplos de pessoas que são consideradas como inimigas da humanidade. Para seguir o ensinamento que você citou, deveria amá-los em dobro.

Mas, existem outros ensinamentos de Cristo que podemos usar agora. Ele disse: se uma ovelha se desgarra, eu abandono noventa e nove e vou até essa que se desgarrou e digo que lhe amo mais do que as outras.

Repare que Cristo não diz que aquela ovelha voltou ao rebanho, ou seja, regenerou-=se para que ele a amasse. Ela não voltou, Cristo a buscou onde estava. Ela continuava sendo uma ovelha desgarrada quando o mestre afirmou que a amava mais do que as outras.

Se este é o ensinamento, é justo afirmar que você deve amar aos terroristas em dobro, que deveria amar Hitler mais do que os outros…

Atendendo a um pedido humano estaria eu muito que provavelmente colaborando para que esse se apegasse ainda mais ao ego o que me levaria a não seguir o exemplo de Deus.

Que exemplo de Deus você quer seguir? Qual o exemplo da bondade de Deus que você quer seguir?

A bondade de Deus que se expressou através da morte das crianças na Rússia? A bondade que este presente quando os judeus que foram mortos nas câmaras de gás? Acho que destas bondades você não quer participar, não é mesmo?

Talvez queira participar de outras. Quem sabe daquelas expressas nas passagens bíblicas. Talvez você queira seguir o exemplo da bondade de Deus que foi expressa no Velho Testamento onde Deus mandava os israelitas para guerra, prevenindo-os que todos iriam morrer? Se não quiser pode ainda colaborar com a bondade de Deus que acontecia quando Ele trazia os exércitos inimigos para dominar Israel?

Ainda não está disposto a ajudar? Que tal, então, participar da bondade de Deus com Jesus Cristo, Paulo, Pedro e os primeiros cristãos? Todos mortos violentamente em nome da fé em Deus…

É, a bondade de Deus nem sempre é bondosa, não é mesmo? Mas, mesmo assim não deixa de ser bondade, sabia?

As idéias racionais que definem a bondade de Deus para o ser humano é apenas uma criação do ego. Portanto, é uma ilusão, uma verdade relativa que serve para criar uma prova para o espírito.

Fundamentando-se na idéia de que Deus salva e ajuda o ser humano, o ego propõe ao espírito que espere Deus lhe salvar, que espere o Senhor lhe tirar da sensação de sofrimento. Ao fazer isso o espírito não utiliza o elemento universal que pode “salvar”: a fé.

Deus não salva ninguém: Ele dá a cada um segundo as suas obras. Ele dá a cada um o necessário para que o espírito possa agir contra as idéias do ego através da fé.

Esta é a bondade de Deus, este é o amor do Pai: dar a cada um o justo e necessário, não como punição, mas como uma nova oportunidade de elevação.

Se isto é verdade, quando fizer ou não por alguém, estará seguindo o exemplo de bondade do Senhor. Isso porque, o que acontecer, será fruto da bondade de Deus.

Respondendo-lhe, então, digo que sim, você deve seguir a bondade de Deus. Apenas ressalvo que ela não é o que você imagina. A bondade de Deus não se expressa em fazer o “melhor” para esta vida, mas em ter a certeza que se faz sempre o necessário, no sentido da evolução espiritual, para cada espírito.

Aquele que quer fazer a bondade de Deus, então, apenas se preocupa em não seguir as idéias de bondade que o “ego” cria. Ele está sempre vigilante aos seus pensamentos para manter a união amorosa com Deus (amar e sentir-se amado por Ele), mesmo que os acontecimentos que participe aparentem um sofrimento.

Sabe o que Cristo respondeu a Pilatos quando este lhe perguntou porque não se salvava, já que era um rei, filho de Deus? “Se Deus quisesse que eu me salvasse, teria mandado dez legiões de espíritos para isso”.

Na hora da morte completou: “Pai, afasta de mim este cálice, mas se não for possível, que seja feita a vossa vontade”. Esse é o verdadeiro reconhecimento da bondade de Deus: saber que Deus lhe entrega àquelas percepções de sofrimento com amor, como oportunidade de elevação.

A bondade de Deus jamais se prenderá ao que os humanos querem e, por isso, você também não deve prender a isso. Aliás, fazer o que o outro quer é impossível, já que você, ego, jamais deixará de seguir o seu egoísmo para fazer o que o outro quer.

Já dei esse exemplo aqui. Se alguém lhe pedir para dar um tiro nele, você fará? Claro que não, não é mesmo… Mas, ele quer, ele precisa. Você não está disposto a ajudá-lo? “Neste caso, não”, seria sua resposta, já que fazer isso foge aos seus princípios de ajuda.

Então você não quer ajudar o outro, mas sim fazer o que o seu ego diz que é “certo” e “perfeito”. Na verdade está sempre buscando satisfazer-se, contentar sua vontade, e não ajudar os outros. Isso não é uma bondade egoísta, uma bondade submetida aos seus conceitos de “bom”?

Não, a idéia de Deus bondoso acaba com a própria Bíblia, já que em toda ela o conceito de bondade é exatamente o oposto daquilo que os humanos acreditam. Acaba, também, quando descobrimos que Deus é Causa Primária de todas as coisas. Repare, todas as coisas e não algumas…

Quando se entra neste monismo surge uma nova idéia sobre a bondade de Deus, que se consiste em dar a cada um segundo as suas obras; dar a cada filho seu, cada espírito, a oportunidade e a prova necessária que gerará uma oportunidade de elevação…

Deixe-me dizer uma coisa muito claramente…

No Universo existe apenas Deus, o espírito e a matéria. O resto que a humanidade acredita que existe são apenas figuras ilusórias, meras fantasmagorias…

Sendo assim, não existe o ser humano para ser amado por Deus ou pelos enviados dele. O ser humano é uma ilusão. Não existe, também, vida humana; o que existe é a vida do espírito. Sendo assim, é nesta última e através dos valores dela que Deu age…

Veja que ilusão o ego cria. Ele quer que Deus aja naquilo que é irreal, para satisfazer a desejos egoístas de seres fantasmagóricos. Isso é impossível… Não se pode agir pelo humano porque ele não existe e não se pode agir durante a vida humana porque ela também não existe.

Participante: Não sei o que acontece comigo, pois não condeno Hitler, os terroristas, estupradores… Já não é um passo não condenar os vilões do mundo?

Não… Não ter nada contra não se consiste em passo algum. Para caminhar em direção a Deus você não tem que ter nem contra nem a favor: tem que amar.

Já disse anteriormente que os humanos não sabem amar, por isso lhe digo agora que para dar algum passo à frente é preciso que você seja equânime (tenha igualdade de ânimos) com as coisas do mundo. Sendo assim, quando para você os terroristas e São Francisco de Assis forem a mês coisa, quando o seu ânimo por Hitler ou Jesus Cristo for o mesmo, aí poderá começar a imaginar que está chegando perto de Deus.

Não ser contra ainda é ter alguma coisa a respeito destes personagens. A elevação espiritual é conseguida quando não se tem nenhuma opinião a respeito de qualquer coisa, pois as variadas opiniões que o ser humano tem pelas coisas denotam ânimos diferentes. A elevação se caracteriza pela consciência de que só Deus sabe.

Lembra-se do ensinamento de Cristo: amai a todos. O mestre não disse para amarmos apenas os “bonzinhos”, os “certos”. Pelo contrário: ele disse para amar o inimigo acima de tudo.

O amor tem que ser igual por todos. Quando você diz que não tem nada contra a Hitler, já está tendo, pois separou este personagem do outro que ficou conhecido como Jesus Cristo.

Saiba de uma coisa: Jesus Cristo e Hitler são a mesma coisa, farinhas do mesmo saco. Isso porque são dois egos criados e administrados por Deus que se converteram em personagens que serviram de instrumentos para a ação carmatica dos espíritos ditos encarnados. Além disso, na Realidade, os espíritos que estavam unidos a estes egos também eram iguais, pois foram ambos criados à imagem e semelhança do Pai.

Os espíritos que viveram a vida Hitler e Jesus Cristo são idênticos, já que Deus não pode gerar um espírito diferente do outro. Em essência eles têm a mesma pureza…

Os espíritos são idênticos porque Deus não gera espíritos diferentes entre si. Já os personagens, foram diferentes, ou seja, tiveram existências diferenciadas. Mas, mesmo isso deve lhe importar, não deve lhe fazer diferenciar um do outro, porque todos os personagens que vivem no planeta Terra são criações de Deus.

Se isso é verdade, apesar da aparente diferença de ação entre eles, os dois personagens foram iguais. Isto porque os dois saíram do amor de Deus, da Causa Primária.

Então, eles são iguais. Só quem diz que eles foram diferentes é o ego que julga pelos valores humanos, julga pelos conceitos humanos de bondade ou não…

Participante: Parece haver duas consciências distintas: uma do ego, outra do espírito. Comente, por favor.

Não, não existem duas consciências distintas: existem sete… Apesar de dizer isso, afirmo que, na verdade, existe uma única consciência: a consciência primária do espírito. Todas as outras consciências não são reais, mas ilusões que o espírito vive.

A primeira consciência, ou a que realmente existe, é a Real, a única. Só ela existe realmente. Agora, ao mesmo tempo em que esta funciona, o espírito está sujeito a outras seis conscientizações, que são ilusórias e não reais, que funcionam ao mesmo tempo.

Todas as seis consciências ilusórias criam realidades relativas e ilusórias dentro de um nível de percepção. Portanto, o espírito tem a sua consciência primária que opera na Realidade, mas, ao mesmo tempo, recebe informações (realidades) diferentes de seis outras consciências.

Uma observação: falo aqui do espírito encarnado na Terra. De acordo com o plano de vida e lugar de encarnação, a quantidade de níveis de consciências ilusórias diminui…

Participante: Pelo que o senhor diz, parece que o espiritual permanece inacessível pelo humano, visto que ele não tem como compreendê-lo.

A consciência humana, nesta escala de consciências que falei acima, é a sétima. A primária, a Real é a um.

Acontece que a consciência dois, ou seja, aquela que vêm logo depois da espiritual ou primária, não tem condições de acessar a realidade espiritual. Que dirá, então a sete, que já sofre a influência das criações das outras seis…

Só para você entender melhor este esquema que tracei, diria que as consciências funcionam como o computador de sua casa. A imagem que aparece no monitor é a realidade produzida pela sétima consciência; a realidade criada pelo programa que é utilizado para criar a imagem é a sexta. O programa que faz o criador da imagem funcionar é a quinta…

NOTA: Para ficar mais claro o exemplo dado pelo amigo espiritual, coloco nomes nos elementos usados por ele e que não são do seu conhecimento.

Digamos que estejamos usando um programa de digitação de textos como o Word. Como ele disse, a imagem virtual que aparece no monitor (o texto digitado) é a sétima realidade, fruto da sétima consciência. Ao mesmo tempo em que esta imagem nos é perceptível, temos uma realidade que é criada pelo programa utilizado (Word) que não nos é perceptível.

Além disso, para que o Word funcione é preciso que exista o sistema operacional, neste caso o Windows. Apesar de não aparecer no monitor, o Windows está criando dentro do computador um mundo de realidades que são utilizadas pelo Word para poder criar a imagem virtual na tela.

Além do Windows é preciso ter o DOS e mais além desse é preciso ter o conjunto de Hardware. Todos estes elementos criam realidades que fazem o posterior funcionar, mas que não são perceptíveis por nós, os assistentes da imagem gerada pelo monitor.

Assim vamos até chegar à segunda consciência que são as peças que fazem o computador funcionar…

Respondendo-lhe, então, definitivamente, afirmo que na segunda consciência não há idéia que faça a Realidade ser conhecida, o que dirá, então, quando se vive como real apenas a sétima…

Participante: Visto que o interesse humano vai contra o interesse do espírito, é o amor do Pai que nos faz estar conversando sobre espiritualidade e nos impulsiona à emancipação?

Sim, é o amor do Pai que cria tudo, inclusive a ilusão desta conversa…

Eu não estou conversando com você, porque eu, Pai Joaquim, não existo e você, José, também não existe. Deus cria a ilusão da conversa e não a conversa em si. Para que? Não sei…

O ego pode criar idéias do para que Deus cria as conversas entre egos, mas eu, espírito, não sei. Veja bem: tudo o que o ego cria é apenas uma idéia e não Realidades.

Para mim que quero viver a unidade com Deus, a única certeza que posso ter é que eu, espírito, não estou conversando com você, espírito. O que está sendo percebido por mim, espírito, através do ego Joaquim trata-se apenas de uma ilusão.

Por isso lhe afirmo: por que e para que Deus está criando esta ilusão, eu não posso saber na Realidade. Apenas Deus pode…

Estou percebendo que você está se espantando com minhas respostas… Deixe-me dizer algo importante: não se ofenda quando lhe respondo desta forma. Não estou querendo lhe criticar nem acusar de nada, mas é preciso chocá-lo ao responder. Se eu não chocá-lo, você continuará preso à idéia que pode conhecer alguma coisa, que pode saber alguma Verdade ou Realidade…

Portanto, saiba que ninguém tem essa reposta para lhe dar. Desculpa, tem uma pessoa que tem: um ego…

Os egos sabem a resposta para tudo. Mas, o que eles sabem, são respostas de ego, ou seja, ilusões para criar provações e não Verdades, Realidades. Por isso não podemos ficar presos ao que eles criam…

O que precisamos compreender é que só Deus sabe a Verdade. Os egos recebem noções, idéias, criadas por Deus como provações e não com fidelidade à Realidade.

Isso nós precisamos saber… Já todas as demais idéias do ego, nós devemos abandonar…

Participante: Eu não me ofendo como que o senhor fala, mas me choco sim…

Mas a minha forma de lhe responder tem exatamente esta finalidade: lhe chocar.

É preciso chocar a humanidade de um ser para que ele não fique preso a idéias que o leva a achar que algumas coisas são verdades e outras não, que algumas coisas são passíveis de ser conhecidas e outras não. Isso não é Real…

Nada que você possa tomar ciência através da razão é Verdade no Universo. Além do mais, nada é possível ser realizado pelo humano. Tudo o que realmente for realizado universalmente será pelo espírito e não pelo ego. Mas, nesse caso, o ego humano não terá acesso ao que realmente esta acontecendo.

Participante: Se o espírito pode experimentar várias vidas humanas sem tomar consciência da sua essência espiritual, acredito que deve haver um véu do esquecimento que separe a realidade humana da Real. Partindo desse pressuposto, pergunto: que elementos ou situações são passíveis de vencer essa barreira na vida intra-física, ou em outras palavras, o que e como a alma pode pescar eventualmente do plano espiritual?

O que o ego criar, o que Deus der…

Repare… O que vocês chamam de vida intra-física é, na verdade, a existência tendo como base as consciências formadas em um dos outros cinco níveis que citei anteriormente. Acontece que quaisquer uma das outras consciências, com exceção da original, como a sétima, funcionam também apenas de acordo com o que Deus fizer elas criarem. Elas não podem criar (funcionar) realidades sem que Deus a faça funcionar, já que elas também são ilusões e não Realidades…

Portanto, repare bem e guarde este aviso para sempre: não há nada a ser sabido a não ser que nada deve saber. Isto vale para a sua existência eterna em qualquer grau de ilusão (consciência) que viva…

Preste atenção ao funcionamento do seu ego. A partir do momento que disse que nada desta vida pode ser conhecido, ele começou, então, a querer saber de outra. Veja como ele lhe impulsiona no sentido de buscar possessões morais (cultura)…

É, você, ego, quer sempre saber para poder criar uma posse… Mas, o que pode ser sabido, se nada é possível ser saber? Então, você só precisa saber que nada saberá nunca.

Veja, você está na sétima consciência. Atrás dessa existem outras cinco funcionando criando realidades que você não conhece.

Antes de poder ter acesso a qualquer coisa da Realidade Universal, você precisa se libertar das realidades criadas por estas cinco consciências. Mas, como se libertar destas realidades se você nem as conhece, que dirá saber como elas funcionam para poder libertar-se delas…

Veja bem: você tem que vencer seis realidades ilusórias, fantasiosas, para poder chegar à idéia principal, a Real. Se você ainda não consegue nem imaginar o que é essa fantasia que vive como real, como conseguir superar todas as outras para poder chegar a alguma coisa que seja Real?

Amigo, estou lhe respondendo bem positivamente para que você compreenda algo definitivamente: não há nada a saber… Com isso não estou querendo que pare de perguntar: você pode perguntar o que quiser. O que quero é lhe mostrar que esta busca sobre conhecimentos é infrutífera… O que quero é que você, ao invés de se prender à curiosidade de saber o que não pode compreender, entenda que não pode dar asas a esta busca do ego…

Acredite: você não deve acreditar em nada. Enquanto acreditar em alguma coisa, aquilo no qual acredita, se transforma em uma idéia racional. Esta razão, no entanto, não lhe trará nenhum adiantamento: será apenas um instrumento utilizado por Deus para dar ao espírito a provação que ele precisa fazer.

Saiba de uma coisa: não há evolução espiritual construída pela razão. A elevação espiritual constrói-se no coração, no amor, na relação amorosa com Deus e com todos.

Portanto, não queira entender o que é incompreensível ao ego humano.

Volto a repetir: só quem pode ter respostas a perguntas como essas são os outros egos. Mas nesse caso não serão respostas válidas, reais, mas ilusões fantasmagóricas, como Krishna diz. Além do mais, se conseguir respostas, não conseguirá chegar a conclusões (verdades) nenhumas, a não ser que Deus as crie.

Sendo assim, não foi você quem compreendeu, mas Deus que deu a você, ego, uma compreensão sobre um assunto que não existe a partir de uma resposta que Ele criou. Não é mais fácil estancar esta busca desesperada, já que tudo sempre acabará da mesma forma: algo ilusório que Deus cria…

Participante: Devemos, então, apenas ser espectador da vida. Apenas ir vivendo sem se preocupar em fazer algo já que tudo é ilusão e o ego não faz nada mesmo?

Krishna ensinou isso: repousa em Mim (Deus) e assista sua vida. Apesar disso ter sido ensinado por um mestre, eu me atreveria a ir um pouco mais longe: não assista a sua vida, mas sim a cada momento dela, sem conectar-se a passados ou futuros. Para fazer isso é preciso mais do que assistir a vida: é preciso assistir as formações mentais.

O que estou querendo dizer com isso? Estou querendo dizer que se amanhã o seu ego disser que vai a algum lugar, não comprometa seu coração com isso. Não acredite que irá ou deixará de ir a lugar nenhum.

Assista ao pensamento sem participar dele: é isso que estou querendo dizer… Não se trata de apenas assistir o ir ou não ir, mas também de assistir o pensar em ir.

Aliás, isso que estamos falando (assistir o pensamento) faz parte do Nobre Caminho Óctuplo que Buda ensinou. Buda disse que é preciso ter atenção plena correta e fazer isso é ter atenção ao pensamento que se está tendo naquele momento.

Esta atenção não se consiste apenas em acreditar ou não se a previsão trazida pelo pensamento acontecerá ou não. Ela deve levar o ser a estar sempre atento no sentido de não deixar o coração se comprometer com a razão…

Participante: É, só sobra a ilusão para saborear mesmo…

Participante: Como o espírito retém as experiências de vida na carne?

Como Deus criar através do ego…

Veja bem: o espírito não retém experiências. Ele não se lembra dos casamentos, dos filhos que teve…

Ele se lembra das provas. Ele se lembra que foi testado na posse sobre uma mulher ou sobre filhos. Ele não se lembra de casamento ou família que teve.

O que você chama de lembranças de vidas passadas, na verdade, são informações atuais que Deus está mandando pelo ego. Mesmo que estas lembranças descrevam acontecimentos de vidas anteriores, elas não estão vinculadas ao passado, mas foram criadas neste momento.

Quando um ego, num trabalho de terapia de vidas passadas se lembra de outras encarnações, ele não está se lembrando de nada: Deus está passando aquelas informações naquele momento e está criando a idéia de que aquilo são lembranças… Isto porque, tudo que vem pela razão é criação do ego atual.

Portanto, não há nem a ilusão para saborear. Da ilusão devemos querer distância, pois enquanto a saboreamos, não conseguimos libertar-nos dela…

Você, o espírito, tem a ilusão para tratá-la como ilusão e não é para saboreá-la. A única coisa que deve balizar o relacionamento com as ilusões é o nada: nada vale, nada sei, nada funciona, nada é o que vejo, o que sei e nada posso saber.

Apesar deste ser o balizamento da sua relação com as ilusões, isto não deve acontecer de forma racional, ou seja, por idéias. É preciso dizer com o coração que nada do que a razão cria é Real.

Se você alcançasse uma consciência racional que nada sabia, isto seria irreal, pois o saber que nada sabe ainda é um saber. Se soubesse pela razão não teria deixado de saber. Aliás, nada teria feito, pois a compreensão racional de nada saber é algo dado por Deus. É Ele que lhe faz ter a consciência racional de nada saber e não você que alcançou tal desprendimento…

É no seu coração que precisa não saber coisa alguma. Isso é alcançado pelo espírito alcança quando ele não deixa perguntas como essas e curiosidades como essas afetarem o coração.

É preciso não deixar a vontade de ajudar os outros ou a própria busca da elevação espiritual afetar o coração. Isso se chama equanimidade. Estar equânime é não deixar a razão afetar o coração.

Participante: Parece que tudo converge para Deus e, se não vai pelo amor, vai pela dor. Um amigo me disse que isso seria imposição e cerceamento da liberdade. O que dizer a ele?

Não, isso é dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Isso é dar a Deus a posição de Senhor do Universo, de Criador e dar ao ser humano a posição de criatura, de assistente da criação.

É isso que Cristo quis dizer quando afirmou que se deve dar a Deus o que é Dele e a César o que lhe pertence. Mas, apesar deste ensinamento, a humanidade, orgulhosa de si mesmo, quer dar a César o que é de Deus… Impossível…

Falo desta forma porque, se a humanidade diz que o ser humano é capaz de criar, está chamado-o de criador. Com isso retira esta função de Deus…

Veja, deixe-me dizer-lhe algo. Eu não aceito nem que se diga que o ser humano é uma marionete de Deus… Sabe por que? Porque o ser humano não pode ser nada, já que ele nem existe.

Eu já disse aqui e vou repetir agora: poderíamos comparar a idéia que o espírito tem de ser um humano como algo que surge no homem quando ele fuma maconha ou cheira cocaína: um delírio…

A idéia de ser um humano é um delírio do espírito… Se o delírio não existe, como pode ter direitos sobre o que é Real?

Sim, a personalidade humana é um delírio do espírito. Pense bem: será que o ser universal, que é simples e puro, criado a imagem e semelhança de Deus e que por herança genética possui tudo o que Deus possui, pode ser um humano? Claro que não…

Participante: Sempre adotei a idéia do humano como co-criador da Realidade Universal, mas vou adotar essa idéia de manipulador da matéria universal…

Quem é o manipulador? O espírito, o ser humano? Não, apenas Deus é o Criador e por isso o único manipulador. O que Ele faz é dar aos espíritos ilusões de estar manipulando alguma coisa.

Quando você fala em manipular por si mesmo está falando em co-criador do mesmo jeito.Saiba, não existem co-criadores. O que existe no Universo é Deus, o Criador e espíritos, assistentes da criação. Assistentes de assistir, ver e não de ajudar…

Participante: Parece ser impossível ao humanizado amar universalmente, mesmo que se empenhe para conseguí-lo o que na verdade alcançam? Será certo dizer que aquele que conseguir lograr o intento deixa de ser humanizado?

Ao humano é realmente impossível universalizar-se, mas para o espírito também o é. Vamos entender isso…

Quando você fala em ser humanizado, na verdade está falando de um espírito que acredita ser humano. A esse não é possível, porque o que é humano não pode jamais se tornar universal.

Porque tudo o que é humano não consegue amar universalmente? Porque as bases de formação das verdades do ego são egoístas, individualistas. O ser humano, ou seja, a personalidade humanizada a qual o espírito se liga e imagina ser, não conseguirá jamais se universalizar, porque ela é por fundamento egoísta.

Mas, antes que alguém se arvore em julgar e condenar a personalidade humana, me deixe dizer uma coisa: isso não quer dizer que a personalidade humana seja “má”. Isso quer dizer que vencer o egoísmo é a prova do Mundo de Provas e Expiações.

A personalidade humana não pode ser boa ou má, pois como dissemos da ultima vez, ela nem existe. É só uma ilusão. A personalidade humana é uma idéia, não uma Realidade. Sendo assim, como pode alcançar alguma coisa?

Já quanto ao espírito, ele não pode universalizar-se porque já é universalizado. O que o espírito pode fazer é retornar à consciência da universalização em que já vive.

O espírito não é egoísta, não é individualista. Ele se imagina como quando acredita nas verdades criadas pelo ego como reais. Aliás, ele nem se torna egoísta: apenas tem a ilusão de se tornar. Na Realidade ele continua sendo universal; só ilusoriamente é que vive egoisticamente.

Então, respondendo-lhe, o ser humano não pode alcançar a universalização porque todas as suas verdades são fundamentadas no egoísmo e o espírito também não pode alcançá-la porque ele já é.

A partir disso que vimos, vamos, então, desde logo colocar uma coisa bem clara: você, espírito ou ego, não tem nada a fazer. Saiba de uma coisa: a evolução espiritual não se dá por conquistas, por mudanças, mas ela acontece quando você, espírito, se liberta de algumas coisas. Essa liberdade não se alcança por conquistas de coisas novas, mas por uma eliminação de coisas.

Existe apenas uma coisa que você precisa fazer: deixar de acreditar nas ilusões que o ego cria. Por exemplo: aquela que diz que você tem que fazer alguma coisa para universalizar-se.

Isso é uma ilusão que o ego cria. Você não tem nada para fazer, nada para realizar. Deve apenas libertar-se da idéia que diz que o que você vivencia é real. Se você, espírito, já está universalizado, mas não tem consciência disso porque vivencia a ilusão como Realidade, quando não mais acreditar nas ilusões, retornará à sua consciência original.

Então, quanto à questão universalizar-se de sua pergunta, eu respondo afirmando que ninguém pode se universalizar: o humano porque não é premissa do ego e o espírito porque já está universalizado.

Outro aspecto da sua pergunta que gostaria de comentar: mesmo aqueles que se esforçam… Quem se esforça por alguma coisa neste mundo? O ego? Não, ele não se esforça. Aliás, ele nem existe.

O ego não é um elemento do Universo: ele é uma ilusão, algo que não existe. Já o espírito também não se esforça porque na sua consciência primária já sabe que é universalizado e que Deus é a Causa Primária de todas as coisas.

O que acontece é que o espírito acredita no esforço ilusório que o ego cria: “eu quero me evoluir”, “eu tenho que fazer isso para evoluir”. Este pensamento até parece realmente puro, mas, quem quer evoluir, na verdade não está nem buscando a evolução, pois este querer é egoísmo, é fruto de um quer para si.

Quem quer alguma coisa para si é um egoísta… Portanto, quem quer universalizar-se tem que antes de qualquer coisa deixar de querer…

Outro aspecto que você falou: quem lograr… Quem pode lograr alguma coisa num mundo que não existe. Quem pode conquistar algo dentro de um mundo que não existe?

Para lhe responder a pergunta como um todo, poderia dizer que aquele que se libertar da ilusão pode ser considerado não mais humanizado. O espírito que consegue desprender-se da crença de que é humano, pode ser realmente considerado como não humanizado. Mas, ele não é considerado desse jeito porque aprendeu ou conseguiu algo, mas simplesmente porque deixou de acreditar que a humanidade é real.

Só para completar o raciocínio que diz que ninguém pode evoluir, quero lembrar algo que falamos: o Universo é Único, Uno e Constante. Se você fala em sair de um ponto para outro, não importa sobre o que seja, acabou coma Unidade.

Veja bem: se o Universo é Uno todos estão num ponto só; se o Universo é Único, não existem pontos para se movimentar entre eles; se o Universo é constante, nada se altera, nada muda de lugar…

Sei que este pensamento é difícil para vocês. Portanto, não queiram compreender: apenas ouçam…

Participante: Como sei se me libertei, se é o ego ilusório que me dá essa consciência?

Você diz assim: com eu sei. Para poder comentar o que me pergunta, eu lhe digo: Quem é você?

Participante: Um espírito…

Isso é teoria… Isso é uma idéia que o ego lhe dá…

Se você se considera um espírito, lhe pergunto: quem é você, o espírito? Como você é? O que faz? Você não tem noção de nada disso… Não sabe nada do mundo espiritual pode ou de como ser um espírito, como pode então se dizer espírito? A idéia de ser espírito é algo que o ego cria.

Você não é espírito, é o ego. É um ego que está ligado a um espírito. O espírito existe, ele está no Universo, mas você, razão, raciocínio e pensamentos é um ego.

Sendo assim, como o ego vai saber se ele chegou a algum lugar se ele nem ao menos existe? Mesmo que existisse, como pode o ego chegar a algum lugar se ele não tem lugar para chegar?

Ele é simplesmente algo que Deus cria passo a passo e não alguma coisa que se forma continuamente. Para o ego não há chegada porque não há saída… Não há chegada porque não há movimentação…

A consciência que você realizará alguma coisa é apenas uma idéia do ego formada sobre o poder de maya (ilusão, reflexo). Krishna nos ensina que tudo que vem a mente de uma personalidade humana é formada por maya, pelo poder inescrutável de maya.

Então, você não vai chegar a lugar algum, porque você é o ego e ele não tem aonde chegar, porque não tem de onde partir. O ego não se muda: ele é sempre emanação de Deus, não importando que idéia ele forme.

Então você ego, será sempre a emanação de Deus: nuca deixará de ser isso e nem poderá ser outra coisa. Sendo assim, não há aonde chegar.

Agora, você existe como espírito, sim. Mas, o espírito que você é está completamente distinto da razão que vive hoje.

Deixa eu lhe explicar uma coisa. Tem um estudo que fizemos e que falava sobre ser ego ou espírito, onde digo assim: você, espírito, é aquilo que está e como você está humano, é o humano. Você não é humano, é um espírito, mas por estar humanizado virou humano.

Você é só o ego. Mas, será que o espírito existe? Sim… Onde? No Universo… Onde é o Universo? Em todos os lugares… Ele está aqui, portanto, mas não é quem você acha que é…

O espírito existe, mas ele não tem sensações, percepções, formas, pensamentos, memórias. Tudo isso é ego. Raciocínio é ego; ver, ouvir e sentir odores também. O espírito está longe de tudo isso.

Mas, mesmo que falássemos do espírito, este também não tem que saber se chegou a lugar nenhum, porque na sua consciência primária, ele já está onde sempre esteve e onde sempre estará.

Sabe, continuamos falando nesta conversa, como fizemos na anterior, em monismo e é importante que falemos muito neste assunto. Isso porque é preciso que vocês compreendam de uma vez por todas que o monismo não aceita alterações. O monismo não aceita caminhadas de um ponto a outro…

Veja bem, se você fala em alterações ou caminhadas, está dizendo em sair de um ponto para chegar a outro. Criou-se o dualismo: um e outro ponto.

O monismo é a Unidade e quem está em Unidade já está e não pode perdê-la. Isso porque dentro do monismo não existe a não dualidade: dois lugares distintos.

A não unidade é apenas uma idéia que o ego cria e que diz que você não está harmonizado com o mundo, mas está. Mesmo você ego está harmonizado com o mundo.

Eu falei anteriormente sobre Hitler, por isso vou continuar no mesmo exemplo. Você acha que este ego não estava harmonizado com o mundo? Claro que estava… Afirmo que ele estava harmonizado com o Universo porque foi o criador de atos ilusórios que o mundo precisava.

Sabe, aquelas ilusões de fim de vida que ele protagonizou eram necessárias para os espíritos que viveram aqueles acontecimentos. Sendo assim, aquele ego estava harmonizado com o mundo. Pode não estar harmonizado com os seus padrões de mundo perfeito, mas isso são apenas os seus padrões…

A Verdade é uma só: no Universo tudo está harmonicamente se interdependendo. Tudo existe na Unidade. Mesmo a idéia da dualidade faz parte da Unidade.

Um dia me perguntaram: o que é ser universal, o que pode ser considerado como Universal? Eu respondi que universal é tudo que existe no Universo.

Então, mesmo aqueles que segregam e os dualistas, são universais, pois eles existem, mesmo que ilusoriamente, no Universo. O próprio dualismo dos dualistas e a segregação daqueles que segregam faz parte do Universo. Portanto é universal, faz parte da Unidade.

Volto a repetir, não se podem distinguir os elementos do Universo: isso é uma coisa aquilo não é. Isso porque quando se separa qualquer coisa se acaba com o monismo.

Mesmo que aparentemente algo não esteja unido ao Todo, está unido. Isso porque a desunião é fruto do poder inescrutável de maya. Toda a idéia de dualismo é uma criação de Deus, uma ilusão, porque só existe a Unidade.

Portanto, não há como se tornar Uno, alcançar a Unidade, pois você, não importa se ego ou espírito, já é Uno, já está em Unidade. Apenas as suas ilusões afirmam o contrário. Por isso afirmo: é preciso abandonar a ilusão para se voltar a Realidade.

Participante: Como quebrar as malhas de maya?

Não se quebram as malhas de maya, não se luta contra o ego. O que você pode fazer é não acreditar que o que o ego cria é realidade.

Mas isso não pode ser feito através da razão, ou seja, você ter pensamentos que afirmam que o pensamento não é real. Na verdade, a única coisa que você pode fazer para desligar-se do ego é manter o seu coração equânime, em paz.

Sendo assim, o trabalho para se desligar do ego se consiste em não comprometer o coração com as razões, sejam elas formações mentais ou sensações, que o ego cria. Quanto mais você vai conseguindo manter o coração distante da razão, mais esta última perde força. Ou seja, menos força Deus dá à razão.

Só quando isso acontecer, você vislumbrará a Unidade. Mas, como já disse, este vislumbre se dá no coração e não na razão. No racional não há como se separar a Unidade do dualismo, porque a razão é por premissa dualista e nem se dá conta disso.

Participante: É isso que me é difícil entender… Eu vejo o ego como uma peça necessária no cenário do Uno. Sem ele o Todo não estaria completo. Não é assim? Sem ele faltaria a peça que se chama “ilusória”…

Deixe-me falar primeiro uma coisa. Você me diz me que é difícil entender e eu pergunto: difícil para quem? Para o ego? Para ele não há dificuldade ou facilidade, pois nem há compreensão.

A compreensão que o ego alcança não é o fruto de um raciocínio, mas algo que Deus dá. Se o Pai não criar algo que seja rotulado como compreensão de um tema, o ego jamais compreenderá nada.

É difícil para quem, para o espírito? Para ele é impossível compreender alguma coisa do mundo material.

Isso porque o espírito não entende nada que faça parte da razão humana. O espírito não trabalha em sua consciência primária com nada que faça parte do mundo humano. Até porque, tudo que é material é apenas uma ilusão, não existe e o espírito vive na Realidade, num mundo Real.

O espírito que não conhece as formas ou as idéias do ego porque elas não fazem parte do seu mundo. Aliás, elas não fazem parte de mundo, pois estes elementos não existem…

Eles são elementos que Deus cria através do ego. O tem a ilusão de estar percebendo estas ilusões e acredita esta percepção é Real. Só neste momento o elemento humano tornou-se real, mas isso aconteceu apenas para aquele espírito.

Então, não há nada para entender, nada para compreender. Se houver algo que você possa chamar de compreensão, este algo será ditado por Deus e não uma conclusão que o ego chegou por si. Se Deus não ditar, jamais você compreenderá.

Agora podemos continuar com a sua pergunta: Eu vejo o ego como uma peça necessária no cenário do Uno.

Não, ele não é necessário: ele existe no Uno. Se é necessário ou não, eu não sei… Só sei que ele existe. Sabe como sei disso? Porque você está vivendo ele…

A partir do momento que ele existe, já está na Unidade. Mesmo que ele seja uma ilusão e que o que crie seja dualista, a existência dele e de suas criações estão na Unidade,. Mesmo como uma ilusão, como uma idéia apenas, o ego está presente na Unidade.

Necessário ou não, não sei… Se amanhã Deus, não vou dizer criar, mas mostrar a você um outro processo diferente de consciência que já exista, o ego como conhecido por você agora não será mais necessário. Mas isso não acabará com a existência do ego humano, pois apenas para você ele perdeu a necessidade, mas continua necessário para outros…

Veja bem: não se pode julgar necessidade de nada. Prestem bem atenção nisso: no Universo não existe nada a mais nem faltando. O Universo é preciso porque é a Unidade e ele está completo. Sendo assim, nada pode ser criado ou deixar de existir.

Tudo está pronto: Não foi isso que Cristo ensinou? Salomão afirma também: quem pode fazer alguma coisa que alguém não tenha feito?

Sabe, essa idéia que seus problemas são particulares, individuais, é só uma idéia gerada pelo ego. Se você começar a conversar com um ou com outro verá que os problemas de cada um são quase iguais, se não forem perfeitamente iguais. Sendo assim, não há nada a ser criado, nem por Deus.

O Universo é Uno, Único e Constante. Se é constante, nada acaba nem nada começa.

Apesar disso, você, acreditando no ego, está preocupado com o futuro que irá acontecer. Saiba que não há nada de novo para acontecer, porque nunca houve algo que já tenha acontecido.

O Universo continua sempre Uno, Único e Constante. São apenas as ilusões que se alteram, que mudam de forma e, por isso, você acha que as coisas estão ou poderão ficar diferentes.

No âmago, na Realidade, o Universo está parado enquanto você acha que as coisas estão mudando… É, o Universo é parado, pois não pode mudar nem se movimentar. Mudando-se ou movimentando-se, não seria constante.

Participante: O desmontar da ilusão pelo coração, no fundo é uma forma de evolução do espírito que se encontra a animar um corpo ou uma forma densa em planos e planetas como a Terra?

Sei que você já nos ouve a algum tempo. Mas, também acho, que já compreendeu que estou mudando um pouco a minha forma de falar… Por que? Porque estamos trabalhando com outros conceitos.

Portanto, terei que responder a sua pergunta passo a passo, para poder lhe transmitir estes conceitos…

Vamos lá: O desmontar da ilusão pelo coração…

Na verdade a ilusão não é desmontada, quer seja pela razão ou pelo coração. A ilusão não acaba, ela permanece. O que pode acontecer é deixar de se acreditar nela como real, de se comprometer sentimentalmente com as verdades que ela cria.

Desmontar seria acabar com a ilusão e isso não pode acontecer. Você vivenciará a ilusão (a razão) enquanto estiver ligado a este ego e isto não pode ser alterado…

Vamos a outro ponto de sua pergunta: no fundo é uma forma de evolução do espírito.

Não posso aceitar esta premissa que você utiliza, porque acabei de dizer que no Universo tudo que existe é Uno, Único e constante. Sendo constante, que evolução pode existir?

Esta questão de evolução espiritual, você progredir espiritualmente, é uma idéia dualista, de ego. O espírito nasce puro e permanece assim por toda a eternidade. O que é impuro são as idéias que o ego cria, mas a pureza interior de um espírito não se compromete com as sujeiras, as ilusões criadas pelo ego.

Eu disse outro dia: na Realidade, o espírito está no Universo amando simplesmente. Na Realidade ele só ama.

Apesar de voltar a falar disso agora não se esqueça que eu complementei naquele estudo: essa questão de amar é apenas uma palavra. Na Realidade o espírito está no seu mundo fazendo alguma coisa que você não consegue saber o que é. Este algo, no entanto, ele jamais deixa de fazer. Ele apenas acha que está fazendo outra coisa, mas não está.

Então, não há evolução de espírito, mas ilusão de evoluir. Se no Universo tudo é constante, como pode alguma coisa alterar-se?

Na verdade o espírito não se altera: se limpa. É diferente: evoluir é galgar novas posições; se limpar é permanecer estático no mesmo lugar retirando camadas de sujeiras. São coisas diferentes.

Na verdade nem tirando nada o espírito está, pois essa “sujeira” é uma ilusão. O espírito tem a ilusão de estar sujo e acha que precisa se limpar e imagina que está fazendo isso…

Não, não posso aceitar a sua premissa para respondê-lo, pois ela é uma falácia. Se a usássemos como base verídica para uma reposta, chegaríamos a uma falsidade.

Outro aspecto de sua pergunta: que se encontra a animar um corpo ou uma forma densa em planos e planetas como a Terra.

O que é uma forma densa? O que é um corpo? O que é um plano de vida ou um planeta?

Veja, no Universo não podem existir elementos no plural ou formas diferenciadas. Se existissem planetas, por exemplo, a Unidade teria acabado. Só existe o Universo e nele o espírito tem a ilusão de achar que existem planetas.

O Universo não pode ter planos de vida. Sei que eu já falei neste elemento como real, mas isso foi necessário antes de se chegar ao monismo. Ou melhor. Como caminho para se chegar a ele.

Mas, na hora que você encara a Unidade de frente compreende que foi um conhecimento necessário para lhe trazer até aqui. Compreende mais: agora esta idéia precisa ser destruída. Sendo assim, é preciso que agora você destrua a idéia da existência de variados planos de vida porque senão estaria se afastando, mesmo que ilusoriamente, da Unidade.

Além disso, não existem encarnados ou desencarnados. Aliás, o próprio Krishna fala isso no Bhagavad Gita: o espírito não encarna ou desencarna. Um espírito não pode vir até a carnes, até porque a carne não existe.

NOTA: Bhagavad Gita, capítulo II, versículo 20.

“Esse Ser não nasce nem morre e tampouco reencarna; o Ser não tem origem; é eterno, imutável, o primeiro de tudo e todos e não morrer quando matam o corpo”.

Some, então, tudo o que disse e veja se lhe respondi…

Participante: Mas, o espírito não trabalha com o fluído cósmico que é vulgarmente chamado de matéria?

Eu não desdisse isso… Sim, o espírito trabalha com fluído cósmico universal, que é vulgarmente chamado de matéria e que eu chamo de amor. Mas, tudo isso são apenas palavras…

Explique-me o que é isso que você falou (trabalhar com o fluído cósmico)? Você não sabe, não é mesmo? Então, você não sabe o que é isso. O seu ego tem idéias, mas o que ele sabe de tudo isso são ilusões e não verdades…

Participante: O não comprometimento no coração é o caminho do meio que os mestres orientais ensinaram?

Sim, é o caminho do meio que Buda ensinou; é a equanimidade que Krishna ensinou.

Para melhor compreender isso, deixe-me dizer uma coisa: o ponto do meio não é vazio de nada. Na verdade ele é um ponto onde os dois extremos se fundem a tal ponto que um anula a ação do outro.

Então, manter o coração equânime ocorre quando as razões de “certo” e “errado” se fundem no seu coração a tal ponto que você não vibra de êxtase no certo nem sofre depressão pelo errado. Neste momento você atingiu a equanimidade: igualdade de ânimos.

Isso é não comprometer o coração com a razão.

Participante: Ainda não entendi porque o espírito puro passa por uma mergulhada no ego. Ou por outra, não tem o que entender? O conceito de espírito puro e limpo que passa por uma fase de humanização, que finalidade tem?

Não há nada a ser compreendido, porque afinal de contas você é o ego e esta personalidade ilusória não compreende nada. Ela recebe alguma propositura de razão, que você chama de compreensão, de Deus, mas não chega por si só a nenhuma conclusão.

Qual a finalidade da humanização? Não sei… Agora, sei que ela é real, ela existe, pois vocês estão vivenciando isso. Agora por que, para que, como, quando, onde, no que vai dar, isso são especulações que o ego faz.

O verdadeiro sábio, aquele que consegue não comprometer o coração com a razão, como Krishna ensinou, transita entre as coisas do mundo sem se apegar a elas. Ou seja, ele sabe que a humanização existe, convive com a realidade de sua existência, mas não fica preso a querer entender e compreender o porque e como se processa a humanização.

Deixa eu lhe dizer uma coisa. Eu já respondi perguntas iguais a essa de outra forma: dando razões. Já disse, por exemplo, que o processo de humanização é preciso porque o espírito em uma primeira encarnação se sujou. Mas isso foi em outros tempos… Hoje, alcançando o monismo, atingindo uma compreensão sobre Unidade, não posso responder a esta pergunta da mesma forma.

Na busca da compreensão da Unidade não se podem criar dualismos ou movimentações. Como caminho para chegar ao conceito Unidade – sim, Unidade, para vocês também é um conceito formado pelo ego, pois existe alguma coisa que acontece no Universo que o ego rotula como Unidade, mas que realmente você não se sabe o que é – foi preciso formar alguns conceitos. Mas, hoje não posso mais formá-los e por isso não posso responder a sua pergunta a não ser dizendo que o ego só saberá quando deus quiser.

Mas, mesmo que Deus proponha ao ego compreender, esta compreensão não será real. Isto porque Deus não propõe pelo ego Verdades Absolutas, mas sempre relativas. Isso porque Ele não revela a Realidade, mas cria verdades ilusórias que tenham utilidade para a provação. Ou seja, dá a cada uma idéia sobre o que é Real de acordo com a sua necessidade.

Então, existe uma Realidade e existe uma ilusão. Na Realidade existe uma Verdade, mas na ilusão podem e existem diversas verdades. Se você acreditar que o que sabe é Absoluto comprometerá certamente o seu coração com a razão.

Portanto, não queira saber, não queira discutir ou conhecer nada: apenas viva.

Viva para libertar seu coração da razão. Se ela lhe disser que isso acontece por causa daquilo, não deixe seu coração vibrar nesta certeza. Se deixar, Deus lhe dará alguém que será contrária a ela e criará idéias de críticas no seu ego e seu coração vibrará também nesta freqüência.

É só isso…

Participante: Pode falar um pouco sobre o medo?

O medo é uma sensação criada por Deus através do ego. Medo é uma sensação perceptiva.

Medo não existe. Onde há a Unidade não pode haver dualismo e por isso não pode haver medo ou confiança.

O medo é uma ilusão gerada por Deus para ver se o espírito continua amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, ou acredita que está com medo.

Participante: Pergunto como um humano ouve, pois me encontro ancorado na humanidade. Portanto, só poderei compreender como humano, mesmo que sabia que sou um espírito.

Como um humano que você é, saiba que não compreende nada: Deus lhe dá as suas compreensões… Como humano que você é, saiba que você não ouve: Deus lhe dá as percepções auditivas.

Estas percepções, ou seja, aquilo que você ouve, não é criado no mundo externo. Isso quer dizer que não é um som que determina as palavras que você ouve. O que lhe é consciente pela audição surge no mundo interno, no funcionamento da sua razão.

A própria ciência já comprova há muito tempo que a imagem, o som e o sabor não vêm de fora, mas são formados no cérebro. Veja bem: você está muito longe de mim; tente imaginar como teria que falar alto para que você pudesse ouvir aí a minha voz…

Não teria como ser ouvido, não é mesmo? Mas mesmo assim você me ouve, não? Para entender isso, vamos compreender como o som se desloca, segundo a ciência.

Segundo as ciências humanas, você não está ouvindo a minha voz, mas capturando ondas eletromagnéticas. Estas ondas lhe chegam em formato de energias e não de palavras. Ao serem percebidas pelo cérebro, ainda de acordo com a ciência, elas são decodificadas pelo cérebro e se transformam em palavras.

Esta é a verdade científica. Voltando agora ao nosso assunto (espiritualismo), lhe pergunto: quem faz a conversão de uma onda eletromagnética em palavras, frase e idéias? O cérebro?

Se o cérebro é inteligente, ou seja, é capaz de executar ações, é o espírito, porque o ser universal, segundo definição do Espírito da Verdade, é o princípio inteligente do Universo. Mas, se o cérebro é o espírito, pergunto: o ser universal morre? Sim, porque o cérebro morre, para de funcionar, se decompõe.

Diante de tudo o que conversamos, posso então dizer que o seu ego percebe uma onda eletromagnética, mas que existe algo ou alguém (Deus) que transforma esta matéria energética em palavras, frases e idéias.

Apesar disso ser Realidade, não há compreensão sobre o tema que possa lhe levar a viver de forma diferente. O ego continuará pensando que sempre estará ouvindo a voz do outro, as palavras do outro, as idéias que o outro pronuncia. Portanto, de nada adianta tentar compreender como funciona, universalmente falando, o ouvir humano.

Apesar de não compreender como isso ocorre, tenha a certeza de que tudo está sendo criado dentro do ego e que não se trata de algo oriundo de outra pessoa. É na sua mente que a onda eletromagnética se transforma em frases e sons a partir do faça-se de Deus. O que você ouve, na verdade, não sai da boca de ninguém…

“Então, o que eu estou fazendo aqui se não há nada a ser compreendido” seria a sua pergunta depois de constatar isso. Não sei, ou melhor, sei: aquilo que Deus lhe disser que está.

Veja, na verdade você nem está aqui. Esta reunião, que aos próprios olhos humanos é considerada como virtual, já que estamos nos comunicando pelo computador, para nós é mais virtual ainda. Para nós é mais ilusória do que para vocês, pois vocês pelo menos acreditam que existe uma conexão via computadores, mas para nós o próprio computador é uma ilusão…

Portanto, o trabalho da elevação espiritual se caracteriza pela libertação de toda razão. Eu falei todas…

Neste trabalho, não adianta se fixar em um ponto e a partir dele criar verdades, como você fez ao formular a pergunta. Você disse: eu sou humano e preciso. Não, você não precisa, porque você não é humano: está humanizado…

O que você precisa é compreender que não precisa. Para que? Para poder exercitar e trabalhar a desvinculação do seu coração, pois tendo a razão como criador de realidades, ou seja, acreditando que você está, é ou faz, não conseguir ouvir o seu coração falando.

Porque os mestres orientais e até mesmo o próprio Cristo aconselham a meditação? Para que você pare de ouvir a razão e ouça o coração.

O problema é que vocês não abrem mão da realidade que está sendo imposta pelo raciocínio. Aí ficam querendo trabalhar tudo pela razão, pelo ego, pela compreensão, pela sabedoria, pela idéia e não ouvem o coração.

Por causa disso, o coração de vocês fica como um bêbado: trôpego, indo de um lado para outro, caindo e se levantando… Mas, isso só acontece porque vocês não conseguem ouvi-lo falar, pois estão firmemente concentrados em ouvir a razão.

Adoro humanos que dizem, de coração e de razão: “eu sei” sobre alguma coisa do Universo. Querer saber alguma coisa sobre o que não pode ser perceptível é a demonstração maior do egoísmo que está no ego. Como um ego, limitado pelas coisas materiais, pode saber o que está no Universo? Só Deus sabe. Então, não comprometa seu coração com o que o ego disser que sabe ou não.

Participante: Mas, o humano não sabe amar como você diz. Como, então, me situar? Você não se dirige a nós por amor, não faz como Cristo fez?

Realmente o humano não sabe amar. Ele é incapaz de amar universalmente: isso eu já tinha realmente dito. Agora você me pergunta: a partir disso, como me situar?

Pois bem, o humano não pode se situar ou deixar de situar-se, pois no Universo não existem dualidades. Qualquer forma que o humano se situe será a forma que ele deveria estar situado.

Não há nada a ser realizado. Tudo que acontece faz parte da Realidade e, portanto, não poderia deixar de ser diferente…

Veja bem. Não há como se situar, pois, não importa como está, você já está situado. Não há como se portar de outra maneira, pois a maneira como se comporta faz parte da Unidade. Não há como fazer de outro jeito ou ter sensações diferentes das que fez e teve, pois o que está na Unidade não pode ser alterado.

Saiba: o comportamento do ser humano não é gerado pelo ego de livre e espontânea vontade, mas acontece como Deus o faz comportar-se. Portanto, o comportamento, seja ele qual for, está harmonizado com o Universo e está presente na Unidade Universal.

É preciso que você compreenda que não existe “certo” ou “errado”. Quando me pergunta como se comportar está propondo um dualismo: me comporto assim ou assado? Você não pode se comportar de uma forma que não esteja presente na Unidade, mesmo que esteja humanizado.

Quanto ao restante de sua colocação, digo que sim, eu falo por amor. Mas este amor que me move, não tem nada que você possa compreender. Portanto, não se preocupe com a maneira como eu me comporto junto à minha missão e preocupa-se em libertar-se desta verdade.

Participante: Como saberei diferenciar que é o meu ego ou meu coração que está falando a mim?

Racionalmente, por compreensão, compreendendo, você não saberá diferenciar.

Volto a repetir: o problema é que você quer realizar alguma coisa, quando não há nada a ser realizado. Por isso está preocupado em reconhecer se está fazendo ou deixando de fazer alguma coisa…

Deixe-me explicar algo. Existe um conceito oriental que é o “não”: não eu, não ser, não realizar. Esse conceito não é negativo, ou seja, a não realização não é a negação da realização de alguma coisa, deixar de fazer algo.

A não realização não é antagônica à realização. Ela é simplesmente um ponto entre o realizar e o não realizar. Eu acabei de falar sobre isso: é o caminho do meio. A não realização ensinada pelos egos orientais é um ponto onde a realização ou o não realizar se fundem perfeitamente a ponto do acontecimento não influir no coração.

Você não pode saber se realizou porque não há realização para ser realizada. Você não pode deixar de realizar, porque existe uma Unidade onde tudo está embutido. Sendo assim, o ato de não realizar algo é a realização que deveria acontecer…

Ora, se não há realização a ser realizada, o que você está fazendo aqui – seria a sua pergunta. Mas, eu não estou nem aqui…

Já falei sobre isso. O Joaquim que está falando e as palavras que você atribui a este elemento estão sendo criados dentro do seu ego e não exteriormente. Não há como eu falar ou eu me silenciar. Não há dualismos…

É isso que precisamos entender e eu sei que para os egos chamados ocidentais que são formatos pela razão, para quem a razão é o deus, ou seja, o criador de todas as coisas, isso é quase impossível. Compreender o “não” como desinteresse por, sem agir de forma omissa, é difícil para os seres apegados à necessidade de ser, estar e fazer. Mas, apesar disso, é isso que se faz, é assim que se conquista a liberdade do ego.

Viva o que você tem para viver, sem se preocupar em saber se está “certo”, se isso lhe aproximará de Deus e sem querer saber o que está fazendo. Quando achar racionalmente que colocou o coração à parte, viva esta informação sem glórias, pois se trata apenas de um achar do ego. Quando achar que não colocou, viva sem a depressão da dor, porque também é apenas uma informação criada pelo ego e não uma realidade.

Sabe, não há conquistas a serem realizadas. Por isso não existem também momentos onde se faça ou se deixe de fazer. O fazer ou deixar de fazer é um dualismo que não existe, que não pode ser realizado. Existe apenas a Unidade, ou seja, o que foi feito.

É difícil se colocar em palavras para egos ocidentais estes valores, estes conceitos, porque para vocês só existe o “sim” e o “não”.

Já alertei diversas vezes que quando dou uma determinada orientação não estou negando o seu oposto. Por exemplo: já falei que estudar não tem importância para a elevação espiritual. Aí um ego ocidental me disse: o senhor disse que não devemos estudar.

Eu não falei isso. O que disse é que você não deve se preocupar em ter que estudar. Estudando ou não, mantenha o seu coração longe do êxtase ou da depressão que o ego cria… Mas o ego ocidental não consegue entender isso. Ele acha que se eu disse que o estudo não é necessário estou dizendo que não se deve estudar.

Por isso eu estou dizendo constantemente nestas palestras o seguinte: eu não falo, você ouve. Saiba que a partir da percepção auditiva que Deus dá, Ele também dá uma compreensão que você, por ser apegado às razões, jura que é real. Aí você acha que o que entendeu é o que eu disse, mas não é…

O que você teve foi uma compreensão individualizada dada por Deus. O que eu disse e minhas próprias conclusões não tem nada a ver com o que você acreditou…

Participante: Não precisamos fazer nada, tudo já está criado por Deus. Quais práticas o senhor recomenda para que possamos retirar os véus e nos tornarmos unos?

Boa pergunta… Depois de tudo o que disse, qual a prática você acha que eu recomendaria? A que você fizer. Mas, se você não executar prática alguma, eu recomendo que não pratique…

Veja… Que adianta recomendar a meditação se não for essa a criação de Deus? Que adianta recomendar a oração se, dentro da Unidade, Deus não criar esta ação?

Deixe-me dizer-lhe algo. O ensinamento que estou transmitindo não tem a menor intenção de lhe ensinar a viver. Pelo contrário, ele tem um objetivo específico: mostrar-lhe a necessidade de assistir a vida.

Sabe, quando conversamos a primeira vez sobre ego, no início da primeira palestra sobre este assunto, disse: para se libertar do ego é preciso, antes de qualquer coisa, criar a existência de uma dupla personalidade; você e o ego.

Disse ainda: é preciso compreender que o ego é a personalidade humana e você, não é nada. Ou seja, algo que é incompreensível pelo ego. Depois continuei: a partir daí você deve assistir o ego viver.

Voltando a pergunta que você fez, lhe recomendo, então, assistir a prática que Deus está fazendo o seu personagem humano vivenciar seja ela qual for. Esta é a prática que eu recomendo.

Participante: O espírito é inteligente ou assistente da inteligência. Pode pensar por si ou só capta o existente?

É preciso, antes de respondê-lo, destacar alguns pontos. Primeiro: a inteligência espiritual não tem nada a ver com pensar. O pensamento da inteligência humana não existe no espírito. Sendo assim, o espírito não pensa porque ele não tem uma inteligência humana.

Segundo detalhe. Em O livro dos Espíritos está informado que o espírito é o princípio inteligente do Universo. No entanto, mais abaixo, há outra informação que diz: a inteligência é um dos atributos do espírito. Portanto, a inteligência não é o espírito.

NOTA: Perguntas 23 e 24.

Sendo assim, o espírito é inteligente, mas a inteligência não é o espírito.

Já disse que inteligência do espírito não é a material. O espírito se utiliza duma inteligência, mas esta não tem em seu funcionamento nada a ver com pensar. Apenas para colocar em palavras, posso dizer que a inteligência do espírito é emocional e o seu funcionamento o leva a amar. A inteligência do espírito, então, é a propriedade que o faz amar…

Agora, como você não sabe o que é inteligência, o que é amar ou o que é propriedade, não queira saber o que o espírito faz. Pela razão você jamais saberá o que o espírito faz…

Agora que já disse que você não de preocupar-se com isso, posso lhe responder se as “idéias” do espírito são próprias ou não.

O espírito nunca tem “idéias” (sentimentos) próprias, porque tudo vem de Deus. O espírito recebe o amor e emana o mesmo sentimento para o Universo. Como ele apenas pulsa o amor recebido de Deus e se a inteligência dele é a capacidade de amar, lhe respondo que ele não tem “idéias” próprias.

Mas, com respeito a idéias próprias, sejam elas de que tipo for (racionais ou sentimentais) quero dizer mais uma coisa. Quanto mais o ego esteja desligado da materialidade, ou seja, seja de um outro nível de consciência entre os que eu citei diferente do humano, menos “idéias” próprias eles tem.

Um ego de um espírito que está em outros planos de vida, ao invés de questionar o que acontece ou de querer criar ações, fala: “Senhor, fazei de mim instrumento da vossa vontade”.

Participante: Comente, por favor, a questão 654 de O Livro dos Espíritos?

NOTA: Pergunta 654. Tem Deus preferência pelos que o adoram desta ou daquela maneira? Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que não os tornam melhores para com seus semelhantes.

Essa também é uma afirmação de Cristo. Ele diz assim: vocês não sabem o que está escrito na Bíblia quando Deus diz que não quer que queimem incensos em seu louvor, mas que sejam bondosos de verdade.

Acho que esta pergunta que você pinçou reforça tudo o que eu falei. Deus dá preferência – neste caso não podemos entender a preferência dentro dos valores humanos, mas sim que Deus dá consciência da Unidade – a quem presta homenagens a Ele (ama) de coração e não de razão.

Deus não quer alguém que sabia que ele é bom, que Ele é o senhor. Ele não quer quem saiba, ou seja, conheça racionalmente. Deus dá a consciência da felicidade prometida por Ele a quem se liga sentimentalmente. Mas, para poder dar ou não esta consciência, ele utiliza como parâmetros a utilização do bem e do mal pelo espírito.

Esta frase pareceria óbvia se aplicássemos os valores humanos, mas o bem e o mal não podem ser tratados com valores humanos. Não se pode a partir de concepções humanas ditar valores espirituais ou divinos.

Deus prefere aquele que separa o bem do mal, mas o bem espiritual nada trem a ver com o “bom” material. “Bom” é aquilo que você acha bom (gosta, quer) e bem é aquilo que vem de Deus.

O mal é a própria razão humana, porque ela é dualista e egoísta, enquanto que o amor é Unidade e Universal. Já espiritualmente falando, o mal não pode existir, porque senão o Universo seria dual. O mal também é o bem porque está na Unidade.

Portanto, no texto acima, o Espírito da Verdade afirma que Deus “prefere” (dá consciência da felicidade que tem prometido a Seus filhos) aqueles que vivenciam tudo como vindo de Deus, pertencentes a Unidade.

Participante: Se tudo já está feito, como posso fazer o bem e evitar o ma?. Posso entender que este fazer o bem como uma postura baseada nos sentimentos independente do ato físico?

Baseando-me no que acabei de responder, posso lhe dizer que você pode fazer o bem amando a tudo o que você e os outros fazem. Não amando ao outro ou o que é feito, mas amando a Deus. Estando em conexão amorosa com Deus.

Participante: Como saber o que vem de Deus se o ego sempre interfere?

Realmente esta é uma dúvida imensa… Mas, se levarmos em conta tudo o que falamos até agora, ela é banal…

Afirmamos que o ego não existe como um elemento autônomo, mas que se trata apenas de um instrumento ilusório do qual Deus se utiliza para criar as provações do espírito. Ora, se é assim, só podemos depreender que tudo vem de Deus, mesmo aquilo que o ego diz. Sendo assim, não há para você saber, não é mesmo?

Na pergunta 1 de O Livro dos Espíritos está escrito que Deus é a Causa Primária de todas as coisas. Todas… Se isso é verdade, mesmo quando seu ego diz que algo não veio de Deus, o que o ego está acusando como não oriundo e a própria afirmação, vieram do Pai.

Portanto, ame o seu ego – mantenha o seu coração equanimente enlaçado com Deus – se ele disser que Deus fez ou não aquilo, que você está ou não unhido sentimentalmente com o Pai.

Veja bem. Na Unidade não se pode dizer que alguma coisa venha de Deus e outras não. A Unidade é Uno, é tudo, mesmo que o seu ego diga que não é.

Participante: Mas, como humano não sei o que é amar…Como fico então se só tenho que amar?

Veja, se você como humano tem a consciência de que não sabe amar, porque então quer saber como amar?

Desculpe o que vou lhe dizer agora, mas é preciso alertá-lo de um aspecto do seu ego para que você não deixe o seu coração se contaminar com isso.

Repare: é a quinta ou sexta pergunta que você, ego, me faz onde o teor buscar saber como ou o que fazer. É também, a quinta ou sexta vez que eu, ego, vou lhe responder: não há nada a ser feito. Você precisa apenas assistir o que Deus cria.

Preste bastante atenção a isso, pois se estiver fixo na razão, ou seja, com o coração vibrando o desejo de conhecer que a razão está criando, você não terá condições de vislumbrar a Unidade.

Sabe, lhe respondi no início a primeira palestra quando você disse que o espírito era o co-criador. que ele é o assistente. A partir desta informação lhe pergunto: o que é a personalidade humana? A tela onde Deus projeta o filme para o espírito assistir.

Portanto, não queira ser co-patrocinador do que a tela está exibindo. Apenas assista a pergunta, ou seja, não deixe o seu coração compartilhar com as criações da razão.

Além do mais, não me queira mal. Toda pergunta que você, ego, me perguntar como o humano faz algo, tenho que lhe responder dessa forma: o humano não faz nada porque ele é simplesmente uma projeção, uma emanação de Deus. Além do mais, ele é uma projeção ilusória, porque nem existe…

Participante: Faça o que você fizer, estará sempre fazendo a vontade de Deus. É isso?

Não, faça o que você fizer será a vontade de Deus.

Não é você que faz a vontade de Deus: o que é feito é que é a vontade do Pai. Você não faz nada… Aliás, nem existe…

Participante: Cristo disse que faríamos o que ele fez e mais. Em que sentido e como é possível isso? Dá para alcançar algo além de se comungar na pureza do espírito?

Por favor, me responda: você fala que Cristo afirma que você fará o que ele fez em atos?

Participante: Não. O que ele fez em realizações espirituais.

Então a resposta é sim: você fará o que Cristo fez em realização espiritual. Você, espírito, terá a consciência do amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Você, o espírito… Não você, o humano.

Mas, apesar desta resposta, deixe-me fazer outra. O ego, a personalidade ilusória e transitória que o espírito vive como real, poderá um dia amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, ou seja, alcançar a realização espiritual que o ego Jesus Cristo alcançou? Sim, poderá…

Mas, não um ego humano, uma personalidade do Mundo de Provas e Expiações. Quem poderá realizar isso é a personalidade (ego) que será vivenciada pelo espírito no Mundo Celestial ou no Mundo Feliz.

Quem poderá realizar o que o ego Jesus Cristo realizou é a personalidade que o espírito se ligará em outros sentidos de encarnação e não o deste. Mas, para isso, ainda tem muito chão então é melhor deixar para lá.

Participante: Mas, como mais do que ele?

Veja, a sua assombração de achar que pode fazer mais que o mestre surge porque você venera Cristo. Acha que ele é algo de extraordinário, mas não é. Trata-se de um espírito em desenvolvimento igual a todos que estão aqui.

Cristo nasceu como você, espírito, nasceu. Passou pelo processo de evolução como você está passando pelo seu. Alcançou um patamar que você alcançará e poderá ele, então, estagnar e você não.

Salomão ensina assim: aos mestres devemos respeito, mas amor só a Deus. Não idolatre Cristo, não o coloque como um super espírito, porque ele não é. É um espírito igual a mim e a você. Ele foi gerado por Deus na eternidade com a mesma carga genética de todos os outros.

Eu já falei sobre esta idolatria quando disse que Jesus Cristo e Hitler são farinhas do mesmo saco. Sim, são, pois são dois egos criados e administrados por Deus e vivenciados por espíritos exatamente iguais entre si porque foram criados os dois à imagem e semelhança de Deus.

Participante: No Bhagavad Gita, Arjuna não quer entrar no campo de batalha porque terá que lutar contra seus amigos e parentes que tanto lhe ajudaram. Como poderia, então, matá-los… Pode falar sobre isso? Quem são os amigos e parentes de Arjuna?

Antes de qualquer coisa, é preciso que compreendamos que a história narrada no Bhagavad Gita é simbólica não Real. Na verdade nunca existiu esta batalha, assim como muitos acontecimentos que estão descritos como realizados por Cristo não aconteceram. Existiram Cristo, Arjuna e Krishna, mas muitos dos acontecimentos em si são parábolas.

Voltando a sua pergunta, na história do Mahabarata – o Bhagavad Gita faz parte de um livro maior chamado Mahabarata – o pai de Arjuna morre e o seu irmão assume a administração dos bens dele no lugar dos filhos (Arjuna e seus irmãos) porque eram pequenos.

Acontece que o tio de Arjuna acaba roubando as terras do que pertenciam à família dele. Quando Arjuna e os irmãos crescem, eles reclamam esta terra de volta. Inicialmente o tio dá um pedaço desta terra para eles, mas depois, a toma de volta.

Neste momento, orientado por Krishna, a família do Arjuna entra em guerra com a família dos tios. É esta a base da história que dá origem aos ensinamentos do Bhagavad Gita.

Apesar de incitado por Krishna, o Senhor Supremo segundo os hindus, Arjuna diz que não quer matar os seus parentes, os seus amigos. Na hora da batalha ele se recusa a atacar e Krishna, então, tem a conversa narrada no Bhagavad Gita onde o incita a cumprir a sua obrigação…

Para que Arjuna possa compreender a necessidade de batalhar, Krishna diz a ele: você não matará ninguém, pois o espírito não morre, não se machuca e nem se molha. Diz mais ainda: aquele que acha que mata ou que morre é um idiota, pois ninguém e morre ou mata.

Este é o fundamento do Bhagavad Gita. Mas, além deste ensinamento espiritual, tem um detalhe tão importante quanto este na fala de Krishna. Durante a conversa Krishna dá a Arjuna um motivo material para ele deveria matar seus parentes: o fato de ser um guerreiro…

Krishna fala assim: mesmo se esquecermos o espírito, nós temos que levar em conta que você é um guerreiro. O guerreiro tem que lutar para matar e se ele não faz isso, fica desonrado.

Eis aí um grande ensinamento: na vida carnal existem coisas que são necessárias serem feitas. Quando você, em nome de falsas e hipócritas bondades acusa-se por praticá-las, quem se desonra é você…

Participante: Krishna estaria se referindo ao ego?

Quando fala o que? Por favor, me responda o que você quer saber quando pergunta se o Sublime Senhor estaria se referindo ao ego…

Participante: Quando fala simbolicamente em amigos e parentes…

Não. Quando ele se refere aos amigos e parentes não está falando do simbolicamente ego neste momento. Estes personagens são simbolismos para os apegos e as paixões que o ego tem.

A simbologia utilizada quando Krishna incita Arjuna a lutar contra seus parentes e amigos é o ensinamento que você deve lutar contra suas paixões e posses. É isso que quer dizer esta passagem.

Arjuna no Bhagavad Gita simboliza um ego e há o anuncio para esta personalidade humana que ela deve lutar contra aquilo que preza, que acha importante materialmente, aquilo que dá valor. É esta a simbologia…

Participante: Uma pergunta sobre os sete níveis de consciência que o senhor já falou… Eu fazia idéia de que estar no primeiro plano de consciência é estar de posse da maior e mais clara consciência e estar na luz e no amor que o Pai nos dá…

Sim, isso é estar no primeiro plano.

O primeiro plano é a consciência primária do espírito, a consciência espiritual do espírito. Mas, neste plano, pouquíssimos vivem. Só possui esta consciência aqueles que não mais estão apegados a orbes planetários algum.

Aliás, nem Cristo está neste plano… O espírito que é chamado por vocês de Cristo, por estar ligado ao orbe terrestre, ainda precisa estar em planos mentais diferentes do primeiro, apesar de já merecer vivenciar a sua consciência primária.

Cristo é um espiro que abriu mão de viver a sua realidade espiritual e ficar preso a consciências mais criadoras de ilusão para poder servir a irmandade espiritual.

Participante: Em qual plano você se encontra, ou seja, após este momento de falar conosco, em qual plano de consciência você se sintoniza?

Eu vivo atualmente entre o sétimo e o sexto plano de consciências.

É preciso que eu esteja nestes planos para poder executar este trabalho que estou fazendo. Se tivesse em outro, não teria realizá-lo porque as realidades dos demais planos de consciência não são compatíveis com aquilo que você pode ver ou ouvir…

Participante: Gostaria de saber de você espírito e não de Joaquim. Quero saber onde você, o espírito, se encontra?

Eu estou ligado ao Joaquim enquanto durar esta missão. Por isso estarei onde Joaquim estiver…

Participante: O senhor diz que tudo é ilusão… Gostaria de saber, então, se durante as vivências de Jesus na carne, como nas curas, desobsessões e milagres, ele estava se iludindo com as coisas da matéria?

Quem você me pergunta se estava se iludindo? Jesus ou Cristo?

Participante: O cristo encarnado…

Não existe Cristo encarnado… Existe Jesus, um personagem humano, um ego, que estava ligado a um espírito que serviu de médium para o Cristo Universal, o Interplanetário. Cristo não encarnou: por isso fiz esta pergunta.

Respondendo-lhe, digo: enquanto se viva os acontecimentos da vida Jesus Cristo, o espírito que estava ligado ao ego Jesus estava iludido, mas o Cristo Interplanetário não… Apesar de não estar de posse de sua consciência primária, ele não ia cair nesta ilusão…

Participante: Então Jesus era o ego de Cristo?

Jesus foi um ego de um espírito que não tem nome cor, sexo ou religião, mas que também não é aquele que vocês chamam de Cristo.

Vou lhe dar um exemplo para ficar mais claro. Chico Xavier era um ego que estava ligado a um espírito. Mas, ao mesmo tempo em que este ego estava ligado a um espírito, por funções próprias suas, servia como médium para Emanuel, André Luiz…

No caso de Jesus e Cristo é o mesmo processo. Havia um ego que estava ligado ao espírito que chamarei de Jesus e o Cristo Interplanetário se utilizou deste espírito ego para trazer suas mensagens. No momento desta união e enquanto ela durou existiu o Jesus Cristo, ou seja, o Jesus médium trabalhando com o espírito Cristo Interplanetário.

Esta união começa depois do batismo no Rio Jordão, quando aparece a pomba e diz: este é meu filho querido. Ali começou o Jesus Cristo… Por isso é que todos os evangelhos citam esta passagem como marco, como início da missão de Cristo.

Antes havia Jesus o Nazareno, Jesus filho de José. Era este personagem que existia e ele era o ego de um espírito que não é aquele que dizemos que é o Governador Geral do planeta.

Participante: Cristo, então, são várias consciências numa só?

Não… Repare o exemplo que dei: Chico Xavier era várias consciências numa só?

Não, Cristo é uma individualidade, um espírito, um ser espiritual universal que você chama de Cristo, ao qual se refere como Cristo. Ele não se auto-denomina assim, porque não se identifica. Saiba que no mundo espiritual, apesar da existência da individualidade, os espíritos vivem em universalidade e, por isso, não se identificam, não se separam dos outros.

Portanto, o que vocês chamam de Cristo é um só espírito. Agora, este ser universal para transmitir os ensinamentos utilizou-se de um outro espírito e de um personagem humano, ego, ao qual este outro espírito, que vocês chamam de Jesus, estava ligado.

Participante: Quais são as propriedades que o espírito manifesta no mundo material?

O espírito? O espírito só tem uma propriedade. Só existe uma coisa que ele faz na Realidade e que, para informá-lo sobre ela, terei que dar um nome qualquer para você possa criar uma idéia na sua cabeça. Dentro desta idéia ilusória, então, eu diria que o espírito “espiriteia”.

Saia de uma coisa: o que o espírito faz é inconcebível ao ego humano. Ilusoriamente ele imagina que está vivendo a vida que o personagem, o ego, vive… Mas, ele não está vivendo o que o personagem vive: ele tem a ilusão de estar vivendo a ilusão que é a vida do personagem…

Veja bem… Você, o personagem, o ego, tem raiva de alguém. O espírito que está ligado a você personagem está “espiritando” no Universo, mas por viver esta ilusão como realidade, acredita que está tendo raiva.

Então, além da raiva ser ilusória, há uma ligação ilusória do espírito com a raiva que o faz imaginar que está tendo raiva, mas ele está apenas “espiritando”.

Participante: As tentações são criações do ego. Até que ponto o espírito desencarnado espiritando por aí mantém, ou seja, se deixa levar pelas ilusões humanas?

Não, as tentações não são criações doe go. São criações de Deus através do ego. As tentações são a base da provação do espírito e, por isso precisam ser criações de Deus e não do ego.

Aliás, o ego não pode criar nada… Por que? Porque o ego não existe. Ele é uma ilusão que Deus cria e que o espírito ilusoriamente acha que é real.

Então, as tentações são criadas por Deus.

Continuando a lhe responder: deixar-se levar pelas ilusões materiais depois do desencarne depende do que você acredita como encarnação.

Se você acredita que encarnação é ligar-se a esta carne, não saberia lhe responder. Isso porque para mim, estar ligado a esta carne ou não, tanto faz porque, afinal de contas, a carne não existe: ela é uma percepção que Deus cria através do ego…

Agora, se você fala em desencarnado como livre da sétima consciência eu diria que este espírito está livre da provação e por isso não viverá a tentação.

Para podermos bem compreender o assunto é importante compreender que as tentações às quais você se refere, só existem para o ser humanizado, ou seja, para o sétimo grau de consciência de um espírito. Elas não existem para os demais planos de consciência. Para estes outros planos, existem outras tentações, porque existem outras provações.

Portanto, esta tentação a que você se refere – as tentações do Cristo no deserto, que não existiram, que não aconteceram, mas tratam-se apenas de uma parábola para explicar a provação que o espírito está fazendo – acaba quando termina a ilusão de achar que a sétima consciência é real.

Participante: Nos ensinamentos judaicos Deus criou as trevas onde nos situamos, por isso nos identificamos com o ego e não temos consciência de nossa partícula divina. Segundo este mesmo ensinamento, esta é a causa da individualidade criada pelo amor divino. O senhor concorda com isso?

Eu só mudaria uma palavra. Sabe, às vezes existem palavras que são utilizadas e com se arrasa toda uma lógica.

Na verdade, as trevas – ou mundo carnal, que é o que o judaísmo chama de trevas – confere o individualismo ao espírito e não a individualidade. O espírito fora das trevas, ou seja, no Reino do Céu, com Deus, é uma individualidade só que não tem individualismo.

Ao ligar-se a este ego, por acreditar que ele é o ego, ou seja, por você acreditar que é a pessoa humana que imagina ser, torna-se individualista. Por que? Porque a base de formação do ego é o egoísmo.

Todo ego humano possui na raiz o egoísmo. Esta é uma informação do espírito da verdade e é uma Realidade.

Participante: Os sete planos de consciência são simbólicos porque existem muitos estágios entre um plano e outro. Não é mesmo?

Não…

Veja, um plano espiritual é um plano espiritual. Ele é determinado por uma faixa, não por uma linha fina. Esta faixa deve ser o que você chama de subdivisões. Apesar de você dizer que existem várias subdivisões, na verdade, existe ali um único plano, não importando o intervalo exista dentro dele.

Mas, vou continuar a responder-lhe. Apesar de antes ter lhe respondido com um não, agora digo que sim…

Sim, os planos de consciência podem possuir várias subdivisões, se você assim imaginar…

Aprenda: os planos de consciência são simbólicos, já que todos eles, com exceção da consciência primária do espírito, não existem. São planos ilusórios de consciências ilusórias que criam realidades ilusórias…

Sendo assim, se dentro da sua realidade ilusória o plano tiver subdivisões, ele terá… Agora, na Realidade, não há planos separando o Universo, nem mesmo os sete que eu relacionei.

O universo é Uno, Único e Constante. Sendo assim, o espírito não pode mudar de um plano para outro. Ele sempre vive num mesmo plano. O que muda é a ilusão que ele vive… Mas, como a ilusão é uma ilusão, posso dizer que ele ilusoriamente muda de ilusão…

Participante: Poderia dizer porque quando Kardec pergunta em O Livro dos Espíritos como se conhece um homem de bem, o Espírito da Verdade responde que é através dos seus atos corporais e a sua capacidade de antever a vida espiritual. Você não disse que os atos corporais nada são?

Sim, eu digo e continuo dizendo: os atos matérias são meros teatrinhos…

Veja… O espírito de “bem” (elevado) realmente se reconhece pelos seus atos, mas não apenas por eles. O reconhecimento como tal depende ainda da sua capacidade de, ao praticar atos, vislumbrar o outro mundo. Repare bem que uma coisa não se desliga da outra.

Portanto, o espírito elevado se reconhece quando ele, ao vivenciar um ato, está prestando atenção no mundo espiritual e não no material.

Sendo assim, o ser que quiser levar vantagem durante um determinado acontecimento estará vivendo um ato prestando atenção no mundo material. Agora quem não quer levar vantagem, está vivendo o mesmo ato olhando o mundo espiritual.

Este é o primeiro detalhe na resposta do Espírito da Verdade… Segundo detalhe: ele não relaciona na sua resposta um rol de atos positivos…

Em nenhum momento – e já estudamos O Livro dos Espíritos todo – o Espírito da Verdade mostra quais os atos são considerados “bons”. Ele não fala: apenas afirma que se reconhece pelos seus atos “bons”, mas que atos são estes?

Em alguns grupos islâmicos, por exemplo, um ato “bom” é explodir uma bomba contra israelenses com o preço da sua própria vida. Se seguíssemos a lógica que você usou na sua pergunta, o ser que vivesse este ato é um espírito elevado, pois está praticado um ato considerado “bom” de acordo com a visão daquele povo…

Cuidado para não confundir os ensinamentos dos mestres com os seus conceitos sobre a vida…

Porque você leu que o Espírito da Verdade disse que o espírito elevado se reconhece pelos seus atos, já imaginou que se reconhece que um ser é “bom” por aquilo que você diz que é “bom”…

Participante: Mas é citado “atos corporais”. Isso quer dizer atos materiais, não?

Sim, são pelos atos materiais, mas não apenas por eles.

Foi o que falei no primeiro detalhe. Ele diz que o espírito é reconhecido como de bem não só pelos atos, mas quando pratica as ações olhando para o mundo espiritual, tendo a intenção presa àquele mundo.

Isto, no entanto, não invalida a segunda coisa que falei, pois não importa que ação material estejamos nos referindo, pois o Espírito da Verdade não diz o que é um ato “bom” ou não…

Na verdade, já debatemos a questão do “bem” e do “bom”. “Bem” é tudo que vem de Deus; “bom” é aquilo que você gosta do que Deus faz.

Sendo assim, posso traduzir o ensinamento do Espírito da Verdade da seguinte forma: o espírito elevado é reconhecido quando pratica atos que ele considera “bons”, ou seja, que estão de acordo com os seus próprios valores de bondade, ligando-se no mundo espiritual, ou seja, sem deixar a intencionalidade egoísta – que no fundo é o mundo material – predominar em seu coração…

Foi exatamente o que respondi e que, aliás, sempre venho dizendo…

Participante: O que é memória espiritual?

Acúmulo de informações que o espírito recebe na sua memória primária. Só posso lhe responder isso, pois o que está na memória primária do espírito você não poderia compreender…

Saiba que na memória espiritual não estão as lembranças dos casamentos que teve, dos filhos que gerou, mas sim informações que são realmente importantes para o espírito.

Na memória primária do espírito não está a Maria com a qual ele casou há dez encarnações atrás…

Participante: Os conhecimentos intelectuais das diversas encarnações se somam na memória do espírito?

Se somassem, vocês teriam cabeça de duzentos metros, para poder guardar tanta informação…

Veja, você já viveu na Roma antiga e por isso precisou conhecer tudo que era real naquele tempo. Depois foi para os países baixos, foi ser um viking, teria que conhecer tudo de lá. Depois foi para a África viver numa tribo: seria necessário outro tipo de cultura para sobreviver lá…

Todo este acúmulo de conhecimentos matérias, no entanto, não teria nenhuma utilidade hoje para você que vive neste século no Brasil… Por isso, o conhecimento intelectual de uma encarnação encerra-se quando ela acaba.

Aliás, se vocês guardassem estes conhecimentos, nenhuma criança precisaria ir a uma escola para aprender a ler, não é verdade?

Participante: Sempre vejo que as pessoas falam do mundo material e espiritual como se estivessem separados, dando a impressão que existe uma distância geográfica… Não sinto assim… Sinto que tudo está fundido em uma única emanação de Deus. Este sentimento é coerente ou uma ilusão do ego? Como colocar “espíritos” na vida na nossa caminhada terrestre?

Vamos a primeira parte…

A idéia da existência do mundo espiritual à parte do mundo terrestre foi criação do espiritismo. Esta informação não foi dada pelo Espírito da Verdade…

Isso porque todo o ensinamento deste mestre tem como objetivo mostrar a existência do mundo espiritual ativo e a sua correlação com o mundo material. Nestes ensinamentos fica bem claro que os espíritos se comunicam diretamente com os encarnados e, por isso, que não existem distâncias entre eles.

Portanto, a idéia de que existe um mundo espiritual separado geograficamente do mundo material é uma criação do espiritismo, da filosofia espírita que os egos humanos criaram a partir dos ensinamentos que o ego Kardec escreveu…

Mas, não há distinção entre mundos a partir do momento que você entenda a linha oriental e os ensinamentos de Cristo que dizem que o Universo é Único, Uno e Estável. Num Universo que seja Uno, não pode haver dois lugares…

Agora, você me pergunta se esta sensação que você tem é do ego, e eu respondo que sim, é do ego… Mas, nem tudo que vem do ego é “errado”.

Tudo que vem do criador de realidades é uma prova e não uma mentira… Prova para que? Para ver se você se prende ao que ele diz como verdade.

Quando isso acontece, você adquire uma posse moral, uma sabedoria. Neste momento o ego criará situações onde defenderá esta possessão e você perturbará o seu coração com esta criação do ego…

Segunda pergunta sua: como trazer o espiritual para o material… A resposta é simples, apesar de complexa…

Veja, através do ego você não pode trazer o espiritual para o material. O máximo que poderá fazer é, comparativamente, criar idéias matérias do que seja o mundo espiritual. É isso que fazem aqueles que afirmam que existem cidades espirituais, umbral, etc…

Não existe plano superior ou inferior, pois o Universo é Uno. Nada disso pode existir, pois o Universo é Uno…

Então, você não pode trazer o espiritual para o material… Mas, se eu disse que isso é possível, como fazer então para trazê-lo? Mantendo seu coração no espiritual…

Mas, o que é isso? É alcançar a equanimidade com relação às coisas da vida. Ser equânime é praticar o amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo que Cristo ensinou…

Participante: Com tanta ilusão é duro manter o coração no caminho certo…

Quero aproveitar sua afirmação para falar algo muito interessante. Vou mostrar algo importante a partir do que acabou de ser falado: é difícil fazer o que você fala…

Sim, eu concordo, é difícil fazer o que eu falo… Mas, antes de qualquer coisa, pergunto: o que eu falo, o que ensino?

Esta pergunta é importante porque muitos me dizem que é difícil fazer o que eu falo, mas o que será que realmente eu falo? Por favor, me respondam: para você o que é que eu falo?

Respostas dos participantes: Para não fazer nada… Fala que viver é simplesmente viver, louvar a Deus e ponto final… Pelo que tenho conhecido de você, acho que tudo que fala é uma grande provação para quem ouve… Você fala que tudo é ilusão e que por isso não devemos nos importar com os acontecimentos materiais e nos mantermos em paz… O senhor nos abre a mente do ego para a consciência do espírito da integração a Deus… Fala para continuar a viver como antes… Fala que existe um único estado de integração com Deus… Oferece uma possibilidade de nos universalizarmos… Nada… Ensina a verdade de Cristo: amar… Nos ensina a divinizar tudo já que tudo é Deus…

Alguns até falaram conseqüências do que eu ensino, mas o meu ensinamento tem um ponto que, por estas respostas, imagino que o ego de vocês ainda não trouxe a razão. Este ponto que está por trás de tudo o que falo é o despossuir…

Não importa o que eu diga – não importa se digo que tudo é ilusão, se estou querendo universalizar ou ensinar o que é amar. Não importa as palavras que use, no fundo a minha intenção é sempre dizer: é preciso despossuir as coisas do mundo…

Quando falo que não deve preocupar-se com desobsessão, afirmo que é preciso despossuir a capacidade ilusória que tem de fazer desobsessão. Quando digo que você não deve se apegar a sentimentos familiares, afirmo que deve despossuí-los, pois eles só pertencem a este mundo…

Ou seja, em tudo que o seu ego cria como locução minha há sempre a intenção de lhe transmitir um elemento do qual deve desapegar-se. É isso que digo sempre…

A partir deste fundamento e ainda motivado pela afirmação que foi feita (Com tanta ilusão é duro manter o coração no caminho certo…), volto a perguntar: por que é tão difícil a um ego humano despossuir o mundo material?

Por favor, me respondam: por que vocês acham que para um ego humano é tão difícil despossuir as coisas materiais?

Resposta dos participantes: Porque confundimos o que somos com o que possuímos… Por causa do desejo… Se desposuíssemos, teríamos a ilusão de não ser mais… Porque a gente não sabe o que nos espera… Porque vivemos no mundo material e, por conseguinte, não vemos o espiritual… Teríamos de abrir mão de tudo que desejamos… Porque gosta e se vicia com as emoções aqui oferecidas… Falta de fé e medo de não ser… Porque nos condicionamos às referências do ego, em especial às práticas do meu e seu… Porque não sabemos que a vida Real é a espiritual e não o aqui…

Nada disso…

O ego não é capaz de despossuir as coisas – e quando falo em coisas estou falando nos elementos materiais, nos amores e desamores e nas verdades e mentiras que cada um possui – porque precisa destas paixões para criar a ilusão do comando sobre as coisas da vida…

Sem que você tenha paixões, ou seja, sem que tenha posse de objetos, amores e desamores, certezas e mentiras, o ego não conseguiria lhe vender a ilusão de você estar comandando a sua vida…

Eu vou dar um exemplo muito antigo. Quando em uma palestra falei que era necessário despossuir o sentimento familiar, uma pessoa me disse: como, então, vou exercer a função de provedor de minha família? Olha a ilusão do controle: achar que é ele que provê a família de alguma coisa. Que sem ele a família morreria de fome…

Outro exemplo… Algumas pessoas já me disseram que a partir da idéia do nada, passaram a ter medo da morte. Eu respondi: você não passou a ter medo da morte por causa do nada. O que aconteceu, na verdade, é que você perdeu o controle que tinha sobre a morte (saber de antemão o que ia acontecer) e por isso o ego gerou o medo…

Esta pessoa, como, aliás, muitos espíritas, imaginavam que sabiam o que é morrer, o que ia acontecer depois do desencarne… Como eu destruí esta paixão (verdade, saber), o ego criou o medo e justificou-o pela falta do controle sobre o futuro, pela incerteza do que lhe acontecerá…

Aí estão dois exemplos do que falei: o ego jamais deixará de criar paixões para poder explorar a sensação do poder (conhecer) e comandar o futuro…

Agora, respondendo diretamente a quem me disse anteriormente que é muito difícil por na prática o que ensino, respondo: é sim… É muito difícil por na prática porque o ego incita e o espírito aceita a ilusão de ter o comando da vida, em qualquer dos seus planos de existência…

Mas, este comando é apenas uma ilusão e não uma verdade…

Sabe, a vida, aquilo que é o dom de Deus, aquilo que o Pai confere a seu filho, aquilo no qual Ele é a Causa Primária de todas as coisas não pode ser comandada pelo ser humanizada, como o ego afirma. Acreditar, como afirma o ego, que é você quem a comanda e que Deus não faz nada, não manda nada, é no mínimo dissociar-se do Senhor…

Acreditar quando o ego afirma que, se você quiser, pode ir ou voltar de algum lugar, que pode fazer algo contra alguém ou tomar uma atitude sublime com relação a uma outra pessoa de acordo apenas com a sua vontade, como se estivesse sozinho no Universo e o resto da espiritualidade não existisse, como se eles não tivessem direitos é uma grande prova de egoísmo…

O controle da vida: esta é a ilusão maior que o ego cria para lhe prender a humanidade.

Sem as paixões humanas, lhe diz o ego, você não terá controle sobre sua vida e aí os outros agirão sobre ela. Como o ego se baseia no egoísmo e o espírito que o aceita como real também, o criador de realidades ilusórias diz: como você poderá levar vantagem sobre os outros se não tem o controle da situação?

É por isso que é muito difícil colocar em prática o que ensino…

Outro dia me disseram uma coisa muito interessante: sem colocar o ensinamento Deus causa Primária de todas as coisas, tudo o que você fala perde sentido. Perde sim…

Enquanto você não entregar o comando desta existência a Deus, ou seja, viver ao Deus dará, nada conseguirá… Isto porque você estará peso na ilusão que o ego cria de que é você que comanda a sua vida.

Acreditará que é você que faz desobsessões, que sustenta casa, que dirige o carro… Ora, aqui não tem nenhuma criança para acreditar nisso… Ou melhor, nenhum adolescente, pois a criança sabe que a vida acontece por ela mesmo… Aqui tem espíritos velhos vivenciando egos velhos (com experiência) que já cansaram de programar a vida de uma forma e a programação não acontecer.

Aliás, temos um exemplo bem perto de nós disso… Lembram da semana passada? Estava todo mundo controlando a sua vida para poder estar presente no horário da reunião para conversarmos, mas quando chegaram aqui não encontraram nada…

NOTA: Na semana anterior, por problemas na Internet, não houve condições de se realizar o encontro no Chat…

Que controle então você tem? Que palestra vocês ouviram na semana que passou? Nenhuma…

Mas, se vocês tivessem controle sobre o que acontecesse nas suas vidas teriam que ouvir alguma coisa porque programaram que isso ia acontecer… Teriam que ter ouvido porque tinham decido que iam ouvir…

É isso que pode ajudá-los…

O que pode lhes ajudar a colocar em prática os ensinamentos é entender que não tem controle algum sobre os acontecimentos das suas vidas. A partir desta conscientização podem, então, parar de querer ter determinados objetos, amores e desamores, certezas ou não certezas… Isto porque se conscientizarão de que estas coisas só servem para lhes dar a ilusão de que vocês estão controlando a vida…

Quantas vezes já não tiveram a certeza de que determinada pessoa é muito boa e no final ela está lhes passando rasteira? Quantas vezes tiveram certeza que amavam o marido, a esposa ou um amigo e o amor acabou-se logo depois?

Filhos, não tenham certeza de nada, porque a certeza é uma posse, uma paixão… Se entregue a Deus, confie em Deus, viva em Deus, para Deus e com Deus… Nesta frase, que soia mal porque se repete muito a palavra Deus, está toda essência que você precisa compreender…

Todo o resto que conversamos são só palavras. As únicas mensagens que realmente importam são essas:

Viva com Deus. Para isso diga: eu não estou sozinho, Deus está do meu lado…

Viva para Deus: olhe para o lado ao invés de ficar olhando para frente.

Viva em Deus… Para isso tenha a consciência de que tudo que está acontecendo é sempre divino…

Só isso…

Na hora que você colocar este modo de viver em prática conseguirá manter o seu coração ligado na universalidade. Mas, para isso é preciso abrir mão da ilusão de estar controlando a vida…

Participante: O espírito jamais abandona sua primeira consciência; apenas vai se expandindo consciente de ser peça única integrada no Universo através do contato com o fluído cósmico. Está certo este parecer?

Não posso lhe responder porque o raciocínio parte de uma falácia.

A partir do momento que você afirma que o espírito jamais abandona a sua primeira consciência, está dizendo que pode haver o abandono e o não abandono. Isso é irreal: o espírito não pode abandonar a sua primeira consciência…

Para que ele abandonasse a consciência primária teria que haver alguma coisa que fosse assumida. Acontece que todas as outras seis consciências sobre as quais já falei são apenas ilusões e não reais.

Na verdade não existem estas outras consciências: o que existe é a ilusão de haver. Sendo assim, o espírito não pode abandonar uma coisa, já que não há outra onde ele possa estar.

Com respeito a isso quero lembrar mais uma vez o ensinamento de Krishna. “Ó Uddhava, amigo, diz-se que o Atma (ou alma Absoluta) está ligado ou livre de acordo com o ponto de vista que prevalecer em relação aos gunas. Todavia, em verdade, o Atma nunca está preso e, posto que os gunas são aparências criadas por Maya, a meu ver, não existe nem ligação nem liberdade”.

Krishna está ensinando ao seu amigo que, em primeira instância, pode se dizer que a consciência primária do espírito está presa ao ego. Mas, se o ego e a própria idéia de estar preso são apenas ilusões, temos que afirmar que na realidade ela não está presa a nada…

Veja: só acontecerá aprisionamento em quem acreditar no aprisionamento. Mas, o aprisionamento é uma ilusão. É a ilusão de acreditar ilusoriamente numa ilusão…

Portanto, o espírito está sempre na sua primeira consciência e nela tem a ilusão de estar em outras…

Se, no início da pergunta há uma falácia, todo o resto fica prejudicado, como nos ensina o estudo da lógica humana… Por isso não posso lhe responder…

Participante: Sobre tudo estar previsto, o que dizer da pergunta 259 de O Livro dos Espíritos?

259. Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós a previmos e buscamos? Todas não, porque não escolhestes e previstes tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero de provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais; são muitas vezes, conseqüências das vossas próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar. Esses atos resultam do exercício da sua vontade, do seu livre arbítrio. Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele êxito. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais,os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terá que andar cautelosamente, porque há muitas probabilidades de caíres; ignoras, contudo, em eu ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz.

Eu nunca disse ao contrário do que está aí… Sempre disse que – e quando comentei esta pergunta deixei bem claro – o espírito escolhe o gênero de provas e a partir destas escolhas Deus cria os atos.

Olha a diferença entre o que digo e o que você está entendendo… Eu digo que a partir do gênero de provas Deus cria os atos e você imagina que eu disse que todos os atos foram escritos pelo espírito.

Se observar bem o que falo, verá que sempre disse que os espíritos não sabem os atos que vão acontecer naquela encarnação…

Participante: Como, por exemplo, o fato citado da telha cair?

Isso. Mas, ainda vamos chegar especificamente a este ato. Deixe-me acabar de expor o que ensino a respeito do assunto…

Se um espírito pede, por exemplo, para vencer a ganância a partir do não ter, ele sabe que Deus lhe colocará em um nascimento junto a uma família que não tem posses. Agora, como e por que atos esta família vai proporcionar oportunidades para que ele vença a ganância, o espírito não sabe. Isso Deus criará…

É isso que o Espírito da Verdade quis dizer ao responder: Escolhestes apenas o gênero de provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais…

Por que isso? Porque depende do carma dos outros envolvidos. Depende das provas dos demais espíritos.

Deus quando cria uma ação carmatica, um ato humano, dá a cada um segundo suas obras, segundo o gênero de provas que eles pediram. Sendo assim, Ele não pode criar atos visando somente a provação de um espírito, mas precisa criar ações carmaticas que estejam de acordo com o merecimento de cada um dos envolvidos…

Durante o acontecimento desta vida este espírito viverá ligado ao ego reagindo às proposições do criador de realidades amando universalmente ou não. É isso que o Espírito da verdade quis dizer quando afirmou: Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele êxito…

Quando este ser universal não ama, gera a necessidade de uma nova provação sobre aquele assunto. Para isso Deus criará um novo ato específico sobre aquela nova provação. Foi o que disse o Espírito da Verdade: Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais,os que influem no destino…

Então, tanto eu como o Espírito da Verdade dissemos a mesma coisa: o destino, como atos, são criações de Deus e o Pai os cria, inicialmente, de acordo com a opção do espírito por um determinado gênero de provações e, posteriormente, de acordo com a reação deste espírito aos outros acontecimentos.

Mas, este pensamento ainda nos pode dar uma idéia errada do destino. Ele pode nos levar a entender que Deus criará os acontecimentos no momento em que o espírito fizer a escolha de como reagir a um acontecimento… Ledo engano…

Não queira com esta consciência dizer que Deus cria naquele momento a ação carmatica referente a uma determinada reação do espírito, pois a Onisciência precisa saber de tudo antecipadamente. A Onisciência precisa saber antecipadamente qual será a reação do espírito e, por isso, já saber também antecipadamente qual nova ação terá que ser conferida a este ser.

Sendo assim, eu afirmo: Ele já sabia… Pode não ter contado para você, o espírito, mas Ele já sabia…

Ele sabia que em determinado momento teria que fazer uma telha cair na sua cabeça para que o gênero de prova que você pediu acontecesse. Você não sabia, o mundo espiritual não sabia, mas a Onisciência não pode deixar de saber nada…

É neste ponto que digo que o destino está totalmente pré-traçado: na Onisciência. Mas, além da Onisciência, temos que considerar que Deus é a Inteligência Suprema e, por isso nunca erra. Sendo assim, posso afirmar que Ele sabia precisamente o que ia acontecer e que, por isso, o destino já existia. Você não o conhece nem o mundo espiritual ao seu redor, mas a Onisciência com certeza já o conhecia precisamente…

Ficou clara a diferença? Não desdisse uma palavra que o Espírito da Verdade falou, inclusive quando ele disse que alguns acontecimentos decorrem da sua forma de reação no momento atual.

Sim, decorrem, eles decorrem, mas você não pegou Deus com as calças na mão, ou seja, não agiu de forma que Ele não soubesse antecipadamente. Ao optar por isso ou por aquilo neste momento, você fez opção a agora, mas se a Onisciência não soubesse o que você optaria, não seria Onisciência, mas apenas ciência: tomou conhecimento aquele momento. A Onisciência não sabe no momento, mas tem sempre ciência prévia das coisas..

Mas, aproveitando a sua pergunta, deixe-me deixar outra coisa bem clara: o que é ler alguma coisa? É gerar uma interpretação a partir de verdades individuais…

Sabe, você não está lendo o que o Espírito da Verdade escreveu: está interpretando com seus valores o que o Espírito da Verdade escreveu. Esta é a diferença entre o que eu falo o que você entende. Quando eu interpreto o que o Espírito da Verdade falou, o faço a partir de outras verdades e, por isso, encontramos um novo sentido para as mesmas palavras…

Agora, as verdades que eu coloco são universais. As verdades que o ego humano coloca são fundamentadas em conceitos humanos que são individualistas, relativas. Esta é a diferença entre a sua interpretação e a minha…

Sabe de uma coisa? Nós estudamos O Livro dos Espíritos de cabo a rabo, estudamos o Novo Testamento e os textos védicos mais importantes e em nenhum momento eu precisei voltar atrás em algo que já tinha afirmado. Por que isso? Porque o que estão me passando para lhe falar – não é o que eu sei – vem de espíritos que conhecem a Realidade com “r” maiúsculo…

Aliás, lembrei-me de algo que pode nos servir para compreender o que estou dizendo… Levaram uma moeda para Cristo e perguntaram a ele: devemos pagar o imposto? Ele respondeu: a César o que é de César, a Deus o que é de Deus…

Só dá para se pensar no que é de Deus a partir do que é de Deus. Se você quiser criar imagens sobre coisas que de Deus a partir de coisas que são de César, não chegará a lugar nenhum…

Participante: Como perceber a cada momento o que nos desvia no caminho?

Seu egoísmo, suas posses, suas paixões e seus desejos…

Quando você disser assim “eu acho”, está fora do caminho.. Ou melhor, quando você comprometer o seu coração com o “eu acho” que sai da boca, está fora do caminho…

Quando você comprometer o seu coração com o que sai da boca que afirma que alguma coisa é sua, está fora do caminho. Quando comprometer o seu coração com o que sai da boca e afirma que ama ou não alguma coisa, está fora do caminho.

O que lhe tira do caminho é acreditar como Real aquilo que o ego acredita e acreditar como Real é comprometer o coração com o que o ego diz…

Participante: É uma ilusão afirmar que o espírito foi criado puro e ignorante?

Sim, é uma ilusão acreditar racionalmente que o espírito foi criado puro e ignorante porque o significado de pureza e ignorância que você tem é uma ilusão.

O espírito foi criado, agora o jeito como isso aconteceu é rotulado pelos egos humanos como puro e ignorante. Então acreditar piamente nisso é uma ilusão…

Agora, saber que o espírito é a pureza universal e que você não sabe como ele foi criado ou como está agora, não é ilusão…

Participante: Tomando esta consciência que o senhor ensina, de que vale continuar interagindo com a matéria, com os outros e com a natureza da mesma forma que estamos hoje? A mim parece que se não mais interagirmos surgirá uma grande sensação de ilusão. O que tem depois desse desapego da ilusão?

Vamos por parte por que esta pergunta é boa e comprida.

Primeiro: interagir com a ilusão. Você tem duas formas de interagir com a ilusão: conscientemente, através da razão, das criações mentais ou inconscientemente, ou seja, através do coração, dos sentimentos…

De que adianta continuar interagindo com a ilusão conscientemente? Isso não saberia lhe dizer, mas posso lhe afirmar que toda relação consciente é criada por Deus.

Sendo assim, você não precisa saber para que e nem por que deve se relacionar, pois se tiver que continuar relacionando-se – e terá que continuar relacionando-se conscientemente com as ilusões – será Deus que irá criar a relação. Você não poderá deixar de fazê-lo porque, aliás, nem hoje é você que cria esta relação: você vive o que Deus faz…

Este é o primeiro detalhe. Segundo: porque continuar relacionando-se sentimentalmente com as ilusões? Porque esta é a sua prova…

Sabe, o espírito vive a ilusão para poder provar a sai mesmo que aprendeu a relacionar-se com a ilusão amando a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a sai mesmo. Esta é a prova do espírito e por isso afirmo que você não pode deixar de relacionar-se com a ilusão sentimentalmente por vontade própria… Se o fizesse, acabaria com a sua provação.

Você continuará relacionando-se com a sua ilusão enquanto Deus disser que você está em provas. Quando acabar a prova, acaba esta relação, ou seja, a sétima consciência acaba-se. Neste momento você começará a relacionar-se com as ilusões criadas pela sexta consciência.

Isso se chama processo de elevação. Quando vencer as provações da sexta irá se relacionar com a quinta e assim sucessivamente…

Então, não dá para você querer saber porque ou para que de nada, pois tudo continuará sempre acontecendo independente de sua ação. Por isso, não se preocupe com esta questão. Preocupe-se sim em saber como se relacionar com as ilusões… Isso é importante, pois da forma como se relaciona com as ilusões que vivencia hoje depende o seu adiantamento espiritual.

Por isso pergunto: qual a forma de relação que contribui para a elevação espiritual? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Ou seja, quando seu coração for equânime – só tiver a emoção do amor incondicional – terá acabado a prova, terá provado a sai mesmo que aprendeu que isso é a coisa mais importante do universo e aí Deus suspenderá este relacionamento com as coisas do mundo.

Até lá, preocupe-se apenas em como se relacionar coma s ilusões e não no porque ou no para que…

Outro detalhe da sua pergunta: o que sobra depois que você sabe que tudo é ilusão? As mesmas coisas que havia antes…

Preste bem atenção: no processo de evolução o ego não se muda. Nós acabamos de falar que o espírito escolhe antes da encarnação os gêneros de provas. Estes gêneros, então, estarão presentes durante todo processo de provação…

O ego não vai parar de ver e desejar uma mulher onde hoje ele vê e deseja uma mulher. Ele não deixará de ver uma planta onde hoje percebe este elemento. Mais: o ego não irá parar de possuir a planta ou a mulher, ou seja, dizer que é sua, que ama ou conhece, porque esta é a sua provação.

Então, o que acontecerá quando você conscientizar-se de que tudo é uma ilusão? O mundo continuará igual ao de hoje, mas você viverá este mesmo mundo com a mesma vida de hoje tendo o coração em paz, harmonia e felicidade.

Os valores racionais das coisas não mudam. Uma morte continuará sendo uma morte, mas você, liberto da ilusão da vida, não vibrará o seu coração na amargura do outro ter morrido. O que acontecerá na realidade é que viverá a razão da amargura com o coração em paz…

Participante: A razão existe para organizar as informações recebidas?

Não, a razão existe para lhe criar uma consciência – que ela afirma ser realidade – para ver se você prende seu coração a esta razão ou mantém-se em Deus, com Deus e por Deus…

A razão é o tentador, o diabo, o instrumento que Deus cria e usa para propor a você a oportunidade para optar, ou seja, de exercer o livre arbítrio. Em O Livro dos Espíritos está bem clara a função da razão quando o Espírito da Verdade fala em fatalismo…

Ele diz assim: “A fatalidade existe unicamente pela escolha que o espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado” (Pergunta 851).

Mas, o Espírito da Verdade complementa: “Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações o Espírito, conservando o seu livre arbítrio, quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir”.

Um detalhe: bem não é bom. Bem é Deus, o que vem do Pai, o universal; bom é aquilo que o ego humano gosta do que vem de Deus. Como tudo que o ego humano gosta é fundamentado no seu egoísmo, podemos dizer que o bom é o mal a que se refere o Espírito da Verdade…

Para que existe, então a razão? Para criar a oportunidade do espírito exercer o seu livre arbítrio. Se ela não criar um ato egoísta, ou seja, uma consciência fundamentada no egoísmo, não tem como o espírito optar entre o bem, Deus, ou o mal, a sua razão…

A razão só existe para isso. O que você falou – que a razão existe para organizar informações – não é verdade. A razão não pode organizar nada porque ela é um instrumento ilusório que Deus utiliza para criar uma ilusão fundamentada no egoísmo.

Filhos, nunca se esqueçam: o que existe no Universo? Deus, o espírito e a matéria. Todo o resto é ilusão. O seu Deus, você e as matérias decorrentes da razão, não existem no Universo…

Participante: Quais ferramentas posso utilizar para me reconhecer melhor?

Em O Livro dos Espíritos há um comentário de Santo Agostinho que, ao estudá-lo, falei da “Função Espelho”.

Neste comentário, Santo Agostinho diz o seguinte: é preciso conhecer a si mesmo para poder elevar-se. Para isso, continua afirmando o mentor, Deus coloca espelhos à sua frente.

O que quer dizer Santo Agostinho? Que para conhecer a si mesmo é preciso ouvir o que os outros falam de você.

Vou lhe dar um exemplo: que função espelho exerce uma pessoa que diz que você está “errado”?

Quando alguém age desta forma frente a você lhe provoca uma contrariedade. Com esta forma de agir ela está lhe mostrando que no seu ego existe uma paixão por uma determinada verdade…

A contrariedade, o sentir-se contrariado quando o outro diz que você está errado, só nasce porque o seu ego tem uma paixão por uma verdade, se acha certo…

A partir disso pergunto, então, como se conhecer? Ouvindo os outros… Mais do que isso: ouvindo a si mesmo… Ouvindo que possessões do ego os outros estão acariciando ou atacando…

Sabe, se uma pessoa diz que você é bonito e o seu ego gera uma sensação de felicidade, existe aí uma função espelho para lhe mostrar que a sua personalidade humana quer ser chamada de bonita. Se, ao contrário, lhe chamam de feio, existe aí também uma função de espelho que lhe leva a compreender que o ego quer ser chamado de bonito.

O desejo por um determinado adjetivo é oriundo de uma posse. No caso do exemplo que estou usando, é um desejo que tem aquele que ainda possui padrões de beleza… Saber o que é ser belo…

É assim que você se conhece: ouvindo o que outro diz, mas sim como a sua razão reage aos acontecimentos do mundo.

Esta informação está embasada no ensinamento budista que diz que é preciso ter a atenção plena correta para poder se chegar à compreensão correta da vida… Quando você está atento à reação do seu ego aos acontecimentos do mundo, compreende que o outro não lhe ofendeu ou desacatou, mas que a sua razão sentiu-se ofendida porque quer possuir uma verdade…

É assim que se auto reconhece…

Participante: Depois da morte o espírito se desliga do seu ego emprestado? Se a resposta for sim, após a morte o espírito está liberto, ou seja, volta a ser perfeito? Como, então existem espíritos desencarnados tão presos às ilusões materiais?

Pior do que preso às ilusões materiais: existem espíritos sem carne que estão presos à identidade que você chama de encarnação.

O espírito que está ligado, por exemplo, àquela pessoa ilusória sentada ali, acredita que se chama Maria. Mas, Maria é apenas um rótulo que se dá a esta encarnação que este espírito está vivendo. Se ele não entender isso e libertar o seu coração da Maria, quando sair da carne continuará sendo a Maria.

Respondendo-lhe, então, digo que o espírito não se liberta do ego depois da morte física, mas sim quando se liberta da ilusão de ser o personagem que foi durante a vida física.

Só quando ele deixar de ser o ser humano, deixará de ser…

A partir disso lhe digo: encarnação não é vir à carne, mas ligar-se a um ego, a um personagem. Afirmo ainda: a encarnação não começa no nascimento, pois a ligação do espírito com o personagem acontece antes disso; a encarnação não acaba com a morte, pois o espírito continuará vivendo o mesmo personagem fictício se continuar acreditando ser ele…

Participante: Gostaria de saber se é o espírito que encarna ou é o ego?

Se você chama de encarnar o ligar-se à carne, tenho que dizer que nem um nem outro encarnam. Isto porque a carne não existe. Ela é uma percepção que o ego cria.

Agora, se você chama encarnar ligar-se ao ego, digo, ainda que nenhum dos dois encarnam…

Encarnar não é uma atividade física do espírito, mas uma ilusão. Estar encarnado, ou seja, ligado a um criador de realidades humanas, não existe, pois se trata de uma atividade mental do espírito…

Sendo assim, o espírito não encarna, pois continua com sua consciência primaria funcionando e nem o ego que, afinal de contas, é apenas uma ilusão. Na verdade, o que vocês chamam de encarnação nada mais é do que uma “sugestão” mental que Deus dá ao espírito, ou seja, uma ilusão de estar ligado a um ego que é ilusório…

Ficou claro? Olhe, se tiver dúvidas, pode me perguntar… Eu explico as coisas de uma forma tão clara, não é? Não deixo nenhuma dúvida no ar. Não é mesmo?

Participante: Com toda esta questão de ilusão, digo que você tira uma dúvida e deixa dez…

Claro que sim… Você sabe o que é você querer tirar uma dúvida? É querer desatar nós… Mas, veja: que nós você quer desatar se não existe o nó e nem a linha? É por isso que toda vez que vocês tentam desatar um nó aparece dez novos…

Repare se mesmo cientificamente não é assim. Quando a ciência descobre algo novo, surgem logo duzentas novas dúvidas. É através deste processo, tanto na ciência como na espiritualização que se forma o processo de criação de ilusões racionais que vai construindo as provas necessárias para os espíritos…

Bobo é aquele que acredita que descobriu alguma Verdade Absoluta no âmago de uma questão. Isso porque no âmago de todas as questões existe apenas Deus, como ensina o Espírito da verdade. Até chegarmos a Ele existirão milhares de nós e você não pode desatá-los porque o ego humano não possui propriedades suficientes para entender Deus, como também ensinou o mentor do espiritismo.

Participante: Voltando a questão do encarnar ser acreditar que é um personagem humano, eu pergunto: é o espírito que encarna a Maria?

Não, o espírito não pode encarnar a Maria porque não existe carne. O espírito ilusoriamente acha que é a ilusão chamada Maria.

Sim, ilusoriamente o espírito acha que é a Maria porque a Maria é uma ilusão: ela não existe. Ela é apenas uma idéia que o espírito ilusoriamente tem sobre si.

Deixe-me fazer uma comparação para ver se você compreende o que quero dizer… Sabe quem é a Maria? É a ilusão que um espírito que cheirou cocaína ou fumou maconha vive…

Choquei você? Mas, é isso mesmo: o personagem humano está para o espírito assim como as figuras psicodélicas estão para aquele que utiliza entorpecente: uma alucinação…

Sabe, quando um ser humanizado se droga e como resultado começa a viver mentalmente uma série de coisas? Quando ele começa a ter visões psicodélicas de elementos que não existem? É isso…

A Maria é o efeito de uma cocaína espiritual sobre a mente do espírito. Mais nada do que isso. Entendam isso: a Maria, o José, o Fernando, são alucinações que uma mente primária tem e por ela estar fora de si, acredita que aquela alucinação é real.

Então, não pode haver encarnação se não há Maria para se ligar. Há o início de uma alucinação e quem a faz começar? Deus…

Participante: Foi isso que chamei em outra palestra de expansão do plano material como conhecemos para que mais espíritos tenham oportunidade de se liberar das ilusões…

O que você chamou de expansão do mundo material? Fumar mais maconha? É isso? Criar mais ilusões?

Mas veja, não se podem criar mais ilusões a partir do momento que a ilusão não existe, que ela não é Real. Você só consegue imaginar isso porque tem a ilusão de achar que a ilusão é real.

A alucinação que o espírito tem e que você chama de mundo material só existe para ele. Se você estiver ao lado de alguém que está sobre efeito de entorpecentes vê a ilusão que ele está vivendo? Não…

O mundo material de cada ser não existe para o os outros: são alucinações individuais… Como, então, expandi-lo? Não se pode expandir uma ilusão, já que ela é ilusória e individual…

Participante: Como faço para não me tornar frio e insensível já que tudo é ilusão e não devo comprometer meu coração com as ilusões?

Antes de lhe responder, pergunto: o que é se tornar frio e insensível? Eu não posso lhe responder enquanto não souber o que é isso para você.

Participante: Indiferente aos acontecimentos…

Para você frio e insensível é ser indiferente aos acontecimentos do mundo? Então Cristo era frio e insensível… Aliás, não só ele…

O ensinamento de Krishna, Buda, Maomé e do Espírito da Verdade sempre foi este: existe um mundo Real que é o espiritual… Mais: eles ensinaram que devemos viver para alcançá-lo e para isso devemos nos afastar do mundo humano…

Sendo assim, quando você se tornar frio e insensível, no sentido que deu a estes termos, é porque conseguiu libertar-se do mundo material e com isso alcançou a elevação espiritual…

Raciocinando um pouco mais sobre o tema, posso dizer que quando você for frio, deixará de ser “quente”… A partir daí afirmo que aquele que se sensibiliza com as coisas do mundo material é quente e está no “inferno”…

Vocês não dizem que o “inferno” é “quente”? Pois então, aquele que se sensibiliza com as coisas do mundo está no “inferno”. Ou seja, viver a vida material pelos valores materiais é viver no “inferno”…

Sendo assim, digo mais: a vida celestial é “fria”… Se os mestres ensinaram que a vida espiritual é o oposto da vida material, o “céu” tem que ser “frio”.

Por isso lhe digo uma coisa: não tenha medo de ser chamado de frio… Pelo contrário, queira estar no “frio”, queira ser frio…

Agora, se alguns seres humanos consideram que ser chamado de frio é ser denegrido, isso denota que eles acreditam que as coisas materiais são mais importantes que as coisas espirituais…

Para estes seres que querem ser chamados de “quentes” é muito mais importante dar um prato de comida do que deixar de criticar e acusar quem não dá. Isso é direito, é bonito, é ser humano…

Mas, aqueles que se dizem buscadores acredito que não queiram ser humanos, mas sim espíritos. Para ser desta forma é preciso ouvir os ensinamentos do mestre como aquele onde Cristo afirma: Deus dá a cada um segundo as suas obras…

Aquele que quer ser espírito não se “esquenta” com a fome do outro porque tem a consciência de que Deus dá a cada um de acordo com o gênero de provas que aquele espírito pediu. Portanto, para este aquela fome é apenas uma teatrilização do gênero de provas que o espírito pediu.

Mas, se o ser humanizado se torna “quente”, ou seja, se sensibiliza com a fome, isso quer dizer que ele está frio com Deus… Abandona o Pai quando se “esquenta” por causa da fome e da indiferença dos outros com aquilo porque se esquece de Deus, a Causa Primária de todas as coisas…

Sim, amigo, o espírito é frio para a humanidade. Mas, ele não se preocupa com isso, porque, afinal de contas, não se pode servir dois senhores ao mesmo tempo… Ele sabe que quem quiser ser “quente” para matéria não conseguirá ser “quente” para Deus e que se ele for “quente” para Deus, terá que ser frio para a matéria.

A grande hipocrisia do ego humano está justamente aí: em querer servir a matéria acima de qualquer coisa. A hipocrisia humana tão demonstrada por Cristo consiste justamente em querer através da matéria servir a Deus quando a matéria é o próprio Deus.

Sabe, aquela fome que você vê não existe. Aquela pessoa faminta que você não existe. Tudo é emanação de Deus. Quando você serve a fome não serve a Deus…

É isso que precisamos compreender. Falamos muito disso quando fizemos uma palestra que se chamou: “A humanidade odeia Cristo”.

Nela dissemos que a humanidade diz que quer seguir o caminho deixado pelo mestre, mas não aceita se tornar em um “Jesus Cristo”. Isso porque a humanidade não aceita desapegar-se da família, do lar, das coisas materiais e viver uma vida simples.

Compreender isso é fundamental, pois é Verdadeiro… A humanidade diz que ama Cristo, mas na verdade o odeia, porque quer servir a ela mesma enquanto Cristo só servia a Deus…

Compreenda isso que você torcerá para ser frio…

Participante: Como fica vivenciar a sexualidade. Não sirvo a Deus procriando, por exemplo?

Deixe-me dizer uma coisa: se a vida é um dom de Deus, será que o seu órgão genital é Deus? Desculpe lhe fazer esta pergunta, mas se diz que você procria está dizendo que você deu aquilo que é um dom exclusivo de Deus…

Olha, querer servir a Deus, mas ao mesmo tempo acreditar na ciência, ou seja, acreditar que a criança nasce do fruto do encontro do espermatozóide com óvulo, é impossível.

A vida é um dom de Deus, quem dá é Ele e não você… Você apenas acha que gerou um filho, mas isso é impossível, pois não existe você e o seu órgão, a mulher e o dela e nem o ato em si. Tudo isso é uma ilusão que você está vivendo…

Pare para refletir… Leia o que já conversamos anteriormente e busque colocar a lógica monista nas suas crenças…

A partir do momento que você entra em contato com um Universo que é Uno, Único e Estável e que Deus é a Causa Primária de todas as coisas, o que você acha pode fazer? O que um remédio ou um médico pode fazer? Nada…

Participante: Mas, nem por isso deixamos de ir ao médico nem tomar remédio, já que isso é uma programação do ego…

Mas, nem por isso deixamos de vivenciar estes atos. Você não deve viver a ida ao médico, mas sim vivenciar este momento. É diferente…

Ir ao médico é acreditar que aquilo é real, que está acontecendo. Vivenciar a mesma situação é assistir o personagem indo…

Participante: Voltando à pergunta anterior, ao procriar estou sendo médium para trazer mais trabalhadores para colheita…

Você?

Você está trazendo mais trabalhadores para a colheita? Desculpe, mas não é isso que Cristo fala sobre o assunto… Ele diz assim: rezemos a Deus para que Ele mande mais trabalhadores para colheita…

Ele não diz: rezemos aos seres humanos para que eles tenham mais relações para que possam vir mais trabalhadores para a colheita… É diferente… O que Cristo diz é que Deus mandará os trabalhadores e não que você os criará…

Aliás, você não tem participação nenhuma nisso, pois você, José, nem existe…

Participante: A minha pergunta sobre sexualidade teve como intenção questionar como vivenciar este ato friamente…

O seu ego vivenciará a sexualidade, assim como qualquer outro acontecimento da vida, da forma que tiver que vivenciar, ou seja, dentro do seu planejamento carmatico. Agora, o seu coração deve vivenciar estas emoções na neutralidade, ou seja, não pode alinhar-se ao prazer que o ego criará…

O que você chama de prazer sexual não afeta ao coração, mas é uma sensação criada pelo seu ego. Então, assista o ego ter prazer com o coração firme em Deus…
FONTE:
http://www.universalismo.org/