JOAQUIM COMENTA A DIFERENÇA ENTRE JESUS E CRISTO

 

 

Dez 10, 2008

 

Participante: Uma pergunta sobre os sete níveis de consciência que o senhor já falou… Eu fazia idéia de que estar no primeiro plano de consciência é estar de posse da maior e mais clara consciência e estar na luz e no amor que o Pai nos dá…

Sim, isso é estar no primeiro plano.

O primeiro plano é a consciência primária do espírito, a consciência espiritual do espírito. Mas, neste plano, pouquíssimos vivem. Só possui esta consciência aqueles que não mais estão apegados a orbes planetários algum.

Aliás, nem Cristo está neste plano… O espírito que é chamado por vocês de Cristo, por estar ligado ao orbe terrestre, ainda precisa estar em planos mentais diferentes do primeiro, apesar de já merecer vivenciar a sua consciência primária.

Cristo é um espírito que abriu mão de viver a sua realidade espiritual e ficar preso a consciências mais criadoras de ilusão para poder servir a irmandade espiritual.

Participante: Em qual plano você se encontra, ou seja, após este momento de falar conosco, em qual plano de consciência você se sintoniza?

Eu vivo atualmente entre o sétimo e o sexto plano de consciências.

É preciso que eu esteja nestes planos para poder executar este trabalho que estou fazendo. Se tivesse em outro, não teria realizá-lo porque as realidades dos demais planos de consciência não são compatíveis com aquilo que você pode ver ou ouvir…

Participante: Gostaria de saber de você espírito e não de Joaquim. Quero saber onde você, o espírito, se encontra?

Eu estou ligado ao Joaquim enquanto durar esta missão. Por isso estarei onde Joaquim estiver…

Participante: O senhor diz que tudo é ilusão… Gostaria de saber, então, se durante as vivências de Jesus na carne, como nas curas, desobsessões e milagres, ele estava se iludindo com as coisas da matéria?

Quem você me pergunta se estava se iludindo? Jesus ou Cristo?

Participante: O cristo encarnado…

Não existe Cristo encarnado… Existe Jesus, um personagem humano, um ego, que estava ligado a um espírito que serviu de médium para o Cristo Universal, o Interplanetário. Cristo não encarnou: por isso fiz esta pergunta.

Respondendo-lhe, digo: enquanto se viva os acontecimentos da vida Jesus Cristo, o espírito que estava ligado ao ego Jesus estava iludido, mas o Cristo Interplanetário não… Apesar de não estar de posse de sua consciência primária, ele não ia cair nesta ilusão…

Participante: Então Jesus era o ego de Cristo?

Jesus foi um ego de um espírito que não tem nome cor, sexo ou religião, mas que também não é aquele que vocês chamam de Cristo.

Vou lhe dar um exemplo para ficar mais claro. Chico Xavier era um ego que estava ligado a um espírito. Mas, ao mesmo tempo em que este ego estava ligado a um espírito, por funções próprias suas, servia como médium para Emanuel, André Luiz…

No caso de Jesus e Cristo é o mesmo processo. Havia um ego que estava ligado ao espírito que chamarei de Jesus e o Cristo Interplanetário se utilizou deste espírito ego para trazer suas mensagens. No momento desta união e enquanto ela durou existiu o Jesus Cristo, ou seja, o Jesus médium trabalhando com o espírito Cristo Interplanetário.

Esta união começa depois do batismo no Rio Jordão, quando aparece a pomba e diz: este é meu filho querido. Ali começou o Jesus Cristo… Por isso é que todos os evangelhos citam esta passagem como marco, como início da missão de Cristo.

Antes havia Jesus o Nazareno, Jesus filho de José. Era este personagem que existia e ele era o ego de um espírito que não é aquele que dizemos que é o Governador Geral do planeta.

Participante: Cristo, então, são várias consciências numa só?

Não… Repare o exemplo que dei: Chico Xavier era várias consciências numa só?

Não, Cristo é uma individualidade, um espírito, um ser espiritual universal que você chama de Cristo, ao qual se refere como Cristo. Ele não se auto-denomina assim, porque não se identifica. Saiba que no mundo espiritual, apesar da existência da individualidade, os espíritos vivem em universalidade e, por isso, não se identificam, não se separam dos outros.

Portanto, o que vocês chamam de Cristo é um só espírito. Agora, este ser universal para transmitir os ensinamentos utilizou-se de um outro espírito e de um personagem humano, ego, ao qual este outro espírito, que vocês chamam de Jesus, estava ligado.

Fonte: http://www.meeu.org/monismo/index.htm
FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM EXPLICA O REAL SENTIDO DOS HOLOCAUSTOS PARA OS ESPÍRITOS

 

 

 

Dez 10, 2008

 

Participante: Qual o sentido dos holocaustos?

Primeiro, precisamos entender o que é um holocausto: situação onde chega à termo a vida de centenas ou milhares de pessoas. Isso é um holocausto: quando muitas – uma quantidade imensa de pessoas – tem o termo da vida em uma determinada situação, os humanos chamam esta situação de holocaustos.

Este é o primeiro detalhe que devemos levar em conta. Mas há um segundo que precisamos compreender…

O que é a vida? Encarnação de um espírito para realizar provas. Estas provas são comandadas por Deus e têm a finalidade, vencendo-as, de levar o espírito a aproximar-se do Pai. Isso é o que vulgarmente vocês chamam de vida…

Este é um detalhe importante que nos leva à compreensão da segunda premissa necessária para compreender o tema holocausto: o que é morte? A partir do que afirmamos que é vida, poderíamos dizer que a morte é o fim da encarnação, o fim da provação, da etapa de provas de um espírito.

Isso é holocausto, vida e morte. Para que possamos falar de holocausto estas três verdades precisam estar presentes, senão ficaremos presos a uma visão materialista que nada resolve a nossa dúvida.

A partir delas, lhe dou a primeira resposta à sua pergunta: a razão de ser (sentido) do holocausto é servir como elemento da provação do espírito. Veja bem: se ele faz parte daquilo que vocês chamam de vida deve, portanto fazer parte da provação de determinados espíritos.

Agora, o que se busca com o holocausto? Se o sentido da vida é a realização de provações por parte do espírito para poder aproximar-se de Deus e se o holocausto é um dos acontecimentos possíveis numa existência carnal, o seu sentido é aproximar o espírito do Pai…

Esta é a razão da existência de um holocausto. Mas, vivê-lo apenas de nada adianta, pois não é apenas passando por estas situações que o espírito aproxima-se de Deus. Para que isso aconteça, é preciso que o ser universal humanizado supere as posses materiais durante os acontecimentos… Tudo que acontece numa existência carnal é uma provação onde sempre estará em jogo numa provação a respeito de uma posse.

Estas posses são de três formas:

a posse moral – a posse da verdade, o saber, o conhecer, o achar que está certo…
a posse sentimental, que acontece quando o espírito acredita que ama ou não algum elemento do Universo, seja material ou inteligente…
e a posse de objetos materiais, de elementos materiais do mundo carnal ou espiritual…
Todas estas três possessões são questionadas em um holocausto, tanto para os que morrem como para aqueles que ficam e sabem dele ou tem pessoas conhecidas envolvidas. Esta posse é moral, porque os humanos acham que sabem que aquilo é errado; é sentimental, porque afirmam que não gostam que isso aconteça e é material, porque possuem a presença física do outro…

Portanto, muitos são os elementos que podem estar sendo objeto de provas durante um holocausto. É difícil dizer o que especificamente está em prova para cada um que participa ativa ou passivamente do ato como para aqueles que tem notícias do ocorrido. Mas, uma das provas eu tenho certeza absoluta que está presente para todos os envolvidos: o possuir a vida material. O querer estar vivo ou querer que o outro esteja vivo…

Querer a vida para si ou para os outros: esta é uma prova muito grande para o ser humanizado…

Porque por mais que um ser humanizado se diga espiritualista (acredite na existência de algo mais do que a carne), ninguém tem cem por cento de certeza da vida depois da morte. É por isso que os seres humanizados se apegam á vida material: não querem morrer…

O holocausto é uma prova para isso: para ver se você ama mais a Deus acima do próprio desejo de viver – e, por isso, permanece feliz mesmo com a morte – e se ama o próximo, não o criticando, julgando ou acusando de bárbaro ou assassino.

Então, de uma forma bem reduzida, porque poderíamos falar a respeito deste tema horas, é isso que está em jogo no holocausto: uma prova para o espírito. Uma provação de todas as possessões, mas em especial da posse da vida material: do desejo de continuar, ou que outros continuem, vivos.

O resto, os corpos mutilados, as pilhas de cadáveres, a destruição das coisas materiais, tudo isso é simplesmente ilusão, é simplesmente percepção, mais nada do que isso…

Participante: E o holocausto dos animais, segundo o Antigo Testamento.

A mesma coisa…

Para os seres humanizados os mesmos critérios acima descritos. Agora, para o animal, não: é limpeza de espécie…

Se os dinossauros não tivessem sido extintos, não poderiam ter começado a existir outras espécies. Portanto, o que aconteceu foi uma limpeza de espécie para novas formas de vida poderem surgir…

fonte: http://www.meeu.org/temasdiversos/
FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM COMENTA A “GUERRA MORAL” QUE ACONTECERÁ NO “FIM DOS TEMPOS”

 

 
Dez 10, 2008

 

Participante: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa (Mateus). Qual o significado de abominações neste texto?

Grande pergunta…

Vocês só pensam em desolação, em abominações, em termos materiais, ou seja, em catástrofes. Por isso, imaginam que haverá grandes catástrofes físicas naquele dia que Cristo ensinou, mas não vai ser isto que acontecerá…

Como Cristo ensinou – e nós já estudamos este texto – se Reino de Deus é dentro de cada um, o que marcará aquele dia acontecerá dentro de cada um. Sendo assim, no momento que a moral espiritual do ser humano for cobrada através do apontamento da imoralidade que é a moral humana, ou seja, que em nome de Deus se mata, vilipendia e se faz outras coisas, se neste momento você estiver em cima, ou seja, estiver buscando a sua elevação espiritual, não volte para pegar coisas materiais. Agora, se estiver em baixo, ou seja, preso ao amor aos elementos do mundo material, saia correndo pra cima, para o espiritual, pois esta cobrança quer dizer que os tempos chegaram…

O que acontecerá naqueles dias que Cristo ensinou são as demonstrações de que a moral humana é imoralidade para Deus. Esta imoralidade será muito bem apontada por aqueles que têm moral para tanto: aqueles que vocês chamam de extraterrestres. Estes são espíritos mais evoluídos que vocês e eles, a partir de sua própria ascensão moral, mostrarão como imoral é a moral humana.

Participante: Os extraterrestres virão materialmente ou espiritualmente?

Esta pergunta já meu foi muitas vezes feitas: claro que eles virão espiritualmente, porque são espíritos. Virão em emissão espiritual…

Agora, imagino que você ao me fazer esta pergunta está se querendo saber se eles virão de uma forma perceptível a vocês. Eu respondo que sim, eles serão percebidos pelo ego humano, mas virão espiritualmente e não materialmente…

Falo desta forma para que vocês possam compreender uma coisa importante: o que os seus egos perceberão não são eles, mas as formas às quais eles estão ligados. É diferente. Compreende? Vocês verão um extraterrestre, mas o que verão é uma forma e não o próprio espírito.

Estes espíritos poderão lhes trazer esta cobrança moral porque eles estão livres dos conceitos humanos e dos conceitos do planeta deles. Não digo que é um espírito de posse da sua consciência espiritual, mas que já tem verdades do quarto ou terceiro nível de consciência.

Participante: Esta forma de apresentar-se dos extraterrestres é a mesma que você utiliza?

Não, não é como eu me apresento. Eu, na verdade, não me apresento à vocês com nenhuma forma minha própria. Eu utilizo o que vocês chamam de mediunidade e por isso me apresento à vocês através da forma do médium.

Já os extraterrestres se apresentarão dentro de formas próprias deles, pois não se farão presentes pelo processo de incorporação. Só que estas formas serão meras criações dos seus egos. Esta é a diferença: vocês vão olhar para os extraterrestres e, diferente da minha apresentação, verão um corpo específico para aquela apresentação, mas este corpo só existirá no ego de vocês e não fora dele.

Mas será que todos vão ver da mesma forma os extraterrestres? Sim. Todos terão a mesma percepção da figura com a qual estes espíritos se apresentarão porque, afinal de contas, ninguém vê nada, mas Deus é quem cria o que é percebido pelos egos. Então, Ele irá criar de uma forma o universal as imagens dos extraterrestres.

Resumindo, os extraterrestres se apresentarão com um corpo próprio. Mas este corpo não pertence ao espírito, mas os egos humanos é que o estará criando…

Participante: Estas apresentações serão para mais provas para nós? Mais uma coisa para nos libertarmos?

Sim, a forma percebida pelo ego será mais um elemento para vocês se desapegarem. Apegando-se àquele ser extraterrestre através da sua forma, nada terão alcançado com relação à elevação espiritual.

O que vocês precisam ouvir é a mensagem que eles trarão e não apegarem-se às formas com as quais eles se apresentarão. Aliás, como disse o texto bíblico que deu origem a esta série de perguntas: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa.

fonte: http://www.meeu.org/monismo

FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM FALA SOBRE O MEDO DA MORTE

 

 

 

Dez 10, 2008

 

Que os religiosos não espíritas tenham medo da morte, é até compreensível, pois deve ser extremamente tediosa uma existência onde não ajam ações, como aquelas que crêem que existirá depois do desencarne. Além do mais, a visão do sono profundo não deixa que este ser tenha a confirmação da existência da vida espiritual pós-morte.

Os espíritas, no entanto, que possuem o conhecimento sobre as atividades extras corpóreas e as comprovações da existência desta vida, possuírem o mesmo medo, é algo inadmissível. Apesar de todas as transmissões da espiritualidade descortinando o véu do esquecimento, os espíritas apegam-se à vida material.

Isto ocorre porque, tanto um quanto o outro ainda está preso à matéria carnal através de “elos”.

O Espiritualismo Ecumênico Universal ensinou as “Quatro Âncoras”, ou seja, quatro grupos de aspirações que os seres humanos possuem que dificultam a sua elevação espiritual. Estas “Quatro Âncoras”, no entanto, são presas por “Quatro Elos”, que fixam o ser na vida carnal. É destes dois conjuntos que provém o medo da morte.

Falemos um pouco sobre estes “elos”.

A morte do ser humano

Neste trabalho quando nos referimos à morte, não estamos abordando apenas o assunto “desencarne”, mas também o renascimento que Cristo ensinou a Nicodemus:

“Eu afirmo que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. A pessoa nasce fisicamente de pais humanos, mas nasce espiritualmente do Espírito de Deus. Por isso não se admire de eu dizer que todos vocês precisam nascer de novo. O vento sopra onde quer e ouve-se o barulho que faz, mas não se sabe de onde vem nem para onde vai. O mesmo acontece com todos os que nascem do Espírito”. (Evangelho de João – cap 03 – vers 05)

O medo da morte física (desencarne) advém da certeza que, ao morrer, nascerá um novo ser: o espírito ou alma, como queiram chamá-la. É desta certeza que advém o medo da morte que o ser humano sente.

O ser humano tem medo do processo de sua transformação em espírito, e, por isto, teme a morte. Ele teme a transformação porque tem medo da perda da sua identidade, ou seja, do seu “eu”.

Entretanto, Cristo nos afirma que este “eu” material deve ser eliminado ainda na própria existência corporal para que se entre no gozo da felicidade universal.

É preciso que o ser na carne “morra” (elimine o “eu” humano) para que renasça o espírito (a universalização dos conceitos) para alcançar o “Reino de Deus”. Este processo ficou conhecido como reforma íntima.

Eliminar o “eu” é deixar de utilizar as propriedades intrínsecas do ser – inteligência, amor e justiça – com objetivos individualistas. Quando isto acontecer, o ser não será mais o que é, ou seja, não terá a mesma consciência que possui hoje. Este é o temor dos seres humanos: deixarem de ser quem são.

A morte que estamos falando neste trabalho é exatamente o fim deste “eu” e isto não implica necessariamente em ter de sair da carne. É do temor da promoção da reforma íntima (fim do “eu”) que vamos falar.

Para se processar a reforma íntima é preciso quebrar os quatro elos que aprisionam as quatro âncoras ao ser humano.

Quatro Âncoras

São os seguintes os quatro grupos de situações (“Quatro Âncoras“) que dificultam a elevação espiritual:

Desejo de ganhar e medo de perder;

Desejo de se satisfazer e medo da insatisfação;

Desejo de ser elogiado e medo da crítica;

Desejo de obter a fama e medo da infâmia.

O ser humano é um ser universal que particulariza as suas propriedades intrínsecas: inteligência, justiça e amor. Esta particularização é representada neste ensinamento pelas quatro âncoras.

O ser humano que deseja sempre ganhar, satisfazer seus desejos, ser elogiado e obter a fama, utiliza no processo raciocínio conceitos que objetivem este fim. Determina os padrões de justiça de acordo com o seu objetivo e, desta forma, ama apenas a si mesmo.

As “Quatro Âncoras” levam o ser a não cumprir o segundo mandamento da “constituição universal” (amar ao próximo como a si mesmo), comprometendo a busca que ele vem realizar na carne: a evolução espiritual. É preciso que o ser livre-se destas amarras para poder navegar em direção ao porto da sabedoria, onde a utilização das propriedades é universal.

Libertando-se das âncoras

Para liberar-se das âncoras é preciso eliminar os quatro elos que as prendem ao ser. Sem quebrá-los é impossível livrar-se destas amarras.

A quebra, porém, não pode ser feita individualmente, pois as quatro âncoras estão aprisionadas nos “Quatro Elos”: todos os elos aprisionam todas as âncoras. Seria impossível se libertar de apenas uma âncora quebrando apenas um dos elos.

A reforma íntima, portanto, depende do ser quebrar os “Quatro Elos” para libertar-se das quatro âncoras de uma só vez, alcançando a universalização de suas propriedades e entrando no gozo da felicidade universal.

Os Quatro Elos

Baseado em um ensinamento budista.

Suta Anguttara Nikaya IV.184 – Abhaya Sutta.

Quando o brâmane Janussoni pediu a Buda ensinamentos sobre o medo que sentem aqueles que estão face à morte (fim do “eu”), o Iluminado apontou os “Quatro Elos” que aprisionam as “Quatro Âncoras”. São eles:

A paixão pela posse moral (sensualidade);

A paixão pelas coisas materiais (corpo);

O individualismo (prática de coisas “más”);

A falta de fé (incompreensão dos ensinamentos).

Estes são os “Quatro Elos” que prendem o ser universal à visão ser humano, não permitindo a evolução espiritual. São eles que aprisionam o ser no desejo de ganhar, se satisfazer, ser elogiado e alcançar a fama.

Primeiro elo

O primeiro elo que prende as “Quatro Âncoras” que aprisionam o ser na visão ser humano é a paixão pela posse moral.

O ser individualista imagina que apenas o que ele compreende das coisas é que está “certo”, é “bom” e “belo”. Tudo o que os outros acham diferente dele está “errado”, é “mau” ou “feio”.

A posse moral se caracteriza pela detenção da “verdade”. A paixão por possuir a “verdade” sobre as coisas é que leva o ser a querer ganhar sempre, se satisfazer, ser elogiado e ficar famoso.

O prazer gerado pela satisfação do cumprimento dos seus desejos é tão forte que Buda comparou-o ao prazer sexual. É por este motivo que ele fala deste elo como uma paixão sensualista.

Quebrar este elo é abrir mão de possuir a “verdade” sobre as coisas. É preciso acreditar que todos os acontecimentos do universo estão perfeitos porque partem da Inteligência Suprema, observados os parâmetros de Justiça Perfeita e Sublimação do Amor.

Este elo foi simbolizado na Bíblia Sagrada na história de Adão e Eva. A mulher foi tentada a comer a “maçã” (adquirir um conhecimento) para alcançar o poder de determinar o que é “bom” ou “mau” no universo.

As religiões que utilizam a Bíblia como livro básico afirmam que é necessário acabar com o pecado original (o ato de Eva) para alcançar o reino do céu. Estão falando, portanto, da quebra do primeiro elo.

Assim sendo, a informação da quebra deste elo não é exclusividade do budismo, mas também é ensinamento de toda religião que utiliza a Bíblia.

Segundo elo

O segundo elo que prende as quatro correntes é a paixão pelas coisas materiais. Chamamos esta paixão de posse.

O prazer advindo da posse das coisas morais é que leva o espírito a ter medo de perdê-las, pois desta forma ficará insatisfeito, sentindo-se difamado. A perda é considerada uma crítica aos seus desejos.

Para acabar com estes sentimentos é que o espírito precisa despossuir todas as coisas materiais. Para que isto aconteça é necessária a compreensão de que o universo é a casa de Deus e que tudo que aqui existe pertence a Ele.

Se o universo foi criado por Deus para servir aos seres no seu processo de evolução, podemos afirmar que as coisas materiais são instrumentos para esta busca. Assim, enquanto o ser necessitar delas, o Pai as colocará à sua disposição, tornando-o “guardião” temporário delas.

Portanto, se as coisas são instrumentos da elevação do ser, fazem da parte da “prova” que ele tem que fazer quando está encarnado para alcançar a elevação espiritual.

Aprendemos na “Segunda Verdade Universal” da Doutrina Espiritualista Ecumênica que a prova é alterar a visão sobre as coisas, não vendo a forma, mas a essência.

É baseado nesta Verdade Universal que Buda utiliza no seu ensinamento “a paixão pelo corpo”. Quem está preso a este elo se apaixona pela forma das coisas e não pela sua essência. Esta paixão é que leva à posse.

Ao demonstrar que a vida carnal nada mais é do que uma etapa da vida espiritual, Kardec ensinou que o ser humano deve abrir mão das posses materiais para poder alcançar a elevação espiritual. O espiritismo, portanto, pede o fim do segundo elo.

Terceiro elo

Para Buda, o terceiro elo é a apreensão quanto ao resultado da provação que o ser faz durante a vida carnal.

Pela consciência que possui de ter buscado apenas a sua satisfação pessoal ao invés de universalizar os acontecimentos durante a existência carnal, o espírito sabe que causou ferimentos aos demais seres. Pelo estudo, compreende que precisa expiar suas faltas seja em nova encarnação ou no “umbral”.

Para fugir deste “destino” prende-se ainda mais à visão ser humano, imaginando que desta forma estará fora do alcance da ação justa de Deus, que só ocorrerá depois da “morte”.

A expiação de erros é chamada de “carma”, ou seja, um acontecimento traçado no sentido de expiar o “sofrimento” que “causou” ao outro ser. O carma causa medo, porque o ser sabe que ele se constituirá de um acontecimento que não satisfará os seus conceitos, ou seja, não levará a um prazer individual.

Fala-se muito em carma de vida passada, ou seja, expiações de situações de sofrimentos causadas em vidas anteriores, mas existe também o carma da vida atual. Este último, na maioria das vezes, é expiado nesta própria vida. Como no ditado popular, “aqui se faz, aqui se paga”.

Quarto elo

Este elo talvez seja o mais difícil de ser quebrado pelo ser, pois ele jamais será alcançado por comprovações materiais. Para alguns é mais fácil quebrar a posse moral; para outros, a espiritual ; muitos, ainda, conseguem perder o medo do carma, pois conseguem “enxergar” materialmente estes ensinamentos. O quarto elo, no entanto, jamais poderá trazer confirmações materiais, pois isto o tornaria mais forte e resistente.

A fé é um sentimento que foi descrito por Cristo no primeiro mandamento da constituição universal: “amar a Deus acima de todas as coisas”. A fé é expressa através do amor incondicional ao Pai e a resposta de Deus aos seus filhos é a felicidade universal alcançada.

Infelizmente não é esta a compreensão que os seres encarnados possuem da fé, pois eles a condicionam à satisfação dos seus desejos. Para amar a Deus (ser feliz), os seres humanos precisam de posses materiais, morais e de situações de não sofrimento. Não amam a Deus, mas a si mesmos.

Para que o quarto elo seja quebrado, ou seja, para que o ser humano alcance a fé em Deus, é preciso que todos os outros três elos (posse moral e material e a não existência de situações de sofrimento) sejam mantidos.

Como já explicamos, as “Quatro Âncoras” não podem ser eliminadas isoladamente, pois estão presas pelos quatro elos. Somente com a ruptura total destes elos é que o ser se libertará das âncoras.

Ninguém deve amar outra pessoa tendo “motivos” para isso, pois o amor não pode ter condições. Quem ama o outro porque é “belo”, ama a beleza e não o ser; quem ama porque o outro é amigo, ama a amizade; quem ama pela cultura, ama a sabedoria.

Em qualquer caso que exista uma condição para o amor, não há este sentimento pelo outro ser, mas pela condição que ele representa.

Para quebrar o quarto elo o ser necessita não mais impor condições para o exercício do amor. A ruptura do quarto elo passa pelo fim da “fé raciocinada”, ou seja, pelo fim da análise do “prazer” que resultará do trabalho do ser.

A quebra do quarto elo só será alcançada com a fé incondicional a Deus: entrega e confiança total no Pai.

Para isto é preciso a perfeita compreensão dos ensinamentos deixados por todos os mestres.

Nenhum deles criou condições para que se amasse a Deus, mas pediram que se tivesse uma fé incondicional no Pai. Todos os ensinamentos tiveram este objetivo, mas foram interpretados pelo ser humano de forma diferente, pois buscavam a satisfação pessoal.

Quebrando os elos

Para alcançar a elevação espiritual o ser precisa, então, quebrar os “Quatro Elos” para que se liberte das “Quatro Âncoras”.

Este é o trabalho que o ser terá que fazer algum dia, pois como ensinou Kardec, todos os seres um dia terão que evoluir, independente de sentirem medo ou não. Este processo de transformação foi que levou diversos seres à elevação em uma de suas encarnações.

É um processo inexorável que todo ser tem que passar. O medo de enfrentar o renascimento apenas retarda o momento, mas não pode eliminá-lo nunca, pois faz parte integrante da existência do ser, como a “morte física” faz parte da vida carnal.

Além do medo do desconhecido (em que se transformará depois do renascimento) o ser tem o conhecimento inconsciente de que os “Quatro Elos” não podem ser quebrados passo a passo, mas que precisam ser rompidos ao mesmo tempo, o que exige um grande esforço. Por isto, encarnação após encarnação, o ser tenta quebrar os elos, mas não consegue se desfazer deles todos ao mesmo tempo.

Todos os elos agem e são dependentes entre si. A posse moral nutre a posse material, pois o indivíduo “certo” quer determinar a forma das coisas morais. O fim destas duas âncoras depende exclusivamente do fim do carma, já que na maioria das vezes esta ação divina fere as posses do ser.

Como perder tudo isso sem perder o amor a Deus? Compreendendo Sua ação no universo, ou seja, tendo fé.

O ser que busca realmente quebrar os quatro elos precisa atacá-los todos de uma vez, abandonar o “poder” de determinar o valor das coisas, para poder abrir mão das posses materiais. Para isso precisa perder o medo do carma, amando a Deus mesmo que suas vontades não sejam satisfeitas.

Existem dois instrumentos para esta ação: espiritualismo e ecumenismo.

Para quebrar os quatro elos o ser precisa acabar com a divisão do universo em material e espiritual, pois esta divisão leva à busca da satisfação em um mundo (material), afastando para o outro (espiritual) a ação universal. Para colocar em prática esta visão, é preciso juntar os ensinamentos de todos os mestres em apenas um caminho para se amar a Deus.

Como fizemos questão de frisar, todos os enviados de Deus falaram dos quatro elos e trouxeram os ensinamentos necessários para que eles fossem quebrados. O ser humano é que separou estes ensinamentos, quando afirmou ou entendeu que a elevação espiritual só seria alcançada trabalhando-se em apenas alguns deles.

Mesmo a forma da ligação necessária com Deus para a quebra dos elos foi diversificada, pois já se entendeu que apenas a junção de todas elas facilitará esse trabalho.

Alguns afirmam que o trabalho da elevação será alcançado recitando os textos sagrados (islamismo), outros com a meditação (orientais) e outros ainda através da oração (cristãos). Na verdade, a elevação espiritual só será alcançada quando se viver a vida material em meditação, recitando para si mesmo os ensinamentos que os mestres deixaram, a cada segundo. Esta vida é uma vida em oração, ou seja, vivida de acordo com as palavras dos livros sagrados.

Tanto o espiritualismo como o ecumenismo leva o ser a universalizar suas propriedades intrínsecas, enquanto que o medo da morte surge do individualismo destas mesmas propriedades.
FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DE OUSARMOS

 

 

Dez 10, 2008

 

Para começarmos nossa conversa de hoje, gostaria de fazer uma pergunta: qual a responsabilidade do espírito? Qual a responsabilidade que o espírito assume ao encarnar?

A nossa responsabilidade como encarnado é a de promover a reforma íntima. Todos os espíritos que estão ligados a uma consciência material só se encontram neste estágio da sua existência espiritual porque assumiram o compromisso de buscar a elevação espiritual através da reforma íntima.

Se isto é verdade, é necessário, então, que se faça mais uma pergunta: o que é preciso para promover a reforma íntima? Do que precisa um espírito para honrar o compromisso assumido com Deus e com a espiritualidade antes da encarnação? Será que apenas o desejo de fazê-la é suficiente?

O ser humanizado pode ter muita vontade de fazer, mas nunca chegar a realizar, pois a vontade precisa se transformar em Realidade. Não basta apenas ter vontade: é preciso realização.

A partir do momento que o ser humanizado compreende a responsabilidade assumida antes da encarnação entende a necessidade da realização. Mas, só compreender não adianta, pois ele pode no primeiro obstáculo desistir.

Você pode ter vontade de reformar-se, pode desejar ardentemente elevar-se, mas se o desejo não se transformar em prática nada será conseguido. Só que para que esta prática ocorra há um elemento que é fundamental e sem ele nada se consegue em termos de elevação espiritual.

Claro, que o primeiro mandamento deixado por Cristo (amar a Deus sobre todas as coisas) é fundamental, mas o ser humanizado pode até amar ao Pai, mas na primeira adversidade estancar a prática da reforma íntima. Claro que existem muitos outros fatores tais como vontade, perseverança, afinco e outros que são importantes, mas um é fundamental.

Para que você promova a sua reforma íntima, ou seja, alcance a consciência espiritual – ter valores (verdades) na memória condizentes com a Realidade espiritual – é preciso que você ouse. A ousadia é uma característica fundamental de todos aqueles que conseguiram promover a sua reforma íntima, ou seja, conseguiram eliminar a consciência material e se fundiram com Deus.

A promoção da reforma íntima por parte de um ser encarnado, acima de tudo, é um ato de ousadia. É necessário coragem para ousar, mas é preciso ousar nesta “vida”, pois sem a ousadia não se realiza nada.

Qual o contrário de ousar? Acomodar-se. E o que é acomodar-se para um espírito que assumiu a responsabilidade de executar a sua elevação espiritual? É viver como a humanidade vive, perpetuar a sua ação dentro dos papéis planetários guiados pelas verdades da consciência terrestre.

NOTA: Papéis planetários – Diz-se das funções que o espírito vivencia durante a vida carnal: pai, mãe, filho, professor, médico, etc.

A acomodação se dá quando, mesmo de posse dos ensinamentos deixados pelos mestres, o ser humanizado continua vivendo como todo resto da humanidade, ou seja, continua balizando a sua existência dentro dos códigos de normas e comportamento impostos pela sociedade.

Isto é acomodação e com esta postura nenhum ser humanizado realiza a sua reforma íntima. De nada adianta se conhecer profundamente os ensinamentos trazidos pelos enviados de Deus, se o espírito não ousar colocá-los em prática indo contra a rotina da humanidade, jamais conseguirá realizar aquilo que se comprometeu em fazer.

Para que você realize a sua elevação espiritual é preciso que vá além das regras societárias do planeta que, afinal de contas, preservam a humanidade do ser e não visam à espiritualização deste. Por isto, é preciso ir além das regras das sociedades.

É preciso ir além dos preconceitos, das críticas e de todas as verdades pré-estabelecidas. É preciso ousar ir contra os sistemas pré-estabelecidos que há milhares de anos servem ao ser humano, ou seja, aprisionam o espírito na busca do bem material (as paixões e o prazer oriundo da satisfação dos desejos).

Sem a ousadia de buscar reformar a sua vida a partir de novos parâmetros libertando-se da escravidão da mesmice humana que ocorre há séculos, você não vai conseguir realizar aquilo que se comprometeu. Ficará preso no igual a que todo mundo faz e quem caminha igual chega no mesmo fim do outro. Portanto, ousar ser diferente é fundamental para a reforma íntima.

O que quer dizer o ensinamento de Cristo a respeito de oferecer a outra face? É ousar reagir de um modo diferente aos acontecimentos. Ousar não brigar com quem briga com você, quando a sociedade espera que “reaja à altura” a agressão sofrida.

É ousar ser taxado de bobo, de idiota por não reagir. É ousar “perder” aparentemente alguma coisa, mesmo que a sociedade lhe cobre que você deve ganhar sempre.

Sem a ousadia, ou seja, sem uma ação diferente da normalidade, do padrão pré-estabelecido e esperado pela sociedade, você não consegue realizar a sua reforma íntima.

Digo isto porque o que a sociedade espera e cobra dos seres humanos é revidar quando agredido. Quando ele não reage dentro dos padrões, é criticado, injuriado e acusado de “não saber viver”. Portanto, para poder se reagir de uma forma diferente é necessário ousar, pois a sociedade lhe cobrará a postura e você que busca a elevação espiritual não poderá se ofender com isto.

Esta não ofensa com a reação da sociedade terá que nascer da consciência de que se não ousar fazer diferente, jamais conseguirá aquilo a que se propôs, porque estará preso no mesmo caminho daqueles que não conseguem. Conscientizando-se da necessidade da ousadia, você poderá ir contra os padrões, mas sem isto, sofrerá no momento que for caluniado e nada terá realizado.

É por causa do medo de ousar, ou seja, por causa da acomodação a que se submetem os espíritos encarnados, que, quando conversamos sobre os ensinamentos deixados pelos mestres a respeito da família, por exemplo, as pessoas dizem: “ah, mas eu posso alcançar a evolução espiritual mantendo os meus vínculos familiares”. Não pode.

Todos os mestres da humanidade (Cristo, Buda, Krishna, Lao Tse), foram unânimes em questionar os padrões com que são vivenciados os laços familiares pela humanidade. Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? São todos aqueles que fazem a vontade de Deus.

Isto ocorre porque quando se fala em evolução espiritual, se fala em universalização enquanto que o padrão do vínculo familiar vivenciado no planeta é baseado na individualização: meu, minha. Ninguém quer destruir as famílias, mas é preciso que o ser humanizado aprenda a conviver neste núcleo dentro do amor universal (amar a todos) para alcançar a elevação espiritual.

Portanto, se você não ousar ir além do padrão “família” que é conhecido no planeta terra abolindo o “meu” pelo universal, não consegue elevar-se.

“Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Só pode ser meu seguidor quem pega a sua cruz e me segue. Quem se esforçar para conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perder a sua vida por minha causa vai achá-la” (Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículos 37 a 39).

Sem a ousadia nenhum espírito humanizado consegue a sua elevação espiritual porque não coloca em prática os mandamentos que Cristo deixou.

Para se cumprir o primeiro e o segundo mandamento (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo) que o mestre nazareno classificou como aquilo que efetivamente conduz à elevação espiritual é preciso ousar, pois só com ousadia o ser humanizado poderá amar sem restrições.

Amar sem restrições é não prever o que acontecerá pela sua ousadia. Um amor sem esperar nada, sem exigir nada em troca, sem querer “ganhar” por amar.

Ousar viver a vida espiritual na carne é entregar-se a uma ação diferentemente da forma como os seres humanizados se entregam, ou seja, sem querer programar resultados para esta ação. Os seres humanos não amam o próximo e a Deus, porque participam dos acontecimentos dentro dos padrões humanos, ou seja, esperando “ganhar” alguma coisa com o que estão praticando.

Quem ousa não se preocupa se vai “ganhar” ou “perder”, se vai ser considerado “bom” ou “mal”, “certo” ou “errado”, se vai alcançar o que quer ou não vai realizar os seus desejos. Ousar é atirar-se em um “vazio”, ou seja, participar da ação sem previsão de acontecimentos futuros. Isto denota a fé em Deus, ou seja, o amor a Deus sobre todas as coisas.

A ousadia necessária para se amar a Deus sobre todas as coisas está descrita com perfeição na história do alpinista que morreu quando estava escalando uma montanha de neve. Ele caiu da montanha onde estava e ficou preso por uma corda à beira de um precipício balançando-se no ar.

Já era noite e não conseguia se ver nada e por isto o alpinista não conseguia enxergar a que distância estava do platô abaixo dele. Ele ficou se segurando na corda e balançando no vazio sem saber se poderia largá-la ou não.

No desespero apelo para o Pai: “Senhor, me ajude!”. Deus ouviu e respondeu: “Largue a corda!”. No dia seguinte, o alpinista foi encontrado morto preso à corda, balançando no ar, mas a menos de um metro de um platô que poderia ter amortecido sua queda.

Ousar é largar a corda sem olhar para baixo. É atender ao apelo divino sem querer saber concretamente se há algo para lhe proteger ou lhe amparar. É atirar-se no escuro, ou seja, sem saber o que acontecerá no futuro, pela confiança irrestrita que sente por Deus.

Se você precisa saber o que vai lhe acontecerá quando largar a corda (os padrões da vida carnal) não ousou nada: atirou-se com a segurança material, confiou em si e em suas percepções, ou seja, continuou seguindo o padrão humano de agir.

A reforma íntima é um salto para o escuro, uma ação que deve ser praticada sem se ter certeza de onde irá aterrissar.

Todos aqueles que estão na busca da elevação espiritual com certeza já ouviram falar da vida espiritual, no “céu” pregado pelas diversas religiões (paraíso, cidades espirituais, tenda árabe, palácios suntuosos). Sabem que se conseguirem realizar a sua reforma íntima viverão nestes lugares.

No entanto, apesar disto nenhum espírito humanizado conhece realmente (tem a percepção material) destes lugares. Ninguém se lembra de como era a sua existência nestes lugares antes da encarnação.

Por mais que leiam os romances espirituais ou ouçam as belas palavras dos pastores e padres descrevendo o “céu”, a compreensão sobre o futuro depois do desencarne jamais será concreta. Ela estará sempre no campo do ilusório, do não lógico material.

Isto é necessário porque só se alcançam estes locais, ou seja, se consegue a elevação espiritual, com a ousadia. O espírito só gozará do banquete que Deus convida cada um se ousar ir além da lógica material.

Por mais que estude, por mais que busque entender a existência espiritual, o homem jamais conseguirá a comprovação material das coisas. Ele terá sempre que se entregar a uma idéia, a algo abstrato para realizar a sua ascensão aos “céus”. Enquanto houver a lógica e a razão material como guia, o espírito humanizado não conseguirá chegar a lugar nenhum.

Portanto, basicamente a elevação espiritual é um salto no escuro, pois você se atira a um processo (reforma íntima) para alcançar um “lugar” que não sabe qual é. Vive querendo reformar-se sem saber onde vai chegar e nem o que acontecerá contigo.

Ela não poder ser conseguida por meio lógicos e racionais (vou fazer o que os mestres ensinaram para que aconteça isto comigo) porque assim continuará preso na cordinha, esperando saber o que está embaixo ao invés de soltar a mão.

Ousar: isto é o fundamental para podermos aproveitar o portal que se abre na espiritualidade com o objetivo energizar cada um na sua religação com Deus.

NOTA: Refere-se ao portal citado na palestra “Natal”, pois esta palestra foi realizada logo depois daquela.

Para que cada um possa aproveitar melhor o portal que se abre na comemoração natalina é preciso aprender a ousar, aprender a agir além dos padrões humanos, sem medo do futuro e sem querer projetar qualquer resultado.

A ousadia em amar a Deus acima de todas as coisas não pode prever resultados por esta ação. Nem mesmo um “seja o que Deus quiser”, pois ainda assim estaríamos fazendo uma previsão de futuro. Quem ousa não quer saber o que acontecerá, mas apenas louva a Deus e entrega-se a Ele com confiança irrestrita.

Aquele que se entrega ao Pai o faz sem condição alguma, mas apenas O louva por tudo que Ele faz acontecer. Nem com a condição de que será o que Ele quiser, porque neste caso não houve ousadia, mas uma entrega se garantindo para o futuro.

Isto, portanto, é promover reforma íntima: um ato de ousadia extrema.

Um ato tão extremo que a elevação espiritual se caracteriza em ousar ser feliz quando tudo o que você tem na vida deveria, pelos padrões humanos, lhe fazer sofrer.

Por exemplo, o filho está agonizando no hospital. Esta é uma situação em que os padrões humanos ditam que a pessoa tem que sofrer. Qualquer um faz isso, não? Mas, como o Cristo ensinou: até os ateus fazem isso (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 43 a 48).

Até quem não acredita em Deus, até quem não é religioso sofre numa situação desta. Por que você, que afirma que está procurando elevar-se, ou seja, fundir-se na unidade com Deus, age igual, então?

Você que acredita em Deus e que O busca precisa ousar, ir além do que o ateu faz. Precisa manter a sua paz, a sua serenidade. Nem vou falar que deveria manter a felicidade, pois como você não compreende este estado de espírito, acharia que estou dizendo que deveria contar piadas, ficar dando gargalhadas no hospital enquanto seu filho está agonizando.

A felicidade que eu falo não se representa por gestos, mas é um estado de espírito onde prevalecem à paz e a harmonia interna: isto você que se denomina buscador de Deus deveria ousar ter, mesmo que os padrões da humanidade dissessem ao contrário.

Seria preciso para honrar o seu compromisso assumido antes da encarnação que ousasse não se desesperar, não criticar, não acusar ninguém como responsável pelo que está ocorrendo. Assim você estaria promovendo a reforma íntima.

Esta ousadia necessária à evolução espiritual (manter-se em harmonia, mesmo quando o acontecimento deveria ser vivenciado em desespero) diz também foi ensinado por Cristo.

“Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como os hipócritas, pois eles fazem assim para todos saberem que estão jejuando. Lembrem-se disto: eles já receberam toda a recompensa. Quando vocês jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E Ele, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 , versículo 16 a 18).

Não deixe ninguém ver que você está fazendo jejum, ou seja, que aquele momento não está de acordo com os seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar ser diferente da humanidade, ou seja, reagir aos acontecimentos de uma forma diferente dos padrões pré-estabelecidos pela sociedade.

Um ser humano que perde seu emprego cai em desespero porque não quer largar a corda, ou seja, não confia em Deus. Por causa desta reação padrão (desespero) acusa o governo, a sociedade, o patrão anterior de injusto por ter lhe mandado embora. Reagir assim é fácil: até o ateu faz.

Mas, você que está buscando promover a sua reforma íntima ao passar por um “jejum de emprego”, precisa ousar. O que seria ousar neste caso? Confiar nos ensinamentos que os mestres trouxeram.

“Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam nem com a roupa que precisam para vestirem. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? Vejam os passarinhos que voam por aí: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em depósitos. No entanto, o Pai que está no céu dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? Nenhum de vocês pode viver alguns anos mais por se preocupar com isso”.

“E por que vocês estão preocupados com as roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje floresce e amanhã desaparece, queimada no forno. Então, é claro que Deus vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! Portanto,, não fiquem preocupados dizendo: ‘Onde é que eu vou arranjar comida, bebida e roupas?’ Os pagãos estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar nas suas vidas o Reino de Deus e aquilo que Deus quer e ele lhes dará todas as outras coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 25 a 34).

Ouse não se desesperar por fé em Deus, por confiança e entrega absoluta no Pai que dá a cada um aquilo que ele precisa e jamais se esquece de alguém. Se neste momento foi o desemprego que ele lhe deu, é porque sabia que era o necessário para a sua caminha em direção a Ele.

Promover a reforma íntima é louvar a Deus pelo desemprego, se é isto que está ocorrendo na sua vida. É entregar-se à situação de desemprego sem viver como a maioria vive durante esta época.

Não estou falando em acomodar-se no desemprego, mas procurar emprego sem desespero, acusações, críticas ou julgamentos, aguardando em paz e harmonia o momento que Deus lhe tornar novamente empregado. Por que digo que isto é a forma de reagir de quem está buscando a elevação espiritual?

Porque quem está buscando a elevação espiritual está buscando ligar-se a Deus acima de todas as coisas para servi-Lo. Quem não vive a elevação espiritual está buscando o prazer material, o serviço ao mundo.

Como Cristo também ensinou:

“um escravo não pode servir dois donos ao mesmo tempo, pois detestará um e gostará do outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Evangelho de Mateus, capítulo 6 – versículos de 24).

Então, se você que se diz buscador de Deus, em processo de reforma íntima para alcançar a elevação espiritual reage como aqueles que não se preocupam com isto, será que está servindo realmente ao Pai?

É, a característica principal da elevação espiritual é a ousadia, porque até aqueles que assumem a posição de guru (guia espiritual) de alguém precisa ousar. Precisa ousar chegar aqui e dizer tudo diferente do que pregam as doutrinas religiosas.

É preciso ousar chegar aqui e falar completamente diferente de tudo o que você ouviu até hoje em matéria de elevação espiritual. Sabe porquê? Porque o que você ouviu até hoje não resolveu.

Que vantagem leva os padres se eles ainda prometem orar a Deus pela sua saúde material ou pelo fim do seu desemprego? Até um pagão faz isto! “Acalme-se tudo vai dar certo. Você vai sair desta e conseguirá aquilo que quer”. Que vantagem leva os palestrantes dos centros espíritas e os gurus hindus se eles ainda prometem uma vida carnal próspera? Até os pagãos fazem isto! “Tenha fé, tudo se resolverá e você voltará a ter tudo o que quer”.

Se, como guia espiritual de vocês venho aqui e ensino que devemos a amar a Deus sobre todas as coisas, que vantagem eu teria se não lhes ensinasse a ousar viver diferente do padrão humano: a esperança de que seus sonhos e desejos se concretizem?

De nada adiantaria reuni-los para ensiná-los a amar a Deus se ainda colocasse este amor subordinado às verdades humanas, ou seja, servindo à matéria. Por isto preciso ensiná-los a ousar não depender da matéria para ser feliz.

Para fazer isso eu preciso ousar ir contra aquilo que esperam, pois o padrão humano é que os guias espirituais se colocam à disposição da satisfação do prazer humano, ou seja, dão esperanças de felicidade material em troca do amor a Deus.

Eu não falo desta felicidade, mas de outra que está além daquilo que vocês conhecem. E para alcançá-la ensino que é preciso ousar abandonar a busca do prazer como fonte de felicidade.

Até hoje o ensinamento da evolução espiritual, ou seja, o caminho para alcançar o bem celeste, é subordinado aos objetivos da humanidade, às regras e padrões planetários de felicidade. Por isto os religiosos são tão humanos quanto os pagãos.

Quando tomam conhecimento de injustiças sociais (fome, desemprego, sem teto, sem terra), por exemplo, reagem da mesma forma daqueles que não acreditam em Deus. Acusam os poderes constituídos de não cumprirem o seu papel, auxiliam e promovem manifestações de repúdio aos governantes.

Nem parece que eles leram a Bíblia e escutaram o apóstolo Paulo falando do alto de sua compreensão dos ensinamentos de Cristo recebido diretamente do mestre na estrada de Damasco.

“Que todos obedeçam às autoridades. Porque não existe nenhuma autoridade sem permissão de Deus e as que existem foram colocadas por Ele. Assim quem é contra as autoridades é contra o que Deus mandou e os que agem desse modo vão trazer a condenação para si mesmos. Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes e não os que fazem o bem. Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom e elas o elogiarão. Porque elas estão a serviço de Deus para o bem de vocês. Mas se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades de fato têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo Dele sobre os que fazem o mal. Assim, você deve obedecer às autoridades, não somente por causa do castigo de Deus, mas também por uma questão de consciência” (Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 13, versículos 1 a 25).

Fazer o “mal” é revoltar-se, julgar, criticar, acusar. Fazer o “bem” é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Quem faz o “bem” jamais sofre com o que está acontecendo, porque está ligado ao Supremo e nada afeta esta ligação. Além disto, sofrendo e acusando, você está simplesmente demonstrando na cara o jejum que está fazendo, como já vimos.

É por causa da ousadia de ensinar o amor a Deus além do prazer e satisfação gerados pela subordinação aos padrões humanos que a maioria das coisas que eu falo choca as pessoas. No entanto, isto só ocorre com aqueles que estão acomodados e não querem ousar. Aqueles que não querem fazer a reforma íntima ou que apenas fingem estarem procurando Deus imaginando que com isto possam trapacear com o Pai e conseguir satisfazer-se materialmente.

Não esqueçam aqueles que se dizem buscadores de Deus, mas que não querem ousar largar as suas cordas que Cristo ensinou: de Deus ninguém esconde as suas intenções. Que o Espírito da Verdade ensinou: “Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos? Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular” (Livro dos Espíritos – pergunta 457). Se os espíritos podem conhecer, imaginem Deus!

Portanto, quem não ousa largar sua corda, sua segurança material, no íntimo (intenção), ou seja, submete a sua evolução espiritual aos padrões materiais de felicidade, não consegue iludir a Deus. Pode conseguir iludir a ele mesmo, ao mundo, à sociedade, mas não ilude a Deus.

Este quando sair da carne acusará a Deus, à sociedade e a quem serviu como guia espiritual da sua reforma íntima de não ter ensinado a Verdade que poderia lhe salvar. Já pensaram nisto, senhores guias espirituais da humanidade?

Por isto, comecem vocês também a ousar. Ensinem o ser humano a confiar a subsistência não só ao seu trabalho ou terra, mas a ter fé em Deus que o proverá dentro de sua necessidade, ao invés de conclamar a discórdia incitando-os a rebelarem-se contra a Realidade.

No trabalho do Espiritualismo Ecumênico Universal existe uma característica importante: não dá para brincar de elevação espiritual. Quem nos ouve não pode fingir que está buscando a Deus, porque senão se rebelará contra nós.

Isto porque ousamos sempre desafiar as verdades constituídas para transmitir a Realidade universal sobre os assuntos. Quem está apenas buscando servir-se de Deus, com certeza se choca com nossa ousadia e, para manter-se dentro de seus padrões, nos abandona.

Ousamos, por exemplo, dizer que o aborto não é um assassinato, mas uma ação carmatica. Esta é uma ousadia porque fere todos os padrões estipulados até hoje pela humanidade, inclusive pelos religiosos, ou seja, aqueles que dizem que estão procurando a Deus.

No entanto, se estudamos a Lei do Carma em toda sua profundidade, compreenderemos perfeitamente a sua ação.

“258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele próprio escolhe o gênero de provas porque há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio”.

“851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado”.

“859a. Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram? Há, mas que tu viste e pressentiste quando, no estado de Espírito, fizeste a tua escolha”.

“853a. Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos? Não, não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Quando, porém soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas. Deus sabe de antemão de que gênero será a morte do homem e muitas vezes o seu Espírito também o sabe, por lhe ter sido revelado, quando escolheu tal ou qual existência.” (O grifo é nosso)

Estas citações foram retiradas de O Livro dos Espíritos..

Ninguém morre antes da hora e disto vocês têm milhares de exemplos: o feto “morre’ no momento que tem que morrer. Deus sabe de antemão o gênero da morte de um homem: Deus sabia que aquele ”homem” morreria do gênero aborto.

Isto tudo porque foi pedido pelo espírito antes da encarnação e nisto se consiste o seu livre arbítrio. Portanto, depois que o exerce, o espírito não pode esquivar-se de viver o momento que ele mesmo programou: ser abortado.

Aí está a verdadeira aplicação da Lei do Carma para o aborto e por crer no ensinamento dos mestres ousamos dizer que esta ação não é um assassinato. No entanto, aqueles que se subordinam aos padrões humanos, mesmo que sejam espíritas ainda condenam os instrumentos (mães) das ações carmaticas pedidas pelos espíritos antes da encarnação e chanceladas por Deus.

Os espíritas conhecem a Lei do Carma, mas aplicam-na para algumas coisas apenas: o que está dentro do padrão humano (verdade) de “bom”. Com isto deixam de dar a esta lei uma de suas maiores características: a universalidade.

Tudo que provêm de Deus é eterno e universal, ou seja, jamais deixou de ser Realidade e serve para todos os elementos do universo. Desta forma a lei do carma serve em todas as circunstâncias, mesmo que estas afetem o desejo humano do espírito encarnado de permanecer “vivo”.

Para se promover a reforma íntima não se pode aplicar os ensinamentos apenas para aquilo que queremos, mas ele também deve alcançar aquilo que não queríamos, que não gostaríamos que ocorresse. Agir assim é subordinar a Lei do Carma que é divina à vontade humana que é transitória e não almeja a integração com Deus.

“Sob a influência das idéias carnais, o homem na Terra só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causa os passageiros sofrimentos terrenos” (O Livro dos Espíritos – comentários de Allan Kardec estampados junto à pergunta 266).

Por conhecermos a felicidade inalterável e eterna é que continuamos ousando combater os padrões pré-estabelecidos, seja pela sociedade ou pelas religiões.

Ousamos dizer que o casamento não é indissolúvel, mas é uma ação carmatica e enquanto for preciso para a ação carmatica será mantido, mas quando isto não mais for necessário como prova para o espírito o rompimento ocorrerá naturalmente, sem que nenhum dos cônjuges possa fazer algo para salvá-lo.

Ousamos falar com os vínculos familiares. Dizemos que “seu filho” nada tem de seu, mas que é um espírito autônomo vivendo provas pedidas por ele mesmo.

Ousamos dizer que mãe não ama filho, mas possui. Pelo apego que os padrões sociais conferem àquela que vivencia o “papel” de mãe o amor universal se torna impossível. A mãe quer ser dona, quer mandar e comandar na existência do espírito autônomo.

Quer livrá-lo dos seus traumas e das suas decepções através de um ilusório comando da vida do filho transformando-a naquilo que ela gostaria que tivesse acontecido com ela. Mesmo aquelas que possuem o conhecimento religioso e sabem que todo espírito é filho de Deus, querem comandar a existência do “filho” imaginando que podem desfazer o que o Pai faz.

Veja bem, ao afirmar que uma mãe não ama o filho, mas o possui, não estamos ofendendo as mães, mas ousando acordar as pessoas para a Realidade: não existe seu filho, mas sim de Deus.

Os “filhos” são espíritos autônomos que, como já vimos viverão um destino traçado por eles antes da encarnação e que é “a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado” enquanto espíritos que são.

É preciso ousar porque somente com ousadia é que se vive à Realidade e sem vivenciá-la não se chega a Deus. Portanto, só quem ousa ir além dos padrões pré-estabelecidos de vivência alcança o Pai, ou seja, promove a sua reforma íntima e alcança a elevação espiritual.

Sem ousar, ou seja, seguindo o caminho normal da humanidade, mantendo os padrões da humanidade, mantendo a lei da humanidade, o espírito encarnado não vai a lugar nenhum, não alcança nada. Por que? Por que se o espírito encarnado mantiver os padrões humanos não chega a lugar nenhum?

Porque não vive a Realidade, a Verdade universal. Estamos embasando todos os nossos comentários com citações para provar que a visão que estamos falando coincide com aquilo que foi ensinado para lhe dizer uma coisa: estamos falando a Verdade.

Não a verdade humana, aquela que leva a realidade humana (sua ciência das coisas) como real, mas aquela que fugindo a estes padrões se escora naquilo que é incompreensível para a humanidade: a Realidade espiritual.

Conhece a Verdade, e a Verdade vos salvará. Este é o ensinamento de Cristo, mas onde encontrar a Verdade?

Se nos guiarmos pelos padrões humanos jamais poderemos chegar à Verdade, pois tudo naquilo que os homens crêem são verdades temporárias (alteram-se com o passar dos anos) e individuais (só servem para determinados povos ou raças).

Quantas verdades já foram alteradas pela sociedade desde quando você nasceu? Se isto ocorreu, elas nunca haviam sido reais e, pela lógica, as de agora também se alterarão futuramente. Só esta rápida análise nos é suficiente para perceber que a verdade humana não é eterna.

Mas e quanto à universalidade, será que as verdades do planeta são universais? Claro que não. Em um lugar as pessoas possuem algumas verdades comportamentais que não são, necessariamente seguidas pelos outros. Aliás, são sempre contestadas, pois todo mundo se acha dono da verdade.

Portanto a Verdade absoluta (eterna e universal) não se encontra na Terra, mas sim fora, no mundo de Deus, no espiritual. Quem poderia então ensiná-la? Apenas aqueles que vivessem para a eternidade universal sem aprisionamento a efemeridade dos valores materiais, ou seja, os mestres enviados por Deus.

Portanto, se apenas a Verdade trazida pelos mestres pode lhe servir como base para promover a reforma íntima, como se chega a Deus? Qual o caminho para Deus?

“Eu sou o Caminho, a Verdade, a Luz. Ninguém chega a Deus a não ser através de mim”.

Já ouviram esta frase? Quem é este eu da frase? O Cristo. E quem foi o Cristo? Aquele que ousou enfrentar o mundo, que ousou vencer o mundo.

A “vida” de Cristo foi o maior exemplo de existir materialmente em união com Deus. No entanto ela começou numa choupana e não num palácio. Aquele que viveu o maior símbolo de poder, a fé, usava sandália de pescador ou andava descalço mesmo.

Apesar de todo o seu poder dormia não em palácios suntuosos, mas no meio do campo; não se alimentava em faustos banquetes, como as regras humanas levam os atuais “professores da lei” a fazer, com as prostitutas e os cobradores de impostos. Ousou não chamar para si glória de tudo que realizava, mas sempre dizia às pessoas que foi Deus e a fé deles que os salvaram.

Apesar de conhecer e manipular todos os elementos da matéria como se constata na passagem onde anda sobre as águas, ousou se entregar, sem reação, a um exército de três ou quatro legionários armados apenas com espadas e lanças.

E ainda disse para Pedro quando este tentou defendê-lo: “Guarde a sua espada, pois quem usa a espada será morto pela espada. Por acaso você pensa que, se eu pedisse ajuda ao meu Pai, ele não me mandaria logo doze exércitos de anjos? Mas, neste caso, como poderia se cumprir o que as Escrituras Sagradas dizem que é preciso acontecer?” (Evangelho de Mateus, capítulo 26, versículos 52 a 54).

Cristo ousou reagir a tudo o que aconteceu na sua existência carnal de uma forma diferente do que qualquer ser humano reagiria. E como ele é o caminho para se chegar a Deus, podemos entender que é preciso ousar para chegar a Deus. O caminho para chegar a Deus é a ousadia de viver a vida carnal fora dos padrões pré-determinados pela humanidade.

Qual foi o resultado da ousadia de Cristo? Vencer o mundo. Portanto, a sua reforma íntima deve ser vivenciada com a ousadia de vencer os padrões, a obrigatoriedade de reagir de uma determinada forma aos acontecimentos. A elevação espiritual se alcança com a ousadia de lutar contra as verdades que o mundo lhe impõe.

Quando ousando eu falo que não pode ter família, você pensa: “ah, mas se eu não ligar para o meu filho, a vizinha vai dizer que eu não presto como mãe”. Isto é subserviência ao mundo material.

Para se viver as posturas que levam à elevação espiritual é preciso ousar estar acima da crítica, mas também acima do destino do filho. Ou seja, ousar manter-se em equilíbrio frente às pressões externas e internas para que se submeta aos padrões humanos.

Ouse ser como a mãe passarinho: “você já sabe comer sozinho, então, suma…” Liberte-se da ilusória responsabilidade que imagina ter sobre o destino do seu filho e não fique a vida inteira perseguindo-o como um obsessor.

Cristo não teve filho, mas se tivesse jamais interromperia as atividades do filho para poder saber como ele está como Maria fez, não? Deixaria ele viver a sua vida, vivenciar o seu destino, sem estar constantemente perseguindo-o para “cuidar” dele.

É preciso ousar ir além dos padrões pré-estabelecidos sem esperar saber no que sua ousadia resultará. Ousar é arriscar a tentar colocar os ensinamentos em prática, sem medo do que pode resultar desta nova forma de ação.

Nós estudamos a reforma íntima há cinco anos. Muitos já nos ouviram e tiveram contato com nossos ensinamentos. Quando isto ocorrem, elas afirmam: “velho, o que você fala tem lógica. Eu acredito. Mas como será o mundo se colocar em prática tudo isso que está sendo ensinado?”.

Eu não sei: ouse para saber. Eu não posso lhe criar uma consciência do que acontecerá com você depois que promover a reforma íntima, pois se assim o fizesse estaria quebrando o ingrediente necessário para a promoção da elevação espiritual: o salto no escuro com fé.

Se você quer se entregar, mas para isto precisa saber o final da história para analisar se será satisfatório ou não, não houve ousadia nenhuma, não houve o exercício da fé.

Ontem me disseram: “ah, mas se colocarmos tudo isto em prática, não vamos ter o que falar, não teremos mais nada que comentar”. Não sei.

Não sei se você ao conseguir a reforma íntima vai se emudecer ou se não terá mais assuntos para conversar com os outros. Ouse colocar na prática para saber se vão ficar sem assunto.

Talvez tenha assunto para conversar com os outros: não posso garantir. Mas se tiver eu garanto que ele será diferente do hoje. Isto ocorrerá porque as suas conversas surgirão como fruto da sua ousadia em não mais julgar, criticar, observar o próximo.

Enquanto não houver a ousadia de viver de uma forma diferente os assuntos terão que ser sempre os mesmos, pois você só sabe viver com o padrão que a sociedade exige que você viva: os homens conversarão sobre futebol e sexo; as mulheres conversarão sobre casa, filho e moda. Isto é ponto pacífico porque não ousando ir além do normal você só comenta o que o padrão da sociedade quer que comente.

Quando dois homens se encontram, a primeira pergunta é: “você viu o jogo de ontem?”. Ele nem sabe se o outro gosta de futebol ou não, mas como é um homem que está à sua frente sente-se obrigado a falar de “assunto de homem”.

O homem, na visão humana, não pode fugir do padrão pré-estabelecido. Se comentasse sobre roupas, criação de filhos ou limpeza de casa, mesmo que quisesse porque senão o outro poderia achar que ele era efeminado, pois é isto que diz a regra da sociedade.

“Se eu ousar falar sobre o que gosto ou quero, vão achar que eu gosto de homem, então eu prefiro não ousar”. Sofre mantendo um diálogo que não lhe interessa, mas não ousa assumir-se com medo da reprovação da humanidade.

Quantas coisas podem ser resolvidas com uma ousadia, quanto sofrimento pode deixar de existir simplesmente porque você ousa contrariar a lógica humana sem prender-se aos padrões humanos…

Quem conhece o nosso trabalho, os nossos ensinamentos sabe que ousamos sempre. Ensinamos que cada um pode acordar na hora que quer sem se preocupar com o que os outros acham disto e comer na hora em que tem fome realmente, sem se preocupar com o horário da refeição ou o que os outros vão falar de você estar almoçando as cinco horas da tarde.

Muitos dizem que pregamos o anarquismo, a bagunça. Mas se a gente não ousar ir além do certinho, adormece na cadeira porque ainda está com sono e tem problemas estomacais porque comeu antes de haver necessidade. Portanto, não é bagunça que pregamos, mas a vivência com as leis da natureza e não a subordinação aos padrões humanos que querem determinar o que é “certo” de ser feito.

Foi isso que tentei falar neste ciclo de palestras sobre a reforma intima, quando estudamos a Oração de São Francisco, a Hipocrisia, e o Natal. Ousei trazer verdades diferentes das humanas sobre assuntos extremamente conhecidos: caridade, vida santa, o nascimento de Jesus.

O que fazemos em cada palestra é ousar ir além das verdades humanas em cima de um tema, Ousar ultrapassar a visão convencional que satisfaz ao espírito humanizado.

Fazemos isto porque temos como lema ensinar o que é a vida espiritual na carne. Para tanto, temos que ir além da visão humana, pois cada um de vocês são “professores da lei” dentro da visão que passei quando do debate deste tema.

NOTA: Professor da lei – Aquele que sabe o que é “certo” (a sua lei) e quer impô-las aos outros.

Vocês estão acomodados nos padrões materiais e por isto constroem apenas uma realidade em cima dela. No entanto, a Realidade é sempre diferente daquilo que o ser humanizado acredita.

Vou dar um exemplo: uma moça é casada com um rapaz que é acomodado, desligado e preguiçoso e ela é certinha, perfeita, tudo no lugar, tudo na hora certa. Eles moram em uma casa que está situada num terreno muito grande.

Este terreno é totalmente plantado com grama, a qual não é cortada pelo rapaz. Ela, ligada aos padrões humanos (a grama precisa ser aparada) brigava constantemente com ele para cortar, ou seja, para que a sua lei fosse cumprida.

Claro que esta moça não estava vivendo este casamento com aquele determinado homem à toa. Existia ali uma ação carmatica, ou seja, cada espírito escolheu viver com o outro como prova para sua encarnação.

Assistindo às nossas palestras ela foi compreendendo a ação carmatica, ou seja, que ela pediu para viver com o marido do jeito que ele era para desenvolver o amor universal. Compreendeu que brigar não adiantava, pois isto não o levaria a cortar a grama e que somente amá-lo do jeito que ele era poderia auxiliá-la na evolução espiritual.

Por isto parou de brigar, mas não ousou se libertar dos padrões pré-estabelecidos que ela tinha. Imaginou que não brigando, ou seja, amando-o incondicionalmente Deus ia emanar para que ele cortasse a grama. No entanto, como já vimos Deus não se subordina aos padrões humanos e por isto ele continuou não a aparando.

Então ela veio conversar comigo e afirmou que o ensinamento não dava “certo”, pois havia parado de brigar e o marido continuava não cortando. Eu lhe perguntei, então: “qual o problema de grama estar alta?”.

Ela respondeu: “Mas quem pode viver com grama daquele tamanho?”. Eu lhe respondi: “você, ou você está morta? Você não está vivendo com a grama daquele tamanho?”.

Ela respondeu: “estou vivendo”. “Então”, eu disse, “é assim que se vive: da forma que você está vivendo. Antes você vivia com brigas hoje em paz. Estas são as duas formas que pode se viver com a grama alta. Escolha a que você prefere”.

Veja, ela não deixou de sofrer porque parou de brigar, mas continuou se sentido mal do mesmo jeito que antes. Ou seja, ela não ousou em momento algum ao buscar colocar em prática o ensinamento: seja feliz com o mundo do jeito que ele está.

Apesar de conhecer o ensinamento e entendê-lo ela não ousou ir contra o mundo, pensar em aprender a viver com a grama grande, mas colocou-o em prática visando satisfazer à sua materialidade: a satisfação de ver o seu desejo atendido. Ela pôs em prática o ensinamento não objetivando a elevação espiritual, mas achando que com isso resolveria o problema dela: a grama seria cortada.

Se não ousar, não se alcança a elevação espiritual porque a promoção da reforma íntima não é garantia de realização de desejos. “Eu vou promover a reforma íntima, e a partir daí só vai acontecer coisa boa para mim”.

Quem se entrega na busca espiritual com este pensamento não promove nada, pois se elevar é estar acima do “bom” e do “ruim” ditados pelos padrões humanos. É preciso ousar permanecer equânime em todos os momentos: naquele que se gosta e nos que não se gosta do que está acontecendo.

Quem não ousa ir contra o mundo não se eleva. Não ousar ter paciência com quem lhe tira paciência, não ousar buscar a cura sem procurar o médico, não ousar dar amor para quem lhe agrediu, não ousar perdoar aquele que para você é culpado, não leva nenhum espírito a elevar-se.

Falamos na palestra anterior que o natal não é época de árvores enfeitadas, de troca de presentes, de bebedeiras, mas será que você conseguirá ousar no próximo natal e não fazer nada disto? Será que conseguirá ir além da e da fartura de comida e se lembrar do nascimento do Cristo?

Só se você ousar ir além da humanidade, porque ela lhe cobrará que você vivencie o próximo natal dentro dos padrões humanos, principalmente a sua família. “Você só vai ficar rezando, e não vai me dar presentes?”. “Você não vai colocar uma árvore de natal na sua casa? Nós estamos no Natal!”.

Buscar a reforma íntima é, principalmente, ousar não seguir os padrões da Terra, mas ligar-se ao mundo maior, à Realidade: Deus e o mundo espiritual. Mas para isto é preciso ousar ser alvo de críticas e de ser apontado como diferente pelo resto da humanidade sem perder a sua paz e harmonia.

Acho que o que começou como “brincadeirinha” de reforma íntima para você, a partir de agora está se tornando mais sério, não?

Com certeza a sua busca pela reforma íntima já se iniciou há muito tempo atrás quando começou a freqüentar uma igreja, um centro espírita ou de Umbanda ou indo a um templo do evangélico. No entanto, com certeza até agora este trabalho foi realizado pelo prazer de ouvir o que o padre ou o que o pastor falavam, pelo prazer de trabalhar mediunicamente ajudando os outros, pelo prazer de dar uma cesta básica ou uma refeição ao necessitado.

Agora, depois de ler estas linhas, com certeza ela transformou-se em muito mais que isto. Transformou-se em algo muito mais sério: uma batalha contra você mesmo.

Mas a evolução espiritual sempre foi isto, mesmo que você não a visse desta forma. Elevar-se sempre foi vencer a si mesmo (suas vontades e desejos) para entregar-se completamente em Deus.

Agora, tudo que ensinei como elevação espiritual não é a realização da reforma íntima, mas simplesmente caminho. Isto porque a realização espiritual do ser encarnado é o amar a Deus acima de todas as coisas, inclusive destes ensinamentos.

É preciso isso amar a Deus acima do prazer de dar o prato de comida, amar a Deus acima da vontade de ir ao centro. Ousar ir além de tudo o que conhece, sem manter padrão algum, pois enquanto houver um padrão, há uma escravidão. Uma escravidão que você nem vê, porque acha que está fazendo porque quer.

A liberdade daquele que realiza a elevação espiritual tem que ser total. Preste atenção nesta frase: “o pobrema é que ele tem menas qualidade”. Achou algum erro nela?

Se achou, desculpe, mas não entendeu nada do que falei até aqui: liberdade total. Você imagina que está apenas criticando um erro de português, mas, na verdade, está sendo escravo da gramática.

Nem adianta dizer que você gosta do português bem escrito, porque não está fazendo porque você gosta. Este seu “gosta” só surgiu porque você é escravo da gramática. Se não fosse, não veria erro, porque isto não existe.

A elevação espiritual é o fim da escravidão a todos os padrões do mundo. É não ter gramática, não ter combinação de cores, não ter obrigação de ter isso, aquilo ou aquilo outro.

Como o apóstolo Paulo nos ensina: Cristo veio nos trazer a verdadeira liberdade. No entanto, só tendo a ousadia que o mestre teve poderá se libertar da escravidão aos padrões do mundo.

Você se lembra dos escravos que existiam nesse planeta? Quando chegavam a uma certa idade eles eram libertados? Não. Eles eram escravos até a morte.

No entanto, alguns conseguiam libertar-se antes da morte. Quem eram estes? Os que ousavam ir contra a escravidão, mesmo com o risco da própria vida, ou seja, da sua própria satisfação.

O ser humanizado é um “escravo do mundo” em que vive e, por isso, precisa ousar ir contra os sistemas estabelecidos, mesmo que isso lhe custe a própria vida (aquilo que desejava materialmente para si).

É melhor você arrancar o seu olho que pode pecar, jogá-lo fora e entrar no reino dos céus sem o olho do que ir para o inferno com o corpo inteiro. Estas foram palavras de Cristo e, portanto, caminho que leva a Deus.

Daí pode se entender que, é melhor você sair da carne, se preciso for, amanhã e ir para o céu do que não ousar e permanecer no inferno, ou seja, esta vida que você vive, por muito mais tempo.

Sei que vocês vieram aqui hoje para uma “confraternização de Natal” mas, será que vocês esperavam que eu fosse cantar “Jingle Bell”, que fosse contar sobre a estrela que brilhou no céu em Belém…

Não posso. Sabe porquê? Porque aquele que quer auxiliar o próximo precisa urgentemente deixar de ser conivente com a humanidade do outro.

Até agora eu estava falando com vocês como espíritos no processo de provação para elevação espiritual. Agora vou falar com a maioria de vocês que está aqui presente e que tem um trabalho espiritual a realizar, que está buscando auxiliar alguém.

É preciso deixar de ser conivente com os outros. Sabe o que é deixar de ser conivente com os outros? É só dar um prato de comida para quem tem fome: isto é ser conivente com a humanidade.

“Mas, velho, estou matando a fome de quem precisa. Isto não é ajudar o próximo?”. Ta certo, você está matando a fome de quem precisa, e imagina que é só isso que precisa ser feito.

Então, vamos chamar Cristo de volta à nossa presença e dizer que ele cumpriu de forma “errada” a missão dele. Dizer para ele que precisa voltar para a Terra e abrir um restaurante para dar comida de graça para os outros: aí estaria servindo-os, não é mesmo?

Não se esqueça que antes de tudo Cristo ensinou: “as Escrituras Sagradas afirmam que o ser humano não vive só de pão, mas vive de tudo o que Deus diz”. Portanto, há algo mais a se levar do que simplesmente o alimento material: a palavra de Deus.

O espírito, encarnado ou não, vive da palavra de Deus, mas você, que sabe que acha mais do que o próprio mestre, só dá o prato de comida. A palavra de Deus você não leva.

Aí está a sua conivência que eu falei anteriormente. Você dá a comida para sustentar a humanidade do ser e, por isto, se torna conivente com ela, porque o faz acreditar que o homem vive só do pão. Para se servir a Deus é preciso mais do que levar o pão, mas também a Palavra.

“Meu filho, Deus dá a cada um segundo as suas obras. O que você está passando é resultado de uma obra anterior sua. Pare de mostrar que você é um sofredor, um pobre coitado. Lave essa cara. Viva feliz, mesmo não tendo o que comer”.

Esta é palavra de Deus: o amor ao Pai acima da própria pobreza. Se quiser, pode dar o prato de comida, mas nunca deixe de dar também a Palavra, o ensinamento de que, não importa aquilo porque passeamos, será sempre Deus nos dando a justa medida que precisamos e merecemos.

É isso que estou dizendo para aqueles que estão trabalhando no sentindo de auxiliar o próximo na sua caminhada. É preciso ousar ir além do prato de comida e levar também a Palavra de Deus.

Darei um outro exemplo que é muito comum entre os trabalhadores da seara bendita. Vamos falar dos trabalhos mediúnicos de desobsessão que são realizados nas casas espíritas.

Antes me deixe fazer uma pergunta: Você acredita que um obsessor pode influenciar na vida do outro, ou seja, pode “atrapalhar” a vida do próximo sem que para isto tenha motivos? Pode “prejudicar” um encarnado apenas porque “não gosta” dele?

Achando que sim você acredita que ele é mais forte que Deus. Veja bem, Deus deu o livre-arbítrio a todos os espíritos, mas o obsessor mata este livre-arbítrio sobrepujando a sua vontade à do obsediado conduzindo a vida dele sem que este queira.

Claro que o obsessor não pode fazer o que ele quer livremente. Ele precisa se subordinar às leis universais para que uma “injustiça” não seja cometida, ou seja, só será alvo de uma obsessão aquele que estiver no mesmo padrão vibratório do obsessor.

Sendo assim, o espírito obsessor não está ali porque quer, mas porque o outro aceitou a obsessão, ou seja, uniu-se a ele pela mesma intenção. Por isto o Espírito da Verdade nos ensinou:

“515 – Que se há de pensar dessas pessoas que se ligam a certos indivíduos para levá-los à perdição, ou para guiá-los pelo bom caminho? Efetivamente, certas pessoas exercem sobre outras uma espécie de fascinação que parece irresistível. Quando isso se dá no sentido do mal, são maus Espíritos, de que outros Espíritos também maus se servem para subjugá-las. Deus permite que tal coisa ocorra para vos experimentar” (O Livro dos Espíritos) (o grifo é nosso).

Deste ensinamento podemos entender claramente a realidade: não existe obsessão, mas união de dois espíritos afins. Ela, porém, só ocorre quando Deus permite que tal coisa aconteça e com a finalidade de experimentar os envolvidos.

Portanto, não existe obsessão como a humanidade acredita: um espírito “mal” fazendo coisas “ruins” com um outro, pobrezinho que é “vítima” da situação. Os dois são “culpados” e precisam estar juntos para poderem aprender a amar a Deus sobre todas as coisas.

Agora, o que ocorre hoje nos centros espíritas? O encarnado é levado para uma sala. Lá o obsessor é convidado a permanecer para ouvir um “sermão” enquanto que a “vítima” vai embora sem nada ouvir.

O que acontece? O obsessor pode até ser salvo, mas o encarnado não alterará o seu padrão vibratório. Aí se livra deste obsessor, mas logo Deus coloca outro, pois este ainda não aprendeu a se universalizar. Por isto Cristo ensinou:

“Quando um espírito mau sai de alguém, anda por lugares sem água, procurando onde descansar. Se não encontra nenhum lugar, ele diz:’vou voltar para a minha casa, de onde sai.’ Então, volta e encontra a casa vazia, limpa e arrumada. Depois sai e vai buscar outros sete espíritos piores ainda e todos vão morar ali. E assim a situação daquela pessoa fica pior do que antes” (Evangelho de Mateus, capítulo 12, versículo 43 a 46).

Esta desobsessão como hoje praticada, que protege o ser humano partindo do pressuposto de que ele é vítima, só serve para o desencarnado, mas não auxilia o ser humano. É preciso que o encarnado compreenda os motivos pelo qual a obsessão se iniciou para poder se desarrumar a casa para que ela não sirva mais de abrigo para os obsessores.

Mas, para isto é preciso ousar. É preciso ira além da normalidade (o espírito fora da carne é mal e o ser humano vítima deste). Ao invés de só “brigar” com o obsessor é necessário que o doutrinador do centro espírita também converse com o encarnado: “ouça o que este espírito está dizendo de você, porque é isto o que o está prendendo. O culpado dos seus problemas não é o obsessor, mas você que merece ter esse obsessor, porque você é do jeito que ele está falando”.

Isto é não ser conivente com a humanidade do espírito encarnado. Sabe qual o resultado da conivência que os religiosos têm hoje com a humanidade do espírito? Sete vezes mais obsessões.

Sem levar a Palavra ao encarnado, os que se imaginam trabalhadores de Deus estão proliferando o merecimento humano de haver a obsessão. Hoje retiram um obsessor, da próxima vez terão que trabalhar para libertar mais sete.

Por que isto ocorre? Porque foram coniventes com a humanidade do ser, ou seja, não disseram para o obsediado que o “culpado” da obsessão não era o obsessor, mas ele mesmo.

É preciso ousar. Os centros espíritas deviam mostrar ao obsediado que o obsessor está ali por causa dele. O obsessor não é “mal” nem está “errado”: ele está aqui por o obsediado lhe deu motivos para tanto.

Na verdade, nem um nem o outro está fazendo “obsessão” entre si. O que ocorre, na realidade são duas auto-obsessões: os dois se obsediam e acham que um está obsediando o outro.

A obsessão é uma das engrenagens do carma. O obsessor está ali para ver se aprende o que acontece quando se prende apenas no que ele gosta e o obsediado está com o obsessor para ver se ele aprende que a evolução espiritual só depende dele.

É como num casamento. Existe obsessão maior para um espírito do que os vínculos familiares como hoje é praticado no planeta? Casamento, filho, sogra, tudo é obsessão, porque são relações baseadas em obrigações impostas. Qualquer casamento onde os cônjuges tenham obrigações a cumprir (satisfazer a vontade do outro) é obsessão.

“Eu bebo porque o obsessor me faz beber”: isto é ilusão. Na verdade, este ser humano tem um obsessor que participa desta ação com ele porque a sua vontade é beber.

“Meu guia mandou eu fazer uma ‘macumba’, pois preciso dar uma cerveja para a entidade para receber o que quero”. Isso também é obsessão, porque “macumba” (oferecimento de coisas materiais a espíritos desencarnados) não resolve vida de ninguém.

Se você não tiver o merecimento para receber aquilo que deseja, pode fazer quantos “despachos” quiser na “encruzilhada” que não resolverá a sua vida. O que vai resolver a sua vida é a reforma íntima e não a “macumba”.

“Vou acabar com aquele outro, vou costurar seu nome na boca do sapo”. De nada adianta isso, porque Deus dá a cada um segundo as suas obras e não porque você não gosta dele.

“551. Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo? Não; Deus não o permitiria” (O Livro dos Espíritos).

Ninguém pode se libertar de uma determinada pessoa se isto não estiver previsto para a sua encarnação. Todos são instrumentos para a ação carmatica do próximo e por isto, se alguém lhe incomoda, o que é pode lhe afastar daquela relação é aprender a amar a Deus e a todos, ou seja, promover a reforma íntima.

Portanto, a única coisa que pode resolver para você, ou seja, que pode lhe levar a viver uma vida com paz, felicidade e harmonia é a elevação espiritual que é alcançada com a reforma íntima.

Por que abordei este ponto hoje? Porque a promessa de um “futuro feliz” sem o trabalho da modificação interna de cada um é um ato de conivência que muitos que se dizem missionários do Senhor praticam.

E sabe porque as Igrejas, os templos e os centros são coniventes? Porque procuram fiéis, seguidores, “casa cheia”. Eles precisam agradar o lado humano dos espíritos.

Se você for a um centro porque sente que está obsediado e lá eles lhe disserem que você precisa mudar-se, que você precisa reformar-se ao invés de simplesmente prometerem o céu sem esforço algum, lá você não volta mais. Diz que aquele centro não presta, porque é “muito fraquinho” e vai buscar outro.

Ninguém quer ousar ver a sua própria culpa. Ninguém quer ousar chamar para si a responsabilidade sobre a sua vida. Apesar disto, aqueles que se colocam à disposição de Deus como lamparinas devem ousar levar a palavra de Deus, ao invés de simplesmente tentarem satisfazer os desejos humanos dos espíritos encarnados.

Para aqueles que trabalham em centros espíritas, o trabalho de desobsessão deve abranger a responsabilidade do encarnado neste processo; para os que lidam com a umbanda, o fim das promessas de bem estar material gratuitos (“faça isto que eu lhe dou aquilo”), deve ser abolido.

Afinal, não existe ninguém superior a Deus e Ele dá a cada um segundo a sua obra. É Ele que dá ao espírito tudo o que precisa, mas para a execução de suas provas e não para a prosperidade material.

“533. Podem os Espíritos fazer que obtenham riquezas os que lhes pedem que assim aconteça? Algumas vezes, como prova. Quase sempre, porém, recusam, como se recusa à criança a satisfação de um pedido inconsiderado”.

“532. Têm os Espíritos o poder de afastar de certas pessoas os males e de favorecê-los com a prosperidade? De todo não; porquanto há males que estão nos decretos da Previdência. Amenizam-vos, porém, as dores, dando-vos paciência e resignação. Ficai igualmente sabendo que de vós depende muitas vezes poupar-vos aos males, ou, quando menos, atenuá-los. A inteligência, Deus vo-la outorgou para que dela vos sirvais e é principalmente por meio da vossa inteligência que os Espíritos vos auxiliam, sugerindo-vos idéias propícias ao vosso bem. Mas, não assistem senão os que sabem assistir-se a si mesmo. Esse é o sentido destas palavras: buscai e achareis; batei e se vos abrirá. Sabei ainda que nem sempre é um mal o que vos parece sê-lo. Freqüentemente, do que considerais um mal sairá um bem muito maior. Quase nunca compreendeis isso, porque só atentais no momento presente ou na vossa própria pessoa” (Citações retiradas de O Livro dos Espíritos).

Aí está a palavra de Deus que deve ser levada àqueles que batem às portas das casas de oração à procura da satisfação de seus desejos. Mas, para isto é preciso ousar agradar a Deus e não aos seres humanos.

Sabe por que? Porque a responsabilidade sobre a vida é somente do espírito encarnado e de mais ninguém. Nenhuma outra pessoa é responsável pelo que acontece na vida de um espírito encarnado. Só ele mesmo.

Quando o trabalhador de Deus joga a culpa em qualquer outro pela situação que o fiel está passando, está sendo conivente a com a sua materialidade e, por isto, não está servindo a Deus. é preciso realmente ousar em tudo.

Estamos chegando ao fim de nossa conversa, mas antes eu gostaria ainda de tocar em mais um assunto. Apesar de muitos conhecerem os ensinamentos aqui citados, por que eles ainda continuam escravos dos padrões mundanos?

Por exemplo: por que você acha que tem que pagar a quem deve? Porque sente responsabilidade com a vida material, com a comunidade em que vive.

Só que quando você assume as responsabilidades com a vida material esquece um só detalhe: a responsabilidade que assumiu com Deus antes da encarnação.

Antes de encarnar você diz: “Senhor eu quero esta chance porque me acho capaz de buscar a elevação espiritual”. Aí, troca esta responsabilidade pela responsabilidade material. Submete a sua existência às responsabilidades materiais, mas se esquece do compromisso assumido anteriormente com Deus.

“Ah, eu tenho que pagar minhas dívidas”. Quem disse? Contrair dívida é uma ação carmatica para você e para quem está devendo. Quem passa por um processo de falência é porque escolheu, antes da encarnação, este gênero de prova para promover a sua reforma íntima e elevar-se.

Para que ele pudesse viver a sua prova é preciso um agente carmatico, ou seja, alguém que construa uma realidade que espelhe o gênero da prova escolhida. Portanto, ninguém deve a este homem, mas se transforma em instrumento de Deus para elevar àquele espírito a prova que ele mesmo solicitou.

Agora não esqueça: se isto é verdade é para os dois. Se alguém lhe deve o mesmo pensamento deve ser aplicado. Neste momento você deve ousar não cobrá-lo e viver o ensinamento dos mestres.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘olho por olho, dente por dente’. Eu, porém lhes digo: Não se vinguem dos que lhe fazem mal. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se processarem você para tomar a sua túnica, deixe que levem também a capa. Se um dos soldados estrangeiros forçá-los a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros. Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê; e empreste a que, lhe pedir emprestado” (Evangelho de Mateus, capítulo 5 – versículo 38 a 42).

Este é o motivo pelo qual você tem que ousar: para honrar o compromisso firmado com Deus antes da encarnação e que você simplesmente joga na lata de lixo em troca do seu compromisso com a sociedade onde vive.

“Ah eu não posso falar o que você falou sobre o natal porque senão meu filho vai brigar comigo”. Você deixa de honrar o seu compromisso com Deus para honrar o com o seu filho e acha isto muito certo porque imagina que precisa disto para assegurar a felicidade dele. .

Sei que você se sente obrigado a dar um presente para o seu filho no natal porque todos os seus amiguinhos receberão e ele se sentirá diferente dos demais. Mas honrar este compromisso com a sociedade sai muito caro para existência espiritual do seu filho.

Agindo assim você criará nele o hábito dele receber presentes para ser feliz, ou seja, o ensinará a condicionar a felicidade. Esquece-se, apenas, que quando um espírito condiciona a sua felicidade ao recebimento de algo rompe com Deus e desonra o seu compromisso espiritual: alcançar o amor incondicional, a felicidade incondicional.

Quem se sente obrigado a dar o presente ao filho não o está ajudando na elevação espiritual porque está criando nele a obrigação de um dia dar presente para o filho ao invés de aproveitar o portal do natal.

Agindo dentro desta cascata a humanidade permanece a mesma, o mundo continua o mesmo: Deus continuará preso no céu esquecido da humanidade. Será o que é hoje: uma coisa que você só se preocupa depois de morrer.

Só que depois da morte, não dá mais para alcançar a elevação espiritual e o compromisso assumido antes da encarnação foi desonrado.

Alem disto, Cristo já disse não se serve dois senhores ao mesmo tempo. Não adianta você contemporizar (“vou ficar bem com meu filho e com Deus ao mesmo tempo”): isto é impossível; ou você agrada a um ou agrada o outro.

Se eu pudesse pedir a Deus um presente para vocês neste natal, seria que Ele ajudasse cada um a ousar nesta vida, porque sem isto não se chega a Deus. Sem isto ficamos presos na mesma coisa a vida inteira, fingindo que está tudo bem.

Só que quando sai desta vida não dá mais para fingir. E aí eu lembro das palavras de Sariputta, um monge que servia ao Buda.

“Amigos, se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais inábeis tivesse uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero, sem febre – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar um boa destinação, então o Abençoado não ia advogar o abandono de qualidades mentais inábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais inábeis tem uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado e febril – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma destinação ruim, é por isso que o Abençoado advoga o abandono de qualidades mentais inábeis”.

“Se alguém que tenha e permaneça com qualidades mentais hábeis tivesse uma estadia desagradável no aqui e agora – ameaçado, desesperado, febril – e na desintegração do corpo, após a morte, pudesse esperar uma destinação ruim, então o Abençoado não iria advogar permanecer com qualidades mentais hábeis. Porém porque alguém que tem e permanece com qualidades mentais hábeis tem uma estadia agradável no aqui e agora – sem ameaças, sem desespero e sem febre – e na dissolução do corpo, após a morte, pode esperar uma boa destinação, é por isso que o Abençoado advoga permanecer com qualidades mentais hábeis” (Sutta Devadha – SN XXII.2).

Ao falarmos o que estamos comentando neste ciclo de palestras não queremos simplesmente ser diferente ou mostrar o quanto somos “grandes (no sentido de culto) espiritualmente falando, mas, pela experiência, temos certeza de quem ousar e vencer o próprio mundo conseguirá uma vida plena de felicidade e alegria e além disto terá uma boa colocação quando sair da carne.

Sabemos, ainda, que quem não ousar, ou seja, não colocar estes ensinamentos em prática, não tem uma “vida” plena de felicidade, mas presa a vicissitudes (à momentos de prazer e de dor) e quando sai da “vida” não tem uma existência numa boa colocação.

Outro dia me disseram que eu estava certo ao alertar para a necessidade de transformar a vida num trabalho exclusivo de reforma íntima. A pessoa foi mais além: por isto Deus criou a reencarnação, ou seja, como uma oportunidade de elevação espiritual.

O problema é que os espíritos encarnados acreditam que a elevação acontecerá apenas com o reencarnar, como se o simples fato de vir à carne fosse o suficiente para se elevarem. Isto é mentira.

O espírito só se eleva quando de posse da consciência material (encarnação), mas se nela realizar a reforma íntima. Não basta apenas encarnar: é preciso conquistar a mudança interior.

Aqueles que conhecem o processo de elevação espiritual, mas estão presos àquela idéia, não fazem nada durante a vida, não ousam nada contra os padrões humanos. Acreditam que simplesmente por mágica (nascer e morrer) se elevarão. Por isto estão encarnadoshá pelo menos sete mil anos e nada conseguem.

Deixe-me falar uma coisa. Os espíritas acreditam que foi o Espírito da Verdade que ensinou a reencarnação, mas ela é conhecida no oriente desde a antiguidade. Os chineses e os japoneses, principalmente, vivem dentro desta realidade a milênios com uma crença fervorosa na reencarnação.

No entanto, eles também caíram na ociosidade. Pela certeza que tinham de nova existência carnal, trocavam a vida por qualquer compromisso material. Veja o exemplo do haraquiri e dos kamikazes na segunda guerra mundial.

O que aconteceu? Deus deu a um o comunismo e ao outro duas bombas atômicas para que pudessem acordar e dar valor à vida material. Não pela materialidade em si, mas como uma oportunidade de elevação espiritual.

Se persistirem na ociosidade, o que será que Deus terá que dar aos espíritas para que eles aproveitem esta encarnação ao invés de trocar a oportunidade de elevação pelas responsabilidades materiais alegando a existência de novas oportunidades?

É preciso ousar reformar-se: não basta apenas reencarnar.

Foi pela ousadia que todos os mestres demonstraram a elevação espiritual. Estudem a vida de todos aqueles que alcançaram a “santidade”, o “despertar”. Eles ousaram ir além da vida carnal, além das responsabilidades materiais para servirem a Deus, amando-O acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Para aqueles que ousarem rebelarem contra o sistema, contra os padrões no mundo, uma nova época está por vir.

“Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar sumiu. E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e pronta, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo. Ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia:”

“Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais mortes, nem tristeza, nem choro nem dor. As coisas velhas já passaram”.

“Aquele que estava sentado no trono disse: agora faço nova todas as coisas!”.

“E também disse: escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança”.

“E continuou: tudo está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da vida. Quem conseguir a vitória receberá isto de mim: eu serei o seu Deus e ele será o meu filho. Mas os covardes, os traidores, os viciados, os assassinos, os imorais, os que praticam a feitiçaria, os que adoram ídolos e todos os mentirosos, o lugar deles é o lago de fogo e enxofre, que é a segunda morte”

Estes textos foram retirados do livro Apocalipse, capítulo 21, versículo 01 a 08.

A Nova Jerusalém ou a vida no Mundo de Regeneração só será vivida por aqueles que ousarem ir além dos padrões humanos e trouxerem o trono de Deus para as suas vidas. Afinal, Paulo já nos ensinou: “o ser humano é inimigo de Deus”.

É por isto que o Espiritualismo Ecumênico Universal em sua “Carta à Humanidade – Proclamação da Conversão” declarou:

“O inimigo, aquele contra quem nós devemos “guerrear”, ficou definido através dos ensinamentos: o próprio “ser humano”. Agora é a hora do exército de Nossa Senhora partir para a conversão dos “seres humanos”, transformando-os em espíritos.

Com esta conversão será alcançada a terceira profecia passada por Nossa Senhora em Fátima: O FIM DA RAÇA HUMANA. O novo tempo será marcado pelo fim da raça dominadora do planeta (ser humano) e marcará o início da raça ESPÍRITO NA CARNE, subserviente a Deus.

Para a “guerra” da conversão os soldados podem contar com toda ajuda da espiritualidade, que por ordens divinas trará acontecimentos que questionarão o “poder” imaginário que os seres humanos acham que têm sobre as coisas e seres do planeta, materiais ou espirituais.

Que todos os combatentes espelhem-se na vida de Jesus na carne para viver a sua, pois Ele foi o único espírito a colocar o AMOR em ação”.

Somente a ousadia de libertar-se de sua humanidade pode conduzir o espírito a viver o novo mundo que surgirá no planeta. Ou como Cristo ensinou:

“felizes os que lavam as suas roupas para terem o direito de comer a fruta da árvore da vida e para poderem entrar pelos portões da cidade. Mas, fora da cidade estão os viciados e os feiticeiros, os imorais e os assassinos, os que adoram ídolos e os mentirosos em palavras e atos” (Apocalipse, capítulo 22, versículos 14 e 15.

Com as graças de Deus.
FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM DESMISTIFICA O NATAL

 

 

 

 

 
Dez 12, 2008
 
O “bom velhinho” é, na verdade, uma criação da Coca-Cola
Dentro deste ciclo de palestras que estamos realizando já falamos da “Oração do São Francisco” e da “Hipocrisia” condenada pelo Cristo. Hoje falaremos do Natal.

As palestras anteriores foram necessárias como preparação para que o tema de hoje possa ser perfeitamente compreendido. Isto porque, tocar no assunto “natal” dentro da perspectiva de alterar a realidade com a qual a humanidade o vive, é complicado.

A maioria tem gratas lembranças de “natais” da infância. A lembrança do prazer de ganhar presente, de esperar papai Noel, de montar árvore. As lembranças destes prazeres enraízam verdades que são difíceis de hoje destruí-las. No entanto, dentro do objetivo da reforma íntima, isto é necessário ser realizado, apesar da dificuldade.

Para sermos fieis aos nossos propósitos precisamos buscar o “carnegão” mais profundo da ferida (a raiz da humanização) que é o câncer embutido em todos que corrói e destrói a espiritualidade do ser: a busca do prazer, da satisfação. A comemoração natalina como hoje conhecida é um dos maiores reflexos deste câncer.

Tem gente que vive o ano inteiro esperando o “natal” como hoje comemorado. Mesmo aqueles que não vivem nesta espera profunda, também aguardam esta época com ansiedade para poder ter prazer com as comemorações que são realizadas.

Desta forma, hoje destruiremos a “celebração natalina” como elemento gerador de prazer e, assim, traremos a Realidade sobre este tema que não é aquilo a que a humanidade se acostumou, mas o verdadeiro significado do “natal” para o universo.

O “natal” surgiu de um rito de antigas civilizações onde se comemorava o solstício. Na verdade o “natal” de hoje é oriundo de um ritual pagão, mesmo que a intenção aparente de hoje não mais a seja.

Hoje a humanidade crê que no dia 25 de dezembro comemore o nascimento de Jesus Cristo. Mas eu queria fazer uma pergunta para começarmos nosso estudo: quem é Jesus Cristo?

Jesus Cristo é um espírito. Qualquer outra verdade que seja aplicada (“mestre”, “filho de Deus”) é adjetivo utilizado para “rotulá-lo”, mas na realidade Jesus Cristo é um espírito, um ser universal.

Sendo assim podemos afirmar que Jesus Cristo não nasceu de José e Maria, porque nenhum espírito nasce de mulher ou homem; não nasceu em Jerusalém, porque nenhum ser nasce na matéria; e nem ao menos “nasceu”, pois todo espírito é gerado por Deus.

Só por esta verdade primária para qualquer espiritualista a comemoração natalina já deveria perder completamente a sua razão de ser, pois não há nascimento a ser comemorado.

Todos os mestres ensinaram que os espíritos são gerados por Deus em um tempo que se perde na eternidade e que irão “viver” eternamente. Jesus, como espírito que é, portanto, não nasceu na Terra: “encarnou” em uma determinada época.

Esta deve ser a Realidade para aqueles que se dizem espiritualistas e a vivência com ela é necessária para se promover a reforma íntima, pois encarnar e nascer são coisas completamente diferentes. A primeira leva à compreensão de uma etapa de uma existência eterna enquanto que a segunda denota um início de existência.

Aquele que não vive dentro do Real Universal se perde em verdades individuais e dá valores diferenciados à Realidade, criando ilusões (mayas) que lhe afasta de Deus e da felicidade incondicional, levando-o à busca do prazer e da satisfação. A comemoração natalina é um destes exemplos.

O ser humanizado que não aplica a Jesus Cristo a Verdade de ser um espírito que encarnou não vive na Realidade e por isso cria a comemoração de um nascimento, do início de uma existência. Pelas tradições humanas, a vivência com este maya (nascimento) gera, então, a obrigação de “festejar” o evento.

Mas, se Jesus Cristo é um espírito, não há nascimento para ser comemorado. Portanto, a motivação básica para a celebração do “natal” como hoje é feita no planeta, não existe, porque não há nascimento para ser comemorado. Ninguém nasceu: uma carne foi colocada para fora e Deus uniu a ela um princípio inteligente que já existia anteriormente.

O espírito não nasce do homem. Aliás, no Evangelho de Tomé, Cristo afirma: quando você vir uma pessoa que não é nascida de mulher, prostre-se porque ele é seu mestre.

Pergunta: Bem, por analogia, não há motivo para comemorarmos o nosso aniversário na data de nascimento?

Claro que não: você não “nasceu”, teve um início de existência, nesta data.

Se Jesus não nasceu nesta data, o que se comemora, então, neste dia? A humanidade presa à busca do prazer e ciente da Realidade poderia até gerar um novo maya: comemoremos a encarnação de Jesus Cristo. Entretanto, mesmo esta “desculpa” deveria ser esfacelada por aquele que busca a Deus (espiritualista).

Quem é Jesus Cristo? Um mestre, a verdade e a luz, o caminho a Deus, segundo suas próprias palavras. Portanto, acreditar em um “ser Jesus Cristo” é irreal, pois ele não é nem um homem nem um espírito, mas o caminho para se chegar a Deus.

Chegamos, então, a uma Realidade: Jesus Cristo é um mito. Vamos explicar esta afirmação.

Anteriormente compreendemos que não há nascimento porque um espírito não nasce. Para podermos continuar na “destruição” da ilusão natalina que vive a humanidade eu perguntaria agora: quem disse que aquele espírito que encarnou se chama Jesus Cristo?

As individualidades universais (espíritos) não possuem individualismos e, portanto, um espírito não tem nome que o individualize. O mestre que vivenciou aquela encarnação é um espírito elevado. Qualquer outra identificação como nome, cor, sexo, religião ou características físicas é dar a ele o que não possui, ou seja, irreal.

Além de não nascer, Jesus Cristo nunca existiu. Foi apenas um personagem criado pelo Todo Universal para transmitir um ensinamento que serve de caminho a Deus, ou seja, é o nome que rotula uma encarnação e não um espírito.

Qual o seu nome? Com certeza não é aquele que está na carteira de identidade, pois você é um espírito e, por isso, não tem nome.

Aquele “rótulo” que se encontra estampado lá é o nome desta sua encarnação, do “personagem” fictício que você criou para viver esta encarnação ou oportunidade de elevação espiritual. Ele é o “rótulo” que individualiza o conjunto de carmas, provas e missões que serve como campo de trabalho da sua reforma íntima que o aproximará de Deus.

Isto é o seu nome, mas também o é de todo espírito que encarna. Jesus Cristo, portanto, não é o nome de um espírito, mas o “rótulo” de uma encarnação que teve como objetivo exemplificar as ações da reforma íntima que todos devem executar se quiserem promover a elevação espiritual (caminho para Deus). Portanto, o Jesus Cristo que a humanidade acredita e adora é um mito: é irreal.

No entanto, o espírito que vivenciou esta encarnação era um mestre, ou seja, um ser já elevado. Por isso não podemos entender que na encarnação Jesus Cristo houvesse provas ou expiações para serem executadas.

A partir destas Realidades podemos então definir Jesus Cristo como uma missão executada por um espírito sem nome, onde não houve nascimento algum. Vivendo com esta Realidade destruímos a idolatria a outro que não seja o próprio Deus e acabamos com a hipocrisia que vive hoje a humanidade, mesmo daqueles que se dizem espiritualistas.

Na Realidade Jesus Cristo é um espírito sem nome que vivenciou uma missão, ou seja, um trabalho de Deus realizado através de um espírito elevado para nos auxiliar na caminhada da elevação espiritual: o caminho, verdade e luz que ele citou.

Somente compreendendo a Verdade desta encarnação a humanidade poderá aprender que se quiser chegar a Deus será preciso que cada um viva uma “encarnação Jesus Cristo”, não importando o nome que tenha. Cada um necessita viver como aquele espírito viveu, ou seja, reagir aos acontecimentos da vida com os mesmos valores que ele utilizou, para poder chegar a Deus.

Transformando esta Realidade em Verdade, o ser humanizado destrói a idolatria a Cristo e pode, então, unir-se completamente ao Pai, cumprindo o primeiro mandamento da lei de Moisés.

Então, o “natal” como hoje compreendido mesmo pelos religiosos (festa de comemoração do nascimento de Jesus Cristo) é uma ilusão, algo irreal, um maya, pois se festeja um evento que não ocorreu de um ser humano que nunca existiu.

O que estou fazendo nesta conversa? Acabando com a fé da humanidade? Não, estou acabando com as ilusões e, conseqüentemente, destruindo todos os motivos para se comemorar o “natal” como hoje é feito. Isto é necessário neste momento da reforma íntima que a humanidade vive.

Só destruindo a ilusão que vive, o ser humanizado poderá comemorar o natal dentro da essência para o qual foi criado. Sim, o “natal” precisa existir, apesar de até agora termos destruído todas as motivações que levem a esta comemoração.

Se Deus é a Causa Primária de todas as coisas, foi Ele que criou esta celebração. No entanto, não deu a intuição ao espírito com o objetivo deste alcançar o prazer (bem material), mas sim para que ele possa utilizá-la com uma intenção espiritual (a busca da elevação espiritual).

É sobre isto que eu quero conversar hoje: qual a intenção de Deus ao dar a humanidade a intuição de realizar uma “comemoração” nesta época.

A intenção da conversa de hoje é entender o Real objetivo do comando de Deus para haver esta celebração. Isto é necessário, pois enquanto a humanidade atrelar esta época à necessidade de fazer “presépios” e montar árvores para esperar o “natal”, no dia vinte e cinco de dezembro vivenciará apenas o amargor da ressaca e da dor de estômago.

Este “sofrimento” acontece porque a grande maioria da humanidade, além de não se lembrar do Cristo nesta época apesar de acreditar que está comemorando o nascimento do mestre, não entende o que deve ser feito para se aproveitar à oportunidade que Deus dá aos seus filhos.

É sobre esta oportunidade e o que precisa ser feito para se obter o máximo possível de aproveitamento espiritual nesta época que iremos conversar hoje. No entanto, primeiro foi preciso desmascarar as verdades criadas pelos seres humanizados sobre esta data.

Portanto, não existe Jesus Cristo nem natividade: estes elementos fazem parte do teatro humano. Na Realidade existe um espírito, sem nome, sem cor, sem sexo, que vivenciou uma vida encarnação missionária chamada Jesus Cristo.

Pergunta: Até porque os historiadores afirmam que a data correta não seria o dia em que comemoramos, mas sim de quatro a sete anos antes dela.

Eu não estou preocupado com datas. Não quero apontar “erros” na data ou na idade de Cristo, mas quero mostrar é que não existem motivos para a comemoração que a humanidade faz. São visões bem diferentes sobre o tema.

Resumindo a partir do que vimos até aqui: não há motivos para a comemoração que hoje é realizada, mas existe para essa época uma intuição divina para que a humanidade comemore o “nascimento de Cristo”.

Sim, a intuição de Deus é para que a humanidade comemore o “nascimento de Cristo” mas essa comemoração deve ser realizada com outra busca que não o prazer. Agora que nós desmistificamos o “natal” destruindo o mito Jesus Cristo e a história de nascimento, vamos entender o que é “comemorar o nascimento de Cristo”.

Qual a essência da encarnação Jesus Cristo? Que papel missão desempenhou esta encarnação na peça “Divina Comédia humana”? Para entendermos isto podemos ouvir João, o Evangelista: Jesus Cristo era o “verbo”.

A encarnação Jesus Cristo teve a missão de ser o “verbo” para a humanidade. O “verbo” pode ser definido como a ação da frase. Tocar, cantar, brincar, rir e chorar são vocábulos que designam a ação que o sujeito está praticando naquele momento.

A encarnação Jesus Cristo pode então ser definida como a exemplificação da “ação” que os espíritos humanizados devem executar para chegar a Deus. Percorrer o caminho que leva a Deus, ou seja, viver uma encarnação Jesus Cristo é vivenciar a existência praticando as ações que “Jesus Cristo” praticou.

Não sei se estou conseguindo me fazer compreender porque palavras são muito difíceis para a espiritualidade que vive dentro da existência sem formas. Mas, o que estou querendo explicar é a máxima crística: eu sou o caminho a verdade e a luz, ninguém chega a Deus a não ser através de mim. Este ensinamento quer dizer que enquanto o espírito humanizado não levar uma existência carnal com as mesmas ações espirituais (intenção) que Jesus Cristo realizou não chegará a Deus.

Portanto, quando se fala em “nascimento de Cristo” deve haver esta compreensão: o “nascimento” de uma determinada intencionalidade que deve ser aplicada nas ações materiais (atos). No entanto, que intencionalidade seria esta, uma vez que João não fala que verbo era conjugado?

Pela intencionalidade dos ensinamentos crísticos e pelos mandamentos deixados pelo mestre (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo), podemos compreender que a única intencionalidade aplicada por Cristo era amar. Cristo agiu amando sempre.

Demonstrar como se conjuga o verbo amar incondicionalmente foi à missão daquele espírito que é conhecido pela humanidade como Jesus Cristo. Para isto viveu uma encarnação onde exemplificou com atos e ensinamentos como se viver uma existência onde só se ame.

Esta é a Realidade que os espíritos humanizados devem viver quando se fala em Jesus Cristo: um espírito que viveu uma determinada encarnação ou determinado papel na vida carnal onde desempenhou como missão a função de viver amando incondicionalmente para exemplificar a forma como cada um pode alcançar a sua elevação espiritual (ressurreição).

Quando o ser humanizado se esquece disto e vive em outra Realidade, não consegue chegar a Deus, pois “eu sou o caminho, a verdade e a luz: ninguém chega a Deus a não ser através de mim”.

Quem ora procurando Cristo em um crucifixo só se relaciona com matéria. Para encontrar e se comunicar com Cristo é necessário que o espírito interpenetre no mesmo padrão vibratório dele, ou seja, coloque o amor em ação, pois Cristo não é material, mas um rótulo que se dá ao amor em ação.

Voltando ao nosso tema de hoje, podemos agora afirmar que acabamos de definir o que é o Cristo da intuição de Deus para esta época (“comemorar o nascimento de Cristo”): a prática da intencionalidade do amor incondicional para vivenciar os acontecimentos da vida carnal.

Pergunta: Então os mulçumanos hinduístas e indianos vão morrer e vão para o braseiro do mármore do inferno porque não seguem Cristo?

Não têm o exemplo Cristo, mas tem os seus próprios mestres que também trouxeram o amor em ação. As palavras dos ensinamentos que os demais mestres trouxeram foi adequada à compreensão de cada povo, mas a essência do ensinamento é a mesma.

Estou falando em Cristo porque aqui estou conversando com cristãos, mas o anjo Gabriel, que falou em nome de Alá com Maomé ou Krishna que serviu de instrumento a Deus para os indianos também falaram a mesma coisa.

Por falar nisso, aplicando o que vimos hoje podemos concluir Krishna também não é um espírito ou ser humano Krishna como hoje acreditado por seus seguidores, mas um espírito anônimo que vivenciou uma missão “Krishna” que também teve como objetivo exemplificar o amor universal (incondicional) em ação.

Portanto, lhe respondendo, estamos falando de Cristo porque estamos falando de “natal” (comemoração cristã), mas a missão básica de todos os mestres foi a mesma (ensinar o amor em ação) e por isto tudo o que estamos falando vale para toda a humanidade, independente de religião.

Eu não sei se você compreendeu a profundidade do que conversamos. O que eu fiz foi acabar com a figura Jesus Cristo na sua vida. Apesar disto, não acabei com o ensinamento deixado pelo mestre, mas apenas com o maya que tinha sobre este episódio da história universal.

Ao exterminarmos o maya que vivemos sobre a figura Jesus Cristo acabaremos também com a idolatria a mestre que fere frontalmente o ensinamento de Moisés criando ídolos que não sejam o próprio Deus. Enquanto você idolatrar a Cristo estará idolatrando ídolos ao invés de Deus.

Este ensinamento, no entanto, não deve ser aplicado apenas à Jesus Cristo, mas a todos aqueles (os mestres da humanidade) que servem de instrumento a Deus para ensinar o espiritualismo e o universalismo. Por isso Salomão ensina [1]: aos mestres devemos respeito, mas idolatrar somente a Deus.

Este é o objetivo deste ciclo de conversas: acabar com as ilusões. Acabar com o Cristo que você conhece e idolatra, para que possa alcançar a Realidade sobre os mestres. Só assim você poderá alcançar uma relação harmoniosa com o espírito amigo e irmão que vivenciou uma existência missionária, extinguindo a idolatria que eles nunca pediram e rejeitaram.

Dentro do objetivo deste ciclo de palestras estamos hoje acabando com a idolatria a figura de Cristo e lançando você na Realidade do Universo. Para aquele que pretende realizar a elevação espiritual de nada adianta prender-se à idolatria a Cristo.

Esta forma de viver ainda faz nascer no ser humanizado o individualismo. Para se realizar a elevação espiritual não se deve colocar Cristo ou qualquer outro mestre no altar porque lá é o lugar de Deus e não de outro ídolo qualquer.

O Cristo universal não deve ser colocado nem muito menos aquele que você idolatra: um ser humanizado. Um Cristo que “nasceu” na matéria, que foi concebido sem pecado, que aos sete anos foi falar com os mestres no templo. Tudo isto é estória.

Nada disso aconteceu: são parábolas utilizadas para transmitir um ensinamento: a conjugação do verbo amar. Apegar-se a estes acontecimentos como históricos buscando explicá-los, compreendê-los ou comprová-los, é criar a idolatria que mutila o ensinamento básico da ação amorosa: amar a Deus sobre todas as coisas.

O ensinamento deixado pelos mestres é verídico como instrumentos da elevação espiritual, mas para transmiti-los foram contadas estórias. Precisamos acabar com a visão de que eles fazem parte da história e que precisam ser compreendidos pela lógica, porque senão continuaremos jogando “natais” (intuições de Deus para comemorar o “nascimento do Cristo”) foras.

Os buscadores devem cessar esta procura da compreensão dos atos da encarnação Jesus Cristo. Se isto não ocorrer ainda encontrarão trechos nos ensinamentos que, pela não compreensão lógica do acontecimento, dirão que são “falsos” ou que foram alterados. Com esta ação estarão afastando de si o próprio ensinamento, a própria razão de existir a encarnação missionária de um espírito superior.

Quem atribui ao mestre um papel diferente de um espírito mensageiro de Deus cria a idolatria ao mestre e quem idolatra o mestre não chega a Deus. Não existe Cristo ou Krishna, nem suas “histórias”: existem espíritos sem cor, sem nome, sem sexo, que devem ser amados como irmãos e mestres.

Não devem ser considerados como o próprio Deus vivo, mas devem ser respeitados como mestres por sua ascensão moral. Apesar desta ascensão temporária não devem ser idolatrados, porque não são em essência “melhores” do que qualquer espírito encarnado ou não, pois Deus criou a todos igualmente.

Todas as propriedades que os espíritos missionários possuem, cada princípio inteligente do universo também possui. Podem os espíritos em processo de elevação ainda não terem desenvolvido determinadas propriedades, mas elas também existem dentro deles.

Se isso não fosse realidade Deus seria injusto, pois teria dotado alguns espíritos de elementos que não deu a outros. Idolatrá-los como superior, portanto, é acusar a Deus de ser injusto, mas respeitar a ascensão moral conseguida pelo irmão denota o amor profundo que temos pelo Pai, além de valorizar o trabalho ao longo da existência espiritual no sentido de elevar-se daqueles que vivem as encarnações missionárias.

A idolatria fere tudo isso. Fere o amor ao Pai e acusa o espírito que vive a encarnação missionária de ter sido privilegiado por Deus com algo que não deu aos Seus demais filhos. É por isso que Cristo, Krishna, Buda jamais pediram adoração a si mesmo, mas a Deus.

Enquanto o ser humanizado que busca a Deus não entender que não existe nenhum espírito superior a ele, mas sim instrumentos de Deus que receberam esta missão pelo seu trabalho anterior (a reforma íntima) e que a passagem na carne destes mestres não cria uma identidade, mas transmite apenas um ensinamento que é caminho para o Pai, ficará “perdendo tempo” rezando e não promoverá a sua reforma íntima.

Começamos, portanto, a compreensão da “comemoração do natal” intuída por Deus destruindo o Cristo que você conhece para dar a ele o seu real valor: um ser espiritual que já conquistou uma elevação e que por isso merece ser respeitado e reconhecido e não idolatrado.

Pergunta: Aos homens é preciso regras precisas, pois os preceitos gerais e muito vagos deixam muitas portas abertas a interpretações.

Amigo, deixa eu lhe responder utilizando um ensinamento do apóstolo Paulo: a lei cria o pecado. Cada vez que você cria uma regra gera o “certo” e o “errado” para determinada circunstância.

Ao homem, o espírito que ao “comer a maçã dada pela cobra” objetivou possuir o poder de Deus para determinar o “certo” e o “errado” das coisas e por isto foi expulso do paraíso, deve ser abolido todos os preceitos para que ele possa retornar à pátria espiritual.

Ao criar regras pré-estabelecidas a humanidade impõe padrões que ferem o livre arbítrio do espírito de interpretar o mundo do jeito que quiser. Este é um direito adquirido pelo espírito como uma graça divina que a lei (o padrão que deve ser seguido) extingue com a obrigação da ação de determinada forma.

Enquanto nós condicionarmos o homem a raciocinar a partir de um modelo pré-estabelecido nunca se atingirá a evolução espiritual, que é conseqüência da escolha feita pelo livre arbítrio concedido por Deus.

A prova disto é que Cristo não estabelece padrões de ação, mas ensina na utilização do livre arbítrio espiritual criando, mas não impondo, a opção do amor. Se você quiser se prender a regras fixas, prenda-se a esta: ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Pergunta: É o homem que Cristo se transformou com a encarnação que diz na cruz “Pai porque me abandonastes”, ou é o espírito que encarnou e falhou?

Nem o homem nem o espírito, mas o personagem que vivencia a missão. Esta frase foi acrescida ao “texto” do personagem para mostrar que ele, enquanto se sentindo humano, se sentirá abandonado por Deus, mas que nem por isto deve fugir da sua “crucificação”.

Esta frase faz parte da missão, do ensinamento que você precisa aprender: mesmo que se sinta abandonado por Deus, beba até o último gole da sua taça sem puxar a espada (lutar contra a Realidade desejando outras circunstâncias para você).

Não se esqueça que Cristo disse para Pedro: quem vive pela espada morre pela espada. Quem luta contra as circunstâncias da sua vida desejando que elas fossem diferentes atrairá para si mais momentos que não gostará.

Neste ensinamento, portanto, a base da lei do carma.

No auxílio ao fim da idolatria, devemos compreender que precisamos destruir a nossa religiosidade. A religiosidade interfere na espiritualidade necessária ao ser para aproximar-se de Deus, pois ela prende-se na idolatria a algum mestre.

Assim sendo, mais um ensinamento deste ciclo: destrua tudo o que considerou religioso até hoje e idolatre (dê o valor de sagrado) só a Deus.

Pergunta: A lei natural compreende todas as circunstâncias da vida e essa máxima não é dela senão uma parte [2].

A lei natural é Deus, pois a Natureza é Deus. Todo os elementos do universo (espírito e matéria) são artificiais, pois só Deus é natural. Desta forma a única lei que existe é a da natureza, que nada tem a ver com as regras precisas de preceitos gerais que a humanidade cria que você falou.

A partir do momento o homem destrói o mito Jesus Cristo fica em vã todas as buscas arqueológicas para saber onde ele foi enterrado; tornam-se vãs, também, a busca de se ele nasceu no ano que a humanidade acredita. Perde o sentido quer se adivinhar se ele era louro ou moreno, se seu corpo possuía olhos preto ou azul. Encerra-se a discussão para saber se na verdade ele nasceu numa estrebaria ou em casa, se seria possível Maria tê-lo gerado e permanecido virgem.

Toda esta busca humana é perda de tempo. É curiosidade do ser humanizado que tem como intenção iludir-se acreditando que está buscando a espiritualidade sem que para isto seja preciso praticar a reforma íntima.

A única coisa que pode aproximar o espírito de Deus é a reforma íntima, ou seja, a mudança da intenção com que se vivenciam os acontecimentos da vida carnal. Quem se prende na busca do “Cristo homem” não se preocupa em colocar o amor em ação e seguir o seu exemplo. Para que o espírito alcance a elevação espiritual deve seguir a liderança de Cristo (“pegue a sua cruz e me siga”) colocando o amor em ação.

Estou abordando este aspecto porque na época do “natal” terrestre muito se questiona sobre a “personalidade Cristo”. Existe o questionamento e o debate para saber Se Cristo existiu ou não, se veio a Terra ou não. Esta busca é mais um obstáculo a se seguir a intuição de Deus para a “comemoração do nascimento do natal”.

Portanto, para que alcancemos a elevação espiritual aproveitando bem a intuição divina, devemos parar de procurar o “ser humano Cristo” e compreender os ensinamentos, a “missão Cristo” do amor em ação.

Agora já podemos conversar a respeito do real objetivo da intuição de Deus para a “comemoração do natal”, que é uma oportunidade de auxílio à elevação espiritual que a humanidade vem jogando fora há algum tempo.

Esta é uma época na qual, no universo, se abre um “portal” de apoio aos espíritos em desenvolvimento no mundo de provas e expiações. É para aproveitar esta abertura que Deus dá a intuição da realização do natal. Vou tentar explicar esta informação porque a palavra “portal” não quer dizer porta nem buraco no espaço.

Na época que os cristãos comemoram o “natal” há uma oportunidade maior para aqueles que buscam o exercício da fé de receberem apoio neste trabalho. Não que Deus não os apóie o tempo todo, mas nesta época o Pai cria um diferencial que resulta num apoio maior para aqueles que realmente compreendem o sentido do “natal” e buscam o exercício da fé e a ação do amor.

No entanto, como Cristo nos ensinou (bata que eu abrirei), é preciso que o buscador bata à porta, ou seja, que ele busque o portal. Sem esta busca ele não será encontrado. Este é o verdadeiro sentido da intuição que Deus deu à humanidade para nesta época se fazer uma comemoração que vocês chamaram de “natal”: buscar o portal que traz um apoio diferenciado àqueles que vivem para cumprir os objetivos da sua encarnação.

Só para não interpretarmos a palavra comemoração: festa de espírito não é algazarra, fanfarronice, mas introspecção, busca a Deus e ao universal. Os espíritos entram em “festa” quando, através da introspecção, entram em êxtase na ligação com Deus.

Esta é a comemoração do natal: é a introspecção para se conectar com este portal e assim conseguir mais elementos para a busca do êxtase espiritual.

“Natal” é um tempo de recolhimento para os cristãos, como tem os árabes e os hindus. Nestes povos este tempo pode ter nomes diferentes, mas cada povo tem uma determinada época intuída por Deus para buscar através da introspecção ultrapassar o portal e banhar-se em bens celestes que auxiliará aos espíritos humanizados a alcançar a Deus.

Isto é “natal“. Cada povo tem o seu “natal”, cada religião tem o seu “natal” com diferentes nomes e épocas, mas todos têm uma época de busca de introspecção para conseguir conectar-se ao portal divino e aí se banhar no bem celeste que chega através dele.

“Natal” não é árvore piscando, não é mão cansada de carregar presentes, não é farra, não é comida nem bebida. “Natal” não é reunião de família, mas momento de introspecção individual.

Pergunta: Mas com a educação que temos não podemos apenas acrescentar esta busca as tradições natalinas?

Se você viver como todos viveram e vivem terá o mesmo destino de todos. É isto que estamos falando nestes ensinamentos: é preciso ousar mudar as tradições. Ou você acha que Francisco de Assis, Chico Xavier, que Santa Clara, Joana D’Arc não ousaram e mudaram as tradições do mundo que viveram?

Enquanto ficarmos presos a verdades antigas (o mundo é assim, eu fui criado assim) e não ousar mudar os padrões na nossa vida, nada se faz espiritualmente falando.

Pergunta: O “natal” seria meditar e fazer parte de Deus na Sua essência?

Não: seria interiorizar-se para buscar compreender quem é você. Buscar compreender o seu individualismo que está toda hora lhe cobrando que os outros se mudem e lhe sirvam. Interiorizar-se para buscar esta compreensão e poder silenciar o ego. Só depois disto pode se pensar em ligar-se a Deus.

A meditação natalina começa pela busca do auto conhecimento que os seres humanizados não possuem, pois vive no “piloto automático” (reagindo aos acontecimentos dentro de padrões pré-estabelecidos) e não consegue mais raciocinar os acontecimentos a partir da Realidade do Universo.

Pergunta: Para esta introspecção não se pode reunir a família?

Eu preferia não reunir a família porque ela não é universal, mas fruto do ego. A família individualizada (meu filho, meu pai) como hoje vivida no planeta terra é contra a vida espiritual.

Por isto Cristo pergunta: quem é minha e quem são meus irmãos? Ele ainda ensina: abandone a sua família e me siga.

Desta forma não aconselho a reunião familiar para a introspecção, pois com a presença dela você continuará preso a este maya e não conseguirá atingir ao auto conhecimento, ou o conhecimento da Realidade.

Dentro da busca do auto conhecimento você precisa se libertar desses laços familiares também e isto seria impossível com a presença física da parentela.

Pergunta: Mas não podemos reunir a família no sentido de estar passando para eles esse nosso amor?

Não nesta época do natal, ou seja, não no momento que você busca a introspecção. Realizando este trabalho com a presença do seu filho, por exemplo, o prazer gerado por ele estar participando com você não a deixará absorver a felicidade universal. Você estará presa no filho e não quebrará a verdade sobre aquele espírito, ou seja, não conseguindo, assim, o conhecimento universal.

Pergunta: Acredito que agindo desta forma (isolando-me para a introspecção) estaria sendo individualista, pensando em mim, e não praticando o amor ao próximo.

Você pode amá-los convidando à introspecção, mas cada um na sua casa. Ao convidá-lo para aproveitar a intuição de Deus para a “comemoração do natal” estará servindo-o e favorecendo a oportunidade para a sua meditação. Agora, condicionando o seu serviço à presença física dele do seu lado, não estará servindo ao próximo, mas se servindo dele, pois é você “quer” deste jeito.

Como disse, com a presença deles não conseguirá a introspecção perfeita, pois estará presa no prazer: “que bom, minha família está toda aqui ao meu lado neste momento”. Crendo nisso e sentindo isso não haverá introspecção, mas continuará vivendo na superficialidade da vida espiritual que contempla uma família, quando não existe este elemento no universo.

Pergunta: A adoração é resultado de um sentimento inato ou fruto de um ensinamento?

A adoração a Deus é um sentimento inato. A adoração a um mestre ou a um anjo é um sentimento criado, um fruto de um ensinamento.

Pergunta: Então, ousar é amar na forma que Jesus amou?

Amar tem que ser incondicionalmente. É dar a outra face, é não atirar a primeira pedra. Amar é andar em cima das águas, é não se submeter ao jugo de um “príncipe” respondendo-o: o senhor está dizendo.

Para amar incondicionalmente é preciso ousar com o preço da própria vida, se preciso for.

Pergunta: Quando o senhor fala de romper os laços familiares fala dos carnais, pois da parentela espiritual não seria bom separarmo-nos, não é?

A parentela espiritual não é formada por filhos, mãe, pai, tia, esposa ou avó: só existem irmãos filhos do mesmo Pai.

É por isso que você precisa acabar com a família carnal: ela é moldada por papéis que não representam a realidade da parentela espiritual.

Pergunta: Eu diria, então, que precisamos acabar com os títulos (pai e mãe) que damos a outros espíritos e vê-los como irmãos?

Não só os títulos, mas a posse, o sentimento privilegiado, a discriminação que se tem pelos parentes. É preciso acabar com tudo isso para se viver na família universal.

Pergunta: Mas, podemos muito bem sentir o sagrado nos seres que estão ao nosso redor sem alterar o seu valor para nós. Isso nos une a Deus. Vendo a centelha divina Dele em tudo podemos conviver com tudo em harmonia. Não concordo com o rompimento dos relacionamentos de forma física, mas sim em nosso interior.

Desculpa, mas então precisamos ensinar aquilo no que você acredita a Cristo, pois ele ensinou que devia se romper estes laços (“enquanto você não abandonar seu pai e sua mãe e pegar sua cruz e me seguir, não servirá para ser meu seguidor”).

Ele rompeu com a mãe. “Senhor, sua mãe quer falar contigo. Minha mãe quer falar, ela que espere: eu estou falando com os filhos de Deus, meus irmãos”.

Ele fez o que ensinou: rompeu os laços familiares e todos os sentimentos inerentes a eles. Portanto, a sua discordância não deveria ser comigo, mas com ele.

Pergunta: Se nos desprendermos dos papéis de cada um podemos encontrar Deus na família carnal?

Nós não nos desprendemos: acabamos com os papéis que damos aos outros.

Aquele que vive sob a sua tutela não é seu filho, mas um papel que você dá a este espírito. Enquanto este papel existir todos os sentimentos individualizados que agora sente por este espírito existirão. Portanto, é preciso acabar com o filho para se alcançar o universalismo.

Desta forma, não estou dizendo para acabar com o espírito que vive o seu filho, mas acabar com o “seu filho” para aí viver universalmente com todos os irmãos da família universal de uma forma equânime.

Neste momento você será capaz de reconhecer a família universal e a presença de Deus nela. Deus, no entanto, não pode estar presente na família carnal porque não há um papel para ele, pois este já foi preenchido por um ser humanizado.

Pergunta: Jesus andava sempre em grupos, tinha discípulos com os quais tomava refeições. Como interpretar isso?

Companheirismo, trabalho espiritual, mas nada parecido com a adoração familiar que vocês vivem.

Pergunta: Acabar com o papel não significa afastar fisicamente a pessoa. E a Santa Ceia não foi uma comemoração física com amigos físicos?

O fim do papel não gera, necessariamente o afastamento físico. Apenas extingue a escravidão e a posse que gera a obrigatoriedade da presença física.

Quanto a Santa Ceia, esta parábola bíblica tem um significado muito diferente do que vocês pensam: uma comemoração. Santa Ceia não foi comemoração de nada, mas um trabalho espiritual, uma reunião espiritual.

Além disso, não estavam presentes nela apenas os apóstolos diretos, como vocês crêem. Cristo seria muito egoísta se colocasse só os doze apóstolos para dentro e deixasse os demais que lhe seguia para fora.

Pergunta: A Santa Ceia foi uma alegoria, ou será que só naquela data Jesus se sentou junto com seus discípulos?

Ele se sentava toda noite. Leia o livro “Jesus no Lar” [3] que você verá os encontros noturnos de Cristo com seus apóstolos que não estão na Bíblia.

Portanto, quem aproveita esta época para comemorar a intuição divina buscando a introspecção para o auto conhecimento espiritual, banha-se mais facilmente no bem celeste, o que auxilia no processo de reforma íntima objetivando a elevação espiritual. Para não ficarmos sujeitos às multifacetadas interpretações que o termo “portal espiritual” possui na Terra, vamos explicá-lo.

O planeta Terra e todos os planetas possuem ao redor de si uma aura, assim como qualquer corpo físico. Podemos dizer que a aura planetária é composta pela soma dos sentimentos que cada espírito sente e projeta no universo.

Cada vez que um espírito, por exemplo, sente raiva projeta este sentimento e ele se agrega à aura planetária. Apenas para compreensão, poderíamos comparar a aura planetária à camada atmosférica que é conhecida materialmente. A fusão de todos os sentimentos, assim a dos gazes, formam uma “atmosfera” para o planeta.

No planeta Terra esta aura é formada por sentimentos individualistas, já que a maioria dos seres humanizados vive neste padrão vibratório. Alegoricamente este padrão vibratório é considerado negro ou escuro, sem luz. A aura que envolve o planeta Terra, portanto, pode ser descrita como escura.

Por isso alguns espíritos descrevem a Terra como uma bola negra com pontos brilhantes [4]. Eles não falam de continentes ou do mar: falam de energias, sentimentos emanados pelos espíritos e que são lançados na “atmosfera espiritual”.

Para sua sobrevivência a humanidade está preocupada com o buraco na camada de ozônio. Isso ocorre porque nunca viu o planeta a partir do ângulo espiritual, ou seja, o resultado da vida sentimental que a humanidade leva (o individualismo) que pode sufocar e exterminar com a “vida”. Este negrume, esta escuridão, esta lama é fruto do individualismo humano: eu gosto, eu sei, eu quero, tem que ser do meu jeito, você está errado.

Quando falamos na ação divina de abrir um portal, estamos alegoricamente descrevendo uma ação que faz com que surja um pequeno espaço nesta aura que cerca o planeta. Além disto, neste momento Deus conclama a todos os irmãos universais a emanarem o amor universal dirigindo-o a este portal.

Quando o espírito ligado ao orbe terrestre entra no processo de introspecção e busca de Deus (comemora o “natal”) é levado para fora deste orbe por este portal, podendo, então, banhar-se no fruto da emanação dos irmãos universais.

Esta é a “comemoração do natal” intuída por Deus para o planeta. Trata-se de uma época de meditação profunda sobre a vida, sobre os valores humanos, sobre o seu eu interior, o espiritual. Isto é necessário para que você, cônscio dessa sua realidade espiritual, consciente do seu papel no universo, possa através desse portal se ligar com a espiritualidade superior do universo e ver em si renovada, renascida, a intenção de por em prática a ação do verbo “amar”.

Agora podemos entender a linha de raciocínio desenvolvida neste trabalho, ou seja, porque foi necessária a explicação sobre a Realidade de Cristo. Antes de “festejar” o “natal” o ser humanizado precisa destruir a figura mitológica de Jesus Cristo e a idolatria a outro espírito que não Deus.

Este portal não está aberto a todos, mas apenas àqueles que carmáticamente merecerem banhar-se no bem espiritual. Para isto é preciso amar a Deus acima de todas as coisas. Aqueles que preferirem continuar amando a si acima de todas as coisas buscando o prazer individual não terão o merecimento desta “ajuda” extra de Deus.

Por isto a necessidade da interiorização, da reflexão sobre o “eu sou” é fundamental para a elevação espiritual. Aqueles que se ligam na espiritualidade superior desligando-se da realidade material merecem carmáticamente receber “melhores” ou “maiores” oportunidades de conseguir colocar a sua existência como a ação do verbo amar.

Por isto continuamos afirmando que o “natal” é a “comemoração” do Cristo renascendo. Não o Cristo homem, mas o renascimento da oportunidade de cada um ser o Cristo, de transformar a vida numa ação amorosa.

Natal, portanto, não é árvore, presente, peru, Jingle Bell, Papai Noel, presépio, luzes piscando, mas uma época de interiorização muito profunda para que cada um carmáticamente consiga receber o apoio para o renascimento da sua vida Cristo, do amor em ação.

Natal com festa, Jingle Bell e peru é humano: não é espiritual e nem celeste. Dar presentes nesta data é uma atitude humanizada, pois é a época de se receber. Amigo secreto, então, é mais individual ainda, pois Cristo disse que devemos a amar a todos, mas escolhemos apenas um para dar presente em nome de “poupar” dinheiro para si.

Sei que muitos se chocaram com esta conversa de hoje, mas posso garantir que não falamos nada de novo hoje. Aquilo que conversamos hoje aqui não tem nada de novo, pelo menos no tocante àquilo que estamos falando há muito tempo. Apenas os ensinamentos anteriores foram colocados em prática no tema “natal” e “Cristo”.

Sei que antes você já havia compreendido a nova visão (verdade) que eu passava para os acontecimentos do mundo. Apesar disso, sempre separou temas onde não aplicava os ensinamentos, ou seja, que imaginava que não deveriam ser alterados.

Cristo e o “natal” são alguns destes temas. Pela idolatria a este mestre e pela busca da vivência do prazer desta época, você não imaginava que os “ensinamentos destruidores de verdades” poderiam alcançar as suas convicções. Engano: tudo no que você acredita, sem exceções, é maya, ilusão, interpretação humana para o espiritual.

Pergunta: Para mim temos que integrar nossa luz e nossas sombras, sem destruir nada. Tudo faz parte de nós e devemos nos entregar a todas as nossas partes. Para mim não temos que sutilizar nossa energia negativa, mas apenas temos que deixar de vê-la como negativa.

Na hora que você acende uma luz o que acontece? A sombra acaba. Não há como se acender uma luz sobre determinado ponto e manter-se ali também a sombra.

Então veja, se você integrar a sombra à luz você acaba com a sombra. Em essência é isso que estamos fazendo: acabando com as sombras acendendo luzes.

Hoje estamos acabando com um “natal” que, como foi conversado anteriormente, é originado em uma festa pagã. Apesar do Cristo combater o paganismo a humanidade comemora o seu nascimento de forma inconseqüente através de uma festa pagã, onde a bebida, a comida e o “ganhar individual” são os objetivos finais.

Mas, isto já era de se esperar, pois para a humanidade o que importa é o prazer. Desde que ela se divirta, tudo está certo, tudo está bom. Agora, se o “natal” humano fosse uma época triste todos estariam repensando o natal.

Como já tinha dito antes, o “natal” que a humanidade vive é uma criação com a finalidade de obter prazer. Por causa desta característica mesmo aqueles que se dizem buscadores de Deus, mas que para isso não querem abrir mão do seu individualismo, se entregam a esta festa de corpo e alma e não querem nem discutir este tema. Daí o sentimento que esta palestra está gerando em cada um.

Não querer mudar-se abrindo mão das verdades que levarão o ser humanizado a alcançar o prazer é o problema que a humanidade atual está passando. Quando eu começo a falar de uma maneira espiritualista (fugindo do materialismo) toco nas feridas que cada ser humanizado não quer discutir porque não quer perder o prazer.

Para o ser humanizado a preocupação é não perder a festa, a sensação de prazer oriunda da realização de um desejo. Por isso, quando entra em contato com um ensinamento cuja base é o espiritualismo e o universalismo fica preocupado em como será a vida quando a ação do verbo amar seja a única forma de reagir a tudo.

“Não haverá mais festa para eu ir? Não haverá mais brincadeiras, piadinhas, risadinha falsa”? A propósito, Salomão ensina que o riso é falta de siso espiritual.

A vida que estamos descrevendo ao longo da transmissão de nossos ensinamentos é um novo mundo, uma nova forma de viver. Não se trata de um mundo engraçadinho, formado por borboletinhas ou corações transbordantes, mas feliz de verdade.

O grande prêmio que alguém pode conseguir aproveitando o “natal”, ou seja, buscando a introspecção para transpor o portal é conhecer a felicidade real que não conhece. Trata-se de uma oportunidade única para o espírito encarnado encontrar a felicidade que Francisco de Assis vivia mesmo vestindo mulambos e com fome. É experimentar a felicidade que Chico Xavier conheceu no final da vida apesar de paralisado por uma doença.

É sobre isso que estamos falando: uma oportunidade rara que é trocada porque não se quer decepcionar a família, porque foi criado assim, porque os outros esperam esta postura de você. Mas tudo isso é simplesmente ilusão: no dia vinte e seis de dezembro as pessoas voltaram a pensar o que sempre pensaram de você.

Pergunta: A celebração do natal não é uma festa só para se divertir. As pessoas que se encontram longe uma das outras aproveitam para se verem e trocarem afetos pessoalmente. Há sempre lugar para refletir, para orar e para meditar tal como nos outros dias.

O primeiro “problema” do ponto de vista espiritual sobre a sua colocação é achar que no “natal” também há lugar para orar e meditar. O “natal” é somente para isto e para mais nada. Quando você se “distrai” com alguma coisa a mais do que a introspecção na a realiza e perde grandes oportunidades de realizar o objetivo da sua vida.

O segundo está na sua afirmação de que as pessoas que moram longe precisam desta oportunidade para se reverem. Por que? Porque você acha que os seres humanos precisam locomover-se para encontrarem-se. No entanto, somos todos espíritos e podemos viajar com o pensamento. Não precisamos esperar a carne vir ao nosso encontro para podermos rever os amigos.

É justamente porque não aproveitamos o “natal”, a interiorização, que são necessárias reuniões familiares físicas. Elas criam o maya do reencontro, quando podemos estar nos reencontrando conscientemente a qualquer momento na projeção astral, desde que alcancemos a consciência espiritual.

Pergunta: Mas esta introspecção não pode ser feita todos os dias?

Podemos e devemos realizá-la diuturnamente, mas esta é uma época onde existe a abertura e a congregação de amor universal emanado diretamente para a orbe terrestre. .

Veja, o espírito encarnado no estágio que vocês se encontram estão muito presos às ilusões. Olham para as pessoas e vêem a carne imaginando que é a pessoa, ao invés de “verem” o espírito que anima aquele corpo.

Então, nós podemos e devemos fazer isto todo dia, mas a dificuldade é maior porque por mais que busquemos a elevação ficamos presos por esta camada negra que encobre o planeta e nos deixa atrelados à ilusão.

Aqueles que nesta época, não um dia específico, mas nesta época se voltam para o eu espiritual interior aproveitam a facilidade deste portal. É isto que estamos querendo explicar.

Pergunta: A dificuldade em praticar o que você ensina com relação a estar com os outros é porque este estar é numa condição anímica e depois difícil de ser lembrada. Se a pessoa não possui esta condição não se lembra e continua com saudades.

Estamos andando em círculos. O espírito não tem a condição de lembrar justamente porque vive preso na materialidade, porque quer viver esta vida dentro das características materiais.

Ter ou não a lembrança não é uma condição irrevogável. Você não tem no momento porque acha que é o corpo, mas na hora que conseguir na meditação, na harmonização interna, na hora de colocar em prática o ensinamento se auto reconhecerá como espírito. Aí poderá se encontrar com todos e ter consciência do que aconteceu, do que falou e ouviu, mesmo que o outro não tenha esta consciência.

O outro vai conversar na inconsciência dele, mas você terá a plena consciência do que foi falado. Portanto, o que é preferível: trocar-se alguns “natais” para poder se estar conscientemente com alguém fora da carne, ou não tentar e ter que estar sempre se locomovendo?

Esta questão da condição de se ter consciência do que se vive fora da carne acho que já é por demais comprovada aos seres humanos. Ou vocês não tem conhecimento de médiuns de desdobramento, que vão na casa de outros e descrevem como está o ambiente naquele momento?

Este médium possui a capacidade mediúnica aberta para trabalho espiritual, mas todos também podem possuí-la se gerarem o merecimento para tanto. Aliás, no Evangelho de Tomé Cristo ensina: é preciso que você se reconheça como filho de Deus para ser reconhecido como tal.

Pergunta: Este é um trabalho para mais de uma encarnação. Sendo vitorioso numa encarnação o espírito será o vitorioso das lutas pretéritas.

Isso, agora você falou muito bem: isso é trabalho para mais de uma encarnação. Vou só lhe dizer uma coisa: não existe espírito na Terra com menos de milhares de encarnações. Você já viveu centenas ou milhares de oportunidades para viver uma encarnação cristo. Quantas mais você vai querer ou vai esperar?

A não realização está vinculada ao pensamento de que existem ainda outras encarnações para realizar determinadas reformas: ou seja, é desculpa. Um dia você terá que fazer, pois encarnar simplesmente não resolve. Por que não aproveitar esta chance de agora? Porque imaginar que pode se encostar algumas mudanças para serem realizadas em outras vidas?

É sim, é trabalho para milhares de encarnações, mas vocês já viveram todas elas. Está na hora de acordar.

 
FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM COMENTA O AMOR UNIVERSAL, INCONDICIONAL, SEM MOTIVAÇÕES

JOAQUIM COMENTA A CORRUPÇÃO ENTRE GOVERNANTES

 

 

 

Jan 17, 2009

 

 
Participante: Sabemos que todos nós temos que resgatar nossos débitos em novas encarnações. Como fica o resgate de um corrupto, ou melhor, a caridade?

Você está aprisionado a idéia de resgate como pena, castigo. Na sua pergunta “como fica a pena de um corrupto” está embutido o sentimento de punição, mas isto (pena, castigo) não existe no Universo. Vamos tentar, então, primeiro entender este aspecto para só depois poder respondê-lo.

Corrupção é levar vantagem individual sobre uma coisa pública. Partindo desta definição podemos afirmar que quem reza a Deus pedindo que o Pai faça o que ele quer é um corrupto. Isto porque este ser está buscando levar vantagem individual sobre um bem coletivo: o amor de Deus a todos.

Portanto, comecemos a resposta lhe tirando da idéia de que o corrupto é só quem pega o dinheiro público e por isso precisa ser condenado. Não, corrupto é todo aquele que quer levar vantagem individual acima do bem coletivo. Desta forma o “resgate” para estas “infrações” espirituais não se aprisiona apenas àqueles que buscam levar vantagem monetária, mas a todos que pensam em si mesmo antes do próximo.

Creio que a visão sobre o tema que estava presente na sua pergunta já fica alterada a partir deste ponto, não? Podemos, então partir para o segundo aspecto: como fica o “resgate” destes espíritos?

O espírito, fora da consciência material, conhece a Realidade do Universo e sabe que Deus não é carrasco. Então, quando programa a próxima encarnação onde viverá situações de “expiação” (termo que prefiro ao “resgate”), ou seja, situações de colheita do que plantou em outras vidas ou nesta mesma, não pensa em ser “punido” nem se sente desta forma.

O espírito liberto da consciência material sabe que precisa viver aquela situação por dois motivos. Primeiro porque é a justa medida daquilo que ele mesmo semeou anteriormente e, segundo, porque sabe que somente vivenciando-a poderá evoluir espiritualmente. Portanto, sabe que aquilo faz parte da sua necessidade espiritual.

Ele não pede a provação como “pena”, “castigo”, mas implora por ela junto ao Pai como uma oportunidade de elevação espiritual e vê na ação de Deus (Causa Primária de todas as coisas), que o faz vivenciar a situação pedida, o fruto do Seu amor por todos os filhos concedendo sempre novas oportunidades àqueles que um dia transviaram-se.

Só esta leve análise deveria já lhe fazer entender que o sentido da sua pergunta, ou seja, a punição por ter sido corrupto não existe. Isto por que o espírito liberto da sua condição material não se sente penalizado, mas compreende que está recebendo uma nova chance de elevação. Por isto, ele coloca em suas vidas futuras estes acontecimentos com felicidade espiritual e não em sofrimento.

Mas, vamos nos aprofundar mais no assunto? As situações carmaticas, ou seja, as situações de expiações, são maiores do que os carmas individuais, pois existem os “carmas coletivos”. Acontecimentos com povos ou nações são situações carmaticas que todos aqueles que vivem neste local ou raça precisavam passar e por isso “nasceram” (encarnaram) naquela coletividade.

Eu estou dizendo isso porque a sua pergunta certamente foi motivada pela situação do seu país onde o governo está aparecendo como corrupto. A corrupção que hora se tem notícia no Brasil é uma situação carmatica desta nação. Vamos, então, abordar este tema continuando na resposta à sua pergunta.

Cristo nos ensinou que devemos respeitar os governantes porque eles foram escolhidos por Deus para aquele povo. Isto está nos Evangelhos e nas Epístolas de Paulo. Deste ensinamento podemos retirar uma máxima: cada povo tem o governo que merece, não como castigo, mas como carma, expiação, oportunidade de elevação.

Como eu disse, anteriormente, corrupto é todo aquele que quer levar vantagem para si em detrimento do bem estar coletivo e não só aquele que busca vantagens pecuniárias. Sendo assim, podemos afirmar que a pátria Brasil possui uma população corrupta, ou seja, é formada por espíritos que pensam primeiramente em si mesmos, pois é formada por espíritos em evolução, ou seja, faz parte de um “mundo de provas e expiações”.

Desta forma, a situação que hoje vive esta população é um carma coletivo, algo que a plêiade espiritual encarnada neste país precisava vivenciar como expiação. A corrupção do governo de hoje foi “criada” por Deus para que o povo (espíritos encarnados) aprenda a amar a tudo e todos indistintamente, vivendo a expiação de já terem sido corruptos, nesta ou em outras existências.

Mas, para aprender a amar precisa se passar por situações que são contrárias às suas vontades e desejos? Claro. Cristo nos ensinou: se você ama apenas aqueles que lhe querem bem, que vantagem você tem sobre os pagãos?

Olha como mudou o sentido da sua pergunta. Na hora que ela foi feita era sensível a conotação de “culpa” daqueles que estão participando deste processo. Mas, o “culpado”, se houver algum, não é o deputado que levou dinheiro, mas sim a população brasileira.

Os instrumentos do escândalo participam destes acontecimentos como expiações individuais deles, mas também como instrumentos do seu carma, ou seja, como carma coletivo da população brasileira. Sim, é seu carma, porque se não fosse o seu carma de viver sendo explorado, você não teria nascido neste país, mas em outro, ou não estaria aqui agora.

Esta é uma conclusão que todos que vivem no país precisam chegar para poderem aproveitar a oportunidade de elevação que Deus está dando a esta plêiade espiritual encarnada. Mas de nada adianta apenas sentir-se “culpado”: é preciso aproveitar a oportunidade e agir no sentido de aproximar-se de Deus.

Por isto, vou alinhar a sua pergunta com a minha conversa de hoje sobre a “consciência crística”. Ao invés de preservar o lado material de seu país criticando o governante, proteja a sua consciência espiritual amando incondicionalmente a todos, sendo ele corrupto ou “bonzinho”.

Não estou mais falando só com você que fez a pergunta, para que não se sinta pessoalmente ferido, mas para todos os habitantes deste país. Não é o deputado que é corrupto, mas você, como atingido pela corrupção, está vivendo o seu carma e toda expiação é uma prova para você colocar em prática o seu amor a Deus, para testar a sua relação amorosa com o Pai (amar e sentir-se amado por Deus).

Como dito hoje na música que ouvimos, “a cada sorriso, a cada lágrima, construo a casa de Deus em mim”. Criticando o deputado que levou o dinheiro será que você está construindo a casa de Deus ou será que está construindo o bem estar da pátria Brasil que, aliás, não existe?

A pátria Brasil não existe. Deus ama a todos os espíritos de forma igual e por isto o Universo é composto por uma só família universal que não pode ser divida em “territórios”. Não existem nem planetas, uma vez que o Universo é uno, que dirá pátrias.

Aí está a resposta à sua pergunta que, veladamente, queria saber da pena daqueles que hoje estão sendo alvo de denúncias de corrupção no Brasil. Saiba que mais importante do que se preocupar em como ficará o carma de quem hoje pratica a corrupção monetária é começar a entender porque você é “vítima” dos corruptos.

Participante: Agradeço a resposta.

Locutor: Nós é que agradecemos a sua participação. É importante para todos as perguntas, as colocações e as respostas que ajudam a muitos.

Deixe-me só dizer mais uma coisa a esta pessoa: você deu a oportunidade para um ensinamento a todos. Como eu disse, por favor, não se sinta agredido pelo que eu falei. Você nos deu a oportunidade de mais uma vez comentar a “mudança de posição” que estamos pregando como elevação espiritual.

Realizar a reforma íntima é fugir da realidade externa e descobrir que existe um mundo interior que precisa ser reformado. Para isso o que cada um precisa é muito mais do que lutar com o planeta pela realidade material externa, mas mudar o seu interior. Para isso é preciso descobrir no que aquilo que está acontecendo do lado de fora pode auxiliar-lhe a mudar o que está dentro dele.

É muito fácil criticar, acusar, brigar, dizer que todos não prestam, mas o mais difícil é cada um se “olhar no espelho” despido dos conceitos sobre si mesmo e entender porque está participando deste mundo. O que cada acontecimento representa para ele em termos de elevação espiritual.

É muito fácil quando uma pessoa critica a outra, mas compreender porque aquilo está acontecendo com ela, porque foi “merecedora” daquela situação, isso é quase impossível.

Mas, é só assim que cada um se muda, pois, enquanto esta auto-análise profunda da Realidade espiritual da vida carnal não for feita (descobrir os meus carmas), ninguém conseguirá se mudar. Estará sempre seguindo aqueles que não se preocupam com a vida eterna do espírito e vivem o momento de agora como a realidade.

Participante: Esta é a resposta que eu esperava: reforma íntima em primeiro lugar; ninguém é “vítima”.

Mas claro, não existe outro objetivo para encarnação: você só está “vivo” porque está em um processo de reforma íntima. Na hora que este processo encerrar-se a existência carnal acaba para você, porque não há outra razão para “viver”.

Ontem, na palestra em São Paulo, eu disse o seguinte: “o vital na vida é descobrirmos que, a cada ensinamento que se recebe, existe uma contra partida, ou seja, existe uma ação que tem que ser feita”. Não adianta ninguém dizer que aprendeu algo sem que este aprendizado transforme alguma verdade da vida.

Para falar sobre o tema utilizei, como exemplo, os reencarnacionistas, ou seja, aqueles que receberam a informação da reencarnação e acreditam nela. Se você tem este conhecimento a ação que deve ser executada em contra partida é entender que não estão ocorrendo vidas carnais, mas encarnações de espíritos.

É muito diferente uma crença da outra, pois a vida carnal possui toda uma base ditada pelos desejos e pela sociedade humana enquanto que numa encarnação o espírito tem como objetivo a evolução espiritual e a encarnação tem suas bases ditadas pelo Espírito da Verdade na pergunta 132 de O Livro dos Espíritos.

Então, quem é reencarnacionista tem que acreditar que esta vida é uma encarnação e este conhecimento tem que lhe leva a viver esta vida (criar realidades) apenas pelo que está dentro desta resposta e mais nada. E nela não existe a “obrigação” de manter a integridade da pátria. Isto, portanto, não é objetivo da encarnação.

É isto que precisa ficar bem claro, pois vivenciar o ensinamento acaba com o apego à letra fria. Quem apenas sabe, mas não gera a partir deste saber uma movimentação está preso à letra fria.
FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM FALA SOBRE A AJUDA AO PRÓXIMO

 

 
Jan 17, 2009

 

Participante: Me é um tanto difícil amar sem ajudar o próximo ao meu lado. Não é que eu tenha síndrome de ajuda, mas faço quando me é possível.

Fazer o que e para quem? Vou ser bem claro com você: o espírito é filho de Deus. Será que o Pai, que é o Senhor Todo-Poderoso do Universo, precisa de você para educar e fazer crescer bem o Seu filho? Será que Ele dependerá de você, um ser humano para poder exercer a Sua paternidade?

Se sua resposta é sim, eu afirmo que Deus estaria em “maus lençóis”, já que o ser humano só ajuda quem ele quer e da forma que quer. O ser humano ajuda de acordo com suas próprias vontades e por isso só ajuda quem ele acha que precisa. E fundamentando-se naquilo que ele acha importante.

Esta forma de ajudar não conduz a lugar nenhum. Primeiro porque todos são filhos de Deus, mesmo aqueles que você acha que não precisam de auxílio. Segundo, porque o que é importante para você não é para o outro…

Sendo assim, afirmo: você não está ajudando os outros, mas satisfazendo seus próprios desejos, ou seja, ajudando-se… Desculpe, mas imaginar que compete ao ser humano auxiliar o espírito, o ser universal, é soberba. É pensamento daquele que imagina que o ser humano é o supremo no Universo.

Não se sinta ofendido com o que estou dizendo, porque não estou falando diretamente com você. Na verdade estou falando como todos os seres humanizados que imaginam isso.

Todos os egos humanos possuem como característica (verdade, conceito) acharem que podem realizar alguma coisa e que Deus precisa deles para poder criar. Isso é característica do ego humano, mas esta crença perde força quando aprendemos que Deus é Onipotente. Por isso, apesar do seu ego lhe afirmar que você é o responsável em ajudar os outros, eu lhe digo que não deve comprometer-se sentimentalmente com esta ilusão criada por sua personalidade humana.

Como diz o Espírito da Verdade: o ser humano que acredita que pode agir independente da emanação divina é aquele que quer ser o próprio Deus. No entanto, este não vê a sua pequenez frente ao Universo e ao próprio Senhor, pois um simples sopro de Deus pode acabar com ele…

Deixe me dizer mais…

Sabemos que aquilo que é considerado por vocês como vida nada mais é do que uma encarnação do espírito. Ela tem apenas um objetivo: realizar determinadas provações para alcançar a elevação espiritual. Sendo assim, pergunto: se o espírito precisa passar por uma prova de ser assassinado, a melhor ajuda a este ser não será meter uma bala nele?

Você está disposto a dar esta ajuda a quem precisa? É claro que irá me responder que não…

Você acha que ajudar é dar alimento, dinheiro e cobertor para acabar com o frio. Ou seja, a sua ajuda está condicionado aos bens terrestres que Cristo ensinou que não devemos nos prender. Apesar disso, ainda diz que é um ato divino fazer a caridade dentro dos padrões materiais…

Mas, e quanto ao bem celeste? E quanto ao auxílio ao irmão espiritual que precisa promover a sua elevação espiritual? Para este aspecto você tapa as vistas, não? O que realmente importa, o que realmente poderá ter utilidade eterna para o espírito não lhe interessa, mas apenas aquilo que você acha certo fazer, mesmo que este auxílio seja estéril…

Sim, o seu auxílio é estéril, pois o frio, a fome e as necessidades acabam, mas a bem-aventurança é eterna… Ensine um espírito a amar, mas para isso é preciso que você ame. Não este amor fundamentado em elementos materiais como vocês conhecem, mas o amor universal, aquele que traz uma felicidade que independe de satisfações materiais.

Na verdade, moço, o ser humano não ajuda ninguém, mas busca a apenas a sua satisfação própria. Isto acontece porque ele ajuda do jeito que quer, ou seja, aprisionado aos seus próprios valores e interesses. Diz que ajuda aos outros, mas está apenas preocupado em satisfazer seus próprios conceitos…

O Universo possui uma lei que rege os acontecimentos universais, entre eles aqueles que ocorrem durante as encarnações. Esta lei é a do carma, que pode ser expressa na seguinte máxima que Cristo ensinou: Deus dá a cada um segundo as suas obras.

Sendo assim, ele utiliza um ser humano para socorrer apenas aquele que mereceu receber. Ela não deixa ser socorrido quem, espiritualmente falando, não merece ser atendido.

NOTA: Neste caso o termo “merece” não deve ser ligado a nenhum critério positivo ou negativo. O merecer aqui deve ser entendido como precisa. Só é socorrido aquele que, como provação, precisa ser.

Além disso, existe também o merecimento de quem vai ajudar. Ou seja, se você não precisar passar pela prova da doação, Deus não lhe fará atender os outros. Para isso, Ele encontrará um outro ser humanizado que precisa desta situação como carma.

Isso é dar a cada segundo as suas obras: exerce o papel de recebedor e de doador apenas quem precisa e merecer vivenciá-lo. Este é um Universo onde Deus é o Senhor Onipotente, Onipresente e Onisciente. Onde existe uma Causa Primária que possui uma Inteligência Suprema que é Soberanamente Justa e Amorosa…

Não é nisso que você diz que acredita? Só estou pegando o que você diz que acredita e trazendo para a realidade da vida…

Participante: O problema é me sentir mau negando uma ajuda solicitada…

A prova é exatamente essa…

Na hora que você se sente mau, não amou. Você não passou na prova. Aquele que não recebeu não tem nada a ver com o que você sentiu, mas vivenciará o seu próprio carma, a sua prova e deverá fazê-lo amando-o neste momento.

Isto é o que ensino a sete anos fundamentado no que vimos no estudo dos ensinamentos dos mestres. Mas, uma coisa importante precisa ser destacada ainda: eu não estou dizendo que você deve negar auxílio aos outros.

O que estou falando é que, como Krishna ensinou, você deve manter-se equânime negando ou não ajuda aos outros. Mas, para ter o seu coração em paz é preciso compreender que tudo está acontecendo como deveria ser, tudo está sendo regido por Deus através de Suas emanações.

O que estou falando é que como Buda ensinou, tudo o que você participa são apenas criações de seus cinco agregados e que nada tem a ver com a Realidade espiritual. O que estou dizendo é que você deve amar a Deus e ao próximo acima de tudo, inclusive de sua ação. Mas, para fazer o que Cristo ensinou, é preciso permanecer feliz, ajudando ou não outro.

Apesar de estar dizendo tudo isso, quando ensino desta forma, as pessoas afirmam que estou dizendo que não se deve ajudar o próximo, mas eu nunca disse isso. O que sempre digo é que você não pode depender de ajudar os outros para se sentir bem, porque isso é egoísmo.

Portanto, não importa o que você faça, ame e mantenha feliz…
FONTE: http://www.universalismo.org/

JOAQUIM FALA SOBRE COMO NÃO RETRIBUIR O AMOR CARNAL A QUEM NOS AMA CARNALMENTE

 

 

Mar 14, 2009

 

Participante: Como posso dizer à minha mãe que ela está me levando para a ilusão… Que o arroz e feijão bem temperado, o morango ensopado e o peixe frito são mayas… É como se fôssemos crianças e nos dessem um pedaço de chocolate bem grande… Só que este chocolate não é a verdadeira existência do ser. Nosso verdadeiro alimento é outro…

Ou seja, o que você me pergunta é como não retribuir o amor carnal a quem nos ama carnalmente…

Esta é uma questão importante para o buscador e muitos que buscam aproximar-se de Deus se perderam neste aspecto. Começarei lhe dizendo o seguinte: o amor universal, não pode – ouça bem o que eu quero falar – transigir a nada…

Acho que não usei a palavra certa… O que quero dizer é que o amor universal não pode se submeter – seria uma palavra melhor – a nada. Ele precisa estar presente e não pode se deixar abater por nada…

Pense comigo… Talvez esta mesma pergunta tenha sido feita por Cristo antes do episódio dos mercadores do templo…

Talvez ele tenha pensado: Pai, como vou dizer àqueles homens que estão ganhando a vida comerciando as mercadorias no templo que eles não podem fazer isso? Pobres coitados, eles têm família, precisam deste dinheiro pra sustentar filhos e mulheres…

Avancemos um pouco mais no tempo… Talvez a mesma pergunta tenha sido feita por Francisco de Assis quando ele precisou expor os seus pais à crítica da comunidade quando resolveu assumir determinado padrão de existência…

Apesar disso, ambos viveram em paz, harmonia e felicidade estes acontecimentos. Sabe por que? Porque o amor universal não pode existir quando há o medo de magoar os outros…

Nesta série de estudos que estamos realizando, já destruímos todos os conceitos humanos a respeito de Cristo. Já mostramos como ele, em momento algum, trabalhou em prol da felicidade humana, ou seja, do prazer.

No entanto, para aqueles que não acompanharam este estudo, lança aqui um desafio. Leiam o Novo Testamento e me apontem em que momento Cristo não critica apontando falhas nos religiosos do seu tempo ou até em seus apóstolos.

Procurem nos ensinamentos atribuídos a Cristo e verifiquem que não há uma palavra de carinho ou encorajamento quanto à felicidade material… Mais: além de jamais encorajá-los, Cristo ainda “fala mal” deles. Isso fica bem claro na pergunta que faz aos céus: até quando eu terei que agüentá-los, vermes… É, é assim que ele se dirige aos seus discípulos.

Sabe por que? Porque Cristo não os amava materialmente (com um amor humano), mas universalmente (o amor de espírito para espírito). O mestre sabia que se amando universalmente não se pode passar a “mão na cabeça” (transigir com os desejos e paixões humanas do espírito encarnado). Ao contrário, o amor verdadeiro entre dois espíritos precisa ser fundamentado no aproveitamento deste amor para elevação espiritual, mesmo que isso fira os anseios humanos.

Portanto, como dirá à sua mãe que ela não o está amando verdadeiramente? Da forma mais direta: não tendo prazer em comer o arroz com feijão, não demonstrando a ela que está fazendo uma grande coisa por você.

Desculpa, parece que estou lhe incitando a causar sofrimento na sua mãe, mas não é isso. É que como eu disse, o amor não pode transigir, não pode aceitar calado o não amor ou o amor fundamentado em paixões e desejos humanos…

O amor não pode silenciar-se frente ao egoísmo. O amor precisa apontar o egoísmo porque sem a consciência de ser egoísta, o ser humanizado, o espírito encarnado, jamais compreenderá o seu próprio egoísmo… Mas, ao vivenciar esta atitude, não o faça guardando mágoa de você ou dela.

Não o faça sentindo-se o dono da razão ou da verdade… Faça porque é isso que a sua consciência indica para você fazer. Mas, principalmente, preocupe-se em fazer no seu mundo interno, ou seja, no seu coração. Demonstre de sentimentos e não de atos, pois você só conseguirá praticar atos que espelhem esta decisão, como já vimos, se isso estiver no livro da vida dela e seu..

Amar internamente sem vivenciar sentimentos de crítica ou de soberba: este é o trabalho que pode ser chamado como sal da humanidade, como luz para o mundo… Foi assim que Cristo viveu. A cada momento que era preciso colocar o dedo na cara – sim, dedo na cara, pois nunca existiu o sorriso bonito que as pinturas revelam – e dizer ai de vocês professores da lei e fariseus e hipócritas, Cristo estava em paz…

Cada vez que ele tinha que vivenciar situações que, externamente, demonstravam que ele estava com raiva, por dentro (sentimentalmente) estava de bem consigo mesmo. Nunca aceitou para si a crítica ao próximo e nem nunca se criticou.

Se fôssemos analisar razão humana, pelos critérios de bondade humanos, Cristo depois de enfiar o chicote nos mercadores deveria ter sentado no chão e chorado: meu Deus, eu agredi fisicamente um semelhante… Mas, não fez isso. Foi para dentro do templo e falou mais e esqueceu aquele ato…

Nunca levou em si o sentimento que aparentemente estava lhe dominando: raiva por comercializarem na casa de Deus. Assim como não levou também dentro de si nenhuma culpa ou frustração por ter sido agente daquele ato…

Mas, aproveitando a sua pergunta, quero deixar um recado para todos: sejam honestos com vocês mesmos… Não criem ilusões ou fantasias de que alcançarão uma posição de beato, uma beatitude nesta vida… Não acreditem que conseguirão ter aquele ar angélico que caracteriza humanamente aqueles que são elevados… Tudo isso é apenas um estereotipo, ou seja, uma ilusão. O que vale não é com o que você se aparenta, mas como vive internamente…

Além do mais, não se esqueçam que Krishna ensina: cada um vive de acordo com a sua natureza, ou seja, de acordo com a sua missão no planeta. Portanto, você não pode ser diferente do que é… Portanto, não transija no amar universalmente nem sobre a possibilidade de chatear sua mãe… Não transija nem sobre a possibilidade de destruir um casamento, de perder emprego… Ou seja, não transija nunca.

Faça isso para poder ganhar a “vida”, pois como disse Cristo: quem quiser ganhar a sua vida vai perdê-la, mas quem a perder em meu nome, ganhará a vida eterna… Não faça como os humanos hipócritas, que acendem uma vela para Deus e outra para o diabo (vão aos cultos, mas continuam vivendo o restante de sua existência dentro dos padrões humanos), porque isso não dá certo. Não transija jamais no seu amor…

Fonte: http://meeu.org/

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