AMAR AO PRÓXIMO

 

 
Falaremos hoje sobre o amor ao próximo. Mas o que será amar ao próximo? Muitas podem ser as respostas, mas eu diria que o amor ao próximo é a expressão máxima do amor incondicional. Começaremos nossa conversa de hoje a partir desta definição.

Amor ao próximo é acima de tudo colocar-se à disposição de Deus para servir de instrumento aos carmas do próximo. Este é o maior amor que alguém pode expressar pelo outro.

Por que? Porque só existe uma realidade: a espiritual. E a realidade espiritual é que a vida carnal é uma sucessão de carma onde existem provas a serem vencidas.

O amor ao próximo não é o amor ao ser humano, mas ao espírito que está humanizado ligado àquela carne através de um determinado ego. Se isto é verdade, como, então, posso amar ao próximo?

Auxiliando-o a vivenciar os seus carmas e com isso criando uma prova que lhe dará a oportunidade de exercer o amor incondicional e com isso alcançar a elevação espiritual.

Eu vou dar um exemplo. Quase todos que já tiveram contato com a doutrina espírita, seja por literatura ou estudo, já ouviram falar em expiação, ou seja, carma. Este ensinamento, na concepção espírita diz que o ser humanizado precisa passar por determinadas situações para expiar faltas anteriores.

Vamos supor uma expiação que é comum na literatura espírita: o espírito “matou” alguém em outra vida e, por isso, na próxima terá que expiar esta ação, ou seja, ele adquire o carma de morrer assassinado na próxima vida.

Desta forma, ele vai “nascer” com diversos objetivos a executar na vida e entre eles estará o de morrer assassinado. Só assim alcançará uma determinada elevação espiritual.

Portanto, o fato de alguém dar um tiro, enfiar uma faca, ou qualquer situação que leve à morte deste ser humanizado é importantíssima na encarnação dele. No momento que estiver programando a sua futura vida, criando os carmas (expiações), o espírito está consciente da necessidade de levar o tiro para morrer e preocupar-se-á em fazer de tudo para que isto aconteça.

Acontece que, para que ele leve o tiro, é necessário alguém que atire. Aquele que agirá como instrumento para que o carma se realize não pode ser qualquer um, mas será necessário alguém que tenha muito amor ao ser que encarnará.

Aquele que atirará terá também que reencarnar, às vezes sem necessidade para si mesmo, mas só por amor, levará uma vida onde talvez nunca encontre aquele que veio ajudar até que no momento certo ficará frente a frente com ele e dará o tiro.

Este é o amor ao próximo. É um amor que transcende os conceitos humanos, mas que se realiza na plenitude do mundo espiritual, da vida espiritual. O amor ao próximo transcende completamente os objetivos materiais.

O amor ao próximo não pode se apegar a fazer o “bem” ao ser humanizado porque muitas vezes na idéia de se fazer o “bem” ao ser humano, estaremos fazendo o “mal” para o espírito. Se o amigo daquele que deveria morrer se negar a dar o tiro, aquele espírito perdeu uma oportunidade de expiação e terá que reencarnar novamente para levar um tiro. Isto não é “mal” para o espírito?

Ficou clara a realidade do amor ao próximo? Um amor muito mais do que incondicional, mas transcendente ao materialismo. Um amor que vai além das leis, normas, objetivos, padrões materiais, mas que se inspira na realidade espiritual.

Pergunta: Fora da caridade não há salvação, não há elevação espiritual.

A caridade não é dar o prato de comida. Fazer a caridade é executá-la no sentido espiritual: fazer a caridade para o espírito. Matar o outro, se ele precisa morrer, é uma grande caridade.

Pergunta: Tem espíritos encarregados de fazer estes acontecimentos?

Encarregados de fazer acontecer “acima” da materialidade e encarregado de executar um ato na matéria. No entanto, tudo comandado por Deus.

Todos os “encarregados” só agirão na hora que Deus ler no livro da vida que chegou a hora do ser humanizado levar o tiro. É Deus quem decide se o espírito está merecendo ter esta oportunidade de expiação.

Pergunta: Então Judas amava Cristo como este também aos soldados romanos?

Assim como Cristo amava Judas e a todos. “o que vai fazer faça logo”, é o que Cristo diz a Judas ainda durante a santa ceia.

Sim, ele amava Judas e aos soldados, tanto assim que quando os soldados vêm prendê-lo diz para Pedro: “guarde a sua espada! Você pensa que eu não vou beber o cálice do sofrimento que o meu Pai me deu?”.

Pergunta: E a catástrofe que ocorreu na Ásia?

Vamos falar dela dentro deste assunto de hoje, mas é preciso antes se compreender bem o amor ao próximo, senão não entenderemos catástrofe nenhuma.

Vamos ainda vai acusar os terroristas que mataram as crianças na Rússia e os que jogaram os aviões no World Trade Center nos Estados Unidos. Eles são agentes carmáticos, não inimigos. Não são terroristas porque tanto no prédio como na escola morreu quem tinha que morrer pelo seu carma.

Vou chegar no assunto das tsunamis, mas antes é preciso firmar esta noção de amor ao próximo no sentido de transcender a felicidade material.

Amar ao próximo não é dar ao próximo o que se quer dar ou o que ele deseja, mas se colocar à disposição de Deus para servir como agente carmático das pessoas, independente até de se gostar da “ação” que praticará para servir como agente carmático.

Estamos falando de assassinato para poder levar o assunto às catástrofes, mas este ensinamento vale para qualquer situação da vida dos seres humanizados. Um casamento, por exemplo.

Marido que tem a índole de bagunceiro e mulher que prima pela arrumação, são dois espíritos que se amam muito porque aceitam conviver e ser instrumento do carma um do outro.

Pergunta: As pessoas que lá estavam (nas praias atingidas pelas ondas gigantes) e passaram pela situação tiveram este momento de expressão, ou seja, foi benéfico para eles?

Se o momento foi benéfico, não pode se afirmar apenas por que se passou por ele. O momento se transformará em benéfico ou não pela forma como o espírito reagir ao momento e não simplesmente por vivenciá-lo.

Se alguém for tragado pela onda e ao despertar do outro lado sair acusando seja lá quem for de ser o responsável pela sua “morte”, não aproveitou a expiação. Para aproveitar a expiação é preciso que o espírito esteja em “estado de graça”, ou seja, que diga “louvado seja Deus por tudo que me acontece”.

Apenas passar pela situação em si não garante elevação espiritual, mas sim a forma como cada um passa pela situação.

Pergunta: O Cristo sabia que Judas ia traí-lo, pois fazia parte da profecia?

Mais do que fazia parte da profecia antiga, fazia parte da programação cósmica da encarnação Jesus Cristo.

Isso fica bem claro quando, no início do Novo Testamento o mestre diz aos apóstolos: sairemos e andaremos pela Palestina ajudando muita gente. Depois iremos para Jerusalém onde serei crucificado.

Em resposta Pedro afirma: rezemos a Deus para que isto não ocorra. Cristo responde: cala a boca Pedro, sai de mim Satanás, você está falando como um ser humano.

Nesta passagem podemos observar que ele sabia de tudo o que ia acontecer e mais, sabia que era necessário passar por aquilo.

Pergunta: Como melhor desenvolver nosso amor ao próximo?

Amando tudo que você faz a ele e amando tudo o que ele faz a você.

O amor ao próximo existirá quando você, mesmo que brigue, mantenha o amor (estar sem raiva, sem ódio), mesmo que xingue, mantenha a paz. Permanecendo equânime você estará conscientemente se sentindo como instrumento de Deus.

Ao amar o que o outro faz, mesmo que a ação deste não fosse de seu desejo, estará se elevando espiritualmente. Quando aprender a viver desta forma será mais “requisitado” por Deus para servir de instrumento a carma dos outros. É isso que Cristo afirma quando ensina: ninguém acende uma lamparina para esconder debaixo do armário.

Assim que você alcançar a evolução espiritual mais espíritos que precisam receber amor na hora da vivência dos seus carmas será levado até você.

Amando constantemente você aprenderá a amar muito mais.

Somente o amor é Realidade. Por isto Paulo nos ensinou.

“Eu poderia falar todas as línguas que se falam na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o barulho do gongo ou o som do sino. Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter toda a fé necessária para tirar as montanhas dos seus lugares; mas, se não tivesse o amor, eu não seria anda. Poderia dar tudo o que tenho e até entregar o meu corpo para ser queimado; mas, seu eu não tivesse o amor, isso não me adiantaria de nada”.

“O amor é paciente e bondoso. O amor não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Não é grosseiro, nem egoísta. Não se irrita, nem fica magoado. O amor não se alegra quando alguém faz alguma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo (espiritualmente falando). O amor nunca desanima, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência”.

Este amor incondicional (sublime) citado por Paulo, é o mesmo que Deus tem pelos Seus filhos. O amor que o Pai tem por cada um dos espíritos é este que transcende a tudo que é bem material, mas que está sempre preocupado com o bem estar e a evolução do espírito. É este amor que O faz agir sobre as coisas do planeta.

No caso das ondas gigantes que alcançaram a Ásia, quem criou o “movimento” das placas submarinas, quem criou as ondas que se formaram a partir desse “movimento”, quem escolheu que lugar seria atingido e quem escolheu quem teria que estar naquele lugar naquela hora foi Deus.

Ninguém estava ali por acaso, coincidência, mas todos foram colocados no lugar e no momento certo e tiveram o efeito que mereciam ter à passagem da onda. Por isso uns se salvaram e outros não.

Então, não há uma “catástrofe”, uma tragédia ou uma onda gigante, mas há um amor gigante e sublime de Deus pelos seus filhos. Esta é a conclusão que podemos tirar de tudo que estudamos até hoje e que está no ensinamento de todos os mestres da humanidade.

Não há catástrofes, mas Deus dando a cada um de acordo com as suas obras. Deus dando a cada espírito o que ele precisa e merece, não para a sua felicidade carnal, mas para a sua progressão espiritual.

Entre os religiosos do mundo carnal é muito famoso o ditado: não vai pelo amor vai pela dor. As catástrofes não são nada mais do que o resultado deste ensinamento. No entanto, só há dor, é só para quem quer curtir a felicidade material.

Para quem se liga na realidade espiritual o que existe é o amor de Deus em ação. É o Pai dando a cada filho o necessário (a cruz que ele pode carregar) para que ele possa aproveitar a oportunidade e elevar-se espiritualmente. Por isto estes vão pelo amor a Deus.

Desta forma, a primeira coisa que devemos retirar do pensamento durante as “catástrofes” é a compreensão de que ocorreu uma “tragédia” ou um “acidente” (acontecimento por acaso). Estas coisas não existem no universo: tudo é guiado pela ação carmática e realizada por Deus através do mundo espiritual.

Pergunta: Nós encarnados valorizamos a vida carnal porque não nos lembramos a do outro lado que, segundo dizem, é melhor.

Valorizar a vida carnal é importante. No entanto o que devemos fazer é valorizar a vida terrestre como instrumento espiritual e não valorizá-la pelo bem terrestre.

Não devemos nos apegar a valores que se refletem apenas neste curto período que vocês chamam de “vida”, mas que é “morte”. Para o espírito a vida é a eternidade. Quando o ser humanizado valoriza estes pequenos anos que vive na terra esquece da eternidade que ainda terá que viver.

Valorizar a vida terrestre, sim, mas valorizá-la como a oportunidade de elevação espiritual.

Ainda existe algo importante para ser falado hoje, que na verdade é o tema de hoje: o amor ao próximo nas “catástrofes”. Mas, antes é preciso que a compreensão de que não houve “acidente” nem “catástrofe” mas, o amor de Deus em ação seja alcançada.

Pergunta: Um dia reclamei a um espírito que eu tinha nojo dos corruptos. Ele respondeu: dê graças a Deus, pois se não fossem os corruptos não teríamos o trabalho de hoje. Eles terão que renascer na miséria e com isso nos auxiliam no nosso trabalho.

O corrupto é o instrumento de um carma, porque ele roubará de quem precisa e merece ser roubado.

Toda ação humana é um instrumento de Deus. Agora, se o ser humanizado participa da ação de Deus levando benefício próprio, ou seja, tirando prazer do que está acontecendo, o problema é dele.

Ele terá que arcar com a justa reação à sua ação. Não a ação de ser corrupto, mas por ter tido prazer ao representar o papel de corrupto durante a vida carnal.

Pergunta: Aí não podemos condenar ninguém.

É, mas não foi isto que o Cristo ensinou?

Tire a trave do seu olho ao invés de querer tirar o cisco dos olhos dos outros; é muito fácil você cumprimentar o seu amigo, quero ver cumprimentar o seu inimigo; se você dever a alguém, antes de ir rezar, faça as pazes senão Deus saberá que está acusando os outros. É isto que Cristo ensinou.

Pergunta: Resumindo. A aparente injustiça existe por causa de nossa visão limitada sobre a Realidade espiritual?

Isto. As injustiças do mundo são criadas apenas na “mente” (formação mental) do espírito, porque o universo é guiado pela Justiça Suprema, Deus.

Por causa desta propriedade elevada ao expoente máximo da “Causa Primária” do universo, Ele é justo, ou seja, só acontece a cada um de acordo com as suas próprias obras.

É o amor próprio, o amor a si acima de tudo, o individualismo do ser humanizado que acusa injustiça nos acontecimentos do mundo.

Mas, porque juntei “amor ao próximo” e “catástrofes” como temas de hoje? Vou explicar agora.

Por mais destrutiva que tenha sido a onda marítima que provocou os acontecimentos recentes, a onda de falso amor ao próximo que invadiu o planeta nos dias subseqüentes foi ainda mais devastadora.

O sofrimento, a acusação, o falar mal dos governos ou de qualquer coisa, ter pena de quem morreu é uma onda sentimental que está cercando planeta de individualismos, ou como muitos conhecem, de energias “negras” e “pesadas”.

O momento das “catástrofes” não deve levar o ser humanizado a este padrão sentimental, mas sim a exercer o amor ao próximo, louvando a Deus pelo que aconteceu. É hora de se louvar ao Pai porque o processo carmático está em ação.

Quando a humanidade deixa de louvar ao Pai e aproveita a oportunidade para sentir injustiça, sofrimento, pena, dó, está acusando o próprio Deus que chama para socorrê-la. Suja, polui, o amor Sublime de Deus com o seu individualismo, com a sua compreensão pequena do universo.

Por causa desta ação da humanidade e da proximidade com o ocorrido na Ásia, nesta conversa sobre o tema amor ao próximo enfatizei a questão das “catástrofes”. Neste momento que o planeta vivencia esta “calamidade” é uma boa oportunidade para aprender como reagir a este tipo de acontecimento mantendo o amor ao próximo dentro do campo espiritual e não trazê-lo para o material, criando lamentos.

Seria melhor aprender com Jó.

“Eu sei muito bem que as coisas são assim. Mas como é que uma pessoa pode provar a Deus que ela está com a razão? Quem se atreve a discutir com Deus? Ele pode fazer mil perguntas a que ninguém é capaz de responder. A Sua sabedoria é profunda e o Seu poder é grande; quem pode desafiá-Lo e vencer? Sem aviso ele muda de lugar os montes e na Sua ira os destrói. Deus manda terremotos e o chão treme; Ele abala as colunas que sustentam a terra”.

Sempre que acontece uma “catástrofe” existe uma oportunidade esplêndida para que a humanidade do planeta se ligue a Deus e louve o Seu poder. Para isto, no entanto, é preciso se desligar dos corpos fétidos que ficaram no local da “catástrofe”.

Aqueles que vivenciam estes momentos com pena, na verdade estão com dó de carne podre. Naquela aparente cena de desolação não existe nada mais do que carne. O espírito já entrou em glória, já se desligou daquela carne.

Aquele foi um momento glorioso para o espírito e a humanidade, ao invés de voltar-se para Deus e agradecê-Lo e louvá-Lo pelo seu santo nome, por nunca se esquecer de Seus filhos dando a cada um o que precisa, simplesmente volta as costa a Deus para chorar carnes podres.

Pergunta: Acredito que amor incondicional é não julgar as outras pessoas e sim procurar compreendê-las no contexto que estão inseridas. Procurar compreender e ver Deus agindo de uma forma que nos agrada ou não e aceitar as pessoas como são.

Perfeito, mas faça por amor a Deus, não ao que você julga.

Não julgue (queira saber o motivo) porque Deus “matou” tanta gente. Apenas compreenda que Ele ama todos os seus filhos e jamais irá traí-los.

“Eu venci o mundo”. Precisamos extrapolar a matéria e entrar no verdadeiro amor ao próximo. Este amor se revela principalmente nos momentos de “catástrofes” quando glorificamos a ação divina que promoveu um carma para quem precisava e merecia.

No momento que as verdades materiais (desejo de estar vivo) são atacadas é que o verdadeiro buscador deve manter-se em paz. Quando falo para não lastimar os acontecimentos, não estou falando em reagir com risadas ou fazendo piadas, mas manter-se em paz, não se deixando encobrir pelo lodo do individualismo que é sempre lançado pela coletividade humanizada nos acontecimentos deste tipo (coitado, que pena).

Esta é a hora de exercer o amor ao próximo. Esta é a oportunidade de se amar incondicionalmente.

Mesmo que você não tenha nada a ver com o acontecimento, ao ter notícia de uma “catástrofe” (o carma que outros passaram) se criou uma prova para você. Houve uma oportunidade para exercer o amor ao próximo no seu sentido espiritual e com isso conquistar a sua evolução.

Louve aquele espírito que pelo seu carma gerou a oportunidade de você, mantendo a sua paz, e felicidade conquistar a evolução espiritual. Não desperdice esta oportunidade caindo na depressão do sofrimento por causa de carnes podres.

Pergunta: Ninguém é vítima frente a lei da causa e efeito.

Perfeito, mas não é assim que se vive no planeta Terra, apesar dos ensinamentos dos mestres neste sentido. Trata-se a todos como coitados e como vítimas.

Coitado nada: ele não podia estar em outro lugar nem poderia ter acontecido nada diferente. Ele não é vítima: tinha que estar ali naquela hora. Então, louvado seja Deus.

Pergunta: Mas, isso não é fácil de compreender para a grande maioria dos encarnados, não é?

Eu lhe responderia que realmente não é, mas isso porque a humanidade não quer.

Todos os religiosos têm este ensinamento (a busca do bem espiritual e não do material) trazido pelo Cristo, Buda, Krishna, Maomé e Kardec. Se não colocam em prática, então, é porque não querem. Utilizando-se do seu livre arbítrio continuam preferindo viver o bem terrestre ao invés de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Agora, se os outros optam por este sentimento, o problema é deles. Cada um deve compreender que veio aqui (na carne) para promover a sua reforma íntima e, para isso deve trabalhar.

Só quando os seres humanizados compreenderem que precisam se mudar e não aos outros poderão auxiliar o próximo de verdade.

Falamos até aqui em “catástrofes coletivas”, mas este mesmo amor deve ser mantido quando o ser humanizado passa pelas suas “catástrofes individuais”.

Quando alguém vive um momento de grande depressão, de grande sofrimento por qualquer contrariedade, este é o momento de amá-los incondicionalmente, levando-os a compreender a ação divina e não o de chorar com ele por sua “perda”.

Agora que já compreendemos bem o amor ao próximo (incondicional, que extrapola a materialidade) queria pedir a cada um que, sempre que ocorressem “catástrofes” (individuais ou coletivas), formasse uma corrente de louvor a Deus. Esta ação de espíritos auxilia na limpeza da sujeira (pena, dó) que é lançada no planeta quando a “catástrofe” ocorre.

Eu queria convocar a todos que buscassem o verdadeiro amor ao próximo nos momentos de “catástrofes”. Esta ação é importante porque o individualismo que é lançado no universo através da pena, da dó e da saudade, prejudica aqueles que desencarnaram.

As religiões ensinam que se deve rezar pelos mortos, mas o ser humanizado ora chamando-os. Quando se lança no universo este tipo de individualismo (”eu estou com tanta saudade do meu pai que morreu”), prende-se este espírito ao nível de consciência humano. Por isso, ele fica preso à vida humana, mesmo desencarnado.

A onda de sentimentos individualistas é muito mais catastrófica do que a onda marinha. A onda da pena, da dó, da saudade, da falsa compaixão que é jogada aos espíritos que desencarnam em “acidentes” podem causar estragos grandes na existência de um espírito, tanto de quem emite quanto de quem recebe.

Como já me foi perguntado hoje, será que os espíritos que desencarnam em “catástrofes” aproveitam a oportunidade do seu carma? Eu diria que muitos estão deixando de aproveitá-la por “culpa” do próprio encarnado que está prendendo-o á Terra.

“Porque meu marido foi para lá e não ficou em casa?”. Reagir desta forma prende o espírito à materialidade.

Quando vivermos uma “catástrofe” na nossa vida é preciso que façamos uma mentalização muito forte para lançar o amor ao próximo para quem se foi. Devemos mentalmente procurar conversar com o espírito querido para lhe dizer: “irmão, você não morreu por acaso, mas cumpriu o seu carma. Não houve nenhum agente causador da sua “tragédia”, mas foi Deus, foi o amor do Pai que fez aquilo acontecer”.

Vivendo nossas “catástrofes individuais” ou reagindo a notícias de “catástrofes coletivas” desta maneira, poderemos realmente auxiliar aos espíritos que viveram seus carmas. Só assim conseguiremos neutralizar um pouco da falsidade, do individualismo que é sendo lançada sobre estes espíritos pela humanidade.

Pergunta: De que maneira as ondas de pensamentos negativos da humanidade (dó, tragédia), podem atrapalhar o trabalho das equipes extra físicas que neste momento estão auxiliando os espíritos alvo destes pensamentos?

Não é o pensamento material, mas sim o sentimental. É como o Cristo disse: o que sai do coração.

O sentimento emanado pela humanidade, na verdade não atrapalha os amparadores, os trabalhadores espirituais, mas sim aos espíritos que desencarnaram.

Quando você coloca o sentimento de pena no universo ele passa fazer parte da “atmosfera” do planeta e os espíritos que desencarnaram “respiram” estes sentimentos. Eles se contaminam com estes sentimentos e por isto é mais difícil para eles exercer o livre arbítrio no sentido de amar o que está acontecendo.

Claro, existem espíritos trabalhando para desmagnetizar o sentimento lançado pela humanidade, mas, volto a repetir, quando a catástrofe assume proporções planetárias ele é muito forte e prejudica alguns espíritos.

Pergunta: Significa que eles perdem a lucidez para compreender o que está acontecendo com eles?

Significa que eles começam a se banhar de individualismo e por isso têm “raiva” por terem morrido, ficam assustado com o fenômeno “morte”. Por isto “xingam” a Deus, acusando-O de não os ter protegido retirando-os da praia naquela hora.

Reagindo desta forma ao seu momento carmático, o espírito não alcança a evolução espiritual, ou seja, não aproveita a situação carmática de expiação que vivenciou.

Sei que muitos estão pensando com relação ao meu pedido: somos tão poucos. Isto não é realidade. Nossa força junto com outras oriundas de outros lugares onde está sendo repassado este ensinamento pode socorrer muito mais do que aqueles que buscam “sobreviventes” nas “tragédias”.

Sempre que ocorrer uma “catástrofe”, a nossa força junto com outras que sobem aos céus para dizer a Deus quanto lhe amamos pelo que fez, cria a barreira energética que protege espíritos da influência deste individualismo.

Quando você tiver contato com a foto de uma criança morta em uma “catástrofe”, ao invés de chorar, diga: vá em paz espírito. Vendo a foto de uma mulher morta, não critique, não tenha pena, não chore, mas ame a Deus e aquele espírito para que possa auxiliar verdadeiramente aqueles que precisam de você.

Toda “catástrofe coletiva” é uma ação carmática: é um dos instrumentos de desencarne em massa. Através dela são recolhidos tanto espíritos que não tem mais chance de fazer a sua elevação espiritual nesta encarnação, quanto espíritos que já conseguiram. Tanto para um como para outro foi feita a Justiça.

Nós podemos contribuir com esta ação divina auxiliando a estes espíritos e àqueles que têm notícia do acontecimento a amar a Deus acima de todas as coisas nesta hora.

http://meeu.org/palestra/index.htm

EGOÍSMO

 

 

 

Baseado no estudo de “O Livro dos Espíritos”.

913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?

Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.

O que é um vício? O que é estar viciado em alguma coisa? Antes de entramos no aspecto do maior vício, precisamos entender o que é isso.

Vício é uma dependência. Uma pessoa viciada é alguém dependente de alguma coisa. Isto é por definição o vício…

Este é o primeiro aspecto que devemos ter em mente para o que estudaremos hoje. Neste estudo, buscaremos compreender a ação do egoísmo como vício, ou seja, como o elemento universal do qual o ser humanizado se torna dependente, do qual depende para viver.

O egoísmo é o vício “mãe” do ser individualizado. É a sua dependência maior, aquilo sem o qual o espírito humanizado não consegue viver e que, por isso, precisa sempre vivenciar.

A partir da definição do egoísmo como vício, podemos afirmar que ele se materializa através de uma intenção individualista, do querer para si em primeiro lugar. O egoísmo ocorre quando o ser humanizado vive a partir do “eu”, quando pensa sempre em si, nas suas verdades, antes de qualquer coisa.

Esta é a dependência maior que um espírito humanizado possui: a de pensar sempre em si antes do próximo. É por isso que o Espírito da Verdade diz que o egoísmo (individualismo) acaba com o amor e com a caridade. Isto ocorre porque a necessidade de levar vantagem, de ser premiado sempre, elimina quaisquer resquícios de espiritualidade no espírito encarnado.

Ainda falaremos muito mais sobre este aspecto durante o dia de hoje, mas por agora é preciso que se compreenda que é necessário buscar-se o fim da dependência da satisfação do “eu” para poder se elevar espiritualmente (viver a espiritualidade do ser).

É preciso que o ser humanizado perca o vício do egoísmo, da necessidade do atendimento às suas vontades, ao seu desejo, às suas paixões. Este ser precisa se libertar do condicionamento da necessidade de ser atendido sempre, para poder aproximar-se de Deus.

É isso que o Espírito da Verdade está ensinando. Se o ser humanizado permanecer preso no que quer, gosta, no que imagina justo e certo estar ocorrendo, não alcançará nada com relação à reforma íntima.

Ele não consegue vivenciar o espiritualismo e o universalismo – elementos que surgem de um processo de reforma íntima – porque está preso apenas no individualismo. Se o ser humanizado opta por sempre viver situações que atendam nos mínimos detalhes os seus requisitos para ser feliz, comprova a sua dependência do egoísmo, do seu “eu material”, do seu querer e estes elementos não são universais. Portanto, nada foi conseguido no sentido de integrar-se ao Todo Universal.

Este é o primeiro aspecto de hoje: entender que o vício capital é esta dependência e que todas as outras atitudes dos seres humanizados se originam no querer para si sempre.

914. Fundando-se o egoísmo no sentimento do interesse pessoal, bem difícil parece extirpá-lo inteiramente do coração humano. Chegar-se-á a consegui-lo?

A medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais, menos valor dão às coisas materiais. Depois, necessário é que se reformem as instituições humanas que o entretêm e excitam. Isso depende da educação.

Isso que o Espírito da Verdade falou neste trecho deveria ser realidade, mas não é. A regra deveria ser que quanto mais o ser humanizado se instruísse a respeito das coisas espirituais, mais deveria se afastar do materialismo, mas infelizmente não é isso que vemos. O que se constata é que aqueles que “aprendem” sobre espiritualidade se prendem cada vez mais ao materialismo.

Poderia dizer que a busca de viver a espiritualidade na Terra é fundamentada num “espiritualismo materialista”. Isso porque os ensinamentos não reforçam a espiritualidade do ser, mas são utilizados no sentido de proporcionar melhores condições para a vida humana.

O espiritualismo ou qualquer outro ensinamento dos mestres é usado pelos seres humanizados no sentido de criar uma vida humana mais agradável, mais aprazível, de acordo com o individualismo (desejos individuais) de cada um ao invés de levá-lo a viver os acontecimentos deste mundo dentro da essência espiritual que eles possuem. Ou seja, o espiritualismo praticado no planeta está viciado pelo individualismo.

Para se vivenciar o espiritualismo na sua essência é necessário que o individualismo seja extirpado, ou seja, que os seus parâmetros de “certo” ou “errado” não prevaleçam para criar obrigações ao próximo. Sem que o ser humanizado se vença (suas paixões e desejos) não há espiritualismo. No máximo haveria um “espiritualismo materialista”.

Desta forma, saiba que sempre que você entrar em contato com qualquer coisa espiritual, a primeira ação deste ensinamento deve ser atacar aquilo que você acha que é “certo”, “bonito”, “limpo”, porque estes são os frutos do seu individualismo, instrumentos do seu egoísmo. Se o ensinamento não fizer isso o vício do individualismo neutralizará a sua ação espiritual.

É por isso que muitas pessoas acham que não trago nenhuma notícia “boa” para as suas vidas. Se trouxesse apenas aquilo que você quer ouvir, estaria nutrindo o seu materialismo e não ensinando o espiritualismo.

Eu sempre digo aos outros: compreenda que a sua vida é uma droga. Não uso este adjetivo no sentido de “ruim”, mas afirmo que “viver a vida” é ser viciado. “Viver” a vida material por ela mesmo, pelo seu sentido material, é usar materiais (verdades, certezas, paixões, desejos) que viciam, porque eles são fundamentados no egoísmo, no individualismo, no “eu”.

Quer um exemplo? Os que vivem a vida material, ou seja, baseiam-se nos conceitos materialista, criticam o viciado em cocaína, cigarro, bebida, carne ou qualquer elemento material considerado não-certo. No entanto, não compreendem que agindo desta forma estão mostrando que são viciados em egoísmo, ou seja, em quererem dizer o que deve ser feito pelo outro.

Quem quer viver a vida, ou seja, reformar atitudes humanas, não compreende que a vivência da vida é, por essência, um ato individualista, por que sempre começa pela constatação da existência do “eu”, da “minha vida”.

915. Por ser inerente à espécie humana, o egoísmo não constituirá sempre um obstáculo ao reinado do bem absoluto na Terra?

É exato que no egoísmo tendes o vosso maior mal, porém ele se prende à inferioridade dos Espíritos encarnados na Terra e não à Humanidade mesma. Ora, depurando-se por encarnações sucessivas, os Espíritos se despojam do egoísmo, como de suas outras impurezas. Não existirá na Terra nenhum homem isento de egoísmo e praticante da caridade? Há muito mais homens assim do que supondes. Apenas, não os conheceis, porque a virtude foge à viva claridade do dia. Desde que haja um, por que não haverá dez? Havendo dez, por que não haverá mil e assim por diante?

O que será que quer dizer o Espírito da Verdade quando afirma que o egoísmo se prende à inferioridade dos espíritos encarnados na Terra? Que o egoísmo se prende ao seu nível de elevação destes espíritos.

Portanto, o egoísmo que hoje você vivencia é resultante do seu nível de elevação e não uma “maldade” enraizada em seu coração. Ou seja, o egoísmo que fundamenta as compreensões que você tem durante a encarnação é o objeto de sua provação, um dos seus carmas, o que precisa ser “vencido”.

A partir daí a compreensão do nosso ensinamento se altera fundamentalmente. Muitos acreditam que quando falamos que o ser humanizado é egoísta estamos afirmando que ele é “mal”, “errado”, mas isso não é verdade.

Temos a plena consciência que é natural que você vivencie hoje o egoísmo quando interpreta os acontecimentos da vida carnal, porque ele faz parte do seu atual nível de elevação. Não estamos aqui para criticar ninguém, mas para alertar sobre a ação contrária do individualismo nas suas pretensões de elevação espiritual e, por conseguinte, da necessidade de libertar-se deste padrão vibratório para que você mude de patamar de elevação.

Constatamos o seu egoísmo apenas para poder afirmar que é necessário que se liberte do vício de ser sempre atendido e não para acusar. Este é um padrão de todos aqueles que realmente se interessam em aproximá-los de Deus: constatar e propor alternativas, mas nunca acusar nem cobrar aceitação ou cumprimento das diretrizes propostas.

Isto é muito diferente dos “espiritualistas materialistas”, ou seja, daqueles que utilizam o ensinamento para atender a pré-requisitos seus. Eles compreendem o ensinamento dos mestres e descobrem um “erro” seu, lhe acusam de ser errado, pecador, de não “prestar”.

Não é isso que estamos querendo dizer quando apontamos o egoísmo com o qual vive hoje. Sempre que constatamos uma característica do ser humanizado, como hoje estamos fazendo com o egoísmo, compreendemos que ela é um fundamento do ser humanizado porque faz parte do atual nível de elevação do espírito. Jamais afirmamos que um ser universal, um filho de Deus é “ruim”, “mal” ou “errado”.

Aliás, como já afirmamos anteriormente em diversas oportunidades, sabemos que o espírito é sempre luz, puro por natureza e jamais perderá na sua essência esta pureza. Ele “está” viciado em egoísmo, “está” egoísta, como resultante do seu atual nível de elevação espiritual, mas não é nada disso. Todo seu individualismo é uma poluição que surgiu com o advento, ou seja, com a ligação à personalidade humana (ego) que está vivenciando para provar a si mesmo que é capaz de superar o vício do egoísmo.

Então, não acusamos ninguém: mostramos o caminho onde o egoísmo pode ser superado para que o ser humanizado tenha consciência da sua ação e possa mudar a sua forma de vivenciar a vida carnal. Só isso.

Declaramos expressamente que para nós não há “mal”, não há nada “errado”, mas que existem apenas espíritos vivenciando a sua existência, seja na matéria ou fora dela, dentro do seu nível de elevação espiritual.

Esta também deverá ser a sua atitude se quiser libertar-se nesta vida do egoísmo que está vivenciando. Constatar que não existem seres humanizados “maus”, “ruins” ou “errados”, mas que cada espírito possui valores dentro do seu grau de elevação espiritual.

Se ao contrário, continuar se prendendo aos seus padrões como o “certo”, saiba que, mesmo que busque o caminho da espiritualidade, estará praticando o espiritualismo materialista, aquele que acusa os outros de “pecador”.

916. Longe de diminuir, o egoísmo cresce com a civilização, que, até, parece, o excita e mantém. Como poderá a causa destruir o efeito?

Quanto maior é o mal, mais hediondo se torna. Era preciso que o egoísmo produzisse muito mal, para que compreensível se fizesse a necessidade de extirpá-lo. Os homens, quando se houverem despojado do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, sem se fazerem mal algum, auxiliando-se reciprocamente, impelidos pelo sentimento mútuo da solidariedade. Então, o forte será o amparo e não o opressor do fraco e não mais serão vistos homens a quem falte o indispensável, porque todos praticarão a lei da justiça. Esse o reinado do bem que os Espíritos estão incumbidos de preparar.

Repare bem no início deste ensinamento do Espírito da Verdade para que possamos ter consciência da hipocrisia (dizer que está pensando no outro, mas está sempre pensando em si) com que o ser humanizado vive: “era preciso que o egoísmo produzisse muito mal para que compreensível se fizesse a necessidade de extirpá-lo”.

Para falar dessa hipocrisia lhes pergunto: o que motivou as cruzadas, as chamadas guerras santas? Egoísmo. O que motivou os senhores de terra em criar e sustentar a escravidão? Egoísmo.

Os acontecimentos considerados como hediondos da história da humanidade sempre foram causados para atenderem a interesses individuais de determinados seres humanizados, ou seja, viciados no egoísmo destes. Mas por que Deus permitiu que isso acontecesse? Segundo o Espírito da Verdade para que você e todos os outros espíritos encarnados compreendessem o que o egoísmo de cada um produz.

Mas, não foram apenas esses os acontecimentos hediondos que ocorreram na história da humanidade. Na verdade eu utilizei exemplos muito distantes no tempo da realidade. Por que fiz isso? Porque este livro é do final do século XIX, ou seja, os acontecimentos hediondos a que se referiu o Espírito da Verdade eram esses.

Depois da publicação deste livro, ou seja, depois da divulgação deste ensinamento, já tivemos outros acontecimentos hediondos. Aconteceu a primeira e a segunda guerra mundial, a bomba atômica e mais recentemente os atos terroristas que são considerados pela humanidade como acontecimentos hediondos fundamentados no egoísmo de seres humanizados.

Estes acontecimentos recentes certamente não estavam na “cabeça” de Kardec quando ele fez a pergunta ao Espírito da Verdade. No entanto, se estivessem, o ensinamento seria o mesmo: ocorreram para que os seres humanizados compreendessem a que ponto pode levar a ação egoísta baseada nas suas vontades individuais.

Eu pergunto então: o que você, que já conhece este ensinamento, fez com relação a estes crimes hediondos? Agiu egoisticamente criticando aquele que foi egoísta. Mas você não acha que ao agir assim foi egoísta. Pelo contrário, imagina que estava “certo”.

A humanidade precisa compreender que a crítica, mesmo que dirigida ao egoísta, é ação do egoísmo de quem critica. Nenhuma crítica pode ser considerada “sadia” porque ela é fundamente numa verdade individualista, num padrão individual de verdade. Portanto, ação egoísta.

Como já estudamos fartamente, Deus cria os acontecimentos da Terra para que você compreenda a essência que causou tal ato e possa, assim, abrir mão da utilização de tal essência.

Nenhuma guerra surge no planeta se não houver uma intenção egoísta, se não houver um desejo individual. Portanto, as guerras existem para que você aprenda onde o egoísmo pode levar e abra mão de seus desejos próprios, mesmo que eles sejam considerados “certos”.

Mesmo que você deseje a paz, abra mão desse desejo para não criticar o próximo, pois se o fizer, estará agindo igualzinho a ele: fazendo guerra a quem quer guerrear.

O primeiro passo para poder abrir mão do egoísmo é abrir mão da crítica a quem age fora dos seus padrões individuais de “certo”. Ame a todos e a tudo acima de qualquer padrão que você tenha de certo ou errado. Aliás, Cristo ensinou: se você só cumprimenta quem lhe ama que vantagem tem? Até os pagãos fazem isso…

Faça as pazes com quem quer a guerra, pois só assim expressará o verdadeiro amor. A crítica, por mais que embasada em “boas intenções”, jamais será um ato de amor, pois ela se fundamenta no “eu”, no que cada um “sabe”, o que cerceia o direito do outro achar diferente.

Mas, para que você possa fazer a paz com quem quer a guerra é preciso antes se libertar do seu “eu” e da vontade de que este “eu” se sobreponha ao do próximo. Não me venham dizer que é impossível deixar de criticar Hitler porque ele fez a guerra ou o presidente dos Estados Unidos à época porque ele autorizou o uso da bomba atômica, porque não são deles estas ações.

Como o Espírito da Verdade acabou de nos dizer, o egoísmo precisa gerar um crime hediondo para ver se a humanidade cai na real e deixa de ser egoísta, de querer só para si, de querer levar vantagem em tudo. Por isso, se não fossem estes seres humanos que você acusa, teriam que ser outros, pois a guerra existiu e continuará existindo porque os seres humanizados ainda agem egoisticamente no seu dia a dia.

Nós estudamos anteriormente em “O Livro dos Espíritos” que a justiça consiste em respeitar o direito do outro (pergunta 875). Portanto, se você não quer que haja guerra e quer ser realmente justo, é preciso respeitar o direito do outro que quer fazer a guerra e não criticá-lo ou acusá-lo por isso.

Mas não, você acredita que precisa atacar quem quer guerrear para poder defender a paz ou para que a justiça prevaleça. Na verdade você não está defendendo a paz nem a justiça, mas aquilo que você considera como paz e justo, ou seja, os seus padrões individuais de paz e justiça. Por isso falei inicialmente em descobrir a nossa hipocrisia.

Estou usando a guerra como um exemplo apenas para entendermos, mas leve isso para todas as coisas da vida. Você diz que quer viver bem com todos, mas para que isso aconteça realmente tem que aprender a viver bem com todos e não exigir que os outros se fundamentem em você para que possa existir a boa convivência.

Ou seja, você acredita que os outros precisem agir como você agiria em determinada situação para que esteja em paz com ele. Para mim isto tem outro nome: opressão, totalitarismo.

Veja como é hipócrita a sua posição. Você diz que critica o próximo por amor, por querer o “melhor” para ele ou até para que a justiça aconteça, mas na verdade a sua real intenção é a total submissão do próximo ao seu padrão de “certo” para satisfazer o seu egoísmo.

Não, a crítica jamais será fundamentada no amor ou na justiça. Cada um tem o direito e a liberdade de agir e para que eu p ame verdadeiramente preciso respeitar este direito. Mas poder conceder esta liberdade ao próximo, é preciso que cada um se liberte do seu egoísmo, do vício de olhar primeiramente para si: o que acha “certo”, “bonito” ou o que quer.

Aprenda: para o mundo espiritual não é o ato em si que vale, mas a intenção com que cada um participa dos atos da existência carnal. E a intenção com a qual os espíritos participam dos atos humanizados hoje devido ao seu patamar de elevação espiritual fundamenta-se no “eu”, pois busca atender àquilo que cada um acha que deveria acontecer.

917. Qual o meio de destruir-se o egoísmo?

Antes da resposta do Espírito da Verdade deixe-me fazer um pequeno comentário. Preste bem atenção ao que vamos falar agora porque se o egoísmo é a determinante do seu nível de elevação espiritual, a ascensão só acontecerá com a destruição dele. Portanto, o que falaremos agora é fundamental para aquele que pretende aproveitar esta encarnação.

Só quando compreendemos profundamente a questão do egoísmo e da retirada da hipocrisia que comentei anteriormente (dizer que faz por amor e justiça quando apenas quer a submissão) poderemos realmente realizar o trabalho da reforma íntima. Sem esta ação moralizadora verdadeira o espírito se ilude durante a sua existência carnal achando que está fazendo o “certo”. Só depois do desencarne percebe a intenção egoísta com a qual vivenciou os atos de sua vida, mas aí já é tarde para alcançar a reforma íntima.

Costumo dizer que na luta contra o ego (elemento que cria a ação egoísta) é preciso mirar no general e não nos soldados. O supremo comandante do ego é o egoísmo que cria vários soldados (vaidade, ganância, soberba) para combaterem o espírito. Este general, no entanto, está camuflado pelas próprias ilusões de “certo” e “errado” que o ego criou e por isso não é localizado.

O espírito, então, luta contra os soldados, mas não ataca o comandante. O ego permite que o espírito faça isso e até que vença alguns de seus subordinados, para poder proteger-se no anonimato e continuar agindo nos subterrâneos da intenção dos seres sem ser percebido.

Neste trecho iremos mirar no general do seu ego (nos seus padrões de “certo” e “errado”) e não ficar atirando em soldadinhos que são peões nesta batalha. Iremos tratar o cancro que causa a ferida e não tratar dos efeitos que ele provoca.

Como a resposta de Fénelon é grande e aborda diversos aspectos, a estudaremos em parte.

De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pode libertar-se e para cujo entretenimento tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação.

O egoísmo decorre da materialidade, nos ensina o amigo espiritual.

Já estudamos anteriormente o tema “materialidade” e definimos que ela não se consiste em estar ligado a uma massa carnal, mas acontece quando o ser universal encontra-se ligado a um ego humano. Portanto, o egoísmo surge e é natural no espírito quando ele está ligado a um ego humano.

Sendo assim, enquanto houver a ligação com o ego, a intenção que o ser humanizado terá será sempre fundamentada no egoísmo. Não importa a que ato estejamos nos referindo, vivenciá-lo subordinado aos padrões ditados pelo ego é ter a intenção baseada no egoísmo.

Seja na aplicação das leis humanas, seja nos padrões organizacionais de uma sociedade, seja na orientação do próximo sobre o que é “certo” (educar), enquanto o ser universal estiver humanizado (submisso aos padrões ditados pelo ego) o egoísmo ocorrerá.

Não importa que você “ache” que esteja “certo” ou até que a grande maioria concorde com você; se aplicar o que você acha que deveria estar acontecendo para julgar a atitude do próximo ocorreu um egoísmo e não uma justiça ou um amor.

Mas você não vê assim. Acredita que o acatamento às leis humanas deve ocorrer, que os padrões organizacionais de uma sociedade precisam ser respeitados, que você deve “educar’” os outros para eles ajam de forma “certa”. Mas quem disse isso?

As leis humanas são temporárias e individualizadas; as organizações sociais são extremamente diferenciadas de acordo com cada povo; o que você acha “certo” já se modificou milhares de vezes durante essa existência. Ou seja, nada disso é universal; e tudo que não é universal é ilusório, individual.

As leis que você acha “certa” são ilusórias, as organizações sociais que você imagina que todos têm que se submeter são ilusões, tudo que você acredita como “certo” mudará quando se libertar dos padrões impostos pelo ego. Portanto, exigir agora o cumprimento destes padrões ao próximo é submeter-se ao ego o que, naturalmente, leva ao egoísmo.

Enfim, ter um padrão, seja sobre que assunto for, de “certo” ou “errado”, “bonito” ou “feio”, gera automaticamente a presença do egoísmo, porque ele se consiste na cobrança de que o próximo atenda o seu padrão.

É por isso que Buda chama os padrões de paixões. Você é verdadeiramente apaixonado pelos seus padrões de “certo” e “errado” e desta paixão surge, então, o desejo do cumprimento daquilo que você acha “certo” e o desejo da não existência daquilo que você acha “errado”. Ou seja, o egoísmo em ação.

O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas.

Dois aspectos a analisarmos neste trecho. Primeiro: o egoísmo acaba com a elevação moral.

Se o egoísmo é contrário à elevação espiritual e se ele é fundamentado no “eu”, a elevação moral se consiste em buscar o “nós”. A partir daí pergunto: o que é elevar-se moralmente?

Certamente não tem nada a ver com não fazer aborto, com não matar, ou seja, não está vinculada a padrões humanos. A elevação moral ocorre apenas quando o ser humanizado abandona o “eu” e vive o “nós”, não tendo importância que atos ele pratique.

O “nós” a que estamos nos referindo é aquele que é alcançado pela fusão perfeita de todos, ou seja, quando todos tiverem direitos iguais. Sendo assim, a elevação moral é alcançada quando cada um tiver o direito de ser, estar e fazer o que quiser e você não o julgue por isso.

Segundo aspecto destacado por Fénelon: o espiritismo lhe ensina a Realidade. Para podermos entender isso vamos ver que Realidade o Espiritismo nos ensina.

Em primeiro lugar o Espiritismo diz que você é um espírito. Encarnado, ligado a um ego, mas que não deixa de ser um espírito. Isso fica bem claro numa série de perguntas que já estudamos, mas para relembrar vou citá-las.

O que era a alma antes de encarnar? Espírito. O que voltará a ser a alma depois de desencarna? Espírito.

“Estar alma”, ou seja, encarnado, portanto, não acaba com nossa essência Real (espírito), mas apenas destaca uma condição especial temporária de vivência (estar ligado a um ego).

Segunda Realidade que o Espiritismo ensina: há uma interação entre mundo espiritual e material a tal ponto que nada acontece neste mundo sem a interseção dos espíritos.

Como esta Realidade criada pelo Espiritismo nem sempre é aceita pelo ego humanizado, vou citar textualmente o comentário de Kardec aos ensinamentos do Espírito da Verdade.

“Imaginamos erradamente que aos Espíritos só caiba manifestar sua ação por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e muito natural o que se escuta com o concurso deles”.

“Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem, crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre arbítrio” (pergunta 525 a).

Nas perguntas seguintes (526 a 528) esta Realidade fica muito mais clara quando o Espírito da Verdade mostra que os espíritos conduzirão o homem que deve sucumbir para uma escada quebrada ou para debaixo da árvore onde o raio cairá. Isto acontece deste jeito porque os espíritos fora da carne não podem alterar o curso dos elementos da natureza, mas dirigem o homem para que lhe aconteça o que está previsto. Cita ainda esta parte do estudo de O Livro dos Espíritos que aquele que não deve morrer de uma bala perdida será inspirado para se desviar, já que os trabalhadores do Senhor não podem desviar a bala para salvar o homem.

Esta é a Realidade que o Espiritismo ensina: os espíritos comandam as ações do ser humano ao invés de, como mágicos, agirem sobre os elementos da natureza.

Este conhecimento deveria lhe levar, nas palavras de Fénelon a acabar com a ficção alegórica que você vivencia e chama de realidade, verdade. A sua realidade não tem nada de Real, pois você não percebe toda movimentação dos amigos espirituais guiando seus passos, mas imagina que age por moto próprio.

Krishna define a realidade que o ser humanizado vive como fantasias fantasmagóricas. Ou seja, os dois mestres têm a mesma compreensão sobre aquilo que você vive como real: uma ficção, uma fantasia.

Olhe agora para o computador à sua frente. Você está vendo um monitor que está projetando uma imagem? Esta percepção é uma ficção alegórica, uma fantasia fantasmagórica. O que está à sua frente na realidade é fluído cósmico universal.

Você está vendo agora um inimigo, alguém de quem não goste? Isto é uma ilusão, uma ficção alegórica, porque não há um ser humano à sua frente, mas um espírito encarnado. A sua compreensão de que ele está agindo contra você também é uma ficção porque ninguém pratica atos, mas cumpre ações guiadas pelos amigos espirituais a partir do mundo dos espíritos.

Então veja. Não é só hinduismo que fala, mas também o Espiritismo diz que você vive uma peça de teatro chamada “Divina Comédia Humana”, como realidade, mas que ela não passa de uma ficção alegórica, de fantasias fantasmagóricas.

Quando, bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o Espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais.

Quando bem entendido e identificado o Espiritismo poderá surtir algum resultado na sua elevação espiritual. Antes, não.

Que adianta você dizer que compreende os ensinamentos de O Livro dos Espíritos; que adianta você dizer que se identifica com os ensinamentos trazidos pelo Espírito da Verdade, se ainda chora em um enterro acreditando que seu ente querido acabou?

Que adianta dizer que se identifica com estes ensinamentos se eles afirmam que os espíritos nos guiam, que ninguém morre antes da hora e que Deus sabe a forma como cada um vai desencarnar (pergunta 853 a) se você ainda acredita num assassinato praticado por um assassino?

Não adianta estudar: é preciso compreender e se identificar com a Realidade criada pelo ensinamento. Mas, para criar esta Realidade é preciso se libertar do individualismo. Sem isso, o próprio egoísmo que criará uma interpretação individual de O Livro dos Espíritos e dirá que você é que está “certo”.

Neste caso você não mudou nada, não reformou nada, porque a base, a essência da intencionalidade continua o que você acha está “certo” e o que os outros acham “que se dane”.

Esta palavra parece forte, mas é preciso compreender que quando nos apegamos somente àquilo que acreditamos como “certo” e não damos aos outros o direito de pensar diferente em qualquer aspecto da vida, estamos demonstrando o nosso menosprezo pelo irmão.

Repare que, como Fénelon, falei em todos os aspectos da vida e não só naqueles que você quer alterar. Este é o aspecto que precisa ser atentado por quem quer atacar diretamente o general.

Se o ser humanizado separar verdades que podem ser abandonadas e deixar outras que imagina que são sem importância para o mundo espiritual, nada estará realizando. A vitória precisa ser total.

Não existem atos da vida que não tenham relevância na elevação espiritual. Tudo é fundamental no trabalho da reforma íntima porque só existe um único mundo que é composto por tudo.

O egoísmo assenta na importância da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da imensidade.

Exato: o seu sentimento egoísta precisa acabar quando surge a compreensão da existência única do espírito.

Veja bem. O seu egoísmo atual é exercido com base nos elementos (paixões) da sua personalidade de hoje… e a de ontem, era “errada”? Será que os que existirão nas futuras serão iguais aos de hoje?

Além do mais, seus valores egoístas podem ferir a Realidade espiritual dos outros seres que o cerca. O desejo de a sua mãe permanecer “viva”, por exemplo, precisa acabar quando se compreende a real existência de um ser humano: a encarnação de um espírito.

Quando você entende que “ela” é um espírito e que tem toda uma vida espiritual a ser vivida, precisa abandonar toda a sua vontade de que permaneça “viva”, apenas para satisfazer os seus caprichos, as suas vontades. Isso porque, aprisionando-a a esta existência, estará “atrasando” o seu processo evolucional.

Sem esta consciência não adianta se dizer espírita, não adianta orgulhar-se de seu conhecimento, não adianta ir ao centro toda semana. Sem esse despossuir o “eu” nada se faz, por mais que se desvende o invisível.

Destruindo essa importância, ou, pelo menos, reduzindo-a às suas legítimas proporções, ele necessariamente combate o egoísmo.

O que é reduzir às suas devidas proporções? É reduzir os fatos da vida à carne, à matéria, apenas.

No exemplo que dei anteriormente (a morte da mãe) reduzir este acontecimento à sua legítima proporção seria acreditar que um papel até então desempenhado por um espírito encerrou-se. Isto é bem diferente de acreditar que “a mãe morreu”. É isso que é reduzir a importância: dar ao acontecimento o valor temporário que ele tem.

No entanto, mesmo para aqueles que conhecem os ensinamentos do Espírito da Verdade, a morte é tratada como se fosse o fim. Choram afirmando que nunca mais verão seus parentes e amigos, enquanto aprenderam que a existência do espírito é eterna. Quem age desta forma pode se dizer espírita?

É preciso reduzir os acontecimentos do mundo à sua real importância. O que vale um acontecimento do mundo frente à existência eterna do espírito? Nada.

Cristo já nos ensinou: Deus julga a intenção de cada um. É isso que tem valor para o mundo espiritual: a intenção com que se participa dos acontecimentos.

Se você participa com a intenção de ganhar individualmente, não importa o que esteja fazendo, mesmo que seja um ato considerado pela humanidade como caridoso, nada fez a respeito do mundo espiritual, ou a respeito da sua reforma: deixar de ser egoísta.

Participante: E como nós passamos isso para nossos filhos?

Para sabermos como passar para nossos filhos, precisamos saber antes como passamos agora.Ou seja, como você educa seu filho hoje.

“Olha como você está bonita com esta roupa nova”… “Como você está lida penteada e de banho tomado”… “Como seu quarto está lindo arrumado”.

Posso, sem medo de errar, dizer que toda a educação que você dá a seu filho é forjada em cima daquilo que você acha “certo”, não? São os seus padrões de “certo” e “errado” que criam o “elogio” (aquilo que deve ser aprendido) e a “crítica” (aquilo que não deve mais continuar sendo feito).

Isto é egoísmo e não amor. Muitos pais dizem que agem assim para “ensinar” os filhos porque os amam, mas na verdade estão agindo egoisticamente, ou seja, estão pensando em satisfazer a si mesmo, aos seus padrões, e não nos filhos.

Além de se prenderem unicamente em posturas materiais, os pais não respeitam o direito do filho, o livre arbítrio deles, pois coíbem o “querer” do próximo.

É assim que educam seus filhos: pensando em ter o prazer de ter um filho que seja cópia de vocês, mesmo que para isso eles percam a sua individualidade.

Como passar este ensinamento que estamos conversando hoje para seu filho? Abrindo mão do seu egoísmo, ou seja, abrindo mão do seu desejo de transformar o seu filho na cópia daquilo que você quer.

Ensina-se o filho a acabar com o egoísmo não sendo egoísta. Achando-o lindo de qualquer jeito, não o incentivando a estudar apenas para ser “alguém na vida” e ganhar um salário maior e ter mais posses…

Os seres humanizados, mesmo os que se dizem espíritas, incentivam seus filhos a valorizar aqueles que têm posses materiais e a possuir tudo o que puder. Na verdade, estes seres transformam aqueles que possuem um “bom nível de vida” num espelho a ser seguido e não aqueles que, mesmo não tendo, amam a todos e a tudo.

Mude tudo isso. Ensine seu filho a valorizar o “nós” e não valorizar o que os outros têm. A viver feliz não importando se o quarto esteja arrumado ou não.

Não o incite a valorizar o ato elogiando a organização dele, o não fazer barulho quando você quer silêncio, o agir de determinada forma porque você e a sociedade esperam isso dele, mas sim a perseguir uma intenção amorosa em todas as situações.

Criar o espírito e não o filho: este é o segredo.

Ensine-o a amar incondicionalmente: a tudo e a todos. Amar sem regras, sem exceções. Não o ensine a “ganhar”, a ser bem comportado, organizado, culto ou a valorizar o que é material, mas sim a ter “paz de espírito” e estar em harmonia com o mundo.

Mas, para poder ensinar tudo isso ao seu filho você precisa também estar buscando isso e, para tanto, é preciso estar buscando se libertar do seu egoísmo, do seu desejo de que seus padrões sejam atendidos. Portanto, para educar seu filho, comece mudando você mesmo.

Liberte-se você do seu egoísmo para poder educar o seu filho dentro desta forma de viver. Liberte-se dos seus padrões de “arrumado”, de “bonito”, de “certo” e “errado”, do que seu filho tem que fazer agora, senão não saberá ensinar nada.

Aliás, o fundador material do espiritismo, Allan Kardec, compreendeu bem isto. Veja o seu comentário ao estudo deste item:

Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade progrida. Os bons sentimentos são animados, estimulados e honrados mais do que em qualquer outra época. Entretanto, o egoísmo, verme roedor, continua a ser chaga social. É um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo, como se combate uma enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. Procurem-se em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, ostensiva ou ocultamente, excitam, alimentam e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. Só restará então destruí-las senão totalmente, de uma só vez, ao menos parcialmente, e o veneno pouco a pouco será eliminado. Poderá ser longa a cura, porque numerosas são as causas, mas não é impossível. Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação, não por essa que tende a fazer os homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação. É grave erro pensar-se que, para exercê-la com proveito, baste o conhecimento da Ciência. Quem acompanhar, assim o filho do rico, como o do pobre, desde o instante do nascimento e observar todas as influências perniciosas que sobre eles atuam, em conseqüência da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que os dirigem, observando igualmente com freqüência falham os meios empregados para moralizá-los, não poderá espantar-se de encontrar pelo mundo tantas esquisitices. Faça-se com o moral o que se faz com a inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, muito maior do que se julga é o número das que apenas reclama boa cultura, para produzir bons frutos.

O homem deseja ser feliz e natural é o sentimento que dá origem a esse desejo. Por isso é que trabalha incessantemente para melhorar a sua posição na Terra, que pesquisa as causas de seus males, para remediá-los. Quando compreender bem que no egoísmo reside uma dessas causas, a que gera o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, que a cada momento o magoam, a que perturba as relações sociais, provoca dissensões, aniquila a confiança, a que o obriga a se manter constantemente na defensiva contra o seu vizinho, enfim, a que do amigo faz inimigo, ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua felicidade e, podemos mesmo acrescentar, com a sua própria segurança. E quanto mais haja sofrido por efeito desse vício, mais sentirá a necessidade de combatê-lo, como se combatem a peste, os animais nocivos e todos os outros flagelos. O seu próprio interesse a isso o induzirá.

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.

Participante: Mas, o senhor ensina que os atos desta existência estão pré-escritos como vivencia de carmas. Sendo assim, se ela precisar por causa dos seus carmas de alguém que lhe cobre organização, alguém terá que ser o instrumento deste carma, certo?

Se ela precisa do carma de ser chamada à organização você, com certeza, praticará atos que espelhem uma cobrança à organização. No entanto, tal entendimento não fere o ensinamento que lhe passei agora. Isto porque eu não falo em atos, mas no interior de cada um.

O que estou ensinando aqui ao comentar o egoísmo que move cada ser humanizado é que você pode, se isso é o carma dela, cobrar exteriormente organização, mas, por dentro (sentimentalmente) não pode se sentir responsável e nem esperar ou exigir que ela se organiza.

Por dentro, no íntimo e não nos atos: aí está a diferença.

A decisão dela se organizar ou de continuar sendo desorganizada não está ao seu alcance nem ao dela. Ela será da forma que terá que ser carmaticamente falando, independente de qualquer outra atitude sua ou de qualquer um, pois este é o “papel” dela nesta vida. Como ensina Krishna, cada um age dentro da sua personalidade.

Da mesma forma, você falar, brigar, gritar, pedindo que ela se organize também terá que acontecer, pois este é o seu “papel”. Agora, quando você sofre porque ela não faz o que você quer utilizou o seu individualismo, o seu egoísmo para gerar o sofrimento.

O ensinamento que estamos debatendo hoje é interno, é um estado de espírito. Na hora que você, por atos, cobrar organização mas, ao mesmo tempo, não cobrar de você sofrer porque ela não se organizou, libertar-se-á do individualismo, deixará de ser egoísta.

O choque, que o homem experimenta, do egoísmo dos outros é o que muitas vezes o faz egoísta, por sentir a necessidade de colocar-se na defensiva.

Que ensinamento maravilhoso. Vamos lê-lo juntos, para tentar captar em toda profundidade o que Fénelon ensina.

O choque do egoísmo do outro lhe faz egoísta. Ou seja, quando o outro faz o que quer baseado nos seus padrões de “certo” e “errado”, você se torna egoísta, ou seja, utiliza os seus padrões para julgá-lo e, assim, acaba achando que ele não deveria fazer o que está fazendo.

Você se transforma em egoísta quando alguém lhe contraria porque premia os seus valores como “certos” e quer impô-los ao outro. Julga e critica porque quer defender o seu “eu” (conjunto de valores de um ego – consciência) do outro.

Para acabar com este egoísmo existe um provérbio de Salomão que diz: se Deus é por mim, quem poderá ser contra. É isso que o ser humanizado se esquece e, por isso, tenta se “defender” do outro.

A humanidade não vê Deus a seu favor. Vive com a realidade de que o outro está lhe massacrando, ferindo, atacando, mas isso é ilusão. Na verdade o outro está apenas exercendo o direito dele achar que está certo.

Mas, para que ele age assim na sua frente? Para que você se liberte do seu individualismo.

Veja, se você não se conscientizar que não existe o “certo”, mas sim o que você quer que seja feito, ou seja, o seu “certo”, não evoluirá nunca. É para que você se conscientize de que tem um “certo” que precisa ser eliminado para acabar com o egoísmo é que Deus faz os outros fazerem diferente do que você espera e quer.

Podemos, então, compreender que Deus faz o outro usar do individualismo dele na sua frente para que você tenha uma oportunidade de dizer: “meu Deus, eu sou egoísta porque quero que o outro utilize o meu ‘certo’ e não o dele”. Este é o “motor” da vida, ou o carma em ação.

Conscientize-se de que você quer cobrar mudanças no outro, exigir padrões de ação neles, mas não quer que ninguém lhe cobre, que ninguém lhe contrarie. Egoísmo, puro egoísmo.

Se Deus é por mim e está ao meu lado, o outro pode fazer o que quiser que eu não vou precisar exigir a justiça, mas entenderei o “recado” do Pai e O louvarei, pois Ele ama a todos que são diferentes de mim, sem cobrar mudanças neles.

Foi isto que Fénelon ensinou e, por isso eu disse: que lindo ensinamento.

Notando que os outros pensam em si próprios e não nele, ei-lo levado a ocupar-se consigo, mais do que com os outros. Sirva de base às instituições sociais, às relações legais de povo a povo e de homem a homem, o princípio da caridade e da fraternidade e cada um pensará menos na sua pessoa, assim veja que outros nela pensaram.

Aplique estes ensinamentos em qualquer situação que você viva, independente da suposta “importância” que conceda a eles. Assim, com certeza, ele servirá como base para a prática da caridade necessária ensinada pelos mestres.

Ou seja, que ele sirva como guia a você quando é criticado, acusado, perseguido, xingado, ofendido, atacado, para poder praticar a caridade: dar ao outro o direito de, aparentemente, agir contra você sem que para isso você precise criticá-lo.

Aliás, não foi assim que Cristo reagiu durante a sua “crucificação”: Pai, perdoa, eles não sabem o que fazem…

Deixe os outros falarem e acharem o que quiserem: esta é a verdadeira caridade. Dê ao outro o direito de ser individualista, de viver a sua individualidade e você, abrindo mão de viver a sua, vivencia a universalidade.

Nós ainda estamos na mesma pergunta: como vencer o egoísmo. No entanto, repare que os ensinamentos extraídos nesse pequeno texto não precisam de conhecimentos anteriores para ser compreendido. Portanto, se você quer se libertar do mal maior da humanidade (o egoísmo) não precisa perder tempo em estudos profundos, mas apenas ler este trecho de Fénelon e compreendê-lo em toda a sua profundidade.

Todos experimentarão a influência moralizadora do exemplo e do contacto. Em face do atual extravasamento de egoísmo, grande virtude é verdadeiramente necessária, para que alguém renuncie à sua personalidade em proveito dos outros.

É o que eu acabei de falar: abrir mão da sua personalidade em favor do outro.

Vamos criar um exemplo poder explicar melhor. Alguém lhe diz que você está fazendo a coisa “errada”, que você não sabe fazer aquilo. A sua personalidade, o seu “eu material” (ego) dirá que ele é que não sabe o que faz. O acusará , xingará e criticará.

Esta é a reação de um ser humanizado. Mas você, que quer se espiritualizar, que quer se elevar, que quer chegar mais perto de Deus precisa abrir mão de tudo isso e deixar outro achar o que quiser, sem acusações ou críticas.

Isto porque no fundo de tudo, no resumo de tudo da vida, nenhuma influência terá o que o outro acha de você ou vice-versa, pois tudo é sempre entre você e Deus. Então o que importa o que os outros acham?

O que importa para a sua existência espiritual o que o outro, exercendo o seu individualismo, os seus padrões de “certo” e “errado”, acha de você, se na hora do seu “julgamento” (avaliação do resultado de sua encarnação) o que importará é o que Deus souber? E Ele sabe o que ninguém sabe…

Ele sabe que não há nada “errado” ou “certo” acontecendo, mas que um carma foi proposto e o espírito humanizado agiu com intencionalidade egoísta ou universalista.

Lembre-se do que Cristo ensinou: com o mesmo argumento que você usar para julgar será julgado. Ou seja, se você coloca o seu individualismo para julgar os outros ao invés de deixar tudo nas mãos de Deus, o seu individualismo será “julgado”

Principalmente para os que possuem essa virtude, é que o reino dos céus se acha aberto. A esses, sobretudo, é que está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que, no dia da justiça, será posto de lado e sofrerá pelo abandono, em que se há de ver, todo aquele que em si somente houver pensado..

O que está dito neste trecho foi exatamente o que estudamos nesta resposta. Trata-se, portanto, de um resumo.

918. Por que indícios se pode reconhecer em um homem o progresso real que lhe elevará o Espírito na hierarquia espírita?

O espírito prova a sua elevação, quando todos os atos de sua vida corporal representam a prática da lei de Deus e quando antecipadamente compreende a vida espiritual.

Como se reconhece o “homem de bem”? Quando ele coloca o amor ao próximo em prática. Como se amar ao próximo? Libertando-se do seu individualismo.

Não há como mamar ao próximo e a si mesmo ao mesmo tempo… Não estou falando em amar como vocês conhecem, no sentido material que se dá a este sentimento, mas sim no amor universal, fraternal.

Este estado de espírito acontece quando o ser humanizado ama ao próximo antes de si, ou seja, quando ele respeita o direito do outro ser diferente dele. Por isto afirmei que a crítica, por mais bem intencionada que seja, não é e jamais poderá ser um ato de amor.

Veja a conclusão que chegou Allan Kardec e repare se não é isto que falei agora:

Verdadeiramente, homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade, na sua maior pureza. Se interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não transgrediu essa lei, se não fez o mal, se fez todo bem que podia, se ninguém tem motivos para dele se queixar, enfim, se fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça.

É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças.

Se Deus lhe outorgou o poder e a riqueza, considera essas coisas como um depósito, de que lhe cumpre usar para o bem. Delas não se envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também lhas pode retirar.

Se sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os com bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho.

É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa a indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.

Não é vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos benefícios, pois não ignora que, como houver perdoado, assim perdoado lhe será.

Respeita, enfim, em seus semelhantes todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como que que os mesmos direitos lhe sejam respeitados.

É isto que caracteriza um “homem de bem”: aquele que participa das ações com a intencionalidade de servir ao próximo, buscando sempre servi-los e não corrigi-los. Esta característica, no entanto, deve surgir principalmente naquele que aprende a ver as coisas do alto, ou seja, aquele que conhece e reconhece a existência espiritual.

A prática do ensinamento é o espiritualismo e não apenas o conhecimento dele.

Encerrando, posso dizer que o dia de hoje foi totalmente destinado à libertação do “eu”, das nossas verdades e dos nossos padrões.

O Espírito da Verdade nos ensinou hoje o que é elevar-se espiritualmente: dar ao próximo o direito dele ser, estar e fazer o que quiser sem que com isso possamos julgá-lo ou criticá-lo.

Aí está o segredo do Universo. Aí está o segredo da elevação espiritual.

Ninguém falou em meditação, em viagem astral, em oração ou técnicas espirituais. Falou-se em coisas reais, não em ilusões. Isto porque tudo que o ser humanizado vive racionalmente é vivenciado na ilusão, mesmo que o tema da razão seja espiritualidade.

A viagem astral é uma ilusão porque a compreensão do que se vê quando se “sai da carne” passa pelo ego. A oração também é uma ilusão porque ela passa pelo ego.

Desta forma afirmo que o único trabalho, a única coisa que você pode fazer no sentido de espiritualizar-se é vencer a si mesmo.

Vencer o seu apego ao ego que lhe transforma em egoísta. Vencer o seu apego aos seus padrões de “certo” e “errado”, de “bonito” e “feio”, de “limpo” e “sujo”, que diz o que tinha que fazer ou não.

É só nisso que se consiste a vida. Você está vivo para isso. Você nasceu para fazer isso, acordou hoje de manhã para isso, está respirando agora para isso e mais nada.

Você não tem um trabalho material nem espiritual a realizar nem família para cuidar. O que você tem para fazer é na vivência de cada um desses elementos, não importa o que estiver acontecendo, vencer você.

Você tem que vencer suas verdades, seus apegos, suas paixões, suas convicções que levam ao exercício do egoísmo. É nisso que se resume a sua vida.
FONTE: http://www.universalismo.org/

OUSAR

 

 

 

Para começarmos nossa conversa de hoje, gostaria de fazer uma pergunta: qual a responsabilidade do espírito? Qual a responsabilidade que o espírito assume ao encarnar?

A nossa responsabilidade como encarnado é a de promover a reforma íntima. Todos os espíritos que estão ligados a uma consciência material só se encontram neste estágio da sua existência espiritual porque assumiram o compromisso de buscar a elevação espiritual através da reforma íntima.

Se isto é verdade, é necessário, então, que se faça mais uma pergunta: o que é preciso para promover a reforma íntima? Do que precisa um espírito para honrar o compromisso assumido com Deus e com a espiritualidade antes da encarnação? Será que apenas o desejo de fazê-la é suficiente?

O ser humanizado pode ter muita vontade de fazer, mas nunca chegar a realizar, pois a vontade precisa se transformar em Realidade. Não basta apenas ter vontade: é preciso realização.

A partir do momento que o ser humanizado compreende a responsabilidade assumida antes da encarnação entende a necessidade da realização. Mas, só compreender não adianta, pois ele pode no primeiro obstáculo desistir.

Você pode ter vontade de reformar-se, pode desejar ardentemente elevar-se, mas se o desejo não se transformar em prática nada será conseguido. Só que para que esta prática ocorra há um elemento que é fundamental e sem ele nada se consegue em termos de elevação espiritual.

Claro, que o primeiro mandamento deixado por Cristo (amar a Deus sobre todas as coisas) é fundamental, mas o ser humanizado pode até amar ao Pai, mas na primeira adversidade estancar a prática da reforma íntima. Claro que existem muitos outros fatores tais como vontade, perseverança, afinco e outros que são importantes, mas um é fundamental.

Para que você promova a sua reforma íntima, ou seja, alcance a consciência espiritual – ter valores (verdades) na memória condizentes com a Realidade espiritual – é preciso que você ouse. A ousadia é uma característica fundamental de todos aqueles que conseguiram promover a sua reforma íntima, ou seja, conseguiram eliminar a consciência material e se fundiram com Deus.

A promoção da reforma íntima por parte de um ser encarnado, acima de tudo, é um ato de ousadia. É necessário coragem para ousar, mas é preciso ousar nesta “vida”, pois sem a ousadia não se realiza nada.

Qual o contrário de ousar? Acomodar-se. E o que é acomodar-se para um espírito que assumiu a responsabilidade de executar a sua elevação espiritual? É viver como a humanidade vive, perpetuar a sua ação dentro dos papéis planetários guiados pelas verdades da consciência terrestre.

NOTA: Papéis planetários – Diz-se das funções que o espírito vivencia durante a vida carnal: pai, mãe, filho, professor, médico, etc.

A acomodação se dá quando, mesmo de posse dos ensinamentos deixados pelos mestres, o ser humanizado continua vivendo como todo resto da humanidade, ou seja, continua balizando a sua existência dentro dos códigos de normas e comportamento impostos pela sociedade.

Isto é acomodação e com esta postura nenhum ser humanizado realiza a sua reforma íntima. De nada adianta se conhecer profundamente os ensinamentos trazidos pelos enviados de Deus, se o espírito não ousar colocá-los em prática indo contra a rotina da humanidade, jamais conseguirá realizar aquilo que se comprometeu em fazer.

Para que você realize a sua elevação espiritual é preciso que vá além das regras societárias do planeta que, afinal de contas, preservam a humanidade do ser e não visam à espiritualização deste. Por isto, é preciso ir além das regras das sociedades.

É preciso ir além dos preconceitos, das críticas e de todas as verdades pré-estabelecidas. É preciso ousar ir contra os sistemas pré-estabelecidos que há milhares de anos servem ao ser humano, ou seja, aprisionam o espírito na busca do bem material (as paixões e o prazer oriundo da satisfação dos desejos).

Sem a ousadia de buscar reformar a sua vida a partir de novos parâmetros libertando-se da escravidão da mesmice humana que ocorre há séculos, você não vai conseguir realizar aquilo que se comprometeu. Ficará preso no igual a que todo mundo faz e quem caminha igual chega no mesmo fim do outro. Portanto, ousar ser diferente é fundamental para a reforma íntima.

O que quer dizer o ensinamento de Cristo a respeito de oferecer a outra face? É ousar reagir de um modo diferente aos acontecimentos. Ousar não brigar com quem briga com você, quando a sociedade espera que “reaja à altura” a agressão sofrida.

É ousar ser taxado de bobo, de idiota por não reagir. É ousar “perder” aparentemente alguma coisa, mesmo que a sociedade lhe cobre que você deve ganhar sempre.

Sem a ousadia, ou seja, sem uma ação diferente da normalidade, do padrão pré-estabelecido e esperado pela sociedade, você não consegue realizar a sua reforma íntima.

Digo isto porque o que a sociedade espera e cobra dos seres humanos é revidar quando agredido. Quando ele não reage dentro dos padrões, é criticado, injuriado e acusado de “não saber viver”. Portanto, para poder se reagir de uma forma diferente é necessário ousar, pois a sociedade lhe cobrará a postura e você que busca a elevação espiritual não poderá se ofender com isto.

Esta não ofensa com a reação da sociedade terá que nascer da consciência de que se não ousar fazer diferente, jamais conseguirá aquilo a que se propôs, porque estará preso no mesmo caminho daqueles que não conseguem. Conscientizando-se da necessidade da ousadia, você poderá ir contra os padrões, mas sem isto, sofrerá no momento que for caluniado e nada terá realizado.

É por causa do medo de ousar, ou seja, por causa da acomodação a que se submetem os espíritos encarnados, que, quando conversamos sobre os ensinamentos deixados pelos mestres a respeito da família, por exemplo, as pessoas dizem: “ah, mas eu posso alcançar a evolução espiritual mantendo os meus vínculos familiares”. Não pode.

Todos os mestres da humanidade (Cristo, Buda, Krishna, Lao Tse), foram unânimes em questionar os padrões com que são vivenciados os laços familiares pela humanidade. Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? São todos aqueles que fazem a vontade de Deus.

Isto ocorre porque quando se fala em evolução espiritual, se fala em universalização enquanto que o padrão do vínculo familiar vivenciado no planeta é baseado na individualização: meu, minha. Ninguém quer destruir as famílias, mas é preciso que o ser humanizado aprenda a conviver neste núcleo dentro do amor universal (amar a todos) para alcançar a elevação espiritual.

Portanto, se você não ousar ir além do padrão “família” que é conhecido no planeta terra abolindo o “meu” pelo universal, não consegue elevar-se.

“Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Só pode ser meu seguidor quem pega a sua cruz e me segue. Quem se esforçar para conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perder a sua vida por minha causa vai achá-la” (Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículos 37 a 39).

Sem a ousadia nenhum espírito humanizado consegue a sua elevação espiritual porque não coloca em prática os mandamentos que Cristo deixou.

Para se cumprir o primeiro e o segundo mandamento (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo) que o mestre nazareno classificou como aquilo que efetivamente conduz à elevação espiritual é preciso ousar, pois só com ousadia o ser humanizado poderá amar sem restrições.

Amar sem restrições é não prever o que acontecerá pela sua ousadia. Um amor sem esperar nada, sem exigir nada em troca, sem querer “ganhar” por amar.

Ousar viver a vida espiritual na carne é entregar-se a uma ação diferentemente da forma como os seres humanizados se entregam, ou seja, sem querer programar resultados para esta ação. Os seres humanos não amam o próximo e a Deus, porque participam dos acontecimentos dentro dos padrões humanos, ou seja, esperando “ganhar” alguma coisa com o que estão praticando.

Quem ousa não se preocupa se vai “ganhar” ou “perder”, se vai ser considerado “bom” ou “mal”, “certo” ou “errado”, se vai alcançar o que quer ou não vai realizar os seus desejos. Ousar é atirar-se em um “vazio”, ou seja, participar da ação sem previsão de acontecimentos futuros. Isto denota a fé em Deus, ou seja, o amor a Deus sobre todas as coisas.

A ousadia necessária para se amar a Deus sobre todas as coisas está descrita com perfeição na história do alpinista que morreu quando estava escalando uma montanha de neve. Ele caiu da montanha onde estava e ficou preso por uma corda à beira de um precipício balançando-se no ar.

Já era noite e não conseguia se ver nada e por isto o alpinista não conseguia enxergar a que distância estava do platô abaixo dele. Ele ficou se segurando na corda e balançando no vazio sem saber se poderia largá-la ou não.

No desespero apelo para o Pai: “Senhor, me ajude!”. Deus ouviu e respondeu: “Largue a corda!”. No dia seguinte, o alpinista foi encontrado morto preso à corda, balançando no ar, mas a menos de um metro de um platô que poderia ter amortecido sua queda.

Ousar é largar a corda sem olhar para baixo. É atender ao apelo divino sem querer saber concretamente se há algo para lhe proteger ou lhe amparar. É atirar-se no escuro, ou seja, sem saber o que acontecerá no futuro, pela confiança irrestrita que sente por Deus.

Se você precisa saber o que vai lhe acontecerá quando largar a corda (os padrões da vida carnal) não ousou nada: atirou-se com a segurança material, confiou em si e em suas percepções, ou seja, continuou seguindo o padrão humano de agir.

A reforma íntima é um salto para o escuro, uma ação que deve ser praticada sem se ter certeza de onde irá aterrissar.

Todos aqueles que estão na busca da elevação espiritual com certeza já ouviram falar da vida espiritual, no “céu” pregado pelas diversas religiões (paraíso, cidades espirituais, tenda árabe, palácios suntuosos). Sabem que se conseguirem realizar a sua reforma íntima viverão nestes lugares.

No entanto, apesar disto nenhum espírito humanizado conhece realmente (tem a percepção material) destes lugares. Ninguém se lembra de como era a sua existência nestes lugares antes da encarnação.

Por mais que leiam os romances espirituais ou ouçam as belas palavras dos pastores e padres descrevendo o “céu”, a compreensão sobre o futuro depois do desencarne jamais será concreta. Ela estará sempre no campo do ilusório, do não lógico material.

Isto é necessário porque só se alcançam estes locais, ou seja, se consegue a elevação espiritual, com a ousadia. O espírito só gozará do banquete que Deus convida cada um se ousar ir além da lógica material.

Por mais que estude, por mais que busque entender a existência espiritual, o homem jamais conseguirá a comprovação material das coisas. Ele terá sempre que se entregar a uma idéia, a algo abstrato para realizar a sua ascensão aos “céus”. Enquanto houver a lógica e a razão material como guia, o espírito humanizado não conseguirá chegar a lugar nenhum.

Portanto, basicamente a elevação espiritual é um salto no escuro, pois você se atira a um processo (reforma íntima) para alcançar um “lugar” que não sabe qual é. Vive querendo reformar-se sem saber onde vai chegar e nem o que acontecerá contigo.

Ela não poder ser conseguida por meio lógicos e racionais (vou fazer o que os mestres ensinaram para que aconteça isto comigo) porque assim continuará preso na cordinha, esperando saber o que está embaixo ao invés de soltar a mão.

Ousar: isto é o fundamental para podermos aproveitar o portal que se abre na espiritualidade com o objetivo energizar cada um na sua religação com Deus.

NOTA: Refere-se ao portal citado na palestra “Natal”, pois esta palestra foi realizada logo depois daquela.

Para que cada um possa aproveitar melhor o portal que se abre na comemoração natalina é preciso aprender a ousar, aprender a agir além dos padrões humanos, sem medo do futuro e sem querer projetar qualquer resultado.

A ousadia em amar a Deus acima de todas as coisas não pode prever resultados por esta ação. Nem mesmo um “seja o que Deus quiser”, pois ainda assim estaríamos fazendo uma previsão de futuro. Quem ousa não quer saber o que acontecerá, mas apenas louva a Deus e entrega-se a Ele com confiança irrestrita.

Aquele que se entrega ao Pai o faz sem condição alguma, mas apenas O louva por tudo que Ele faz acontecer. Nem com a condição de que será o que Ele quiser, porque neste caso não houve ousadia, mas uma entrega se garantindo para o futuro.

Isto, portanto, é promover reforma íntima: um ato de ousadia extrema.

Um ato tão extremo que a elevação espiritual se caracteriza em ousar ser feliz quando tudo o que você tem na vida deveria, pelos padrões humanos, lhe fazer sofrer.

Por exemplo, o filho está agonizando no hospital. Esta é uma situação em que os padrões humanos ditam que a pessoa tem que sofrer. Qualquer um faz isso, não? Mas, como o Cristo ensinou: até os ateus fazem isso (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 43 a 48).

Até quem não acredita em Deus, até quem não é religioso sofre numa situação desta. Por que você, que afirma que está procurando elevar-se, ou seja, fundir-se na unidade com Deus, age igual, então?

Você que acredita em Deus e que O busca precisa ousar, ir além do que o ateu faz. Precisa manter a sua paz, a sua serenidade. Nem vou falar que deveria manter a felicidade, pois como você não compreende este estado de espírito, acharia que estou dizendo que deveria contar piadas, ficar dando gargalhadas no hospital enquanto seu filho está agonizando.

A felicidade que eu falo não se representa por gestos, mas é um estado de espírito onde prevalecem à paz e a harmonia interna: isto você que se denomina buscador de Deus deveria ousar ter, mesmo que os padrões da humanidade dissessem ao contrário.

Seria preciso para honrar o seu compromisso assumido antes da encarnação que ousasse não se desesperar, não criticar, não acusar ninguém como responsável pelo que está ocorrendo. Assim você estaria promovendo a reforma íntima.

Esta ousadia necessária à evolução espiritual (manter-se em harmonia, mesmo quando o acontecimento deveria ser vivenciado em desespero) diz também foi ensinado por Cristo.

“Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como os hipócritas, pois eles fazem assim para todos saberem que estão jejuando. Lembrem-se disto: eles já receberam toda a recompensa. Quando vocês jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E Ele, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 , versículo 16 a 18).

Não deixe ninguém ver que você está fazendo jejum, ou seja, que aquele momento não está de acordo com os seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar ser diferente da humanidade, ou seja, reagir aos acontecimentos de uma forma diferente dos padrões pré-estabelecidos pela sociedade.

Um ser humano que perde seu emprego cai em desespero porque não quer largar a corda, ou seja, não confia em Deus. Por causa desta reação padrão (desespero) acusa o governo, a sociedade, o patrão anterior de injusto por ter lhe mandado embora. Reagir assim é fácil: até o ateu faz.

Mas, você que está buscando promover a sua reforma íntima ao passar por um “jejum de emprego”, precisa ousar. O que seria ousar neste caso? Confiar nos ensinamentos que os mestres trouxeram.

“Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam nem com a roupa que precisam para vestirem. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? Vejam os passarinhos que voam por aí: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em depósitos. No entanto, o Pai que está no céu dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? Nenhum de vocês pode viver alguns anos mais por se preocupar com isso”.

“E por que vocês estão preocupados com as roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje floresce e amanhã desaparece, queimada no forno. Então, é claro que Deus vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! Portanto,, não fiquem preocupados dizendo: ‘Onde é que eu vou arranjar comida, bebida e roupas?’ Os pagãos estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar nas suas vidas o Reino de Deus e aquilo que Deus quer e ele lhes dará todas as outras coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 25 a 34).

Ouse não se desesperar por fé em Deus, por confiança e entrega absoluta no Pai que dá a cada um aquilo que ele precisa e jamais se esquece de alguém. Se neste momento foi o desemprego que ele lhe deu, é porque sabia que era o necessário para a sua caminha em direção a Ele.

Promover a reforma íntima é louvar a Deus pelo desemprego, se é isto que está ocorrendo na sua vida. É entregar-se à situação de desemprego sem viver como a maioria vive durante esta época.

Não estou falando em acomodar-se no desemprego, mas procurar emprego sem desespero, acusações, críticas ou julgamentos, aguardando em paz e harmonia o momento que Deus lhe tornar novamente empregado. Por que digo que isto é a forma de reagir de quem está buscando a elevação espiritual?

Porque quem está buscando a elevação espiritual está buscando ligar-se a Deus acima de todas as coisas para servi-Lo. Quem não vive a elevação espiritual está buscando o prazer material, o serviço ao mundo.

Como Cristo também ensinou:

“um escravo não pode servir dois donos ao mesmo tempo, pois detestará um e gostará do outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 24).

Então, se você que se diz buscador de Deus, em processo de reforma íntima para alcançar a elevação espiritual reage como aqueles que não se preocupam com isto, será que está servindo realmente ao Pai?

É, a característica principal da elevação espiritual é a ousadia, porque até aqueles que assumem a posição de guru (guia espiritual) de alguém precisa ousar. Precisa ousar chegar aqui e dizer tudo diferente do que pregam as doutrinas religiosas.

É preciso ousar chegar aqui e falar completamente diferente de tudo o que você ouviu até hoje em matéria de elevação espiritual. Sabe porquê? Porque o que você ouviu até hoje não resolveu.

Que vantagem leva os padres se eles ainda prometem orar a Deus pela sua saúde material ou pelo fim do seu desemprego? Até um pagão faz isto! “Acalme-se tudo vai dar certo. Você vai sair desta e conseguirá aquilo que quer”. Que vantagem leva os palestrantes dos centros espíritas e os gurus hindus se eles ainda prometem uma vida carnal próspera? Até os pagãos fazem isto! “Tenha fé, tudo se resolverá e você voltará a ter tudo o que quer”.

Se, como guia espiritual de vocês venho aqui e ensino que devemos a amar a Deus sobre todas as coisas, que vantagem eu teria se não lhes ensinasse a ousar viver diferente do padrão humano: a esperança de que seus sonhos e desejos se concretizem?

De nada adiantaria reuni-los para ensiná-los a amar a Deus se ainda colocasse este amor subordinado às verdades humanas, ou seja, servindo à matéria. Por isto preciso ensiná-los a ousar não depender da matéria para ser feliz.

Para fazer isso eu preciso ousar ir contra aquilo que esperam, pois o padrão humano é que os guias espirituais se colocam à disposição da satisfação do prazer humano, ou seja, dão esperanças de felicidade material em troca do amor a Deus.

Eu não falo desta felicidade, mas de outra que está além daquilo que vocês conhecem. E para alcançá-la ensino que é preciso ousar abandonar a busca do prazer como fonte de felicidade.

Até hoje o ensinamento da evolução espiritual, ou seja, o caminho para alcançar o bem celeste, é subordinado aos objetivos da humanidade, às regras e padrões planetários de felicidade. Por isto os religiosos são tão humanos quanto os pagãos.

Quando tomam conhecimento de injustiças sociais (fome, desemprego, sem teto, sem terra), por exemplo, reagem da mesma forma daqueles que não acreditam em Deus. Acusam os poderes constituídos de não cumprirem o seu papel, auxiliam e promovem manifestações de repúdio aos governantes.

Nem parece que eles leram a Bíblia e escutaram o apóstolo Paulo falando do alto de sua compreensão dos ensinamentos de Cristo recebido diretamente do mestre na estrada de Damasco.

“Que todos obedeçam às autoridades. Porque não existe nenhuma autoridade sem permissão de Deus e as que existem foram colocadas por Ele. Assim quem é contra as autoridades é contra o que Deus mandou e os que agem desse modo vão trazer a condenação para si mesmos. Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes e não os que fazem o bem. Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom e elas o elogiarão. Porque elas estão a serviço de Deus para o bem de vocês. Mas se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades de fato têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo Dele sobre os que fazem o mal. Assim, você deve obedecer às autoridades, não somente por causa do castigo de Deus, mas também por uma questão de consciência” (Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 13, versículos 1 a 25).

Fazer o “mal” é revoltar-se, julgar, criticar, acusar. Fazer o “bem” é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Quem faz o “bem” jamais sofre com o que está acontecendo, porque está ligado ao Supremo e nada afeta esta ligação. Além disto, sofrendo e acusando, você está simplesmente demonstrando na cara o jejum que está fazendo, como já vimos.

É por causa da ousadia de ensinar o amor a Deus além do prazer e satisfação gerados pela subordinação aos padrões humanos que a maioria das coisas que eu falo choca as pessoas. No entanto, isto só ocorre com aqueles que estão acomodados e não querem ousar. Aqueles que não querem fazer a reforma íntima ou que apenas fingem estarem procurando Deus imaginando que com isto possam trapacear com o Pai e conseguir satisfazer-se materialmente.

Não esqueçam aqueles que se dizem buscadores de Deus, mas que não querem ousar largar as suas cordas que Cristo ensinou: de Deus ninguém esconde as suas intenções. Que o Espírito da Verdade ensinou: “Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos? Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular” (Livro dos Espíritos – pergunta 457). Se os espíritos podem conhecer, imaginem Deus!

Portanto, quem não ousa largar sua corda, sua segurança material, no íntimo (intenção), ou seja, submete a sua evolução espiritual aos padrões materiais de felicidade, não consegue iludir a Deus. Pode conseguir iludir a ele mesmo, ao mundo, à sociedade, mas não ilude a Deus.

Este quando sair da carne acusará a Deus, à sociedade e a quem serviu como guia espiritual da sua reforma íntima de não ter ensinado a Verdade que poderia lhe salvar. Já pensaram nisto, senhores guias espirituais da humanidade?

Por isto, comecem vocês também a ousar. Ensinem o ser humano a confiar a subsistência não só ao seu trabalho ou terra, mas a ter fé em Deus que o proverá dentro de sua necessidade, ao invés de conclamar a discórdia incitando-os a rebelarem-se contra a Realidade.

No trabalho do Espiritualismo Ecumênico Universal existe uma característica importante: não dá para brincar de elevação espiritual. Quem nos ouve não pode fingir que está buscando a Deus, porque senão se rebelará contra nós.

Isto porque ousamos sempre desafiar as verdades constituídas para transmitir a Realidade universal sobre os assuntos. Quem está apenas buscando servir-se de Deus, com certeza se choca com nossa ousadia e, para manter-se dentro de seus padrões, nos abandona.

Ousamos, por exemplo, dizer que o aborto não é um assassinato, mas uma ação carmatica. Esta é uma ousadia porque fere todos os padrões estipulados até hoje pela humanidade, inclusive pelos religiosos, ou seja, aqueles que dizem que estão procurando a Deus.

No entanto, se estudamos a Lei do Carma em toda sua profundidade, compreenderemos perfeitamente a sua ação.

“258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele próprio escolhe o gênero de provas porque há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio”.

“851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado”.

“859a. Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram? Há, mas que tu viste e pressentiste quando, no estado de Espírito, fizeste a tua escolha”.

“853a. Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos? Não, não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Quando, porém soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas. Deus sabe de antemão de que gênero será a morte do homem e muitas vezes o seu Espírito também o sabe, por lhe ter sido revelado, quando escolheu tal ou qual existência.” (O grifo é nosso)

Estas citações foram retiradas de O Livro dos Espíritos..

Ninguém morre antes da hora e disto vocês têm milhares de exemplos: o feto “morre’ no momento que tem que morrer. Deus sabe de antemão o gênero da morte de um homem: Deus sabia que aquele ”homem” morreria do gênero aborto.

Isto tudo porque foi pedido pelo espírito antes da encarnação e nisto se consiste o seu livre arbítrio. Portanto, depois que o exerce, o espírito não pode esquivar-se de viver o momento que ele mesmo programou: ser abortado.

Aí está a verdadeira aplicação da Lei do Carma para o aborto e por crer no ensinamento dos mestres ousamos dizer que esta ação não é um assassinato. No entanto, aqueles que se subordinam aos padrões humanos, mesmo que sejam espíritas ainda condenam os instrumentos (mães) das ações carmaticas pedidas pelos espíritos antes da encarnação e chanceladas por Deus.

Os espíritas conhecem a Lei do Carma, mas aplicam-na para algumas coisas apenas: o que está dentro do padrão humano (verdade) de “bom”. Com isto deixam de dar a esta lei uma de suas maiores características: a universalidade.

Tudo que provêm de Deus é eterno e universal, ou seja, jamais deixou de ser Realidade e serve para todos os elementos do universo. Desta forma a lei do carma serve em todas as circunstâncias, mesmo que estas afetem o desejo humano do espírito encarnado de permanecer “vivo”.

Para se promover a reforma íntima não se pode aplicar os ensinamentos apenas para aquilo que queremos, mas ele também deve alcançar aquilo que não queríamos, que não gostaríamos que ocorresse. Agir assim é subordinar a Lei do Carma que é divina à vontade humana que é transitória e não almeja a integração com Deus.

“Sob a influência das idéias carnais, o homem na Terra só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causa os passageiros sofrimentos terrenos” (O Livro dos Espíritos – comentários de Allan Kardec estampados junto à pergunta 266).

Por conhecermos a felicidade inalterável e eterna é que continuamos ousando combater os padrões pré-estabelecidos, seja pela sociedade ou pelas religiões.

Ousamos dizer que o casamento não é indissolúvel, mas é uma ação carmatica e enquanto for preciso para a ação carmatica será mantido, mas quando isto não mais for necessário como prova para o espírito o rompimento ocorrerá naturalmente, sem que nenhum dos cônjuges possa fazer algo para salvá-lo.

Ousamos falar com os vínculos familiares. Dizemos que “seu filho” nada tem de seu, mas que é um espírito autônomo vivendo provas pedidas por ele mesmo.

Ousamos dizer que mãe não ama filho, mas possui. Pelo apego que os padrões sociais conferem àquela que vivencia o “papel” de mãe o amor universal se torna impossível. A mãe quer ser dona, quer mandar e comandar na existência do espírito autônomo.

Quer livrá-lo dos seus traumas e das suas decepções através de um ilusório comando da vida do filho transformando-a naquilo que ela gostaria que tivesse acontecido com ela. Mesmo aquelas que possuem o conhecimento religioso e sabem que todo espírito é filho de Deus, querem comandar a existência do “filho” imaginando que podem desfazer o que o Pai faz.

Veja bem, ao afirmar que uma mãe não ama o filho, mas o possui, não estamos ofendendo as mães, mas ousando acordar as pessoas para a Realidade: não existe seu filho, mas sim de Deus.

Os “filhos” são espíritos autônomos que, como já vimos viverão um destino traçado por eles antes da encarnação e que é “a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado” enquanto espíritos que são.

É preciso ousar porque somente com ousadia é que se vive à Realidade e sem vivenciá-la não se chega a Deus. Portanto, só quem ousa ir além dos padrões pré-estabelecidos de vivência alcança o Pai, ou seja, promove a sua reforma íntima e alcança a elevação espiritual.

Sem ousar, ou seja, seguindo o caminho normal da humanidade, mantendo os padrões da humanidade, mantendo a lei da humanidade, o espírito encarnado não vai a lugar nenhum, não alcança nada. Por que? Por que se o espírito encarnado mantiver os padrões humanos não chega a lugar nenhum?

Porque não vive a Realidade, a Verdade universal. Estamos embasando todos os nossos comentários com citações para provar que a visão que estamos falando coincide com aquilo que foi ensinado para lhe dizer uma coisa: estamos falando a Verdade.

Não a verdade humana, aquela que leva a realidade humana (sua ciência das coisas) como real, mas aquela que fugindo a estes padrões se escora naquilo que é incompreensível para a humanidade: a Realidade espiritual.

Conhece a Verdade, e a Verdade vos salvará. Este é o ensinamento de Cristo, mas onde encontrar a Verdade?

Se nos guiarmos pelos padrões humanos jamais poderemos chegar à Verdade, pois tudo naquilo que os homens crêem são verdades temporárias (alteram-se com o passar dos anos) e individuais (só servem para determinados povos ou raças).

Quantas verdades já foram alteradas pela sociedade desde quando você nasceu? Se isto ocorreu, elas nunca haviam sido reais e, pela lógica, as de agora também se alterarão futuramente. Só esta rápida análise nos é suficiente para perceber que a verdade humana não é eterna.

Mas e quanto à universalidade, será que as verdades do planeta são universais? Claro que não. Em um lugar as pessoas possuem algumas verdades comportamentais que não são, necessariamente seguidas pelos outros. Aliás, são sempre contestadas, pois todo mundo se acha dono da verdade.

Portanto a Verdade absoluta (eterna e universal) não se encontra na Terra, mas sim fora, no mundo de Deus, no espiritual. Quem poderia então ensiná-la? Apenas aqueles que vivessem para a eternidade universal sem aprisionamento a efemeridade dos valores materiais, ou seja, os mestres enviados por Deus.

Portanto, se apenas a Verdade trazida pelos mestres pode lhe servir como base para promover a reforma íntima, como se chega a Deus? Qual o caminho para Deus?

“Eu sou o Caminho, a Verdade, a Luz. Ninguém chega a Deus a não ser através de mim”.

Já ouviram esta frase? Quem é este eu da frase? O Cristo. E quem foi o Cristo? Aquele que ousou enfrentar o mundo, que ousou vencer o mundo.

A “vida” de Cristo foi o maior exemplo de existir materialmente em união com Deus. No entanto ela começou numa choupana e não num palácio. Aquele que viveu o maior símbolo de poder, a fé, usava sandália de pescador ou andava descalço mesmo.

Apesar de todo o seu poder dormia não em palácios suntuosos, mas no meio do campo; não se alimentava em faustos banquetes, como as regras humanas levam os atuais “professores da lei” a fazer, com as prostitutas e os cobradores de impostos. Ousou não chamar para si glória de tudo que realizava, mas sempre dizia às pessoas que foi Deus e a fé deles que os salvaram.

Apesar de conhecer e manipular todos os elementos da matéria como se constata na passagem onde anda sobre as águas, ousou se entregar, sem reação, a um exército de três ou quatro legionários armados apenas com espadas e lanças.

E ainda disse para Pedro quando este tentou defendê-lo: “Guarde a sua espada, pois quem usa a espada será morto pela espada. Por acaso você pensa que, se eu pedisse ajuda ao meu Pai, ele não me mandaria logo doze exércitos de anjos? Mas, neste caso, como poderia se cumprir o que as Escrituras Sagradas dizem que é preciso acontecer?” (Evangelho de Mateus, capítulo 26, versículos 52 a 54).

Cristo ousou reagir a tudo o que aconteceu na sua existência carnal de uma forma diferente do que qualquer ser humano reagiria. E como ele é o caminho para se chegar a Deus, podemos entender que é preciso ousar para chegar a Deus. O caminho para chegar a Deus é a ousadia de viver a vida carnal fora dos padrões pré-determinados pela humanidade.

Qual foi o resultado da ousadia de Cristo? Vencer o mundo. Portanto, a sua reforma íntima deve ser vivenciada com a ousadia de vencer os padrões, a obrigatoriedade de reagir de uma determinada forma aos acontecimentos. A elevação espiritual se alcança com a ousadia de lutar contra as verdades que o mundo lhe impõe.

Quando ousando eu falo que não pode ter família, você pensa: “ah, mas se eu não ligar para o meu filho, a vizinha vai dizer que eu não presto como mãe”. Isto é subserviência ao mundo material.

Para se viver as posturas que levam à elevação espiritual é preciso ousar estar acima da crítica, mas também acima do destino do filho. Ou seja, ousar manter-se em equilíbrio frente às pressões externas e internas para que se submeta aos padrões humanos.

Ouse ser como a mãe passarinho: “você já sabe comer sozinho, então, suma…” Liberte-se da ilusória responsabilidade que imagina ter sobre o destino do seu filho e não fique a vida inteira perseguindo-o como um obsessor.

Cristo não teve filho, mas se tivesse jamais interromperia as atividades do filho para poder saber como ele está como Maria fez, não? Deixaria ele viver a sua vida, vivenciar o seu destino, sem estar constantemente perseguindo-o para “cuidar” dele.

É preciso ousar ir além dos padrões pré-estabelecidos sem esperar saber no que sua ousadia resultará. Ousar é arriscar a tentar colocar os ensinamentos em prática, sem medo do que pode resultar desta nova forma de ação.

Nós estudamos a reforma íntima há cinco anos. Muitos já nos ouviram e tiveram contato com nossos ensinamentos. Quando isto ocorrem, elas afirmam: “velho, o que você fala tem lógica. Eu acredito. Mas como será o mundo se colocar em prática tudo isso que está sendo ensinado?”.

Eu não sei: ouse para saber. Eu não posso lhe criar uma consciência do que acontecerá com você depois que promover a reforma íntima, pois se assim o fizesse estaria quebrando o ingrediente necessário para a promoção da elevação espiritual: o salto no escuro com fé.

Se você quer se entregar, mas para isto precisa saber o final da história para analisar se será satisfatório ou não, não houve ousadia nenhuma, não houve o exercício da fé.

Ontem me disseram: “ah, mas se colocarmos tudo isto em prática, não vamos ter o que falar, não teremos mais nada que comentar”. Não sei.

Não sei se você ao conseguir a reforma íntima vai se emudecer ou se não terá mais assuntos para conversar com os outros. Ouse colocar na prática para saber se vão ficar sem assunto.

Talvez tenha assunto para conversar com os outros: não posso garantir. Mas se tiver eu garanto que ele será diferente do hoje. Isto ocorrerá porque as suas conversas surgirão como fruto da sua ousadia em não mais julgar, criticar, observar o próximo.

Enquanto não houver a ousadia de viver de uma forma diferente os assuntos terão que ser sempre os mesmos, pois você só sabe viver com o padrão que a sociedade exige que você viva: os homens conversarão sobre futebol e sexo; as mulheres conversarão sobre casa, filho e moda. Isto é ponto pacífico porque não ousando ir além do normal você só comenta o que o padrão da sociedade quer que comente.

Quando dois homens se encontram, a primeira pergunta é: “você viu o jogo de ontem?”. Ele nem sabe se o outro gosta de futebol ou não, mas como é um homem que está à sua frente sente-se obrigado a falar de “assunto de homem”.

O homem, na visão humana, não pode fugir do padrão pré-estabelecido. Se comentasse sobre roupas, criação de filhos ou limpeza de casa, mesmo que quisesse porque senão o outro poderia achar que ele era efeminado, pois é isto que diz a regra da sociedade.

“Se eu ousar falar sobre o que gosto ou quero, vão achar que eu gosto de homem, então eu prefiro não ousar”. Sofre mantendo um diálogo que não lhe interessa, mas não ousa assumir-se com medo da reprovação da humanidade.

Quantas coisas podem ser resolvidas com uma ousadia, quanto sofrimento pode deixar de existir simplesmente porque você ousa contrariar a lógica humana sem prender-se aos padrões humanos…

Quem conhece o nosso trabalho, os nossos ensinamentos sabe que ousamos sempre. Ensinamos que cada um pode acordar na hora que quer sem se preocupar com o que os outros acham disto e comer na hora em que tem fome realmente, sem se preocupar com o horário da refeição ou o que os outros vão falar de você estar almoçando as cinco horas da tarde.

Muitos dizem que pregamos o anarquismo, a bagunça. Mas se a gente não ousar ir além do certinho, adormece na cadeira porque ainda está com sono e tem problemas estomacais porque comeu antes de haver necessidade. Portanto, não é bagunça que pregamos, mas a vivência com as leis da natureza e não a subordinação aos padrões humanos que querem determinar o que é “certo” de ser feito.

Foi isso que tentei falar neste ciclo de palestras sobre a reforma intima, quando estudamos a Oração de São Francisco, a Hipocrisia, e o Natal. Ousei trazer verdades diferentes das humanas sobre assuntos extremamente conhecidos: caridade, vida santa, o nascimento de Jesus.

O que fazemos em cada palestra é ousar ir além das verdades humanas em cima de um tema, Ousar ultrapassar a visão convencional que satisfaz ao espírito humanizado.

Fazemos isto porque temos como lema ensinar o que é a vida espiritual na carne. Para tanto, temos que ir além da visão humana, pois cada um de vocês são “professores da lei” dentro da visão que passei quando do debate deste tema.

NOTA: Professor da lei – Aquele que sabe o que é “certo” (a sua lei) e quer impô-las aos outros.

Vocês estão acomodados nos padrões materiais e por isto constroem apenas uma realidade em cima dela. No entanto, a Realidade é sempre diferente daquilo que o ser humanizado acredita.

Vou dar um exemplo: uma moça é casada com um rapaz que é acomodado, desligado e preguiçoso e ela é certinha, perfeita, tudo no lugar, tudo na hora certa. Eles moram em uma casa que está situada num terreno muito grande.

Este terreno é totalmente plantado com grama, a qual não é cortada pelo rapaz. Ela, ligada aos padrões humanos (a grama precisa ser aparada) brigava constantemente com ele para cortar, ou seja, para que a sua lei fosse cumprida.

Claro que esta moça não estava vivendo este casamento com aquele determinado homem à toa. Existia ali uma ação carmatica, ou seja, cada espírito escolheu viver com o outro como prova para sua encarnação.

Assistindo às nossas palestras ela foi compreendendo a ação carmatica, ou seja, que ela pediu para viver com o marido do jeito que ele era para desenvolver o amor universal. Compreendeu que brigar não adiantava, pois isto não o levaria a cortar a grama e que somente amá-lo do jeito que ele era poderia auxiliá-la na evolução espiritual.

Por isto parou de brigar, mas não ousou se libertar dos padrões pré-estabelecidos que ela tinha. Imaginou que não brigando, ou seja, amando-o incondicionalmente Deus ia emanar para que ele cortasse a grama. No entanto, como já vimos Deus não se subordina aos padrões humanos e por isto ele continuou não a aparando.

Então ela veio conversar comigo e afirmou que o ensinamento não dava “certo”, pois havia parado de brigar e o marido continuava não cortando. Eu lhe perguntei, então: “qual o problema de grama estar alta?”.

Ela respondeu: “Mas quem pode viver com grama daquele tamanho?”. Eu lhe respondi: “você, ou você está morta? Você não está vivendo com a grama daquele tamanho?”.

Ela respondeu: “estou vivendo”. “Então”, eu disse, “é assim que se vive: da forma que você está vivendo. Antes você vivia com brigas hoje em paz. Estas são as duas formas que pode se viver com a grama alta. Escolha a que você prefere”.

Veja, ela não deixou de sofrer porque parou de brigar, mas continuou se sentido mal do mesmo jeito que antes. Ou seja, ela não ousou em momento algum ao buscar colocar em prática o ensinamento: seja feliz com o mundo do jeito que ele está.

Apesar de conhecer o ensinamento e entendê-lo ela não ousou ir contra o mundo, pensar em aprender a viver com a grama grande, mas colocou-o em prática visando satisfazer à sua materialidade: a satisfação de ver o seu desejo atendido. Ela pôs em prática o ensinamento não objetivando a elevação espiritual, mas achando que com isso resolveria o problema dela: a grama seria cortada.

Se não ousar, não se alcança a elevação espiritual porque a promoção da reforma íntima não é garantia de realização de desejos. “Eu vou promover a reforma íntima, e a partir daí só vai acontecer coisa boa para mim”.

Quem se entrega na busca espiritual com este pensamento não promove nada, pois se elevar é estar acima do “bom” e do “ruim” ditados pelos padrões humanos. É preciso ousar permanecer equânime em todos os momentos: naquele que se gosta e nos que não se gosta do que está acontecendo.

Quem não ousa ir contra o mundo não se eleva. Não ousar ter paciência com quem lhe tira paciência, não ousar buscar a cura sem procurar o médico, não ousar dar amor para quem lhe agrediu, não ousar perdoar aquele que para você é culpado, não leva nenhum espírito a elevar-se.

Falamos na palestra anterior que o natal não é época de árvores enfeitadas, de troca de presentes, de bebedeiras, mas será que você conseguirá ousar no próximo natal e não fazer nada disto? Será que conseguirá ir além da e da fartura de comida e se lembrar do nascimento do Cristo?

Só se você ousar ir além da humanidade, porque ela lhe cobrará que você vivencie o próximo natal dentro dos padrões humanos, principalmente a sua família. “Você só vai ficar rezando, e não vai me dar presentes?”. “Você não vai colocar uma árvore de natal na sua casa? Nós estamos no Natal!”.

Buscar a reforma íntima é, principalmente, ousar não seguir os padrões da Terra, mas ligar-se ao mundo maior, à Realidade: Deus e o mundo espiritual. Mas para isto é preciso ousar ser alvo de críticas e de ser apontado como diferente pelo resto da humanidade sem perder a sua paz e harmonia.

Acho que o que começou como “brincadeirinha” de reforma íntima para você, a partir de agora está se tornando mais sério, não?

Com certeza a sua busca pela reforma íntima já se iniciou há muito tempo atrás quando começou a freqüentar uma igreja, um centro espírita ou de Umbanda ou indo a um templo do evangélico. No entanto, com certeza até agora este trabalho foi realizado pelo prazer de ouvir o que o padre ou o que o pastor falavam, pelo prazer de trabalhar mediunicamente ajudando os outros, pelo prazer de dar uma cesta básica ou uma refeição ao necessitado.

Agora, depois de ler estas linhas, com certeza ela transformou-se em muito mais que isto. Transformou-se em algo muito mais sério: uma batalha contra você mesmo.

Mas a evolução espiritual sempre foi isto, mesmo que você não a visse desta forma. Elevar-se sempre foi vencer a si mesmo (suas vontades e desejos) para entregar-se completamente em Deus.

Agora, tudo que ensinei como elevação espiritual não é a realização da reforma íntima, mas simplesmente caminho. Isto porque a realização espiritual do ser encarnado é o amar a Deus acima de todas as coisas, inclusive destes ensinamentos.

É preciso isso amar a Deus acima do prazer de dar o prato de comida, amar a Deus acima da vontade de ir ao centro. Ousar ir além de tudo o que conhece, sem manter padrão algum, pois enquanto houver um padrão, há uma escravidão. Uma escravidão que você nem vê, porque acha que está fazendo porque quer.

A liberdade daquele que realiza a elevação espiritual tem que ser total. Preste atenção nesta frase: “o pobrema é que ele tem menas qualidade”. Achou algum erro nela?

Se achou, desculpe, mas não entendeu nada do que falei até aqui: liberdade total. Você imagina que está apenas criticando um erro de português, mas, na verdade, está sendo escravo da gramática.

Nem adianta dizer que você gosta do português bem escrito, porque não está fazendo porque você gosta. Este seu “gosta” só surgiu porque você é escravo da gramática. Se não fosse, não veria erro, porque isto não existe.

A elevação espiritual é o fim da escravidão a todos os padrões do mundo. É não ter gramática, não ter combinação de cores, não ter obrigação de ter isso, aquilo ou aquilo outro.

Como o apóstolo Paulo nos ensina: Cristo veio nos trazer a verdadeira liberdade. No entanto, só tendo a ousadia que o mestre teve poderá se libertar da escravidão aos padrões do mundo.

Você se lembra dos escravos que existiam nesse planeta? Quando chegavam a uma certa idade eles eram libertados? Não. Eles eram escravos até a morte.

No entanto, alguns conseguiam libertar-se antes da morte. Quem eram estes? Os que ousavam ir contra a escravidão, mesmo com o risco da própria vida, ou seja, da sua própria satisfação.

O ser humanizado é um “escravo do mundo” em que vive e, por isso, precisa ousar ir contra os sistemas estabelecidos, mesmo que isso lhe custe a própria vida (aquilo que desejava materialmente para si).

É melhor você arrancar o seu olho que pode pecar, jogá-lo fora e entrar no reino dos céus sem o olho do que ir para o inferno com o corpo inteiro. Estas foram palavras de Cristo e, portanto, caminho que leva a Deus.

Daí pode se entender que, é melhor você sair da carne, se preciso for, amanhã e ir para o céu do que não ousar e permanecer no inferno, ou seja, esta vida que você vive, por muito mais tempo.

Sei que vocês vieram aqui hoje para uma “confraternização de Natal” mas, será que vocês esperavam que eu fosse cantar “Jingle Bell”, que fosse contar sobre a estrela que brilhou no céu em Belém…

Não posso. Sabe porquê? Porque aquele que quer auxiliar o próximo precisa urgentemente deixar de ser conivente com a humanidade do outro.

Até agora eu estava falando com vocês como espíritos no processo de provação para elevação espiritual. Agora vou falar com a maioria de vocês que está aqui presente e que tem um trabalho espiritual a realizar, que está buscando auxiliar alguém.

É preciso deixar de ser conivente com os outros. Sabe o que é deixar de ser conivente com os outros? É só dar um prato de comida para quem tem fome: isto é ser conivente com a humanidade.

“Mas, velho, estou matando a fome de quem precisa. Isto não é ajudar o próximo?”. Ta certo, você está matando a fome de quem precisa, e imagina que é só isso que precisa ser feito.

Então, vamos chamar Cristo de volta à nossa presença e dizer que ele cumpriu de forma “errada” a missão dele. Dizer para ele que precisa voltar para a Terra e abrir um restaurante para dar comida de graça para os outros: aí estaria servindo-os, não é mesmo?

Não se esqueça que antes de tudo Cristo ensinou: “as Escrituras Sagradas afirmam que o ser humano não vive só de pão, mas vive de tudo o que Deus diz”. Portanto, há algo mais a se levar do que simplesmente o alimento material: a palavra de Deus.

O espírito, encarnado ou não, vive da palavra de Deus, mas você, que sabe que acha mais do que o próprio mestre, só dá o prato de comida. A palavra de Deus você não leva.

Aí está a sua conivência que eu falei anteriormente. Você dá a comida para sustentar a humanidade do ser e, por isto, se torna conivente com ela, porque o faz acreditar que o homem vive só do pão. Para se servir a Deus é preciso mais do que levar o pão, mas também a Palavra.

“Meu filho, Deus dá a cada um segundo as suas obras. O que você está passando é resultado de uma obra anterior sua. Pare de mostrar que você é um sofredor, um pobre coitado. Lave essa cara. Viva feliz, mesmo não tendo o que comer”.

Esta é palavra de Deus: o amor ao Pai acima da própria pobreza. Se quiser, pode dar o prato de comida, mas nunca deixe de dar também a Palavra, o ensinamento de que, não importa aquilo porque passeamos, será sempre Deus nos dando a justa medida que precisamos e merecemos.

É isso que estou dizendo para aqueles que estão trabalhando no sentindo de auxiliar o próximo na sua caminhada. É preciso ousar ir além do prato de comida e levar também a Palavra de Deus.

Darei um outro exemplo que é muito comum entre os trabalhadores da seara bendita. Vamos falar dos trabalhos mediúnicos de desobsessão que são realizados nas casas espíritas.

Antes me deixe fazer uma pergunta: Você acredita que um obsessor pode influenciar na vida do outro, ou seja, pode “atrapalhar” a vida do próximo sem que para isto tenha motivos? Pode “prejudicar” um encarnado apenas porque “não gosta” dele?

Achando que sim você acredita que ele é mais forte que Deus. Veja bem, Deus deu o livre-arbítrio a todos os espíritos, mas o obsessor mata este livre-arbítrio sobrepujando a sua vontade à do obsediado conduzindo a vida dele sem que este queira.

Claro que o obsessor não pode fazer o que ele quer livremente. Ele precisa se subordinar às leis universais para que uma “injustiça” não seja cometida, ou seja, só será alvo de uma obsessão aquele que estiver no mesmo padrão vibratório do obsessor.

Sendo assim, o espírito obsessor não está ali porque quer, mas porque o outro aceitou a obsessão, ou seja, uniu-se a ele pela mesma intenção. Por isto o Espírito da Verdade nos ensinou:

“515 – Que se há de pensar dessas pessoas que se ligam a certos indivíduos para levá-los à perdição, ou para guiá-los pelo bom caminho? Efetivamente, certas pessoas exercem sobre outras uma espécie de fascinação que parece irresistível. Quando isso se dá no sentido do mal, são maus Espíritos, de que outros Espíritos também maus se servem para subjugá-las. Deus permite que tal coisa ocorra para vos experimentar” (O Livro dos Espíritos) (o grifo é nosso).

Deste ensinamento podemos entender claramente a realidade: não existe obsessão, mas união de dois espíritos afins. Ela, porém, só ocorre quando Deus permite que tal coisa aconteça e com a finalidade de experimentar os envolvidos.

Portanto, não existe obsessão como a humanidade acredita: um espírito “mal” fazendo coisas “ruins” com um outro, pobrezinho que é “vítima” da situação. Os dois são “culpados” e precisam estar juntos para poderem aprender a amar a Deus sobre todas as coisas.

Agora, o que ocorre hoje nos centros espíritas? O encarnado é levado para uma sala. Lá o obsessor é convidado a permanecer para ouvir um “sermão” enquanto que a “vítima” vai embora sem nada ouvir.

O que acontece? O obsessor pode até ser salvo, mas o encarnado não alterará o seu padrão vibratório. Aí se livra deste obsessor, mas logo Deus coloca outro, pois este ainda não aprendeu a se universalizar. Por isto Cristo ensinou:

“Quando um espírito mau sai de alguém, anda por lugares sem água, procurando onde descansar. Se não encontra nenhum lugar, ele diz:’vou voltar para a minha casa, de onde sai.’ Então, volta e encontra a casa vazia, limpa e arrumada. Depois sai e vai buscar outros sete espíritos piores ainda e todos vão morar ali. E assim a situação daquela pessoa fica pior do que antes” (Evangelho de Mateus, capítulo 12, versículo 43 a 46).

Esta desobsessão como hoje praticada, que protege o ser humano partindo do pressuposto de que ele é vítima, só serve para o desencarnado, mas não auxilia o ser humano. É preciso que o encarnado compreenda os motivos pelo qual a obsessão se iniciou para poder se desarrumar a casa para que ela não sirva mais de abrigo para os obsessores.

Mas, para isto é preciso ousar. É preciso ira além da normalidade (o espírito fora da carne é mal e o ser humano vítima deste). Ao invés de só “brigar” com o obsessor é necessário que o doutrinador do centro espírita também converse com o encarnado: “ouça o que este espírito está dizendo de você, porque é isto o que o está prendendo. O culpado dos seus problemas não é o obsessor, mas você que merece ter esse obsessor, porque você é do jeito que ele está falando”.

Isto é não ser conivente com a humanidade do espírito encarnado. Sabe qual o resultado da conivência que os religiosos têm hoje com a humanidade do espírito? Sete vezes mais obsessões.

Sem levar a Palavra ao encarnado, os que se imaginam trabalhadores de Deus estão proliferando o merecimento humano de haver a obsessão. Hoje retiram um obsessor, da próxima vez terão que trabalhar para libertar mais sete.

Por que isto ocorre? Porque foram coniventes com a humanidade do ser, ou seja, não disseram para o obsediado que o “culpado” da obsessão não era o obsessor, mas ele mesmo.

É preciso ousar. Os centros espíritas deviam mostrar ao obsediado que o obsessor está ali por causa dele. O obsessor não é “mal” nem está “errado”: ele está aqui por o obsediado lhe deu motivos para tanto.

Na verdade, nem um nem o outro está fazendo “obsessão” entre si. O que ocorre, na realidade são duas auto-obsessões: os dois se obsediam e acham que um está obsediando o outro.

A obsessão é uma das engrenagens do carma. O obsessor está ali para ver se aprende o que acontece quando se prende apenas no que ele gosta e o obsediado está com o obsessor para ver se ele aprende que a evolução espiritual só depende dele.

É como num casamento. Existe obsessão maior para um espírito do que os vínculos familiares como hoje é praticado no planeta? Casamento, filho, sogra, tudo é obsessão, porque são relações baseadas em obrigações impostas. Qualquer casamento onde os cônjuges tenham obrigações a cumprir (satisfazer a vontade do outro) é obsessão.

“Eu bebo porque o obsessor me faz beber”: isto é ilusão. Na verdade, este ser humano tem um obsessor que participa desta ação com ele porque a sua vontade é beber.

“Meu guia mandou eu fazer uma ‘macumba’, pois preciso dar uma cerveja para a entidade para receber o que quero”. Isso também é obsessão, porque “macumba” (oferecimento de coisas materiais a espíritos desencarnados) não resolve vida de ninguém.

Se você não tiver o merecimento para receber aquilo que deseja, pode fazer quantos “despachos” quiser na “encruzilhada” que não resolverá a sua vida. O que vai resolver a sua vida é a reforma íntima e não a “macumba”.

“Vou acabar com aquele outro, vou costurar seu nome na boca do sapo”. De nada adianta isso, porque Deus dá a cada um segundo as suas obras e não porque você não gosta dele.

“551. Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo? Não; Deus não o permitiria” (O Livro dos Espíritos).

Ninguém pode se libertar de uma determinada pessoa se isto não estiver previsto para a sua encarnação. Todos são instrumentos para a ação carmatica do próximo e por isto, se alguém lhe incomoda, o que é pode lhe afastar daquela relação é aprender a amar a Deus e a todos, ou seja, promover a reforma íntima.

Portanto, a única coisa que pode resolver para você, ou seja, que pode lhe levar a viver uma vida com paz, felicidade e harmonia é a elevação espiritual que é alcançada com a reforma íntima.

Por que abordei este ponto hoje? Porque a promessa de um “futuro feliz” sem o trabalho da modificação interna de cada um é um ato de conivência que muitos que se dizem missionários do Senhor praticam.

E sabe porque as Igrejas, os templos e os centros são coniventes? Porque procuram fiéis, seguidores, “casa cheia”. Eles precisam agradar o lado humano dos espíritos.

Se você for a um centro porque sente que está obsediado e lá eles lhe disserem que você precisa mudar-se, que você precisa reformar-se ao invés de simplesmente prometerem o céu sem esforço algum, lá você não volta mais. Diz que aquele centro não presta, porque é “muito fraquinho” e vai buscar outro.

Ninguém quer ousar ver a sua própria culpa. Ninguém quer ousar chamar para si a responsabilidade sobre a sua vida. Apesar disto, aqueles que se colocam à disposição de Deus como lamparinas devem ousar levar a palavra de Deus, ao invés de simplesmente tentarem satisfazer os desejos humanos dos espíritos encarnados.

Para aqueles que trabalham em centros espíritas, o trabalho de desobsessão deve abranger a responsabilidade do encarnado neste processo; para os que lidam com a umbanda, o fim das promessas de bem estar material gratuitos (“faça isto que eu lhe dou aquilo”), deve ser abolido.

Afinal, não existe ninguém superior a Deus e Ele dá a cada um segundo a sua obra. É Ele que dá ao espírito tudo o que precisa, mas para a execução de suas provas e não para a prosperidade material.

“533. Podem os Espíritos fazer que obtenham riquezas os que lhes pedem que assim aconteça? Algumas vezes, como prova. Quase sempre, porém, recusam, como se recusa à criança a satisfação de um pedido inconsiderado”.

“532. Têm os Espíritos o poder de afastar de certas pessoas os males e de favorecê-los com a prosperidade? De todo não; porquanto há males que estão nos decretos da Previdência. Amenizam-vos, porém, as dores, dando-vos paciência e resignação. Ficai igualmente sabendo que de vós depende muitas vezes poupar-vos aos males, ou, quando menos, atenuá-los. A inteligência, Deus vo-la outorgou para que dela vos sirvais e é principalmente por meio da vossa inteligência que os Espíritos vos auxiliam, sugerindo-vos idéias propícias ao vosso bem. Mas, não assistem senão os que sabem assistir-se a si mesmo. Esse é o sentido destas palavras: buscai e achareis; batei e se vos abrirá. Sabei ainda que nem sempre é um mal o que vos parece sê-lo. Freqüentemente, do que considerais um mal sairá um bem muito maior. Quase nunca compreendeis isso, porque só atentais no momento presente ou na vossa própria pessoa” (Citações retiradas de O Livro dos Espíritos).

Aí está a palavra de Deus que deve ser levada àqueles que batem às portas das casas de oração à procura da satisfação de seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar agradar a Deus e não aos seres humanos.

Sabe por que? Porque a responsabilidade sobre a vida é somente do espírito encarnado e de mais ninguém. Nenhuma outra pessoa é responsável pelo que acontece na vida de um espírito encarnado. Só ele mesmo.

Quando o trabalhador de Deus joga a culpa em qualquer outro pela situação que o fiel está passando, está sendo conivente a com a sua materialidade e, por isto, não está servindo a Deus. é preciso realmente ousar em tudo.

Estamos chegando ao fim de nossa conversa, mas antes eu gostaria ainda de tocar em mais um assunto. Apesar de muitos conhecerem os ensinamentos aqui citados, por que eles ainda continuam escravos dos padrões mundanos?

Por exemplo: por que você acha que tem que pagar a quem deve? Porque sente responsabilidade com a vida material, com a comunidade em que vive.

Só que quando você assume as responsabilidades com a vida material esquece um só detalhe: a responsabilidade que assumiu com Deus antes da encarnação.

Antes de encarnar você diz: “Senhor eu quero esta chance porque me acho capaz de buscar a elevação espiritual”. Aí, troca esta responsabilidade pela responsabilidade material. Submete a sua existência às responsabilidades materiais, mas se esquece do compromisso assumido anteriormente com Deus.

“Ah, eu tenho que pagar minhas dívidas”. Quem disse? Contrair dívida é uma ação carmatica para você e para quem está devendo. Quem passa por um processo de falência é porque escolheu, antes da encarnação, este gênero de prova para promover a sua reforma íntima e elevar-se.

Para que ele pudesse viver a sua prova é preciso um agente carmatico, ou seja, alguém que construa uma realidade que espelhe o gênero da prova escolhida. Portanto, ninguém deve a este homem, mas se transforma em instrumento de Deus para elevar àquele espírito a prova que ele mesmo solicitou.

Agora não esqueça: se isto é verdade é para os dois. Se alguém lhe deve o mesmo pensamento deve ser aplicado. Neste momento você deve ousar não cobrá-lo e viver o ensinamento dos mestres.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘olho por olho, dente por dente’. Eu, porém lhes digo: Não se vinguem dos que lhe fazem mal. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se processarem você para tomar a sua túnica, deixe que levem também a capa. Se um dos soldados estrangeiros forçá-los a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros. Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê; e empreste a que, lhe pedir emprestado” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 38 a 42).

Este é o motivo pelo qual você tem que ousar: para honrar o compromisso firmado com Deus antes da encarnação e que você simplesmente joga na lata de lixo em troca do seu compromisso com a sociedade onde vive.

“Ah eu não posso falar o que você falou sobre o natal porque senão meu filho vai brigar comigo”. Você deixa de honrar o seu compromisso com Deus para honrar o com o seu filho e acha isto muito certo porque imagina que precisa disto para assegurar a felicidade dele. .

Sei que você se sente obrigado a dar um presente para o seu filho no natal porque todos os seus amiguinhos receberão e ele se sentirá diferente dos demais. Mas honrar este compromisso com a sociedade sai muito caro para existência espiritual do seu filho.

Agindo assim você criará nele o hábito dele receber presentes para ser feliz, ou seja, o ensinará a condicionar a felicidade. Esquece-se, apenas, que quando um espírito condiciona a sua felicidade ao recebimento de algo rompe com Deus e desonra o seu compromisso espiritual: alcançar o amor incondicional, a felicidade incondicional.

Quem se sente obrigado a dar o presente ao filho não o está ajudando na elevação espiritual porque está criando nele a obrigação de um dia dar presente para o filho ao invés de aproveitar o portal do natal.

Agindo dentro desta cascata a humanidade permanece a mesma, o mundo continua o mesmo: Deus continuará preso no céu esquecido da humanidade. Será o que é hoje: uma coisa que você só se preocupa depois de morrer.

Só que depois da morte, não dá mais para alcançar a elevação espiritual e o compromisso assumido antes da encarnação foi desonrado.

Alem disto, Cristo já disse não se serve dois senhores ao mesmo tempo. Não adianta você contemporizar (“vou ficar bem com meu filho e com Deus ao mesmo tempo”): isto é impossível; ou você agrada a um ou agrada o outro.

Se eu pudesse pedir a Deus um presente para vocês neste natal, seria que Ele ajudasse cada um a ousar nesta vida, porque sem isto não se chega a Deus. Sem isto ficamos presos na mesma coisa a vida inteira, fingindo que está tudo bem.

Só que quando sai desta vida não dá mais para fingir. E aí eu lembro das palavras de Sariputta, um monge que servia ao Buda.

“Amigos, se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais inábeis tivesse uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero, sem febre – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar um boa destinação, então o Abençoado não ia advogar o abandono de qualidades mentais inábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais inábeis tem uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado e febril – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma destinação ruim, é por isso que o Abençoado advoga o abandono de qualidades mentais inábeis”.

“Se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais hábeis tivesse uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado, febril – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar uma destinação ruim, então o Abençoado não iria advogar permanecer com qualidades mentais hábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais hábeis tem uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero e sem febre – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma boa destinação, é por isso que o Abençoado advoga permanecer com qualidades mentais hábeis” (Sutta Devadha – SN XXII.2).

Ao falarmos o que estamos comentando neste ciclo de palestras não queremos simplesmente ser diferente ou mostrar o quanto somos “grandes (no sentido de culto) espiritualmente falando, mas, pela experiência, temos certeza de quem ousar e vencer o próprio mundo conseguirá uma vida plena de felicidade e alegria e além disto terá uma boa colocação quando sair da carne.

Sabemos, ainda, que quem não ousar, ou seja, não colocar estes ensinamentos em prática, não tem uma “vida” plena de felicidade, mas presa a vicissitudes (à momentos de prazer e de dor) e quando sai da “vida” não tem uma existência numa boa colocação.

Outro dia me disseram que eu estava certo ao alertar para a necessidade de transformar a vida num trabalho exclusivo de reforma íntima. A pessoa foi mais além: por isto Deus criou a reencarnação, ou seja, como uma oportunidade de elevação espiritual.

O problema é que os espíritos encarnados acreditam que a elevação acontecerá apenas com o reencarnar, como se o simples fato de vir à carne fosse o suficiente para se elevarem. Isto é mentira.

O espírito só se eleva quando de posse da consciência material (encarnação), mas se nela realizar a reforma íntima. Não basta apenas encarnar: é preciso conquistar a mudança interior.

Aqueles que conhecem o processo de elevação espiritual, mas estão presos àquela idéia, não fazem nada durante a vida, não ousam nada contra os padrões humanos. Acreditam que simplesmente por mágica (nascer e morrer) se elevarão. Por isto estão encarnadoshá pelo menos sete mil anos e nada conseguem.

Deixe-me falar uma coisa. Os espíritas acreditam que foi o Espírito da Verdade que ensinou a reencarnação, mas ela é conhecida no oriente desde a antiguidade. Os chineses e os japoneses, principalmente, vivem dentro desta realidade a milênios com uma crença fervorosa na reencarnação.

No entanto, eles também caíram na ociosidade. Pela certeza que tinham de nova existência carnal, trocavam a vida por qualquer compromisso material. Veja o exemplo do haraquiri e dos kamikazes na segunda guerra mundial.

O que aconteceu? Deus deu a um o comunismo e ao outro duas bombas atômicas para que pudessem acordar e dar valor à vida material. Não pela materialidade em si, mas como uma oportunidade de elevação espiritual.

Se persistirem na ociosidade, o que será que Deus terá que dar aos espíritas para que eles aproveitem esta encarnação ao invés de trocar a oportunidade de elevação pelas responsabilidades materiais alegando a existência de novas oportunidades?

É preciso ousar reformar-se: não basta apenas reencarnar.

Foi pela ousadia que todos os mestres demonstraram a elevação espiritual. Estudem a vida de todos aqueles que alcançaram a “santidade”, o “despertar”. Eles ousaram ir além da vida carnal, além das responsabilidades materiais para servirem a Deus, amando-O acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Para aqueles que ousarem rebelarem contra o sistema, contra os padrões no mundo, uma nova época está por vir.

“Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar sumiu. E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e pronta, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo. Ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia:”

“Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais mortes, nem tristeza, nem choro nem dor. As coisas velhas já passaram”.

“Aquele que estava sentado no trono disse: agora faço nova todas as coisas!”.

“E também disse: escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança”.

“E continuou: tudo está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da vida. Quem conseguir a vitória receberá isto de mim: eu serei o seu Deus e ele será o meu filho. Mas os covardes, os traidores, os viciados, os assassinos, os imorais, os que praticam a feitiçaria, os que adoram ídolos e todos os mentirosos, o lugar deles é o lago de fogo e enxofre, que é a segunda morte”

Estes textos foram retirados do livro Apocalipse, capítulo 21, versículo 01 a 08.

A Nova Jerusalém ou a vida no Mundo de Regeneração só será vivida por aqueles que ousarem ir além dos padrões humanos e trouxerem o trono de Deus para as suas vidas. Afinal, Paulo já nos ensinou: “o ser humano é inimigo de Deus”.

É por isto que o Espiritualismo Ecumênico Universal em sua “Carta à Humanidade – Proclamação da Conversão” declarou:

“O inimigo, aquele contra quem nós devemos “guerrear”, ficou definido através dos ensinamentos: o próprio “ser humano”. Agora é a hora do exército de Nossa Senhora partir para a conversão dos “seres humanos”, transformando-os em espíritos.

Com esta conversão será alcançada a terceira profecia passada por Nossa Senhora em Fátima: O FIM DA RAÇA HUMANA. O novo tempo será marcado pelo fim da raça dominadora do planeta (ser humano) e marcará o início da raça ESPÍRITO NA CARNE, subserviente a Deus.

Para a “guerra” da conversão os soldados podem contar com toda ajuda da espiritualidade, que por ordens divinas trará acontecimentos que questionarão o “poder” imaginário que os seres humanos acham que têm sobre as coisas e seres do planeta, materiais ou espirituais.

Que todos os combatentes espelhem-se na vida de Jesus na carne para viver a sua, pois Ele foi o único espírito a colocar o AMOR em ação”.

Somente a ousadia de libertar-se de sua humanidade pode conduzir o espírito a viver o novo mundo que surgirá no planeta. Ou como Cristo ensinou:

“felizes os que lavam as suas roupas para terem o direito de comer a fruta da árvore da vida e para poderem entrar pelos portões da cidade. Mas, fora da cidade estão os viciados e os feiticeiros, os imorais e os assassinos, os que adoram ídolos e os mentirosos em palavras e atos” (Apocalipse, capítulo 22, versículos 14 e 15.

Com as graças de Deus.
FONTE:http://www.universalismo.org/

VISÃO ESPIRITUAL DO ABORTO

 

 

 

Vamos falar sobre o aborto. Entretanto, antes de começarmos a falar sobre qualquer tema é preciso buscar na materialidade qual a compreensão sobre ele, ou seja, determinar a verdade humana que precisa ser destruída.

Digo isto, porque o nosso propósito não é de construção de novas verdades, mas de destruição das antigas. Somente eliminando-se todas as verdades materiais com que o ser humano vive hoje poderemos atingir à Verdade Universal, ou seja, a espiritual.

O aborto para a humanidade é considerado como a interrupção de uma vida. Fazer um aborto é, portanto, entendido como matar um ser humano em formação.

Mas, o que será “vida”? Precisamos conceituar humanamente falando este termo porque não podemos falar em interrupção da vida sem antes entendê-la.

A “vida carnal” não existe como a humanidade imagina: algo que acontece por si só no momento que está acontecendo. A “vida carnal” para um espírito não existe como concebida pelos seres humanos.

O espírito não vive dentro da concepção humana (pratica animações), mas vivencia situações programadas pro ele mesmo antes da encarnação. A animação que o espírito “vive” não é a prática de atos, mas o vivenciar de situações pré-concebidas.

Você agora está lendo este texto? Não, está vivenciando uma ação que escreveu antes de nascer. Para o ser humano há a ilusão que está agindo no mundo carnal neste momento, mas a Realidade [1] é que a situação está acontecendo e o espírito está vivenciando-a como se estivesse assistindo a um filme.

Portanto, você, o espírito, não está vivendo isto agora, mas sim vivenciando, ou seja, passando por algo pré-determinado com a ilusão que está agindo no sentido de visualizar letras e obter compreensões.

Esta visão sobre os acontecimentos da vida é importante ao analisarmos qualquer assunto relacionado à vida carnal. Na hora que a humanidade compreender isto, poderá viver a Realidade ao invés de se prender à ilusão (maya). Quanto mais num tema que se relaciona com vida e morte.

Sem que o ser humano entenda que ele é apenas uma criação ilusória que existirá apenas enquanto o espírito estiver em prova, o tema “morte” será super valorizado no sentido humano e não no espiritual. Sem a perfeita compreensão da Realidade da vida, jamais o ser humano compreenderá que está escrito em “O Livro dos Espíritos”:

“853a – Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos? “Não; não perecerás e tens disso milhares de exemplos”.

Nenhum ser humano pode “morrer” antes da hora porque nenhum espírito pode deixar de vivenciar tudo aquilo que se comprometeu a realizar como prova durante a sua encarnação. O desencarne, ou seja, a ilusão da vivência chamada vida carnal acabará apenas no momento exato que o espírito escreveu para vivenciá-lo antes da encarnação.

Compreendido este aspecto da Realidade, posso, então, afirmar: a compreensão da humanidade a respeito do aborto está completamente falida. Isto porque não pode haver interrupção da vida antes do momento preciso que ela tenha que ocorrer.

Este é o primeiro aspecto que precisamos levar em consideração ao analisar espiritualmente o aborto.

Aplicando-se esta visão ao tema, veremos que se o ser humano vive um, dois ou três meses e aí acontece o “fim da vida” (aborto), é porque ele só tinha aquilo para viver, pois, o espírito só pré-determinou aquilo para vivenciar.

O aborto, portanto, não poder ser considerado como uma interrupção de vida, mas sim como o fim da existência do ser humano criado pelo espírito no momento exato em que este pré determinou para tanto. Se ninguém morre antes da hora, ninguém é abortado antes da hora.

A partir desta nova compreensão sobre o tema “aborto”, temos que analisar não mais como uma pessoa é capaz de interromper uma vida, mas compreender porque determinados espíritos escrevem para os seres humanos cujas vidas vivenciarão somente aqueles pedacinhos de existências.

Toda “vida” de um ser humano é escrita a partir dos carmas do espírito. A existência carnal é escrita conscientemente pelo espírito a partir dos seus carmas: reações a ações anteriores.

Então, o aborto não é um “ato físico” que leva ao “fim de uma vida”, mas é para os envolvidos (feto, familiares, corpo médico e todos que tomarem ciência), um momento carmático, ou seja, um acontecimento que espelhará a justa reação do que foi feito anteriormente pelo espírito.

Nenhum dos seres humanos envolvidos no episódio do aborto age espontaneamente, mas participa de uma ação desenhada pelos espíritos à que está ligado servindo como instrumento para a provação destes. Portanto, ninguém é culpado ou vítima no aborto, mas é carmáticamente eleito para participar dele como instrumento de provas do espírito. Todos são apenas personagens daquela história.

Este conhecimento é fundamental para o homem parar de julgar se o que está acontecendo é “certo” ou “errado”. Continuaremos falando sobre o assunto “carma” e compreenderemos seus diversos aspectos, mas desde já podemos definir que não há “certo” nem “errado”, “culpado” ou “vítima” num ato de aborto, mas uma ação carmática acontecendo.

Definido que o aborto é uma ação carmática, visão precisamos descobrir o que é “carma” para melhor compreensão do tema.

Hoje no planeta, o carma é considerado como uma punição, uma pena que se contrai ao praticar determinado ato. Se mantivermos esta visão, poderemos dizer que os espíritos ligados aos participantes da ação do aborto adquiriram tal condição porque antes “matou” alguém e, então, agora merece passar por isso.

O carma, como compreendido pelo mundo espiritual, não é uma penalidade, não é uma pena que Deus impõe ao espírito, mas “a justa medida do que ele fez anteriormente”. O carma é, antes de tudo, a Justiça de Deus em ação, dando a cada um segundo as suas obras e não o fruto de um juiz que acusa e penaliza. Nesta linha de pensamento, o carma não precisa ser só pena, mas pode também ser “glória”.

A partir da compreensão da Realidade do carma, podemos entender que a ação carmática ser abortado ou de abortar podem ocorrer por dois motivos: pena ou glória. Vou chamar glória de positivo e pena de negativo na continuação da análise, mas, por favor, não liguem estes dois termos a “certo” e “errado”, “bom” ou “mal” ou “bonito” e “feio”, pois não me refiro aos conceitos humanos que estas palavras têm.

Vamos primeiro compreender o carma “positivo” do espírito que pode gerar para o ser humano a participação num acontecimento onde ocorra um aborto. Para isto citaremos exemplos, mas desde já fica avisado: no mundo espiritual dois mais dois dificilmente dá quatro. Todos os exemplos que vou citar são apenas para ilustrar o ensinamento e não regra fixa.

Vamos começar o nosso estudo com o seguinte exemplo: um ser humano mulher que esteja ligado a um espírito que numa outra vida tenha vivenciado um aborto.

Determinada reação do espírito à vivência de ter sido abortado em uma outra encarnação pode gerar para si um carma onde precise que o ser humano que ele cria agora seja abortado. Por isto, a história que ele agora escreverá para este ser humano conterá este acontecimento.

É importante que se ressalte: o episódio do aborto de agora nada tem a ver com o ser humano, mas sim com o espírito que escreve a história dele. Ela refletirá os carmas do espírito, da sua vida eterna.

Para que esta história sirva de prova para o espírito precisará ser escrita com elementos que estejam dentro da visão lógica que o ser humano tem do mundo. Apenas quando os acontecimentos fogem do que é chamado de sobrenatural o espírito pode exercer a sua fé (confiança e entrega a Deus), realizando com êxito sua provação.

Portanto, para que o carma do espírito (ser abortado) seja vivenciado, precisará haver um corpo feminino onde um óvulo se encontre com o espermatozóide e comece a formação de um novo feto, ao qual ele se unirá, e que este feto seja arrancado de lá. O espírito que vivenciará o ser humano que fará o papel de mãe pode merecer esta vivência negativamente (pena) ou positivamente (por amor).

Ou seja, a “mãe” que aborta pode fazê-lo por ter um carma negativo (o espírito ter vivenciado situação igual de forma não amorosa em outra vida), mas também pode servir de instrumento para esta ação carmática por amor.

Sei que vocês podem estar achando estranho falar em abortar por amor, mas não estou falando de amor humano e sim espiritual. O espírito que vivencia a mãe que pratica o aborto neste exemplo sabe que o outro precisa passar por este processo e auxiliá-o na sua elevação espiritual.

É difícil de compreender, mas veja bem, se você tem uma coisa muito importante para ser feita, uma coisa que precisa fazer, mas que dependa da ajuda de alguém para que seja realizada, pedirá a um amigo ou a um inimigo para ajudá-lo? Claro que vai pedir ajuda ao amigo.

Da mesma forma, o espírito que precisa passar pelo aborto pode chegar a um outro que lhe seja simpático, afim, amigo e pedir: “por favor, assuma esta missão de abortar o meu ser humano para dar-me esta oportunidade de elevação espiritual”. Isto já aconteceu e continua ocorre no universo.

Portanto, neste exemplo, o espírito será abortado porque mereceu passar por isto e mãe que cumprirá o destino do personagem que ele vivencia poderá fazê-lo porque mereceu negativamente (o espírito já reagiu sem amor a fato semelhante em outra encarnação) ser a aborteira, ou pode, ainda, fazê-lo por amor.

Pergunta: E as mães que fazem mais de um aborto, que fazem três ou quatro?

Às vezes são grandes espíritos em missão. “Olha, vamos fazer o seguinte, eu vou com missão de aborteira, juntem todos os que precisam ser abortados que eu vou ajudando-os”. Quantidade não tem problema, é preciso entender a técnica e não julgar as pessoas.

O que estamos falando funciona para um, dez, cinqüenta abortos. A partir do momento que você entende o processo não importa quantas vezes o ser humano aborte, porque será sempre o mesmo processo.

Pergunta: Como diferenciar quando o carma é negativo ou positivo?

É fácil saber isto, muito fácil, mas apenas Deus sabe esta resposta. Só Deus sabe e conhece a Realidade, a Verdade.

Portanto, se você não pode descobrir se está havendo um carma negativo ou positivo louve a Deus em todas as situações porque Ele sabe e não critique ninguém jamais.

Deixa eu lhe dizer uma coisa: você não veio aqui para compreender o mundo, mas para vivenciá-lo louvando a Deus. Deixa que ele entenda o mundo.

Pergunta: Então o carma não tem nunca efeito positivo, nem que seja a longo prazo?

Não foi isto que eu disse. Falei sobre o merecimento na participação dos acontecimentos do mundo sem citar se o ato era “bom” ou “mal”.

O carma, independente do ato que ele gere, é sempre positivo porque se trata de uma oportunidade de elevação concedida por Deus. Não é o ato que dirá se o carma foi resgatado ou não, mas a forma como espírito o vivencia.

O carma é um ato de amor de Deus. Agora, se você pode vivenciá-lo positivamente, com amor (sem sofrer, sem ferir, sem acusar), ou ainda com ranger de dentes (sofrimento).

No primeiro exemplo a ação carmática, seja ela qual for, gerou um determinado efeito enquanto que com o sofrimento se gera um outro efeito diferente.

Pergunta: Então, necessariamente, o aborto é errado?

Você sabe o que é o “certo” e o “errado”, o “bom” e o “mal”, o “bonito” e “feio”? São resultados de julgamentos de ações dos outros seres humanos executados por espíritos que comeram a maçã enquanto estavam no Jardim do Éden.

Em Gênesis, capítulo 3 você encontra o texto que pode lhe levar a entender o que é processo de comer a maçã. A cobra diz assim: Deus não quer que você coma a fruta porque Ele sabe que na hora que comer seus olhos se abrirão e você será como Deus, distinguindo o “bem” e o “mal”.

A partir daí, podemos afirmar que não existe o “certo” e “errado”, mas sim o espírito que quer ser Deus, quer ter a capacidade de reconhecer nos atos dos outros se eles estão “certos” ou “errados”.

Isto é julgamento e Cristo nos ensinou que apenas Deus pode fazê-lo, pois conhece a intenção de cada um ao agir, ou seja, a ação carmática que está por trás de cada ato.

Voltemos à nossa conversa de hoje. No primeiro exemplo vimos o espírito que precisava passar pelo aborto como carma negativo, ou seja, aquele que construiu como prova para si a situação onde precisava e merecia ser abortado. Dentro deste exemplo vimos a motivação (carma) positiva e negativa de outro espírito ao criar a história do ser humano que vivenciaria (pai, mãe, família).

No entanto, não é só por carma individual que um espírito gera uma história onde o ser humano será abortado. Existem espíritos que, por amor a outro, aceitam vivenciar o ato de ser abortado. Neste caso, a ação não mais é carmática, mas missionária.

Assim como o espírito que precisa ser abortado busca um amigo para realizar o aborto, outros que merecem e precisam criar personagens que necessariamente terão que praticar o aborto buscam espíritos afins para que eles gerem um ser humano que viva só aquele pedaço de vida (vida uterina). Só assim estes espíritos poderão praticar o aborto como carma, como oportunidade de elevação.

Neste caso, o espírito que escreve a história do ser humano que será abortado não estará realizando prova alguma, mas simplesmente colaborando com o amigo para sua elevação. Agindo assim, verifica-se que este espírito está cumprindo uma missão de auxílio ao seu irmão espiritual.

Então, existem espíritos que por amor, por carma positivo, aceitam escrever personagens humanos que serão abortados. No entanto, eles não cumprem sua missão só junto ao espírito que mereça e precise como carma negativo, mas também há casos onde feto e mãe passam por esta situação por amor.

São duas situações diferentes. Na primeira hipótese (feto criado por missão e mãe por carma) a abrangência da missão é individual, mas no segundo (feto e mãe criados como missionários), a missão diz respeito a toda uma coletividade que terá conhecimento do fato (aborto).

Os espíritos ligados à mãe e ao filho aceitam participar daquela vivência para que o resto da família e da sociedade ao qual pertencem tivessem seu carma. Fazem isto para dar uma oportunidade aos demais espíritos encarnados de vivenciarem uma determinada situação com amor ou não.

Se a coletividade que tem informação do ato vivê-la com amor ao próximo se eximirá de acusar a mãe, mas se não reagirá com julgamentos: “meu Deus, ela fez isso? Não podia. Ela não presta”. Todos os espíritos que souberam do caso, portanto, tiveram uma prova para o seu amor universal.

Agora compliquei ainda mais nosso estudo. Antes estávamos apenas lidando com elementos diretamente ligados à situação de aborto, mas agora expandimos o carma para todos aqueles que, mesmo por meios indiretos (notícias pessoais, de jornais, rádio ou televisão), tiveram conhecimento do fato.

Começamos nosso estudo procurando a culpabilidade daqueles que praticam o ato e chegamos agora à consciência de que se existe um “culpado” nesta história toda é aquele que julga as ações praticadas pelos outros.

Precisamos eliminar todo e qualquer resquício de julgamento. Para aquele moço que ainda queria saber se a atitude do ser humano era fruto de um espírito vivenciando carmas positivos ou negativos, abri mais uma opção (os dois como missionários). Esta, no entanto, também não deve servir para criar novas verdades, mas sim como instrumentos para eliminar completamente a possibilidade de “compreender” o que está acontecendo.

Como já disse eu não estou aqui para criar verdades novas, mas para destruir todas as verdades para que você fique vazio, sem nada na consciência. Todo nosso ensinamento de servir para você não saber o que está acontecendo, mas para auxiliá-lo a declarar que é incapaz de saber em qualquer movimento, em qualquer atitude o que está acontecendo.

A única conclusão que se deve tirar de qualquer ato é o “nada sei”. Ou seja, todo nosso ensinamento deve servir para você dizer para si mesmo: “eu não sei se quem foi abortado ou quem estava abortando se tinha carma positivo ou negativo. Então, louvado seja Deus que fez acontecer para os espíritos o que eles precisavam e mereciam”.

Isto é a Realidade sobre um ato de aborto: emanação de Deus, amor de Deus em ação dando ao seu filho de acordo com a sua obra uma nova oportunidade de elevação espiritual.

Qualquer outra conclusão que leve a um culpado e a uma vítima é fruto daqueles que querem defender a vida material. Esquecem-se no entanto, que são espíritos e não seres humanos e que existe uma Realidade muito maior sendo vivenciada do que simplesmente a existência carnal.

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Pergunta: Então no mundo não tem nada errado, nada está fora do lugar?

Olha, no dia que houver alguma coisa “errada” no mundo é preciso “aposentar” Deus.

Deixa eu lhe fazer uma pergunta: você já ouviu falar de bomba atômica? Como ela funciona? Todo seu poderio está concentrado em um único átomo que para de girar dentro da sua órbita e com isso se choca com os outros criando uma reação em cadeia que levará a explosão, que destruirá tudo ao seu redor.

Se no universo acontecesse de um átomo sair do seu lugar, quebrar o equilíbrio existente, tudo explodiria. Da mesma forma, se um espírito fizesse uma coisa errada acabaria com o universo.

O universo teria que acabar porque Deus não cumpriu o seu papel perfeitamente. Um Pai que é Supremo, Onipresente, Onipotente, Onisciente e Causa Primária de todas as coisas terá sempre que manter a Justiça Perfeita, ou seja, dar a cada um o seu justo merecimento.

Se um ser humano pudesse agir livremente certamente causaria ferimentos a outro, pois a característica individualista dos seres e a sua diversidade (não existem dois seres que querem a mesma coisa), o levaria sempre a “fazer o que quer”. Neste caso, Deus perderia todo o seu significado, pois não pode preservar aquele que recebeu o erro de passar por uma injustiça.

Impossível, no universo não há certo nem errado, mas Deus agindo amorosamente, justamente, perfeitamente, e você interpretando se a ação de Deus está certa ou não. Ou seja, você julgando Deus.

É deste julgamento que surgem as noções de “certo” e “errado” e não do que está acontecendo.

Pergunta: Está fora de nossa capacidade de compreensão a lei divina?

Completamente. Vocês não conhecem a compreensão das leis materiais, não compreendem as próprias leis da matéria, que dirá as leis divinas.

A lei divina é Suprema, está acima da sua compreensão. Por isto ame a Deus e saiba que o Pai lhe ama e este amor acontece a cada segundo.

Entenda bem isto: é da sua declaração de incapacidade de descobrir o que está acontecendo que pode surgir a sua capacidade de entender o universo: Deus em ação.

Enquanto você atribuir valores a alguma coisa estará querendo ser o próprio Deus: querendo saber o que está acontecendo. Desta forma jamais poderá entender os acontecimentos como Deus em ação.

Pergunta: E o ego, como funciona nesta história do aborto no fluxo da vida. E se a mãe ficar amedrontada na hora e não fizer o aborto? Tem esta opção para mãe e para o abortado?

Terá esta opção para mãe e para o abortado se estiver escrita esta opção e se ela for realidade. Ou seja, se acontecer o aborto é porque tinha que acontecer, se não é porque não estava previsto.

Ninguém pode alterar o que está escrito. Se acontecer estava previsto que isto ocorreria, mas se não é também porque já estava previsto.

Já o ego funciona de diversas formas dependendo do personagem que está envolvido na situação do aborto. À mãe dá razões lógicas que lhe levem a imaginar que está praticando a ação como fruto de seu livre arbítrio. Ao feto incita-o a rebelar-se contra mãe que supostamente está lhe “matando”. A você, espectador desta história, fica lhe dizendo que o aborto é errado, que deve condenar quem praticou tal ato, que tem que criticá-lo.

Aquele que se prende a esta verdade que o ego dá passa pela situação em “sofrimento” (discordância com a Realidade). Subordina-se a ele e, por isto, julga e acusa a Deus para satisfazer o ego.

Pergunta: Então, onde está o livre arbítrio?

Pergunta: E o livre arbítrio da mãe não poderia influenciar esta situação?

Sobre a questão do livre arbítrio vamos falar rapidamente, pois ele já foi debatido profundamente através de todos os nosso ensinamentos. Aliás, a compreensão perfeita deste tema é a base para o entendimento de todos os nossos ensinamentos.

Em “O Livro dos Espíritos” está perguntado: o espírito sabe antes do seu nascimento o que vai acontecer? O espírito da verdade responde: sim, ele mesmo pede suas provas e nisso se consiste o seu livre arbítrio [2].

No mesmo livro, mais à frente a compreensão sobre o tema fica ainda mais fácil:

“851 – Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir”.

Resumindo estas duas informações podemos dizer que o espírito ligado a um ser humano tem dois livres arbítrios: um para o ato e outro para o sentimento com o qual vivencia o ato.

O livre arbítrio do ato é exercido antes da encarnação quando o espírito pede as suas provas, escreve a história que o personagem que irá ligar-se vai viver. Depois de que encarna (liga-se ao personagem de tal forma que passa a ter a consciência de que é ele) é impossível alterar tudo o que foi previsto para aquela vida.

A questão do porque o espírito não pode alterar a existência pré-programada do ser humano também está em “O Livro dos Espíritos”: “O desejo que então alimenta pode influir na escolha que venha a fazer, dependendo da intenção que o anime. Dá-se, porém, que como Espírito livre, quase sempre vê as coisas de modo diferente” [3].

Quando o espírito vivencia a consciência de que é o ser humano seu objetivo é outro. Antes ele era movido pela intenção de elevar-se espiritualmente (adquirir bens celestes), mas depois passa a desejar a “riqueza material” (satisfação, prazer).

Portanto, o livre arbítrio do ato é exercido antes da “vida”, antes da encarnação. No entanto, durante a vivencia dos acontecimentos carnais o espírito tem o livre arbítrio do sentimento (“Falo das provas físicas, pois pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir”).

O “bem” e o “mal” aqui não está voltado para o ato em si, mas utilizado no seu sentido espiritual. O espírito que vive o “bem” é aquele que ama a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e aquele que opta pelo “mal” é aquele que ama a si mesmo acima de tudo.

O primeiro é aquele que não cedeu a tentação da cobra e por isto não exerce o ilusório poder de julgar os acontecimentos do mundo, deixando para Deus tal atribuição. Já o segundo é aquele que cai na tentação (aceita a maçã) e que, por isto, acredita possuir os “olhos abertos”, ou seja, a capacidade de reconhecer aquilo que apenas Deus conhece [4].

Respondendo, então, à sua pergunta, o espírito possui livre arbítrio. Aliás, mais do você imagina, pois não há apenas um, mas dois livres arbítrios.

No entanto, eles não são usados simultaneamente. Um é utilizado antes da encarnação para preparar a “vida”, a história do ser humano, e o outro é usado durante a encarnação para realizar a prova que ele preparou antes da encarnação.

Isto ocorre desta forma, porque a escolha do sentimento é a prova que o espírito realiza durante a vigência da existência do ser humano criado por ele. Enquanto os acontecimentos do ser humano ocorrem o espírito está lutando para provar a Deus que é capaz de amá-lo acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Ele tem a opção de amar ou não amar concedia pelo Pai, mas nisto não resulta que ele pode alterar a situação que está ocorrendo na carne. Se pudesse estaria suprimindo provas que ele mesmo escreveu.

Voltando ao nosso tema e aplicando este conhecimento, a mãe que escreveu antes da encarnação que ela queria fazer um aborto como prova de amor a Deus e ao próximo vai ter que fazer de qualquer jeito.

Como tinha falado antes da série de perguntas (página 26), qualquer outra conclusão que se chegue sobre o assunto diferente desta que estamos chegando, é obra daquele que quer preservar a vida material por ela mesmo.

Deixe-me relembrá-los de duas coisas importantes: vocês são espíritos e a grande glória para este é “morrer” (encerrar a encarnação). Quando tem a sua consciência atada à realidade de um ser humano o espírito se sente mal, pois esta não é a Realidade do ser universal.

Isto que vocês vivenciam como realidade é um arremedo, uma caricatura do mundo espiritual. Para aqueles que compreendem a sublimidade da eternidade e universalidade, o mundo carnal é algo jocoso.

A grande realidade do espírito é a existência eterna naquilo que você conhecem como mundo espiritual, ou seja, com a consciência espiritual que o leva a vivenciar a Realidade. Quando está prisioneiro da matéria (ligado conscientemente à vida carnal), o espírito está inconsciente do seu lado espiritual.

Então, esta busca da preservação da vida como fundamento básico da própria existência partindo de um espírito é uma ignorância, um ato de quem não conhece a Realidade. Um ato tresloucado de alguém que quer preservar uma ilusão apenas porque ela lhe satisfaz.

Eu não estou falando mal da vida carnal, pois ela é um instrumento precioso para o espírito. Nem estou dizendo que você deve meter um tiro na cabeça. O que digo é para você não valorizar a vida material até o ponto de achar que sem ela você sofreria ou estaria “morto” (tudo acabaria).

Aqueles que vivenciam culpados no aborto ou no assassinato, defendendo o “direito à vida”, estão defendendo na verdade a prisão do espírito à ilusão do mundo material (não ser morto), ao invés de desejar para ele a liberdade da vida espiritual.

Não estou fazendo “apologia do crime” (deve se matar), mas se foi isto que o destino (pré-programação do espírito que se une ao ser humano) criou não há acusações para serem feitas a ninguém. Deixe cada um vivenciar o seu destino sem acusações ou sofrimento. [5]

É pelo apego à vida material onde existe o prazer (que não existe no mundo espiritual) que os espíritos querem julgar e criticar aqueles que servem de instrumento para a libertação do seu irmão desta “porcaria” chamada mundo material.

Pergunta: Então, posso escolher o sentimento, mas se foi escrito o caminho, tanto amando a Deu como ao ego, a fatalidade acontecerá igual?

Sim, o acontecimento acontecerá igual ao que estava escrito antes, não importa como você reaja.

Pergunta: Quando aprendemos a dizer sempre sim a Deus, então saímos do ciclo de reencarnação?

Quando aprendemos a amar a Deus e não quando aprendemos a dizer apenas “sim” a Ele. Para sair do ciclo de encarnações é preciso louvá-Lo pelo que está acontecendo.

De nada adianta se dizer “sim” como vaquinha de presépio (concordando sem compreensão) e nem “sim” lógico, com compreensão material. O “sim” que devemos dizer a Deus deve ser fruto de um amor profundo pelo Pai.

Portanto, quando você aprende amar a Deus sobre todas as coisas sai do ciclo de encarnações para provas e aí iniciará um novo, só que desta vez para regeneração. É o fim do Sansara [6].

Agora, não fugindo do tema para outros assuntos, em todas as outras situações onde se interrompa uma “vida” (assassinato, eutanásia) deve ser usado o mesmo raciocínio para se compreender a Realidade. Qualquer situação onde aconteça uma interrupção de vida será sempre esta a Realidade: carma de quem faz, de quem recebe e de quem tem notícia.

Não importa se o instrumento da interrupção da “vida”’ é uma facada, um tiro, um acidente de automóvel ou um crime hediondo: todos os acontecimentos serão sempre ações carmáticas de todos os espíritos envolvidos na ação direta ou indiretamente.

Aliás, na hora que vocês entenderem que não há “vida” sendo criada no momento em que os fatos estão ocorrendo, como disse no início desta conversa, mas apenas as vivências de ações carmáticas pedidas pelo próprio espírito antes da encarnação, poderão compreender a “vida”.

Pergunta: Mas o carma não tem a ver obrigatoriamente com aceitar as coisas. Então, revoltar-se e buscar reverter os acontecimentos e triunfar lutando não será também carma?

Vivenciar uma reversão das coisas, se isto estiver previsto, sim, é carma. Agora, revoltar-se nunca é carma: é uma forma de reação do espírito a uma ação carmática que lhe proporcionará determinado carma.

Deixa eu lhe falar uma coisa. Cristo reuniu todos os ensinamentos de Deus em duas coisas: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ele não falou que você deve revoltar-se a alguma coisa para chegar ao reino do céu.

Vivenciar carmas dentro da busca espiritual é compreender que Deus está lhe proporcionando uma oportunidade de elevação, uma oportunidade de amar e de ser amado.

Nós aprendemos hoje duas lições importantíssimas [7]. A primeira é que a felicidade, a elevação espiritual é um estado de espírito e não uma soma de conhecimentos.

A elevação espiritual é um estado de espírito que ocorre quando o espírito vivencia as situações da “vida” seguindo os parâmetros das “Bem-aventuranças” ensinadas pelo Cristo. Só pode se considerar elevado aquele que se declara espiritualmente pobre, quando só tem amor para tudo que acontece.

É preciso amar a tudo o que acontece na “vida”, independente deste acontecimento lhe trazer prazer ou dor. A elevação espiritual só acontece quando o espírito não se revolta com nada, quando não critica nada, quando não vê injustiça nenhuma.

Aliás, nós estudamos hoje:

“Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e contentes, porque está guarda para vocês uma grande recompensa no céu. Pois, foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”. [8]

Quem segue a Cristo ama a Deus incondicionalmente. Quando se ama a Deus, ama-se o mundo, a “vida”. Quando o espírito ama o próximo ama a si mesmo. Esta compreensão é fundamental para a elevação espiritual. Só o amor é resposta a tudo porque a critica, o julgamento a acusação não é resposta a nada.

E o segundo grande ensinamento de hoje é que qualquer acontecimento deste mundo nada mais é do que uma oportunidade que Deus está lhe dando para colocar em prática este amor. Nada existe pela própria história. Ninguém mata ou queima outro, porque espírito não pode morrer nem se queimar.

Na Realidade está acontecendo uma simulação material para que todos os envolvidos direta ou indiretamente tenham uma oportunidade para provar o seu amor a si, ao próximo e a Deus.

Eu estou aqui me lembrando de um ensinamento de Cristo que é bem adequado a esta nossa conversa. O mestre nos ensinou a “Parábola dos Talentos”.

Trata-se de um ensinamento onde um mestre que vai viajar deixa sob responsabilidade de três empregados algumas moedas daquele tempo que eram chamadas de talento. Dois colocam estes talentos para render juros, ou seja, gastam os talentos e o outro esconde aquilo que estava sob sua guarda.

Nesta parábola o talento é o amor. Quando os espíritos assumem a consciência humana Deus lhes dá uma certa quantidade de amor e diz: “meu filho, vá lá e gaste este amor amando ao próximo, a Mim e a si mesmo, universalmente”.

Ele age desta forma porque sabe que quando o espírito ama transforma-se num amplificador deste amor, um multiplicador do amor divino sobre a face da terra. No entanto, quando o espírito se revolta (não usa o amor universal) multiplica a revolta sobre a face da Terra.

No entanto, a maioria dos espíritos que recebem o amor antes de assumir a consciência humana, durante a “vida” guardam este amor escondido dentro de si mesmo para poder devolvê-lo intacto a Deus.

Mas não é isto que Deus quer. O que Ele quer é que gastemos este amor amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo porque só assim auxiliaremos ao Pai multiplicando o amor divino pelo universo.

Na hora que entendermos esta sistematicamente de vida e o mecanismo pelo qual a “vida gira”, ou seja, o carma em ação, nós não temos mais como julgar, criticar ou acusar ninguém. Só então, podemos provocar a nossa “morte” (abandonar a consciência material e assumir a espiritual) para alcançar o renascimento em vida.

Sobre este mecanismo da vida eu costumo dizer o seguinte: o universo, a vida humana ou a universal é como uma máquina onde cada espírito (encarnado ou desencarnado) é uma engrenagem.

Para que a máquina produza o seu resultado perfeitamente as engrenagens precisam ser colocadas em determinados lugares. Assim, rodando juntas fazem a máquina funcionar perfeitamente e produzem um produto final perfeito.

O que determina a interação destas engrenagens é a “lei do carma”, ou seja, a justa medida daquilo que você plantou anteriormente. Dentro do ensinamento budista isto é conhecido como “interdependência”, ou seja, a dependência de todos os envolvidos em vivenciar determinada situação.

É esta lei que dispõe dos espíritos e que faz funcionar a máquina (universo). A lei do carma é o motor que coloca as engrenagens no seu devido lugar e gera o movimento delas.

Se esta máquina que tem o motor (carma) e as engrenagens (espíritos), precisa de um operador. Este é Deus.

Deus é quem opera a máquina programando o motor para fazer a junção das engrenagens e criar a movimentação que cada uma precisa executar para se alcançar o resultado final esperado.

Sabe qual o resultado final, o produto que esta máquina produz? É o amor, o amor divino que equilibra o universo.

Isto é a “vida”; isto é o universo. Na hora que você colocar isto em prática consegue atingir a felicidade incondicional porque sabe que estará rodando junto com aquela outra engrenagem para produzir amor e aí poderá deixar de criar revolta, desconfiança ou acusação.

Você saberá que não é por acaso que se encontrou com aquela outra engrenagem (pessoa) naquele momento e que aquela ação ocorreu não por decisão de cada um dos envolvidos. Poderá, então compreender que foi o Operador Supremo (Deus) que fez a junção de todos e também fez o acontecimento acontecer daquela forma.

Casamento, nascimento, morte, estudo, moradia, tudo isto nada mais é do que encaixes de engrenagens. Gostar, não gostar, ser feliz ou não aí é você (espírito) reagindo à rotação das engrenagens. Esta reação servirá a Deus para direcioná-lo à próxima engrenagem que você vai girar.

Deus jamais deixará duas engrenagens juntas apenas para satisfazê-las. Ele sempre posiciona cada uma delas de tal forma que produzam amor no final. Mesmo que para você este amor reflita-se em um assassinato, um aborto ou um tapa na cara.

O resultado do processo de funcionamento da máquina é o amor. Você é que diz que foi outra coisa.

Pergunta: Os yogues, aqueles que se libertam da vida carnal por ela mesma, também praticam uma forma de suicídio?

Sim, a sua ação é considerada um suicídio material para que aconteça o nascimento espiritual.

Cristo disse bem claro: em verdade, em verdade lhes digo, quem não nascer de novo não verá o reino do céu. No entanto, para que você nasça de novo é preciso morrer primeiro.

Sim, você precisa se suicidar. Mas, o suicídio material que estou falando não é acabar com a “vida”, mas colocar o amor a Deus e ao próximo na prática. Aliás, a “vida” é sempre um suicídio. Quando você não se mata materialmente como falamos, comete o suicídio espiritual, ou seja, coloca suas vontades, seus desejos e suas verdades na prática.
FONTE: http://www.universalismo.org/

O INIMIGO DE DEUS

 
“O ser humano é inimigo de Deus”. (Paulo)

O que é um ser humano?

Podemos definir ser humano como um ser espiritual vivenciando uma experiência humana. No entanto, o ser humano vive exatamente ao contrário: imagina-se humano vivenciando experiências espirituais.

Essa compreensão é importante porque quando o ser viver dentro da realidade da sua existência, o foco da vida mudará. Enquanto o ser vivenciar a vida como um humano que apenas realiza experiências espirituais o foco da sua vida serão os objetivos materiais. Apenas quando se souber espiritual vivendo experiência humana poderá mudar o valor que atribui as coisas da vida.

Por exemplo: as situações negativas da vida. Sabemos que elas são provas para a evolução espiritual, mas enquanto o homem sentir-se humano rejeitará essas situações, fugirá delas, pois verá apenas o lado trágico aos desejos humanos. No entanto, quando se compreender como espírito vivendo a vida carnal entenderá a necessidade da existência desses momentos e só então poderá vivenciá-los como dádiva do Pai para a sua eternidade espiritual.

A prova, as situações negativas, é o lado espiritual do ser dentro da experiência humana. No entanto, se ele é ser humano não quer passar pelas provas por que quer a felicidade agora, nesse planeta.

Dessa forma, não podemos definir ser humano como um indivíduo ou uma pessoa, mas um espírito vivendo uma experiência humana.

Já que somos espíritos, para podermos viver perfeitamente a vida carnal, retirando dela a sua humanização e alcançando a consciência da existência eterna, precisamos compreender o que é a experiência humana que um espírito vive.

Somos todos espíritos, vivendo a experiência carnal ou não. Possuímos uma memória onde estão arquivados os valores que aprendemos durante a nossa existência eterna no universo. Chamamos essa memória de consciência espiritual.

Quando o ser humaniza-se não consegue acessar esses dados guardados na sua consciência espiritual, ou seja, não consegue utilizar-se dos conhecimentos que possui. Isso ocorre porque ela é encoberta por um novo elemento temporário que o ser adquire: o ego, ou consciência material.

O ego é um “personagem” que o espírito cria antes do nascimento carnal. Ele será composto de elementos que servirão ao ser durante a experiência carnal como campo de provas para sua elevação espiritual. O ego determinará a personalidade, o corpo, o nome e tudo que se relacionar com o ser humano a tal ponto que o ser humanizado imaginar-se-á como o ego e não como o espírito que é.

Aí está a prova. O ser humanizado precisará da fé e do amor a Deus para suplantar as verdades que o ego lhe transferirá e viver a existência carnal como experiência espiritual. Enquanto não conseguir essa vitória, estará preso às realidades que o ego cria e não aproveitará a chance da encarnação. Quando o ser conseguir vencer ao ego poderá, então acessar à sua consciência espiritual e aí viver a vida em total comunhão com o Todo.

Não existe o ser humano. Marias, Paulos, Josés ou qualquer outro ser humano são egos criados por seres universais para viver uma existência carnal. Você é um espírito, sem nome, cor, idade, sexo, religião, raça, etc: tudo o que imagina ser é um personagem (ego) que criou para viver essa aventura carnal.

O ser humano, portanto, é um ser universal (espírito) vivendo uma aventura humana conduzida pelo ego na qual necessita destruí-lo para poder atingir à sua realidade: a espiritual.

Cumpre ressaltar que essa aventura humana não está diretamente relacionada com a ligação com uma matéria carnal. Existem diversos seres universais que já desencarnaram, mas que ainda não conseguiram libertar-se do ego. São aqueles que ainda imaginam-se donos de propriedades, maridos, mulheres ou filhos e que, mesmo fora da carne, ainda vivem apegado a essas coisas materiais.

A vitória só acontecerá quando ele vencer o ego e isso terá que ser realizado necessariamente antes da próxima encarnação. O ser só poderá formar um novo ego quando destruir esse e reassumir a sua consciência espiritual. Portanto, a humanização do ser não acaba com a morte, mas sim com a destruição do ego.

Por isso, podemos afirmar que existem muitos seres humanos fora da carne, mas também que existem muitos espíritos vivendo na carne. O que determina a sua “classe” não é a carne em si, mas a consciência com a qual vivencia a sua existência.

A partir dessa visão, podemos então entender que o ser humano não é um homem (corpo mais espírito), mas apenas o ego que dirige a existência do espírito por determinado tempo. O ser universal é sempre um espírito (ser puro e inocente como criado por Deus) e a sua humanidade é representada pelos diversos egos que cria para realizar provas ao longo da eternidade.

Paulo afirma: o ser humano é inimigo de Deus, ou seja, o ego que humaniza o ser universal é inimigo de Deus.

Agora que já conhecemos a separação entre os seres universais (humanizados ou espiritualizados), podemos compreender que aquele que vive com a consciência espiritual está muito mais perto da Realidade (Deus), enquanto que o primeiro vive num mundo ilusório. Para ele, a realidade é criada pelo seu ego e não pela perfeita consciência das coisas espirituais (Realidade).

Somente quando o ser desvencilhar-se de seu ego, desacreditando das verdades que ele cria, poderá entrar na Realidade do universo. Só então, poderá viver em comunhão com o divino.

Aquele que vive dirigido pelo seu ego não consegue a religação com o Pai porque está preso no individualismo. Essa característica que é a principal do ego leva o espírito a vivenciar a realidade buscando levar vantagem sempre. O ego está sempre conduzindo o raciocínio do ser com verdades que promovam o seu bem-estar individual acima do coletivo.

O ser, quando de posse da sua consciência espiritual, está sempre atento a cumprir o segundo mandamento ensinado pelo mestre Jesus Cristo (”amar ao próximo como a si mesmo”), mas aquele que vive a experiência humana guiado pelo ego ama a si mais do que aos outros. É por isso que ele é inimigo de Deus.

O Pai é a Justiça Perfeita, o Amor Sublime. Ele ama por igual a todos os filhos e dá a todos igualmente. Em momento algum Deus proverá a um mais do que outro, ou seja, nunca privilegiará um em detrimento do outro. Isso nos leva a entender que todos os acontecimentos da vida são soberanamente Justos e Amorosos por causa de sua Fonte. O ego, que quer sempre ganhar, não deixa o ser humanizado ver isso.

Ele reclama de injustiça e desamor quando não ganha. Para isso cria ilusões onde afirma que aconteceram erros, agressões, ferimentos, etc. O ser guiado por ele crê nessa ilusão e por isso afasta-se também do Pai, acusando a vida de ser injusta. Por isso Salomão diz que tudo o que um ser humano pode compreender é ilusão e Krishna afirma que o ser humano vive em maya (ilusão).

Portanto, o ser humanizado (guiado pelo ego) se transforma em um inimigo de Deus porque utiliza individualismo enquanto que o universo é guiado pelo universalismo, ou seja, a cada um na sua justa medida.

Apesar de muito forte, a conclusão de que o ser humanizado é inimigo de Deus é a primeira que qualquer ser encarnado deve alcançar quando iniciar a sua busca espiritual. Sem isso ele jamais buscará sair da sua humanidade, ou seja, lutar contra o seu ego para vencê-lo.

De nada adianta o ser buscar a elevação espiritual seguindo os conceitos que já formou sobre esse assunto. Alcançar a elevação espiritual é calar a mente (funcionamento do ego) em todos os sentidos. É não ter mais verdades ou realidade, mas viver a vida em completa harmonia com os acontecimentos.

Para isso se faz necessário não se tirar mais conclusões sobre nada, pois todas elas serão formações do ego que estará falseando a verdade para iludir o ser. Aquele que busca a elevação espiritual não sabe de nada, não conhece nada, não vê, não ouve, nem fala nada, mesmo que o assunto seja os conhecimentos religiosos.

O ser que busca a elevação espiritual (vencer o ego) não possui religião nem código de normas. Para ele tudo do universo é manifestação de Deus e por isso tudo é Perfeito, Justo e Amoroso.

Portanto, a humanização do ser é uma etapa da existência espiritual, onde ele deve provar ao Pai que é capaz de vencer a si mesmo, eliminando todo o seu individualismo. Por isso o mestre Jesus Cristo nos ensinou: é preciso renascer. Não reencarnar, mas matar durante a existência tudo aquilo que o ego criou e começar a viver com universalismo.

Já havíamos definido universalismo como amar ao próximo como a si mesmo, mas como será esse amor? Essa foi uma pergunta que os fariseus fizeram ao mestre Jesus Cristo, mas ele respondeu com uma parábola (Bom Samaritano) e muitos até hoje não compreenderam perfeitamente o ensinamento.

Amar a todos como a si mesmo, na prática, é viver para servir ao próximo. Quem não vive para isso, vive para se servir do outro, ou seja, baseia-se no individualismo. Apenas o serviço ao próximo, sem desejos ou vontades, pode universalizar um ser.

Você quer ir? Vamos. Você quer ficar? Fiquemos. Você acha que está certo e eu estou errado, então estou. Você quer que eu faça, eu faço. Você não quer que eu faça, eu não faço. Esse é o serviço ao próximo.

Quando o ser se contrapõe ao que o outro quer não estará servindo ao próximo, mas se servindo dele, ou seja, buscando impor sua vontade individual. Esse é um ser humilde (”bem-aventurado os humildes”) e que jamais será humilhado. Ele serve com a consciência espiritual do amor e não se sente rebaixado ao servir o próximo.

Quem age dessa forma é um ser universal de posse da sua consciência espiritual. Assim, o ser humano é o contrário disso, ou seja, é quem se serve do próximo. O ser humano precisa que o outro lhe sirva de instrumento para que ele seja feliz, o ser universal é feliz por servir. Por isso Paulo diz que o ser humano é inimigo de Deus.

Deus não vive para Si mesmo, mas para o Todo. Tudo que Ele faz é no sentido de proporcionar a felicidade integral a todos sem privilégios nenhum. Quando o ser está humanizado e necessita que os outros cedam para que ele se sirva, age contrariamente ao objetivo da existência de um espírito: aproximar-se de Deus.

Esse ensinamento não encontra fronteira nos relacionamentos humanos: deve ser aplicado em todos os casos. Uma mãe, por exemplo, que só é feliz quando seu filho é saudável, estudioso, comportado, serve-se dele para ser feliz. Para servi-lo ela deveria estar feliz sempre, independente do “estado” do filho. Não estamos falando em não orientar, mas nunca perder a sua felicidade.

Quantos pais orientam seu filho com raiva e fazem acusações de todos os tipos sobre ele? É preciso a manutenção do amor para bem orientar. Ao invés de brigar, gritar e acusar, sentar e conversar com o filho. Se mesmo assim ele permanecer na postura anterior, sentar e conversar novamente. Como ensinou Jesus Cristo: perdoar setenta vezes sete.

Os pais não conseguem fazer isso porque querem que o filho mude-se logo para eles (pais) conseguirem a felicidade. Enquanto o filho não for tudo aquilo que os pais sonham e almejam eles não estarão felizes. Portanto, servem-se do filho para obter a felicidade, ao invés de servirem ao filho com orientações amorosas e carinhosas. São inimigos de Deus que os ama incondicionalmente.

Todos os seres são filhos do Pai, encarnados ou não. Deus deu aos pais materiais o poder de orientar os filhos carnais e não de mandar ou comandar o destino de Seus filhos. É Ele quem determina o que acontecerá com cada um durante a existência carnal para que a Justiça jamais seja quebrada e para que cada um receba de acordo com suas obras.

Os pais carnais, no entanto, não compreendem dessa forma porque querem se servir dos filhos (ser feliz à custa das atitudes dele). Por isso querem comandar o destino do filho, ou seja, fazer com que sigam determinados caminhos. Isso é impossível, pois por não possuírem o conhecimento sobre a Realidade, os pais, muitas vezes, estariam levando-o a desperdiçar a oportunidade da encarnação.

Os pais, como seres guiados pelo ego, vivem pela busca do individualismo e apenas isso sabem ensinar ao filho. Se o destino desse filho estivesse nas mãos dos pais carnais sua vitória sobre o ego estaria comprometida, pois eles saberiam apenas ensiná-lo buscar se servir dos outros.

Além disso, a própria rebeldia do filho serve como prova para a vitória dos pais sobre os seus egos. Servindo-o com amor incondicional, sem estabelecer parâmetros para que esse amor (estado de espírito de felicidade) exista, os pais aprendem com os filhos a viver com os demais seres humanizados servindo-os.

Servindo o filho em casa (orientando sem depender das mudanças para ser feliz, ou seja, não colocando sua felicidade na dependência da mudança do filho), os pais aprendem a viver com a Realidade: cada um age dentro da sua natureza, guiado por Deus, para provar a sua libertação do ego.

Ao ser universal resta aprender a conviver com essa Realidade sem contrapor-se a ela. No entanto, enquanto o ego estiver guiando o ser universal ele não conseguirá viver assim e lutará com os outros fazendo críticas para poder transformá-los com a intenção de que cada um sirva de instrumento à sua felicidade.

A crítica é uma característica do ser humanizado, pois o ego precisa da reforma do mundo no sentido de adaptar-se aos padrões (verdades) individuais. Critica a todos e a tudo com o objetivo de transformá-los em cópia perfeita de si mesmo e assim, servir-se deles. No entanto, se essa mudança fosse possível, o próprio ego mudaria as suas verdades para novamente “abrir guerra” contra o próximo, pois ele se compraz com a vitória.

O alimento preferido do ego é o prazer da vitória que é alcançada com a submissão do próximo. Para ele não basta apenas o próximo concordar com as ilusões criadas por ele, mas precisa haver a vitória total sobre o outro (mudança de verdades) para que ele se infle.

Isso é humano, ou seja, é característica do ser que vive comando pelas ilusões que o ego cria. Por isso muitos tentam lutar contra a crítica e o julgamento para elevarem-se e não conseguem, pois não combatem o ego, a origem de tudo. Para elevar-se o espírito precisa se libertar do ego, ou seja, precisa não mais querer se servir do outro. Só assim ele se transformará em amigo de Deus.

Quem não é humano não age assim, mas quem ainda possui humanidade sempre agirá dessa forma. Portanto, o ser humano é aquele que critica e julga o próximo com a intenção de alimentar seu ego e por isso é inimigo de Deus.

O ser humano é dominador por natureza. Quer dominar o outro, as coisas, os acontecimentos, a si mesmo de tal forma que ele se satisfaça sempre, que ganhe sempre. Essa é uma experiência obrigatória para todos os espíritos. Nenhum espírito consegue alcançar a elevação espiritual sem passar por essa experiência, pois só com a vitória sobre ela terá o merecimento da elevação.

A vida universal é baseada no merecimento. Ninguém ganha nada de graça: é preciso conquistar, merecer para receber. Por isso o ser humaniza-se: para merecer elevar-se. Apenas vencendo o ego, a vontade de dominar a todos e a tudo o ser conseguirá avançar na ascensão espiritual.

Assim, a humanização de um ser não o transforma em “mau” ou “ruim”, um inimigo de Deus, mas a insistência em permanecer preso a ilusão criada pelo ego que é que o transforma em inimigo de Deus. Quando ele compreende isso e abre luta contra suas verdades é tratado como o filho pródigo que retorna ao lar.

Para esse espírito é preparada uma grande festa no seu retorno, sendo esquecido tudo o que ele fez enquanto estava iludido pelo poder humano. Ele é respeitado pelos seus irmãos espirituais como um batalhador, um guerreiro. Mas, aquele que não compreende isso, ou mesmo que compreenda insista na ilusão criada pelo ego como realidade, a esse o título de inimigo de Deus dado por Paulo.

Conclamamos, portanto, a todos os irmãos humanizados a lutarem contra seus egos para voltarem à consciência da família universal que somos, abandonando as ilusões criadas como realidades e verdades com fins individualistas. Mas, como vencer esse ego, como conseguir retornar a casa do Pai? Não seria justo apenas apontar o caminho sem ensiná-lo.

O ego jamais poderá ser vencido com a lógica humana. Como já dissemos, todas as verdades que o ser humanizado crê são criações do seu ego, fantasias (ilusões) que ele quer que o ser acredite para ele (ego) poder continuar existindo. Dessa forma, qualquer raciocínio (análise de conhecimentos) do ser humanizado será dirigido pelo ego e o seu resultado será, então, uma nova ilusão.

É preciso fugir das verdades, desmenti-las, desmascará-las, para que o ego seja vencido. Portanto, raciocinar, estudar, ler, compreender ensinamentos, jamais levarão um ser humanizado a universalizar-se, mas criarão novas verdades ilusórias que substituirão as atuais e manterão o ego ainda ativo.

Como, então, vencê-lo? Negando-se a dar ao ego o resultado do raciocínio. Conheçamos um pouco mais do ego para possamos entender essa afirmação.

O ego nutre-se de dois sentimentos básicos: o prazer e a dor. Quando o ser humanizado sente o prazer (a satisfação de ter seus desejos realizados) ou a dor (o desprazer quando não é atendido) o ego alimenta-se e infla-se.

O caminho para vencer o ego, se não é pela lógica que afinal é ele mesmo quem dita, deve ser o da inanição, ou seja, não alimentá-lo. O ser humanizado precisa negar-se a sentir tais sentimentos independentes da compreensão que tenha recebido do ego para poder deixar de alimentá-lo até que ele morra de inanição.

Assim, quando o ego logicamente (pensamento) disser que a situação “não é boa”, o ser humanizado deve negar-se a sentir sofrimento, a acusar dor, injustiça ou ferimento. Da mesma forma quando o ego mostrar que a situação agrada ao ser humanizado, esse deve negar-se a sentir o prazer, a soberba, a vaidade, etc.

Tudo no universo está Perfeito. O que está acontecendo não foi criado por Deus para satisfazer ao ser, mas para servir de instrumento para sua elevação. Se o ser ainda possui um desejo e se por “acaso” nesse momento o que ele desejava realizou-se, o ser precisa deixar de imaginar que aquilo foi feito porque ele estava “certo”. Da mesma forma, se não se concretizou o esperado, não houve um “ataque” de Deus.

Buda, que mais ensinou sobre o desejo, não falou que o ser humanizado deve deixar de ter desejos, pois isso é quase impossível. O ser humanizado está sempre preso ao ego e este sempre agirá criando-os, pois esse é o instrumento que ele tem para alimentar-se. O ensinamento de Siddharta Gautama é no sentido de não se apaixonar pelo desejo, não transformá-lo em uma condição para a felicidade na vida.

O ser humanizado que se liberta da realização dos desejos deixa de ser escravo do ego e pode, então, finalmente ligar-se à Deus, pois como nos ensinou o mestre Jesus Cristo, não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo.

“Gostaria de ter ido a determinado lugar, mas não fui. E daí? Por que eu tenho que sofrer por causa disso? Por que eu tenho que acusar Deus de não haver me transportado para lá? Se não fui era perfeito ficar e Deus, o Pai, não me levou porque sabe o que é melhor para mim. Louvado seja Deus por eu não ter ido”. Esse é um raciocínio que liberta o ser humanizado da ação do ego.

“Droga, não fui onde queria. Que vida desgraçada a minha que eu não consigo fazer nada que quero. O culpado é essa droga de carro que quebrou justamente agora”. Esse é o raciocínio do ser aprisionado ao ego. O “inimigo de Deus” lança verdades (o carro quebrou, alguém chegou e eu não pude sair) para que o ser humanizado sinta-se infeliz, injustiçado, afrontado, para que ele alimente-se desse sentimento.

“Pai, afasta de mim esse cálice, mas se não for possível que seja feita a Vossa Vontade”. Nessa frase de Jesus Cristo o ensinamento maior para vencer o ego. De nada adiantaria o mestre dizer que gostaria de ser crucificado, de ser surrado, caluniado, etc, porque isso é irreal: nenhum ser humanizado quer. Jesus Cristo precisava deixar o caminho para Deus e se agisse de modo totalmente estranho à realidade da vida humana, não conseguiria fazê-lo.

O mestre agiu como um ser humanizado. Expôs o desejo que é natural em todos os seres humanos: fugir dos seus momentos de sofrimento. No entanto, apesar da existência desse desejo, submeteu-se com felicidade aos desígnios de Deus. Ele não se contrapôs aos acontecimentos, mas harmonizou-se com a Realidade da sua existência.

Esse é o caminho para a vitória sobre o ego. O ser humanizado precisa compreender que nada pode construir o destino a não a ser à vontade de Deus. De nada adianta ao homem querer alguma coisa porque se isso não for “útil” à elevação espiritual, o Pai jamais concederá.

Deus não se subordina aos desejos humanos. Sua intenção não é de “agradar” ao homem, pois como Paulo ensinou, o homem é inimigo de Deus. Ele age sempre na intenção de salvar o ser universal da ação humana e faz isso agindo contra os desejos ou vontades do ser humanizado. Deus nos ama, mas ao ser universal e não a experiência humana que ele vive temporariamente.

É isso que o ser universal humanizado que busca a sua elevação espiritual precisa compreender para poder voltar ao Reino do Céu. Quando isso for realidade, não haverá motivos para sofrimentos ou ufanismos. Não importa se aconteceu o que o ser humanizado quer ou não, sua reação será sempre a de harmonia com o momento (sem erros ou acertos), em paz, ou seja, sem armas (verdades) para guerrear contra o acontecimento e no estado de espírito de felicidade incondicional.

Para realizar tudo isso, no entanto, a primeira providência que o ser humanizado precisa tomar é desistir de ser humano. Desistir de querer mudar o mundo, desistir de querer mudar as pessoas, desistir de querer alterar os acontecimentos. Essa é a ação do inimigo de Deus: ele quer mudar o reino do Senhor Supremo para atender o seu bel prazer.

Por isso toda a busca da elevação espiritual começa com a mudança do auto-entendimento sobre si mesmo. Deixar de ver-se como um ser humanizado que vivencia experiências espirituais e passar a viver como ser universal que está tendo uma experiência humana. Enquanto o ser achar-se o homem (ego) terá que reagir dentro dos padrões ditados pelo inimigo de Deus que mora dentro dele.

O ser que compreende que o seu reino não é desse mundo não se preocupa em alterar a vida, mas em vivê-la em harmonia. Aquele que compreende que é apenas filho do dono, não muda a casa do seu Pai. O ser é uma visita na casa de Deus, mas durante a experiência humana quer reorganizá-la de acordo com suas vontades.

Quando um ser humanizado acusa outro de ter batido no seu carro, por exemplo, não vê a ação de Deus contra o seu ego. Ele não entende que o Pai está lhe mostrando que o homem não pode imaginar que o seu carro é ileso a batidas. Imaginar isso é querer possuir o bem material o que é uma ilusão criada pelo ego para o que o ser humanizado viva o dualismo do prazer e da dor.

Deus está provocando o a situação para ensinar ao ser humanizado que a verdade ilusória de que jamais poderia ocorrer um acidente com ele é fruto do ego e não da Realidade. Todos que possuem um automóvel estão sujeitos a que um dia possa acontecer um acidente, mas o ego não deixa o homem compreender isso.

Aquele que vive essa ilusão como realidade sentir-se-á atacado, ferido, pelo agente do combate à ilusão e não compreenderá a ação de Deus por trás do acontecimento. Livre das amarras do ego, do conceito que o seu carro é incólume a batidas, o ser espiritualizado verá nisso apenas um acontecimento profícuo de Deus, uma forma de ensiná-lo a viver com a Realidade. Não há mais motivo de sentir-se apunhalado, mas encontrará o amor do Pai atrás daquele ato.

A desistência do prazer trás a real felicidade. Aprendendo a conviver na casa de Deus como ela está, deixando a vida seguir o seu fluxo normal sem querer dirigi-la, traz a verdadeira felicidade ou o bem celeste (bem-aventurança) que Jesus Cristo nos conclamou a buscar.

Não se trata de comodismo, como muitos podem imaginar, mas de dar a César o que é de César. Tudo que existe é criação de Deus e, por isso, não pode estar imperfeito. Quando o ser, que ainda está em processo de evolução e, portanto, pouco sabe do universo, acusa imperfeições na obra, está acusando o próprio Deus de não saber o que faz. Por isso Paulo afirma que o ser humano é inimigo de Deus, pois quer destruir aquilo que Ele criou.

Quem não desiste de alterar o mundo para aquilo que acha “certo” cria justificativas quando não consegue mudar as coisas. Coloca a culpa do acontecimento contrário ao seu desejo em outras pessoas, nas coisas, na sorte, no azar, na maldade da humanidade: enfim, em todo o resto do mundo. No entanto, todas essas justificativas são apenas frutos do ego para que o ser não desista de lutar e que apenas o prazer e a dor sejam sentidos.

O ego através dessas justificativas mantém o ser humanizado escravo dele, pois encobre com as acusações ao mundo o real desejo de poder: que todos um dia estejam aos seus pés, fazendo aquilo que o ser quer. No entanto, como já vimos, isso é ilusão, pois se viesse a acontecer isso, o ego mudaria a lógica, para continuar a batalha contra as coisas da vida que levam ao sofrimento e o prazer.

O ser para libertar-se do ego deve compreender que tudo pode acontecer e que isso, independente da sua vontade, será fruto do amor de Deus por cada um. Para o ser elevar-se espiritualmente é preciso viver com a Realidade. Quem está vivo vai morrer; quem está com saúde ficará doente; quem não tem terá e quem já tem pode perder. Nada se perpetua: tudo se transforma constantemente.

Viver na ilusão que a situação jamais se alterará é não compreender uma das qualidades da vida espiritual: a impermanência. Todas as coisas se transformam constantemente a cada segundo. O que hoje está em cima, amanhã desce; o que está em baixo certamente subirá. O ego não deixa que o homem viva uma vida com essa qualidade e para isso cria a ilusão de que as coisas “boas” jamais acabarão e que as “ruins”, jamais chegarão.

O ser espiritualizado luta contra o seu ego para compreender a impermanência das coisas. Ele sabe que “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”, por isso é equânime em todas as situações. Se a vida lhe é propícia não se exalta, pois sabe que essa exaltação gerará o sofrimento na mudança da situação. Se a vida não lhe é propícia, também não se desespera, pois sabe que esse “inverno” é apenas o período que antecede a primavera.

Não há primavera sem inverno, nem outono sem verão. O ser humanizado compreende isso e passa pelo seu inverno com a convicção que as flores reaparecerão. O ser humanizado quer parar o tempo e fazer que sua vida seja sempre um mar de rosas. “Pobre homem, que o sopro de Deus pode lhe abater”.

Como dissemos, a elevação espiritual através da luta contra o ego não é comodismo: é ação. O ser precisa agir, não para mudar o mundo, mas para aprender a viver a Realidade. Ele precisa agir contra o ego e não contra o mundo, contra a vida. Sem ação não há vida: o problema é o direcionamento que se dá a essa ação.

O ser humanizado luta contra o mundo, luta contra as pessoas, contra as coisas, contra os acontecimentos e por isso é inimigo de Deus e dos homens. O ser espiritualizado luta contra si mesmo, contra seu ego, contra a necessidade da realização de seus desejos, contra suas paixões.

Por isso, quem está hoje desempregado precisa lutar contra a ilusão criada pelo ego que o seu emprego é eterno. Isso é ilusão criada para manter o ser no dualismo do prazer e da dor. Quem está com frio precisa lutar contra o desejo de iniciar-se o verão e aprender a conviver harmonicamente com a temperatura baixa até que chegue a estação que ele quer.

Quando ela acontecer, também não deve exaltar-se, mas vivê-la com equanimidade para que a felicidade não seja apenas fruto do seu desejo. Para isso é importante saber que o frio retornará: é apenas uma questão de tempo.

No entanto, o ser humanizado não age dessa forma. Ele goza todo o prazer de estar vivendo a temperatura que o agrada e fica cada vez mais preso ao desejo e a ilusão de que ela nunca se encerrará. Aí a ação divina traz o frio e ele certamente sofrerá, mas isso acontece porque não entende a ação de Deus.

O frio é necessário para que muitas sementes de alimentos que foram plantadas germinem e as plantas se desenvolvam para poderem alimentar o próprio ser humano. O ser humanizado não é apenas inimigo de Deus e dos homens, mas também de si mesmo. Sem o frio ele morreria de fome, pois as plantas não dariam os frutos e sementes que precisa para manter-se vivo.

Na cidade a chuva é um tempo “ruim”, mas no campo ela é “ótima”. Ela é necessária para a irrigação dos campos, fator necessário para o florescimento da vida vegetal que trará lucro ao agricultor. Sem ela o homem do campo não consegue tirar o seu sustento. Portanto, a chuva será “boa” ou “ruim” dependendo apenas dos desejos de cada um, ou seja, da influência do ego de cada um.

O ser espiritualizado reconhece essa verdade e por isso liberta-se da ação do ego. Ele não rotula as coisas (”boa ou má”), mas vivencia a obra de Deus em louvor ao Senhor do universo. Compreende que o Pai ama a todos (”Pai Nosso”) e age equanimente com todos. Quando chega a hora propícia a outros, o ser espiritualizado não sofre; quando chega o seu momento auspicioso a si, não exulta.

Portanto, dentro de nossas definições de ser humano podemos acrescentar que: o ser humano é um ser universal que vivencia uma experiência humana onde ele não aceita que os acontecimentos da vida passem por oscilações e por isso sente o prazer (exaltação) na subida e a dor (sofrimento na descida). Já o ser espiritualizado pode ser definido como o ser universal que vive uma experiência humana de forma retilínea, ou seja, que quando passa pela sua humanização (vida oscilatória entre momentos que deseja e outros onde não é satisfeito) não se compraz na dor nem se exalta na felicidade.

Aprender a viver equanimente as diversas situações da vida foi ensinado por todos os mestres que vieram falar em nome de Deus, inclusive pelo Espírito da Verdade, que falou a Allan Kardec. No Livro dos Espíritos, ao responder a pergunta sobre o objetivo da encarnação ele ensinou: “Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Mas para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal”.

Muitos entendem o termo “vicissitude” como necessidade e por isso criou-se a crença que o ser humano nasceu para sofrer. Mas, a definição para essa palavra é outra: “VICISSITUDE – mudança ou alternância das coisas que se sucedem – MINI DICIONÁRIO AURÉLIO”.

O homem não nasceu para passar por sofrimentos, mas para aprender a viver equanimente com as alternâncias da vida. Se o ser humanizado não tivesse a tentação, ou seja, o desejo de que as coisas fossem apenas satisfatórias, não venceria a alternância das coisas. Foi para isso que o ser universal criou um ego e subordinou-se a ele.

Deus coloca a prova e o ego tenta: a função do ser nesse “jogo” é dizer de que lado ele está. Se optar pela vida eterna (espiritual) ligar-se-á a Deus, amando-O acima de todas as coisas, mas se optar pelo amor próprio (ao seu ego), vivenciará o prazer e a dor dependendo da alternância das situações.

Aprender a viver com equanimidade as vicissitudes é, portanto, o objetivo da encarnação e para isso é indispensável a vivência da impermanência das coisas. Isso responde às perguntas que o homem até hoje não conseguiu responder: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Por que estou vivo? Você é um ser espiritual que se humanizou e que um dia terá que eliminar toda ação do seu ego para poder retornar à sua pátria espiritual.

Pobre ser humanizado. É inimigo de Deus, dos outros, mas, principalmente, é inimigo de si mesmo. Ele nasce para aprender a viver as oscilações da vida sem individualismos (desejos) e vive a vida buscando fugir das situações incômodas. Não compreende que só conseguirá acabar com esse processo quando vencer as tentações geradas pelo ego. Por isso Jesus Cristo ensinou: Felizes serão vocês quando forem perseguidos, caluniados, em meu nome.

Só no momento da contrariedade pode se alcançar à felicidade espiritual, pois ele será o resultado do objetivo da vida. Aquele que desejar se afastar desses momentos jamais conseguirá alcançar essa felicidade, pois não obterá a vitória sobre o mundo. Para isso, o fundamental é alterar o sentido de sua existência: vivê-la como uma aventura material do ser universal.

Quando o ser entender a vida carnal como uma aventura do espírito poderá vivenciá-la de forma equânime, sem subir ou descer ao sabor das ondas (vicissitudes da vida). E aí se encontra um outro grande desentendimento daqueles que procuram a elevação espiritual: é o ser que vive retilineamente e não a vida.

Todos imaginam que quando alcançar a elevação espiritual a vida se transformará automaticamente em um mar de rosas: engano. A vida continuará a ter momentos propícios ao ser humano e outros não, mas esse, agora espiritualizado, saberá vivenciá-los de forma reta.

Como ensinou Jesus Cristo, não se acende uma lamparina para esconder dentro do armário. É preciso que ela seja colocada em um ponto onde a sua luz oriente o caminho daqueles que estão na escuridão. O ser agora desumanizado ainda passará por situações onde o desejo humano não é satisfeito e reagirá a eles mantendo a sua paz, tranqüilidade, harmonia e felicidade. Com isso, ensinará àqueles que ainda estão humanizados como se vivencia a vida com equanimidade.

Dessa forma, não serão os acontecimentos da vida que mudarão, mas o ser é que se transformará. Esse é o renascimento, o matar o homem velho e deixar nascer o homem novo. Esse ser renovado será amigo de Deus, pois servirá ao próximo iluminando-lhe o caminho da vida.

O ser humanizado, no entanto, não pode servir para auxiliar o próximo, para servi-lo, pois como ensinou Jesus Cristo, é cego aquele que quer ver (compreender as coisas) e, quando um cego guia o outro, os dois caem no buraco. Dessa forma, a única coisa que o ser humanizado pode fazer é se servir: do outro, das coisas, dos acontecimentos e até de Deus.

Nos momentos onde a situação não lhe agrada, ao invés de buscar guerrear contra os desejos que o ego está lhe enviando, o ser humanizado busca o auxílio de Deus para livrar-se daquele momento. Pede a Deus que não envie a doença, que não o deixe ser assaltado, que não o deixe ser demitido.

O ser humanizado não busca ser instrumento da vontade do Pai, mas quer que Deus lhe sirva, que atenda os seus desejos. Quer colocar Deus também subordinado aos caprichos do ego. Por isso Paulo afirma que o homem é inimigo de Deus.

Quando Deus não o atende, revolta-se com o Pai: “por que o Senhor deixou isso acontecer?”. Deus na Sua Sublime Paciência responderá: “Eu não deixei, fiz acontecer, porque lhe amo, meu filho. Estou dando o remédio para a sua doença. Sei que o gosto pode ser amargo para você, mas isso é o que o curará”.

O ser desumanizado livre das amarras do ego, consegue perceber claramente a ação divina e por isso seu coração enche-se de júbilo e glória a cada momento, independente daquilo que está ocorrendo. Sabe que naquela vicissitude pelo qual está passando agora há a presença divina expressando todo o Seu Amor Sublime pelo Seu filho. Ao invés de clamar contra os céus, o ser espiritual louva a Deus pela Sua Sublime Direção do universo.

Não adianta apenas o ser resignar-se ou aceitar os momentos da vida: é preciso amá-los. Quem se resigna ainda continua sofrendo e mesmo que não brade contra os céus, o seu pranto será resultado da sua intenção de satisfazer-se. Quem apenas aceita os momentos como inevitáveis sem louvar a Deus não comunga com o universal, mas sim consigo mesmo, ou seja, na verdade “tinha que ser”. Como já afirmamos, é preciso agir e não se omitir (aceitar os momentos). Essa ação, no entanto, deve ser amorosa: estabelecer uma conexão amorosa com a Fonte do universo.

Quem age dessa forma não é inimigo de Deus, pois está sempre em perfeita comunhão com o Pai. Ele pode não conhecer Deus, Sua origem, Forma ou Composição, mas reconhece o Seu Amor em ação. Aqueles que buscam compreender Deus em qualquer dos seus aspectos não conseguem mais do que apenas criar Dele uma imagem individual.

Krishna nos ensinou que o mundo espiritual (aí incluído os seres e as matérias e suas relações), não pode ser compreendido de forma racional pelo homem. Paulo também nos disse que Deus não deixa o homem conhecê-lo pela sua lógica, mas apenas quando esse transcender a matéria (entrar na lógica de Deus) poderá senti-Lo e se tornará um verdadeiro sábio.

Para o ser humanizado a sabedoria é determinada pelo excesso de cultura. No entanto, ele não entende que quanto mais cultura tiver, mais elemento estará servindo ao ego para iludi-lo. Como disse Jesus Cristo, louvado seja Deus que mostra aos simples o que esconde dos sábios.

O verdadeiro sábio é aquele nada sabe, que nega saber qualquer coisa. Para ele a única coisa que existe é Deus e Sua ação (Amor Sublime) que é expressa nos acontecimentos da vida. Quando vivencia um momento da vida o ser desumanizado não está preocupado em saber o que está acontecendo, mas está com toda a sua atenção voltada para sentir o Amor de Deus.

Por isso o ser humano é inimigo de Deus. Ele está de costas para o Pai, vendo apenas a “sombra” (projeção) que ele mesmo criou com suas fantasias ilusórias e afirma que essa projeção é Deus. Para se ver uma árvore é preciso virar-se de frente para ela e quando isso acontecer, as verdades materiais ficarão nas costas do ser. Aí ele não será mais inimigo de Deus, pois compartilhará um relacionamento amoroso com o Pai.

Mas, será possível um ser humano libertar-se do ego? Será possível que alguém vença o mundo? Exemplos, famosos ou não, de pessoas que conseguiram são muitos, mas citá-los seria retirar o ensinamento do particular. Falar daqueles que um dia tiveram o seu despertar, ou seja, assumiram o seu objetivo espiritual, seria generalizar e cada um ainda não compreenderia a possibilidade de realizar a sua própria obra individual.

Será que você está preparado para essa luta, independente da sua posição atual (cultural, religiosa ou afetiva)? Para responder a essa pergunta basta apenas uma constatação: você está humanizado agora. Você é um ser universal que se encontra no processo humano com essa finalidade e isso só aconteceu porque Deus e você próprio acharam que estava pronto para a luta.

Quando um ser, depois do desencarne liberta-se do ego criado para uma vida, ele logo começa a preparar-se para a nova prova, para a nova encarnação. Busca com ansiedade a nova oportunidade de realizar sua elevação espiritual. No entanto, não pode executá-la com a mesma presteza que imagina.

Existe no orbe do planeta Terra mais espíritos do que a vida carnal suportaria. Na realidade, são aproximadamente dez espíritos aguardando a reencarnação para cada encarnado. Depois que o ser liberta-se do seu ego é preciso aguardar a sua vez em uma “fila de espera”.

Você passou por todo esse processo. Já viveu uma outra vida, desencarnou, cumpriu uma existência temporária em lugares humanizados fora da carne (umbral ou inferno) onde se libertou do ego da última encarnação, preparou-se para a nova enfrentando a fila de espera até que chegou a sua vez. Essa oportunidade só foi dada por Deus e aceita por você justamente porque os dois tinham convicção de que poderia ser alcançada a vitória. Se você não estivesse preparado ou se Deus não o julgasse apto, não estaria agora vivendo a aventura humana.

Portanto, você está mais do que preparado: está pronto para a vitória. Basta para isso utilizar-se do seu livre arbítrio e modificar o sentido da sua vida. Não mais viver como escravo das verdades, desejos e paixões e virar-se de frente para Deus e encarar a Realidade. Para isso é preciso que o ser humano amadureça, deixe de agir como uma criança, espiritualmente falando.

Quando o ser chora e acusa ingratidão ou ferimento pelos acontecimentos da vida é como uma criança carnal que bate o pé quando a mãe ou o pai não lhe dá o que ele quer. Somente quando amadurece, o ser humano aprende que tudo tem seu momento certo e que deve trabalhar e esperar a hora de receber.

O ser humanizado é essa criança. Ele chora, resmunga, bate o pé, quando Deus, seu Pai, não faz suas vontades. O ser universal é maduro na sua relação com o mundo: sabe trabalhar e esperar para receber.

Portanto se você pode fazer, eu afirmo conscientemente que sim, mas se vai conseguir fazer, isso não posso responder. O resultado da sua vida será fruto do seu livre arbítrio, da sua vontade soberana em querer crescer ou não que Deus deu a cada filho. Optando em permanecer na infância espiritual, esperando que o Pai o satisfaça e resmungando quando Ele não fizer, acabará essa encarnação e terá que passar por todo o processo para recomeçar uma nova.

Agora, tenha certeza: em uma das encarnações o seu ego terá que ser vencido. Quando o ser liberta-se do ego fora da carne essa liberdade não é válida para elevação espiritual, mas é tratada como um “banho” (limpeza) que o espírito toma para se livrar das impurezas (verdades individuais). Para que a liberdade do ego tenha valor ela precisa ser resultado de uma vitória e isso só se consegue na carne.

Então, tenha a certeza que os processos que afirmamos nesse trabalho serão realizados por você nessa ou em outra encarnação. Dessa forma, para que esperar começar tudo de novo? Para que perder essa chance de estar encarnado? Para que ter que enfrentar toda a angustiante espera novamente? Basta apenas você parar de querer se satisfazer e ligar-se amorosamente a Deus.

Mas o ser humanizado não quer abandonar o prazer de forma alguma: prefere satisfazer-se agora e enfrentar posteriormente todo o processo do mundo espiritual (limpeza e nova reencarnação). Essa forma de proceder é irracional, até mesmo pela lógica humana, de querer ganhar sempre. Entendendo o funcionamento da Realidade (vida depois da carne), o ser humanizado pode entender que só “perderá” com essa forma de proceder.

A Verdade sobre o universo já foi apresentada pelos mestres enviados de Deus, mas até hoje o ser humanizado não a entendeu. Tudo o que dissemos nesse trabalho já foi ensinado ao longo dos séculos pelos mestres. Por isso, a cada novo ensinamento que aludimos, citamos algum mestre.

Busque estudar a vida de cada um daqueles que conseguiram penetrar nessa existência onde a felicidade independe dos acontecimentos da vida (santos). Verifique pelas suas biografias que eles não nasceram puros, mas humanizados. Veja que passaram por situações desagradáveis e agradáveis até que um dia abandonaram o seu querer e começaram a vivenciar todas as situações de forma equânime.

Ninguém nasce “santo”: todos conquistam a santidade. São seres universais iguais a você, que nasceram da mesma forma, mas que um dia aceitaram a Deus em seus corações e se libertaram do individualismo. Passaram a viver para servir a Deus servindo ao próximo e com isso conquistaram a tão sonhada bem-aventurança. Se eles conseguiram, porque você não?

Basta crer, decidir e entregar-se com fé a Deus. Nesse momento você conseguirá ser amigo de Deus, pois o ser humano que Paulo afirmou que é inimigo de Deus é você também e não apenas a resto da humanidade.

Até agora, na leitura desse trabalho, com certeza o seu ego já apontou inúmeros “inimigos de Deus”, pessoas que você achou que agem como aqui foi descrito, mas o fez para que você não entendesse que precisa mudar-se. O seu ego não quer que tenha essa compreensão porque senão você irá matá-lo.

Conscientize-se de que é um ser humanizado. Volte agora nas descrições que fizemos do ser humano e veja se suas reações não são exatamente aquelas que descrevemos aqui. Não deixe o ego fantasiar dizendo que você tinha razão em agir daquela forma, pois isso será uma ilusão de um desesperado que não quer morrer.

“Caia na real”, como se diz: você está humanizado. Ainda não consegue superar as dificuldades com amor, ainda não consegue harmonizar-se com o momento, ainda tem desejos e paixões, “certo e errado”, “bonito e feio”, “bom ou mal”. Você está de costas para Deus.

Não importa o quanto você está empenhado nessa busca ao Pai, se ela ainda estiver sendo escrita com lógica material (seus conhecimentos), você ainda estará vivendo uma ilusão. Estará satisfazendo o seu ego buscando cultura para poder servir de instrumento ao seu lado humano.

Assim que compreender que essa mensagem é para você, que você ainda é o inimigo de Deus, faça as pazes com o Pai. Jogue fora tudo que até hoje estudou, aprendeu, leu, inclusive esse texto. Liberte-se dessa bagagem cultural que você carrega há milênios e que só serviu para você iludir-se a respeito do mundo.

Liberte-se de tudo isso e vá viver. Sem a sua cultura, o que determina o “certo” e o “errado”, você conseguirá conviver harmonicamente com o universo. Sem os seus desejos não haverá mais êxtase nem contrariedades: você será equânime. Ninguém mais lhe fará mal, ninguém mais lhe ofenderá, ninguém mais lhe prejudicará.

Seja um ser espiritual dentro de uma aventura humana e não mais um ser humano que possui momentos espirituais. Vivendo desse jeito estará ao lado de Deus e será seu amigo.

Com as graças de Deus.

FONTE: http://meeu.org/palestra/index.htm